Aug 27 2009

Como o varejo pode contribuir com o meio ambiente

Sustentabilidade é um diferencial de posicionamento e competitividade, um objetivo para qualquer tipo de empresa e deve estar no centro do negócio. Não é preciso deixar para depois ou esperar que outras prioridades estejam resolvidas para então pensar a respeito. Os resultados e benefícios serão reais e crescentes, tanto para a empresa, como para a sociedade, num verdadeiro “ganha – ganha”.

Mas é preciso reafirmar a importância da liderança na efetividade da estratégia de sustentabilidade das empresas. Se quem decide não tiver esta visão ou não estiver convencido do valor para o negócio, tudo isso não irá passar de ideologia ou de idéias acadêmicas de pouca utilidade prática.

Na prática, integrar aspectos econômicos, ambientais e sociais diminui custos, principalmente futuros, reduz riscos, evita desperdícios, gera lucros. E ainda, num investimento de longo prazo, constrói relacionamentos sólidos e duradouros com os públicos da empresa, em especial colaboradores, clientes e comunidade do seu entorno, criando com eles vínculos de confiança e lealdade.

Como? Vamos tomar o setor de varejo como exemplo, onde empresas de qualquer porte têm processos sustentáveis mais rentáveis para implantar. Começando pela construção “verde”, assim denominada porque privilegia a preservação ambiental como critério para projetos e obras de lojas, com iluminação natural, materiais de origem certificada, pé direito mais baixo, reuso de água, descarte de entulho etc. A construção sustentável tem um custo em média 15% mais alto, mas se justifica pela redução de custos operacionais já em curto prazo. Em 50 anos, a redução pode chegar a 80%.

Na mesma linha, programas de eficiência energética não só reduzem despesas com iluminação e equipamentos de refrigeração, como buscam formas alternativas de geração e utilização de energia.

Na logística e na operação da loja, iniciativas como o descarte de embalagens junto a cooperativas e indústrias de reciclagem geram emprego e renda. E trazem economias, que, em muitos casos, são revertidas para investimentos sociais da empresa, especialmente ligados à educação de crianças e jovens, projetos comunitários e conscientização ambiental.

O impacto ambiental do varejo é pequeno, quando comparado ao produzido por indústrias que usam recursos naturais ou emitem enormes quantidades de gases de efeito estufa. Assumindo, porém, um trabalho de mobilização e conscientização no consumo, muitas redes estimulam uma mudança cultural importante junto aos consumidores, comercializando sacolas retornáveis, disponibilizando caixas de papelão para acondicionar as compras, desenvolvendo sacolas plásticas mais resistentes, mais caras, mas mais econômicas pela utilização em menor quantidade.

Ainda envolvidas em divergências e polêmicas sobre sua efetiva contribuição ao ambiente, sacolas plásticas que se degradam em contato com o ar, num prazo de até seis meses, vem sendo utilizadas especialmente por lojas de não – alimentos.

Consumidores têm se tornado cada vez mais conscientes e engajados, participando ativamente de programas de coleta seletiva de embalagens pós-consumo, adquirindo produtos orgânicos, produtos de marca própria sustentáveis ou de manejo sustentável, vindos de comunidades, cooperativas e associações de artesãos.

Junto a fornecedores há frentes importantes, como a negociação para redução de tamanho e utilização de matéria-prima certificada nas embalagens, exigências contratuais proibindo práticas trabalhistas ilegais e discriminatórias.

Colaboradores também podem ser alvo de práticas interessantes, desde a adesão a programas de voluntariado e relacionamento comunitário até o estímulo à participação no processo de sustentabilidade.

A empresa pode, ainda, posicionar-se como “parceira” na solução de problemas locais e no desenvolvimento das comunidades em que atua, investindo no futuro.

Desta forma, com mentalidades “antenadas” na evolução da sociedade, conscientes do atual papel das empresas no mundo e ainda, com sua crença na proposta da sustentabilidade, empresários e executivos de vanguarda irão comemorar algo ainda visto por muitos como inconciliável: resultados e benefícios para o negócio ao lado de resultados e benefícios para a sociedade e o ambiente.

Fonte: Agência IN por Rosangela Bacima, 27/08/2009


Aug 19 2009

Pesquisa revela rumos do varejo

As varejistas vão adquirir concorrentes mais fracas, fechar lojas e ampliar a variedade de produtos baratos para sobreviver à desaceleração econômica mundial, informou o Comitê Internacional de Redes Varejistas de Alimentos (CIES, pela sigla em francês), sediado em Paris. À medida que a recessão leva a uma pressão para baixo nos preços das mercadorias, os varejistas terão que reavaliar o seu tamanho e valor estratégico dos mercados nos quais operam, segundo concluiu uma pesquisa realizada pelo CIES, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, com 596 dirigentes de empresas, em 54 países.

Responder aos desafios econômicos substituiu a responsabilidade corporativa como a maior preocupação dos executivos. Na esteira da crise do crédito, os dirigentes de varejistas que vendem alimentos e da indústria de transformação do setor enfrentam desafios que vão de mudanças no comportamento do consumidor às flutuações cambiais e nos preços das ações, segundo a pesquisa. Onde as empresas estão concordatárias, como a rede Circuit City Stores Inc., nos Estados Unidos, e a Woolworths Plc, no Reino Unido, apresenta-se uma oportunidade de crescimento para as de melhor performance, através de aquisições e expansão, segundo a pesquisa.

“Os varejistas que ainda tiverem uma boa reserva de fundos estão em uma posição realmente forte este ano””, disse Alan McClay, principal executivo do CIES. “As empresas inteligentes estão atrás de maior colaboração e maior consolidação como uma forma de aumentar a eficiência e a participação no mercado. Existe campo para fusões e aquisições de todos os tamanhos””, apesar da falta de crédito disponível dos bancos, disse McClay. De acordo com o executivo, o Reino Unido e os EUA, onde há a maior proporção de varejistas em dificuldades em comparação com os países da zona do euro e da Ásia, provavelmente vão sofrer mais. Os dirigentes das redes de varejo estão tentando cortar preço de forma a atrair os consumidores que procuram reduzir suas despesas, concluiu o CIES. Os donos de supermercados barateiros, como Aldi Group, Lidl U.K. GmbH e a rede Asdam da Wal-Mart Stores Inc., estão particularmente bem posicionados para capturar uma participação do mercado em um ambiente de recessão, pois podem atrair clientes espertos da classe média dos concorrentes mais careiros, explicou McClay.

Consumidores

“Os consumidores estão procurando coisas mais baratas, mas agora eles esperam receber a mesma qualidade a um preço inferior”, disse McClay. Segundo ele, os varejistas que forem ágeis e se adaptarem rapidamente a essa mudança vão sobreviver, enquanto os que não o fizerem correm o risco de afundar. Os dirigentes empresariais disseram que vão procurar formas de reduzir custos de todas as maneiras possíveis para evitar a queda nos lucros com as políticas agressivas de preço.

Os varejistas e os fornecedores vão compartilhar pesquisas e colaborar no desenvolvimento de produtos e promoções para obterem maior eficiência, concluiu o CIES. Entre os participantes que responderam a pesquisa estavam altos executivos da Unilever, da PepsiCo Inc. e do Tesco Plc. “Liderança forte é o fator isolado mais importante nestes tempos. Vai ser uma dança das cadeiras nas posições mais altas dessas empresas”, prevê Mc Clay.

Gazeta Mercantil, 03/02/2009