Sep 3 2009

Por que as empresas precisam usar o Twitter?

O Twitter veio pra ficar. Conquistou internautas, artistas, jornalistas, intelectuais, chefes de Estado e, mais recentemente, tem chamado a atenção das empresas. De olho nos benefícios e possibilidades desta ferramenta de comunicação, gigantes como Dell, Ford, Samsung, Starbucks e Kodak aderiram ao Twitter, utilizado principalmente para a divulgação de seus produtos, promoções e novos lançamentos.

No Brasil, as empresas também começam a atentar para sua importância. Já existem livros, como o lançado recentemente pela Talk, com orientações sobre como tirar o melhor proveito do Twitter. O guia “Tudo o que você precisa saber sobre Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)” é dividido em capítulos fáceis de ler e atende tanto ao usuário que não conhece nada da ferramenta, quanto àquele que já tem um bom conhecimento de como ela funciona.

No caso das empresas, elas estão se conscientizando das boas oportunidades de negócios e da interatividade que elas podem ter com os seus clientes através do Twitter. Um bom exemplo é o de uma padaria do Rio de Janeiro, que usa o microblog para comunicar que está saindo uma nova fornada de pães quentinhos. Outro é o da companhia aérea americana JetBlue, que faz do Twitter uma espécie de Serviço de Atendimento ao Consumidor, dando ao cliente uma alternativa simples e eficiente de entrar em contato com a empresa. A rede americana Wal-Mart criou em seus supermercados no Brasil uma conta no Twitter específica para os consumidores, como parte de sua estratégia de vendas on-line.

5 dicas sobre Twitter para as empresas

Fora algumas iniciativas isoladas, poucos empresários brasileiros se deram conta do poder de alcance dessa rede. Se a sua empresa deseja aumentar a presença na Web via Twitter, aí vão as dicas mais importantes para utilizar essa ferramenta.

Estabelecer conexão com clientes – dar vazão aos entusiastas, promover relacionamento, discutir tópicos relacionados à área de atuação e conversar com pessoas que por algum motivo não conhecem ou não deixam comentários no blog da empresa.

Escutar – saber receber elogios e críticas, acompanhar a conversa sobre assuntos de interesse da empresa de uma maneira que não é possível por outros veículos, fazer perguntas, estar onde a conversa está e não esperar o cliente entrar em contato, aproveitar a força do testemunho espontâneo, utilizar esse material para produzir relatórios periódicos.

Humanizar a empresa – mostrar que existem pessoas de verdade que se preocupam com seus clientes, favorecer a participação e o interesse de funcionários e ex-funcionários que acompanham a atuação da empresa pelo Twitter, ser capaz de falar sobre coisas ruins, promover a transparência.

Informar – o Twitter se torna uma extensão do blog para compartilhar novidades, educar o consumidor em relação a informações erradas, responder na hora tirando proveito da possibilidade de falar em tempo real.

Promoções – atrair clientes ativos na rede organizando eventos presenciais, distribuindo brindes. No caso de empresas de entretenimento, é possível realizar encontros com fãs, distribuir fotos exclusivas e tuitar ao vivo de eventos.

A dica geral é: não sobrecarregue a sua audiência e seja honesto, acessível, rápido e divertido.

Agência IN por Luiz Alberto Ferla, 31/08/2009


Aug 19 2009

Escravização eletrônica versus qualidade de vida

Computador de mesa, celular, notebook, blackberry… As ferramentas tecnológicas mudaram, em poucos anos, a forma como nos relacionamos profissional e socialmente, criando um ambiente de alta disponibilidade no qual todos são facilmente acessados em qualquer lugar e a qualquer momento. A informação que circula neste meio é veloz a ponto de aproximar empresas, clientes e pessoas como se estivessem cara a cara. Conhecidos como Nômades Digitais, o grupo está cada vez maior. Porém, cada vez mais estressado.

A mobilidade é a palavra do momento para todos os nichos de usuários de tecnologia, sejam estudantes que precisam se manter informados o tempo todo para realizar suas pesquisas acadêmicas; executivos que precisam gerenciar empresas e equipes, mesmo estando a milhares de quilômetros da sede da companhia; ou simplesmente cidadãos que querem ou necessitam estar conectados 24 horas por dia.

Este novo panorama, que se sustenta em internet móvel, Wi-Fi, serviços diversificados via celular e outros dispositivos, mostra que é cada vez mais fácil se conectar ao mundo e trabalhar de qualquer lugar.

Indiscutivelmente, esta realidade é um grande avanço para a sociedade e seus sistemas mercadológicos. Porém, o mau uso destes recursos tem causado outros problemas de ordem social, gerando “escravos do mundo virtual”, pessoas que não conseguem se desconectar e se sentem obrigadas a estar disponíveis para chefes e clientes 100% do tempo.

Poder realizar diversas tarefas simultâneas agiliza a rotina dos profissionais, que estão produzindo ainda mais para seus empregadores. No entanto, esta geração está enfrentando o desafio de separar a rotina de trabalho da vida pessoal, de modo que a qualidade de vida permaneça como um item importante na relação de prioridades.

Saber lidar com esta amplitude de opções tecnológicas é o grande desafio dos Nômades Digitais para a próxima década. Ou aprendem a desligar o blackberry na sessão de cinema, ou serão pessoas cada vez mais sozinhas, sem personalidade e conteúdo.

Definitivamente, as empresas não querem workaholics disponíveis 24 horas ao dia. Elas precisam de profissionais focados, criativos e organizados (principalmente com a distribuição do seu próprio tempo), capazes de gerar resultados de alta qualidade dentro do prazo esperado e aproveitar o tempo livre com atividades que os deixem com as cabeças arejadas para voltar ao trabalho no outro dia, com o mesmo empenho.

A tecnologia bem administrada será sempre benéfica para a sociedade, servindo como um facilitador. Contudo, outro ponto relevante nesta discussão é o contato pessoal, que ainda é necessário. Não há nada que substitua uma boa conversa, frente a frente, na qual há espaço e aproximação suficiente para a troca de idéias e argumentações.

Profissionais e empresas não podem simplesmente substituir os escritórios por home-offices sem que a interação interpessoal seja resgatada e estimulada com certa frequência, e que limites sejam impostos à tecnologia em prol de uma boa qualidade de vida.

Para alcançar este equilíbrio entre o pessoal e o profissional, virtual e real, é essencial ser capaz de identificar os momentos certos para dizer não aos dispositivos tecnológicos, como na hora de dormir, fazer as refeições ou até tomar banho, no convívio familiar e durante os períodos de lazer. O bom profissional sabe quando sua disponibilidade é realmente necessária, e não precisa estar o tempo todo conectado para ter seu trabalho e esforço reconhecidos.

É preciso ter claro que a tecnologia não é uma forma de escravização eletrônica, assim como as redes sociais e ferramentas online (como Facebook, Orkut e MSN) não são as únicas formas de interação e diálogo. O aparato hightech disponível hoje no mercado é uma tentação à hiperconectividade, mas uma boa reflexão sobre o papel de cada um destes aparelhos pode nortear o uso racional e saudável da tecnologia, sem fazer dela a grande vilã do mundo moderno.

kicker: “Ou desligam o blackberry na sessão do cinema, ou serão pessoas cada vez mais sozinhas, sem personalidade e conteúdo”

Gazeta Mercantil por Raymundo Peixoto, 05/01/2009