Oct 19 2009

Quer nota fistal paulista?

Os profissionais de todas as formações que atuam na área de logística sabem que não dá para trabalhar sem planejamento. Este é um setor cujas ações são pensadas para resultados de médio e longo prazos. Não dá para ser diferente. Entretanto, enquanto a crise financeira global completa o primeiro ano (não serão muitos) no dia-a-dia dos executivos, as incertezas da economia conduzem a questões sobre como elaborar planejamentos estratégicos das organizações. Neste último ano, os gestores de empresas de todos os segmentos foram obrigados a visitarem e redefinirem seus planos de ação no mínimo uma vez ao mês, algo muito distante das suas rotinas de economia aquecida.

No Brasil, as constantes readequações dos planos de ação é uma situação nova para os executivos com menos de 40 anos de idade, que não viveram o mercado dos “velhos” tempos de inflação “galopante”, quando as metas e objetivos eram traçados para serem alcançados em curtíssimo prazo, obrigatoriamente. Em logística, isso é uma tarefa extremamente complicada por diversos fatores, pois a contribuição das empresas do setor aos seus clientes é justamente o desenho de soluções que auxiliem as empresas a tornarem-se mais competitivas em seus mercados.

Mas, apesar do panorama de retomada em curso, os gestores não podem esquecer que a crise gerou um retrocesso nas práticas profissionais e os obrigou a voltarem ao passado, às décadas de 1970 e 1980. Nesta época, a realidade de incertezas para tomadas de decisões conduzia à busca de soluções criativas para cumprirem (de alguma forma) o planejamento estratégico, ou boa parte dele. No Brasil, o cenário econômico sem inflação (ou com índices baixos) contribuiu para a adoção de planos estratégicos apenas para cumprimento em médio e longo prazos, o que acabou por colocar os executivos em uma perigosa “zona de conforto”. Porém, aos gestores que se deparam com cenários deste tipo pela primeira vez, fica a motivação de que esta realidade traz excelentes oportunidades de aprender a executar planos ágeis para não perder as oportunidades de negócio que surgem no curto prazo.

Porém, o novo ambiente globalizado se coloca como um fator importante tanto para os novos executivos como para os mais experientes. Ambos têm de ligar com um contexto de incertezas de âmbito planetário, cujas informações viajam rapidamente, muitas vezes sem respeitar fronteiras ou modelos econômicos, causando reflexos variados. Atualmente, muitas das notícias veiculadas nos Estados Unidos ou Europa contribuem para tomadas de decisões que acarretam demissões no Brasil ou em outros países em desenvolvimento, ou ocasionar retração ou realocação de investimentos, entre outros impactos. Neste caso, os gestores se vêem obrigados a agir rapidamente para adequar suas companhias.

Alguns setores, entretanto, se deparam com mais entraves que outros para se adequarem de forma ágil às mudanças do mercado e às exigências de novos cenários. A logística, com certeza, é um destes setores, no qual o planejamento de curto prazo gera uma demanda de cinco anos, em média; neste segmento, quando se fala em médio prazo, leia-se dez anos e, para longo prazo, entende-se períodos de 20 anos ou mais. Assim, os ajustes dos planos estratégicos ocasionam uma série de impactos que exigem adoção de medidas eficientes em um ambiente no qual alguns fatores não podem ser descartados, como o treinamento da mão-de-obra, desenvolvimento e implantação de tecnologias de ponta para redução de custos e geração de maior velocidade aos percursos, entre outros. Em paralelo a estas necessidades, as empresas do setor enfrentam ainda algumas barreiras urgentes, como contratação de juros e aplicações financeiras.

O paradoxo e demais contradições da gestão do planejamento estratégico exigem muita eficiência dos executivos, que devem estar preparados para gerir os negócios com agilidade, competência e atenção a todos os detalhes das economias locais, regionais e globais.

Fonte: Agência IN, 23/09/2009


Aug 20 2009

Entenda a nota fiscal eletrônica

Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) é o nome do novo fisco do governo, que tem criado dúvidas nos contribuintes, assustados pela tecnologia que acompanha a nova fiscalização e acomodados com o sistema antigo. A Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), juntamente com o SPED Fiscal e o SPED Contábil, é uma das três facetas do Sistema Público de Escrituração Digital e deverá ser instaurada até setembro deste ano. A nova Nota engloba vários setores da indústria e do comércio, sendo assim, os empresários devem ficar atentos.

Para começar, é importante definir o que é a Nota Fiscal Eletrônica. A NF-e é um arquivo digital que visa documentar a circulação de produtos entre os dois extremos da negociação, comprador e vendedor. Ela deverá ser autenticada pelo emitente com uma assinatura digital, que, por sua vez, será certificada por entidade credenciada pela Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), contendo o CNPJ do emissor ou da matriz.

A NF-e vem para substituir as notas fiscais dos modelos 1 e 1A, utilizadas para registrar transações comerciais entre pessoas jurídicas e será aplicada a todas operações previstas na legislação: entradas e saídas, tanto estaduais quanto interestaduais; importação ou exportação; e simples remessa. Mas tome cuidado, a nova Nota não substituirá outros modelos de documentos fiscais, como a Nota Fiscal a Consumidor e o Cupom Fiscal.

O processo pode parecer complicado, mas, na verdade, é simples. A empresa que envia o produto emite uma nota com todas as informações fiscais da operação que se iniciará. Pela internet, este arquivo será enviado a Secretaria de Fazenda pertinente à região deste contribuinte, que checará as informações do arquivo e fará uma pré-validação, devolvendo uma Autorização de Uso para a empresa emissora, que poderá liberar a mercadoria. Depois de receber a NF-e, a Secretaria de Fazenda coloca o arquivo à disposição do destinatário e de outros interessados que possuam a chave de acesso do documento. Posteriormente, a nota será transmitida para a Receita Federal. No caso de operações que cubram dois ou mais Estados, o arquivo também será enviado para a Secretaria de Fazenda Estadual referente ao Estado do destinatário.

A Nota Fiscal Eletrônica passou a ser obrigatória para alguns setores a partir de abril do ano passado. Fabricantes de cigarros foram um dos primeiros a aderirem à novidade. No final de 2008, foi a vez de fabricantes de automóveis, bebidas alcoólicas e refrigerantes, que, entre outros, adaptarem-se à exigência. Por fim, agora em setembro, vários setores da indústria serão obrigados a adotar a NF-e, entre eles, produtores de cosméticos, de papel e importadores de equipamentos de informática.

Recomendo para empresários que desconhecem a situação da sua área de atuação frente ao Fisco, que acessem o site da Receita Federal e verifiquem se estão inclusos em um dos setores obrigados a adotar a Nota. Alguns empresários desavisados, por simples desconhecimento, podem perder o prazo e correm o risco de emitir produtos sem nota. Lembre-se que emitir qualquer outro modelo de Nota Fiscal, que não a exigida, equivale a não emitir nota nenhuma, o que, dependendo do Estado, pode gerar multa. Em São Paulo, a interceptação da circulação de mercadoria feita de forma irregular implica em multa de 50% do valor da operação e, em alguns casos, a apreensão do produto enquanto a transação é regularizada.

Aqueles que não são obrigados também podem aderir à NF-e espontaneamente, como empresa voluntária. Esse cuidado, mesmo que possa gerar alguns inconvenientes, traz muitos benefícios ao empresário. O principal deles é a redução de custos, tanto com a impressão quanto com a compra e a armazenagem do papel, além da adaptação sem pressa a uma obrigatoriedade que, mais cedo ou mais tarde, vai atingir todos os âmbitos da sociedade.

A adaptação para a nova Nota leva tempo, além disso, o empresário deve escolher o programa que usará. Nessa hora, conversar com o seu contador sobre como deverá ocorrer a adaptação é a melhor solução. Por isso, prepare-se com antecedência e não deixe para a última hora uma pendência que pode gerar problemas sérios aos cofres da sua empresa.

Fonte: Agência IN por Dora Ramos