Mar 27 2010

Líder: como agir com quem não deu certo em outro setor da empresa?

Receber na equipe funcionários que não deram certo em outros setores da empresa é sempre uma questão delicada para o líder. Entretanto, profissionais que as empresas optaram por transferir em vez de desligar podem agregar muito ao novo grupo.

Dessa forma, sugere o especialista em administração do tempo e produtividade, Christian Barbosa, o líder deve tratar o profissional transferido como trataria um novo membro, tentando não valorizar o ocorrido com o funcionário no passado. “O líder deve esquecer o passado. Ele pode até tentar saber o que aconteceu, mas não deve se prender a isso”, diz o especialista.

O consultor de Recursos Humanos do Grupo Soma, Antenor de Toledo Barros Neto, concorda, mas faz alguns acréscimos. “O líder deve fazer a integração do funcionário e verificar como foi a recepção do grupo. Além disso, é importante saber qual a expectativa do colaborador e verificar se ele está no mesmo nível dos demais empregados, mesmo para saber se serão necessários outros investimentos”.

Por que transferido e não desligado?

Ainda conforme os especialistas, existem vários motivos que levam uma pessoa a ser transferida de setor dentro da mesma empresa em vez de desligado. Dentre eles, não se adaptar à metodologia e não atender às expectativas do líder.

Além disso, explica Barbosa, o profissional pode ter suas habilidades super ou subestimadas, ou mesmo pensar que exerceria uma função, quando, na realidade, seu trabalho é outro.

Contudo, deve estar claro que tal profissional é talentoso. Em outras palavras, ele possui habilidades e competências que são interessantes à empresa, mas que não se encaixavam ao setor anterior.

E o profissional, como deve se comportar?

No caso de pessoas que se encontrem na situação descrita, ou seja, que foram transferidas de área dentro da empresa, primeiramente, devem tentar entender o que ocorreu, para não cometerem os mesmos equívocos na outra área.

O profissional também deve se mostrar pró-ativo e tentar apoiar os colegas, já que pode sofrer preconceito por parte destes, por ter sido transferido. “O profissional deve se integrar ao grupo, observar a dinâmica da equipe e buscar informações sobre metas e sobre a liderança”, diz Barros Neto.

Por outro lado, quem vem de outro grupo nunca deve comentar sobre estratégias da equipe anterior, falar mal do antigo líder ou de colegas. “Se os novos colegas vierem perguntar o motivo da transferência, aborde sempre questões pessoais e nunca fatos relacionados à empresa ou a membros desta”, ressalta o consultor do Grupo Soma.

Fonte: InfoMoney – Por Gladys Ferraz Magalhães, 24/03/2010


Sep 5 2009

A imoralidade no mundo corporativo

Recentemente, os principais jornais do Brasil noticiaram que a AmBev ofereceu R$12 milhões ao CADE, com intuito de resolver sua pendência sobre concorrência predatória, ou melhor, suas costumeiras ilegalidades mercadológicas.Para nós, que acompanhamos a atuação desta empresa em todas as esferas, não é novidade este tipo de atitude. Por sua conduta, inclusive em situações anteriores, fica claro que para a multinacional dominante do mercado, não há lei que a faça fugir dos seus objetivos – ela vai ao limite da imoralidade para conseguir o que pretende.

O motivo dessa prepotência é o fato de nós termos criado essa empresa verde-amarela monopolista. Isso mesmo! Foi a própria sociedade brasileira que criou essa potência de imoralidade, e é essa mesma sociedade que sustenta esse tipo de atitude ao consumir seus produtos.

Um exemplo do alcance dessa “poderosa” foi a eleição de 2006, na qual o setor de bebidas doou mais de 25 milhões aos candidatos parlamentares, sendo que destes, mais de R$ 10 milhões foram desembolsados pela AmBev, com a visível intenção de ver seus interesses defendidos durante suas legislaturas.

Também não é estranho que a AmBev tenha financiado os sistemas de medidores de vazão junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vale ressaltar que a AmBev não apenas ajudou a RFB, mas sim criou, desenvolveu, regulamentou e implantou o sistema – tanto que algumas reuniões sobre a implementação dos medidores foram realizadas dentro das instalações da própria ABIR – Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes, que faz a sua representação direta.

A grande novidade sobre este assunto está na pergunta: Para onde vai o Sistema de Medidores de Vazão? Para a reciclagem de inox, pois estes medidores não servem para nada mais, uma vez que será implantado um novo controle de fiscalização, denominado de SICOB. Ou seja, a própria RFB nem acabou de homologar o sistema de medição de vazão e, imediatamente, já criou um novo.

Lembramos que tudo começou com a fusão entre a Brahma e a Antarctica, em 2000, formando uma mega empresa do setor que, ao longo de sua existência, desenvolveu e criou ações que culminaram com a eliminação de concorrentes, tendo as pequenas empresas nacionais concorrentes, mais de 500 neste período, sucumbido em função de algumas manobras da gigante, sobretudo, em questões tributárias.

Outra surpresa se deu em 2001, quando o então secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, regulamentou os sistemas de vazão, retirando, no mesmo mês e ano, todas as empresas do setor de refrigerantes do sistema simples de tributação, e alguns anos mais tarde foi contratado para trabalhar como conselheiro na AmBev.

Dessa forma, hoje, é possível notar que vivemos o fenômeno do mundo privado corporativo, que manda e desmanda no setor público, ou quer fazer “aportes” para evitar que seus interesses sejam deixados de lado.

Onde fica a moralidade dos entes públicos? Com a recusa da oferta feita pela AmBev, cremos que o CADE deu um exemplo aos demais órgãos públicos, separando os interesses privados dos públicos. Que este bom exemplo venha a ser seguido.

Aos éticos, o que está faltando é um pouco de conhecimento sobre ética!

Agência IN por Fernando Rodrigues de Bairros, 09/09/2009