Jul 19 2010

Diga adeus à ansiedade na entrevista de emprego

As mãos ficam ora geladas, ora trêmulas. O tempo todo, encharcadas de tanta ansiedade. O coração parece querer pular pela garganta. Falta ar para completar as respostas. Com sintomas assim, é quase impossível mostrar-se interessante o suficiente para conquistar uma oportunidade de emprego.

“A sociedade é refém de suas emoções e não é controladora delas”, afirma Orlando Pavani Jr, CEO da consultoria Gauss Consulting. No entanto, segundo ele, algumas técnicas e cuidados antes e durante as etapas do processo de seleção são suficientes para colocar as rédeas nessa avalanche de sintomas.

Confira abaixo e nas próximas páginas os cinco passos para conquistar o equilíbrio emocional durante a entrevista de emprego:

1.    Conheça a si mesmo. Avalie a oportunidade

A estratégia número 1 para dar um baile no gelo na barriga na hora da entrevista é ter  consciência sobre as próprias habilidades profissionais e pessoais. Esse é o momento para ser honesto consigo mesmo e com os critérios que definiu para construir a própria carreira.

De nada vale apostar em uma oportunidade de emprego que não seja coerente com o seu perfil profissional. De acordo com Pavani Jr, candidatos que não possuem as características exigidas pela empresa têm mais chances de ficar ansiosos durante a entrevista de emprego.

“A ansiedade é reduzida quando a pessoa tiver clareza de que ela precisa mostrar exatamente o que ela é”, diz. Até porque, pondera, candidatos que fingem ter determinadas características durante o processo de seleção têm grandes chances de encarar um processo de demissão no futuro – exatamente por não se adequar ao perfil esperado pela empresa.

A dica é avaliar bem o seu grau de compatibilidade com a empresa e com o cargo oferecido. Se o grau de afinidade for alto, siga em frente. “A pessoa precisa entrar na sala com a convicção de que realizou tudo corretamente ao longo da carreira”, explica a psicóloga Nany di Lima.

Por isso, antes da entrevista vale fazer uma espécie de check-up de toda a sua trajetória profissional. Avalie seus resultados. Nomeie seus pontos fortes. Elabore argumentos que mostrem o quanto preparado para aquela oportunidade você está.

2.    Atenção às preliminares

Entrevista de emprego pede preparo, mas isso não significa que você deve virar a noite revisando todos seus resultados ou as políticas da empresa. Uma boa noite de sono é uma excelente pedida para quem, no dia seguinte, vai encarar um processo decisivo para a carreira.

Além disso, fique atento para a alimentação. Prefira alimentos leves e beba muito líquido. “Por mais animado que você esteja, seu corpo vai dar sinais letárgicos de que você se alimentou com uma feijoada, por exemplo”, diz Nany.

Fuja também de situações estressantes – nem pense em passar as horas anteriores à entrevista em uma fila de banco. E não perca os olhos do relógio. Atrasos instigam a  combustão perfeita para uma explosão de ansiedade durante a entrevista.

3.    Silencie-se

No caminho para o lugar onde será feita a entrevista, concentre-se na sua respiração. Para relaxar, opte por movimentos de inspiração e expiração profundos e pausados.

Para lidar melhor com o tempo na sala de espera, tenha sempre uma boa leitura à mão. Vale levar um livro de literatura ou uma revista semanal. Mas, cuidado, para não acabar com sua reputação com esse simples item.

4.    É uma via de mão dupla

Durante a entrevista, não pense que você é o único na berlinda. Do outro lado da mesa, o recrutador também está com os dedos cruzados torcendo para encontrar um profissional compatível com o perfil procurado pela empresa.

Dessa forma, não entre na sala com a sensação de que você terá que implorar pela oportunidade. Antes, comece o bate-papo com o recrutador com a certeza de que aquele momento também é decisivo para ele e de que a sua única missão é se mostrar interessante o suficiente.

5.    Não se deixe levar

Mostrar-se interessante, contudo, não significa encarnar um personagem que não é você. Se, na hora da entrevista, a ansiedade é sua pior inimiga, a espontaneidade é a melhor parceira.

Por isso, não se deixe levar pelas aparências. O ambiente pomposo, o ar austero do recrutador e até a elegância da recepcionista podem alimentar a ansiedade. Para fugir disso “pense que as grandes corporações compõem um cenário onde humanos, com figurinos, habitam”, afirma Nany.

Como bons humanos eles também são recheados de pontos fortes e fracos. Exatamente como você. “Dentro de nós há um mundo rico e vasto. Mas não acessamos e, por isso, metemos os pés pelas mãos”, diz a psicóloga.

A dica, de acordo com Pavani, é não se deixar controlar pelas próprias emoções. “Na entrevista é comum que o medo de não ser aprovado domine o candidato. E isso é percebido facilmente pelo recrutador”, diz.

6.  Use a seu favor

Segundo o especialista, a inteligência emocional, ou a capacidade de lidar bem com as próprias emoções, deve ser desenvolvida ao longo de toda a vida.

E as fases de um processo de seleção podem ser bons momentos para lapidar essas competências emocionais. Por exemplo, o fato de não ser aprovado em uma entrevista de emprego pode ser uma boa oportunidade para repensar a própria trajetória profissional.

“O candidato não deve aceitar pacificamente o ‘não’. Deve ter sempre um questionamento sobre as razões para isso”, diz Nany. A partir dessa avaliação, a dica é construir uma base sólida de confiança para enfrentar o próximo processo de seleção.

Fonte: Portal Exame por Talita Abrantes, 19/07/2010


Aug 19 2009

Processo seletivo exige atenção e postura por parte do candidato

Profissional de marketing, Marina Medeiros Mussi esta à procura de uma recolocação profissional. Ela tem participando de diversos processos seletivos e afirma que, no momento, sua carreira passa por uma transição. É que por oito anos ela trabalhou em multinacionais do mercado esportivo, até que, em 2007, decidiu migrar para o setor das agências de comunicação, onde atuou por pouco mais do que um ano, em duas empresas diferentes. Mas, na metade do ano passado, ela resolveu voltar para o mundo das grandes corporações.

Marina diz que teve uma experiência válida nas agências. “Conheci os processos internos da comunicação e o que é viável e o que não é. Aprendi muito, mas descobri que o meu lugar é nas empresas”, afirma. Um dos motivos por trás do desejo de Marina de retornar ao universo corporativo é a segurança. “As empresas oferecem mais estabilidade. As equipes duram mais. Nas agências, a rotatividade é grande”, diz.

No momento, ela está participado de diversos processos seletivos. As oportunidades têm surgido de diversas formas: por meio da sua rede de contatos, pela Associação de Ex-alunos da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) – onde ela se graduou em Publicidade e Propaganda em 2003 -, nas aulas do MBA e também por meio da empresa de recrutamento Robert Half. Sobre este fato, ela observa que é preciso cuidado na hora de escolher uma consultoria de recursos humanos. “A consultora que trabalha comigo na Robert Half é uma pessoa que entende de marketing. Isso não aconteceu com outras empresas que tive contato. Muitas buscam conhecer o perfil do candidato de um modo mecânico”, alerta.

Mariana já chegou à fase final de alguns dos processos de seleção. “Mas, por causa da atual crise financeira, várias posições foram modificadas ou até congeladas. Diversos processos foram temporariamente descontinuados. Mas, mesmo com essa turbulência, há posições que são necessárias. Então as seleções continuam”, afirma.

O comentário indica que a tendência é que os processos seletivos se tornem cada vez mais disputados, desafiadores. Para Mariana, é fundamental manter a transparência frente ao recrutador. “Não adianta criar um perfil, ser um ator, pois depois a verdade acaba se revelando. A naturalidade é muito importante”, aponta.

Desde agosto, quando começou a buscar uma nova posição profissional, ela tentou perceber o que precisava melhorar em sua performance durante as entrevista. “Fui acrescentando algumas coisas, principalmente em relação a ressaltar os meus pontos fortes”, diz.

Mente de entrevistador

Segundo o diretor geral da Trabalhando.com.br, Renato Grinberg, para se ter sucesso em uma entrevista, é preciso pensar como o entrevistador. “O candidato diz [ao recrutador] que quer a vaga porque a empresa é grande e oferece um bom salário, mas não pensa naquilo que ele pode oferecer à companhia”, diz. Ou seja, é comum que os candidatos não falem como eles podem contribuir ao assumir o cargo em aberto.

Para não cometer esse erro, Grinberg recomenda que o candidato comece por considerar a entrevista como um trabalho a ser realizado com seriedade. O segundo passo é fazer uma pesquisa sobre a empresa que está oferecendo a vaga. “Não é saber, simplesmente, o que ela faz e onde está localizada. É preciso entender quais são os pontos-chaves para a posição em questão e qual é a cultura da companhia” orienta. Para essa tarefa, uma boa idéia é vasculhar o site da empresa, além de jornais e revistas que possam conter reportagens sobre ela. “Em 90% dos casos o entrevistador vai perguntar ao candidato porque ele é bom para a vaga. Com preparo, é possível responder à questão com naturalidade.”

Na opinião de Grinberg, a melhor maneira de se entender a cultura de uma companhia e o que ela espera de profissionais é conversando com profissionais daquela empresa. “Para o entrevistador, isso significa pró-atividade. Nos Estados Unidos, isso é comum e até esperado. Aqui, não é habitual. Então é preciso ter a cautela de não procurar alguém que esteja relacionado à posição disputada”, comenta Grinberg.

Segundo ele, a adaptação à cultura da empresa é importante porque os demais itens de seleção – como experiências, cursos e competências – estão cada vez mais equilibrados entre os candidatos melhores preparados. Porém, antes de abordar algum executivo, é uma boa idéia ter uma lista de questões em mãos. Isso demonstra respeito pelo tempo da pessoa.

Gazeta Mercantil por João Paulo Freitas, 14/01/2009