Feb 1 2010

Sua casa é uma empresa

Os mesmos princípios usados na administração de uma companhia podem ser aplicados para gerenciar as contas da sua casa

Criar uma planilha de controle para as contas domésticas, como se fosse um balanço patrimonial de empresa, pode ser o primeiro passo para descobrir a fotografia exata da sua situação econômico financeira.

O objetivo é simples: identificar de onde vem e para onde vai o dinheiro, fazendo uma comparação entre o patrimônio acumulado e as dívidas que precisam ser honradas durante um determinado tempo — no caso das empresas, esse período é, normalmente, de um ano. É claro que as companhias lançam mão de diversos artifícios mais detalhados do que aqueles que separamos aqui.

Com a ajuda de especialistas, nos concentramos apenas nos tópicos que, de fato, interessam ao controle do orçamento familiar. Não é nada complicado. Um bom começo é pegar a sua última declaração de Imposto de Renda (IR) para estudar. “Nosso IR apurado anualmente perante o Fisco segue basicamente a mesma lógica do balanço corporativo. O governo quer conhecer nossa variação patrimonial para saber se devemos pagar imposto ou receber de volta valores retidos com antecedência”, diz Nelson Beltrame, consultor-chefe da Data Custos, em São Paulo. Então, mãos à obra!

Planeje sua vida financeira
Assim como as empresas elaboram um plano de negócios, você também pode ter um plano para sua vida financeira.

1. Considere todas as possibilidades de:

• Aumento de salário.
• Novos horizontes (treinamento, nova profissão ou emprego).
• Produção (despesas) para melhoria.
• Ação na gestão de caixa (atuar na gestão dos investimentos).

2. Para a construção do plano considere:
• Um solteiro é uma firma individual; ele pode projetar o crescimento fazendo planos, investindo tempo e recursos na formação e na carreira.
• Quem se casa é como uma empresa que vai se fundir (ou terá um sócio ativo, não um investidor) e vira uma ltda.
• Na Inglaterra, a sigla Dink’s (Double Income, no Kids) quer dizer que os dois trabalham e os custos estão controlados por não terem filhos.
• No crescimento da empresa (família), os filhos são um investimento de longo prazo (ou filiais). A empresa se expande!

Demonstrativo de resultados
Fazendo algumas comparações entre ativo e passivo, você descobre se está no azul (lucro) ou no vermelho (prejuízo). De preferência, retire da comparação ativos de longo prazo e permanentes e os passivos de longo prazo, para expressar de forma mais fiel quanto representa sua disponibilidade de capital para arcar com dívidas assumidas em até um ano.

O ativo permanente serve para expressar a relação entre seus bens (veículos e imóveis) perante o patrimônio total. A comparação entre os indicadores e entre as datas diferentes, como, por exemplo, o início e o término de um trimestre, apresenta a sua variação patrimonial.

Fonte: Você S/A, 01/02/2010


Oct 19 2009

O que as empresas aprenderam com as redes sociais?

1254754692766_35

Orkut, Facebook, Twitter. Ainda não há respostas prontas sobre a fórmula ideal de como aproveitar o potencial das novas relações web, hoje mantidas por mais de 700 milhões de pessoas no mundo. O que existe são bons e maus exemplos de quem já se arriscou.

Como mostramos na reportagem especial publicada na última edição de EXAME, a Nokia Brasil mostra como entusiastas naturais dos celulares podem agir em favor na marca nas comunidades em que atuam — e exportou a ideia para as subsidiárias da empresa na Ásia e Pacífico. Outras empresas utilizam as ferramentas sociais para fazer promoções, lançamentos de produtos ou como forma alternativa de comunicação, útil em ocasiões boas ou não — como no caso da rede virtual Ingresso Rápido, que depois de ter ingressos para o show de Roberto Carlos furtados na bilheteria do Ginásio do Ibirapuera, comunicou alertou os clientes imediatamente pelo Twitter sobre os lotes cancelados. No dia 25 de julho, a bilheteria amanheceu arrombada e, com a invasão, foram retirados criminosamente formulários de segurança para impressão de folhas de ingressos. No total, foram 3 500 ingressos. Segundo a empresa, a ação rápida pelas redes sociais ajudou a evitar que muitos comprassem os ingressos inválidos das mãos de cambistas.

O estudo da consultoria McKinsey feito com 1 700 empresas mostra ainda que boas ideias podem vir das redes sociais e resultarem em inovações internas — no levantamento, 22% tiveram como resultado a criação de produtos bem sucedidos. É o caso da Tecnisa, primeira construtora a ter uma equipe inteira dedicada a web 2.0. Roberto Loureiro, gerente de redes sociais, passa o dia monitorando o conteúdo do perfil da construtora no Twitter, em blogs e redes sociais. “Temos o compromisso de responder a dúvidas e questões dos leitores em nosso blog em até 48 horas”, diz. Essa relação próxima do internauta — e cliente em potencial — gerou um projeto seis meses atrás em que a Tecnisa ofereceu um prêmio para quem fizesse sugestões na arquitetura do prédio ou apartamento destinado a moradores da terceira idade. Centenas de usuários participaram e três internautas deram sugestões que foram aproveitadas pela empresa: barras emborrachadas para o banheiro, rampas de acessos nas piscinas e um espaço espiritualidade, bastante requisitado por esse público. O prêmio foi de 1 500 reais para cada ideia vencedora.

Segundo os especialistas, porém, resultados expressivos só tendem a vir com ações que fujam do comum. O lema é: para ser seguido, é necessário encantar. Uma das melhores iniciativas vem da montadora Fiat na Europa, que criou um programa de relacionamento chamado Ecodrive. O motorista pluga um pen drive no automóvel, coleta dados sobre seu desempenho e depois transmite as informações pela internet a um site que informa o consumo de combustível e a emissão de gás carbônico. O mesmo mecanismo de transmissão de informações pode ser usado para captar as preferências musicais do MP3 do usuário e compartilhá-las na internet com os amigos. Ou seja, a marca está presente em seu objetivo final, o carro, mas também ganha alguns minutos de atenção do usuário no ambiente online. “As empresas que darão certo nas mídias sociais são aquelas capazes de criar uma associação de seus produtos com o estilo de vida dos clientes”, diz Ricardo Reis, presidente da agência Havas Digital.

As empresas que investirem em estratégias de redes sociais, porém, não devem se enganar. Quanto mais presentes estiverem, mais expostas estarão. “Gerenciamos muito mais crises do que elogios”, diz Romeo Busarello, diretor de marketing da Tecnisa e responsável por conduzir as estratégias digitais. Mas o lado bom disso, segundo Busarello, é ter um termômetro sempre fiel ao que as pessoas pensam e dizem nas redes sociais. E, em alguns casos, até reverter opiniões negativas. A empresa localizou por meio do monitoramento no Twitter um internauta reclamando de um suposto corretor de imóveis que inundou a caixa postal com spams em nome da Tecnisa. A equipe da construtora identificou o corretor — que era vinculado a uma imobiliária — e pediu a exclusão do cliente da lista de e-mails. No dia seguinte, o cliente postou que seu problema tinha sido resolvido. “Os comentários em redes sociais podem ser como ervas daninhas, mas é necessário ter uma equipe ativa para analisar a situação e dar repostas rápidas profissionais, seja no blog, Twitter ou na comunidade. É melhor gerenciar as possíveis críticas no meu quintal do que fora dele”, diz Busarello.

Ainda não se sabe quais ferramentas permanecerão populares entre as redes sociais nos próximos tempos, mas se o provérbio no mundo real diz “vão-se os anéis ficam os dedos”, na internet o melhor seria: vão-se as ferramentas e fica o hábito. Há dez anos, a maioria dos usuários de comunicadores instantâneos utilizava o ICQ. Hoje, praticamente ninguém ouve falar dele, enquanto MSN é a ferramenta da vez. Pode ser que daqui a dez anos os internautas nem se lembrem mais do que foi o Orkut ou o Facebook, mas certamente saberão o que é ter relações sociais na web. As empresas que souberem como lidar com isso estarão na dianteira.

Fonte: Portal exame por Camila Fusco, 06/10/2009


Aug 29 2009

Líderes devem se autoavaliar para contribuir com a inovação nas empresas

Inovação é um termo para descrever como as organizações em geral (privadas, públicas ou do terceiro setor) criam valor desenvolvendo conhecimento novo, transformando o já existente, mas de modos diferentes. É freqüentemente usado para descrever o desenvolvimento de novos produtos/serviços ou processos calçados na tecnologia. No entanto, as organizações podem também de destacar com inovações em técnicas de gestão ou modelos de negócio.

James March, prêmio Nobel em 1991, utiliza a perspectiva da aprendizagem organizacional para distinguir as inovações que provém de conhecimento inédito e as que buscam novas maneiras de explorar o conhecimento já existente. Para ele, as empresas com foco em novos conhecimentos de destacam, pois atendem aos mercados existentes ou ultrapassam as expectativas criando novos nichos, produtos e serviços.

Podemos afirmar que as organizações que se tornaram líderes, e continuam mantendo-se assim, optaram pela excelência não apenas nas dimensões custo e qualidade, mas especialmente, pela excelência na Gestão da Inovação.

E o que não faltam são exemplos, dentro e fora do Brasil como a Cia. Athlética, Fiat, Google, InBev, Michelin, Microsoft, Nestlé, Odebrecht, Pirelli, Rigesa e Souza Cruz, dentre outras. Vale dizer que estas líderes, como poucos no universo empresarial, aprendem continuamente a definir estratégias vencedoras para pessoas, processos, ambiente e tecnologia, ou seja, as quatro dimensões da inovação.

Frente a isto, devemos nos preocupar com o que é exigido daqueles que estão (ou pretendem estar) à frente de organizações que optaram por uma estratégia de inovação, pois o perfil e desempenho que deles se espera é, no mínimo, “especial”. Além disto, não devemos nos esquecer que há muito estamos em tempos marcados por fortíssima turbulência e por mudanças radicais em alta velocidade, e assim continuaremos.

Na medida em que os desafios da inovação aumentam de tamanho e tornam-se cada vez mais singulares, algumas importantes perguntas devem ser feitas e consideradas como parte da permanente auto-avaliação de empresários e empreendedores bem como daqueles profissionais em posições de liderança:

Tenho uma visão clara dos objetivos que minha empresa quer atingir por meio da inovação?

Estou pronto e apto (conceitualmente) para esta empreitada e sei como ajudar minha empresa a chegar lá?

Sei como lidar com a incerteza?

Sou tolerante ao estresse e tenho o vigor e a disposição necessários para atingir os referidos objetivos?

Sei o que devo fazer para ampliar minha capacidade de aprendizagem permanente?

Sou tolerante ao risco (inclui o aprendizado decorrente de erros) e sei fomentar isto em minha equipe?

Sei o que é ser flexível e fomento isto em minha equipe?

Sei o que é ser inovador e sei como fomentar o espírito inovador em minha equipe?

Sei como lidar com a diversidade? Sei como construir uma equipe cuja marca seja esta?

Sou um “agente de mudanças”? Sei como desenvolver criar gerentes especialistas que também sejam verdadeiros agentes de mudanças? Sei como criar agentes de mudanças na “base da pirâmide”?

Gestores interessados e saber mais sobre os processos de inovação e como aplicá-los podem contar também com literaturas sobre o tema: “Gestão da Inovação”, de J. Tidd, J. Bessant e K. Pavitt, Ed. Bookman e “Usina de Inovações”, de Valter Pieracciani, Ed. Canal Certo.

Agência IN por José Hernani Arrym Filho, 28/08/2009