Jun 15 2010

Consumidor é pouco atento às questões ambientais na hora de comprar

Apesar de amplamente divulgada, a questão ambiental ainda não chegou até os consumidores. Um estudo realizado pela TNS Research Internacional revela que 62% compram, às vezes, produtos com apelo socioambiental. Outros 24% nunca consomem esse tipo de produto e 14% sempre compram itens considerados “verdes”.

O estudo traçou entre os pesquisados três perfis de consumidores: os engajados, os envolvidos e os ausentes. Do total de atitudes praticadas no último mês por aqueles classificados no primeiro perfil, 71% foram em prol do meio ambiente. No segundo perfil, o índice é de 35% a 70%. E os classificados como ausentes praticaram menos de 35% das atitudes em prol do meio ambiente.

Dentre esses perfis, os engajados são os que costumam comprar mais produtos considerados “verdes”. Segundo o levantamento, 60% desse tipo de consumidor sempre consome itens com apelo socioambiental. Outros 33% consomem às vezes, ao passo que os 6% restantes nunca consomem esse tipo de produto.

Entre os envolvidos, o percentual dos que sempre consomem produtos “verdes” alcança apenas 16%. A maior parte (70%) consome às vezes, ao passo que 13% nunca consomem. Considerando os ausentes, apenas 6% consomem itens com apelo socioambiental. Já 56% consomem às vezes e os outros 38% nunca compram esse tipo de produto.

Produtos são inacessíveis

O estudo mostra que, dentre os motivos para nunca comprar itens com apelo socioambiental, a maioria (52%) aponta ser difícil encontrá-los em supermercados e hipermercados.

Outra parcela significativa (45%) disse que nunca viu esses produtos nas prateleiras dos supermercados. O custo é apontado por 36% daqueles que disseram nunca comprar esse tipo de produto.

Segunda a pesquisa, a falta de reconhecimento dos produtos “verdes” e a disponibilidade deles nos estabelecimentos são os grandes entraves para um consumo maior desses produtos.

E, embora uma parcela significativa considere que o alto custo é um dos motivos para não comprar esses produtos, a pesquisa aponta que a maioria dos pesquisados (78%) está pré-disposto a pagar de 5% a 10% mais por produtos ambientalmente corretos.

Por estado

O estudo revela ainda que, dentre os pesquisados das quatro capitais analisadas (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre) que afirmaram nunca comprar itens “verdes”, a disponibilidade é o maior entrave para o consumo em São Paulo e Salvador (ambas com 56%). Em seguida, aparece o Rio (46%)

Em Porto Alegre, o fato de os consumidores não verem esse tipo de produto nos estabelecimentos (47%) é o maior entrave para o consumo dos mesmos.

O custo alto é apontado por 37% dos consumidores pesquisados de São Paulo, 34% dos do Rio de Janeiro, 33% dos de Salvador, 36% dos de Porto Alegre, considerando aqueles que afirmaram que nunca consumiram produtos “verdes”.

Sobre o estudo: Para a pesquisa, foram ouvidas 1.573 pessoas entre homens e mulheres com idade entre 18 e 60 anos das classes A, B e C.

Fonte: InfoMoney – Por Camila F. de Mendonça, 11/05/2010


Jan 26 2010

Do que as brasileiras gostam

Por dever de ofício, o francês François-Xavier Fenart tem sempre à mão alguma estatística a respeito do gosto feminino no que se refere ao uso de cosméticos. É um repertório que vem ganhando cor local ao longo de seus quase cinco anos como presidente da subsidiária da L’Oréal no Brasil. Para ele, isso significou em grande parte se tornar um especialista em cuidados com cabelos — uma verdadeira obsessão no país, a começar pelo uso trivial do xampu. As brasileiras lavam as madeixas em média 4,9 vezes por semana — enquanto as francesas se dedicam à tarefa 2,9 vezes no mesmo período. Também há poucos lugares do mundo em que as mulheres façam tantos tratamentos para alisar os cabelos. Com uma notável predileção por fios lisíssimos, um terço das brasileiras quer se livrar das ondas. A desenvoltura em discorrer sobre essas e outras preferências reflete o interesse de Fenart pelo segundo maior mercado de produtos para cabelos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com vendas de 7 bilhões de dólares em 2008. Para entregar cada vez mais a essas consumidoras o que buscam, Fenart criou algo inédito para a subsidiária da L’Oréal, fundada em 1960 — um laboratório brasileiro. As primeiras fórmulas 100% nacionais começaram a chegar ao mercado em setembro de 2008. “Antes tínhamos de disputar com outros países nossos laboratórios no exterior”, afirma Fenart. “Agora temos autonomia para fazer tudo aqui mesmo.”

Atualmente, existem seis linhas de produtos e mais de 100 fórmulas de marcas como Elsève e Garnier à venda, que saíram diretamente do centro de pesquisas inaugurado em abril de 2008, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. É o quarto laboratório da L’Oréal em funcionamento fora da Europa — os demais estão nos Estados Unidos, no Japão e na China. Sua abertura, que exigiu investimentos estimados em 50 milhões de reais, demonstra a relevância que o Brasil assumiu para a matriz francesa, que atua em 130 países. Em 2008, a subsidiária tornou-se a segunda maior do mundo para a empresa, com faturamento estimado em 1,2 bilhão de reais. No primeiro semestre deste ano, as receitas da L’Oréal no Brasil cresceram 21% em relação ao mesmo período do ano passado. Os produtos criados pelos pesquisadores brasileiros correspondem já à metade desse aumento — ou cerca de 60 milhões de reais. “Esse é um mercado muito fragmentado, com um ritmo acelerado de lançamentos”, diz Ruy Santiago, da consultoria Bain & Company. “Quem conseguir multiplicar a oferta e entender melhor a consumidora vai crescer mais.”

A L’Oréal começou a criar produtos para atender aos desejos das brasileiras cerca de um ano mais tarde que a sua principal concorrente, a Unilever. Dona das marcas Seda, Dove e Clear, a Unilever montou um centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil no final de 2006. A estratégia estancou a queda que seus produtos registravam desde 2003. A  Unilever, ainda é a líder, mas sua participação passou de 20% para 17% entre 2003 e 2006, segundo a consultoria Euromonitor. Com o lançamento de novos produtos, manteve uma fatia de mercado no patamar de 16% nos últimos três anos. (Parte da perda se deve ao crescimento de concorrentes locais, como a carioca Niely, criada nos anos 80 no subúrbio carioca e que hoje tem cerca de 6% de participação no segmento de xampus e condicionadores do país.) No caso da L’Oréal, cuja participação se mantém estável em 14%, a tática é se mexer para ganhar espaço.

O marco zero do laboratório foi a contratação de um diretor de desenvolvimento em fevereiro de 2007 — o francês Roland de La Mattrie, vindo de uma trajetória de três décadas na pesquisa de produtos na França. Uma de suas primeiras medidas foi buscar especialistas para iniciar a área — três pesquisadores e quatro técnicos. “Pela primeira vez, procuramos em universidades e concorrentes gente capaz de desenvolver fórmulas a partir do zero”, diz Claudia Klein, diretora de RH da L’Oréal. Um mês após a contratação, pesquisadores e técnicos partiram para um ano de treinamento prático na sede da empresa, em Paris. Ao longo desse período, eles levaram os resultados de uma pesquisa realizada com consumidoras brasileiras para a criação de um produto que combatesse ao mesmo tempo cinco problemas — quebra dos fios, ressecamento, opacidade, rigidez e pontas duplas. “As mulheres usavam muitos produtos ao mesmo tempo e não ficavam satisfeitas”, diz Olivier Blayac, diretor de desenvolvimento para a América Latina, que chegou ao país em abril deste ano para substituir Mattrie, que se aposentou. Em agosto de 2008, a empresa chegou à primeira versão dessa linha de produtos, lançada em setembro com o nome Elsève Reparação Total 5. Em abril deste ano, a linha já era a mais vendida da marca Elsève no Brasil e a terceira mais vendida entre as centenas de produtos para cabelos vendidos no país, com participação de quase 2%, segundo a Nielsen.

Para testar as fórmulas, a L’Oréal montou uma espécie de campo de testes em sua sede, na zona sul do Rio de Janeiro. Além das pesquisas quantitativas e qualitativas de praxe, o centro inclui a filmagem de consumidoras voluntárias tomando banho para entender detalhes do uso de cada xampu ou condicionador. O centro é capaz de filmar simultaneamente até 15 mulheres. “Se uma delas aplica o produto muitas vezes, podemos concluir que a consistência não é espessa o suficiente. Ou, se o enxágue é muito demorado, talvez esteja denso demais”, diz Ana Paula Rosa, técnica que coordena a avaliação de produtos. Antes e depois do banho, os técnicos pesam a embalagem para calcular a porção usada. Em seguida, entrevistam as mulheres antes de enviar as recomendações de mudança. Em seguida, o produto reformulado é testado de novo com até 300 mulheres, em pesquisas de opinião ou qualitativas, conforme a informação de que a companhia precisa. Até a linha de produção, o período de criação de uma nova linha de cosméticos leva de seis meses a um ano. Concluída a fase, a versão final da fórmula segue para uma minilinha de produção montada ao lado da fábrica em Duque de Caxias — outra invenção local. “A minifábrica acabou com interrupções na produção”, diz o diretor Blayac. Um dos lançamentos mais recentes é o Garnier Liso Absoluto, para tornar escovas e chapinhas mais duradoras, que chegou ao mercado em abril deste ano.

Neste ano, a L’Oréal contratou a 20a funcionária de seu laboratório, uma pesquisadora para se dedicar ao desenvolvimento de cremes para a pele — um mercado menor que o de cabelos, mas também em expansão. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o Brasil ocupa o sexto lugar entre os maiores do mundo nesse segmento, com vendas de 3,6 bilhões de dólares em 2008. Em 2005, ocupava apenas o nono lugar. Recentemente, a empresa também começou a exportar os produtos desenvolvidos no Brasil. É o caso da linha Elsève Reparação Total 5 — hoje vendida em dez países da América Latina e da Europa. Segundo Fenart, o Brasil tem sete entre os oito tipos de cabelos catalogados pela indústria de cosméticos. A grande variedade permite, portanto, a criação de novidades de apelo universal. “O Brasil é um laboratório vivo”, diz Fenart. “Vamos nos tornar uma base de pesquisas para todas as partes do mundo.”

Fonte: Portal Exame por Fernanda Martorano, 07/12/2009


Aug 27 2009

O produto encolheu

Um olhar atento às gôndolas dos supermercados brasileiros revela a tendência: as embalagens dos produtos de consumo têm passado por um sucessivo processo de encolhimento. Primeiro elas diminuíram para atender à necessidade das novas famílias brasileiras, com menos filhos. Depois, encolheram para se encaixar nos orçamentos mais apertados dos consumidores emergentes da classe C. Agora, vivemos uma espécie de terceira onda de redução. Motivadas pelo apelo ecológico e pela necessidade de corte de custos, as empresas voltaram a diminuir as medidas de suas embalagens, que chegam a ocupar apenas um quarto do volume que ocupavam antes. Em alguns casos, a redução acontece com uma solução de design, sem que as quantidades sejam alteradas. Em outros, o produto é reformulado de tal maneira que, mesmo em versão compacta, tem o mesmo desempenho do original. Na vanguarda desse processo estão algumas das maiores empresas de bens de consumo do mundo, como Unilever e Procter&Gamble. Ambas já colocaram sua estrutura de inovação a serviço da redução e, recentemente, lançaram os produtos “liliputianos” no Brasil. Até o início de 2010, cinco grandes fabricantes de bens de consumo devem colocar nos supermercados brasileiros versões mais compactas de seus produtos. “Os fabricantes que já haviam reduzido suas embalagens ao limite mínimo passaram a alterar a formulação dos produtos para que ocupem menos espaço”, diz Luciana Pellegrino, diretora da Associação Brasileira de Embalagens.

Por trás dessa tendência há uma crescente preocupação com a eliminação do desperdício de matérias-primas. À frente desse movimento, estão colossos como o maior varejista do planeta, a rede Wal-Mart, que desde 2005 adotou o discurso verde como peça de resistência de sua estratégia de marketing. Há dois meses, a operação brasileira do Wal-Mart convocou alguns de seus fornecedores a diminuir em 5% o uso de material em caixas e pacotes até 2013. “Como contrapartida, damos mais visibilidade a esses produtos”, diz Daniela de Fiori, vice-presidente de sustentabilidade da rede no Brasil. A demanda de varejistas como o Wal-Mart está de certa forma casada a políticas ambientais de vários de seus fornecedores globais. É o caso da Coca-Cola. A empresa acaba de lançar no país uma versão compacta de sua garrafa de vidro com capacidade de 290 mililitros. Apenas com mudanças no desenho da embalagem, a Coca-Cola conseguiu reduzir 25% da quantidade de vidro utilizado sem alterar o volume de bebida oferecido ao consumidor.

Há o apelo ecológico. E há também, por trás da redução das embalagens, uma disputa cada vez mais acirrada por espaço no varejo. As prateleiras continuaram as mesmas, enquanto o número de produtos oferecidos pela indústria não parou de aumentar nos últimos anos. Apenas na categoria xampus, o número de marcas e variações disponíveis no mercado brasileiro passou de 3 000, em 2006, para quase 5 000 hoje, segundo dados da consultoria LatinPanel. Em um cenário assim, cada centímetro é precioso. A Procter&Gamble enfrenta um problema de espaço especialmente complicado. A empresa é uma das principais fabricantes de fraldas descartáveis, produto volumoso e cuja preferência do consumidor recai justamente por pacotões econômicos, com mais de 20 unidades. No final do ano passado, a P&G lançou uma versão 20% mais compacta de sua marca Pampers Noturna, graças ao desenvolvimento de um gel superabsorvente que eliminou parte do recheio das fraldas. “Com isso, conseguimos colocar mais produtos no mesmo espaço”, diz Paulo Koelle, diretor de marketing da multinacional.

O entusiasmo das empresas com as versões compactas dos produtos se explica pela combinação de vantagens que a redução proporciona. Garrafas, caixas e pacotes menores significam menos gastos com insumos para produzi-los e mais economia com transporte e estocagem. No ano passado, a Unilever lançou uma versão concentrada do amaciante de roupas Comfort, que permitiu a redução de sua garrafa de 2 litros para 500 mililitros. Segundo os cálculos da empresa, o novo produto permitirá uma economia anual de 1 600 toneladas de plástico e a utilização de apenas um terço dos caminhões anteriormente usados para o transporte. O grande esforço da Unilever, após o lançamento, tem sido convencer o consumidor de que o novo potinho é melhor do que o velho garrafão. A empresa já investiu 15 milhões de reais em marketing para explicar que o Comfort Concentrado rende o mesmo que o amaciante tradicional e, até o final ano, investirá outros 17 milhões de reais para explicar as economias geradas pela embalagem diminuta e mostrar que o produto custa menos que o tradicional. “Estamos introduzindo um conceito novo e sabemos que levaremos tempo para educar o consumidor”, diz Priya Patel, diretora de marketing da Unilever. No que depender das grandes empresas de consumo, o futuro será cada vez mais das embalagens pequenas.

Fonte: Portal exame por Melina Costa, 26/08/2009


Aug 25 2009

Controlando o impulso pela compra

Você já reparou que muitas pessoas consideram o ato de ir às compras uma terapia? Gastar muitas vezes funciona como uma tentativa de fuga dos problemas ou como uma porta para um mundo novo, de conquistas e valorização pessoal – um mundo que, quase sempre, não cabe dentro de nosso orçamento, avalia o consultor Ricardo Pereira do Blog Mister Finanças da Mastercard.

De fato, comprar faz bem ao ego. Nos sentimos bem, nossa autoestima balança. Claro, não é pecado algum desejar passar algumas horas passeando em lojas e consumindo bens e produtos. Acontece que raramente nos preocupamos em respeitar os limites familiares e objetivos impostos pelo planejamento financeiro. Deixamos a euforia e a emoção tomarem conta do cotidiano e gastar se transforma em uma atitude automática, corriqueira.

Dinheiro na mão voa (e não volta)

O comportamento é algo atualmente estudado por uma área interessante das finanças pessoais: a Psicologia Econômica. Temas como finanças comportamentais entram de forma definitiva na pauta de especialistas e consultores, o que abre excelente precedente para relacionarmos decisões financeiras e sentimentos. Afinal, somos racionais só quando queremos e adoramos justificar péssimas escolhas. Vamos mudar isso?

Existem diversas formas de não comprar por impulso. Uma delas é carregar o dinheiro contado para a compra desejada. Os cartões de crédito e débito também podem ser usados, afinal emitem uma nota para conferência que serve de alerta para os gastos efetuados. Mas é preciso usá-los como ferramentas de compra, facilitadores e não como crédito fácil.

Da mesma forma, ter um objetivo definido faz com que, ao gastar mais do que sua capacidade permite, a luz amarela se acenda. Com o planejamento em dia e o orçamento bem controlado, sua própria consciência financeira será sua inquisidora e mostrará que o consumo por impulso não pode ser mais importante do que a realização de um objetivo desejado e planejado. Nunca.

Momentos de grande apelo emocional, como casamento, nascimento do primeiro filho, ocasiões únicas (formaturas, reencontro de velhos amigos etc.) costumam ser as piores ocasiões para o bolso e para o consumo consciente. A vontade de oferecer o melhor extrapola o padrão de vida de muitas pessoas, o que as coloca em delicada situação. A solução é manter a simplicidade e controlar o ímpeto, atendo-se às compras que caibam em seu planejamento. Aproveite promoções e saiba lidar com as exigências da sociedade; poucas delas precisam ser cumpridas à risca.

A importância do consumo

O conultor faz questão de frisar que as boas práticas financeiras não condenam o consumo. Afinal, a partir dele a economia de um país gira, cresce e gera empregos. Entretanto, não podemos concordar com o consumo sem critério, indiscriminado. O mundo passa por uma transformação onde velhas praticas financeiras passam por questionamentos, inclusive sobre os aspectos de sustentabilidade. Perceber a linha tênue entre consumir com responsabilidade e passar dos limites é um grande desafio. Mas, você há de concordar, ele precisa ser encarado com atitude, energia e desejo de mudança. “Ora, quem concilia bem estar, objetivos plausíveis e planejamento financeiro com certeza tem uma vida mais plena e feliz”, finaliza.

Fonte: Agência IN, 24/08/2009