6 sacrifícios que empreendedores fazem para ter seu negócio

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O caminho das pedras: para ser um empreendedor, outras atividades serão deixadas de lado ao longo do caminho

Mariana Fonseca, de EXAME.com

São Paulo – Para os que querem empreender, ter um negócio próprio pode parecer a solução de todos os problemas. Mas, no caminho para o sucesso do seu empreendimento, muitos sacrifícios devem ser feitos.

“A gente tem uma visão muito poética de que o empreendedor pode fazer o que ele quiser como dono, e isso engana muita gente. O dia a dia é massacrante – tem processos, máquinas, operações, funcionários, e ele deve saber lidar com tudo”, diz João Bonomo, professor de Empreendedorismo e Inovação e coordenador no Núcleo Acadêmico de Vocação Empreendedora do Ibmec/MG.

Já Alessandro Saade, professor do Master em Empreendedorismo e Novos Negócios da Business School São Paulo, diz que todos os sacrifícios do empreendedor surgem de “assimetrias” – diferenças entre a sua visão e a dos outros, ou o choque com a própria realidade. “Se a pessoa não tem um emocional forte, ela desiste ou se indispõe com os próprios familiares”, afirma.

Para lidar com esses obstáculos, Guilherme Junqueira, gerente-executivo da ABStartups, sugere pensar de forma maior. “Eu acho que o empreendedor tem que encarar os sacrifícios como o meio para chegar a um fim que não há aposentadoria no mundo que pague. Ninguém saiu do nada e se transformou em um grande case sentado, esperando. Tem uma pegada muito forte de sacrifício”.

Veja, a seguir, do que você irá abrir mão, em maior ou menor grau, se quiser virar um empreendedor:

1. A compreensão e aprovação dos outros

Saade considera que o primeiro sacrifício que o empreendedor deve fazer é o de achar que todos aprovarão sua ideia de negócio.

“Boa parte do sofrimento dele vem da incompreensão, que vem desde o banco, que não dá um empréstimo, até os parentes, que acham que ele não devia fazer isso e tentam protegê-lo. Ele tem que entender às vezes que, por mais legal que seja seu negócio, ele pode sofrer uma rejeição à sua iniciativa até mesmo dentro de casa”, aconselha o professor.

2. O tempo com a família e os amigos

Cuidar de um negócio sem deixar de lado a vida pessoal não é fácil. Junqueira diz que um dos grandes sacrifícios do empreendedor é doar o seu tempo, o que pode levar a um afastamento da família.

Bonomo completa e diz que o empreendedor tem que abrir mão não só de alguma convivência com família, mas do seu lazer, das férias, das viagens, dos descansos, da saída com os amigos e, às vezes, abrir mão até de relacionamentos. 

3. A estabilidade no emprego

Para Bonomo, “um grande sacrifício é superar o dilema se vale a pena largar o emprego e a segurança e cair num universo que não se sabe onde pode levar”.

Segundo o professor, isso é muito desgastante logo no início. “Dependendo da situação, o empreendedor troca uma vida por outra, como se estivesse virando a página”. E decreta: “Se você preza suas festas, a estabilidade no emprego e benefícios como o plano de saúde, você ainda não está pronto para empreender”.

4. A poupança

Um tipo de empreendedor, diz Bonomo, é o “de fundo de garantia”, que retira a poupança que fez durante os anos de trabalho em uma empresa para investir em um negócio. “É um grande desafio o empreendedor olhar para trás e ver que trabalhou tanto tempo na empresa e que, agora, deverá sacrificar todo o dinheiro que ele poupou”, diz o professor.

Junqueira também ressalta que, pelo menos no começo, você tem que “estar disposto a trabalhar muito mais do que um funcionário e acabar ganhando talvez só o suficiente para se manter”. 

5. O idealismo de antes

Para Junqueira, grandes empreendedores e empresas só tiveram sucesso porque se adaptaram ao cenário, e não ao ideal que o empreendedor construiu na cabeça. “Principalmente em startups, tem a ideia do que o empreendedor acha que está certo e a ideia que o cliente quer comprar. O mercado é o grande juiz. É melhor você se adaptar do que construir aquilo que você acha que está certo”.

Segundo Saade, o empreendedor deve entender que há uma assimetria no ritmo de negócios. Não dá para achar que seu empreendimento recém-lançado é igual à multinacional onde você trabalhava, por exemplo. “A empresa anterior já estava andando e tinha fornecedores, parceiros e funcionários. O negócio que ele quer montar agora está saindo do zero”.

6. A ideia de fazer tudo sozinho e estar sempre certo

Às vezes, o empreendedor se recusa a admitir que ele não conhece o suficiente o ramo em que atua. “É um sacrifício aprender errando, chamar uma mentoria, assumir que ele errou gerencialmente no empreendimento, e isso pode abatê-lo”, diz Bonomo.

No desenvolvimento da sua empresa, ele acabará tendo de procurar investidores, funcionários, colaboradores, mentores e até mesmos sócios. “O empreendedor tem que fazer o sacrifício de entender que ser dono de 10% de algo é melhor que ser dono de 100% de nada”, decreta Junqueira.

Para Saade, o band-aid está para o empreendedorismo assim como a lâmpada está para a inovação. “Ele vai errar, mas o importante é que seja uma falha tão pequena que não o desmotive, que o faça tentar de novo. O curativo representa o empreendedorismo”.