May 27 2010

TI não importa mais? É o que diz a Harvard

A Harvard Business Review publicou este mês um dos textos mais provocadores já escritos sobre tecnologia da informação. Dá para sentir o espírito da coisa pelo título: “TI não importa mais”.

O autor do ensaio, Nicholas Carr, é um dos editores da HBR. Sua tese: TI se tornou uma commodity como eletricidade ou qualquer outra utility. Como seu uso se generalizou, deixou de ter importância estratégica. Vai até se tornar um tédio.

Não é a primeira vez que a HBR provoca indignação na turma de TI. No ano passado, ela já mexeu com o brio de muita gente ao perguntar, no título de outro texto: “Está na hora de demitir o CIO?” O subtema do artigo também era a diminuição da importância da tecnologia da informação.

Na visão de Carr, TI se tornou um fator de produção como outro qualquer, um desses custos obrigatórios que já não garantem vantagem competitiva a ninguém. Com a tecnologia se tornando cada vez mais barata e mais largamente utilizada, quem consegue se distingüir dos competidores com ela?

Para Carr, façanhas tecnológicas que dão vantagem competitiva, como a da American Airlines com o sistema de reservas Sabre, da Federal Express, com o acompanhamento online das encomendas, e da Mobil Oil, com seu sistema de pagamento automático, estão cada vez mais improváveis. Seriam exceções que comprovariam a regra da comoditização de TI.

O principal risco em relação a TI, diz Carr, não é investir pouco, é gastar demais. Ele cita a Dell e a Wal-Mart como exemplo de empresas espertas em TI, que não fazem experiências com tecnologia de ponta, esperando que padrões e as melhores práticas se solidifiquem.

Para fechar seus argumentos, Carr menciona uma pesquisa da consultoria Alinean que comparou os resultados financeiros com os gastos em TI de 7500 grandes empresas americanas. As 25 companhias que deram o maior retorno financeiro investiram 0,8% de seu faturamento em TI, contra 3,7% das outras empresas.

Carr cutuca vários nomões da informática em seu texto. Como reforço à sua tese de comoditização de TI, afirma que IBM e Microsoft estão se posicionando como vendedores de utilities. Na hora de dar uma idéia de quanto as empresas poderiam economizar, sugere que se olhe na coluna dos lucros da Microsoft.

E para fechar o tiroteio contra investimentos em TI, invoca Larry Ellison, o CEO da Oracle, dizendo que a maioria das companhias investe demais em TI e tem muito pouco em retorno.

Não é a troco de nada, vê-se, que Carr está provocando polêmica. A repercussão vai se espelhar na coluna do lucro da HBR.

Fonte: INFO online, 30 maio de 2003


May 4 2010

Post-its de domingo: rede social de conhecimento corporativo, gerador de mapas mentais, seu valor de mercado e cidadania no Twitter

por Adriana Salles Gomes em 19 de Fevereiro de 2010 às 8:14 pm

Passado o Carnaval [risos], parece um bom momento para eu retomar meus post-its de domingo à noite. Para quem não se lembra ou não estava aqui quando isso começou, esses post-its são pequenos posts dentro de um post-mãe que devem ser lidos (em teoria) no final da noite de domingo, como preparação para a semana que se iniciará. Trata-se de uma homenagem ao mestre Peter Drucker, que sugeria a todo gestor fazer esse tipo de preparo. E, como o momento atual pede inovação contínua, as notas são focadas em insights e ferramentas de inovação – mais especificamente, em como a internet pode contribuir para que as empresas inovem.

Rede social especializada em conhecimento corporativo no Brasil? Já pode existir. Para isso, vale experimentar usar a a.m.i.g.o.s, uma plataforma de redes sociais corporativas que foca conhecimento organizacional, e busca facilitar tanto criá-lo como compartilhá-lo. A dica é do Silvio Meira.

Mapas mentais são ferramentas valiosas para gestores. Trata-se de um diagrama (como o que ilustra este post) inventado pelo inglês Tony Buzan, inspirado no cérebro humano, para fazer brainstormings, sistematizar e distribuir conhecimento. Há quem diga que os mapas mentais para aprender devem ser feitos a mão e os para ensinar podem usar programas de computador. Tem um site-programa desses na web: MindMeister. Lá também há templates que lhes podem servir de ponto de partida; o interessante é que foram avaliados pelos usuários. Dica do Miguel Cavalcanti.

Sabiam que, a partir do currículo, vocês conseguem descobrir quanto valem no mercado de trabalho? Pelo menos, no da Espanha, com o Jobsket. Essa dica foi do Bruno Scartozzoni.

Para finalizar, um post-it cidadão, relevante principalmente em ano eleitoral: a lista de políticos que estão no Twitter, escrevendo direta ou indiretamente, e que assim podem ser questionados por nós. (Aliás, também é cidadania contar que o modelo de virtualização do Superior Tribunal de Justiça -STJ será copiado pelo Banco Mundial. Costuma-se noticiar tanta ineficiência na administração pública que nem sabemos o que é bem feito; então, ficam aqui esses parênteses de registro.)

Fonte: HSM, 19/02/2010


May 4 2010

Dr. House e o modelo de Mintzberg

por Marcelão em 01 de Maio de 2010 às 11:36 pm

Pessoal,

um dos artigos que mais gostei de ler nos últimos tempos foi o do professor Henry Mintzberg cujo título é “Primeiro Pense, Primeiro Veja, Primeiro Faça”(veja mais aqui). Nesse artigo, o professor Mintzberg que identifica três modelos de tomada de decisão e em que situações usar cada um deles, o modelo primeiro pense, primeiro faça e primeira veja, que são baseados, respectivamente, na lógica racional, na intuição e na ação. O modelo proposto pelo autor vai além do modelo de tomada de decisão mundialmente conhecido (“Primeiro Pense”) que envolve primeiramente definir o problema; depois diagnosticar a causa; em seguida, formule as soluções possíveis; e, finalmente, decida-se pela melhor delas – e, obviamente, coloque-as em prática.

O artigo apresenta como fundamento a tese do professor  James Marche que caracteriza o processo de tomada de decisão como uma “séries de soluções à procura de problemas, questões e impressões à procura de situações decisivas nas quais possam se manifestar, soluções à procura de questões às quais possam ser uma resposta e tomadores de decisão à procura de trabalho”. É como se as soluções estivesse armazenadas no nosso inconsciente a espera apenas de uma situação que dispare o gatilho e as desperte o que pode justificar o porque de algumas decisões, que tomamos de forma repentina, darem mais certo do que algumas que tomamos com calma e sem pressa.

A teoria do “Primeiro faça” foi popularizada por Karl Weick, professor de comportamento organizacional, resume-se a “realização, seleção e retenção”. Significa fazer várias coisas, descobrir quais funcionam, entender a razão, repetir os comportamentos mais eficientes e descartar o restante. As pessoas bem-sucedidas sabem que, quando estão entaladas, devem experimentar. O pensamento pode levar à ação, mas esta, certamente, também pode direcioná-lo. Simplesmente, não pensamos para agir; agimos para pensar.

Pode parecer um pouco confuso, mas uma maneira de exemplificar esse modelo é assistindo a série de televisão “House” exibida pelo canal “Universal Chanel” da Net. House é como uma espécie de Sherlock Holmes da medicina – o autor da série é fã do personagem de Sir Arthur Conan Doyle – que se notabiliza por elaborar excelentes diagnósticos em situações extremamente complexas.

O modelo “primeiro pense” é utilizado no começo do processo de diagnóstico quando os sintomas conhecidos são enunciados e escritos no quadro branco em que no mesmo são deliberadas várias doenças ou outros sintomas que vão surgindo. Como House gosta de mostrar aos outros que tem razão, recorre muitas vezes ao método Socrático que consiste em uma abordagem para geração e validação de idéias e conceitos baseada em mais perguntas.

Ocorre que muitas vezes os sintomas não são bem definidos porque os pacientes escondem ou simplesmente mentem, ou seja, as informações não são completas e não são totalmente verdadeiras, o que leva a procedimentos sem sucesso. Em muitas situações, os médicos da equipe do Dr. House são orientados a visitar a residência do paciente a procura de evidências que possam solucionar o  problema. Um verdadeiro trabalho investigativo para levantar dados aleatórios, que são combinados pelo Dr. House que muitas vezes tem o insight que leva a identificar a verdadeira causa da doença visualizando a situação, no melhor estilo “Primeiro Veja”.

Existem situações em que os métodos acima são ineficazes, o que leva o Dr. House a receitar procedimentos médicos para ver qual será a reação do organismo do cliente em um verdadeiro processo de experimentação, no estilo “Primeiro Faça”.

A série evidencia a importância de se adotar metodologias e técnicas de acordo com o contexto e não ficar engessado em apenas uma ferramenta para solução dos problemas. Outro aspecto importante é a questão da intuição. Entenda-se intuição não como algo mágico ou mistico, mas sim como resultado da combinação de estudo, pesquisa, técnica e repertório de soluções acumulados ao longo da sua vida profissional. Esses são os combustíveis de excelência do profissional que consegue se adaptar a qualquer contexto.

Um abraço.

“Keep The Faith” (Twitter : @blogdomarcelao)

Fonte: HSM