Feb 28 2010

Liderança Esportiva

A busca por líderes tem sido o grande desafio de empresas de recrutamento e gestores de RH. Certos do impacto em suas equipes de trabalho, o líder é responsável em implantar ritmo e direção certos para alcançar os objetivos desejados pela organização.

O Craque apresenta muitas competências associadas à liderança. A seguir algumas competências naturais de grandes líderes esportivos que podem ser utilizadas no ambiente de trabalho:

CAPACIDADE DE ASSUMIR RESPONSABILIDADES – Romário em 1994 não tinha sido convocado para as eliminatórias da Copa do Mundo até o último jogo contra o Uruguai. Jogou e fez dois gols para a Seleção e classificou o Brasil para a Copa. Antes de decolar para os Estados Unidos, Romário fez uma declaração “ Se o Brasil não voltar campeão a culpa será minha…” .

Na Copa, Romário marcou cinco vezes e foi determinante na conquista do tão sonhado tetracampeonato. Naquele ano foi escolhido como o melhor jogador do mundo.

Quem bate no peito e afirma que se a empresa não bater a meta no mês a culpa será dele???

ATUAR NAS SUAS FRAGILIDADES PARA GERAR DIFERENCIAL COMPETITIVO – Ayrton Senna sempre teve grandes dificuldades de correr na chuva com pistas molhadas. E, naturalmente isto era uma grande limitação para sua carreira. Um dia tomou a decisão que iria acabar com isto. Todas as vezes que chovia, ele corria para a pista para treinar na chuva. E isto aconteceu por vários anos, que o fato de correr tanto com pista molhada tornou seu grande diferencial no começo de sua carreira. Senna, além de ter sido referência de alegria para uma nação inteira é considerado o grande mestre da chuva até hoje.

Identificar eventuais limitações profissionais aliados a uma estratégia para minimizá-las, pode fazer a diferença na profissão.

PODER DE SUPERAÇÃO – Ronaldo Fenômeno após sofrer duras críticas, ficar parado por 2 anos e meio, e ainda receber a desconfiança da Copa do Mundo de 1998, episódio a qual sofreu uma convulsão antes da final da copa, caiu na descrença da torcida que pedia pra o então técnico da Seleção Felipão, convocar o atacante Romário em seu lugar para a Copa de 2002. A copa de 2002 veio, e o jogador foi o artilheiro do mundial com 8 gols (marca inédita em Mundiais há 30 anos) e a seleção brasileira sagrou-se pentacampeã mundial de futebol. Ronaldo dava a volta por cima e calava seus críticos. Ainda no mesmo ano, Ronaldo, que recebia críticas do treinador de seu antigo clube, a Inter, transfere-se para o Real Madri, da Espanha. O jogador conquista o título mundial de clubes pelo Real, torna-se o artilheiro do clube na temporada e ganha mais uma vez o título de melhor jogador do mundo.

Atualmente Ronaldo passou por um segundo ciclo de superação e o coloca como peça fundamental do seu time. Quem é capaz de apostar seu dinheiro que ele não será convocado para a copa?

É fundamental acreditar sempre no potencial que existe dentro de cada um de nós.

FAZER ALÉM DO QUE LHE É ATRIBUÍDO – Rogério Ceni goleiro do São Paulo futebol Clube, é considerado um dos melhores goleiros do Brasil e do Mundo com diversos títulos e prêmios conquistados nesta função. Acontece que, além disto, Rogério possui o título de maior goleiro artilheiro do mundo. São 79 gols efetuados em mais de 800 jogos pelo São Paulo. Para se ter uma noção do feito, no dia 26 de julho de 2006, ao anotar, de pênalti, o gol da vitória do São Paulo sobre o Guadalajara, tornou-se o maior artilheiro do São Paulo na história da Libertadores ao lado de Palhinha, Pedro Rocha e Müller, com dez gols marcados.

É preciso superar sempre as expectativas de empregadores e clientes.

FAZER USO DA INFORMAÇÃO PARA IDENTIFICAR CONCORRENTES E DEFINIR ESTRATÉGIAS – Bernardinho é considerado um dos maiores técnicos esportivos do mundo e utiliza várias estratégias para manter suas equipes sempre atuando no máximo de seu rendimento.

Bernardinho é fanático por vídeos e estatísticas. Durante as competições, a auxiliar Roberta Giglio passa noites em claro levantando dados dos adversários. O técnico pede videoteipes dos jogos dos rivais e elabora diagramas que mostram os setores da quadra em que os jogadores adversários mais atuam e suas principais características. A estratégia é montada jogo a jogo. Durante os jogos, quatro auxiliares, em pontos diferentes da quadra, ficam ligados a Bernardinho por um ponto eletrônico, prontos para alertar sobre qualquer mudança de tática dos adversários. “É fácil dizer que esse time é do Bernardinho, mas não é”, diz o treinador. “Sou só um deles. Às vezes tenho de pressioná-los, às vezes acalmá-los. Estou aqui para dar-lhes os meios para as vitórias e questioná-los sobre como continuar melhorando. Esse é meu principal papel.”

Mas de nada adiantaria saber o desempenho dos nossos jogadores se não soubéssemos como a equipe adversária se comporta na quadra.

- A gente precisa saber a parte tática da equipe, como eles estão jogando. Por exemplo, dependendo de onde e em que condições que a bola chega para o levantador deles, a gente precisa armar rapidamente uma estratégia contra a ofensiva – conta Roberta.

Entender para atender o mercado e se posicionar em relação aos concorrentes.

ENCANTAR E MOBILIZAR EMOÇÕES NAS PESSOAS – Ayrton Senna mobilizou uma nação em relação a um esporte. As manhãs de domingo para toda uma geração teve um significado totalmente diferente por meio de um único homem. Um único esportista que transcendeu suas meras atribuições desportivas para fazer com que toda uma nação sonhasse e seguisse seus sonhos e objetivos.

É preciso encantar e deixar sua marca pessoal.

Fonte: Você S/A por Ricardo Nakai, 25/02/2010


Feb 28 2010

Quando aceitar uma contraproposta e ficar no emprego

No final do ano passado, a construtora WTorre, que tem sede em São Paulo, perdeu alguns profissionais para os concorrentes. A luz amarela acendeu e a WTorre tomou algumas medidas para segurar seus talentos. Uma delas foi a revisão salarial – 60% dos engenheiros e arquitetos, seus profissionais mais disputados, ganharam aumento. “Sentimos o reaquecimento da economia e precisamos nos proteger do assédio”, diz Francisco Vieitiz, gerente de RH da WTorre. O que ocorre na construção civil, setor da WTorre, será a regra no mercado de trabalho neste ano.

Depois de congelar vagas e planos de expansão em 2009, as empresas estão retomando seus planos de contratação. Na prática, a caça aos talentos já recomeçou. “Nos últimos quatro meses, fizemos mais buscas que no restante de 2009”, diz Fernando Mantovani, diretor de operações da Robert Half, empresa de seleção de executivos com sede em São Paulo. Quando há disputa por gente, as propostas de emprego pipocam e trazem oportunidades de crescimento de carreira. Valorizado, o profissional se vê diante de duas opções: aceitar o convite e mudar de empresa, ou ouvir a contraproposta do chefe e ficar, com algum ganho.

Só que a hora de negociar o passe oferece riscos — e entendê-los pode ajudar você a fazer a melhor opção para sua carreira. A ideia de uma negociação sugere que duas partes entrem em um acordo que seja satisfatório para ambos os lados. Mas, quando se trata de comunicar ao patrão uma oferta de trabalho, buscar um acerto pode ser um mau negócio. Uma pesquisa sobre proposta de emprego realizada no mês passado pela Robert Half, que ouviu 650 profissionais e 300 empresas, mostrou que, diante de uma proposta salarial, patrão e empregado buscam coisas muito diferentes e, por vezes, inconciliáveis.

69% dos profissionais recebem contrapropostas quando dizem que vão sair

Enquanto 54% dos profissionais afirmam mudar de emprego porque veem poucas oportunidades de crescimento no trabalho atual, 55% das empresas tentam reter os profissionais oferecendo um salário mais alto — uma solução que pode mitigar a questão temporariamente. “As empresas tentam segurar a pessoa oferecendo uma coisa que ela não quer”, diz Fernando, da Robert Half. Segundo a pesquisa, 69% dos profissionais recebem contrapropostas. “Quando se está desmotivado ou insatisfeito, aceitar aumento salarial só vai adiar o problema”, diz Fernando.

O gerente de projetos Mário Matos, de 29 anos, especialista de processos da operadora de celular Claro, em São Paulo, diz que ao longo da carreira só aceitou as contrapropostas que oferecessem um novo desafio ou um novo cargo. “Nunca fiquei apenas pelo ganho financeiro”, diz Mário, que considera a atitude perigosa para a carreira. Ter um salário alto é bom, diz ele, mas pode representar um estímulo à acomodação. “O profissional acaba não conseguindo uma vaga com remuneração semelhante no mercado e para de crescer”, explica Mário. A maioria das pessoas não se encanta com as contrapropostas.

A hora da saída, segundo 54% dos entrevistados, não é apropriada para se obter um reconhecimento. “Não acredito em contrapropostas”, diz Fabio Salvatore, de 34 anos, gerente de infraestrutura de TI da Cotia, empresa de comércio exterior com sede em São Paulo. Em sua carreira, Fabio já recebeu quatro propostas de emprego, todas recusadas. Numa delas, ficou em dúvida. Sem revelar que tinha um convite, foi perguntar ao gestor se haveria oportunidades de crescimento para ele. Não recebeu garantia de nada, mas sentiu que poderia apostar. “Nem cogitei usar o convite para obter aumento ou promoção. Se tivesse de sair, apenas comunicaria minha saída com antecedência”, diz.

A DEFESA DAS EMPRESAS

Em geral, as boas companhias procuram minimizar os riscos de perder o funcionário praticando remuneração e benefícios competitivos com o mercado, além de tentar esclarecer quais são as oportunidades de crescimento que cada profissional pode ter. “Não podemos ficar apenas reagindo às propostas que aparecem”, diz Lílian Guimarães, vice-presidente de recursos humanos do banco Santander.

Mesmo assim, o assédio ocorre. E aí tem mais chance de receber uma contraproposta o profissional considerado talento. No final do ano passado, o Santander precisou se mobilizar para manter funcionários de uma área que vinha recebendo propostas de um concorrente. “A estratégia foi identificar aqueles que não gostaríamos de perder de jeito nenhum e ver o que eles queriam para ficar”, lembra Lílian.

Segundo a pesquisa, 38% das contrapropostas ocorrem porque as empresas consideram o funcionário uma peça-chave. O problema é que as outras razões para reter o funcionário revelam que as companhias fazem a contraproposta pensando no próprio umbigo — 31% tentam manter o profissional porque ele já conhece bem o negócio e 18% simplesmente porque não têm tempo de encontrar um substituto.

A pesquisa também revela que 36% das pessoas se arrependem de ter aceitado a contraproposta e que 37% acabam deixando a empresa nos 12 meses seguintes à decisão de permanecer. “Isso mostra que a contraproposta não resolveu o problema de insatisfação do profissional”, diz Fernando.

Existem duas maneiras clássicas de o profissional queimar o filme enquanto negocia seu destino de carreira. Uma delas é se comprometer com a empresa que pretende contratá-lo e, depois de ouvir a contraproposta, voltar atrás. Essa atitude faz com que o outro lado — que tem pressa para fechar a vaga — perca tempo e, às vezes, dinheiro. “Esse comportamento faz mal à reputação”, afirma Fernando. Outro erro comum é usar propostas de emprego com muita frequência para obter aumentos sucessivos. A prática vai irritar seu chefe e lhe conferir fama de mercenário.

“A gente barra esse comportamento porque ele distorce a lógica da política de remuneração e pode criar problemas com outros funcionários”, diz Lílian, do Santander. Vale lembrar que as expectativas e a cobrança são maiores sobre quem ganha mais, ainda que isso não seja alinhado no momento em que a pessoa aceitou a contraproposta. “Às vezes, o profissional não está preparado para dar essa resposta em termos de resultado”, diz Fernando.

A mais importante recomendação é ser honesto com todas as partes. Não assuma nenhum tipo de compromisso se estiver em dúvida. “Sua palavra é a coisa mais importante que você tem na carreira”, afirma Fernando. E só aceite uma contraproposta se tiver certeza de que ela cabe nos seus planos de carreira. Se você ficar, será promovido para o cargo que gostaria? A empresa vai entregar para você o projeto que deseja? Pense nisso antes de atender à próxima ligação.

40% dos profissionais aceitam a contraproposta porque a empresa oferece aumento

Fonte: Você S/A por Murilo Ohl, 24/02/2010


Feb 28 2010

Em busca de mais um recorde

Depois de arrecadar mais de 2 bilhões de dólares nas bilheterias do mundo inteiro, o filme Avatar parte para a segunda onda de negócios ao transformar história em um número inédito de produtos.

Foi bem mais fácil do que a conquista do reino mágico, sedutor e perigoso de Pandora. Em pouco menos de dois meses, Avatar arrecadou mais de 2,2 bilhões de dólares nas bilheterias de todo o mundo, deixando para trás Titanic e se transformando no filme de maior faturamento da história do cinema. Foi uma vitória do diretor americano James Cameron sobre… James Cameron, o homem por trás das câmeras de Avatar e Titanic. Tecnicamente, Avatar está sendo considerado um divisor de águas na indústria como a obra que conquistou o público para o cinema em 3D. Enquanto o longa ainda fatura nos cinemas, a companhia Fox, responsável pelo filme, já iniciou uma segunda onda de negócios com uma avalanche de merchandising poucas vezes vista na história. São nada menos do que 125 produtos licenciados que podem render mais 1,5 bilhão de dólares ao estúdio (veja quadro). Se realmente atingir essa marca nos próximos meses, Avatar entrará também para a lista de recordistas nesse tipo de negócio.

Para causar o mesmo impacto no mercado de produtos de massa que já alcançou nos cinemas, a Fox adotou o 3D co mo principal argumento. A americana Mattel, uma das maiores fabricantes mundiais de brinquedos, por exemplo, investiu para desenvolver as I-Tags, etiquetas de realidade aumentada que acom pa nham bonecos e naves de Avatar. Quando colocadas frente a uma webcam, surge no computador um modelo interativo do brinquedo em três dimensões e todo o cenário de Pandora, a lua mítica onde se passa a história de James Cameron. A companhia francesa Ubisoft ficou encarregada de fazer a versão do filme para videogame, disponível nas plataformas Xbox 360, Play- Station3, Wii, Nintendo DS, PSP, iPhone e computador. O jogo usa a tecnologia 3D para recriar o mesmo efeito do filme. Na área editorial, um dos maiores contratos de merchandising é com a HarperCollins, do mesmo conglomerado que controla a Fox. A editora americana já publicou quatro livros inspirados em Avatar: três infantis (um para colorir, um de adesivos e um com a história do filme em capítulos) e um para adultos, que descreve com detalhes a fauna e a flora de Pandora, além da história, da cultura e da língua dos Na’vi, os gigantes azuis que habitam o planeta.

A indústria dos produtos licenciados nasceu justamente dentro da Fox, em 1977, com o filme Guerra nas Estrelas. A ideia – que se provaria brilhante – não saiu inicialmente da cabeça dos executivos da empresa. Foi uma criação infantil. Crianças de todo o mundo saíam dos cinemas ansiosas para comprar seus sabres de luz, mas não havia nada relacionado ao filme nas lojas. A indústria teve de correr para fabricar toda sorte de produtos e suprir a demanda, que só fez crescer com o lançamento dos outros filmes da série. Nesses mais de 30 anos, Guerra nas Estrelas já rendeu 18 bilhões de dólares à Fox e criou a cartilha básica de negócios do merchandising para os estúdios de Hollywood seguirem. No período mais recente do cinema, o título de campeão em licenciamentos cabe a Harry Potter, com arrecadação de 10 bilhões de dólares em seis filmes.

Esses títulos levam uma grande vantagem sobre Avatar não só pelo tempo em que estão no mercado mas porque o público já está acostumado com o enredo. “Os filmes que mais rendem nesse mercado são os baseados em personagens já conhecidos, como Harry Potter e Homem Aranha, por causa dos livros e das histórias em quadrinhos, ou Toy Story e Shrek, por serem continuações de grandes sucessos de bilheteria”, diz Martin Brochstein, vice-presidente sênior da Lima (Associação Internacional da Indústria de Licenciamento e Merchandising, na sigla em inglês). A postura de James Cameron em relação ao que seria feito com Avatar fora das salas de cinema também não ajudou. Ele tratou toda a produção com um sigilo enorme, evitando até a exibição de trailers a um mês do lançamento do filme. O resultado é que, num primeiro momento, poucas empresas se dispuseram a investir nos produtos relacionados aos humanoides azuis. Apesar de todos os obstáculos iniciais, o faturamento com produtos inspirados em Avatar pode chegar a 1,5 bilhão de dólares. Não dá para desprezar. E vale a pena lembrar: Avatar 2 vem aí.

Caixa de Pandora

A Fox licenciou 125 produtos baseados no blockbuster Avatar. Abaixo, as maiores apostas do estúdio

MATTEL Brinquedos

A empresa licenciou 42 produtos baseados no filme. Alguns deles vêm com uma etiqueta que pode ser escaneada por uma webcam para criar um avatar do brinquedo no computador

UBISOFT Videogame

James Cameron’s Avatar: The Game é uma extensão natural do universo criado no filme, com seres humanos lutando contra os Na’vi em Pandora. Disponível para XBox, Nintendo Wii e PlayStation

JEM SPORTSWEAR Roupas e acessórios

A empresa americana comprou os direitos de usar personagens e cenários do filme em camisetas, casacos, mochilas e bolsas

HARPERCOLLINS Livros

A editora já publicou quatro livros baseados em Avatar: três infantis e um para os aficionados, com detalhes sobre a fauna e a fl ora de Pandora e a cultura Na’vi

McDONALD’S Brinquedos

A gigante do fast food oferece brinquedos do filme em seu McLanche Feliz em todo o mundo

Fonte: Portal Exame por Felipe Carneiro, 23/02/2010


Feb 28 2010

No Brasil, recall incomoda pouco

PRESSÃO – Fábrica da Volks no ABC paulista: recall do Fox só saiu depois de interferência do DPDC, órgão de defesa do consumidor

A Toyota, empresa que sempre cultivou uma imagem de perfeição, enfrenta um bombardeio de críticas por causa do megarecall de mais de 8 milhões de veículos, a maioria nos Estados Unidos. Analistas internacionais avaliam até a possibilidade de a crise de imagem levar a empresa a perder o posto de maior montadora do mundo alcançado no ano passado.

O consumidor americano, mesmo habituado a inúmeros recalls – prática iniciada nos anos 60 -, demonstrou sua insatisfação em janeiro, quando as vendas da marca caíram 16%, queda bem maior que o das outras empresas. No Brasil, onde convocações em massa para corrigir defeitos de fabricação começaram há duas décadas, o consumidor não demonstra a mesma fúria.

Empresas que fizeram recalls polêmicos, como o do Chevrolet Corsa, em 2000, e o do Volkswagen Fox, em 2008, não foram massacradas pelo mercado. Ambas seguem no grupo das três maiores montadoras em atividade no País e os dois modelos permanecem na lista dos dez mais vendidos.

“O americano tem uma cultura diferente, está sempre calculando o que pode ganhar ou perder numa situação”, diz Paulo Roberto Garbossa, da consultoria ADK. Além de indenizações por acidentes e mortes, donos de Toyota estão entrando com ações por causa da desvalorização dos carros após as sucessivas convocações. “Coisa de US$ 200 a US$ 300 por veículo”, afirma Garbossa.

Em 2000, quando a GM fez o maior recall da indústria brasileira, de 1,2 milhão de Corsas, o modelo vendia pouco mais de 100 mil unidades por ano. No ano passado, vendeu mais de 170 mil. O recall foi motivado pelo cinto de segurança, que se desprendia. Foram relatados vários acidentes, dois com vítimas fatais.

A GM foi criticada por ter demorado a reconhecer o defeito, acusação que hoje também recai sobre a Toyota. O primeiro acidente com vítima ocorreu em abril de 1999, o segundo em julho do ano seguinte e o recall foi anunciado em outubro.

O Fox também enfrentou uma grave crise. A peça usada para baixar o banco traseiro e ampliar o porta-malas provocou a mutilação de parte de dedos de oito pessoas. A primeira ocorrência foi registrada em 2004, mas o recall só foi feito em 2008, após interferências do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), também pressionado pela mídia.

Rodolfo Rizzotto, responsável pelo site estradas.com, que mantém histórico sobre recalls feitos no País, calcula que, na média, 50% dos consumidores atendem aos chamados.

No ano passado as montadoras realizaram 35 recalls no Brasil, envolvendo 723,8 mil veículos, muito menos que os 1,26 milhão de modelos convocados em 2008 em 27 campanhas. Este ano, em menos de dois meses ocorreram quatro chamamentos envolvendo 394 mil automóveis, mais do que o registrado em todo o ano de 2007, quando 256,3 mil carros tiveram de ser levados às revendas para correção de defeito de fábrica. Os dois recalls mais importantes ocorreram este mês, envolvendo 193,2 mil Gol e Voyage, da Volkswagen, e 186,9 mil Honda Fit.

“O recall tem um lado negativo, que é o reconhecimento de um erro, e o positivo, que é a decisão de corrigi-lo”, diz José Roberto Ferro, presidente do Lean Institute, divulgador do sistema de “produção enxuta”, típico da Toyota. Para ele, a Toyota errou ao estabelecer estratégia de crescimento rápido e de “perseguir um objetivo não relevante dentro de sua filosofia, o de ser a maior do mundo”.

Ferro, porém, acredita que há também um “lado emocional” no episódio. “Os americanos não engoliram o fato de a Toyota ter passado a GM.”

Outra polêmica no Brasil é sobre a demora dos órgãos responsáveis, no caso o DPDC e o Denatran, em analisarem acidentes que poderiam levar as empresas a realizarem recall. Um deles envolve o Stilo, da Fiat, com denúncias de que a roda pode se soltar. Há pelo menos 20 supostos casos, alguns com vítimas fatais.

O tema está em análise há quase dois anos, sem que os órgãos cheguem a uma conclusão. Para a Fiat, que fez diversos testes, as rodas não são a causa do acidente, pois teriam se soltado após o impacto.

Outro caso nas mãos do Denatran é o do Chevrolet Vectra, com denúncias de incêndios causados pela explosão do tanque de combustível, problema não reconhecido pela fabricante. O diretor do DPDC, Ricardo Morishita, ressalta que, ao não reconhecerem os defeitos, Fiat e GM estão sujeitas a penalidades como multa de R$ 3 milhões e detenção de diretores por 2 anos, caso sejam comprovados defeitos de fabricação.

Fonte: Agência Estado por Cleide Silva, 22/02/2010


Feb 28 2010

Estrangeiros no Brasil

O americano Tyler Mecham, de 30 anos, está morando no Brasil há um ano. Ele deixou sua cidade natal, Phoenix, no estado americano do Arizona, e veio para São Paulo cursar MBA na Fundação Instituto de Administração (FIA), na primeira turma em inglês criada pela escola. Agora, Tyler está em fase de contratação por uma multinacional com sede na capital paulista. Em sua turma, de 15 alunos, outros quatro estão em fase de negociação para serem contratados por empresas locais. ”Fui escolhido por conhecer outra cultura e falar inglês fluentemente, além da minha experiência na área financeira”, diz Tyler.

O americano e seus colegas de classe fazem parte de um grupo de jovens profissionais estrangeiros que vem mostrando interesse crescente em fazer carreira no Brasil, um movimento que se intensificou no último ano, com a crise de emprego na Europa e nos Estados Unidos. “A projeção econômica do Brasil no exterior incentivou essa procura”, diz Denise Barreto, sócia da GNext, consultoria de busca de executivos de São Paulo. A GNext vem recebendo mais currículos de europeus desde o início do ano passado. “São altamente qualificados e com perfil multicultural. Se comparados aos brasileiros que cursam MBA no exterior, concorrem em pé de igualdade”, diz Denise. Eles podem ser especialmente interessantes para empresas em fase de internacionalização, que querem ganhar conhecimento em um determinado mercado.

O processo de contratação de estrangeiros leva entre um e dois meses. “É relativamente simples, mas é a empresa brasileira que precisa se responsabilizar pelo visto”, diz o advogado Renê Ramos, sócio da Emdoc, que presta serviço para quem vai contratar estrangeiros. “De julho de 2009 para cá os pedidos de visto de trabalho só aumentaram”, diz Renê.

A vinda e a contratação de estrangeiros por empresas com sede no Brasil devem ficar cada vez mais comuns, considerando que o país começa a se aproximar das grandes economias mundiais. Cidades como Londres ou Nova York experimentam isso há anos. Mas esse é também um dos aspectos da falta de profissionais no mercado local. “As empresas primeiro trouxeram de volta seus expatriados. Agora querem também os talentos que não são daqui para preencher seus quadros deficitários por causa do crescimento rápido e da falta de gestores”, diz o consultor de gestão de recursos humanos César Souza, da Empreenda, de São Paulo.

“Os latinos serão os primeiros a vir: portugueses, italianos e espanhóis, que estão com um grande problema de falta de emprego em seu país”, diz César. Nos últimos meses, Newton Campos, presidente da associação de ex-alunos do Instituto da Empresa, o IE, na Espanha, uma das principais escolas de negócios da Europa, viu mais que triplicar a procura de ex-alunos por um emprego no Brasil. “Há um ano, recebia um e-mail de ex-alunos a cada três meses. Hoje, chega um pedido de informação sobre trabalho a cada 15 dias”, diz Newton.

Na Esade, outra escola de negócios da Espanha, a área de serviços de carreira tinha, até um ano atrás, em média três solicitações de apoio para trabalhar no Brasil por ano. Em 2009, foram 12. O italiano Ulrico Talamanca, de 30 anos, é um dos alunos do IE interessados nas possibilidades brasileiras. Chegou ao Brasil em janeiro deste ano disposto a aprender português — ele já fala inglês, alemão e espanhol — e usar sua experiência de cinco anos em banco de investimento na Itália e nos Estados Unidos para conseguir um emprego no país.

“A economia na Europa está parada e a América do Sul é um lugar mais próximo em termos culturais”, diz Ulrico. Mercados como agronegócio, que empregou três dos alunos da primeira turma do MBA em inglês da FIA, e energia são alguns dos que mais atraem. “O Brasil tem a imagem de inovador no setor de energia e as pessoas querem aprender com isso”, diz James Wright, diretor do curso.

A vinda de executivos estrangeiros pode aumentar a concorrência em algumas áreas, mas a convivência com profissionais de outros países deve beneficiar as empresas e enriquecer as equipes de trabalho locais. “Há uma vantagem na mistura de várias culturas, algo que já acontece nas grandes metrópoles mundiais. Não acho que essas pessoas venham para tirar o trabalho dos brasileiros, mas para trazer mais conhecimento”, diz Denise, da GNext. De fato, os estrangeiros trazem na bagagem uma experiência diferenciada. Até por isso, a competição no mercado de trabalho vai ficar mais árdua.

Fonte: Você S/A por Fabiana Corrêa, 19/02/2010


Feb 28 2010

Com mercado aquecido, mulheres trabalham menos tempo em casa

O número de horas que as mulheres dedicam aos afazeres domésticos está diminuindo. A carga horária média empregada em tarefas como a limpeza da casa e o cuidado das crianças e dos idosos passou de 28,9 horas por semana em 2001 para 23,9 horas em 2008, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A mudança se relaciona com o crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho, com o avanço da renda, que permite a compra de bens que agilizam o cuidado com a casa –como o micro-ondas, o liquidificador e a máquina de lavar– e com a melhora, ainda que modesta, da divisão de tarefas domésticas entre os homens e as mulheres.

Ana Lúcia Sabóia, gerente do IBGE, destaca que, com a melhora na renda nos últimos anos, mais famílias têm acesso a eletrodomésticos. “A cada ano, cresce o acesso a bens de consumo. A máquina de lavar, por exemplo, é um dos itens mais libertadores da mulher e ainda não é um bem universal no país, como a geladeira já é.”

O acesso a serviços públicos também contribui para a queda no tempo gasto nas tarefas relacionadas à casa, uma vez que a matrícula dos filhos em creches e escolas permite que a mulher exerça outras atividades. E o aumento da renda possibilita a contratação de empregadas ou diaristas para exercer essas atividades dentro da casa.

“As mulheres foram para a rua”, afirma Hildete de Araújo, especialista da Universidade Federal Fluminense, que destaca o aumento da participação das mulheres na População Economicamente Ativa. Segundo o IBGE, em 2008, 47,2% das mulheres com dez anos ou mais no país estavam ocupadas. Em 1992, eram 43,4%.

Ela diz que o IBGE fez antes da piora da crise as entrevistas para a Pnad 2008, que apontou a diminuição do tempo gasto na realização das tarefas domésticas. Na ocasião, cresciam os setores que empregam boa parte da mão de obra feminina, como comércio e serviços.

Em 2009, apesar do impacto da recessão econômica, esses segmentos também estiveram aquecidos, o que indica que continua crescendo a participação das mulheres no mercado de trabalho. A Pnad 2009 será divulgada no fim deste ano.

Número subestimado

A pesquisadora afirma que o número de horas dedicadas à casa apontado pela pesquisa está subestimado. Segundo Araújo, os dados referentes ao trabalho realizado pelo homem dentro do domicílio também podem estar distorcidos. “Existe o preconceito de que trabalho doméstico é coisa de mulher e, portanto, não é valorizado.”

O professor da Unicamp Claudio Dedecca reforça essa percepção: “Os homens podem responder ao pesquisador do IBGE que o tempo para lavar o carro conta como afazer doméstico. E, por outro lado, a mulher pode não considerar atividades como a de levar os filhos à escola porque acha que são coisas normais do dia a dia”.

O IBGE incluiu a pergunta sobre dedicação a essas tarefas em 2001. Mas, mesmo com a ressalva de que o número do IBGE pode estar aquém do real e de que a pesquisa é recente -e, portanto, a base de dados para a análise ainda é limitada-, Dedecca diz que a diminuição das horas dedicadas ao lar revela avanço na sociedade.

“Uma parte do trabalho doméstico não se pode exteriorizar -por exemplo, a atenção dedicada à formação dos filhos. Mas outra parte espero que o poder público assuma, com escola integral, creches etc.”

Os números do IBGE também revelam que, quanto menor é a escolaridade -e, por conseguinte, a renda-, maior é o tempo dedicado à casa. Mulheres que estudaram 15 ou mais anos empregam quase a metade do tempo nessas tarefas do que o gasto pelas que frequentaram a escola por até um ano.

Fonte: Folha Online por Verena Fornetti, 18/02/2010


Feb 28 2010

Aprender rápido é uma competência valorizada

Em um mercado que muda sem parar, a agilidade para aprender coisas novas virou uma habilidade valorizada

A maior mudança de carreira enfrentada pela engenheira paranaense Karime Abib, de 37 anos, foi trocar um emprego de gerente de qualidade e garantia na Delphi, fabricante de autopeças, por outro, na Unilever, para ser gerente de inovação e complexidade, responsável por reformular a imagem da marca aos olhos do consumidor. Ao fazer a transição do mercado automotivo para o de bens de consumo, Karime precisou entender em pouco tempo uma série de diferenças entre os setores e as culturas corporativas — além de conhecer novas pessoas e, claro, manter o desempenho na nova função. “Observava atentamente como meus novos colegas e chefes agiam”, diz.

A capacidade de aprender rapidamente se tornou uma competência valorizada no mercado de trabalho. Por quê? Porque as empresas e os negócios vivem um período de mudanças frequentes, no qual a bagagem de conhecimento que um profissional acumula na carreira nem sempre dá conta de todas as situações a que ele estará exposto. A saída, então, é desenvolver um esforço de atualização permanente, tentando dominar as novidades e as tendências do mercado e da profissão.

Segundo o headhunter Gerson Correia, da empresa de consultoria Talent Solution, essa característica é fundamental para crescer na carreira. “Nas empresas, a palavra de ordem hoje é mudança. Um profissional só se desenvolve se conseguir se adaptar facilmente.” Rodolfo Eschenbach, diretor da área de talentos da consultoria Accenture, em São Paulo, é da mesma opinião:

“Esse profissional é cada vez mais procurado pelas empresas que precisam de gente ágil em seus quadros”. Uma das características dessa competência é saber encarar as transformações de maneira positiva — sem pânico e com dedicação para esquecer os próprios preconceitos e se abrir ao novo. De acordo com Fernanda Pomim, responsável pela área de liderança da consultoria Korn/Ferry do Brasil, a habilidade é mais freqüente em profissionais com elevado grau de autoconhecimento. “Essas pessoas conseguem avaliar melhor os sucessos e fracassos e aprender com os erros e acertos”, afirma.

É possível desenvolver a característica ao longo da carreira. Para isso, o importante é ter vontade de encarar desafios e pedir feedback constantemente. O domínio dessa competência, segundo a Korn/Ferry, também é importante para cargos de liderança. “Liderar uma equipe ou ser responsável por um projeto numa área na qual não se tem tanta intimidade ajuda a ampliar o aprendizado”, diz Fernanda.

“Além disso, para aprender rápido é preciso ouvir com atenção as críticas de colegas e chefes.”

Fonte: Você S/A, 12/02/2010


Feb 28 2010

A grande conquista

Os obstáculos são uma oportunidade de crescimento e podem trazer ganhos inestimáveis. Mas é preciso enfrentar um por um para ter uma vida mais feliz

Erik tinha 20 e poucos anos quando decidiu escalar o monte McKinley, o pico mais alto dos Estados Unidos. Levou meses treinando em colinas mais baixas até enfrentar com seus companheiros alpinistas as rajadas de neve, as gretas profundas em que poderia escorregar, a descida traiçoeira. Ao chegar ao pico, teve uma certeza. Aquela não seria a última montanha que ele desafiaria. E assim foi. Nos anos seguintes, arriscou-se a escalar os picos mais altos dos sete continentes, como o Aconcágua, na América do Sul, o Kilimanjaro, na África, o Everest, na Ásia, e o monte Elbro, na Europa. Uma única particularidade o distinguia dos outros valorosos membros da equipe. Erik é cego.

Quando fez essas escaladas, ele tinha um ideal: provar que qualquer um pode superar a si mesmo diante de uma dificuldade, mesmo os mais fracos e desprovidos de grandes recursos. Em suas últimas aventuras, Erik Weihenmayer levou com ele outros cegos, e até um surdo, para humildemente demonstrar que essa qualidade não era exclusiva dele. Muitas das lições que Erik e outras pessoas aprenderam, ao enfrentar adversidades, estão aqui. Vale a pena conhecê-las.

Enfrentar é preciso

É engraçado: as histórias de grandes conquistas, superações extraordinárias e feitos heróicos às vezes nos oprimem, em vez de nos estimular. Isso porque, lá no fundo, desconfiamos que somos incapazes de realizar coisas difíceis. Um bom herói sempre precisa de confiança, coragem e auto-estima, qualidades raras de serem encontradas no mercado hoje em dia. Então, por achar que somos muito mais limitados do que realmente somos, e também por certo comodismo, abdicamos de usar recursos ainda não experimentados para enfrentar cara a cara as dificuldades, os riscos e os obstáculos.

Parece ser bem mais fácil jogar a toalha e dar as coisas por perdidas, ou se esquivar delas, como se não existissem. Acontece que as adversidades parecem ter o estranho hábito de sempre nos esperar ali na esquina, especialmente quando fazemos questão de fugir delas. É como diz o caipira, na sua santa sabedoria: “Quanto mais rezo, mais assombração me aparece”.

A neurolingüística, que estuda as associações entre a linguagem e o funcionamento cerebral, arrisca uma boa explicação para isso. “Experimente dizer: ‘Eu não quero pensar num limão, nem nos seus gomos cheios de sumo, nem no seu gosto azedinho na minha boca’. Tudo o que você vai pensar é justamente num limão: sua boca vai encher de água como se estivesse diante dele. O cérebro não reconhece o ‘não’, as imagens são muito mais fortes do que a negação”, diz Anderson Andrade, especialista em Programação Neurolingüística (PNL).

O mesmo acontece com relação às dificuldades diárias e ao popular (e insuperável para muitos de nós, na verdade) medo da morte. Quanto mais se quer evitar pensar na “indesejada das gentes”, mais se pensa. “O pensamento gera hábitos, que promovem atitudes, que provocam ações, que determinam acontecimentos”, assevera o especialista. Pode-se dizer que a nossa realidade é resultado dos pensamentos dominantes da nossa mente, assim como nossas ações e reações dependem da nossa maneira de ver o mundo.

Forma-se, então, uma cadeia interligada de pensamento – ação – acontecimento. É por isso que, quanto mais rezamos, mais assombração aparece: se temos medo dela, ela está presente em nosso pensamento, gerando nossas ações e promovendo acontecimentos relacionados ao nosso temor. Por isso, se temos pavor das adversidades, se não as enfrentamos como algo normal e natural da vida, elas não vão sumir – pelo contrário. Igualzinho ao caso do limão.

Para Anderson, o melhor a fazer é sempre imaginar que temos uma vida tranqüila e feliz. Assim, quando os obstáculos realmente aparecerem, podemos ser capazes de olhar para eles com um espírito sereno e encará-los como eventualidades que fazem parte da vida. E a dificuldade, que poderia ser vista como uma montanha íngreme, passa a ser uma colina ultrapassável.

No balanço da van

Se pararmos para pensar, é possível perceber que os aborrecimentos que enfrentamos na vida, em grande parte, são pequenos ou, no máximo, médios. Os grandes desafios são excepcionais. Porém é justamente com as dificuldades do dia-a-dia que podemos treinar para quando os obstáculos nos parecem intransponíveis. Em primeiro lugar, temos de lidar exatamente com a nossa percepção do que é uma grande ou pequena dificuldade.

A enfermeira Célia conta que, algumas vezes por semana, pegava uma van abarrotada de gente para voltar para casa. “Eu ficava tensa e com os nervos à flor da pele. Para mim, era um enorme desafio. Até que um dia resolvi mudar esse meu estado negativo e tomar consciência do que acontecia ao meu redor e dentro de mim mesma”, recorda Célia, que enfrenta o trânsito louco e o transporte público de São Paulo. “Tudo ficou muito nítido: as cores, as formas, os rostos. Minha irritação se transformou numa enorme compaixão por aquelas pessoas honestas, que se levantam de madrugada para trabalhar. Senti o meu coração do tamanho do Estádio do Morumbi. Minha percepção mudou completamente”, afirma Célia.

Depois de algum tempo, ela testemunhou algo inesperado, quando viu sua sacola de plástico arrebentar dentro da van com tudo que tinha acabado de comprar no mercado. Imediatamente, uma moça ofereceu o casaco para que Célia pudesse recolher sua compra, um rapaz se esgueirou entre as poltronas à procura de latas que tinham rolado para debaixo dos bancos, outros passageiros se abaixaram para capturar um saco de batatas – tudo isso em meio aos trancos e sacolejos do veículo em movimento. Segundos antes de descer no seu ponto, ela conseguiu recompor a sacola com todos os produtos. “Descobri uma grande lição: não preciso enfrentar as dificuldades sozinha. Hoje tenho mais abertura para receber ajuda e confiar nos outros.” E andar de van, que antes parecia uma adversidade insuperável, já não é um aborrecimento tão grande. “Ainda me incomoda, mas só na medida justa. Não sofro mais com isso”, diz ela.

As lições que as adversidades ensinam dariam para escrever um livro. Mas esses exemplos já servem para deixar claro o quanto podemos aprender com elas.

Tempestades

Vamos reconhecer que, de vez em quando, o tempo fecha mesmo. A coisa fica feia. E aqui voltamos um pouquinho para a história de Érik, o alpinista cego que você conheceu no início da matéria. Afim de escrever um livro, ele se uniu ao consultor Paul G. Stoltz, um especialista em, acredite, adversidades. Erik queria contar as lições aprendidas diante dos obstáculos e transformar esse enfrentamento em técnicas para ajudar a todos. E Paul fez essa parte.

Um de seus instrumentos de análise atende pela sigla Crad, iniciais das palavras controle, responsabilização, alcance e duração. Trocando em miúdos, ele sugere que, diante de uma dificuldade, a gente se faça a seguinte pergunta: Até que ponto tenho controle sobre essa situação? Em segundo lugar, aconselha a definir sua responsabilidade com relação a ela – quanto mais se sentir responsável, mais estará empenhado na sua solução. Depois, vem a grande pergunta: qual o alcance do que pretendo fazer e como posso administrar, ou solucionar, essa dificuldade? Em último lugar, é bom considerar a duração dessa adversidade. Assim, delimitamos o problema por certo período, justamente para que não se estenda demais.

As dificuldades podem funcionar como verdadeiros trampolins. Tanto que vários executivos e funcionários de empresas as convocam para dar o famoso “salto de qualidade”, expressão que já é corrente. Paul gosta de citar um exemplo bem simples: o de uma secretária que sofria com os longos relatórios que tinha de digitar em pouco tempo, pois catava milho nas teclinhas, embora em grande velocidade. Para transpor isso, a secretária decidiu enfrentar outro obstáculo: fazer um curso de digitação em sua exígua hora de almoço. No começo, tudo parecia um sacrifício. Mas, saber que esse desafio seria apenas por pouco tempo, facilitou bastante seu empenho. Ao enfrentar voluntariamente uma dificuldade, e semear por conta própria essa tempestade passageira, a secretária conseguiu solucionar um enorme aborrecimento.

Eu sou o máximo

Nessa história, porém, tem uma casca de banana no meio do caminho. Sabe o Hércules, aquele fortão da mitologia grega que realizou 12 trabalhos dificílimos encomendados pelas divindades do Olimpo? Pois é, ele morreu, coitadinho, como você e eu vamos morrer algum dia.

O heroísmo dele não garantiu sua imortalidade em vida. Considerado o herói dos heróis, Hércules só ganhou a imortalidade depois de morto. Isso tem um significado profundo: a jornada do herói, aquele atendimento ao chamado que nos joga na vida com todos os seus desafios, é bonita e certamente faz parte da nossa existência. Mas não se deve fazer isso esperando reconhecimento, prêmios e aplausos.

O herói egóico é insuportável. É como aquele chato que sempre banca o maioral e se arrisca só para mostrar como é corajoso e destemido. Em outras palavras, a gente não precisa ficar por aí arrumando sarna para se coçar. Com o espírito de sempre se colocar à prova por motivos egóicos, as adversidades, com certeza, serão mais freqüentes.

Há também o risco de se comprazer no sofrimento. “Um homem é capaz de abandonar tudo na vida. Menos seu sofrimento”, já dizia o mestre armênio Georges Gurdjieff, que conhecia a alma humana como poucos. Parece bizarro ouvir que muitos de nós não largariam o sofrimento por nada nesse mundo. Mas há uma razão especial para isso – e não tem nada a ver com masoquismo. O ego gosta de se apoderar das experiências para se enaltecer.

Somos capazes de fazer sacrifícios tremendos para nos sentir mais importantes e provocar a admiração de nossos semelhantes. O enfrentamento das adversidades, muitas vezes, serve apenas para alimentar nossa vaidade e nossa “imagem”. Você talvez nunca tenha pensado que poderia escorregar nessa casca de banana, não é? Então, tomados esses cuidados, podemos aproveitar as indicações de quem enfrenta as adversidades de uma maneira mais tranqüila, por um ideal ou por acreditar que elas simplesmente fazem parte da vida.

Perder o medo e relaxar é um ótimo começo.

Fonte: Abril – Vida Simples, 03/02/2010


Feb 11 2010

Gafes corporativas

Sob as lâmpadas fluorescentes nas empresas, alguns vícios continuam iguais, ano após ano. E, depois de dez horas diárias durante cinco dias da semana, eles incomodam bastante quem tem de conviver com eles. Fizemos uma listinha para ajudá-lo a lidar com cacoetes comuns nos escritórios

PAPO DE VESTIÁRIO

Banheiro ou chuveiro da academia da firma não são os melhores lugares para abordar o chefe para falar de trabalho. Mas aparentemente algumas pessoas, digamos 40% da população corporativa, não se deram conta disso. Essa parcela continua chamando o chefe para contar que já mandou um e-mail para o cliente, mesmo que ele esteja no privativo. Ou vai conversando sobre aquela reunião enquanto toma banho na academia.

COMO LIDAR

Se acontecer de alguém chamá-lo para um papo no meio da escovação de dentes pós-almoço, não pense duas vezes antes de dizer, gentilmente, que prefere conversar dentro de dez minutos, em sua mesa, com mais privacidade e conforto. E com um hálito mais agradável, certamente.

ADEUS, LANCHINHO

Você esqueceu seu pacote de biscoitos em cima da mesa e, no dia seguinte, não restava mais nada? Ou abriram sua gaveta ao cair da noite e devoraram seus bombons sem dó? Quando a fome aperta no escritório, é comum colegas comerem o lanchinho alheio. Principalmente quando o expediente vai até mais tarde.

COMO LIDAR

Ao notar o sumiço, o melhor é mandar uma indireta. “Fale assim: ‘Estou com fome e meu pacote de biscoitos sumiu. Quem vai me dar outro?’”, brinca a consultora de etiqueta corporativa Renata Mello. “É melhor generalizar e fazer uma brincadeirinha com todos do que buscar claramente os acusados, o que seria muito constrangedor.” Se não der certo, comece a levar maçãs ou balas de gengibre.

E-MAIL AO LÉU

Uma das principais maldades corporativas é fazer um e-mail apontando um erro do seu colega com cópia para o chefe dele. Ou para o chefe comum. Você já fez isso? Ok, já foi. Reconheça o erro e ajoelhe no milho, mas não repita.

COMO LIDAR

Quem não está contente com as atitudes dos colegas deve ter uma conversa em particular, direta e gentil. Se você foi a vítima, faça o mesmo e explique que você poderia ter resolvido a situação.

VICIADOS EM REUNIÕES

Ficou tão banal fazer reuniões que já é normal as pessoas aceitarem os convites online sem pestanejar. E é mais comum ainda que o seu chefe se lembre, de última hora, que não poderá ir e mande você no lugar dele, mesmo que você não tenha nenhuma noção do assunto ou do que vai dizer.

COMO LIDAR

Informe-se sobre a pauta e veja se realmente faz sentido participar, já que muita gente convida uma lista imensa sem saber que contribuição dará. Se for o caso, argumente com quem o chamou. Se houve reincidência, converse e sugira melhor aproveitamento do tempo. Estima-se que as empresas desperdicem 500 reais por ano, a cada 100 funcionários, com reuniões improdutivas. Se nada der jeito, sempre tem o batalha naval.

AH!, OS ESPAÇOSOS

Tem gente que vai deixando suas coisas espalhadas por onde passa e, quando você vê, tem uma cesta de Natal largada no corredor — em plena Páscoa! E há quem se apodere do armário coletivo para colocar tudo o que é seu, sem o mínimo espírito de coletividade.

COMO LIDAR

Nesse caso, converse com a equipe, de uma maneira geral, para combinar uma forma de dividir o armário de um jeito racional, para que todos tenham seu espaço. Ou proponha um mutirão de limpeza. Quanto aos objetos largados pelos corredores, explique que aquilo pode atrapalhar a imagem de quem o fez, pois “dá a impressão” que essa pessoa não respeita o espaço dos colegas. Sem citar a possibilidade de causar um acidente, caso alguém tropece e caia.

INSÔNIA PRODUTIVA

Sabe aqueles chefes ou colegas que sofrem de insônia e aproveitam a noite para mandar e-mails? “Essa atitude mostra que a pessoa quer se exibir como bom profissional, pois trabalha até tarde, e que é um workaholic convicto. Nenhum dos dois é bem-visto nas empresas modernas”, diz a consultora de etiqueta Renata Mello.

COMO LIDAR

Se você cumpriu suas tarefas, não há motivo para se sentir mal se o colega trabalhou até de madrugada, e você não. Responda o que for necessário, normalmente, e pergunte se pode ajudá-lo a resolver algum problema que se estendeu até tarde, se for o caso.

BRONCA EM PÚBLICO

Criticar duramente ou dar um pito em alguém na frente de todo mundo é coisa do tempo da máquina de escrever. Já saiu de moda faz muitos anos, mas tem gente que insiste em ser démodé. Falha grave.

COMO LIDAR

Espere o autor da bronca se acalmar e chame-o de lado para dizer que não gostou do ocorrido, que se sentiu ofendido e que ficaria muito feliz se isso nunca mais se repetisse.

Fonte: Você S/A, 11/02/2010


Feb 11 2010

O Craque Organizacional

Quem são os craques?

Ano de Copa do Mundo, a próxima Copa sendo no Brasil e o anúncio do Rio como sede das Olimpíadas de 2016, o Brasil inteiro está em festa!

Começamos uma fase única de poder acompanhar a preparação e o desempenho de vários atletas e modalidades esportivas. Teremos que aprender a entender de vários esportes e iremos conhecer muitos craques e ídolos novos.
Iremos presenciar momentos que representam toda uma vida de treinamento e dedicação de atletas, que buscam a excelência para representar seus países de origem. A busca da excelência passou a ser uma exigência não somente dos esportes como do ambiente corporativo. As olimpíadas podem proporcionar diferentes pontos de vistas práticos sobre as competências e os comportamentos de uma liderança competitiva.

É importante ressaltar que estes ambientes estão fundamentalizados sobre um contexto de necessidade de alta performance constante em meio à muita pressão. E que o craque deve estabelecer um comportamento vencedor nessas condições específicas. Condições estas que são vivenciadas, com maior ou menor intensidade, por todos no cotidiano das organizações atuais. Organizações que já entenderam que excelência competitiva deixou de ser diferencial de mercado para ser quesito de sobrevivência. Que para sobreviver nos dias de hoje as empresas necessitam incorporar em seus planejamentos estratégicos práticas de inovações constantes, desenvolvimento de competências e estímulo de atitudes vencedoras em suas equipes de trabalho. E, como em um campeonato, a equipe campeã deve possuir competências específicas de lideranças influentes que mobilizem os comportamentos de todos.

Neste “Campeonato Corporativo” as organizações modernas estão se diferenciando por adotar medidas muito parecidas com equipes esportivas. Sempre com foco no resultado, entendendo a importância da sinergia entre membros de uma equipe, celebrando vitórias e conquistas, investindo em treinamentos e desenvolvimento, as empresas passaram a se portar como times de alto desempenho. E, como em todo grande time esportivo, as empresas passaram a investir em um grande diferencial competitivo: O Craque organizacional.

Mas afinal, o que é o CRAQUE?

O craque passou a ser sinônimo daquela pessoa que supera os níveis de excelência. Significa aquela pessoa, jogador ou trabalhador, que faz além do que é exigido para alcançar o resultado de uma maneira que ninguém mais consegue fazer. E o mais intrigante é que ele faz isto como se fosse a coisa mais fácil do mundo. O craque tem estilo próprio, ele é criativo, inovador e é capaz de deixar sua marca registrada e ser lembrado por ela.
O Craque representa o que todos nós gostaríamos de ser ou de saber fazer. Fundamental como exemplo e modelo a ser seguido, sua conduta deve ser incorporada nas grandes organizações atuais para representar diferencial competitivo e inovador que, como os craques, deve ser seguido por todos.

Convido a todos a participar desta viagem, identificando as competências que grandes craques e times possuem e como eles podem influenciar no ambiente diário de trabalho de cada um de vocês.

Fonte: Você S/A – Por Ricardo Nakai, 10/02/2010