Jan 28 2010

Seis ensinamentos para você ser um palestrante vitorioso

Às vezes vemos um palestrante bem-sucedido e ficamos curiosos para saber como foi sua trajetória para se projetar tanto. A receita é simples, mas exige empenho e muita dedicação. Um dos palestrantes mais famosos e requisitados nos últimos tempos é o Max Gehringer. Dá para aprender muito com ele.

Além da sua larga experiência como presidente de importantes empresas multinacionais, Max se tornou um dos mais brilhantes escritores da história corporativa brasileira. Faz grande sucesso como comentarista sobre carreira na Rádio CBN e no programa Fantástico, da TV Globo.

Acompanho sua trajetória há muitos anos, desde a época em que era dos principais articulistas das revistas “Exame”, “Você S.A.” e “VIP”, antes de se transferir para a revista “Época”. Onde põe a mão faz sucesso. Não poderia ser diferente com suas palestras. Conseguiu transferir para os palcos a mesma leveza e bom-humor dos seus textos. Veja seis ensinamentos desse craque da tribuna:

Primeiro ensinamento: escolhendo o tema. Ele escolhe o tema da sua palestra de maneira bastante criteriosa. As organizações que o contratam sabem que ele aplica determinado fio condutor em suas apresentações. A cada evento, entretanto, este sedutor de plateias usa sua larga experiência como principal executivo de grandes organizações e o conhecimento adquirido como estudioso dedicado da vida corporativa para adaptar o conteúdo aos interesses do cliente.

Essa capacidade de estabelecer correlação entre os ensinamentos da sua palestra e a aplicação prática na vida dos ouvintes faz com que todos levem uma mensagem útil para as diversas atividades que desenvolvem, seja no relacionamento social, seja na vida profissional.

Segundo ensinamento: conquistando os ouvintes. Logo nos primeiros momentos Max mede a capacidade de compreensão da plateia. Começa com uma isca sutil que sempre provoca a reação do público. Se as pessoas reagirem rápido e de forma intensa, o caminho será mais leve e tranquilo até o final.
Se, entretanto, a resposta for lenta, sabe que deverá voltar à página dois da cartilha e redobrar seus esforços para explicar melhor os pontos que irá abordar. Esse respeito à capacidade de entendimento do público é um dos motivos que o torna tão admirado.

Terceiro ensinamento: mantendo a atenção. Manter concentração dos ouvintes o tempo todo é uma obstinação para ele. Max é tão preocupado em segurar a plateia ligada do princípio ao fim da palestra que teve o cuidado de gravar a reação de diversos públicos enquanto se apresentava.
De posse das gravações analisou criteriosamente cada instante da sua apresentação para identificar quais os momentos em que o público começava a dispersar. Segundo ele, se os ouvintes se levantam muito para ir ao banheiro ou atender às ligações telefônicas tem algo errado com a palestra.

Para esses instantes críticos introduziu histórias interessantes e fatos bem-humorados que funcionam para recuperar e manter a atenção do grupo. Se você ficar do lado de fora da sala onde o Max se apresenta, irá constatar que suas brincadeiras funcionam, pois ouvirá risadas do público no máximo a cada dois minutos.

Quarto ensinamento: recuperando a concentração. Por mais que um palestrante se esforce, não tem jeito, depois de algum tempo alguns ouvintes ficam desatentos. O recurso preferido de Max para “trazer o público de volta à apresentação” é contar histórias pessoais bem-humoradas que estejam ligadas à realidade da assistência.

Esse artifício atinge vários objetivos. Além de mostrar o lado humano do palestrante, relaxa a plateia e mantém a concentração dos ouvintes. Essas histórias ajudam o público a se lembrar dos conceitos que foram discutidos. Passados meses e até anos, os ouvintes ainda se recordam das histórias que ouviram.

Quinto ensinamento: garantindo o resultado. Max se considera sempre mais um dente da engrenagem que movimenta o evento para ser bem-sucedido. Por isso, faz de tudo para que a sua participação ajude no resultado do encontro. Sendo assim, não admite falhas e exige muito profissionalismo do pessoal que dá suporte ao evento.

Procura não conversar com ninguém enquanto cada equipamento, cabo ou aparelho de som não esteja em perfeito funcionamento. Se você contratar o Max, tenha certeza de que ele cumprirá a parte dele, mas esteja certo também de que ele exigirá que você cumpra a sua.

Se, entretanto, algo der errado, não se preocupe, pois ninguém como ele sabe contornar os contratempos. Pouco antes de uma de suas palestras o local ficou sem energia. Enquanto todos se desesperavam por causa do incidente, com toda a tranquilidade ele se apresentou apenas com luz de vela. E, mais uma vez, foi um sucesso.

Sexto ensinamento: encerrando bem. A maior preocupação de Max é deixar uma mensagem que sirva de reflexão para os ouvintes. Ele aproveita o encerramento da palestra para deixar dicas práticas para que as pessoas possam aplicar no dia seguinte. Sua intenção é a de que esses conselhos tenham efeito multiplicador e se espalhem para todos os setores da empresa.

Max Gehringer, como eu disse no início, é, sem dúvida, um dos mais brilhantes palestrantes da história do país. Seu sucesso não chegou de um dia para outro. Construiu sua trajetória com muita disciplina e trabalho. Por que não aproveitar esses ensinamentos que já estão prontos, à nossa disposição?!

Fonte: UOL Economia – Por Reinaldo Polito, 28/01/2010


Jan 27 2010

Vai faltar gente?

A previsão de retomada econômica trouxe de volta uma discussão que foi posta de lado em 2009: a guerra por talentos. A disputa por bons profissionais voltará a se acirrar caso se confirme a projeção de Produto Interno Bruto acima dos 5% para este ano. Diante do cenário positivo, as empresas começam a se movimentar para encontrar, internamente ou externamente, profissionais para sustentar seu crescimento. Uma pesquisa feita pela consultoria Empreenda, de São Paulo, em conjunto com a HSM, que promove seminários sobre negócios, com 1 065 líderes no Brasil, dá uma prévia do que pode vir.

Entre os entrevistados, 63% estão preocupados por não ter gente suficiente para pôr em prática sua estratégia corporativa nos próximos cinco anos. “Falta gente qualificada no mercado”, diz o consultor César Souza, presidente da Empreenda. A DBM, consultoria de recolocação de executivos com sede em São Paulo, divulgou que, no terceiro trimestre de 2009, a procura por gerentes, diretores e presidentes cresceu 36% em relação ao mesmo período de 2008, quando a crise financeira fazia estragos no país.

De olho nos bons indicadores, as empresas estão acelerando a formação de profissionais ou a busca por eles no mercado. A CPFL Energia investirá 600 000 reais na preparação de 30 funcionários que devem assumir cargos de liderança nos próximos anos. “No ano passado, 58% das vagas foram preenchidas com gente de fora”, diz Lucilaine Bellacosa, gerente de desenvolvimento de pessoas da CPFL, com sede em Campinas, interior de São Paulo.

Quem vai procurar no mercado também já começou. No fim do ano passado, o publicitário Nizan Guanaes, à frente do grupo ABC, que reúne algumas das maiores agências de publicidade do país, recomendou aos seus executivos que ficassem de olho nos talentos. “Em 2010 vai ser mais difícil encontrar gente boa disponível”, diz. Até mesmo o Google, que é sonho de carreira de estagiários a executivos, está se precavendo. A empresa de internet está mapeando as qualidades essenciais da carreira de vendas em diversos países para criar um recrutamento interno que funcione globalmente.

Tudo para não ficar restrito à oferta de mão de obra local, insuficiente para preencher as vagas abertas. Em dezembro, eram 60 posições em diversas áreas. Com a retomada da disputa por profissionais, o poder de negociação do candidato na hora de decidir por uma vaga volta a crescer.

A crise tinha feito o pêndulo ir para o lado do empregador. O engenheiro Daniel Terra, de 30 anos, acabou de ser promovido a gerente de contas na Siemens Enterprise, depois de receber uma proposta para ocupar uma gerência em outra multinacional. Antes, ele tinha um cargo técnico na área de serviços. “Fui conversar com minha chefia, que acabou me promovendo para a área que eu planejava”, diz Daniel. “Nos últimos quatro meses, fizemos outras duas ações de retenção para manter nossos funcionários”, diz Malena Martelli, diretora de recursos humanos da companhia para a América Latina.

“Estamos enfrentando um cenário de competitividade do mercado pelos profissionais disponíveis”, diz João Menezes, gerente-geral de RH da mineradora Vale, a respeito dos engenheiros que trabalham em seus projetos no norte do país. A companhia vem investindo na formação de gente e, em dezembro, contratou todos os 29 alunos de seu curso de pós-graduação em engenharia ferroviária em São Luís, no Maranhão. No setor de infraestrutura a guerra por talentos deve ser acirrada.

Isso porque os investimentos previstos pelo governo para Copa do Mundo (2014) e Olimpíada (2016) devem criar uma infinidade de novos empregos e, claro, não há gente sendo formada em número suficiente pelos cursos de turismo e administração hoteleira. O mesmo fenômeno acontece para engenheiros, economistas e administradores nos segmentos de varejo, construção civil e energia. “Acredito que a busca em 2010 será por líderes experientes, gente de peso”, diz Francisco Ramirez, diretor da ARC, consultoria de busca de executivos, de São Paulo. O headhunter aposta que, em setores recém-consolidados, como alimentos e bancos, o cenário não será tão favorável. “Nessas fusões, sempre fica sobrando gente.”

OS SALÁRIOS SOBEM?
A disputa por gente só não serviu ainda para inflacionar os salários nos níveis executivos — um fenômeno que perdurou até meados de 2008. “Não prevemos uma guerra salarial, mas as empresas que estão com os salários congelados e as que fizeram reajustes abaixo dos 6% correm riscos de perder seus funcionários”, diz Gustavo Tavares, consultor de remumeração do Hay Group, em São Paulo.

Entre os clientes da consultoria, um terço fez algum tipo de congelamento de salários ou promoções no ano passado. “Agora, todos os aumentos e contratações que ficaram parados devem vir de uma vez só, em forma de contratações e aumentos, acirrando a disputa.”

Fonte: Você S/A por Fabiana Corrêa, 26/01/2010


Jan 27 2010

Use o instinto para decidir

O headhunter americano David Nosal dedicou os últimos 20 anos de sua carreira para recrutar diretores e presidentes para grandes empresas de tecnologia e fundos de investimento.

Essa experiência o fez ter uma relação privilegiada com os profissionais mais talentosos do mundo. Trabalhou por 18 anos em duas das principais empresas globais de recrutamento de executivos: Heidrick & Struggles e Korn/Ferry. Nesta última, realizou mais de 100 buscas para posições de presidente e muitas outras para postos de direção nos Estados Unidos e no resto do mundo.

Os colegas de trabalho atribuem parte do sucesso de David à dedicação que ele emprega nos projetos que realiza. Às vésperas de concluir trabalhos importantes, o headhunter costuma dar turnos de 18 horas no escritório. David deixou a Korn/Ferry em 2007 para fundar sua própria consultoria, a Nosal Partners, sediada em San Francisco, na Califórnia, Estados Unidos. Há poucos meses, abriu uma filial em São Paulo. Em sua primeira visita ao escritório no Brasil, deu a seguinte entrevista a VOCÊ S/A.

O senhor já disse que, quanto mais rápido os jovens executivos decidem e quanto mais acertadas são suas decisões, mais eles crescem na hierarquia das empresas. Os mais velhos reclamam, no entanto, que os jovens são despreparados. Como se resolve essa contradição?
Se um jovem executivo foi beneficiado por superiores que lhe deram responsabilidades e autoridade, a idade estampada no papel é o menos relevante. É verdade que antigamente havia mais estágios hierárquicos a ser cumpridos, e por isso a maturidade para ser chefe vinha com mais naturalidade. Hoje em dia, em termos de velocidade de tomada de decisão, é muito importante que os jovens não fi quem excessivamente paralisados em análises. Para tomar uma decisão há de se ter um equilíbrio entre dados que podem ser matematicamente calculados e outros que não podem. Esses últimos vêm da intuição. Minha recomendação é obter o máximo de informação o mais rapidamente possível e tomar uma decisão instintiva em cima disso.

As habilidades que o senhor procurava em um presidente há dez anos são diferente das de hoje?
As habilidades são as mesmas. Para ser bem-sucedido, um líder precisa agregar grande paixão pelo seu trabalho, empatia elevada com as pessoas e, claro, o senso comum necessário para gerir uma empresa. Mas vale ressaltar que normalmente o presidente não é o funcionário que mais conhece as técnicas e as fi nanças da empresa. Basicamente, o presidente tem a capacidade de se cercar de pessoas brilhantes. Ele não apenas escuta o que elas têm a dizer, como as inspira a fazer coisas grandiosas.

Muitos empregadores reclamam que o jovem rapidamente desiste da empresa quando percebe que uma promoção vai demorar. Está faltando paciência ao jovem?
A geração de hoje não defi ne mais um objetivo profi ssional com um horizonte de 20 a 30 anos, como no passado, mas sim com um horizonte de um ou dois anos. Tudo bem, desde que não se esqueça de que é preciso construir uma história, ter resultados consistentes para apresentar no currículo. A coisa mais importante é fazer o seu trabalho excepcionalmente bem. O seu empregador ou outras empresas vão reconhecer essa contribuição. Promoção e compensação serão consequências.

O que pesar, então, ao receber um convite de outra companhia?
Você deve perguntar o que está faltando na sua empresa atual, mas com os pés no chão. Se falta algo, sugiro combater esse problema, de alguma forma, junto aos seus superiores, antes mesmo de analisar qualquer transferência. Se não houver solução, há três perguntas a considerar: ?A nova oportunidade me fornece uma ampla área de responsabilidade? A cultura corporativa se assemelha à minha própria cultura ou ao meu estilo de ser? Terei a oportunidade de gerenciar equipes e projetos??. Considere também a sua felicidade.

Quais são as habilidades que mais fazem falta a um jovem?
O que muitos jovens não parecem ter é a capacidade de ouvir e entender verdadeiramente o que está acontecendo ao seu redor. Alguns gostam tanto de falar que acabam não ouvindo os comentários e as questões que estão sendo feitas sobre aquele projeto. Chegam com uma ideia praticamente pronta e não abrem para discussão. Os jovens precisam escutar e ajustar intuitivamente o seu discurso e o seu estilo conforme os dizeres dos demais.

Como os jovens líderes brasileiros são vistos fora do país? Que conselho daria a eles?
Minha observação é de que a cultura brasileira é mais otimista e entusiasmada que a maioria mesmo em tempos difíceis. Esse otimismo é um atributo que muitos outros executivos e países podem aprender. Mas se por um lado há uma emocionalidade mais acentuada, digamos assim, há mais difi culdades de planejar no longo prazo, o que exige análises mais frias e racionais. Meu conselho é: encontre alguém para se espelhar, um mentor para aprender, de preferência alguém mais velho e disposto a lhe dar conselhos. O objetivo é observar e absorver qualidades e habilidades específi cas de comunicação, carisma e habilidades técnicas. E incorporar esses elementos ao seu próprio DNA profissional.

Fonte: Você S/A por Bruno Vieira Feijó, 22/01/2010


Jan 27 2010

Revelados os empregos do futuro

Já pensou em trabalhar como organizador de clutter virtual, narrowcaster ou policial de alterações climáticas?

Pois de acordo com uma pesquisa encomendada pelo governo inglês, essas são algumas das profissões do futuro.

A Future of Jobs to Come ouviu 486 especialistas de 58 países em seis continentes para elaborar uma lista de 20 carreiras em alta nas próximas duas décadas.O foco eram as mudanças em tecnologia e ciências, e quais empregos esses avanços poderiam gerar.

Antes a lista, no entanto, foi necessário entender qual a realidade do mercado de trabalho em 20 anos.

O mundo em 2030

Os especialistas prevêem que as fontes de energia alternativas, não nucleares, sejam comuns em veículos, casas e escritórios, suprindo de 20% a 40% da demanda nos países desenvolvidos.

O consumo de comida e energia deve aumentar 50% se comparado a 2009, e o de água 30%.

Novidades em tecnologia espacial diminuirão o tempo das viagens e os avanços em tecnologias experimentais levarão a um maior uso do mundo virtual, como hologramas, projeções 3D, televisão 3D e realidade virtual.

Para cada uma dessas áreas há uma gama de oportunidades. As profissões deverão atendem às necessidades de uma população em envelhecimento, com grande demanda pro alimentos e cuidados com a saúde, sem deixar de lado o meio ambiente.

Os cargos listados são uma especulação, é claro – e misturam a realidade com uma boa dose de imaginação – mas ajudariam a viver em um mundo cibernético, seja fornecendo proteção legal ou até aconselhamento para a criação de perfis virtuais.

Os novos empregos que surgirão entre 2010 e 2030

1. Fabricantes de partes do corpo: avanços na ciência tornarão possível a fabricação de partes do corpo avulsas, abrindo campo para fabricação, comércio e reparo dessas partes.

2. Nano-médicos: há um grande potencial para desenvolvimento de aparelhos em nanoescala aplicados em novos procedimentos, que podem transformar os cuidados pessoais. Uma nova nanomedicina será necessária para administrar esses tratamentos.

3. Fazendeiro de seres geneticamente modificados: alguém precisará se especializar nos cuidados de plantas e animais geneticamente modificados.

4. Consultor/gestor do bem estar na velhice: especialistas irão reunir conhecimentos de diversas áreas (farmacêutica, medicina, próteses, psiquiatria entre outros) para ajudar a tratar e cuidar das necessidades da velhice.

5. Cirurgião do aumento de memória: novas tecnologias permitirão a médicos adicionar uma capacidade extra de memória no cérebro.

6. Cientistas para criar uma nova ética: avanços em áreas como clonagem exigem uma nova ética que ajude a sociedade a tomar decisões conscientes. As perguntas não serão mais “podemos fazer isso?” mas sim “devemos?”.

7.Pilotos espaciais, guias de turismo e arquitetos: com o turismo espacial, pilotos,guias e designers serão necessários para construir as moradias no espaço e em outros planetas.

8. Fazendeiros verticais: cidades terão agricultura vertical, regadas hidroponicamente, e exigirão pessoas com habilidades cientificas, de engenharia e comércio.

9. Especialista em reversão das mudanças climáticas: uma nova classe de engenheiros cientistas ajudaria a reduzir ou reverter os efeitos das mudanças climáticas em locais específicos.

10.Reforço de quarentena: Equipes preparadas para conter epidemias. Enfermeiras, para tratar dos enfermos, e seguranças, para impedir a evasão de divisas, são alguns dos cargos necessários. 11. Polícia de alterações climáticas: semear nuvens para gerar chuva já é algo que acontece no mundo. Com o avanço dessas e de outras tecnologias, alguém terá que controlar e monitorar quem pode, e como pode, realizar esse tipo de intervenção na atmosfera.

12. Advogado virtual: cada vez mais detalhes da nossa vida vão para a rede, e especialistas são necessários para resolver disputas legais envolvendo a internet.

13. Controlador de avatar e professor virtual: entre os diversos usos futuros para um avatar (daí a necessidade de se contratar controladores), eles poderiam ser usados para auxiliar ou substituir professor em salas de aula. Assim, alguém que more nos Estados Unidos pode lecionar no Brasil: basta se conectar ao se avatar.

14. Desenvolvedor de veículos alternativos: voadores, nadadores, com materiais e combustíveis diferentes… Alguém precisará pensar nos carros do futuro.

15. Narrowcasters – um trocadilho com “broadcast”. Conforme a mídia se torna mais e mais personalizada, especialistas terão que trabalhar com conteúdo sob medida para indivíduos.

16. Controlador de dados deletados: especialistas encontrarão uma maneira segura de descartar dados sem que estes sejam rastreados.

17. Organizador de clutter virtual: profissional que ajuda a organizar nossas vidas eletrônicas, como e-mail, armazenamento, IDs e aplicativos.

18. Controladores de bolsa virtual/ pregão virtual: assim como aconteceu com os bancos, as transações das bolsas serão cada vez mais virtuais.

19. Assistente social de networking: ajuda aqueles traumatizados ou marginalizados pelo networking.

20. Personal brander: ajudam pessoas comuns uma se tornarem uma “marca” pessoal usando, por exemplo, mídias sócias. Que personalidade você projeta via Twitter, blog, etc? Os valores que passa são consistentes com suas metas?

Fonte: Info Online por Paula Rothman, 19/01/2010


Jan 27 2010

Cabeça em ordem

O Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, realizou em 2009 um levantamento com executivos que passaram pelo check-up da instituição. Em um resultado parcial, já foi identificado que 75% dos entrevistados sentem ansiedade e 51%, irritabilidade, dois sintomas associados ao estresse. Um profissional que se desgasta emocionalmente com frequência corre o risco de desenvolver a síndrome de burnout, uma situação extrema de estresse. “Isso tende a desencadear doenças como transtorno de ansiedade ou de humor, que incluem a depressão e a bipolaridade”, diz o psiquiatra Carlos Henrique Rodrigues, pesquisador e supervisor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo. O estresse emocional também prejudica o corpo, aumentando o risco de doenças cardíacas e gastrintestinais. Por isso, é importante manter a mente sã.

Válvulas de escape

Carol Kauffmann, consultora de imagem, de 35 anos, conta: “No ano passado, senti na pele o que é uma crise de pânico. Agora, além de tomar medicamento leve, controlo os fatores que podem gerar uma recaída. Para afastar a ansiedade, eliminei a cafeína e evito ficar muito tempo sem comer. Faço esporte porque a liberação de endorfina reduz o estresse. Faço massagem uma vez por semana. Quando não estou num dia bom, diminuo o ritmo de trabalho e do treino. Tento escutar meu corpo”.

SINAL VERDE

DICAS PARA BUSCAR HARMONIA

- Ande mais devagar (literalmente). Nos fins de semana, caminhe com tranquilidade e permita-se reparar em outros elementos a sua volta, seja uma paisagem, seja uma pessoa diferente.

- Sempre que possível, evite levar trabalho para casa. Às vezes, no piloto automático, você faz tarefas em casa que poderiam ser feitas na manhã seguinte, no escritório.

- Alimente-se de maneira equilibrada e não abuse de bebidas alcoólicas. Uma cervejinha para “relaxar e dormir melhor” não pode ser um hábito. Você não está atuando na causa do problema. Está fugindo dele.

- Quem impõe limites no trabalho é você. Em picos de euforia, não assuma tarefas demais porque a execução delas irá sobrecarregá-lo.

- Comemore cada avanço em direção a uma vida mais saudável e use isso como estímulo para ir adiante. Combata a monotonia com programas leves e diferentes.

SINAL VERMELHO

SINTOMAS DE QUE VOCÊ ANDA TENSO DEMAIS

- Falha de memória. Isso não é problema de idade. Trata-se de incapacidade de se concentrar.

- Desinteresse. Aquele pique para encarar tarefas anda em falta.

- Cansaço mental constante. Isso desequilibra a produção dos hormônios (neurotransmissores) ligados ao bem-estar.

- Apetite demais ou de menos. Alimentação errada é sinal de ansiedade ou depressão. Sem vitaminas e nutrientes, seu cérebro e seu corpo funcionam mal.

- Insônia. Noites maldormidas não permitem que o corpo descanse o necessário para aguentar o ritmo no dia seguinte.

- Alteração da libido. Cabeça em ebulição mexe com o prazer sexual, prejudicando o desejo e afetando o desempenho.

- Irritabilidade. A desorganização química e as pressões psicológicas vencem o bom humor. A intolerância pode ser muito prejudicial no trabalho.

Cinco fontes de tensão negativa

1- Tempo dedicado quase que exclusivamente ao trabalho, com uso descontrolado do computador. Para que ficar conectado 24 horas?

2- Processos radicais de mudança na empresa, como fusões, desencadeiam receio de adaptação e medo de perda do emprego.

3- Ambientes tóxicos. Se os valores da empresa ou do chefe são questionáveis, a pessoa pode sofrer para aceitar as situações que enfrenta.

4- Insegurança. Pressão e competição fazem com que o profissional tenha dúvidas em relação às suas habilidades para executar a própria função.

5- Teatro organizacional. Manter uma imagem profissional que não combina com seus valores e personalidade drena energia e gera ansiedade.

Fonte: Você S/A por Murilo Ohl, 18/01/2010


Jan 26 2010

Tolerância – Negociando limites

Lidia Muniz é negra. Negra e loira, aliás, como a cantora norte-americana Beyoncé. Ao viajar no começo do ano para um congresso de terapeutas na Califórnia, o estado mais politicamente correto dos Estados Unidos, ela notou que muitas sorriam ao passar por ela, como querendo dizer: “Eu a aceito do jeito que você é. Por mais diferente que você possa parecer do que eu sou, ou do que eu gosto, está tudo certo”. Depois de 15 dias, esse comportamento supostamente gentil começou a lhe dar nos nervos. “Sei que sou diferente, fora do padrão, e que seria normal uma pessoa olhar para mim surpresa, até com certa hostilidade. Aceito esse risco. Mas era terrível suportar essa tolerância infinitamente condescendente que, no fundo, parecia sussurrar ‘olha, minha filha, tudo bem, você é maluca, mas eu, que sou bem legal e tolerante, vou aceitar sua excentricidade, desde que ela não invada os meus limites e você fique na sua, ok?’” Enfim, provavelmente um conveniente verniz social, tão raso que daria para raspar com a unha.

Difícil, não? Até a tolerância empostada pode ser um ato inconsciente de arrogância. Mesmo quando eu, você e talvez o pessoal da Califórnia achamos que estamos sendo tolerantes, podemos esconder debaixo do pano um baita complexo de superioridade e uma indisfarçável prepotência. Ou então, pior ainda, o eterno desejo de sermos sempre fofos, doces e certinhos como o ursinho Puff.

Por isso é que é bom a gente refletir mais profundamente sobre os limites da tolerância, quando ela é real e desejável, ou exagerada e falsa. Ou quando somos tolerantes com os outros e intolerantes conosco, até o ponto de a tolerância virar autoabuso. Ou ainda quando a intolerância fecha nossos olhares e atitudes e nos torna rígidos e inflexíveis. Essa é uma questão cada vez mais presente em nossas vidas. Não dá mais para passar por cima.

Tolerância é uma palavra ingrata na maioria das línguas latinas. Ela traz em seu bojo a ideia de que é preciso aguentar, suportar, enfim, tolerar alguma coisa porque não se tem outra saída. E, já que não tem jeito, já que não dá mesmo, então engolimos o sapo. Toleramos. O verbo, na sua negativa, é igualmente poderoso: “não tolero aquele fulano”, “não tolero que mexam nas minhas coisas”. Ele nos traz uma sensação de irritação, impaciência e até mesmo raiva com outra pessoa ou situação. A ideia é que um limite foi invadido, ultrapassado, e que fiquei louco da vida com isso. Então não tolero.

“Casa de tolerância”, ou bordel, num outro exemplo, é o lugar onde é possível ultrapassar todos os limites, onde tudo é tolerado, inclusive o sofrimento e a humilhação do outro. Vamos combinar, portanto, que, por causa dessa carga emocional, tolerância não é exatamente a palavra adequada para nos dar uma noção de amplidão, de abertura. Algo leve, prazeroso, acolhedor.

Talvez a melhor palavra para dar essa ideia de expansão de limites pessoais fosse abrangência. Eu abranjo, tu abranges, ele abrange. Abro os braços e o incluo como parte de mim mesmo. A primorosa expressão usada para designar o outro pelo povo kakinawá, da Amazônia, por exemplo, é txai. Ela significa amigo, companheiro, mas também “a outra metade de mim”. Txai é aquele que vai me completar e que, juntos, formaremos um só ser. Além de fazer parte de uma música de Milton Nascimento e Maurício Bastos, a palavra txai é a tolerância exercitada em seu melhor sentido: com o sentimento de que somos todos interdependentes. Sem salto alto, sem arrogância, reconhecendo no outro uma contraparte de mim mesmo

Diferente é a mãe

Reinaldo Bulgarelli, autor de Diversos Somos Todos, livro que trata exclusivamente do tema diversidade, escolheu o nome txai para sua pequena empresa de consultoria. Reinaldo trabalhou com crianças indígenas na Amazônia em projetos da Unicef, com o educador pernambucano Paulo Freire junto aos meninos de rua, enfim, passou a maioria dos seus 47 anos envolvido com inclusão social e educação. Mas é interessante conhecer onde e como germinou essa incrível aptidão. Foi em 1978, nas reuniões do movimento de juventude cristã que tinham lugar na igreja Nossa Senhora do Rosário, no largo Paissandu, no centro de São Paulo. Na época, a paróquia congregava uma grande comunidade negra. “Tinha 16 anos e era o único jovem branco por ali”, diz. “Mais do que aprender o que era ser negro, me conscientizei do que era ser branco: os privilégios e oportunidades que tinha, a diferença de tratamento que recebia da sociedade. Antes disso, não tinha a menor noção dessa diferença.”

O abismo que separava as duas realidades foi lição suficiente. Reinaldo resolveu dedicar o resto da vida para lutar pela tolerância à diversidade. “A gente sempre pensa que o diferente é o outro, que tenho de tolerar aquele que é diferente de mim. Esse é um grande engano. Cada um de nós é diferente de alguma maneira. A diferença que está no outro também está em nós, se mudamos o ponto de vista. Não há como nos excluir dessa condição de diversidade, que é própria do ser humano”, afirma Reinaldo.

Hoje, além de coordenador de cursos na Fundação Getúlio Vargas na área de responsabilidade social, ele trabalha com inclusão em empresas. Isto é, depois de sua passagem por elas, aumenta significativamente o número de mulheres em cargos de liderança, abrem-se novos setores que incluem deficientes, propõem-se metas mais efetivas de responsabilidade social. Otimista, Bulgarelli acha que no Brasil nos movemos em uma cultura que, no geral, é flexível e tolerante, para o bem e para o mal. “Vivemos numa sociedade que tem o mito da democracia racial, por exemplo. Se, por um lado, esse mito impede que enfrentemos de uma forma mais realista o que realmente acontece, ele também nos acena com a ideia de que é possível caminhar nessa direção. Há algumas sociedades mais rígidas e conservadoras em que esse tipo de pensamento sequer tem lugar”, diz

Mas também pode ocorrer o contrário: o excesso de tolerância que denuncia passividade, lassidão, a falta de resistência contra o abuso. É o que vamos ver a seguir.

A ira santa

O excesso de tolerância pode gerar o abuso? João Pereira Coutinho, jornalista português que assina uma coluna no jornal Folha de S.Paulo sobre temas políticos e sociais, tem certeza que sim: “O excesso de tolerância pode levar ao pecado capital: tolerar o intolerante, ou seja, aquele que destrói nossa própria tolerância”.

Com palavras precisas, Coutinho delineia questões que sensibilizaram muitos filósofos: até onde é possível tolerar? Qual o princípio que deve nortear minha tolerância? “O princípio do pluralismo, isto é, a ideia de que existem valores e objetivos de vida múltiplos e nem sempre compatíveis”, diz Coutinho. Mas ele adverte: “Porém esse pluralismo não deve ameaçar os valores que eu considero centrais para uma existência digna. Ou seja: posso tolerar que os outros prefiram viver suas vidas de determinadas formas, desde que isso não ponha em causa minha vida e a vida dos outros”.

É o que o filósofo austríaco Karl Popper chama de “o paradoxo da tolerância”: não se pode tolerar o intolerável. “Se formos de uma tolerância absoluta, mesmo para com os intolerantes, e se não defendermos a sociedade tolerante contra seus assaltos, os tolerantes serão aniquilados, e com eles a tolerância”, sentencia ele numa lógica irretorquível.

E o que é o intolerável? “É aquilo que nos causa dor, sofrimento, prejuízo, indignação, humilhação, e que geralmente é causado por um abuso indiscriminado de poder”, diz a psicoterapeuta Denise Ramos, do Laboratório Formativo do Ser, ligado à linha do psicólogo Stanley Kelleman. Esse é o limite: o que pode ser traduzido por “maus tratos” não deve ser tolerado. E há várias formas de reagir diante daquilo que não conseguimos tolerar. A mais comum é a raiva. “Ela é um alarme que nos acorda para um limite que foi ultrapassado, que nos desperta para uma situação que consideramos abusiva.” Mas nem sempre a raiva precisa, necessariamente, ser direcionada contra quem ultrapassou limite.“Às vezes isso acontece, numa reação imediata e legítima contra o abuso. Mas, no mundo adulto, a energia da raiva também pode ser usada como uma mola propulsora para mudar a si próprio e transformar a circunstância abusiva”, diz Denise.

Porém, mais um cuidado a tomar nesse terreno escorregadio. “Se não se deve tolerar tudo, pois seria destinar a tolerância à sua perda, também não se poderia renunciar a toda e qualquer tolerância para com aqueles que não a respeitam”, escreveu o filósofo francês André Comte- Sponville em O Tratado das Pequenas Virtudes. Isto é, não se pode ser justo só com os justos, generoso apenas com os generosos, misericordioso com os misericordiosos. Porque isso não é nem justo nem generoso nem misericordioso. “Tampouco é tolerante aquele que só o é com os tolerantes. Se a tolerância é uma virtude, como acredito e como geralmente se aceita, ela vale por si mesma, inclusive para com os que não a praticam”, afirma. A tolerância, portanto, não é um objeto de troca num mercado, ou espelho que reflete apenas quem a pratica. Tolerância é abrangência. Temos de nos tornar maiores do que somos para poder praticá-la.

Percepção errônea

Quanto mais nítida a noção de separatividade que tenho de alguém, menos eu sou capaz de ser tolerante com essa pessoa. Pois, afinal, eu sou uma, ela é outra. Para os budistas, enxergar as pessoas e coisas separadas umas das outras é como olhar para um tapete e ver apenas os fios individualmente, sem se dar conta de seu entrelaçamento. “Podemos dizer que a teoria da interdependência, da interconectividade entre os seres, é uma compreensão profunda da realidade. Ter esse ponto de visita reduz a estreiteza mental. Com a mente estreita é mais provável desenvolver apego, aversão”, diz o Dalai-Lama no livro A Sabedoria do Perdão, um saboroso relato sobre o cotidiano do líder tibetano feito por seu amigo, o erudito e bem-humorado professor Victor Chan.

O apego ao que achamos que está certo e a aversão por quem não concorda conosco, ou seja, a estreiteza mental, é a base da intolerância. Por isso é que o filósofo Comte-Sponville afirma que é preciso certa humildade para exercer a abrangência: sabemos que nossas crenças e valores são relativos, subjetivos, parciais. O que acreditamos ser verdade não é uma verdade absoluta, que serve em toda e qualquer condição, e para todas as pessoas. Por isso não podemos impô- la. Achar que o outro não pode pensar diferente é o retrato acabado da intolerância, do totalitarismo e do fundamentalismo. Também é por isso que a intolerância está sempre associada à arrogância e à prepotência. É melhor dar uma paradinha, quando achamos que sabemos o que é melhor para o outro. Pois ele tem o direito de não concordar.

Teoria e prática

Gandhi foi absolutamente intransigente e firme em sua posição contra o domínio britânico na Índia. Porém, em vez de lutar abertamente, com ódio no coração e derramamento de sangue, preferiu exercitar a resistência não-violenta, baseada na mobilização social e na pressão política. Além de hábil e inteligente, ele tinha abrangência, isto é, uma clara visão de estadista. Entendeu que a resistência pacífica pode ser tão ativa e eficaz quanto uma revolução.

Um presidente do Brasil, Fernando Collor, foi deposto a partir da mobilização pacífica ensinada por Gandhi: os estudantes secundaristas espernearam, bateram o pé, e a sociedade voltou a atenção para eles. Ou seja, a intolerância pode ser combatida com firmeza de posições, manifestações de repúdio e uma pronta reação. E certamente essa não é a posição fofinha do ursinho Puff. É muito importante entender que tolerar não quer dizer ser passivo, indiferente, omisso. “Tolerar Hitler era ser seu cúmplice, pelo menos por omissão, por abandono, e essa tolerância já era colaboração”, acrescenta Comte-Sponville.

“A tolerância não é concessão, condescendência, indulgência”, afirma claramente em seu primeiro parágrafo a famosa Declaração de Princípios sobre a Tolerância promulgada pela Unesco. É bom a gente não se confundir.

Essas grandes questões também podem ser vividas no dia a dia. Uma das pessoas que mais colaboraram para o estímulo à tolerância no Brasil é a professora Lia Diskin, uma das criadoras da Associação Palas Athena, um centro de referência (sediado em São Paulo) com relação ao estudo desses temas. Os maiores eventos relacionados à cultura de paz dos últimos 30 anos no país tiveram sua participação direta ou presença. Mas nada disso teria valor se ela não aplicasse esses conceitos em seu dia a dia. E aqui gostaria de dar meu testemunho pessoal. Com tolerância, Lia Diskin me recebeu para entrevistasrelâmpago, sabendo de meus prazos estreitos (uma realidade diária no jornalismo) e urgência, mesmo tendo sua mesa repleta de inúmeras questões pendentes. Pessoa ocupadíssima, Lia Diskin nunca deixou de responder meus e-mails, por exemplo, sobre o sentido mais profundo do meu nome budista. Não raro entrei em sua sala sorrateiramente a fim de roubar seu tempo para esclarecer dúvidas pessoais com relação ao cristianismo e ao budismo ou para comentar a fala mais profunda de um entrevistado recente. Mesmo quando foi firme – e quem trabalha com ela sabe o quanto Lia Diskin pode ser severa –, nunca deixou de mandar seu cálido abraço na última linha do e-mail. “Um grande amor pela humanidade, e sua consequente tolerância e compaixão por todos os seres, é capaz de mover cada um dos pequenos atos de uma pessoa no seu dia a dia. É a união final entre a teoria e a prática”, afirma a psicoterapeuta Denise Ramos. Se isso foi possível para Lia Diskin, que se crê tão falha, humana e cheia de defeitos, isso significa que a porta está aberta para cada um de nós.

Fonte: Revista Vida Simples, 09/12/2009


Jan 26 2010

Do que as brasileiras gostam

Por dever de ofício, o francês François-Xavier Fenart tem sempre à mão alguma estatística a respeito do gosto feminino no que se refere ao uso de cosméticos. É um repertório que vem ganhando cor local ao longo de seus quase cinco anos como presidente da subsidiária da L’Oréal no Brasil. Para ele, isso significou em grande parte se tornar um especialista em cuidados com cabelos — uma verdadeira obsessão no país, a começar pelo uso trivial do xampu. As brasileiras lavam as madeixas em média 4,9 vezes por semana — enquanto as francesas se dedicam à tarefa 2,9 vezes no mesmo período. Também há poucos lugares do mundo em que as mulheres façam tantos tratamentos para alisar os cabelos. Com uma notável predileção por fios lisíssimos, um terço das brasileiras quer se livrar das ondas. A desenvoltura em discorrer sobre essas e outras preferências reflete o interesse de Fenart pelo segundo maior mercado de produtos para cabelos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com vendas de 7 bilhões de dólares em 2008. Para entregar cada vez mais a essas consumidoras o que buscam, Fenart criou algo inédito para a subsidiária da L’Oréal, fundada em 1960 — um laboratório brasileiro. As primeiras fórmulas 100% nacionais começaram a chegar ao mercado em setembro de 2008. “Antes tínhamos de disputar com outros países nossos laboratórios no exterior”, afirma Fenart. “Agora temos autonomia para fazer tudo aqui mesmo.”

Atualmente, existem seis linhas de produtos e mais de 100 fórmulas de marcas como Elsève e Garnier à venda, que saíram diretamente do centro de pesquisas inaugurado em abril de 2008, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. É o quarto laboratório da L’Oréal em funcionamento fora da Europa — os demais estão nos Estados Unidos, no Japão e na China. Sua abertura, que exigiu investimentos estimados em 50 milhões de reais, demonstra a relevância que o Brasil assumiu para a matriz francesa, que atua em 130 países. Em 2008, a subsidiária tornou-se a segunda maior do mundo para a empresa, com faturamento estimado em 1,2 bilhão de reais. No primeiro semestre deste ano, as receitas da L’Oréal no Brasil cresceram 21% em relação ao mesmo período do ano passado. Os produtos criados pelos pesquisadores brasileiros correspondem já à metade desse aumento — ou cerca de 60 milhões de reais. “Esse é um mercado muito fragmentado, com um ritmo acelerado de lançamentos”, diz Ruy Santiago, da consultoria Bain & Company. “Quem conseguir multiplicar a oferta e entender melhor a consumidora vai crescer mais.”

A L’Oréal começou a criar produtos para atender aos desejos das brasileiras cerca de um ano mais tarde que a sua principal concorrente, a Unilever. Dona das marcas Seda, Dove e Clear, a Unilever montou um centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil no final de 2006. A estratégia estancou a queda que seus produtos registravam desde 2003. A  Unilever, ainda é a líder, mas sua participação passou de 20% para 17% entre 2003 e 2006, segundo a consultoria Euromonitor. Com o lançamento de novos produtos, manteve uma fatia de mercado no patamar de 16% nos últimos três anos. (Parte da perda se deve ao crescimento de concorrentes locais, como a carioca Niely, criada nos anos 80 no subúrbio carioca e que hoje tem cerca de 6% de participação no segmento de xampus e condicionadores do país.) No caso da L’Oréal, cuja participação se mantém estável em 14%, a tática é se mexer para ganhar espaço.

O marco zero do laboratório foi a contratação de um diretor de desenvolvimento em fevereiro de 2007 — o francês Roland de La Mattrie, vindo de uma trajetória de três décadas na pesquisa de produtos na França. Uma de suas primeiras medidas foi buscar especialistas para iniciar a área — três pesquisadores e quatro técnicos. “Pela primeira vez, procuramos em universidades e concorrentes gente capaz de desenvolver fórmulas a partir do zero”, diz Claudia Klein, diretora de RH da L’Oréal. Um mês após a contratação, pesquisadores e técnicos partiram para um ano de treinamento prático na sede da empresa, em Paris. Ao longo desse período, eles levaram os resultados de uma pesquisa realizada com consumidoras brasileiras para a criação de um produto que combatesse ao mesmo tempo cinco problemas — quebra dos fios, ressecamento, opacidade, rigidez e pontas duplas. “As mulheres usavam muitos produtos ao mesmo tempo e não ficavam satisfeitas”, diz Olivier Blayac, diretor de desenvolvimento para a América Latina, que chegou ao país em abril deste ano para substituir Mattrie, que se aposentou. Em agosto de 2008, a empresa chegou à primeira versão dessa linha de produtos, lançada em setembro com o nome Elsève Reparação Total 5. Em abril deste ano, a linha já era a mais vendida da marca Elsève no Brasil e a terceira mais vendida entre as centenas de produtos para cabelos vendidos no país, com participação de quase 2%, segundo a Nielsen.

Para testar as fórmulas, a L’Oréal montou uma espécie de campo de testes em sua sede, na zona sul do Rio de Janeiro. Além das pesquisas quantitativas e qualitativas de praxe, o centro inclui a filmagem de consumidoras voluntárias tomando banho para entender detalhes do uso de cada xampu ou condicionador. O centro é capaz de filmar simultaneamente até 15 mulheres. “Se uma delas aplica o produto muitas vezes, podemos concluir que a consistência não é espessa o suficiente. Ou, se o enxágue é muito demorado, talvez esteja denso demais”, diz Ana Paula Rosa, técnica que coordena a avaliação de produtos. Antes e depois do banho, os técnicos pesam a embalagem para calcular a porção usada. Em seguida, entrevistam as mulheres antes de enviar as recomendações de mudança. Em seguida, o produto reformulado é testado de novo com até 300 mulheres, em pesquisas de opinião ou qualitativas, conforme a informação de que a companhia precisa. Até a linha de produção, o período de criação de uma nova linha de cosméticos leva de seis meses a um ano. Concluída a fase, a versão final da fórmula segue para uma minilinha de produção montada ao lado da fábrica em Duque de Caxias — outra invenção local. “A minifábrica acabou com interrupções na produção”, diz o diretor Blayac. Um dos lançamentos mais recentes é o Garnier Liso Absoluto, para tornar escovas e chapinhas mais duradoras, que chegou ao mercado em abril deste ano.

Neste ano, a L’Oréal contratou a 20a funcionária de seu laboratório, uma pesquisadora para se dedicar ao desenvolvimento de cremes para a pele — um mercado menor que o de cabelos, mas também em expansão. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o Brasil ocupa o sexto lugar entre os maiores do mundo nesse segmento, com vendas de 3,6 bilhões de dólares em 2008. Em 2005, ocupava apenas o nono lugar. Recentemente, a empresa também começou a exportar os produtos desenvolvidos no Brasil. É o caso da linha Elsève Reparação Total 5 — hoje vendida em dez países da América Latina e da Europa. Segundo Fenart, o Brasil tem sete entre os oito tipos de cabelos catalogados pela indústria de cosméticos. A grande variedade permite, portanto, a criação de novidades de apelo universal. “O Brasil é um laboratório vivo”, diz Fenart. “Vamos nos tornar uma base de pesquisas para todas as partes do mundo.”

Fonte: Portal Exame por Fernanda Martorano, 07/12/2009


Jan 26 2010

Flexibilidade e Disciplina – É preciso saber se renovar

“Tudo sofre mutação; a única coisa que nunca muda é a mutação” (I Ching)

O ser humano está sempre em constante mudança. Afinal, na natureza tudo se renova. Somos parte dela. O que acontece é que muitas das vezes permanecemos rígidos e apegados a sistemas que não funcionam mais. É preciso saber a hora de renovar! Imagine um empregado de uma multinacional que não se recicla.

A empresa cresce, mas ele continua acomodado. Quer aumento, quer reconhecimento, mas literalmente “não veste a camisa da empresa”. Tudo está em constante mudança à sua volta, mas ele acredita que o seu conhecimento é suficiente para colaborar com a empresa. Na verdade ele estaciona, enquanto tudo está andando.

Ele nada contra a maré, vai em direção contrária. No relacionamento com as pessoas, acontece o mesmo. Imagine a pessoa que está lá sempre fazendo e dizendo sempre as mesmas coisas, de forma mecânica. Ela é capaz de provocar um rompimento, por não se reciclar e acompanhar o ritmo do parceiro ou parceira, por não saber acertar seu passo.

Eu lhe convido, então a fazer uma reflexão: Pergunte-se se você é capaz de reciclar seus conhecimentos, aprender mais sobre seu trabalho, aprender mais sobre seu parceiro, aprender a explorar o mundo onde você vive? Talvez você tenha parado no tempo, vendo tudo mudar ao seu redor.

Flexibilidade e Disciplina

Saiba a hora de ter flexibilidade e a hora de ter disciplina. Você necessita de flexibilidade para saber mudar quando preciso, de acompanhar o ritmo das coisas. Saber deixar ir aquilo que já não tem mais vida, e saber dar vida àquilo que só necessita de um pouco mais de DISCIPLINA da sua parte.

Invista nas pessoas Investir nas pessoas pode ser um grande projeto. Mas você deve aprender a deixar de lado uma única coisa: O apego aos resultados, a expectativa! Invista nas pessoas ainda que seja para lhe proporcionar a capacidade de crescer mais um pouco.

Aprenda sobre as pessoas com quem convive, principalmente aquelas com quem convive a anos. Escute-as mais, entenda seus sentimentos e seu modo de pensar. E lembre-se de que esta pessoa ao seu lado, também muda e constantemente. Então, compartilhe.

E que tal por algum momento, ajustar seu passo ao do outro? Perceber que nem todos ao seu lado caminham de forma acelerada, e que pode ser que não sejam os outros os “lentos” e sim, você o “maratonista” que está sempre correndo, sem saber nem pra onde vai.

Esteja inteiro naquilo que faz

Talvez você venha gastando energia desnecessária ao longo de sua vida, talvez o melhor de você não esteja indo para onde deve ir. Não nade contra a maré! Você se divide por vezes em mil pedaços, e constantemente pode não estar inteiro naquilo que faz. Seu coração está também envolvido em seus projetos de vida? Ou apenas sua mente?

Acredite que as mudanças são possíveis com sua força de vontade, mas acima de tudo com seu coração envolvido. Saiba como falamos, ter a flexibilidade no momento certo, saber perdoar as pessoas por não atendê-lo(a) e ir adiante, descobrindo um dia de cada vez, de forma total e única.

A vida é um grande presente! Basta que estejamos presentes para realmente sentir o que ela de melhor nos apresenta! Como diz o ditado “Quem não arrisca, não petisca”. Então, energia e alegria para realizar as mudanças necessárias e investir em você mesmo e nas pessoas!

Fonte: Yahoo – Minha Vida, 26/11/2009


Jan 15 2010

Especialistas apontam dez práticas que podem destruir um pequeno negócio

O empreendedor que começa seu negócio normalmente espera problemas, como os entraves burocráticos e as dificuldades financeiras dos primeiros meses. Mas o pequeno empresário corre outros riscos, muitas vezes não tão óbvios. O G1 perguntou a especialistas quais as situações a que o empreendedor deve estar especiamente atento.Veja a lista das principais armadilhas apontadas por quem entende do assunto para manter o sucesso de um pequeno negócio:

1) Contratar pessoas baratas

“Esse não é nem risco, é certeza de derrota”, diz Hélio Rodrigues da Costa, professor da Fundação Getúlio Vargas do Rio (FGV-RJ). Para o especialista, muitas vezes uma pessoa qualificada para a vaga faz o trabalho de dois ou três funcionários. “É preciso identificar onde na empresa você precisa de pessoas-chave [e investir nisso]“, diz Costa.

Reinaldo Miguel Messias, consultor do Sebrae de São Paulo, vai além: “Se você pagar a média do mercado para contratar alguém que está do lado de fora [desempregado], você vai pegar os funcionários que as outras empresas não quiseram”, diz ele. A solução, para o especialista, é pagar mais para tirar bons funcionários de outras empresas.

2) Não reter funcionários e perder conhecimento humano

Esse risco é unânime entre os especialistas e, segundo eles, uma das maiores dificuldades de qualquer empresa é reter bons funcionários. “Hoje em dia é muito difícil achar pessoas comprometidas”, diz Ana Lígia Finamor, professora da FGV-RJ.

Hélio Rodrigues da Costa alerta também que o conhecimento na empresa não pode ficar ligado a uma pessoa ou a um grupo de pessoas, para que o negócio não corra risco caso elas saiam. Ou seja: é preciso evitar aquelas situações em que há tarefas que “só fulano sabe fazer”. “As empresas treinam pessoas, mas têm poucos mecanismos para reter o conhecimento delas”, diz o professor.

3) Não pagar funcionários e tributos dentro da legalidade

Para Messias, não pagar os direitos trabalhistas ou tributos e outras obrigações em dia é “um empréstimo a longo prazo”, já que quase inevitavelmente a empresa vai ter que pagá-los posteriormente e em valor maior.

4) Não trocar fechaduras e cadeados e checar estuque do teto para evitar assaltos

Quando o empresário começa o negócio, alugando uma loja ou galpão, é preciso ficar atento à segurança. “Você não sabe quem alugou o imóvel antes”, diz o consultor do Sebrae, então é preciso trocar fechaduras e cadeados das portas. O consultor do Sebrae também aconselha que os empresários examinem o estuque do teto, para ver se ele é facilmente quebrável, pois ladrões podem entrar retirando telhas e roubar mercadorias e dinheiro.

5) Não respeitar a privacidade do cliente

O empreendedor deve ter cuidado com as boas intenções: às vezes, ao enviar cartões, presentes ou outras gentilezas à casa do cliente, pode causar problemas a ele, já que a compra feita pode ser uma surpresa para alguém ou mesmo um segredo.

Messias dá um exemplo: “O sujeito compra um carro e a concessionária manda flores para a casa dele agradecendo pela compra. O problema é que o sujeito é casado e o carro comprado não era para a família, e sim para outra pessoa.”

6) Comprar para você, não para o cliente

O empresário precisa pesquisar e conhecer o gosto do cliente e fazer as compras com fornecedores de acordo com isso, e não com seu gosto pessoal, alerta o consultor do Sebrae.

7) Colocar todos os ovos na mesma cesta

Uma situação frequente quando o empreendedor está começando os negócios é depender muito de um único cliente ou fornecedor. A situação deve ser evitada: “É um risco muito grande”, diz Messias.

8) Não calcular todos os custos

Tanto antes de abrir o negócio, para preparar o imóvel, fazer contratações e formar estoque, quanto depois, com a empresa funcionando, é muito frequente que os empresários tenham problemas para estimar seus custos. “Normalmente, a pessoa tem uma ideia, mas depois se surpreende com todos os gastos que precisam ser feitos”, diz Costa, da FGV. Resultado: margem de lucro menor e ainda mais dificuldades para a pequena empresa.

9) Não se relacionar bem com fornecedores

“O fornecedor deve ser seu parceiro, ele vai te dar dicas de tendências, de estoque etc. Você vai ter vantagens”, diz Messias, do Sebrae.

10) Usar boas práticas sem adaptá-las à sua empresa

“Um dos maiores erros do pequeno empresário é pegar boas práticas que existem é achar que elas servem para todo mundo”, diz o professor da FGV-RJ. “É preciso entender a lógica por trás da prática e adaptá-la à sua empresa.” Por exemplo, o sistema de pagamentos usado por uma grande empresa de mineração pode ser um exemplo de boa prática, mas dificilmente fará sentido para uma pequena padaria usá-lo.

Fonte: Portal G1 por Paula Leite, 19/11/2009


Jan 15 2010

Quatro princípios para a mudança

Mudança. Eis um fator crítico para qualquer negócio. O problema é que as pessoas odeiam quando a chefia anuncia um “projeto de transformação”. Elas correm de volta para seus cubículos e começam a passar e-mails freneticamente umas para as outras, queixando-se de que as mudanças vão pôr tudo a perder. Afinal, as pessoas gostam daquilo que já conhecem. Elas apreciam a rotina e se apegam a ela. O fenômeno é de tal forma arraigado que só podemos atribuí-lo à natureza humana. Embora a gestão da mudança possa parecer, às vezes, um esforço semelhante ao deslocamento de uma montanha, ela pode ser também incrivelmente produtiva. Para tanto, a introdução de qualquer mudança deve se resumir às quatro práticas seguintes.

1. Associe seu projeto de mudança a um propósito ou meta bem definidos

Mudar por mudar é tolice e deixa todo mundo irritado. Para que a mudança aconteça, as pessoas precisam compreender por que ela é necessária e de que forma vai afetá-las. Isso é mais fácil, claro, quando os problemas são evidentes ? lucros em queda ou redução de 20% nos preços pelo concorrente, por exemplo. Às vezes, porém, a necessidade de mudança não é tão óbvia assim. A concorrência parece estar se tornando mais ameaçadora, mas você não tem muita certeza disso. Você apenas sente que precisa fazer algo. Nesses casos, a munição certa a ser empregada é a comunicação infatigável do porquê da mudança — sempre acompanhada de muitos dados.

Quanto maior a companhia, mais difícil será comunicar a necessidade de mudança. Nas grandes empresas, o chamado à mudança é quase sempre acolhido de forma evasiva. Afinal, se a empresa já passou anteriormente por vários programas desse tipo, os empregados partem do princípio de que o seu será mais um. Mas não abra mão de seu projeto. Ele deve ser convincente, palpável. Com o tempo, a lógica vencerá.

2. Contrate e promova quem acredita em seu projeto e põe a mão na massa

Na empresa, todo mundo é a favor de mudanças. Dizer o contrário seria um atestado de suicídio profissional. Pelos nossos cálculos, no entanto, menos de 10% das pessoas são, de fato, agentes de mudança. O outro grupo, formado por cerca de 70% a 80% dos funcionários, está convencido de que a mudança é necessária. “Muito bem”, essas pessoas dizem, “vamos lá.” O resto é a turma do contra. Para que as mudanças aconteçam, é preciso contratar e promover gente que acredite nelas e ponha a mão na massa. Mas, se todo mundo se diz a favor das mudanças, como saber quem está falando a verdade?

Felizmente, os agentes de mudança podem ser identificados com facilidade. Em geral, são pessoas ousadas, dotadas de muita energia e um pouco mais do que paranoicas em relação ao futuro. Muitas vezes, inventam projetos de mudança por conta própria ou pedem para liderá-los. Não raro, são indivíduos curiosos e de olho no futuro. Essas pessoas se caracterizam por certo destemor em relação ao desconhecido. Quando falham, logo se levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima. Elas não têm medo de se arriscar, o que lhes permite tomar decisões arriscadas sem muitos dados em mãos.

3. Livre-se dos inimigos da mudança, mesmo que seu desempenho seja satisfatório

Essa é a mais difícil das quatro práticas. Não é fácil mandar funcionários embora. Pior ainda é demitir alguém que pode até ser um bom profissional. Contudo, em qualquer empresa, sempre tem gente que resiste às mudanças, por mais lógicas que elas sejam. São pessoas de tal forma imersas no status quo — tanto do ponto vista emocional quanto intelectual ? que não veem como melhorar o que quer que seja. Não há outra saída senão dispensá-las.

Isso pode parecer duro, mas a verdade é que você não estará ajudando ninguém se insistir em conservar essas pessoas na empresa. Elas promovem uma resistência clandestina e abalam o moral de quem está a favor da mudança. São pessoas que desperdiçam o próprio tempo, porque não compartilham mais da visão da empresa em que trabalham. Portanto, deveriam ser encorajadas a procurar um lugar no qual se sintam bem.

4. Fique atento às calamidades

A maior parte das empresas procura tirar proveito de oportunidades óbvias. Quando um concorrente afunda, por exemplo, elas vão atrás de sua clientela. Quando aparece uma nova tecnologia, investem nela e criam novas linhas para seus produtos. Mas para que a empresa abrace de fato a mudança é preciso estar atento também aos eventos extremos, imprevisíveis e assustadores, avaliando as oportunidades que se apresentam para aproveitá-las ao máximo. Para isso, é preciso determinação, mas o retorno pode ser mais do que compensador.

Em geral, as crises financeiras e as falências produzem todo tipo de oportunidade para as empresas. É claro que possuem um lado trágico para os funcionários — porque a maioria deles acaba por perder o emprego. No entanto, o futuro pode renascer das cinzas. Com tudo o que se tem falado por aí sobre mudança, é muito fácil ficar chocado e confuso. Mas as quatro práticas listadas aqui dão conta do recado. Não há o que temer.

* Este texto é uma adaptação de um trecho do livro Jack Definitivo. Jack Welch está afastado do trabalho por questões de saúde.

Fonte: Portal Exame por Jack Welch, 10/11/2009