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Mudanças
e Tendências do Mercado de Trabalho
Maria
do Carmo de Souza Macena Francini
Monografia
apresentada no curso de Organização, Sistemas
e Métodos das Faculdades
Integradas Campos Salles,
sob orientação do Professor Mauro
M. Laruccia
(Disponível
na rede desde novembro de 2000)
O
Homem e o Trabalho
Ao
se pesquisar o sentido da palavra trabalho, encontramos como
definição a aplicação das
forças e faculdades humanas para alcançar um
determinado fim. Qual seria esse fim ? Obter para si e seus
dependentes, de forma digna, condições
básicas de sobrevivência: alimento,
habitação, vestuário, saúde,
educação e lazer. Enfim, estar inserido no
contexto social, como ser humano ativo, participante,
produtivo, exercendo plenamente sua condição
de cidadão.
Concebido
na antigüidade clássica como um castigo, algo
penoso, representa em nossos dias um bem de valor
imensurável.
O
Momento em que Vivemos
Vivemos
um momento que se pode qualificar como ímpar na
história do homem, não pelo fato de ocorrerem
mudanças, por que elas fazem parte da dinâmica
da vida e proporcionam ao ser humano sua
evolução. O que se apresenta como
singularidade é a velocidade com que essas
transformações vem ocorrendo, atingindo a
todos.
A
economia nacional é absorvida pelo espaço
global; a indústria está perdendo peso dia a
dia em relação a novos eixos de atividades; as
burguesias, no sentido tradicional de proprietários
de meios de produção, estão sendo
substituídas por tecnocratas racionais e
implacáveis, quando não por especuladores
completamente desgarrados das realidades prosaicas de
produtores e consumidores. A classe trabalhadora se tornou
um universo extremamente diversificado no quadro da nova
complexidade social e a sua compreensão resiste cada
vez mais às simplificações
tradicionais. A socialização dos meios de
produção mudou de rumo, o Estado está
à procura de novas funções como
articulador e não mais como substituto, das
forças sociais.
Um
Breve Histórico do Processo de Mudanças
As
mudanças são decorrentes das necessidades do
homem, que ocorrem de forma automática: satisfeita
uma prioridade, logo surge uma nova necessidade, fruto da
resolução da primeira.
O
desenvolvimento da agricultura, por exemplo aconteceu quando
populações outrora nômades, que se
dedicavam primordialmente à caça e à
coleta de frutos da natureza, perceberam a possibilidade de
cultivar os vegetais e desenvolveram tecnologias para tanto,
substituindo também a caça pela
criação de animais, como na pecuária e
no caso de animais domésticos. Na
seqüência , a população pôde
crescer a taxas mais rápidas, o que também foi
o resultado de aprimoramento das condições de
saúde, estas por sua vez trazidas também por
descobertas científicas e
tecnológicas.
Essa
ampliação da população e da
atividade econômica fez crescerem as oportunidades de
trabalho. Posteriormente veio a Revolução
Industrial, com o desenvolvimento de vários tipos de
máquina até chegar aos motores movidos por
combustível ou por eletricidade. Isso permitiu novos
produtos industriais, como o automóvel, o
avião e vários outros para os quais havia uma
demanda potencial, mas não atendida. Seu atendimento
propiciou grande desenvolvimento das atividades industriais
e do emprego nesse setor.
O
Mercado de Trabalho Também Mudou
Hoje
estamos diante de uma nova revolução, ligada
novamente a avanços tecnológicos e
científicos, como a informática e as
comunicações, aprimorando-se os diversos meios
de comunicação e transporte, na
seqüência dos quais veio a chamada
globalização. Esta é uma
expressão cunhada na esteira do conceito de "aldeia
global", de Marshall McLuhan. Este percebeu o mundo como uma
aldeia dessa natureza, possibilitada pelo avanço dos
meios de comunicação, o qual trouxe
também um maior desenvolvimento do comércio e
das finanças internacionais, com as diversas
economias abrindo-se, entrelaçando-se umas com as
outras e cada vez mais expostas à
competitividade.
Isso
levou as empresas a uma busca quase que obsessiva por
métodos de produção que propiciassem a
redução dos custos, e o aumento da
produtividade, o que em muitos casos , afetou o emprego de
forma negativa.
"Para
alcançar maior competitividade, as empresas passaram
a adotar novos métodos de produção,
administração e comercialização,
buscando sempre mais eficiência produtiva,
inovações e uma maior qualidade para seus
produtos e serviços, com grandes aumentos de
produtividade que, freqüentemente, geraram menores
necessidades de mão - de ñ obra. O
próprio relacionamento com os empregados
também passou a sofrer alterações, com
o objetivo de obter maior produtividade e de delegar
autonomia de decisão, com isso proliferando
métodos específicos como a
terceirização, ou seja, a
contratação externa de produção
e de serviços antes realizados pelas próprias
empresas. Houve também grandes mudanças nas
qualificações exigidas dos trabalhadores, os
quais passaram por programas de adaptação ou,
desempregados, buscaram novas ocupações. Nesse
processo, a indústria e a agricultura continuaram
perdendo participação no volume da mão
ñ de ñ obra empregada, crescendo, entretanto,
a participação do setor de serviços,
mas novamente impondo novas necessidades em termos de
qualificações."
Macedo(1998:137)
O
Novo Paradigma
As
mudanças no mercado de trabalho são tão
profundas que na literatura especializada já se fala
num novo paradigma , que rompe definitivamente com os
conceitos até então estabelecidos com
relação ao consumo, aos tipos de produto,
à tecnologia, e às formas de
organização e gestão das
empresas.
Conhecido
como Fordismo ñ Taylorismo, o paradigma anterior se
pautava por elementos introduzidos na produção
através de dois grandes nomes na história da
administração: Henry Ford( famoso
empresário da indústria automobilística
que trouxe imensas inovações industriais com a
linha de montagem para produção em massa,) e
Frederick Taylor (engenheiro conhecido pelas suas
contribuições na esfera organizacional e
administrativa, em particular o estudo do tempo
necessário para a execução de cada
tarefa, acoplado a incentivos para o trabalhador, aumentando
sua produtividade nesse tempo).
O
novo paradigma possui os seguintes traços em termos
de trajetória organizacional das empresas: (a)
utilização de tecnologias avançadas,
com processo contínuo de aprendizagem profissional e
contínua avaliação organizacional; (b)
ênfase na qualidade, produtividade e flexibilidade de
produtos, processos e trabalho como chave da
competitividade; (c) busca de uma relação
cooperativa e complementar, e não mais de
oposição e substituição, entre
tecnologia e trabalho; (d) valorização da
qualificação e da requalificação
do trabalhador, com ênfase no treinamento permanente,
como base para a flexibilidade e polivalência
ocupacional; (e) esforço para pensar a empresa global
e integradamente, como um sistema aberto, interagindo com os
atores externos, internos e com a sociedade em
geral.
Trabalho
e Qualificação nos Paradigmas ou Modelos
Produtivos
|
Discriminação
|
Fordismo
- Taylorismo
|
Novo
Paradigma
|
|
Economia
e Mercado
|
Expansão
|
Crise
|
|
|
Estabilidade
|
Instabilidade
|
|
|
Competição
local
|
Competição
mundial
|
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|
"A
empresa manda"
|
"O
cliente é o rei"
|
|
Tipologia
de Produto
|
Padronizado
|
Diversificado
|
|
|
Ciclo
de vida longo
|
Ciclo
de vida curto
|
|
|
Inovação
por etapas
|
Inovação
contínua
|
|
|
Fabricação
em massa
|
Seriação
média ou peq.
|
|
|
Quantidade
|
Qualidade
|
|
Processos
e Tecnologia
|
Equipes
obedientes
|
Equipes
aplicadas
|
|
|
Equipes
especiais
|
Equipes
universais
|
|
|
Base
eletromecânica
|
Base
eletroeletrônica
|
|
|
Linhas
de montagem
|
Células
de fabricação
|
|
Organização
e Gestão
|
Hierarquia
|
Participação
|
|
|
Vertical
|
Horizontal
|
|
|
Centralizada
|
Decentralizada
|
|
|
Controladora
|
Formadora
|
|
|
Punitiva
|
Orientadora
|
|
Características
do Trabalho
|
Tarefas/Operações
|
Processos
|
|
|
Fracionado
|
Integrado
|
|
|
Prescritivo
|
Aleatório
|
|
|
Repetitivo
|
Flexível
|
|
|
Especializado
|
Polivalente
|
|
|
Heterocontrolado
|
Autocontrolado
|
|
|
Posto
de trabalho
|
Equipe
|
|
Requisitos
de Qualificação
|
Habilidade
|
Competência
|
|
|
Saber
(fazer)
|
Aprender
|
|
|
Disciplina
|
Autocontrole
|
|
|
Obediência
|
Iniciativa
|
|
|
Acatamento
de regras
|
Gestão
do aleatório
|
|
|
Reação
|
Ação,
pró-ação
|
|
|
Memorização
|
Raciocínio
|
|
|
Execução
|
Diagnóstico
|
|
|
Concentração
|
Atenção
|
|
|
Formação
breve ou longa
|
Formação
contínua
|
|
|
Individualismo
|
Coletivismo
|
|
|
Isolamento
|
Comunicação
|
Capital
- Trabalho
O
aumento da competitividade e a busca de maior
eficiência levaram empresas a otimizarem seus
resultados em todos os aspectos, principalmente no que diz
respeito à mão- de- obra , reduzindo a oferta
de empregos, com o conseqüente aumento da demanda de
mão-de-obra. Diminuiu portanto, o poder de barganha
dos já empregados e dos novos ingressantes no
mercado, suas expectativas de ganho e exigindo deles mais
qualificações e mais empenho na procura de
oportunidades e manutenção do
emprego.
As
grandes empresas , tradicionalmente geradoras de empregos
quase que vitalícios, já não apresentam
esse perfil. As mudanças de emprego por parte dos
empregados, anteriormente vistas de forma pejorativa,
passaram a ser consideradas uma coisa normal, e o empregado
passivo, executando uma única tarefa e obedecendo a
comando, passou a ser desprezado em função
daqueles mais dinâmicos e ambiciosos, flexíveis
na realização de várias tarefas e
capazes de oferecer novas idéias.
O
departamento de pessoal (que antes era voltado para a
função simplesmente operacional de contratar
mão-de-obra, cadastrar empregados, administrar
salários e benefícios, dar treinamento
generalizado aos funcionários, executar
serviços de rotina, como arquivo,
definição de salários, cálculo
de custos), especialmente nas grandes empresas, está
dando lugar ao departamento de recursos humanos.
O
chefe de pessoal virou um consultor de Recursos Humanos
ñ área conhecida como R.H., com
funções bem mais sofisticadas. Participar no
desenvolvimento das estratégias da empresa, recrutar
e selecionar pessoal, implantar e difundir a cultura da
empresa e acompanhar as tendências internacionais na
gestão desses recursos fazem parte hoje do dia-a-dia
desse departamento. Os arquivos viraram bancos de dados , os
salários são tratados como pacotes de
compensações, ao lado do custo dos empregados,
examina-se também o valor que eles adicionam
às empresas e qual o retorno que ela vai ter com a
contratação e treinamento deles. O empregado
é tratado como colaborador, deve ter uma visão
global da empresa e o seu treinamento passa a ser
individualizado.
Para
adaptar-se a nova realidade, com as inovações
nos processos produtivos e utilização do
trabalho, surgem novas práticas na
relação capital-trabalho, especialmente nos
países ricos, onde o novo paradigma já atua
perto da plenitude.
A
fim de permitir a reorganização do trabalho,
inúmeras regras, normas governamentais e legislativas
tem sido relaxadas, propiciando um quadro mais
favorável ás adaptações
necessárias.
Dentro
das empresas também ocorre esse aumento de
flexibilidade com a descentralização, fazendo
com que as decisões passem a depender das esferas
diretamente ligadas à identificação do
problema, estimulando o potencial criativo dos
trabalhadores, agilizando o processo, aumentando
também o grau de participação dos
trabalhadores em todos os níveis da
organização.
O
lado patronal por sua vez vem atuando individualmente como o
principal agente das estratégias e decisões
relativas às relações trabalhistas,
fortalecendo os administradores como introdutores de
modificações de qualquer espécie nas
relações de emprego.
Cresce
a importância do desenvolvimento dos recursos humanos,
uma vez que a qualidade do trabalho reflete uma maior
produtividade, propiciando competitividade às
empresas. Alteram-se portanto as formas de
remuneração, buscando premiar o desempenho e
flexibilidade. O trabalho teceirizado ou por tarefas
também ganha seu espaço.
Por
fim, as reformulações na
produção e nos empregos, as mudanças na
forma de ocupação, o aumento da
participação dos trabalhadores na
gestão das empresas e a diminuição do
seu tamanho, gerou o enfraquecimento dos sindicatos, que
hoje redobram seus esforços com o objetivo de
adaptar-se às novas regra, angariar novos filiados e
superar as dificuldades quanto a obtenção de
recursos para financiar suas atividades.
"Em
síntese, pressionadas por seu mercado e pela
crescente competitividade, as empresas responderam
aprimorando seus processo produtivos e de
administração, com vistas ao alcance de maior
eficiência. Isso, por sua vez, exigia um novo
relacionamento empresa-empregado e um novo perfil deste
último. Assim, surge um novo jogo que, inegavelmente,
, oferece maiores riscos, tanto para a empresa como para o
empregado." Macedo (1998:143).
Tendências
do Mercado de Trabalho
Globalização
e tecnologia da informação, em meio à
vertiginosa aceleração dos fatos
econômicos, estão criando novas
profissões e tornando outras tantas obsoletas,
alterando rpofunda e rapidamente o perfil das atividades
profissionais. Dentro de 15 a 30 anos, pelo menos metade das
profissões, tal como conhecemos hoje, terão
desaparecido. Consultorias de negócio apontam que, no
ano 2010, a composição de 70% do PIB de um
país como o Japão virão de produtos
ainda inexistentes, gerando ocupações e
necessidades completamente novas. Poderá não
ser a realidade de países menos desenvolvidos, como o
Brasil, pois prevalece a tendência de aumento do fosso
que separa ricos e pobres, países ou pessoas.
Consistentes movimentos políticos , éticos we
econômicos, em pleno desenvolvimento podem mudar essa
tend6encia.
Mais
do que novos produtos, os avanços na segurança
e na qualidade da Internet viabilizarão a
internacionalização da economia e
criarão novo paradigma gerencial destinado a mudar
completamente o ambiente de trabalho e de
produção.
A
redução de custos de hardware e a
sofisticação dos softwares,
viabilizarão redes neurais de computadores
sustentando decisões probabilísticas, ou seja,
confiáveis projeções das margens de
acerto e erro da opção gerencial.
Essas
decisões, no entanto, serão tomadas em
escritórios virtuais, em que a
informação estará dosponível em
todos os níveis da empresa. O compartilhamento deve
transformar a tradicional hierarquia em apenas ordenamento
da seqüência das atividades operacionais, com
responsabilidades interdependentes.
Informação, espírito de equipe,
flexibilidade e extrema criatividade serão o
diferencial que se exigirá do profissional que
pretenda integrar essa cadeia.
A
criatividade, no caso, está intimamente relacionada
com intuição, que assim como as demais
qualidades citadas, estariam mais presentes no psiquismo
feminino. Fator que, somado à evolução
social, está abrindo mais espaço para o
trabalho das mulheres nesse novo ambiente.
Está
em alta o "generalista", o empreendedor que sabe opinar
sobre todas as áreas da empresa, com qualidade. Essa
linha de trabalho, hoje adotada pelas melhores empresas da
área de recursos humanos, também valoriza a
inteligência emocional e reitera a conclusão de
que as pessoas só fazem bem feito aquilo que gosta de
fazer.
Vivemos
um paradoxo: em meio à falta de milhões de
empregos, nunca foi tão alta e premente a demanda por
pessoal qualificado. O emprego de carteira assinada diminui
e crescem oportunidades de ganhar dinheiro em novas
atividades, desde arrumar armários por R$30 a R$50
por dia ou usar o curso de educação
ëfísica para se transformar em personal trainer,
ou estudar moda e ser um consultor de estilo.
Nunca
foi tão grande a procura por cabeças
privilegiadas nas escolas superiores de prestígio.
Empresas e headhunters pesquisam os melhores alunos e
analisam teses de mestrado e doutorado para "caçar"
talentos que lhes possam ser úteis. Ainda que
alterando o rumo da vida profissional desses alunos. Ou
seja, retreinando um físico para atuar na área
de marketing pela Internet, ou um matemático para
análise de banco de dados.
Novas
Profissões & Profissões do Futuro
Profissões
em alta
- Atividades
ligadas à informática - a
criação de três milhões de
sites a cada 24 horas provoca falta de pessoal
especializado em planejar, criar, desenhar e executar
páginas eficientes e velozes. A expectativa
é de que plos próximos 3 anos, a demanda
por profissionais dessa área e correlatas se
intensifique. Nesse período deve consolidar-se
também o E-commerce. setor que implicará na
valorização dos profissionais voltados
à segurança nas operações em
rede, operadores de negócios e
publicitários especializados;
- Site
aquisitor - encarregados com negociações
com empresas, condomínios e
organizações para montagem de antenas de
telefonia celular;
- Help
desk - é especialista em assintência aos
usuários de rede de computador ;
- Turismo,
hotelaria e culinária - a
internacionalização crescente promove o
crescimento do "turismo de negócios";
- Pacificadores,
conciliadores de conflitos e árbitros - Cresce no
mundo o interesse pelos estudos sobre a paz. Organismos
internacionais e organizações não
governamentais estão demandando pela
contratação de peacekeppers , ou
pacificadores, uma profissão que exige profundos e
extensos conhecimentos;
- Design
- Operador
de Máquinas polivalentes ou CDC/CNC - um
único profissional (pode ser um engenheiro),
substitui torneiros mecânicos, fresadores,
retificadores ou mandriladores;
- Tradução
técnica;
- Arquitetura
de ambiente;
- Peão
e rodeio;
- Administração
contábil;
- Segurança
do trabalho;
- Administração
de viagens;
- Administrador
de novos produtos;
- Gestão
ambiental;
- Moda;
- Direito
tributário e internacional;
- Finanças;
- Geriatria;
- Administrador.
Profissões
em baixa (em extinção ou perda de
importância)
- Metalúrgicos
e operadores de máquinas;
- Inspetor
de qualidade;
- Tecelão;
- Tecelão;
- Gráficos;
- Taquigrafia
e estenografia;
- Datilógrafo,
digitador e operador de microcomputador;
- Telefonista;
- Secretárias,
apoio administrativo e limpeza;
- Bancário;
- Intermediários
(vendedores, corretores, despachantes,
carteiros...);
- Alfaiates,
costureiras, chapeleiros, sapateiros...;
- Cobradores
de ônibus;
- Mecânicos,
funileiros, eletrotécnicos...;
- Especialidades
(dentistas, engenheiros, desenhistas
técnicos)
O
Mercado de Trabalho no Brasil
Não
de pode falar em mercado de trabalho sem antes analisarmos o
aspecto econômico, uma vez que o desenvolvimento
propicia ao mercado uma maior oferta de trabalho, e oferece
ao trabalhador melhores condições de tornar-se
apto a estar inserido nesse contexto, satisfazendo as
exigências quanto ao preparo e treinamento.
Segundo
Roberto Macedo, em seu livro "Seu diploma, sua prancha", os
economistas costumam distinguir a macroeconomia da
microeconomia, duas formas de ver a realidade
econômica. A primeira vê a economia de um
país, como o Brasil, como um todo. À
macroeconomia não interessam as quantidades,
preços e outras variáveis regionais, setoriais
ou dentro desses setores. Tampouco observa as
variáveis individuais, de consumidores ou de
empresas. Tudo é agregado. Assim, agregando-se todos
os produtos e serviços gerados pela economia, temos o
PIB ou Produto Interno Bruto, que hoje alcança a
cifra de R$650 bilhões. Os preços individuais
são também agregados, nesse caso sob a forma
de índices, e um dos mais conhecidos é o IGP
ñ Índice Geral de Preços, que mede a
variação do conjunto de preços da
economia, calculado pela Fundação
Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro.
O
governo pode estimular o crescimento do produto ampliando
seus gastos, ou pode esfriar a economia, aumentando a
tributação. A economia pode crescer
através de incentivos ao setor privado, criando um
clima favorável ao desenvolvimento da atividade
econômica.
"Atuando
de várias formas, ou seja, com seus gastos e
impostos, com sua política de estímulos ao
setor privado, por meio de suas próprias empresas, ou
mediante prestação de serviços
típicos de sua esfera de ação, por
muitos anos o governo deu uma contribuição
bastante positiva à economia. O PIB do Brasil chegou
a crescer em média 7% ao ano, por longos
períodos, em alguns deles ultrapassando até
essas taxas. Para não ir muito longe na
história, podemos mencionar o s períodos
cobertos pelo governo Kubitschek (1956 - 1790) e pelos
primeiros governos (1968 - 1973) do ciclo militar."
Macedo (1998:149)
Esses
períodos propiciaram um quadro extremamente
favorável ao mercado de trabalho, dando
ocupação aos recém-formados, melhores
oportunidades aos nele já se encontravam, e
até mesmo a mão-de-obra não
qualificada. Em situações como essas, o
investimento, a produção, o salário e
outros rendimentos crescem mais rápido que a
população, crescendo também o PIB e o
PIB per capita.
Até
bem pouco tempo, o governo atuou como empresário
produtor de bens e serviços, e não apenas
serviços públicos, como eletricidade e
telecomunicações, mas estendendo-se a outras
atividades, como aço, petróleo e
mineração. Ao longo do tempo, essas empresas
vieram a se mostrar ineficazes, fruto da ingerência
política, do corporativismo, nepotismo, interesses
políticos de seus funcionários, etc. Deu-se
início então o processo de
desestatização de parte dessas empresas, que
saíram das mãos do Estado e passaram para o
setor privado.
Sob
os efeitos da globalização, o Brasil se viu
obrigado a importar os novos paradigmas, que associados a
políticas internas criaram um quadro de
apreensão, face ao desemprego gerado. Uma
política econômica mais preocupada em resolver
seus problemas com credores externos, do que com uma
política de desenvolvimento para o país, a
falta de investimentos tanto do setor público, quanto
privado, as privatizações, a
estagnação da economia, tudo isso provocou e
está provocando alterações profundas no
mercado de trabalho brasileiro.
A
despeito da baixa inflação, continuamos tendo
problemas econômicos e temos que levar em conta que o
governo não consegue atender a contento as
áreas de sua competência, quais sejam, a
saúde, educação e
segurança.
Analisando
mais detidamente o aspecto da educação, vemos
aí outro fator de preocupação dos
governos e empresas, com relação aos empregos.
Os novos paradigmas exigem trabalhadores mais preparados,
qualificados profissionalmente.
A
Secretaria de Assuntos Estratégicos da
Presidência da República, promoveu há
dois anos, o seminário "Brasil 2020 - Visões
Estratégicas para um Cenário
Desejável". Concluiu que o país precisa gerar
30 milhões de empregos nos próximos 20 anos e
para atingir esse objetivo e diminuir a
concentração de renda, será
necessária melhoria significativa no ensino
profissionalizante e universitário e revisão
da estratégia de ocupação territorial
que integre melhor o país.
A
geração de empregos é um dos grandes
desafios e só será vencido aumentando o
"capital humano" , ou seja, o acesso ao conhecimento. A
autonomia atribuída às universidades pela
Constituição de 1988, complementada pela Lei
das Diretrizes e Bases, de 1996, são positivas no
sentido de dar às instituições de
ensino superior competência para criar e extinguir
cursos e remanejar o número de vagas. A flexibilidade
legal e normativa favorece uma resposta mais rápida,
ao atendimento da demanda de massa por ensino
superior.
As
universidades, com mais agilidade por parte das
particulares, podem, assim fechar cursos menos procurados,
abrir outros com maior capacidade de atrair clientela,
alterar o número de vagas oferecidas, de acordo com
as oscilações das matrículas e da
evasão.
Nosso
país não escapou à tendência
observada nos países mais desenvolvidos. Teve nas
décadas de 60 e 70 um rápido crescimento do
emprego no setor formal, impulsionado pelo
industrialização, começa a sofrer um
processo de reversão a partir dos anos 80 e
principalmente na década de 90, gerando uma
expansão nos chamados mercados informais.
Nos
últimos 10 anos, o número de pessoas sem
emprego triplicou. Há menos trabalhadores com
carteira do que em 1980. Dos novos postos de trabalho
criados na década de 90, 80% são de
trabalhadores não assalariados. E os 20% restantes,
apesar de trabalharem em troca de salário, o fazem
sem registro.
"O
desemprego requer políticas claras e objetivas,
condicionadas à velocidade das mudanças, ao
contrário da postura oficial que vinha sendo seguida
e que se limitava à separação entre
emprego formal e informal. Agora, se impõe a
intervenção racional e segura da
geração e qualificação para
novos postos de trabalho. Mesmo sem relações
trabalhistas formais, muitos sobrevivem, geram renda e
até outros empregos, trabalham. Não adianta
governo e instituições apelarem para a
consciência dos empresários, eles
próprios com seus negócios ameaçados
pela concorrência. Não basta a
redução de jornada ou
contratação temporária. Nem os
empresários simplificarem apontando só a
redução de impostos e dos direitos
trabalhistas. O desemprego marca dramaticamente os anos 90 e
não há expectativa de reversão. Fora de
áreas com altos índices de violência,
é a principal causa de preocupações da
sociedade" RBA (2000:60)
Nota-se
portanto, um aumento do desemprego no Brasil, gerado em
parte pelos efeitos da globalização, mas
também pelo desaquecimento da economia, e do
trabalhador brasileiro que não se encontra preparado
tecnicamente, fruto da política econômica do
governo.
O
Indivíduo Diante dos Novos Paradigmas
Como
podemos observar, o trabalho tal como conhecíamos,
tende a desaparecer e urge que os indivíduos se
adaptem aos novos parâmetros. Principalmente para as
pessoas que se encontram no mercado de trabalho há
mais tempo, acostumados aos velhos paradigmas , essa
adaptação é mais dolorosa, mas
não impossível. O mais importante é
não entrar em desespero e entender que o trabalho
não desapareceu, apenas mudou de faceta.
Minarelli,
em seu livro "Empregabilidae", fala da nova postura exigida
do trabalhador, para inserir-se no mercado. Como já
foi analisado, o emprego formal, para a vida toda,
representando segurança para o resto da vida,
está dando lugar aos contratos, serviço
terceirizado e ao trabalho temporário.
As
empresas continuam a necessitar de serviços, o
trabalho existe. O que está deixando de existir
é o vínculo empregatício, que
estabelecia uma relação mais duradoura entre o
empregador e o empregado, para uma relação
temporária, onde satisfeitas as necessidades da
empresa, encerra-se a relação. Dentro dessa
perspectiva, pode-se estar prestando serviços a mais
de uma empresa ao mesmo tempo.
Dentro
desse espírito, aumenta, no mundo inteiro, o
número de profissionais que, ao se desvincular de uma
grande organização, criam autonomia e partem
para uma carreira solo. A maior parte do trabalho na Europa,
Estados Unidos e no Japão, que representam dois
terços ou mais da mão-de-obra de todos os
países, concentra-se no setor de serviços. E a
maioria das pessoas que atua na área de
serviços o faz de maneira autônoma ou
terceirizada. O Brasil também segue essa
tendência.
As
empresa também buscam aumentar a autonomia de seus
profissionais, envolvendo as pessoas em equipes de trabalho
comprometidas com etapas ou conjuntos de tarefas que tenham
finalidades, que façam sentido. É uma
direção contrária a
fragmentação do trabalho, em que a pessoa faz
uma determinada parte e não tem noção
do todo.
É
uma forma de levar os trabalhadores de qualquer
nível, dos operários aos executivos, a
enxergar um sentido no seu trabalho, o que aumenta a
motivação. Tantas mudanças
transformaram definitivamente o conceito de segurança
profissional neste final de século. Ser um empregado
fiel e dedicado não garante o emprego. Agora, a
segurança é conseqüência da
atratividade do prestador de serviços aos olhos dos
empregadores, de acordo com as suas necessidades
momentâneas.
Paralelamente,
se as empresas mudaram sua forma de gestão, se o
processo produtivo já não obedece a antigos
parâmetros, obviamente o perfil do trabalhador com
capacidade de inserir-se nesse contexto também
mudou.
O
melhor, portanto, a fazer é parar de pensar como
empregado, mas sim como alguém que presta
serviços e pode ser solicitado para cumprir
determinada tarefa.
Investigar
suas aptidões e interesses, avaliar as possibilidades
de crescer em seu ramo de atividade ou empresa, aprender a
aplicar seu conhecimento, administrar melhor seu tempo,
cultivar o hábito de ler, aprender a usar
computadores, dominar pelo menos um idioma estrangeiro,
tomar a iniciativa e buscar treinamento( não esperar
isso da empresa), preservar sua idoneidade , cuidar de sua
saúde física e mental, poupar dinheiro para as
contingências, investir em atualização
profissional, cultivar bons relacionamentos, são
algumas das providências a serem tomadas, no sentido
de preparar-se para tornar empregáveis as suas
habilidades.
Bibliografia
MACEDO,
Roberto. Seu diploma, sua prancha. São Paulo:
Saraiva, 1998.
MINARELLI,
José Augusto. Empregabilidade ñ O Caminho
das Pedras. São Paulo: Gente,1995.
REVISTA
BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO. São Paulo:
Julho/2000.
REVISTA
UNICLAR. São Paulo: Outubro/1999.
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