Alexandra
Martins Monografia
apresentada no curso de Organização, Sistemas
e Métodos das Faculdades
Integradas Campos Salles,
sob orientação do Professor Mauro
M. Laruccia (Disponível
na rede desde novembro de 2000)
INTRODUÇÃO Falar
sobre a sociedade é algo muito interessante, mas
é também algo que requer uma volta ao passado,
afinal a sociedade atual reflete as mudanças
anteriores. E
por falar em mudanças essas sempre trouxeram medo
à sociedade, quando fala-se em mudar, inovar ou
substituir gera-se um medo, medo esse que provém da
incerteza de se adaptar às
mudanças. Muitas
vezes uma pessoa deixa de mudar de emprego por medo de
não dar certo, ou seja, medo de não se adaptar
à mudança. Mas não é só
hoje que esse tipo de situação acontece, a
primeira referência histórica que se pode citar
em relação a isso é a
Revolução Industrial, quando as primeiras
máquinas foram criadas, os trabalhadores sentiram-se
imensamente ameaçados, achavam que os novos
"monstros" os substituiriam e tornariam inútil
qualquer participação humana no processo
industrial, quando o que estava acontecendo era que
precisaria-se de pessoas, mas pessoas capazes de se adaptar
às mudanças e neste caso, que pudessem se
tornar operadores das máquinas. Hoje,
muitos anos após esse acontecimento, vivemos uma
situação semelhante e é este o tema que
iremos abordar, a era da informação ou a
sociedade pós-industrial. Mas como falar em
pós-industrial em uma época em que a
indústria atinge seu auge de produção
é difícil falar em pós quando ainda se
vive o durante. É claro que estamos passando por
mudanças, mas daí a dizer que vivemos em uma
sociedade pós-industrial...Abordaremos no entanto,
acontecimentos e hipóteses que possam responder a
verdade sobre a atual situação que vivemos no
tocante deste assunto. A
alta tecnologia, a internet, a globalização
trazem mudanças constantes à nossa sociedade,
essas mudanças são tão rápidas e
grande que às vezes acabamos por não perceber
que estamos nos adaptando a elas, é o caso do uso da
informática na execução das tarefas, de
repente aquela máquina que mais uma vez era
tímida, acabou sendo uma aliada e facilitando as
tarefas daqueles que puderam adaptar-se a ela. Quando
foram implantados os primeiros caixas eletrônicos nos
bancos, acreditava-se que eles substituiriam o trabalho dos
bancários, hoje eles são os maiores aliados
desses profissionais, não só deles, mas de
todos nós, afinal a inovação diminui
muito o tempo que gastamos com tarefas rotineiras. Mas
existem muitas pessoas que ainda tentam resistir à
essas mudanças, elas desconfiam do trabalho da
máquina, temem não saber operá-la e
acabam por preferir que um profissional execute uma
função que poderia ser executada por ela em
alguns minutos. Com
a implantação das máquinas e até
mesmo com a utilização dos microcomputadores
na execução do trabalho era necessário
que as pessoas contratadas possuíssem maior
conhecimento, ou que as pessoas que já estavam na
organização se interessassem por aprender e
conhecer o novo método de trabalho. Isso
nos mostra que cada vez mais se tem a necessidade de uma
mão-de-obra mais qualificada e flexível para
que se adapte rapidamente às
mudanças. Uma
outra aliada ainda mais recente que veio facilitar o mundo
dos negócios, da comunicação e do lazer
é a internet, essa teve uma melhor
aceitação na sociedade, pois a
princípio ela foi vista como um simples meio de
comunicação, mas em pouquíssimo tempo
ela foi mostrando sua verdadeira utilidade surgiram as
primeiras empresas virtuais e mais uma vez as
mudanças trazem medo a sociedade, este é
exatamente o momento que estamos vivendo não sabemos
até onde vão os limites da internet. Podemos
comprar um carro via internet, o que ainda não
dispensa as grandes concessionárias, devido a
estarmos passando por um período de
adaptação; muitas pessoas ainda hesitam em
comprar o produto sem tê-lo visto pelo menos uma vez,
poder tocá-lo saber que ele existe. Por outro lado a
internet facilita o trabalho das empresas e torna o mercado
ainda mais competitivo, pois além das empresas terem
que se preocupar com seus concorrentes locais elas competem
com empresas além da fronteira, e por falar em
fronteira a internet vem quebrando essas fronteiras com
tanta rapidez que hoje negociar com uma empresa do outro
lado do mundo pode ser feito sem sequer precisar sair de
casa. A internet traz as mudanças em tempo real. As
grandes empresas, as instituições financeiras,
as grandes rede de supermercado entre outros tem feito da
internet uma forma de agilizar seu trabalho e facilitar o
acesso de seus clientes para que estes façam
negócios, movimente sua conta bancária,
façam investimentos, realizem suas compras
pesquisando preços, sem precisar deslocar-se
até a empresa, afinal não somos só
nós que precisamos nos adaptar, as empresas
também necessitam, afinal quanto mais adaptadas
estão as pessoas, mais elas procuram empresas que
estejam adaptadas. Acontece
também que as mudanças são tão
rápidas que o que hoje pode gerar um lucro muito
grande amanhã pode não ter a mesma
repercussão, veja que antigamente as mudanças
ocorriam mais lentamente, uma ilustração para
isso é que o preço do tecido de algodão
levou 70 anos para cair 85% na Revolução
Industrial, já os semicondutores tiveram a mesma
redução em três anos. Porém com
tudo isso falar em pós-industrial nos traz as mais
diversas opiniões sobre o assunto. Para o
sociólogo Hanuel Castells é bobagem;
"enquanto teorizamos sobre o pós-industrialismo
percebemos que estamos vivendo uma das maiores ondas de
industrialismo da história se utilizarmos um
indicador simples como o número absoluto de
trabalhadores no setor industrial", afirmou em seu livro
A Sociedade em Rede, pág. 20. E a partir desta
idéia é que encontramos este grande contraste
me que baseamos nossas conclusões neste
trabalho. Existem
visões positivas e negativas sobre o assunto, ambas
baseiam-se em que idéia da automação,
do progresso tecnológico, junto com a
concentração de produção nas
mãos dos grandes conglomerados e o fim das barreiras
de proteção as indústrias locais. Os
pessimistas acreditam que haverá o fim do trabalho,
em contrapartida nos EUA entre 1993 e 1996 foram criados
mais de 8 milhões de empregos, de fato estamos
passando por transformações no emprego, mas o
número de empregados remunerados no mundo,
está em seu pico histórico mais alto e em
expansão. Outro
fato que considero importante relatar é que nunca
investiu-se tanto em segurança as previsões
para o crescimento das empresas do ramo são entre 24%
e 40% de 1990 até 2005. As
mudanças no emprego são também
geográficas, elas tendem a ir para onde é mais
barato, por efeito da globalização e da
desregulamentação, além disso fecha-se
o espaço para a mão-de-obra tradicional e
abre-se espaço para o trabalho inteligente. Contudo
vê-se que o melhor forma de denominar a sociedade em
que vivemos é uma sociedade de mudanças afinal
pós significa depois, e ainda temos muito a
industrializar... Perspectivas
para o trabalho Já
faz agora dois a três anos que uma idéia
invadiu as ciências sociais, tentando forjar novas
idéias para o grande público: o desemprego que
se espalha sem mostrar sinais de retrocesso seria apenas uma
crise de emprego ligada à crise econômica
aberta ou latente, que vem de 1974, mas que se ligaria mais
fundamentalmente a uma crise do trabalho enquanto tal, a um
questionamento da centralidade do trabalho em nossa
civilização . O desemprego dissemina-se como
uma praga, parece resistir a todas as conjunturas, tanto de
recessão como de crescimento, assim como a todas as
políticas e todos os remédios. Impõe-se
a idéia de que as causas devem ser profundas e
estruturais, que estão talvez ligadas a atributos
fundamentais e de nossas modalidades de
produção e existência. Também
para o marxismo, o desemprego não é um mal
passageiro;é, porém, uma necessidade do modo
de produção capitalista e só
poderá desaparecer com ele: qualquer
reabsorção do desemprego só pode ser
provisória. A esse respeito, é divertido
constatar que a tese da excepcionalidade do crescimento
forte com pleno emprego durante os pretensos "trinta anos
gloriosos", defendida até o início dos anos 80
por uma minoria de autores marxistas, é hoje retomada
pela imensa maioria dos pensadores em moda, só que
agora para fustigar um apego conservador dos assalariados ao
pleno emprego. O
pleno emprego morre, viva a plena atividade? Mesmo
que se fala carece ainda de precisão, vê-se bem
que a distinção entre atividade e emprego
serve de vetor a um questionamento mais profundo do lugar do
trabalho na sociedade. Mas o que se entende por atividade? A
vagueza de tal palavra pode encobrir acepções
bastantes variadas. Decifrando um pouco os textos em moda
sobre o assunto, pode-se ver bastante
definições que variam entre dois lados. De um
lado, uma definição liberal, que apresenta a
atividade como uma válvula de escape para todos os
que não mias encontrassem seu lugar num mercado de
trabalho saturado; este podendo, por isso mesmo, tornar-se
mais flexível e oferecer menor garantia social.
É, por exemplo, a tese de Michel Godet, que atribui o
desemprego à rigidez do mercado de trabalho,
particularmente a existência de um salário
mínimo, que não propõe suprimir,
substituindo por uma renda mínima de existência
universal. Com isso, a atividade designa de fato empregos
que não teriam mais quaisquer das garantias do
emprego salariado padrão, para os quais a
justiça do trabalho não existiria e onde a
remuneração mínima permitiria evitar
que esses ativos afundassem na
pauperização. O
outro lado uma concepção de atividade baseada
exclusivamente em razões sociais. Uma vez que a
exclusão do trabalho ameaça romper os
laços sociais com um número grande de
indivíduos, trataria de encontrar uma
ocupação para essas pessoas, mesmo sem
salário, mesmo sem retribuição, para
evitar que fiquem excluídos da sociedade. Nessa
perspectiva, o desenvolvimento da atividade é um meio
de luta contra a exclusão social. No
final das contas, a atividade aparece como tudo o que o
mercado não pode levar em consideração
e que releva de uma atividade social. O
chip destrói o desemprego? O
trabalho seria, pois, cada vez mais raro a essa
rarefação é que produziria uma
reviravolta considerável no sistema de emprego. A
primeira explicação disso apóia-se
sobre os efeitos das mutações
tecnológicas, principalmente na informática,
esse discurso, já antigo, funciona sempre muito bem,
principalmente porque é apresentado com ares de
revelação: estaria ocorrendo um fenômeno
extraordinário, que ninguém vê, que logo
se imporá a todos, e não teríamos outra
solução se não aceita-lo. Se
o desemprego fosse de origem essencialmente
tecnológica, teria que ocorrer um crescimento da
produtividade maior que o do produto. O
desemprego é, portanto, muito ligado a uma queda de
crescimento, mesmo que sua amplitude e permanência
possam ser explicados pela junção de outras
causas, principalmente pelo fato de que diante da
desaceleração conjuntural, o patronato utiliza
a mão-de-obra como primeira "variável de
ajuste", ou ainda, como assinala justamente Michel Housson,
limita a redução da jornada de trabalho. A
luta contra o desemprego supõe certamente uma
política de crescimento, mas que deve ser travada
juntamente com uma regulamentação do mercado
de trabalho e uma drástica diminuição
do tempo de trabalho. Uma
vez amplamente relativizada a explicação
tecnologista para a rarefação do trabalho,
podemos voltar às explicações que
buscam demonstrar que se estaria desenvolvendo uma
dimensão nova, do trabalho ou da vida humana, a qual
se oporia ao trabalho tal como o conhecemos até hoje.
Essas explicações são muitas vezes
usadas como fundamento para distinção entre
emprego e atividade, que acabamos de
analisar. Avançando
para uma sociedade pós-industrial A
perspectiva comum a numerosos autores é o abandono da
sociedade industrial por uma sociedade baseada em
serviços e chamada, segundo a moda,
pós-industrial, informacional, serviçal. O
americano Daniel Bell, nos anos 60, e Allain Touraine, pouco
depois, fizeram-se profetas nessa perspectiva, segundo a
qual estaríamos passando de um sistema produtivo
fundado sobre a transformação da
matéria em bens materiais para uma
produção de bens imateriais e de
serviços, em que as atividades diretamente produtivas
seriam suplantadas pelas atividades de
circulação e informação. O
trabalho ficaria radicalmente modificadO: o trabalho
físico e instrumentado cederia lugar ao trabalho
intelectual, o próprio proletariado cederia lugar aos
prestadores de serviços: os conceitos de mercadoria e
valor-trabalho perderiam sentido e se dissolveriam no
informacional e imaterial. Mas
que lugar vai ocupar esse terceiro setor na economia? Ele
não concorre ao setor rentável que
continuará a funcionar livremente, exigindo o
máximo de flexibilidade, necessária a sua
eficácia. No melhor dos casos, esse setor
servirá de válvula de escape, mas há
fortes possibilidades de que preencha outra
função: a de ajuda social menos onerosa que o
estado de bem-estar; isso se não for a de meio de
pressão para a baixa dos salários de das
garantias de outros setores. Porque há uma
diferença entre as produções
industriais e as de serviços: as primeiras fornecem
bens de produção, permitindo economia de
tempo, que corresponde a tempo liberado;em troca, nos
serviços, o tempo consumido é igual ao tempo
gasto de outro modo. Os famosos empregos de proximidade
não visam a que as tarefas domésticas ocupem
globalmente menos tempo, e assim o liberem para atividades
mais nobres, pelo contrário, eles ocupam cada vez
mais tempo disponível, só que agora sobre a
forma de serviços pagos. A
revolução terciária tornou-se uma
contra revolução servil, que transforma os
assalariados em servidores. Entretanto, pode-se predizer que
ela não se generalizará. Primeiro, porque
contrariamente ao que pensam, a economia capitalista
terá sempre a necessidade de basear sua
acumulação na extração de
mais-valia no setor produtivo; mas sobretudo porque a
função preenchida pela extensão do
setor terciário pode ajudar à
extração de mais-valia empurrando para baixo o
custo do trabalho no setor produtivo. O
mercado da informação A
Revolução Industrial começou na
Inglaterra, com o surgimento da máquina a vapor. As
pessoas trocaram o campo pela cidade, onde podiam ganhar
melhores salários e comprar alimentos e roupas. Novas
mudanças surgiram. Mas encontraram também
péssimas condições de higiene, pouco
espaço para moradia e foram obrigados a suportar
estas condições de maus-tratos. Ocorreram
várias mudanças tecnológicas,
então explodiu a chamada Segunda
Revolução Industrial, que tornou
possível a produção de alimentos com
menos mão-de-obra, com melhor qualidade e o
transporte de mercadorias. Os salários subiram e
surgiu os empregados de escritório, e aumentou o
nível de conhecimento das pessoas. Mas também
surgiram os problemas de desemprego e sociais, causados
pelas diferentes ganhos das classes de trabalhadores, e
aumentou o consumo materialista. A
Revolução da Informação
provocará uma transformação profunda,
mas com igualdade. As
pessoas ainda estão muito confusas, como será
esta Era da Informação. Esta nova Era
revela-se uma época simples e fácil de ser
compreendida, como define Michael Dertrouzos, em sua obra O
que será? (1997) pág. 31, "Mercado de
informação, um mercado comunitário do
século XXI, onde as pessoas e computadores pudessem
comprar, vender e trocar livremente
informações e serviços
informáticos". Com esta afirmação
Michael acredita que o mercado de Informação
vai crescer tão rapidamente e afetará a todos
com o a Revolução Industrial. Segundo
Marco Aurélio F. Viana, para que isso aconteça
precisamos priorizar o entendimento e estudo do futuro,
usando uma visão de antecipação do
futuro. Temos
que Ter uma visão antecipada do que vai acontecer
mesmo que pareça estarmos longe de um futuro
próximo. Em
uma época de tantas mudanças a capacidade de
antecipação, é fundamental para
vivermos no futuro. Mas temos antes de tudo quebrar alguns
paradigmas e um dos erros que cometemos é de
não planejarmos a longo prazo. Outra
coisa importante é adaptar-se as mudanças pois
ocorrem a todo instantes na diversas áreas. Um
exemplo é na área telefonia, hoje existem
milhões de aparelhos celulares em todo o mundo, e a
mais ou menos duas décadas atrás não se
ouvia nem falar em aparelho celular. Realmente as
mudanças são surpreendente e precisamos nos
adaptar a ela. Pois
as grandes modificações que ocorreram como a
diminuição da força de trabalho, as
vendas através da Internet, as mudança da
produção robótica , etc.; estão
acontecendo de uma forma avassaladora, o que
consequentemente afetará na
globalização, pois temos um conjunto de
mudanças que vão causar um impacto nas
organizações. Essas
são algumas das mudanças que teremos que
incorporar e entender que viveremos cada vez mais em um
mundo globalizado. Barreira
da comunicação estão sendo derrubadas
pela Internet, e o tempo se torna uma prioridade, o mercado
de informação já nos oferece esta
facilidade. Este
mercado afetará pessoas e organizações
numa escala muito ampla, porque além de seu uso no
comércio, escritório e manufatura, ele
também ajudará a melhorar a saúde , e
oferecerá novas opções de consumo,
permitirá contatos pessoais e profissionais no mundo
inteiro. Melhorará
também a educação e o treinamento
profissional. Portanto ajudará no aumento da
produtividade humana (tanto no pessoal quanto no
profissional). Mas para desfrutar destes benefícios
da produtividade é preciso corrigir e evitar alguns
problemas humanos e tecnológicos, como muitas
informações que teremos de aprender,
causará as diferenças entre ricos e pobres,
para evitar isso as máquinas terão que se
tornarem mais fáceis do que são
hoje. Fim
da centralidade do trabalho Atividade
no lugar do trabalho, revolução
tecnológica rarefazendo o trabalho, desenvolvimento
exponencial do tempo livre, sociedade de
serviços...todos esses esquemas em moda encontram sua
apoteose na idéia do trabalho como valor
inexoravelmente em declínio. O sucesso da pequena
obra de Dominique Meda vem daí: ela dá
coerência e cobertura "filosófica" a todas
essas temáticas. Resumamos rapidamente a tese de
Dominique Meda. Para ela, o trabalho não é uma
característica antropológica da humanidade,
constrangida a transformar a natureza para sobreviver,
segundo afirma toda uma série de
tradições desde os séculos XVIII e XIX,
de Smith a Marx; tradições que apresentam o
trabalho salariado como uma forma histórica
particular de trabalho, forma necessária e
emancipatória para uns, necessária e
espoliadora para outros. No
século XVIII, particularmente em Adam Smith, o
trabalho é só um simples fator de
produção, que permite manter juntos os
indivíduos "libertados" de suas lealdades
comunitárias. A
partir do início do século XIX, em Hegel e
Marx, o trabalho é um poder criador e transformador
nas mãos do homem, que deve ser livrado da
exploração para fornecer sua plena
capacidade. É
o momento atual, que se tem desdobrado o longo de todo o
século XX: o "momento social democrata", em que o
trabalho salariado é aceito porque concebido como
meio privilegiado de obter rendimentos decentes,
proteção e status jurídico. O
que chama a atenção numa primeira abordagem
é o procedimento idealista: as
representações é que formam a realidade
e é mudando-as que as coisas avançarão.
Aliás, é normal afirmar isso quando se
pretende também que "nós todos sabemos hoje
que o caráter alienante do trabalho" não
está ligado ao capitalismo e à
exploração. O essencial é pois nos
desempregarmos da idéia "humanista" de que o trabalho
é central. O pleno emprego de tempo integral para
todos está definitivamente perdido e isso "abala o
que tínhamos como evidente", chegando até a
afirmar "a idéia falsa de que o desemprego seria um
mal extremamente grave". Se
o desemprego não é um mal grave é
porque nos permite operar "uma conversação do
pensamento" e "por em ordem nossas
representações e o mundo irá melhor.
É de se esfregar os olhos, diante de um idealismo
tão ingênuo, sem falar no uso do "nós"
para fazer passar sua própria concepção
(a multiplicidade dos "sabemos agora que" é
impressionante). Profissionais
da Informação Os
indivíduos são expostos a grande quantidades
de informação a cada dia. Em Marketing
já se considera o produto extendido como sendo o
produto físico em si e toda informação
disponível sobre o produto para os consumidores.
Já não se fazem "autoridades no assunto" como
antigamente: alem de serem cada vez menos os que ousam se
considerar "autoridade" sobre qualquer assunto, as
áreas de especialidade são cada vez mais
estreitas. Sem informação os indivíduos
não conseguem tomar decisões adequadas. E quem
imagina hoje uma organização funcionando sem
decisões estarem sendo tomadas todo o tempo, em todos
os níveis? No
ambiente de mudanças atual, informação
é vital. Mas a experiência mostra que
não é só de quantidade e de
abrangências de informação que vivem as
organizações. Muito mais importante e a
qualidade da informação. Trata-se de uma
questão de "inteligência", ou seja, da
habilidade para transformar a imensa massa de dados
operacionais que correm nas veias da empresa diariamente em
informações consistentes que agreguem valor ao
negocio. No
caso da informação, agregar valor ao negocio
significa varias coisas diferentes mas complementares.
Primeiro, suportar da melhor forma possível o
processo de tomada de decisão com
informações de qualidade. Ter
"inteligência competitiva" pode ser visto com ter o
tempo todo o controle do mercado, atual e prospectivo, bem
monitorado. A informação agrega valor ao
negócio quando da sua análise chega-se a novas
maneiras de fazer negócio, novos serviços e
novos produtos. O
Papel do Profissional da
Informação Há
muita discussão hoje sobre as
atribuições e responsabilidades relacionadas
com os dados, as informações e o conhecimento
na empresa. Recursos Humanos, pelo lado do "capital
intelectual", Marketing pela lado "inteligência
competitiva" e tecnologia da informação pela
gestão do "conhecimento" estão sendo
áreas em foco no momento. Na
"Era da Informação", na "Sociedade
Pós-Industrial", ou novo ambiente social e de
negócios. A Internet, para citar um exemplo popular,
exprime a virtualização do texto, do corpo e
da economia. O conhecimento, a habilidade para aprender
coletivamente, as informações usadas no
processo de tomada de decisão, o talento dos
colaboradores, a rede de contatos, enfim, tudo passa a ser
mais importante. O
profissional da informação é o
protótipo hoje do trabalhador do conhecimento de
amanhã. Algumas pessoas tem dificuldade de entender
essa mudança, entre outras coisas, porque não
há muita semelhança com o processo industrial
tradicional. Numa empresa de serviços, seja o
conhecimento coletivo sobre os clientes, os processos de
negócios e a concorrência, as
informações são a matéria-prima
do trabalho de cada indivíduo na
organização. Uma
primeira balançada nos nossos modelos mentais ocorreu
com a abordagem de produzir em grande quantidade itens
personalizados para a necessidade individual de cada
cliente. Um serviço de cliping de noticias, permite
que cada cliente receba as noticias sobre os assuntos que
deseja, na periodicidade que deseja, no momento que deseja,
no formato que deseja, sem qualquer custo adicional,
atendendo milhares de clientes simultaneamente. Precisamos
de novos modelos mentais para entender essa nova ordem
econômico em que o valor do excesso se inverte com o
causado pela escassez. Pensando
nos profissionais de informação nas empresas,
precisamos antes de mais nada nos libertamos de certas
restrições artificiais, herdadas ao longo do
tempo, em relação aos papéis e
responsabilidades numa organização. Quem
é o profissional da informação hoje e
no futuro? Pode ser o analista de negócios, que
buscando soluções de tecnologia que alavanquem
a competitividade dos processos empresariais, traz
informações do mundo exterior sobre melhores
práticas, tecnologia emergentes, etc. A
lista de ocupações que estão cada vez
mais centradas em informação não para
de crescer. Por exemplo, as novas ocupações
voltadas para produção, armazenamento,
processamento e comunicação de
informação estão surgindo, como os
designers de informação. Perspectivas
Para os Profissionais da
Informação A
tendência parece ser de que os conhecimentos e
habilidades necessários para trabalhar com
informações vão sendo incorporados a
todas as ocupações. Do ponto de vista de
formação para empregabilidade, percebe-se aqui
um amplo espaço de atuação para os
educadores, desde o ciclo básico de
escolas. Os
profissionais da informação nas
organizações começam a trazem para seu
cotidiano um arsenal de instrumentos. O perfil
necessário para esse tipo de profissional é
variado. Os conhecimentos específicos sobre
métodos, técnicas e ferramentas de
gestão da informação e do conhecimento
são a base, naturalmente, Mas o que o mercado
está ansioso por encontrar são profissionais
com algumas características fundamentais: capacidade
de gerenciamento combinada com conhecimento técnico,
expertise na área de atuação combinado
com uma visão ampla de negócio,
competência abrangente na especialidade aliada a uma
cultura geral ampla, além naturalmente de
confiabilidade, criatividade, ética e honestidade de
propósitos. Conclusão Nossa
pesquisa, em torno do tema proposto, nos deu a oportunidade
de conhecer e apreciar as idéias de um
sociólogo italiano chamado: Domenico De Masi, que
através de uma entrevista no programa "Roda Viva", na
TV Cultura, em janeiro/99; nos deu alguma ajuda quanto a
conhecer as idéias que rondam este novo
século... estas nova idéias... De
Masi vê o século 21 dominado não pelo
problema do trabalho, e sim pela temática da
organização do ócio ( entendido
não como "fazer nada", mas como tempo livre). A
sociedade pós industrial e gerada pela própria
sociedade industrial, na medida em que esta
aperfeiçoa e difunde seus problemas de
automatização e informatização
do trabalho. A sociedade pos-industrial, esse fenômeno
que já começou a existir, troca a
produção de bens materiais pela
produção de serviços, de
informação e de conhecimento. Hoje em dia -
diz ele -, o pais que conta com muitas industrias esta
atrasado. A linha de montagem foi superada. A economia sadia
avançada, segundo De Masi, não e unilateral, e
sim diversificada, combinando a função
agrícola e a industrial com o lazer. As
condições para a construção da
sociedade do lazer são: a grande arte, a grande
literatura e a grande universidade. O Brasil conta de sobra
com os dois primeiros fatores, mas falha no desenvolvimento
na universidade na dedicação intensiva e
extensiva ao estudo e a pesquisa cientifica. O
maior inimigo da criatividade organizada que caracteriza o
mundo pos-industrial e o burocrata, o antípoda das
inovações e do espirito criador. Os burocratas
são "sádicos", só enxergam os limites e
nunca as oportunidades; são "corruptos", tentam
corromper os clientes com a exploração das
dificuldades, dos prazos, etc. Atualmente, qualquer
executivo pode terminar seu trabalho diário em cinco
horas; mas o executivo representa uma comedia; faz de conta
ter trabalho em demasia, inventa horas extras, para
não ser capturado pela família e pela mulher,
a qual, em geral, despreza. Propõe um
sem-número de reuniões sem finalidade e de
regulamentos "para os outros". E preciso começar a
sanear o regulamento das empresas, eliminando, um a um,
todos os preceitos sem razão de ser. A
imaginação criadora e importante, mas
não basta; tem de se completar pela
realização. Fantasia +
realização e a proposta dos grupos de trabalho
estudados em seu livro A Emoção e a regra.
Tais grupos se constituíram na Europa, entre 1850
e 1950. E difícil deparar com a genialidade
individual, mas e viável criar grupos que somem
fantasia com realização. Um desses grupos foi
a Escola de Biologia de Cambridge, que descobriu o DNA. Os
cientistas produziram diversos desenhos da possível
estrutura do DNA, a prior, sem base experimental. Na hora de
testar aqueles desenhos surgiu a questão: qual deles?
A resposta foi: o mais belo. Testou-se o desenho mais
formoso e elegante. E não e que deu certo? O esquema
do DNA era aquele mesmo. O episódio e importante para
destacar a importância do espirito lúdico, do
prazer de jogar, sem o qual não se constrói a
ciência. De
Masi reconhece no desemprego crescente e mundial um perigo
serio. Mas entende que a desocupação, que
surge como uma ameaça, se revela logo uma
oportunidade de reorganizar o trabalho e a sociedade. Para
ele, aquelas três etapas da vida que andam separadas,
o estudo, o trabalho e o tempo livre, tendem a integrar-se
desde já. O tempo livre - diz De Masi - e o tempo do
luxo; não da ostensão de riquezas ornamentais,
mas da recuperação de alguns luxos hoje
perdidos, como o tempo, o espaço, o silencio, a
segurança. Por isso, respondendo a um dos
jornalistas, declara De Masi que o principal valor que
sustenta seu trabalho e a estética. A
estética- afirma - e a disciplina que da sentido as
coisas, unindo o fragmentário numa realidade
inteiriça. Espanha
e Portugal, Brasil e Itália são países
que chegaram por ultimo ao festival do desenvolvimento.
Talvez porque o pensamento espanhol, a sociologia brasileira
e o gênio italiano estejam reservados para brilhar na
temporalidade do ócio, do tempo livre, no mundo
pos-industrial. BIBLIOGRAFIA COHEN,
David. As sete virtudes (revista Exame - Empresa do Novo
Milênio) DERTROUZOS,
Michael. O que será? 1997. Editora: Companhia das
Letras SCHAFF,
Adam. A Sociedade Informática 1ª ed. 1995
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Masuda. A Sociedade da Informação:Como
Sociedade Pós-Industrial Editora: Rio YOUSSEF,
Antônio Nicolau e FERNANDEZ,
Vicente Paz. Informática e Sociedade- 1985
1ª ed. São Paulo Editora:
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Tauana Marques
Thaís Santos