Sociedade da Informação: Na Ótica do Emprego

Alexandra Martins
Tauana Marques
Thaís Santos

Monografia apresentada no curso de Organização, Sistemas e Métodos das Faculdades Integradas Campos Salles, sob orientação do Professor Mauro M. Laruccia

(Disponível na rede desde novembro de 2000) 


INTRODUÇÃO

Falar sobre a sociedade é algo muito interessante, mas é também algo que requer uma volta ao passado, afinal a sociedade atual reflete as mudanças anteriores.

E por falar em mudanças essas sempre trouxeram medo à sociedade, quando fala-se em mudar, inovar ou substituir gera-se um medo, medo esse que provém da incerteza de se adaptar às mudanças.

Muitas vezes uma pessoa deixa de mudar de emprego por medo de não dar certo, ou seja, medo de não se adaptar à mudança. Mas não é só hoje que esse tipo de situação acontece, a primeira referência histórica que se pode citar em relação a isso é a Revolução Industrial, quando as primeiras máquinas foram criadas, os trabalhadores sentiram-se imensamente ameaçados, achavam que os novos "monstros" os substituiriam e tornariam inútil qualquer participação humana no processo industrial, quando o que estava acontecendo era que precisaria-se de pessoas, mas pessoas capazes de se adaptar às mudanças e neste caso, que pudessem se tornar operadores das máquinas.

Hoje, muitos anos após esse acontecimento, vivemos uma situação semelhante e é este o tema que iremos abordar, a era da informação ou a sociedade pós-industrial. Mas como falar em pós-industrial em uma época em que a indústria atinge seu auge de produção é difícil falar em pós quando ainda se vive o durante. É claro que estamos passando por mudanças, mas daí a dizer que vivemos em uma sociedade pós-industrial...Abordaremos no entanto, acontecimentos e hipóteses que possam responder a verdade sobre a atual situação que vivemos no tocante deste assunto.

A alta tecnologia, a internet, a globalização trazem mudanças constantes à nossa sociedade, essas mudanças são tão rápidas e grande que às vezes acabamos por não perceber que estamos nos adaptando a elas, é o caso do uso da informática na execução das tarefas, de repente aquela máquina que mais uma vez era tímida, acabou sendo uma aliada e facilitando as tarefas daqueles que puderam adaptar-se a ela.

Quando foram implantados os primeiros caixas eletrônicos nos bancos, acreditava-se que eles substituiriam o trabalho dos bancários, hoje eles são os maiores aliados desses profissionais, não só deles, mas de todos nós, afinal a inovação diminui muito o tempo que gastamos com tarefas rotineiras. Mas existem muitas pessoas que ainda tentam resistir à essas mudanças, elas desconfiam do trabalho da máquina, temem não saber operá-la e acabam por preferir que um profissional execute uma função que poderia ser executada por ela em alguns minutos.

Com a implantação das máquinas e até mesmo com a utilização dos microcomputadores na execução do trabalho era necessário que as pessoas contratadas possuíssem maior conhecimento, ou que as pessoas que já estavam na organização se interessassem por aprender e conhecer o novo método de trabalho.

Isso nos mostra que cada vez mais se tem a necessidade de uma mão-de-obra mais qualificada e flexível para que se adapte rapidamente às mudanças.

Uma outra aliada ainda mais recente que veio facilitar o mundo dos negócios, da comunicação e do lazer é a internet, essa teve uma melhor aceitação na sociedade, pois a princípio ela foi vista como um simples meio de comunicação, mas em pouquíssimo tempo ela foi mostrando sua verdadeira utilidade surgiram as primeiras empresas virtuais e mais uma vez as mudanças trazem medo a sociedade, este é exatamente o momento que estamos vivendo não sabemos até onde vão os limites da internet. Podemos comprar um carro via internet, o que ainda não dispensa as grandes concessionárias, devido a estarmos passando por um período de adaptação; muitas pessoas ainda hesitam em comprar o produto sem tê-lo visto pelo menos uma vez, poder tocá-lo saber que ele existe. Por outro lado a internet facilita o trabalho das empresas e torna o mercado ainda mais competitivo, pois além das empresas terem que se preocupar com seus concorrentes locais elas competem com empresas além da fronteira, e por falar em fronteira a internet vem quebrando essas fronteiras com tanta rapidez que hoje negociar com uma empresa do outro lado do mundo pode ser feito sem sequer precisar sair de casa. A internet traz as mudanças em tempo real. As grandes empresas, as instituições financeiras, as grandes rede de supermercado entre outros tem feito da internet uma forma de agilizar seu trabalho e facilitar o acesso de seus clientes para que estes façam negócios, movimente sua conta bancária, façam investimentos, realizem suas compras pesquisando preços, sem precisar deslocar-se até a empresa, afinal não somos só nós que precisamos nos adaptar, as empresas também necessitam, afinal quanto mais adaptadas estão as pessoas, mais elas procuram empresas que estejam adaptadas.

Acontece também que as mudanças são tão rápidas que o que hoje pode gerar um lucro muito grande amanhã pode não ter a mesma repercussão, veja que antigamente as mudanças ocorriam mais lentamente, uma ilustração para isso é que o preço do tecido de algodão levou 70 anos para cair 85% na Revolução Industrial, já os semicondutores tiveram a mesma redução em três anos. Porém com tudo isso falar em pós-industrial nos traz as mais diversas opiniões sobre o assunto. Para o sociólogo Hanuel Castells é bobagem; "enquanto teorizamos sobre o pós-industrialismo percebemos que estamos vivendo uma das maiores ondas de industrialismo da história se utilizarmos um indicador simples como o número absoluto de trabalhadores no setor industrial", afirmou em seu livro A Sociedade em Rede, pág. 20. E a partir desta idéia é que encontramos este grande contraste me que baseamos nossas conclusões neste trabalho.

Existem visões positivas e negativas sobre o assunto, ambas baseiam-se em que idéia da automação, do progresso tecnológico, junto com a concentração de produção nas mãos dos grandes conglomerados e o fim das barreiras de proteção as indústrias locais. Os pessimistas acreditam que haverá o fim do trabalho, em contrapartida nos EUA entre 1993 e 1996 foram criados mais de 8 milhões de empregos, de fato estamos passando por transformações no emprego, mas o número de empregados remunerados no mundo, está em seu pico histórico mais alto e em expansão.

Outro fato que considero importante relatar é que nunca investiu-se tanto em segurança as previsões para o crescimento das empresas do ramo são entre 24% e 40% de 1990 até 2005.

As mudanças no emprego são também geográficas, elas tendem a ir para onde é mais barato, por efeito da globalização e da desregulamentação, além disso fecha-se o espaço para a mão-de-obra tradicional e abre-se espaço para o trabalho inteligente. Contudo vê-se que o melhor forma de denominar a sociedade em que vivemos é uma sociedade de mudanças afinal pós significa depois, e ainda temos muito a industrializar...

Perspectivas para o trabalho

Já faz agora dois a três anos que uma idéia invadiu as ciências sociais, tentando forjar novas idéias para o grande público: o desemprego que se espalha sem mostrar sinais de retrocesso seria apenas uma crise de emprego ligada à crise econômica aberta ou latente, que vem de 1974, mas que se ligaria mais fundamentalmente a uma crise do trabalho enquanto tal, a um questionamento da centralidade do trabalho em nossa civilização . O desemprego dissemina-se como uma praga, parece resistir a todas as conjunturas, tanto de recessão como de crescimento, assim como a todas as políticas e todos os remédios. Impõe-se a idéia de que as causas devem ser profundas e estruturais, que estão talvez ligadas a atributos fundamentais e de nossas modalidades de produção e existência.

Também para o marxismo, o desemprego não é um mal passageiro;é, porém, uma necessidade do modo de produção capitalista e só poderá desaparecer com ele: qualquer reabsorção do desemprego só pode ser provisória. A esse respeito, é divertido constatar que a tese da excepcionalidade do crescimento forte com pleno emprego durante os pretensos "trinta anos gloriosos", defendida até o início dos anos 80 por uma minoria de autores marxistas, é hoje retomada pela imensa maioria dos pensadores em moda, só que agora para fustigar um apego conservador dos assalariados ao pleno emprego.

O pleno emprego morre, viva a plena atividade?

Mesmo que se fala carece ainda de precisão, vê-se bem que a distinção entre atividade e emprego serve de vetor a um questionamento mais profundo do lugar do trabalho na sociedade. Mas o que se entende por atividade? A vagueza de tal palavra pode encobrir acepções bastantes variadas. Decifrando um pouco os textos em moda sobre o assunto, pode-se ver bastante definições que variam entre dois lados. De um lado, uma definição liberal, que apresenta a atividade como uma válvula de escape para todos os que não mias encontrassem seu lugar num mercado de trabalho saturado; este podendo, por isso mesmo, tornar-se mais flexível e oferecer menor garantia social. É, por exemplo, a tese de Michel Godet, que atribui o desemprego à rigidez do mercado de trabalho, particularmente a existência de um salário mínimo, que não propõe suprimir, substituindo por uma renda mínima de existência universal. Com isso, a atividade designa de fato empregos que não teriam mais quaisquer das garantias do emprego salariado padrão, para os quais a justiça do trabalho não existiria e onde a remuneração mínima permitiria evitar que esses ativos afundassem na pauperização.

O outro lado uma concepção de atividade baseada exclusivamente em razões sociais. Uma vez que a exclusão do trabalho ameaça romper os laços sociais com um número grande de indivíduos, trataria de encontrar uma ocupação para essas pessoas, mesmo sem salário, mesmo sem retribuição, para evitar que fiquem excluídos da sociedade.

Nessa perspectiva, o desenvolvimento da atividade é um meio de luta contra a exclusão social.

No final das contas, a atividade aparece como tudo o que o mercado não pode levar em consideração e que releva de uma atividade social.

O chip destrói o desemprego?

O trabalho seria, pois, cada vez mais raro a essa rarefação é que produziria uma reviravolta considerável no sistema de emprego. A primeira explicação disso apóia-se sobre os efeitos das mutações tecnológicas, principalmente na informática, esse discurso, já antigo, funciona sempre muito bem, principalmente porque é apresentado com ares de revelação: estaria ocorrendo um fenômeno extraordinário, que ninguém vê, que logo se imporá a todos, e não teríamos outra solução se não aceita-lo.

Se o desemprego fosse de origem essencialmente tecnológica, teria que ocorrer um crescimento da produtividade maior que o do produto.

O desemprego é, portanto, muito ligado a uma queda de crescimento, mesmo que sua amplitude e permanência possam ser explicados pela junção de outras causas, principalmente pelo fato de que diante da desaceleração conjuntural, o patronato utiliza a mão-de-obra como primeira "variável de ajuste", ou ainda, como assinala justamente Michel Housson, limita a redução da jornada de trabalho. A luta contra o desemprego supõe certamente uma política de crescimento, mas que deve ser travada juntamente com uma regulamentação do mercado de trabalho e uma drástica diminuição do tempo de trabalho.

Uma vez amplamente relativizada a explicação tecnologista para a rarefação do trabalho, podemos voltar às explicações que buscam demonstrar que se estaria desenvolvendo uma dimensão nova, do trabalho ou da vida humana, a qual se oporia ao trabalho tal como o conhecemos até hoje. Essas explicações são muitas vezes usadas como fundamento para distinção entre emprego e atividade, que acabamos de analisar. 

Avançando para uma sociedade pós-industrial

A perspectiva comum a numerosos autores é o abandono da sociedade industrial por uma sociedade baseada em serviços e chamada, segundo a moda, pós-industrial, informacional, serviçal. O americano Daniel Bell, nos anos 60, e Allain Touraine, pouco depois, fizeram-se profetas nessa perspectiva, segundo a qual estaríamos passando de um sistema produtivo fundado sobre a transformação da matéria em bens materiais para uma produção de bens imateriais e de serviços, em que as atividades diretamente produtivas seriam suplantadas pelas atividades de circulação e informação. O trabalho ficaria radicalmente modificadO: o trabalho físico e instrumentado cederia lugar ao trabalho intelectual, o próprio proletariado cederia lugar aos prestadores de serviços: os conceitos de mercadoria e valor-trabalho perderiam sentido e se dissolveriam no informacional e imaterial.

Mas que lugar vai ocupar esse terceiro setor na economia? Ele não concorre ao setor rentável que continuará a funcionar livremente, exigindo o máximo de flexibilidade, necessária a sua eficácia. No melhor dos casos, esse setor servirá de válvula de escape, mas há fortes possibilidades de que preencha outra função: a de ajuda social menos onerosa que o estado de bem-estar; isso se não for a de meio de pressão para a baixa dos salários de das garantias de outros setores. Porque há uma diferença entre as produções industriais e as de serviços: as primeiras fornecem bens de produção, permitindo economia de tempo, que corresponde a tempo liberado;em troca, nos serviços, o tempo consumido é igual ao tempo gasto de outro modo. Os famosos empregos de proximidade não visam a que as tarefas domésticas ocupem globalmente menos tempo, e assim o liberem para atividades mais nobres, pelo contrário, eles ocupam cada vez mais tempo disponível, só que agora sobre a forma de serviços pagos.

A revolução terciária tornou-se uma contra revolução servil, que transforma os assalariados em servidores. Entretanto, pode-se predizer que ela não se generalizará. Primeiro, porque contrariamente ao que pensam, a economia capitalista terá sempre a necessidade de basear sua acumulação na extração de mais-valia no setor produtivo; mas sobretudo porque a função preenchida pela extensão do setor terciário pode ajudar à extração de mais-valia empurrando para baixo o custo do trabalho no setor produtivo.

O mercado da informação

A Revolução Industrial começou na Inglaterra, com o surgimento da máquina a vapor. As pessoas trocaram o campo pela cidade, onde podiam ganhar melhores salários e comprar alimentos e roupas. Novas mudanças surgiram. Mas encontraram também péssimas condições de higiene, pouco espaço para moradia e foram obrigados a suportar estas condições de maus-tratos.

Ocorreram várias mudanças tecnológicas, então explodiu a chamada Segunda Revolução Industrial, que tornou possível a produção de alimentos com menos mão-de-obra, com melhor qualidade e o transporte de mercadorias. Os salários subiram e surgiu os empregados de escritório, e aumentou o nível de conhecimento das pessoas. Mas também surgiram os problemas de desemprego e sociais, causados pelas diferentes ganhos das classes de trabalhadores, e aumentou o consumo materialista.

A Revolução da Informação provocará uma transformação profunda, mas com igualdade.

As pessoas ainda estão muito confusas, como será esta Era da Informação. Esta nova Era revela-se uma época simples e fácil de ser compreendida, como define Michael Dertrouzos, em sua obra O que será? (1997) pág. 31, "Mercado de informação, um mercado comunitário do século XXI, onde as pessoas e computadores pudessem comprar, vender e trocar livremente informações e serviços informáticos". Com esta afirmação Michael acredita que o mercado de Informação vai crescer tão rapidamente e afetará a todos com o a Revolução Industrial.

Segundo Marco Aurélio F. Viana, para que isso aconteça precisamos priorizar o entendimento e estudo do futuro, usando uma visão de antecipação do futuro.

Temos que Ter uma visão antecipada do que vai acontecer mesmo que pareça estarmos longe de um futuro próximo.

Em uma época de tantas mudanças a capacidade de antecipação, é fundamental para vivermos no futuro. Mas temos antes de tudo quebrar alguns paradigmas e um dos erros que cometemos é de não planejarmos a longo prazo.

Outra coisa importante é adaptar-se as mudanças pois ocorrem a todo instantes na diversas áreas. Um exemplo é na área telefonia, hoje existem milhões de aparelhos celulares em todo o mundo, e a mais ou menos duas décadas atrás não se ouvia nem falar em aparelho celular. Realmente as mudanças são surpreendente e precisamos nos adaptar a ela.

Pois as grandes modificações que ocorreram como a diminuição da força de trabalho, as vendas através da Internet, as mudança da produção robótica , etc.; estão acontecendo de uma forma avassaladora, o que consequentemente afetará na globalização, pois temos um conjunto de mudanças que vão causar um impacto nas organizações.

Essas são algumas das mudanças que teremos que incorporar e entender que viveremos cada vez mais em um mundo globalizado.

Barreira da comunicação estão sendo derrubadas pela Internet, e o tempo se torna uma prioridade, o mercado de informação já nos oferece esta facilidade.

Este mercado afetará pessoas e organizações numa escala muito ampla, porque além de seu uso no comércio, escritório e manufatura, ele também ajudará a melhorar a saúde , e oferecerá novas opções de consumo, permitirá contatos pessoais e profissionais no mundo inteiro.

Melhorará também a educação e o treinamento profissional. Portanto ajudará no aumento da produtividade humana (tanto no pessoal quanto no profissional). Mas para desfrutar destes benefícios da produtividade é preciso corrigir e evitar alguns problemas humanos e tecnológicos, como muitas informações que teremos de aprender, causará as diferenças entre ricos e pobres, para evitar isso as máquinas terão que se tornarem mais fáceis do que são hoje.

Fim da centralidade do trabalho

Atividade no lugar do trabalho, revolução tecnológica rarefazendo o trabalho, desenvolvimento exponencial do tempo livre, sociedade de serviços...todos esses esquemas em moda encontram sua apoteose na idéia do trabalho como valor inexoravelmente em declínio. O sucesso da pequena obra de Dominique Meda vem daí: ela dá coerência e cobertura "filosófica" a todas essas temáticas. Resumamos rapidamente a tese de Dominique Meda. Para ela, o trabalho não é uma característica antropológica da humanidade, constrangida a transformar a natureza para sobreviver, segundo afirma toda uma série de tradições desde os séculos XVIII e XIX, de Smith a Marx; tradições que apresentam o trabalho salariado como uma forma histórica particular de trabalho, forma necessária e emancipatória para uns, necessária e espoliadora para outros.

No século XVIII, particularmente em Adam Smith, o trabalho é só um simples fator de produção, que permite manter juntos os indivíduos "libertados" de suas lealdades comunitárias.

A partir do início do século XIX, em Hegel e Marx, o trabalho é um poder criador e transformador nas mãos do homem, que deve ser livrado da exploração para fornecer sua plena capacidade.

É o momento atual, que se tem desdobrado o longo de todo o século XX: o "momento social democrata", em que o trabalho salariado é aceito porque concebido como meio privilegiado de obter rendimentos decentes, proteção e status jurídico.

O que chama a atenção numa primeira abordagem é o procedimento idealista: as representações é que formam a realidade e é mudando-as que as coisas avançarão. Aliás, é normal afirmar isso quando se pretende também que "nós todos sabemos hoje que o caráter alienante do trabalho" não está ligado ao capitalismo e à exploração. O essencial é pois nos desempregarmos da idéia "humanista" de que o trabalho é central. O pleno emprego de tempo integral para todos está definitivamente perdido e isso "abala o que tínhamos como evidente", chegando até a afirmar "a idéia falsa de que o desemprego seria um mal extremamente grave".

Se o desemprego não é um mal grave é porque nos permite operar "uma conversação do pensamento" e "por em ordem nossas representações e o mundo irá melhor. É de se esfregar os olhos, diante de um idealismo tão ingênuo, sem falar no uso do "nós" para fazer passar sua própria concepção (a multiplicidade dos "sabemos agora que" é impressionante).

Profissionais da Informação

Os indivíduos são expostos a grande quantidades de informação a cada dia. Em Marketing já se considera o produto extendido como sendo o produto físico em si e toda informação disponível sobre o produto para os consumidores. Já não se fazem "autoridades no assunto" como antigamente: alem de serem cada vez menos os que ousam se considerar "autoridade" sobre qualquer assunto, as áreas de especialidade são cada vez mais estreitas. Sem informação os indivíduos não conseguem tomar decisões adequadas. E quem imagina hoje uma organização funcionando sem decisões estarem sendo tomadas todo o tempo, em todos os níveis?

No ambiente de mudanças atual, informação é vital. Mas a experiência mostra que não é só de quantidade e de abrangências de informação que vivem as organizações. Muito mais importante e a qualidade da informação. Trata-se de uma questão de "inteligência", ou seja, da habilidade para transformar a imensa massa de dados operacionais que correm nas veias da empresa diariamente em informações consistentes que agreguem valor ao negocio.

No caso da informação, agregar valor ao negocio significa varias coisas diferentes mas complementares. Primeiro, suportar da melhor forma possível o processo de tomada de decisão com informações de qualidade. Ter "inteligência competitiva" pode ser visto com ter o tempo todo o controle do mercado, atual e prospectivo, bem monitorado. A informação agrega valor ao negócio quando da sua análise chega-se a novas maneiras de fazer negócio, novos serviços e novos produtos.

O Papel do Profissional da Informação

Há muita discussão hoje sobre as atribuições e responsabilidades relacionadas com os dados, as informações e o conhecimento na empresa. Recursos Humanos, pelo lado do "capital intelectual", Marketing pela lado "inteligência competitiva" e tecnologia da informação pela gestão do "conhecimento" estão sendo áreas em foco no momento.

Na "Era da Informação", na "Sociedade Pós-Industrial", ou novo ambiente social e de negócios. A Internet, para citar um exemplo popular, exprime a virtualização do texto, do corpo e da economia. O conhecimento, a habilidade para aprender coletivamente, as informações usadas no processo de tomada de decisão, o talento dos colaboradores, a rede de contatos, enfim, tudo passa a ser mais importante.

O profissional da informação é o protótipo hoje do trabalhador do conhecimento de amanhã. Algumas pessoas tem dificuldade de entender essa mudança, entre outras coisas, porque não há muita semelhança com o processo industrial tradicional. Numa empresa de serviços, seja o conhecimento coletivo sobre os clientes, os processos de negócios e a concorrência, as informações são a matéria-prima do trabalho de cada indivíduo na organização.

Uma primeira balançada nos nossos modelos mentais ocorreu com a abordagem de produzir em grande quantidade itens personalizados para a necessidade individual de cada cliente. Um serviço de cliping de noticias, permite que cada cliente receba as noticias sobre os assuntos que deseja, na periodicidade que deseja, no momento que deseja, no formato que deseja, sem qualquer custo adicional, atendendo milhares de clientes simultaneamente. Precisamos de novos modelos mentais para entender essa nova ordem econômico em que o valor do excesso se inverte com o causado pela escassez.

Pensando nos profissionais de informação nas empresas, precisamos antes de mais nada nos libertamos de certas restrições artificiais, herdadas ao longo do tempo, em relação aos papéis e responsabilidades numa organização.

Quem é o profissional da informação hoje e no futuro? Pode ser o analista de negócios, que buscando soluções de tecnologia que alavanquem a competitividade dos processos empresariais, traz informações do mundo exterior sobre melhores práticas, tecnologia emergentes, etc.

A lista de ocupações que estão cada vez mais centradas em informação não para de crescer. Por exemplo, as novas ocupações voltadas para produção, armazenamento, processamento e comunicação de informação estão surgindo, como os designers de informação.

Perspectivas Para os Profissionais da Informação

A tendência parece ser de que os conhecimentos e habilidades necessários para trabalhar com informações vão sendo incorporados a todas as ocupações. Do ponto de vista de formação para empregabilidade, percebe-se aqui um amplo espaço de atuação para os educadores, desde o ciclo básico de escolas.

Os profissionais da informação nas organizações começam a trazem para seu cotidiano um arsenal de instrumentos. O perfil necessário para esse tipo de profissional é variado. Os conhecimentos específicos sobre métodos, técnicas e ferramentas de gestão da informação e do conhecimento são a base, naturalmente, Mas o que o mercado está ansioso por encontrar são profissionais com algumas características fundamentais: capacidade de gerenciamento combinada com conhecimento técnico, expertise na área de atuação combinado com uma visão ampla de negócio, competência abrangente na especialidade aliada a uma cultura geral ampla, além naturalmente de confiabilidade, criatividade, ética e honestidade de propósitos.

Conclusão 

Nossa pesquisa, em torno do tema proposto, nos deu a oportunidade de conhecer e apreciar as idéias de um sociólogo italiano chamado: Domenico De Masi, que através de uma entrevista no programa "Roda Viva", na TV Cultura, em janeiro/99; nos deu alguma ajuda quanto a conhecer as idéias que rondam este novo século... estas nova idéias...

De Masi vê o século 21 dominado não pelo problema do trabalho, e sim pela temática da organização do ócio ( entendido não como "fazer nada", mas como tempo livre). A sociedade pós industrial e gerada pela própria sociedade industrial, na medida em que esta aperfeiçoa e difunde seus problemas de automatização e informatização do trabalho. A sociedade pos-industrial, esse fenômeno que já começou a existir, troca a produção de bens materiais pela produção de serviços, de informação e de conhecimento. Hoje em dia - diz ele -, o pais que conta com muitas industrias esta atrasado. A linha de montagem foi superada. A economia sadia avançada, segundo De Masi, não e unilateral, e sim diversificada, combinando a função agrícola e a industrial com o lazer. As condições para a construção da sociedade do lazer são: a grande arte, a grande literatura e a grande universidade. O Brasil conta de sobra com os dois primeiros fatores, mas falha no desenvolvimento na universidade na dedicação intensiva e extensiva ao estudo e a pesquisa cientifica.

O maior inimigo da criatividade organizada que caracteriza o mundo pos-industrial e o burocrata, o antípoda das inovações e do espirito criador. Os burocratas são "sádicos", só enxergam os limites e nunca as oportunidades; são "corruptos", tentam corromper os clientes com a exploração das dificuldades, dos prazos, etc. Atualmente, qualquer executivo pode terminar seu trabalho diário em cinco horas; mas o executivo representa uma comedia; faz de conta ter trabalho em demasia, inventa horas extras, para não ser capturado pela família e pela mulher, a qual, em geral, despreza. Propõe um sem-número de reuniões sem finalidade e de regulamentos "para os outros". E preciso começar a sanear o regulamento das empresas, eliminando, um a um, todos os preceitos sem razão de ser.

A imaginação criadora e importante, mas não basta; tem de se completar pela realização. Fantasia + realização e a proposta dos grupos de trabalho estudados em seu livro A Emoção e a regra. Tais grupos se constituíram na Europa, entre 1850 e 1950. E difícil deparar com a genialidade individual, mas e viável criar grupos que somem fantasia com realização. Um desses grupos foi a Escola de Biologia de Cambridge, que descobriu o DNA. Os cientistas produziram diversos desenhos da possível estrutura do DNA, a prior, sem base experimental. Na hora de testar aqueles desenhos surgiu a questão: qual deles? A resposta foi: o mais belo. Testou-se o desenho mais formoso e elegante. E não e que deu certo? O esquema do DNA era aquele mesmo. O episódio e importante para destacar a importância do espirito lúdico, do prazer de jogar, sem o qual não se constrói a ciência.

De Masi reconhece no desemprego crescente e mundial um perigo serio. Mas entende que a desocupação, que surge como uma ameaça, se revela logo uma oportunidade de reorganizar o trabalho e a sociedade. Para ele, aquelas três etapas da vida que andam separadas, o estudo, o trabalho e o tempo livre, tendem a integrar-se desde já. O tempo livre - diz De Masi - e o tempo do luxo; não da ostensão de riquezas ornamentais, mas da recuperação de alguns luxos hoje perdidos, como o tempo, o espaço, o silencio, a segurança. Por isso, respondendo a um dos jornalistas, declara De Masi que o principal valor que sustenta seu trabalho e a estética. A estética- afirma - e a disciplina que da sentido as coisas, unindo o fragmentário numa realidade inteiriça.

Espanha e Portugal, Brasil e Itália são países que chegaram por ultimo ao festival do desenvolvimento. Talvez porque o pensamento espanhol, a sociologia brasileira e o gênio italiano estejam reservados para brilhar na temporalidade do ócio, do tempo livre, no mundo pos-industrial.

BIBLIOGRAFIA

COHEN, David. As sete virtudes (revista Exame - Empresa do Novo Milênio)

DERTROUZOS, Michael. O que será? 1997. Editora: Companhia das Letras

SCHAFF, Adam. A Sociedade Informática 1ª ed. 1995 São Paulo: Unesp-Brasiliense

YONEJI, Masuda. A Sociedade da Informação:Como Sociedade Pós-Industrial Editora: Rio

YOUSSEF, Antônio Nicolau e FERNANDEZ, Vicente Paz. Informática e Sociedade- 1985 1ª ed. São Paulo Editora: Ática