Berenice
R. O. Namiki Monografia
apresentada no curso de Organização, Sistemas
e Métodos das Faculdades
Integradas Campos Salles,
sob orientação do Professor Mauro
M. Laruccia (Disponível
na rede desde novembro de 2000)
Introdução A
eficácia do Líder na
Organização. Os
líderes formam e desenvolvem equipes, transmitem
credibilidade, oferecem a colaboração,
fortalecem o pessoal através de transferência
de poder, capacitam, inspiram e motivam. Podemos
confirmar isso de acordo com as citações de
alguns autores: Cecília
Bergamini (1994) descreve a existência de duas
abordagens na definição do termo
liderança: Bergamini
(1994:103) aponta dois aspectos comuns às
definições de liderança: "Em primeiro
lugar, elas conservam o denominador comum de que a
liderança esteja ligada a um fenômeno grupal,
isto é, envolve duas ou mais pessoas. Em segundo
lugar, fica evidente tratar-se de um processo de
influenciação exercido de forma intencional
por parte dos líderes sobre seus
seguidores". O
que é relevante considerar, no estudo da
liderança, é sua relação com o
aspecto de motivação dos trabalhadores. Talvez
o termo "influenciação" utilizado por
Bergamini não reflita exatamente o que as modernas
concepções acerca de liderança
têm proposto. Bennis
e Nannus (1988:15), ao discorrerem sobre a questão,
propõem que líderes são aqueles que
"delegam poder aos empregados, a fim de que eles procurem
novas maneiras de atuar". Guerreiro
Ramos (1989:146), ao modelar a nova
organização como uma interação
de homens parentéticos, apresenta o líder como
"um agente capaz de facilitar o desenvolvimento de
iniciativas livremente geradas pelos indivíduos,
passíveis de se amalgamarem sob a forma de
configurações reais". Em outras palavras, um
agente de motivação. Max
De Pree (1989) refere-se ao líder como um servidor da
organização e das pessoas que trabalham com
ele. Todas
estas concepções possuem um traço em
comum: o líder deve proporcionar ao seu liderado o
apoio necessário à motivação no
trabalho. Em outras palavras, não cabe ao
líder influenciar o liderado a alcançar um
dado objetivo. A motivação para o alcance do
objetivo deve ser intrínseca ao trabalhador. Ao
líder, cabe o papel de facilitador. A
própria Bergamini (1994:105), ao analisar a
relação entre liderança e
motivação, constata que "esses dois termos, a
partir de um determinado momento, parecem definitivamente
unidos na teoria e na prática por uma
relação de causa e efeito". A autora salienta,
entretanto, que a função do líder
não é motivar seus liderados, pois a
motivação é uma força
intrínseca, mas cabe ao líder manter seus
liderados motivados. Esta proposta baseia-se na premissa de
que "quando aceitam um novo emprego, as pessoas, em geral,
estão cheias de esperanças e acalentam
expectativas, sendo, por isso, depositárias de um
rico manancial de motivação"
(p.105). Entretanto,
não é sempre que o líder irá se
deparar com uma equipe voluntariamente motivada. Muitas
vezes, ele precisa saber criar um ambiente no qual o
trabalhador possa despertar o seu potencial motivacional.
É certo que esta tarefa é muito mais
difícil do que apenas manter o trabalhador motivado.
Por isso, todo esforço no sentido de não
desmotivar um trabalhador é fundamental no processo
de liderança. Assim,
é possível dizer que ao líder cabem
dois papéis fundamentais: A
partir das análises feitas, é possível,
então, conceituar liderança como a capacidade
de acionar e manter a motivação dos
trabalhadores para o alcance dos objetivos propostos pela
organização. Pode-se, assim, conceber o
líder como o administrador empenhado em promover o
crescimento de seus subordinados rumo à
participação e à criatividade,
utilizando-se, para tanto, da delegação e
tornando-se, assim, nas palavras de Max De Pree, um
servidor. De
acordo com Hersey e Blanchard (1986:106), "na teoria da
administração científica ou
clássica, a função do líder era,
obviamente, a de estabelecer e fazer cumprir
critérios de desempenho para atender aos objetivos da
organização. O líder concentrava-se nas
necessidades da organização, e não nas
da pessoa". Robert
R. Blake e Jane S. Mouton (1989) procuraram representar os
vários modos de usar autoridade ao exercer a
liderança através do Grid Gerencial. Esta
representação possui duas dimensões:
preocupação com a produção e
preocupação com as pessoas. A
preocupação com a produção
refere-se ao enfoque dado pelo líder aos
resultados, ao desempenho, à conquista dos objetivos.
O líder com este tipo de preocupação
empenha-se na mensuração da quantidade e da
qualidade do trabalho de seus subordinados. A
preocupação com as pessoas diz respeito
aos pressupostos e atitudes do líder para com seus
subordinados. Este tipo de preocupação
revela-se de diversas formas, desde o esforço em
assegurar a estima dos subordinados e em obter a sua
confiança e respeito, até o empenho em
garantir boas condições de trabalho,
benefícios sociais e outras vantagens. O
Grid Gerencial Blake e Mouton (1989:13) onde o
inter-relacionamento entre as duas dimensões do Grid
Gerencial expressa o uso de autoridade por um
líder. Por
exemplo, quando uma alta preocupação com as
pessoas se associa a uma baixa preocupação com
a produção, o líder deseja que as
pessoas se relacionem bem e sejam 'felizes', o que é
bem diferente de quando uma alta preocupação
com as pessoas se associa a uma alta
preocupação com a produção. O
líder, aqui, deseja que as pessoas mergulhem no
trabalho e procurem colaborar com entusiasmo (Blake e
Mouton, 1989:14). Cinco
estilos básicos de uso de autoridade são
definidos por Blake e Mouton, a saber: "Exijo
de mim e dos outros. Investigo os fatos, as
crenças e as posições, a fim de
manter qualquer situação sob controle e
certificar-me de que os outros não estejam
cometendo erros. Não abro mão de minhas
opiniões, atitudes e idéias, mesmo que isto
signifique rejeitar os pontos de vista alheios. Quando o
conflito surge, procuro atalhá-lo ou fazer valer
minha posição. Dou grande valor a tomar
minhas próprias decisões e raramente me
deixo influenciar pelos outros. Assinalo fraquezas ou o
fracasso em corresponder às expectativas"
(p.38). "Tomo
a iniciativa de ações que ajudem e
apóiem os outros. Procuro fatos, crenças e
posições que sugiram estar tudo bem. Em
benefício da harmonia, não me inclino a
contestar os outros. Acato as opiniões, atitudes e
idéias dos outros, embora tenha
restrições. Evito gerar conflitos, mas se
ocorrerem, tento acalmar os ânimos, a fim de manter
todos unidos. Busco tomar decisões que preservem
as boas relações e estimulo os outros a
tomarem decisões sempre que possível.
Encorajo e elogio quando ocorre algo positivo, mas evito
dar um 'feedback' negativo" (p.53). "Faço
o suficiente para ir levando. Aceito os fatos, as
crenças e as posições que me
são fornecidos. Guardo minhas opiniões para
mim mesmo, mas respondo quando solicitado. Evito tomar
partido, não revelando minhas opiniões,
atitudes e idéias. Permaneço neutro ou
tento manter-me fora do conflito. Deixo os outros tomarem
suas decisões ou me conformo com o que quer que
aconteça. Evito fazer críticas"
(p.70). "Tento
manter um ritmo constante. Aceito os fatos mais ou menos
pela aparência e investigo os fatos, as
crenças e as posições quando surgem
discrepâncias óbvias. Expresso minhas
opiniões, atitudes e idéias como quem
tateia o terreno e tenta chegar a uma concordância
por meio de concessões mútuas. Quando surge
um conflito, tento encontrar uma posição
razoável, considerada conveniente pelos outros.
Procuro tomar decisões exeqüíveis que
os outros aceitem. Dou 'feedback' indireto ou informal
sobre sugestões para aperfeiçoamento"
(p.87). "Exerço
esforço vigoroso e os outros aderem
entusiasticamente. Procuro e confirmo as
informações. Solicito e dou
atenção a opiniões, atitudes e
idéias diferentes das minhas. Reavalio
continuamente meus próprios dados, crenças
e posições bem como os dos outros, a fim de
estar seguro da sua validade. Julgo importante expressar
minhas preocupações e
convicções. Reajo a idéias melhores
do que as minhas, mudando meu modo de pensar. Quando o
conflito surge, procuro saber seus motivos, a fim de
solucionar as causas subjacentes. Dou grande valor
à tomada de decisões certas. Procuro o
entendimento e o acordo. Encorajo o 'feedback' de
mão-dupla a fim de fortalecer a operacionalidade"
(p.104). Blake
e Mouton caracterizaram este último estilo como o
mais apropriado para o atingimento dos objetivos das
organizações. Os treinamentos realizados por
eles em programas de Desenvolvimento Organizacional visavam
a fazer com que os líderes adotassem o estilo (9,9).
Entretanto, pesquisas empíricas têm revelado
que nem sempre este tipo de estilo de liderança
é o mais indicado para a eficiência e
eficácia dos resultados. Quanto
mais os gerentes adaptarem seu estilo de comportamento de
líder no sentido de atender à
situação específica e às
necessidades dos seus subordinados, tanto mais eficazes
serão na consecução dos objetivos
pessoais e organizacionais (Hersey e Blanchard,
1986:117). É
neste contexto que surge a teoria situacional, na qual
postula-se a inexistência de um estilo ideal de
liderança. O líder ideal passa a ser aquele
que apresenta comportamento situacional, adequando o estilo
de liderança à situação e
às necessidades do liderado. Baseados
em observações acerca da eficácia dos
estilos de liderança, Paul Hersey e Kenneth Blanchard
(1986), pesquisadores do Center of Leadership
Studies, Califórnia, EUA, desenvolveram o modelo
da Liderança Situacional, o qual parte da premissa de
que a liderança eficaz é uma
função de três variáveis: o
estilo do líder , a maturidade do liderado e a
situação. Segundo
Hersey e Blanchard (1986:187), "maturidade é a
capacidade e a disposição das pessoas
de assumir a responsabilidade de dirigir seu próprio
comportamento". A
capacidade está relacionada com o conhecimento e a
habilidade necessários, ou seja, com o aspecto de
saber o que fazer e como fazer, o que pode ser conseguido
através de comunicação e
treinamento. A
disposição está relacionada com a
confiança e o empenho, com o querer fazer, com a
motivação. É possível, assim,
estabelecer quatro tipos de maturidade: O
nível de maturidade pode ser aplicado a
indivíduos ou a grupos. O líder que trabalha
com um grupo pode determinar sua maturidade através
da observação da predominância de
maturidades individuais. Hersey
e Blanchard salientam também que a maturidade de um
indivíduo ou de um grupo não é
absoluta, mas varia de situação para
situação. Dependendo da
atribuição, o indivíduo ou o grupo
podem assumir diferentes níveis de capacidade e
disposição. De
acordo com Hersey e Blanchard (1986), para fazer face aos
diferentes tipos de maturidade, o líder eficaz deve
utilizar-se de diferentes estilos de liderança. Cada
nível de maturidade suscita um estilo adequado de
liderança: Cada
estilo de liderança é uma
combinação de comportamentos de tarefa e de
relacionamento. As seguintes relações podem
ser feitas: Para
promover o crescimento do indivíduo para o
nível de maturidade mais alto (M4), não basta
apenas que o líder determine o nível de
maturidade de seu liderado e aplique o estilo de
liderança mais adequado. Este é um requisito
necessário mas não suficiente. O líder
precisa conduzir um processo de amadurecimento do liderado,
que deve ser lento e gradual, sempre no sentido M1 M2 M3
M4. A
chave da utilização da Liderança
Situacional consiste em avaliar o nível de maturidade
dos liderados e comportar-se de acordo com o modelo. Na
Liderança Situacional está implícita a
idéia de que o líder deve ajudar os liderados
a amadurecer até o ponto em que sejam capazes e
estejam dispostos a fazê-lo. Esse desenvolvimento dos
liderados deve ser realizado ajustando-se o comportamento de
liderança, ou seja, passando pelos quatro estilos
[...] (p.193). A
Liderança Situacional baseia-se na premissa de que
para pessoas com pouca capacidade e disposição
(M1) é preciso mais controle e
estruturação das tarefas. À medida que
a pessoa vá se tornando capaz (M2), o controle deve
ir diminuindo e o apoio sócio-emocional deve ir
aumentando. Uma vez que a capacidade e a
disposição tornam-se ainda maiores (M3), o
líder deve diminuir ainda mais seu controle e
também seu comportamento de relacionamento.
Finalmente, para pessoas com alta maturidade (M4), já
não é mais necessário apoio
sócio-emocional. Estas pessoas preferem a autonomia,
sentindo-se satisfeitas quando as tarefas e as
decisões são deixadas por sua conta.
Porém, "isto não quer dizer que haja menos
confiança mútua e amizade entre líder e
liderado. Pelo contrário, a confiança e a
amizade são maiores ainda, mas o líder precisa
adotar menos comportamento de apoio para provar isso"
(p.193). Hersey
e Blanchard (p.263) ressaltam que as pessoas estão
sujeitas, por fatores internos e externos à
organização, a regredir em seu nível de
maturidade. Neste caso, o líder deve reavaliar a
maturidade do subordinado, voltando ao estilo de
liderança adequado, a fim de fornecer-lhe apoio
sócio-emocional e direção apropriados.
Os líderes devem estar constantemente atentos
às situações de regressão, pois,
de acordo com Hersey e Blanchard (p.267), o processo de
retorno a um estágio já anteriormente
alcançado será tão mais dispendioso
quanto o tempo decorrido entre a regressão e a
efetiva intervenção de apoio. Conclusão Com
base nas justificativas e citações, podemos
concluir que a eficácia da Liderança depende
de ter o máximo possível de variáveis
sob nosso controle. O
líder reparte o poder, provoca auto-imagem, estimula
o saber, decidir e fazer. Podemos
citar algumas variáveis: A
liderança deve desempenhar um papel essencialmente
educadora, levando as pessoas a se desenvolverem, a
sintonizarem idéias, a disseminarem adequadamente
valores. As
mudanças para ampliar a eficácia exigem que os
líderes abandonem modelos impíricos que
estão geralmente contaminados pela excessiva
valorização da figura de autoridade, passando
a se basear em conceitos e práticas das
ciências humanas adequadas a liderança
eficaz. Podemos
citar algumas habilidade indispensáveis: Bibliografia BENNIS,
Warren & NANUS, Burt. Líderes:
estratégias para assumir a verdadeira
liderança. São Paulo: Harbra,
1988. BERGAMINI,
Cecília W. O que não é
motivação. Revista de
Administração de Empresas, São
Paulo, vol.21, n.4, p. 3-8, out./dez.1986. BLAKE,
Robert R. & MOUTON, Jane S. O Grid Gerencial III.
São Paulo Editora Pioneira, 1989. HERSEY,
Paul & BLANCHARD, Kenneth H. Psicologia para
administradores: a teoria e as técnicas da
liderança situacional. São Paulo: EPU,
1986. PREE,
Max De. Liderar é uma arte: vencendo a crise e a
inércia com uma administração
inovadora. São Paulo: Best Seller,
1989. RAMOS,
Alberto G. A nova ciência das
organizações: uma
reconceituação da riqueza das
nações. Rio de Janeiro: Editora da
Fundação Getúlio Vargas,
1989.
Celso
Gimenes Gomes
Silmara
Aparecida Orsi Zeferino