Habilidades em Comunicação

Helaine Cristina Zafra
Patrícia Alves Barros

Monografia apresentada no curso de Organização, Sistemas e Métodos das Faculdades Integradas Campos Salles, sob orientação do Professor Mauro M. Laruccia

(Disponível na rede desde novembro de 2000) 


Introdução

Uma organização é um grupo de indivíduos unidos para a realização de uma meta em comum, a comunicação eficaz é absolutamente essencial para o sucesso gerencial e organizacional.

Se um gerente não conseguir se comunicar com seus subordinados, as funções gerenciais terão pouco sucesso. Funcionários que não compreendem aquilo que é esperado no local de trabalho têm pouca, se tiverem alguma, chance de alcançar os resultados desejados.

A Força da Comunicação procura não só dar ao gerente uma ampla visão das funções da comunicação, mas também instruí-lo sobre como a comunicação pode criar valores e levar a organização para frente, para fazer dinheiro e desempenhar um papel responsável como importante instituição na sociedade.

O foco específico de estarmos abordando este tema é a administração da comunicação dentro de organizações e a forma como os gerentes podem utilizar o enorme poder que ela tem para criar valores e impulsionar o organização par frente.

Afirma Corrado (1994:06) que "o papel da comunicação não deve ser tentar corrigir alguma falha existente entre o empregador e o empregado, mas sim criar valores mensuráreis para o organização, por meio de seu uso eficiente na organização. Isso significa que a administração considerará cada vez mais importante aperfeiçoar a comunicação com os empregados, por meio de palavras e ações, a fim de alcançar suas metas de melhor produtividade, serviço ao cliente e qualidade".

O modelo do processo básico de comunicação consiste nos seguintes fenômenos: codificação, filtragem, emissão, ruído (interferência ), recepção, filtragem, decodificação e feedback.

A comunicação começa com a ação de codificação da mensagem, demonstrada aqui como um computador. O ato de codificação de uma mensagem é um procedimento complexo que envolve não apenas a seleção do que deve ser comunicado, mas também a seleção do canal de comunicação( o veículo). A mensagem passa então pelos filtros pessoais do indivíduo e é enviada. Aqui a emissão é indicada como um processo mecânico de uma onda de rádio que é então influenciada por fatores atmosféricos. Chamados de ruídos. Esse ruído atmosférico pode distorcer a mensagem antes que ela seja recebida. A mensagem é recebida, passa pelos filtros pessoais do receptor, e é então decodificada. Como pode ser visto até o processo básico de comunicação é complexo: não de se surpreender que as pessoas freqüentemente não se compreendam.

A comunicação começa com o emissor codificando uma mensagem e termina com o receptor decodificando a mensagem. Entre esses dos pontos a mensagem passa pelos filtros tanto do emissor quanto do receptor e pelo ruído externo.

A Mensagem

Em sua forma básica, a mensagem é qualquer estímulo que pode evocar uma resposta. A comunicação pode ser por escrito, verbal ou visual. As primeiras duas formas são usadas rotineiramente por gerentes; ou eles escrevem ou falam com seus subordinados. A terceira forma ocorre toda vez que olhamos para algo e recebemos uma mensagem. Na maioria das culturas a cor vermelha comunica perigo e é usada em placas e sinais de trânsito para avisar o pedestre e o motorista que devem parar. De modo inverso, a cor verde funciona para dar permissão para seguir. Cada uma dessas cores transmite uma mensagem visualmente, sem qualquer palavra escrita ou verbal que a acompanhe.

Imagens também transmitem mensagens. Todo mundo já viu a figura estilizada de um homem ou uma mulher na porta de um banheiro em um restaurante ou hotel e reconheceu imediatamente qual dos dois usar. Utilizar símbolos universalmente aceitos e reconhecidos é um mecanismo importante de comunicação para os patrocinadores de ventos esportivos internacionais, como as Olimpíadas.

Como as mensagens podem ser transmitidas verbal e visualmente, isso muitas vezes prejudica a eficácia da comunicação: uma pessoa pode transmitir uma mensagem com palavras e uma mensagem diferente através do que chamamos de linguagem corporal. Um exemplo é um gerente que encoraja verbalmente um funcionário enquanto olha fixamente para o chão, demonstrando falta de sinceridade. As palavras transmitem uma mensagem e a postura do corpo transmite outra diferente. Cabe ao receptor decidir qual das mensagens é a correta, ou seja, conciliar as diferenças nas mensagens recebidas.

Além da audição e da visão, o tato e o olfato e o paladar também são sentidos capazes de receber estímulos e de responder a eles, ou seja, também podem ser usados na comunicação. O sentido do tato, por exemplo, é usado pelos cegos para se comunicarem. O método Braille de pontinhos elevados em uma página permite aos cegos ler por meio do tato.

O sentido do olfato também pode comunicar uma mensagem. Isso é pouco comum com humanos, embora seja amplamente empregado no mundo animal, alguns animais têm um olfato extremamente apurado. No entanto o sentido do olfato funciona e é ocasionalmente usado para transmitir mensagens, mesmo que não sejam convencionais. Essências industriais foram desenvolvidas imitando "o cheiro de carro novo". Essa essência, vendida em latas de aerosol, é usada por revendedores de automóveis em carros usados para transmitir a mensagem de que esses carros são quase novos. A mesma empresa fabricante do "cheiro de carro novo" já enlatou um "cheiro de pão no forno" para supermercados que não têm padaria em suas instalações mas que querem estimular clientes a comprarem pão.

Codificação e Emissão

Montana & Charnov (1999) afirmam que ao "Codificar uma mensagem envolve a formulação do conteúdo e a seleção de um veículo eficaz para sua transmissão. Portanto, uma mensagem tem esses dois componentes diferentes &endash; conteúdo e veículo - que, precisam complementar um ao outro. Se um deles, não for apropriado, será difícil uma comunicação eficaz, se não impossível.

Gerentes precisam escolher o que querem comunicar e precisam decidir como fazer a comunicação. Esta é uma decisão importante. Se a maneira escolhida para a comunicação não for apropriada para a mensagem, haverá uma interferência destrutiva entre o canal de comunicação e o conteúdo da mensagem. Considere o exemplo a seguir. Um gerente grita para um subordinado para fazer uma tarefa simples imediatamente. O canal de comunicação é verbal, e o conteúdo, a tarefa. O problema surge porque o gerente gritou com o subordinado sugerindo urgência. No entanto, a tarefa era simples e o sentido de urgência que foi criado não era apropriado. O subordinado pode ficar tentando imaginar o porquê da necessidade de urgência quando a tarefa claramente era comum e rotineira. Se casos como esse acontecerem com certa freqüência com esse gerente, os subordinados aprenderão rapidamente a desconsiderar a urgência sugerida e quando o gerente tiver um comando realmente urgente, os funcionários poderão desconsiderar o pedido do gerente. Para a comunicação ser eficaz, os gerentes precisam ter certeza de que o conteúdo e o veículo são apropriados.

Gerente confrontam-se com a questão de como comunicar de maneira apropriada, e portanto eficaz. Falo com o funcionário? Envio um memorando? Uma carta formal? Devo gritar e berrar, ou me manter calmo e tranqüilo? Tais questões são respondidas como parte de uma consideração mais ampla: O que transmitiria a mensagem da forma mais eficaz? Um dos principais problemas que os gerentes enfrentam diz respeito a que palavras usar para transmitir a mensagem com eficácia.

O veículo escolhido para a transmissão também deve ser apropriado em todos os aspectos. Se o gerente desejar transmitir um senso de importância e seriedade, uma carta formal é apropriada. Se houver um desejo de transmitir um senso de informalidade, no entanto, um memorando será o suficiente. O meio que for escolhido, o veículo, influenciará diretamente a eficácia da comunicação. Se a intenção for transmitir um alerta, deve ser disparada uma campainha, e não uma sinfonia. Um telegrama transmite intenções diferentes do que aquelas transmitidas por um cartão postal. A seleção do veículo mais apropriado é uma das decisões mais importantes tomadas por um gerente na comercialização de um novo produto com eficácia. Se você quiser influenciar os consumidores a comprar um piano Steinway, será mais eficaz anunciar em uma estação de rádio que destaca música de concertos e ópera do que em uma estação que destaca o heavy metal ou rap.

Quando discutimos a decodificação da mensagem, consideraremos separadamente o conflito de mensagem simultâneas. As pessoas são capazes de transmitir várias mensagens ao mesmo tempo, algumas intencionais e outras não e essas mensagens interferem uma com a outra". (Montana & Charnov, 1999)

Filtro

Esse é um processo que ocorre tanto com o emissor quanto com receptor de uma mensagem. É um processo psicofisiológico e é uma experiência bastante comum. Considere o diálogo entre duas pessoas em uma festa barulhenta. Para filtrar o barulho de fundo, elas conversam mais alto do o normal. Elas se tornarão conscientes do processo de filtragem se alguém na sala mencionar o nome de uma delas &endash; ninguém filtra seu próprio nome. Imediatamente essas pessoa se tornarão conscientes do barulho de fundo e de que o estão filtrando. Esse é um processo fisiológico no qual o barulho de fundo está causando um impacto no sistema de audição dessas pessoas, mas não esta sendo reconhecido pelos centros de reconhecimento do cérebro.

Já Bateman & Snell (1998:413), "afirmam que na filtragem quando as mensagens são passadas de uma pessoa para outra, alguma informação é deixada de fora. Quando uma mensagem passa por muitas pessoas, cada transmissão pode causar mais perdas de informação. A mensagem também pode ser distorcida à medida que as pessoas acrescentam suas próprias acrescentam suas próprias palavras e interpretações. Afirmam também que a filtragem coloca sérios problemas para a organização. À medida que as mensagens vão passando de cima para baixo através de vários níveis organizacionais, muita informação se perde".

O processo de filtragem também é de natureza psicológica: um preconceito causará distorção na comunicação. Um gerente que tem algum preconceito contra mulheres no local de trabalho pode ter esse preconceito influenciando a natureza de sua comunicação com suas funcionárias. É importante reconhecer que o processo de filtragem funciona tanto no emissor quanto no receptor e tem o poder de distorcer a mensagem. O ruído também tem o poder de distorcer a mensagem, mas difere do filtro porque não faz parte nem do emissor nem do receptor.

As partes de uma mensagem &endash; o conteúdo e o veículo &endash; precisam se complementar. Gerentes eficazes precisam Ter certeza de que estão enviando uma mensagem apropriada no todo. Também precisam estar conscientes de que tanto o emissor quanto o receptor filtram mensagens e de que a mensagem que pensaram ser transmitido pode não ser a mensagem que foi recebida.

Ruído

No processo de comunicação, o ruído esta situado entre a emissão e a recepção e pode distorcer a mensagem. Considere duas pessoas conversando e, ao fundo, o som de uma britadeira. As pessoas não conseguiram ouvir todas as palavras muito claramente por causa da britadeira. O som da britadeira é o ruído, que distorce a mensagem. Portanto, ruído é qualquer coisa que não faz parte nem do emissor nem do receptor e que tem o poder de distorcer a mensagem. É uma obrigação do emissor minimizar o ruído para se assegurar da eficácia da comunicação.

Decodificação

A decodificação é a interpretação da mensagem pelo receptor. É importante reconhecer que a mensagem pode ter sido alterada três vezes antes de ser decodificada: (1) pelo filtro do emissor. (2) pelo ruído e (3) pelo filtro do receptor. No entanto, a decodificação da mensagem não é meramente o processo de aceitação e de compreensão da mensagem filtrada. Como já vimos, uma mensagem pode ser qualquer estímulo que evoca uma resposta e já que mais de uma sentido pode ser estimulado ao mesmo tempo, o receptor pode receber mais de uma mensagem simultaneamente. É durante a decodificação que mensagens contraditórias são conciliadas.

Vamos voltar ao gerente preconceituoso. Se ele dirigir a uma funcionária palavras de elogio enquanto olha para o espaço, com um desinteresse generalizado, as palavras transmitirão uma mensagem e a postura do corpo transmitirá outra diferente. O receptor precisa decidir qual a mensagem correta &endash; ele precisa conciliar as diferenças das mensagens recebidas na fase de decodificação do processo de comunicação. O contexto da comunicação influenciará a seleção da mensagem correta pelo receptor. Nesse caso , se o relacionamento e subordinada for bom, a funcionária provavelmente acreditará e aceitará as palavras e ignorará a mensagem visual da linguagem do corpo. Caso contrário, a subordinada provavelmente aceitará a mensagem "Na verdade não estou interessado em seu desempenho" transmitida pela linguagem corporal. A tarefa do gerente que deseja efetuar uma comunicação bem &endash; sucedida é minimizar as mensagens contraditórias e, quando existirem mensagens simultaneamente transmitidas, ajudar o receptor na função de decodificação. Isso pode ocorrer durante o feedback.

Feedback

Existe um canal de feedback que é colocado no processo de comunicação. Mesmo enquanto um indivíduo está transmitindo uma mensagem, são recebidas informações de feedback com o poder de modificar a mensagem transmitida. Por exemplo, se um gerente estiver falando duramente com um subordinado e perceber que ele está ficando com raiva, o gerente pode amenizar a mensagem e dessa forma diminuir a raiva do funcionário.

O feedback é fundamental para o emissor da mensagem. Ao examinar e avaliar o feedback, o emissor pode ganhar um discernimento valioso sobre a maneira como a mensagem está sendo recebida. Se um gerente enviar uma mensagem favorável para um funcionário mas descobrir durante o feedback que o funcionário recebeu uma mensagem negativa, o gerente pode concluir que a mensagem que ele pretendeu enviar originalmente ficou distorcida. Muitos gerentes embutem um pedido formal de feedback dentro da própria mensagem ao pedir confirmação. Através desse mecanismo, o gerente pode averiguar se a mensagem pretendida foi a mensagem recebida e decodificada. Gerentes também podem ter um feedback imediato ao pedir para o subordinado repetir a mensagem.

BARREIRAS A UMA COMUNICAÇÃO EFICAZ

Existem várias barreiras a uma comunicação eficaz. Entre as mais comuns estão a sobrecarga e a complexidade das mensagens; mecanismos pessoais de distorção, como a falta de atenção ou a falta de vocabulário comum; e mecanismos psicológicos de distorções, como a racionalização e a negação.

Sobrecarga de Mensagens

Publicitários estão cientes de que colocar anúncios em demasia em uma página é muito ineficaz, porque os anúncios acabam competindo entre si pela atenção do leitor. Cada mensagem de anúncio é um estímulo visual, e várias mensagens apresentadas simultaneamente resultam no que chamamos de sobrecarga de mensagens ou de estímulos. Na sobrecarga de mensagens várias mensagens que competem entre si simultaneamente; como resultado, ou nenhuma mensagem é decodificada ou aquelas que são decodificadas são distorcidas.

Os gerentes devem limitar o número de mensagens transmitidas de uma única vez. Mensagens em demasia criarão uma condição de sobrecarga interferirão severamente com a comunicação eficaz. As mensagens precisam ser priorizadas &endash; a mais importante para a situação atual deverá ser transmitida primeiro. Considere a situação do gerente que quer notificar os membros do departamento sobre um novo procedimento para tirar férias, quer informar sobre uma mudança no plano de saúde e quer anunciar um aumento de salário. Se todas as três informações forem colocadas no mesmo envelope, isso poderá criar uma sobrecarga de mensagens. Uma maneira melhor de apresentar essas informações seria dividi-las em três envelopes. Mensagens lidas separadamente são mais seqüenciais do que simultâneas. O que reduz a concorrência pela atenção do leitor.

Pouca informação é ruim para a eficácia gerencial, mas as informações mas as informações em demasia também fazem mal &endash; acabam levando a uma sobrecarga de mensagens. Os gerentes devem evitar esses dois extremos.

Complexidade da Mensagem

Existe maior dificuldade em decodificar uma mensagem complexa do que uma mensagem simples. Em uma mensagem complexa o receptor precisa tentar entender os muitos componentes da mensagem e também os inter-relacionamentos desses componentes. A tarefa do gerente é reduzir a complexidade da mensagem, se possível. Freqüentemente isso pode ser realizado com mensagens progressivas: subdivisão de uma mensagem complexa em várias mensagens menores e mais simples.

Subdividir não é meramente inserir pontos em uma mensagem que contém vírgulas &endash; como se faz para criar muitas frases simples de uma frase complexa. É preciso que a subdivisão seja seqüencial e organizada. Se, por exemplo, a mensagem que esta sendo simplificada contém instruções para ações seqüenciais, a seqüência da instrução precisa ser preservada na ordem das mensagens simplificadas. Para indicar a seqüência de leitura das mensagens, elas podem ser colocadas em ordem numérica ou conter uma sinopse. A sinopse pode ser um parágrafo introdutório ou uma chamada para o que será descrito a seguir. Ela lembra o leitor do que foi discutido anteriormente.

Mecanismos Pessoais de Distorção

As pessoas também têm mecanismos pessoais que interferem na comunicação. Esses mecanismos incluem falta de atenção, avaliação precipitada e falta de um vocabulário comum.

Falta de Atenção

A falta de atenção pode decorrer da diferença na velocidade na qual uma pessoa fala e a outra escuta. Muitas vezes a mente da pessoa que está escutando processa as informações a uma velocidade muito mais rápida do que a empregada na transmissão da mensagem. A mente do receptor completa a mensagem antes que emissor termine de enviá-la e monta as partes em um todo. Considere a seguinte mensagem: "Os Estados Unidos da América". A maioria dos receptores saberia o que era a mensagem no momento em que o emissor tivesse dito "Os Estados Unidos", e alguns poderiam até ter completado a mensagem ao ouvir "Os Estados".

Decodificada a mensagem, mesmo que o emissor ainda não tenha terminado de falar, a atenção do receptor pode se desviar momentaneamente. A diferença na velocidade entre a emissão e a recepção também leva a uma dificuldade diferente &endash; a avaliação precoce.

Avaliação Precipitada

Quando receptor completa a mensagem antes de recebê-la por inteiro, ele pode avaliar seu conteúdo de forma precipitada. Isso pode levar o receptor a tirar falsas conclusões e presumir que a mensagem seja algo diferente do que ela realmente é. Obviamente, "tirar conclusões" pode ser muito destrutivo para a comunicação eficaz já que aquilo que a pessoa presumiu que foi dito pode ser muito diferente daquilo que foi realmente comunicado. Além disso, se as palavras forem escolhidas de forma negligente pelo emissor, isso poderá exacerbar ainda mais as dificuldades, especialmente se o emissor e o receptor compreender as palavras de forma errônea. Essa circunstância é caracterizada como uma "falta de um vocabulário comum", e é um problema sério e muito comum na comunicação.

Falta um Vocabulário Comum

Uma palavra pode ter vários significados diferentes. Ela tem um significado denotativo, a definição explícita do termo, mas pode ter vários significados conotativos, ou significados por associação. O significado pretendido pelo emissor é freqüentemente determinado pelo contexto específico no qual a palavra é encontrada.

Às vezes as diferentes interpretações do que foi dito vêm de uma ambigüidade intrínseca às palavras que estão sendo usadas. Por exemplo na Sexta-feira um gerente diz a um subordinado que ele quer que o relatório esteja terminado até a "semana que vem". Na Segunda-feira, o gerente pede ao funcionário o relatório completo, e o funcionário responde que ele estará pronto, em tempo, mas para o final de semana. O gerente está bravo porque o relatório não está terminado, e o funcionário esta confuso pela raiva e o desapontamento do gerente. Nesse caso, a fonte das dificuldades pode ser encontrada nas interpretações diferentes da frase "semana que vem". O gerente quis dizer "até Segunda-feira", mas o subordinado entendeu a mesma frase como significando "até Sexta-feira". O gerente codificou e enviou uma mensagem e o funcionário recebeu e decodificou uma mensagem decididamente diferente.

Comunicação de Cima para Baixo

A administração costumeiramente comunica informações para baixo sobre o direcionamento e o controle do desempenho para os subordinados na organização. Já que as políticas que causam um impacto na organização como um todo são formuladas nos níveis mais altos da organização, não é de se surpreender que a comunicação da alta gerência também dê inicio aos regulamentos e políticas organizacionais. Os altos executivos de uma empresa normalmente presumem que se enviarem um memorando ou fizerem um discurso, todo mundo na organização receberá a mensagem. Freqüentemente não é esse o caso, e as pessoas que estão em níveis inferiores na organização reclamam regularmente de que a informação está sendo omitida deles pela alta gerência. Isso sugere que um dos perigos na comunicação para baixo é a filtragem organizacional que ocorre tanto com os superiores quanto com os subordinados.

Bateman & Snell (1998:414) dizem que "os administradores podem fazer muitas coisas para melhorar a comunicação de cima para baixo. Em primeiro lugar, a administração deve desenvolver procedimentos e políticas de comunicação. Em segundo lugar, a informação deve estar disponível àqueles que dela necessitam. Em terceiro lugar, a informação deve ser comunicada de forma adequada e eficiente. As linhas de comunicação devem ser tão diretas, breves e pessoais quanto possível. A informação deve ser clara, consistente e pontual &endash; nem muito precoce nem (o que é um problema mais comum) muito atrasada".

Pode ser que o executivo em questão não tenha estimado corretamente a quantidade de informação necessária para o subordinado, e portanto ele transmite menos do que o adequado. Isso resulta em uma comunicação incompleta, e leva o subordinado a desconfiar da alta gerência. Essa desconfiança dificultará qualquer comunicação subsequente. Essa transmissão abaixo do necessário, no entanto, pode ser ou não intencional.

Uma Segunda razão pela qual altos executivos podem não transmitir informações o suficiente é para criar dependência. Ao controlar propositadamente as informações necessárias, o gerente fará com que o subordinado fique dependente dele para obter dados necessários. Embora o fomento dessa dependência possa satisfazer as necessidades do gerente inseguro, no final ela também cria ressentimento por parte do subordinado e aumenta a possibilidade de o subordinado não ter as informações necessárias na hora apropriada para a realização da tarefa designada. Tal falta de informações necessárias aumenta a chance de fracasso por parte do subordinado, com um impacto negativo sobre a realização da meta organizacional. Devido ao potencial de um impacto negativo no eventual sucesso da organização, a retenção de dados deve ser desencorajada como um estilo gerencial.

Os gerentes podem ainda reter dados dos subordinados por não confiarem totalmente nos mesmos. Se houver alguma razão para se acreditar que não se pode confiar totalmente a algum funcionário informações importantes da organização, a retenção de informações necessárias é uma solução temporária que não estará na política da empresa a longo prazo. Não há nenhuma garantia de que o funcionário não confiável eventualmente não obterá as informações de algum par ( uma comunicação lateral, discutida a seguir ). Além do mais, se a informação é realmente necessária para executar a tarefa, a falta de dados adequados impedirá a realização bem sucedida da tarefa. Claramente, essa é a pessoa errada para se Ter nessa posição, e a empresa deveria seriamente considerar o término do vínculo empregatício ou a remoção do indivíduo de tal posição.

Se o indivíduo não for merecedor de confiança devido a uma condição transitória &endash; extrema dificuldade financeira temporária, severo estress emocional ( causado por condições como uma morte na família, ou um divórcio, ou dificuldades com os filhos ) ou uma doença pessoal -, pode ser a hora de uma transferência para uma posição onde tais informações não sejam necessárias. Isso permitirá à empresa reter o funcionário em uma posição onde a possibilidade de realização de tarefas é mais provável. Se o funcionário se frustrar por ser colocado em uma posição de menos confiança, com talvez menos responsabilidade e poder organizacional, a administração poderá deixar claro que a transferência esta relacionada a uma condição passageira.

Se a falta de confiança se deve a uma falha de caráter que ficou evidente por um comportamento passado não aceitável pela empresa pode estar na hora de encerrar o vínculo empregatício. Exemplos de tais comportamentos são vícios de drogas a muito tempo, roubo, divulgação de informações corporativas aos concorrentes e condenação por algum crime sério. Se essa pessoa permanecer na empresa, sempre haverá uma dúvida por parte de subordinados, pares e gerentes sobre sua confiabilidade. Pode ser melhor que para o indivíduo e para a empresa que seja encerrado o vínculo empregatício &endash; o indivíduo poderá recomeçar em algum lugar onde essa confiança possa ser construída sem o estigma imediato de feitos passados, e a empresa poderá contratar um funcionário para a posição no qual possa confiar as informações necessárias para realizar as tarefas designadas.

Essas razões não se aplicam, no entanto, se a desconfiança do gerente com relação a um funcionário específico não for justificada.

É uma prática comum para a administração transmitir informações para baixo, para os níveis inferiores da organização. Para que essa comunicação, os gerentes precisam se assegurar de que todas as informações necessárias estão incluídas na transmissão de forma aceitável para o subordinado, ou seja, a comunicação precisa ser feita em um vocabulário de fácil compreensão. Portanto, a comunicação para baixo pode forçar o gerente a fazer uso de vocabulário decididamente diferente do que aquele normalmente usado quando ele se comunica com os gerentes de nível mais alto. Dada a importância de um vocabulário comum para facilitar uma comunicação eficaz, o fato de um gerente usar um vocabulário para falar com seus subordinados e outro para falar com seus pares ou superiores não deve ser confundido com algum tipo de esnobismo.

Comunicação de Baixo para Cima

Bateman & Snell (1998:414) "A comunicação de cima baixo vai dos níveis mais baixo da hierarquia para os mais altos. Esse tipo de comunicação é importante por vários motivos.

Em primeiro lugar, é um meio para os administradores saberem o que está acontecendo. A administração obtém um quadro mais nítido do trabalho, das realizações, problemas, planos e atitudes dos funcionários. A administração também obtém as idéias dos subordinados. Em segundo lugar, os funcionários se beneficiam com a oportunidade de comunicar para cima. As pessoas pode aliviar algumas de suas frustrações, atingir um senso mais forte de participação no empreendimento e melhorar seu ânimo. Em terceiro lugar, a comunicação eficaz de baixo para cima facilita a comunicação de cima para baixo à medida que a boa audição se torna uma via de mão dupla."

Montana & Charnov (1999), da mesma forma que a filtragem opera na transmissão de informações, para baixo, ela também opera na transmissão de informações para cima. Já que a informação que é transmitida para cima é usada para o planejamento e para as tomadas de decisão, ela rotineiramente envolve o nível de desempenho alcançado e a identificação de problemas. O subordinado que informa a alta gerência sobre a realização de sucesso pode fazê-lo com boa vontade, mas freqüentemente há grande relutância quando as notícias a serem transmitidas não são favoráveis. Ninguém deseja ser portador de notícias ruins, com medo, com alguma justificativa, de que as notícias ruins sejam associadas ao mensageiro. Informações sobre um desempenho ruim ou uma situação desfavorável podem ser transmitidas para cima de forma censurada, ou podem até ser omitidas da alta gerência. As informações sobre um desempenho ruim poderão ser negadas à alta gerência, pois serão filtradas pelos subordinados.

Decisões gerências que dependem de informações são tão boas quanto as informações nas quais estão baseadas. Se a informação foi censurada, as tomadas de decisão subsequentes sofrerão. A alta gerência pode se ver tomando decisões baseadas em informações incompletas ou incorretas porque os subordinados omitiram informações sobre um desempenho ruim. Existem outras razões pelas quais informações incompletas são transmitidas para cima. O comportamento em uma organização ocorre dentro de uma amplitude aceitável definida por limites mínimos e máximos. Os subordinados que desejam recompensas organizacionais (salário e promoções) tendem a transmitir informações que caem dentro dessa amplitude aceitável. Tais informações são "seguras" e não fazem com que o emissor seja examinado exageradamente e acima do normal. Esses funcionários podem ser considerados pelos pares como pessoas que sempre concordam com os superiores, que sempre dizem ao chefe o que ele que ouvir. No final, isso não é bom nem para o indivíduo nem para a empresa. O indivíduo não demonstra nenhuma originalidade e não assume nenhum risco ao jogar sempre de forma segura, e a empresa perde a criatividade de um subordinado e as novas idéias que poderiam surgir com ela.

Além disso, assim como um gerente pode desconfiar de seus subordinados, os subordinados podem desconfiar do gerente. Essa desconfiança pode estar baseada em experiências passadas. Um gerente que não é leal a seus subordinados e que trai sua confiança não terá uma boa reputação e não será confiável. Uma reputação dessas se torna parte da organização informal &endash; novos funcionários podem ser informalmente avisados por outros funcionários para não cofiam em um determinado gerente, e essa desconfiança passará de geração a geração organizacional. Se um gerente adquire má reputação, será difícil atingir o sucesso, já que os subordinados considerarão todas as tentativas de motivação, direção e avaliação do desempenho de funcionário com um certo grau de suspeita. Os gerentes devem ter como prioridade ganhar, merecer e manter a confiança de seus subordinados.

Às vezes o gerente, e não a organização. É o responsável pela filtragem feita por subordinados. Os gerentes podem deixar bem claro que não querem saber sobre alguma coisa, e os subordinados cumprirão à risca. Dizer ao subordinado "aumentar uma conta de despesas de viagem não tem problema, contanto que eu não saiba a respeito", ou "faça a venda, mas não me diga como foi que você conseguiu", é a mesma coisa que dizer "minta para mim: não me dê essas informações!". As expectativas gerenciais podem levar à filtragem pelos subordinados de informações específicas, e embora isso possa ser aceitável para o gerente que comunicou essas expectativas, não é uma práticas benéfica para as tomadas de decisão da organização, que dependem de informações válidas.

Gerentes devem lembrar que a chave para o sucesso da comunicação transmitida para cima é a confiança no subordinado que está transmitindo as informações. Se não houver confiança, o subordinado ficará tentado a se garantir e apenas transmitir as informações que julgar seguras. Um gerente nunca deve presumir a confiança dos subordinados &endash; ela não é imposta ou exigida, mas sim merecida. Os gerentes precisam trabalhar para merecer e manter a confiança dos funcionários.

Comunicação Lateral e Diagonal

Existem duas formas adicionais de comunicação organizacional, que não seguem o organograma tradicional de hierarquia como o fazem as comunicações para cima e para baixo. São as formas lateral e diagonal de comunicação, que diferem entre si em termos dos níveis organizacionais envolvidos. A comunicação lateral é entre indivíduos ou departamentos diferentes que estão no mesmo nível hierárquico. A comunicação diagonal envolve a comunicação entre dois níveis hierárquico diferentes. Pesquisas têm demonstrado que os gerentes passam uma grande parte do dia envolvidos em comunicação lateral e diagonal: quanto maior a interdependência dos vários departamentos de uma organização, maior a necessidade por comunicação e transferências de mensagens diagonais e laterais. Portanto, de um modo muito real, a complexidade crescente da moderna estrutura de negócios tem sentido a necessidade da criação das formas lateral e diagonal de comunicação. Mesmo que essas formas de comunicação não sigam a estrutura tradicional das organizações, ainda são vitais para o funcionamento da complexa organização atual.

Já que as formas lateral e diagonal de comunicação violam as formas tradicionais de comunicação organizacional de cima para baixo e de baixo para cima, elas freqüentemente rompem com o formato normal de trabalho. Subordinados que participam dessas formas não tradicionais de comunicação freqüentemente ficam sabendo de novos eventos antes que seus gerentes. As vantagens dessas formas de comunicação são que (1) espalham informações com mais rapidez do que os formatos tradicionais, (2) servem para conectar grupos que de outra forma teriam de se comunicar através dos canais de comunicação para cima ou para baixo, que são muito mais lentos, ou simplesmente não se comunicarem e (3) permitem que indivíduos com uma diversidade de conhecimentos de áreas diferentes da organização contribuam para a solução de problemas, realçando assim a eficácia do uso de recursos de dentro da organização.

As maiores desvantagens dessas formas de comunicação são que interferem com a rotina organizacional normal e não podem ser controladas de forma eficaz pela organização. Mesmo assim, essas formas de comunicação chegaram para ficar, e a maioria dos gerentes e dos funcionários fazem uso delas para atuarem com mais eficiência e eficácia dentro da organização. Essas redes informais de comunicação são freqüentemente chamadas de "redes de boatos" ou "rádio peão". Elas existem em todas as organizações e são usadas por quase todos os gerentes bem &endash; sucedidos para monitorar as comunicações de funcionários e para "espalhar informação" quando a meta é alcançar todos os funcionários com rapidez sem usar os canais oficiais de comunicação, que freqüentemente são menos práticos.

Conclusão

Concluímos que a comunicação organizacional tem apenas uma função: facilitar e coordenar os esforços de indivíduos e grupos e, com isso contribuir para as realizações das metas organizacionais. A eficácia tanto da comunicação interpessoal quanto da comunicação organizacional determina, em grande parte, o sucesso como um todo. Algumas corporações gastam grandes somas de dinheiro do orçamento de desenvolvimento de recursos para treinar os funcionários nas habilidades de comunicação: parecer ser um dinheiro bem gasto.

Bibliografia

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