Globalização

Carlos Luis Galante
José Kataoka
José Roberto Pereira Branco

Monografia apresentada no curso de Organização, Sistemas e Métodos das Faculdades Integradas Campos Salles, sob orientação do Professor Mauro M. Laruccia

(Disponível na rede desde novembro de 2000) 


Introdução

O mundo em que vivemos ficou menor, um mundo de constante transformação onde as distâncias praticamente não existem: este é o mundo globalizado em que vivemos hoje.

Só quem for capaz de correr à frente com idéias, criatividade, eficiência e, acima de tudo, conhecimento das novas tendências de mercado vai sobreviver.

Os profissionais, devem estar preparados para esta realidade e seus efeitos. Estamos no mesmo barco. Não existe mais espaço para quem vai devagar. Não é o maior que engole o menor. Mas sim o mais rápido que abocanha o mais lento.

" Os meios de Comunicação de massa estão destruindo o Folclore ou a Sociedade está sendo formada por uma só cultura? "

A partir da Revolução Industrial surge uma evolução gradativa e posteriormente acelerada do modo de produção capitalista provocando sérias mudanças no contexto global do século XX.

A sociedade onde a organização social e político-econômico era artesanal, agrícola e feudal passou para uma sociedade cuja economia e instituições radicam na indústria e na produção em grande escala. A mudança na infra-estrutura provoca modificação na ideologia, nos valores, modos de pensar, agir e sentir, modos de ver as coisas, sem falar do próprio ambiente ecológico.

Surge a sociedade de consumo. Todas as classes sociais foram chamadas a consumir (os produtos são baratos são produzidos em larga escala, atendendo a grande variedade de consumidores com diversos "status" e poder aquisitivo), através de paredes de propaganda, anúncio de jornais, rádios, televisões, cinemas, tudo para fazer apresentação da cultura de massa e de seus produtos.

Outro fator importante é o processo de intercomunicação da cultura de massa não permite distinção entre cultura popular e cultura erudita dessa sociedade. O folclore foi perdendo suas características, assim como também a tendência é a formação de uma sociedade unicultural. O rádio, a televisão, o cinema o jornal, as revistas, as publicações em geral estão matando o folclore à medida que as camadas populares têm acesso aos meios de comunicação.

A sociedade subdesenvolvida vai passando pelo processo de desenvolvimento e industrialização, onde as condições pré-capitalistas de existência, as estruturas sociais arcais, o analfabetismo, o paupérrismo, a sub-higiêne, a fraca alimentação, vão sendo substituídas por condições mais compatíveis com a dignidade humana. Com a introdução da máquina na agricultura, a aculturação dos "mass-media", cujo principal amigo do "folk" é o radinho de pilha, destroem a harmonia existente e impede a continuidade das manifestações populares como por exemplo, ritos como o mutirão, o boi-bumba, as cangadas, os reisados, os provérbio, as crendices e superstições, a literatura de cordel, etc. O trabalhador rural marginalizado pela máquina no campo, emigra para grandes centros urbanos onde espera e anseia por melhores condições de vida. No centro urbano a mão-de-obra especializada caracteriza o mercado de trabalho e o homem tem que ter uma formação técnica, mínima que seja (como pintor, pedreiro, marceneiro, etc.) dentro de uma especialidade para se manter. A medida em que o trabalhador rural se insere nas novas relações de produção, vai interiorizando comportamentos dos civilizados e vai abandonando suas formas rústicas de pensar, agir e sentir.

O Estado deve fortalecer-se para que seja instrumento na promoção do desenvolvimento, dentro de suas funções (como segurança, saúde e educação, em condições de atender as demandas crescentes de justiça, ambiente saudável, respeito ao direitos humanos).

Ter uma sociedade com condições de avaliar suas necessidades básicas de sobrevivência, despertando a consciência do cidadão para desenvolver sua capacidade profissional, ser preparado, treinado e qualificado para o mercado de trabalho. Instituindo através da cultura e do ensino/educação a capacitação tecnológica para enfrentar os desafios impostos pelo mercado internacional. Para isso a sociedade deve ter uma cultura, onde artistas e criadores se conheçam e estabeleçam formas de convivência, mesclando e integrando as nossas raízes as demais raças, resultando de uma forma única de encontro étnico.

Ter um universo de comunicações instantâneas altamente seletiva, onde no campo da economia, os empresários possam buscar oportunidades de negócios e também da criação de confiança nas possibilidade da economia do parceiro.

Esse tema tem mexido muito comigo, pois tem sido o grande problema do trabalhador brasileiro e por que não falar da sociedade brasileira que tem enfrentado graves crises (desemprego, marginalidade, violências, sequestros, aumento combustível, corrupção, educação deficitária, saúde deteriorada, transportes deficitário, etc.) para participar desse momento de globalização sem ter uma estrutura suficientemente adequada. Podemos notar bem o exemplo do desemprego nacional, onde em cada família brasileira existe pelo menos um desempregado. Isso gera um número maior de desocupados/revoltados, desajustados, proporcionando o aumento da violência no país.. O novo mercado de trabalho exige um novo tipo de profissional, alto grau de qualificação profissional, requer desempenho baseado em características de personalidade e aptidões profissionais diferenciadas. Entretanto aqui no Brasil, os desempregados tendem a concentrar nas camadas menos favorecidas com baixa instrução escolar e pouca qualificação.

Também constatei esse processo pela facilidade em adquirir novos produtos importados, os quais foram praticamente despejados no país, competindo com os nacionais, com preço e alguns com qualidade melhor. As mudanças significativas no modo de produção das mercadorias, auxiliadas pelas facilidades na comunicação e nos transportes, as transnacionais instalam suas fábricas em qualquer lugar do mundo onde existe as melhores vantagens fiscais, mão-de-obra e matérias-primas baratas. Grande parte dos produtos não tem mais uma nacionalidade definida. A rápida evolução e a popularização das tecnologias da informação (computadores, telefones e televisão) têm sido fundamentais para agilizar o comércio e as transações financeiras entre os países.

E por fim a falência/concordata e moratória das grandes empresas como o caso Mesbla, Mappim e outras. A crescente concorrência internacional tem obrigado as empresas a cortar custos, com o objetivo de obter preços menores e qualidade alta para os seus produtos, eliminando vários postos de trabalho, gerando a causa desse desemprego, com a automação de vários setores em substituição a mão de obra humana.

Os Blocos Econômicos em geral são de uma mesma região geográfica que estabelecem relações comerciais privilegiadas entre si e atuam de forma conjunta no mercado internacional. Um dos aspectos importantes na formação é a redução ou a eliminação das alíquotas de importação, com vistas à criação de zonas de livre comércio. O primeiro bloco econômico aparece na Europa em 1957, da Comunidade Econômica Européia. Mas a tendência só é fortalecida nos anos 90; o desaparecimento dos dois grandes blocos da Guerra Fria, liderados por EUA e URSS, estimula a formação de zonas independentes de livre-comércio, um dos processos de globalização. Hoje os mais importantes são: o Acordo de Livre Comércio da América do Norte &endash; Nafta, a União Européia &endash; UE, o Mercado Comum do Sul &endash; Mercosul, a Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico &endash; Apec, e em menor grau o Pacto Andino, a Comunidade do Caribe e Mercado Comum &endash; Caricom, a Associação das Nações do Sudeste Asiático &endash; Asean, a Comunidade dos Estados Independentes &endash; CEI e a Comunidade da África Meridional para o Desenvolvimento - SADC; No plano mundial as relações comerciais não reguladas pela Organização Mundial do Comércio &endash; MC. A organização vem promovendo o aumento de volume de comércio internacional por meio da redução geral de barreiras alfandegárias

Constituir uma civilização particular, arrancando-nos as amarras espaciais que prendem e delimitam o destino humano.

Recuperar a experiência acumulada através das gerações, para além da sua existência natural.

Busca de auto-sustentação, estabelecendo seu próprio sistema monetário. Uma maneira de diminuir a saída da moeda de outros países que ganhamos com nossas venda para fora é produzir no país, cada vez mais, os bens e serviços que hoje compramos lá fora. O sistema de ajuda mútua em que todos se ajudam e se apoiam, chamado Mutirão no Brasil, onde toda a sociedade era bem sucedida porque as pessoas trabalhavam umas para as outras e para o bem comum sem a intervenção do dinheiro.

Construção de uma rede de cooperados e de intercâmbio internacional sobre educação, formação profissional, geração de trabalho e renda e promoção de atividades econômicas populares e solidárias.

Apesar da crise, as perspectivas são muito maiores para uma ação internacional da classe trabalhadora, com vistas a realização de ações articuladas em torno de objetivos comuns. A uniformização das estratégias empresarias e os ataques aos trabalhadores produz reações nacionais que devem ser canalizadas pelo movimento sindical internacional para a promoção de campanhas mundiais. As declarações do presidente francês, Jacques Chirac, durante sua visita ao Brasil e AL, são sintomáticas das contradições que emergem com o declínio relativo dos EUA e de redefinições de alianças que estão em curso. A CUT tem o dever de denunciar a crescente arrogância e agressividade do imperialismo norte-americano.

Os trabalhadores e as personalidades democráticas da sociedade não podem observar com passividade este fenômeno, como se expressasse acontecimentos sem maior importância. Vai ficando claro que neoliberalismo não combina com democracia.

Criar de legislações ambientais com níveis equivalentes de exigências mais eficaz para evitar ou minimizar os efeitos deletérios e de outras conseqüências da globalização sobre o meio ambiente. O fortalecimento das instituições de meio ambiente, principalmente dos órgãos encarregados de implementar e manter o cumprimento das leis, é igualmente fundamental. Para isto, seriam necessárias, além de ações dos governos dos países em desenvolvimento, assistência econômica e técnica das nações mais ricas.

As políticas sociais deverão ser transformadas em ações socioeconomicas, não desvinculando mais a economia do social, fazendo com que a segunda corrija as suas antigas polarizações e exclusões sociais. Através da economia popular fundamentada unicamente no trabalho humano é que se dinamizaria a reestrutura capitalista.

Desenvolver atividades e experiências no campo da formação profissional, cooperativismo e organização popular. 

Conclusão

A América do Sul é uma região em que predominam a paz e a democracia. A nossa diferença específica é a paz entre os Estados e a capacidade de diálogo. Com a democracia melhorou a forma de promover mudanças, embora sabemos que no Brasil ainda há muito por fazer em nosso país os processos de mudanças estão incompletos. No campo social é enorme a tarefa que tem para ser corrigido os históricos desequilibrios de divisão de renda a fim de melhorar os indicadores sociais.

É necessário ter consciência de nossas qualidade e dificuldades ao participar dos processos de globalização. Porque a Globalização chama o homem a um comportamento quase que institivo diante da reação mundial. O novo com imagens e condições acessível via os meios modernos de comunicação contribui para que as pessoas deixam de pensar nas questões emergentes e social em que vivem e passam a desfrutar das facilidades e da concorrência que a globalização está proporcionando, sem fazer uma análise das atitudes e dos produtos que estão adquirindo vão mexer com o desemprego do parente ou do vizinho e de todos os descamisados do país. Isso parece que já está fazendo com que o número de assaltos e gente desmotivada, desesperançada com a vida está aumentando, e com isso o déficit social fica maior.

Por isso é preciso muita reflexão a respeito desses processos, será que estaremos prontos a aceitá-los nos moldes em que nos colocam? Se existe benefício social neles, será estendido a toda população ou somente àqueles que tem condições de fazer parte deles?

Os educadores e responsáveis pelo processo de ensino/aprendizado devem estar atentos aos verdadeiros fins da educação, que devem conduzir o ser humano a ser livre e feliz pela igualdade, liberdade e justiça.

A população deve despertar a consciência critica dos que recebem as mensagens para que estes aprendam a analisar, filtrar e cultivar aquilo que lhes desejam passar e ser. O homem precisa aprender a refletir e enxergar além das aparências, a fim de que possa separar o joio do trigo, reconhecer realmente o que o faz feliz e o que lhe torna escravo. Porque muitos visam apenas ao culto do ter, do poder e do prazer.

Bibliografia

Arruda Marcos, "Alternativas à Globalização Neoliberal", 1999; H. Rattner, "Globalização", Revista do IEA, USP, set./dez.1995; Revista Terceiro Mundo "A crise do Neoliberalismo", n.º 214., nov/1999.

Bassi, Eduardo. Globalização de Negócios. São Paulo: Cultura Editores Associados. 1997.

Baumann, Renato (Org.). O Brasil e a Economia Global. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1996.

Instituto Gutenberg. Online. Internet. <www.igutenberg/org/breguez/28.html>