Globalização

Caroline Tamara de Stefano
Lígia de Oliveira

Monografia apresentada no curso de Organização, Sistemas e Métodos das Faculdades Integradas Campos Salles, sob orientação do Professor Mauro M. Laruccia

(Disponível na rede desde novembro de 2000) 


Apresentação

Nosso projeto de pesquisa versa sobre o fenômeno da globalização, que hoje assumiu uma proporção imaginável, de tamanha importância, e que estudamos sob o prisma da teoria e da prática. Observamos mais detalhadamente o fenômeno globalizador em relação às empresas, e como o mesmo afeta a vida da população.

Destacamos que o mundo está cada vez mais interligado, pois a tecnologia reduziu as barreiras naturais do tempo e do espaço. A intensidade e a rapidez com que se processa a globalização é muito maior. As economias internacionais estão muito abertas, o que favorece o crescimento do fluxo de comércio, investimentos e capital financeiro entre os países. As grandes corporações industriais e financeiras se estendem por todo o mundo. Bens de consumo e dinheiro circulam com velocidade nunca vista antes. Além disso, os investidores podem acompanhar on-line, ou em tempo real, através da tela de um computador, o que acontece nos quatro cantos do planeta.

Isso tudo faz com que os desdobramentos da globalização ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os países.

Definição do Problema

Falar em globalização é estar na moda. Porém, atribuir-lhe a culpa exclusiva dos mais incautos acontecimentos é, antes de mais nada, canalizar os erros e equívocos sociais, políticos e econômicos para uma palavra que, muitas vezes, vê-se usada por pessoas que nem mesmo sabem seu verdadeiro alcance. Definir com precisão o que seja a globalização é tarefa das mais árduas, pois, é um fenômeno antigo que somente nos últimos anos vem sendo sentido e absorvido por nós, brasileiros. Podemos explicá-la como sendo um misto de interligação acelerada de mercados nacionais e internacionais, ou a possibilidade de movimentar bilhões de dólares por computador em alguns segundos (como ocorre nas Bolsas de todo o mundo), ainda, como a "terceira revolução tecnológica" (processamento, difusão e transmissão de informações). Há, até mesmo, os que a denominam de "nova era da história humana".

No entanto, definições não são o ensejo perseguido por estas linhas.

O que se pretende, sim, é trazer à luz do questionamento como podemos (e devemos) nos beneficiar da globalização. O que fazer para nos tornarmos "usufrutuários" desse sistema globalizado que nos é imposto, sem a opção (por fatalidade) de voltar no tempo ou de direcionarmos nossos interesses simplesmente ao nível de mercado interno.

Justificativa

O fenômeno da globalização procede de algumas evoluções tecnológicas importantes: a da informática e a da comunicação. Com a disponibilização de informações em suas diversas formas, os mercados que antes guardavam distâncias e características distintamente insuperáveis, passaram a intercomunicar-se e a buscar produtos e serviços com fundamentos semelhantes, apesar de terem informações que os introduzam às necessidades das culturas locais.

As empresas que estão percebendo esse fenômeno e agindo de forma a se beneficiar dele estão conseguindo enfrentar melhor a competição, atualizar-se tecnologicamente de forma rápida e aproveitando-se mais cedo do surgimento de novas oportunidades de mercado.

O Brasil, que por muitos anos manteve seu mercado fechado aos produtos estrangeiros, acabou ficando um pouco alheio a esse movimento das grandes corporações que buscam visualizar os mercados de forma globalizante.

Agora, com os novos ventos de desenvolvimento e as recentes ações de abertura de mercado, urge que as grandes empresas brasileiras se mobilizem para entrar nessa nova onda.

Esta pesquisa se faz necessária para clarear as idéias e explicar através de exemplos práticos como as mudanças vêem acontecendo. Com isso temos vários tópicos a serem abordados e apresentados mostrando o que é a globalização que provoca tanto medo, e o que se pode esperar dela.

O que é globalização

Globalização é o conjunto de transformações na ordem política e econômica mundial que vem acontecendo nas últimas décadas. O ponto central da mudança é a integração dos mercados numa "aldeia-global", explorada pelas grandes corporações internacionais. Os Estados abandonam gradativamente as barreiras tarifárias para proteger sua produção da concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. Esse processo tem sido acompanhado de uma intensa revolução nas tecnologias de informação - telefones, computadores e televisão. As fontes de informação também se uniformizam devido ao alcance mundial e à crescente popularização dos canais de televisão por assinatura e da Internet. Isso faz com que os desdobramentos da globalização ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os países.

A globalização é marcada pela expansão mundial das grandes corporações internacionais. A cadeia de fast-food McDonald's, por exemplo, possui 18 mil restaurantes em 91 países. Essas corporações exercem um papel decisivo na economia mundial. Outros pontos importantes desse processo são as mudanças significativas no modelo de produção das mercadorias. Auxiliadas pelas facilidades na comunicação e nos transportes, as transnacionais instalam suas fábricas em qualquer lugar do mundo onde existam as melhores vantagens fiscais, mão-de-obra e matérias-primas baratas. Essa tendência leva a uma transferência de empregos dos países ricos - que possuem altos salários e inúmeros benefícios - para as nações industriais emergentes, como os Tigres Asiáticos. O resultado desse processo é que, atualmente, grande parte dos produtos não tem mais uma nacionalidade definida. Um automóvel de marca norte-americana pode conter peças fabricadas no Japão, ter sido projetado na Alemanha, montado no Brasil e vendido no Canadá.

A rápida evolução e a popularização das tecnologias da informação (computadores, telefone e televisão) têm sido fundamental para agilizar o comércio e as transações financeiras entre os países. O número de usuários da Internet, rede mundial de computadores, é de cerca de 50 milhões e tende a duplicar a cada ano, o que faz dela o meio de comunicação que mais cresce no mundo. E o maior uso dos satélites de comunicação permite que alguns canais de televisão sejam transmitidas instantaneamente para diversos países. Tudo isso permite uma integração mundial sem precedentes.

Os blocos econômicos são associações de países, em geral de uma mesma região geográfica, que estabelecem relações comerciais privilegiadas entre si e atuam de forma conjunta no mercado internacional. Um dos aspectos mais importantes na formação desses blocos é a redução ou na eliminação das alíquotas de importação, com vistas à criação de zonas de livre comércio. Os blocos aumentam a interdependência das economias dos países membros. A organização vem promovendo o aumento no volume de comércio internacional por meio da redução geral de barreiras alfandegárias. Esse movimento, no entanto, é acompanhado pelo fortalecimento dos blocos econômicos, que buscam manter maiores privilégios aos países membros.

Atualmente as empresas estão decidindo basicamente o que, como, quando e onde produzir os bens e serviços utilizados pelos seres humanos.

Para conseguir preços melhores e qualidade de mais alta tecnologia em sua guerra contra os concorrentes, as empresas cortaram custos, isto é, empregos, e ainda aumentaram muito os seus índices de automação, liquidando mais postos de trabalho. Nos estudos economistas, deu-se o nome de desemprego estrutural a essa tendência. O desemprego estrutural é um processo cruel porque significa que as fábricas robotizadas não precisam mais de tantos operários e os escritórios podem dispensar a maioria de seus datilógrafos, contadores e gerentes. Ele é diferente do desemprego que se conhecia até agora, motivado por recessões, que mais cedo ou mais tarde passavam. Os economistas apontam no desemprego estrutural um paradoxo do sistema de Globalização. Ele se ergueu para produzir coisas boas e baratas, vendidas numa escala planetária, fabricadas em grande parte por robôs, que são orientados por computadores. Com a globalização estão desaparecendo as fronteiras nacionais. Os governos não conseguem mais deter os movimentos do capital internacional, por isso, seu controle sobre a política econômica interna este se esgarçando. O processo econômico sempre sofreu suas criticas de adaptação, mas as próprias crises sempre produziram as soluções.

Estratégias em um mundo sem fronteiras

A essência da estratégia é oferecer aos clientes um valor superior ao fornecido pelos concorrentes, da maneira mais econômica e sustentável. Hoje em dia, porém, milhares de concorrentes do mundo inteiro podem atender bem aos clientes. Para desenvolver uma estratégia eficaz, as pessoas que estão no papel de liderança devem entender o que está acontecendo no restante do mundo e reformular nossa organização para reagir de maneira adequada. Nenhum líder pode esperar conduzir uma empresa ao futuro sem entender o impacto comercial, político e social da economia global.

Logicamente, as barreiras existentes entre os mercados, as organizações e as nações estão caindo. Empresas e clientes estão entrando e saindo mais livremente dos países. A prestação de serviços e informações, atravessando o planeta, suplantou a manufatura como fonte primária de riqueza. E seja lá qual for seu negócio ou missão, o nome do jogo é inteligência.

Entretanto, o que chamamos de economia global é na verdade a conjunção de pelo menos cinco forças:

1. Progresso das economias regionais.

2. Tecnologia da informação e a nova mídia.

3. Culturas de consumo universais.

4. Padrões globais emergentes.

5. Custo empresarial compartilhado.

Progresso das economias regionais

Uma excursão econômica pelo planeta mostra a você uma vasta cadeia de zonas pulsantes, como Hong Kong, Kaohsiung (Taiwan), Penang (Malásia), Subic Bay (Filipinas) e Bangalore (Índia), todas pouco dependentes de um governo central. A excursão o leva a uma economia desigual nos Estados Unidos, onde a maioria das áreas metropolitanas ainda é relativamente fraca enquanto o Vale do Silício, a orla noroeste do Pacifico, parte do Texas e os estados montanhosos estão prosperando - as economias de algumas cidades nessas regiões crescem 20% ao ano. A excursão pára em países pequenos como Cingapura, Nova Zelândia e Irlanda, que estão crescendo de seis a sete por cento ao ano - muito mais rápido do que as maiores economias de seus respectivos vizinhos.

Além do mais, o surgimento de alianças globais, como a União Européia (UE), o Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e o Mercosul, marcam o declínio da soberania nacional. As linhas sólidas que delimitavam as fronteiras nacionais estão dando lugar a linhas pontilhadas, o que resulta na migração de capital, informação, produtos e serviços. E as regiões mais prósperas do mundo inverteram o papel tradicional do governo - de proteger as fracas indústrias nacionais para convidar corporações globais fortes que possam atender o mercado global a partir dessas localidades anfitriãs.

A ascensão de poderes regionais, dentro e além das fronteiras nacionais, está modificando as regras das negociações. Por exemplo, como uma empresa decide fazer negócios na China? Será que o risco é o mesmo em toda parte da grande massa de terra chinesa? Provavelmente não. Há chances de que Dalian e Cantão sejam hospitaleiras apesar do que se acontece em Pequim. Da mesma maneira, à medida que as fronteiras desaparecem na União Européia, é mais fácil investir em regiões menos desenvolvidas, cidades pequenas, em vez de grandes capitais.

Tecnologia da informação e a nova mídia

Segundo reportagem da Revista Veja de 03 de Abril de 1996, meios de comunicação digitais, tecnologia da informação e telecomunicações estão comandando a mudança econômica e social no mundo. Tão poderosa é essa força que uma nação inteira - a Malásia - fundamentou sua estratégia de desenvolvimento econômico no crescimento da alta tecnologia. A Malásia está criando, com efeito, um país dentro de outro país - o Multimedia Super Corridor (MSC), um trecho de cerca de 15 por 45 quilometros de antigas plantações ao sul de Kuala Lupur. O MSC fornecerá uma infra-estrutura de século XXI projetada segundo as especificações das principais empresas de alta tecnologia no mundo, e será a vitrine de oito 'aplicações principais', incluindo treinamento à distância, telemedicina e governo eletrônico.

Criar uma economia de tecnologia da informação requer não só linhas telefônicas de alta velocidade e instalações sofisticadas como também novas leis, políticas e relações comerciais, governamentais, individuais e comunitárias. A maioria dos países industrializados ainda não percebeu essa realidade. No Japão, por exemplo, o código educacional prescreve que professores e alunos devem estar no mesmo local - o que dificulta o ensino à distância. As leis médicas hoje exigem que o médico esteja no mesmo quarto que o paciente ou não se pode cobrar honorários. E o direito comercial proíbe a diretoria de qualquer empresa de se reunir por meio de teleconferência.

Naturalmente, a tecnologia da informação está desafiando não só as convenções legais como também as práticas empresariais. A Amazon tornou-se a maior livraria do mundo em um ano, sem existir fisicamente. Ela manipula três milhões de títulos e estabelece uma relação interativa com os clientes. Da mesma forma, softwares e CDs são agora distribuídos eletronicamente. Organizações de serviços também estão evitando os sistemas tradicionais de distribuição.

…possível que algumas profissões - como especialistas em declaração de imposto de renda, agentes de viagens e até mesmo, advogados - sucumbam ante a tecnologia da informação.

Culturas de consumo universais

A mídia globalizada está causando uma revolução cultural bem diferente da visualizada por Mao Tse-tung: o surgimento de uma classe mundial de consumidores formada principalmente por jovens. Com centenas de canais disponíveis pela CNN, pela Fox, pela Sky e pela MTV, consumidores de todas as partes sabem agora exatamente que produtos querem comprar - e as marcas desses produtos em geral são Nike, Sony, Disney, Toyota, Coca-Cola e McDonald's. Esses usuários universais - que se parecem com os adolescentes da Califórnia em termos de gostos, interesses e renda disponível - criam oportunidade de volume de vendas para os comerciantes globais. Poucos mercados domésticos podem alcançar o potencial de crescimento das economias em desenvolvimento no mundo todo.

Padrões globais emergentes

Com a homogeneização das preferências do consumidor vem o surgimento de padrões técnicos globais. Os órgãos oficiais mundiais já não ditam procedimentos formais para estabelecer padrões de transmissão de fax, por exemplo. Mais exatamente, algumas empresas globais capturam um mercado. O Windows da Microsoft e os microprocessadores da Intel criaram o Wintel, o padrão de facto da computação pessoal. A linguagem Java está se tornando universal na World Wide Web. Os códigos de habilitação estão cada vez mais convergindo para que as casas fabricadas nos Estados Unidos ou no Canadá possam ser exportadas para o Japão, reduzindo o custo de construção de moradia quase a metade. Empresas como MasterCard, Visa e American Express fixaram padrões de facto para o dinheiro eletrônico e as assinaturas digitais. O processo de instituição de padrões globais quase sempre é causal e não planejado, mas estabelece a base para uma enorme geração de riqueza.

Custo empresarial compartilhado

A maioria dos estrategistas empresariais preocupa-se com a questão de minimizar o custo e maximizar a receita, portanto não é de se espantar que esteja voltando sua atenção para o restante do mundo. A economia global oferece às empresas imensas oportunidades em ambos os lados da equação custo/receita. Elas podem aumentar a receita atendendo às expectativas de um bilhão de novos consumidores e, ao mesmo tempo, podem reduzir os custos fixos (manufatura, capital, P&D e fixação da marca) e variáveis (mão-de-obra e materiais). Elas não precisam necessariamente fazer as malas e transferir suas operações para o exterior. Todas as formas de aliança estratégicas, fusões e aquisições, franquias globais e terceirizações podem se traduzir em notáveis economias de custo. Enquanto as ofertas econômicas globais melhorarem a contribuição financeira para os custos fixos, empresas de todos os portes irão explora-las.

A guinada da estratégia empresarial convencional é dupla: a competitividade global é definitivamente uma corrida de inteligência e conhecimento, não de mão-de-obra barata, e a economia sem fronteiras gera oportunidades para empresas astutas de qualquer porte. A General Electric pode insistir em ser a número um ou dois em seu mercado, mas há vantagens em ser a número sete ou oito. A 'pequenez' nesse momento da história é uma virtude. Não há muito a perder reinventando-se. Você tem a chance de se tornar dez ou cem vezes maior, em vez de atingir um crescimento, na melhor das hipóteses, de 20 por cento. Usando a tecnologia de multimídia e de redes globais, ganha-se acesso à mesma tecnologia de comunicações e redes de comércio que as grandes empresas. Por meio de alianças, divisão de custos e elaboração criativa, as pequenas empresas podem ter grandes ambições. Podem explorar a deficiência comum em todas as grandes empresas: investir capital para fazer as coisas sempre do mesmo modo. Em outras palavras, uma empresa de grande porte terá menos flexibilidade para 'fazer bem' no século XXI.

Desemprego estrutural e os novos empregos

Segundo reportagem da Revista Veja de 03 de Abril de 1996, a crescente concorrência internacional tem obrigado as empresas a cortar custos, com o objetivo de obter preços menores e qualidade alta para os produtos. Nessa reestruturação estão sendo eliminados vários postos de trabalho, tendência que é chamada de desemprego estrutural. Uma das causas desse desemprego é a automação de vários setores, em substituição à mão de obra humana. Caixas automáticos tomam o lugar dos caixas de banco, fábricas robotizadas dispensam operários, escritórios informatizados prescindem datilógrafos e contadores. Nos países ricos, o desemprego também é causado pelo deslocamento de fábricas para os países com custo de produção mais baixos.

O fim de milhares de empregos, no entanto, é acompanhado pela criação de outros pontos de trabalho. Novas oportunidades surgem, por exemplo, na área de informática, com o surgimento de um novo tipo de empresa, as de "inteligência intensiva", que se diferenciam das industrias de capital ou mão de obra intensiva. A IBM, por exemplo, empregava 400 mil pessoas em 1990, mas, desse total, somente 20 mil produziam máquinas. O restante estava envolvido em áreas de desenvolvimento de outros computadores - tanto em hardware como em software - gerenciamento e marketing. Mas a previsão é de que esse novo mercado de trabalho dificilmente absorverá os excluídos, uma vez que os empregos emergentes exigem um alto grau de qualificação profissional. Dessa forma, o desemprego tende a se concentrar nas camadas menos favorecidas, com baixa instrução escolar e pouca qualificação.

Blocos econômicos

São associações de países, em geral de uma mesma região geográfica, que estabelecem relações comerciais privilegiadas entre si e atuam de forma conjunta no mercado internacional. Um dos aspectos mais importantes na formação dos blocos econômicos é a redução ou a eliminação das alíquotas de importação, com vistas à criação de zona de livre comércio. Os blocos aumentam a interdependência das economias dos países membros.

O primeiro bloco econômico aparece na Europa, com a criação , em 1957, da Comunidade Econômica Européia. Mas a tendência de regionalização da economia só é fortalecida nos anos 90: o desaparecimento dos dois grandes blocos da Guerra Fria, liderados pelos EUA e URSS, estimula a formação de zonas independentes de livre-comércio, um dos processos de globalização. Atualmente, os mais importantes são: o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), a União Européia (EU), o Mercado Comum do Sul (Mercosul), a Cooperação Econômica da ¡sia e do Pacifico (Apec) e em menor grau o Pacto Andino, a Comunidade do Caribe e Mercado Comum (Caricom), a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), a Comunidade da ¡frica Meridional para o desenvolvimento (SADC).

No plano mundial, as relações comerciais são reguladas pela Organização Mundial do Comércio (MC), que substitui o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), criado em 1947. A organização vem promovendo o aumento no volume de comércio internacional por meio da redução geral de barreiras alfandegárias. Esse movimento, no entanto, é acompanhado pelo fortalecimento dos blocos econômicos, que buscam manter maiores privilégios aos países- membros.

Discussão Bibliográfica

"A globalização está multiplicando a riqueza e desencadeando forças produtivas numa escala sem precedentes. Tornou universais valores como a democracia e a liberdade. Envolve diversos simultâneos: a difusão internacional da notícia, redes como a Internet, o tratamento internacional de temas como meio ambiente e direitos humanos e a integração econômica global." FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 82

"A globalização é a revolução do fim do século. Com ela, a conjuntura social e política das nações passam a ser desimportante na definição de investimentos. O individuo torna-se uma peça na engrenagem da corporação. Os países precisam-se ajustar para permanecer competitivos numa economia global - e aí não podem ter mais impostos, mais encargos ou mais inflação que os outros." ANTÓNIO DELFIM NETO - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 83

"A globalização é tão velha como Matusalém. O Brasil é produto da expansão do capitalismo europeu do final do século XV. O que está havendo agora é uma aceleração. Isso pode ser destrutivo para o Brasil, se o país na administrar sua participação no processo. A globalização é boa para as classes mais favorecidas. As menos favorecidas ficam sujeitas a perder o emprego." PAULO NOGUEIRA BATISTA JUNIOR - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 84

"A globalização começou na década de 70, a partir do aumento da produção das empresas, e foi acelerada porque as empresas precisam estar em vários países para se aproveitar das variações cambiais. Além disso, a globalização é uma bolha especulativa, que se expressa no mercado de derivativos. … a jogatina da moeda diária. Isso afeta empregos. Há uma recessão também globalizada." MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 86

"As políticas internacionais uniformizaram mecanismos de produção para obter maior produtividade. Quando a globalização é usada para melhorar a vida das pessoas descobrindo um remédio, por exemplo, ela é positiva. Mas a tendência é de que se desconsidere o ser humano, aumentando o desemprego. Os que estão empregados tem que estar integrados com os avanços tecnológicos." VICENTE PAULO DA SILVA - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 87

"A globalização é um fenômeno tão importante quanto a Revolução Industrial ou a reorganização capitalista da década de 30. … a integração econômica e tecnológica dos países. A globalização da economia não é um processo ideológico. … um movimento de transformação social e de produção que vai permitir melhoria da qualidade de vida do cidadão e domínio das potencialidades naturais." PAULO PAIVA - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 88

"Com a globalização, a vantagem de localização que um país tinha na produção de algum bem passa a ser ameaçada pela competição internacional. Se o brasileiro não tem preço competitivo, perde mercado para empresas da índia. Mas, ao mesmo tempo em que traz risco, a globalização cria oportunidades. A única barreira que fica entre países e empresas é a da competência." SERGIO ABRANCHES - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 89

Hipóteses

Pode-se iniciar dizendo que, para sobreviver em um processo crescente de globalização é necessário qualificar mão-de-obra. Nesse raciocínio, certamente os países mais pobres irão perder com a desvalorização das matérias-primas que exportam e o atraso tecnológico. Sem pretensões, ciente da atual conjuntura social em que estamos inseridos, já é passada a hora de nós, brasileiros, priorizarmos a educação, buscando um aprimoramento constante e evolutivo, não nos contentando apenas com a graduação oferecida pelos bancos universitários. Há que se buscar mais, bem mais. Cursos, pós-graduações e outras maneiras capazes de nos ampliar os horizontes e nos transformar em visionários do mundo, do mundo real que nos é posto.

Para tanto, devemos estar cientes que a época do lucro fácil, do pouco esforço com muito retorno é passado. Ingressamos em um processo que se caracteriza como a antítese da era de prosperidade vivida nas primeiras décadas do pós-guerra. Caminhamos a passos de ganso para o embate da luta cotidiana, em que serão vencedores os que verdadeiramente lutarem para isso. Como bem disse o cientista Victor Bulmer-Thomas (professor emérito de Economia da Universidade de Londres) "é irreal achar que os resultados do final da década de 60 e da primeira metade dos anos 70 irão se repetir. Milagres são chamados dessa forma porque são raros". … hora de pensarmos no Brasil de hoje, abandonando a vetusta frase "o Brasil é o país do futuro"

Nos defrontamos como uma tendência nada virtual que são as dificuldades no setor financeiro experimentadas por todos. Óbices estes que, se por um lado nos desgastam física e intelectualmente, pelo corre-corre de conciliar inúmeras tarefas (muitas vezes antagônicas), por outra ótica, são capazes de nos tornar seres mais criativos, entusiastas, apaixonados pela possibilidade de vencer as barreiras e alcançar objetivos gloriosos. E, é justamente esse sentimento de capacidade, aliado à segurança e cidadania perenes, que deve estar presente na vida do ano 2000 e doravante, de todos os brasileiros. Historicamente, tem sido essa fé inabalável na capacidade de gerar sucesso o ponto comum entre todos os grandes empreendedores. Destarte, sejamos todos usufrutuários dos benefícios (e malefícios) advindos da globalização e, através de uma percepção correta acerca do que é interessante para o mercado e muito trabalho, façamos do fracasso apenas mais uma etapa até o sucesso.

Conclusão

Uma das características da globalização é a competição feroz entre as empresas para conseguir baixar preços e oferecer produtos melhores. Isso implica corte de custos, que na maioria das vezes quer dizer corte de empregos. A globalização obriga as empresas a enfrentar uma brutal transformação. Elas precisam ser mais competitivas para enfrentar a concorrência estrangeira.

Para conseguir preços melhores e qualidade da mais alta tecnologia na guerra contra os concorrentes, as empresas cortaram custos. Esse corte se torna mais visível no emprego, devido à automação e à tecnologia que está cada vez mais presente.

Devemos estar conscientes de que a globalização em tempos de calmaria provoca mudanças positivas e em seus tempos de crise, arrasa economias frágeis. Precisamos ainda aprender a controlar as forças desencadeadas pela globalização para que esta não provoque efeitos negativos para a maioria da população.

Enfatizamos que a globalização não é uma coisa boa ou má, ela ocorre desde o principio das civilizações, mas ficou evidente somente nessas últimas décadas com o desenvolvimento tecnológico e as grandes mudanças que vem ocorrendo.

Bibliografia

Daniels, John L. & Daniels, Caroline. Visão Global: Criando novos modelos para as empresas do futuro. São Paulo: Makron Books, 1996.

Kanter, Rosabeth Moss. De líder para líder: Como os locais podem vencer competições globais.

Revista Veja. São Paulo: Abril, 03 abr 1996. p.80-89

Revista Veja. São Paulo: Abril, edição 1582, 27 jan 1999. p.46-53

Internet. O que é globalização.