Caroline
Tamara de Stefano Monografia
apresentada no curso de Organização, Sistemas
e Métodos das Faculdades
Integradas Campos Salles,
sob orientação do Professor Mauro
M. Laruccia (Disponível
na rede desde novembro de 2000)
Apresentação Nosso
projeto de pesquisa versa sobre o fenômeno da
globalização, que hoje assumiu uma
proporção imaginável, de tamanha
importância, e que estudamos sob o prisma da teoria e
da prática. Observamos mais detalhadamente o
fenômeno globalizador em relação
às empresas, e como o mesmo afeta a vida da
população. Destacamos
que o mundo está cada vez mais interligado, pois a
tecnologia reduziu as barreiras naturais do tempo e do
espaço. A intensidade e a rapidez com que se processa
a globalização é muito maior. As
economias internacionais estão muito abertas, o que
favorece o crescimento do fluxo de comércio,
investimentos e capital financeiro entre os países.
As grandes corporações industriais e
financeiras se estendem por todo o mundo. Bens de consumo e
dinheiro circulam com velocidade nunca vista antes.
Além disso, os investidores podem acompanhar on-line,
ou em tempo real, através da tela de um computador, o
que acontece nos quatro cantos do planeta. Isso
tudo faz com que os desdobramentos da
globalização ultrapassem os limites da
economia e comecem a provocar uma certa
homogeneização cultural entre os
países. Definição
do Problema Falar
em globalização é estar na moda.
Porém, atribuir-lhe a culpa exclusiva dos mais
incautos acontecimentos é, antes de mais nada,
canalizar os erros e equívocos sociais,
políticos e econômicos para uma palavra que,
muitas vezes, vê-se usada por pessoas que nem mesmo
sabem seu verdadeiro alcance. Definir com precisão o
que seja a globalização é tarefa das
mais árduas, pois, é um fenômeno antigo
que somente nos últimos anos vem sendo sentido e
absorvido por nós, brasileiros. Podemos
explicá-la como sendo um misto de
interligação acelerada de mercados nacionais e
internacionais, ou a possibilidade de movimentar
bilhões de dólares por computador em alguns
segundos (como ocorre nas Bolsas de todo o mundo), ainda,
como a "terceira revolução tecnológica"
(processamento, difusão e transmissão de
informações). Há, até mesmo, os
que a denominam de "nova era da história
humana". No
entanto, definições não são o
ensejo perseguido por estas linhas. O
que se pretende, sim, é trazer à luz do
questionamento como podemos (e devemos) nos beneficiar da
globalização. O que fazer para nos tornarmos
"usufrutuários" desse sistema globalizado que nos
é imposto, sem a opção (por fatalidade)
de voltar no tempo ou de direcionarmos nossos interesses
simplesmente ao nível de mercado interno. Justificativa O
fenômeno da globalização procede de
algumas evoluções tecnológicas
importantes: a da informática e a da
comunicação. Com a
disponibilização de informações
em suas diversas formas, os mercados que antes guardavam
distâncias e características distintamente
insuperáveis, passaram a intercomunicar-se e a buscar
produtos e serviços com fundamentos semelhantes,
apesar de terem informações que os introduzam
às necessidades das culturas locais. As
empresas que estão percebendo esse fenômeno e
agindo de forma a se beneficiar dele estão
conseguindo enfrentar melhor a competição,
atualizar-se tecnologicamente de forma rápida e
aproveitando-se mais cedo do surgimento de novas
oportunidades de mercado. O
Brasil, que por muitos anos manteve seu mercado fechado aos
produtos estrangeiros, acabou ficando um pouco alheio a esse
movimento das grandes corporações que buscam
visualizar os mercados de forma globalizante. Agora,
com os novos ventos de desenvolvimento e as recentes
ações de abertura de mercado, urge que as
grandes empresas brasileiras se mobilizem para entrar nessa
nova onda. Esta
pesquisa se faz necessária para clarear as
idéias e explicar através de exemplos
práticos como as mudanças vêem
acontecendo. Com isso temos vários tópicos a
serem abordados e apresentados mostrando o que é a
globalização que provoca tanto medo, e o que
se pode esperar dela. O
que é globalização Globalização
é o conjunto de transformações na ordem
política e econômica mundial que vem
acontecendo nas últimas décadas. O ponto
central da mudança é a
integração dos mercados numa "aldeia-global",
explorada pelas grandes corporações
internacionais. Os Estados abandonam gradativamente as
barreiras tarifárias para proteger sua
produção da concorrência dos produtos
estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao capital
internacional. Esse processo tem sido acompanhado de uma
intensa revolução nas tecnologias de
informação - telefones, computadores e
televisão. As fontes de informação
também se uniformizam devido ao alcance mundial e
à crescente popularização dos canais de
televisão por assinatura e da Internet. Isso faz com
que os desdobramentos da globalização
ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar uma
certa homogeneização cultural entre os
países. A
globalização é marcada pela
expansão mundial das grandes
corporações internacionais. A cadeia de
fast-food McDonald's, por exemplo, possui 18 mil
restaurantes em 91 países. Essas
corporações exercem um papel decisivo na
economia mundial. Outros pontos importantes desse processo
são as mudanças significativas no modelo de
produção das mercadorias. Auxiliadas pelas
facilidades na comunicação e nos transportes,
as transnacionais instalam suas fábricas em qualquer
lugar do mundo onde existam as melhores vantagens fiscais,
mão-de-obra e matérias-primas baratas. Essa
tendência leva a uma transferência de empregos
dos países ricos - que possuem altos salários
e inúmeros benefícios - para as
nações industriais emergentes, como os Tigres
Asiáticos. O resultado desse processo é que,
atualmente, grande parte dos produtos não tem mais
uma nacionalidade definida. Um automóvel de marca
norte-americana pode conter peças fabricadas no
Japão, ter sido projetado na Alemanha, montado no
Brasil e vendido no Canadá. A
rápida evolução e a
popularização das tecnologias da
informação (computadores, telefone e
televisão) têm sido fundamental para agilizar o
comércio e as transações financeiras
entre os países. O número de usuários
da Internet, rede mundial de computadores, é de cerca
de 50 milhões e tende a duplicar a cada ano, o que
faz dela o meio de comunicação que mais cresce
no mundo. E o maior uso dos satélites de
comunicação permite que alguns canais de
televisão sejam transmitidas instantaneamente para
diversos países. Tudo isso permite uma
integração mundial sem precedentes. Os
blocos econômicos são associações
de países, em geral de uma mesma região
geográfica, que estabelecem relações
comerciais privilegiadas entre si e atuam de forma conjunta
no mercado internacional. Um dos aspectos mais importantes
na formação desses blocos é a
redução ou na eliminação das
alíquotas de importação, com vistas
à criação de zonas de livre
comércio. Os blocos aumentam a interdependência
das economias dos países membros. A
organização vem promovendo o aumento no volume
de comércio internacional por meio da
redução geral de barreiras
alfandegárias. Esse movimento, no entanto, é
acompanhado pelo fortalecimento dos blocos econômicos,
que buscam manter maiores privilégios aos
países membros. Atualmente
as empresas estão decidindo basicamente o que, como,
quando e onde produzir os bens e serviços utilizados
pelos seres humanos. Para
conseguir preços melhores e qualidade de mais alta
tecnologia em sua guerra contra os concorrentes, as empresas
cortaram custos, isto é, empregos, e ainda aumentaram
muito os seus índices de automação,
liquidando mais postos de trabalho. Nos estudos economistas,
deu-se o nome de desemprego estrutural a essa
tendência. O desemprego estrutural é um
processo cruel porque significa que as fábricas
robotizadas não precisam mais de tantos
operários e os escritórios podem dispensar a
maioria de seus datilógrafos, contadores e gerentes.
Ele é diferente do desemprego que se conhecia
até agora, motivado por recessões, que mais
cedo ou mais tarde passavam. Os economistas apontam no
desemprego estrutural um paradoxo do sistema de
Globalização. Ele se ergueu para produzir
coisas boas e baratas, vendidas numa escala
planetária, fabricadas em grande parte por
robôs, que são orientados por computadores. Com
a globalização estão desaparecendo as
fronteiras nacionais. Os governos não conseguem mais
deter os movimentos do capital internacional, por isso, seu
controle sobre a política econômica interna
este se esgarçando. O processo econômico sempre
sofreu suas criticas de adaptação, mas as
próprias crises sempre produziram as
soluções. Estratégias
em um mundo sem fronteiras A
essência da estratégia é oferecer aos
clientes um valor superior ao fornecido pelos concorrentes,
da maneira mais econômica e sustentável. Hoje
em dia, porém, milhares de concorrentes do mundo
inteiro podem atender bem aos clientes. Para desenvolver uma
estratégia eficaz, as pessoas que estão no
papel de liderança devem entender o que está
acontecendo no restante do mundo e reformular nossa
organização para reagir de maneira adequada.
Nenhum líder pode esperar conduzir uma empresa ao
futuro sem entender o impacto comercial, político e
social da economia global. Logicamente,
as barreiras existentes entre os mercados, as
organizações e as nações
estão caindo. Empresas e clientes estão
entrando e saindo mais livremente dos países. A
prestação de serviços e
informações, atravessando o planeta, suplantou
a manufatura como fonte primária de riqueza. E seja
lá qual for seu negócio ou missão, o
nome do jogo é inteligência. Entretanto,
o que chamamos de economia global é na verdade a
conjunção de pelo menos cinco
forças: 1. Progresso
das economias regionais. 2. Tecnologia
da informação e a nova
mídia. 3. Culturas
de consumo universais. 4. Padrões
globais emergentes. 5. Custo
empresarial compartilhado. Progresso
das economias regionais Uma
excursão econômica pelo planeta mostra a
você uma vasta cadeia de zonas pulsantes, como Hong
Kong, Kaohsiung (Taiwan), Penang (Malásia), Subic Bay
(Filipinas) e Bangalore (Índia), todas pouco
dependentes de um governo central. A excursão o leva
a uma economia desigual nos Estados Unidos, onde a maioria
das áreas metropolitanas ainda é relativamente
fraca enquanto o Vale do Silício, a orla noroeste do
Pacifico, parte do Texas e os estados montanhosos
estão prosperando - as economias de algumas cidades
nessas regiões crescem 20% ao ano. A excursão
pára em países pequenos como Cingapura, Nova
Zelândia e Irlanda, que estão crescendo de seis
a sete por cento ao ano - muito mais rápido do que as
maiores economias de seus respectivos vizinhos. Além
do mais, o surgimento de alianças globais, como a
União Européia (UE), o Acordo Norte-Americano
de Livre Comércio (Nafta), a Associação
das Nações do Sudeste Asiático (Asean)
e o Mercosul, marcam o declínio da soberania
nacional. As linhas sólidas que delimitavam as
fronteiras nacionais estão dando lugar a linhas
pontilhadas, o que resulta na migração de
capital, informação, produtos e
serviços. E as regiões mais prósperas
do mundo inverteram o papel tradicional do governo - de
proteger as fracas indústrias nacionais para convidar
corporações globais fortes que possam atender
o mercado global a partir dessas localidades
anfitriãs. A
ascensão de poderes regionais, dentro e além
das fronteiras nacionais, está modificando as regras
das negociações. Por exemplo, como uma empresa
decide fazer negócios na China? Será que o
risco é o mesmo em toda parte da grande massa de
terra chinesa? Provavelmente não. Há chances
de que Dalian e Cantão sejam hospitaleiras apesar do
que se acontece em Pequim. Da mesma maneira, à medida
que as fronteiras desaparecem na União
Européia, é mais fácil investir em
regiões menos desenvolvidas, cidades pequenas, em vez
de grandes capitais. Tecnologia
da informação e a nova
mídia Segundo
reportagem da Revista Veja de 03 de Abril de 1996, meios de
comunicação digitais, tecnologia da
informação e telecomunicações
estão comandando a mudança econômica e
social no mundo. Tão poderosa é essa
força que uma nação inteira - a
Malásia - fundamentou sua estratégia de
desenvolvimento econômico no crescimento da alta
tecnologia. A Malásia está criando, com
efeito, um país dentro de outro país - o
Multimedia Super Corridor (MSC), um trecho de cerca de 15
por 45 quilometros de antigas plantações ao
sul de Kuala Lupur. O MSC fornecerá uma
infra-estrutura de século XXI projetada segundo as
especificações das principais empresas de alta
tecnologia no mundo, e será a vitrine de oito
'aplicações principais', incluindo treinamento
à distância, telemedicina e governo
eletrônico. Criar
uma economia de tecnologia da informação
requer não só linhas telefônicas de alta
velocidade e instalações sofisticadas como
também novas leis, políticas e
relações comerciais, governamentais,
individuais e comunitárias. A maioria dos
países industrializados ainda não percebeu
essa realidade. No Japão, por exemplo, o
código educacional prescreve que professores e alunos
devem estar no mesmo local - o que dificulta o ensino
à distância. As leis médicas hoje exigem
que o médico esteja no mesmo quarto que o paciente ou
não se pode cobrar honorários. E o direito
comercial proíbe a diretoria de qualquer empresa de
se reunir por meio de teleconferência. Naturalmente,
a tecnologia da informação está
desafiando não só as convenções
legais como também as práticas empresariais. A
Amazon tornou-se a maior livraria do mundo em um ano, sem
existir fisicamente. Ela manipula três milhões
de títulos e estabelece uma relação
interativa com os clientes. Da mesma forma, softwares e CDs
são agora distribuídos eletronicamente.
Organizações de serviços também
estão evitando os sistemas tradicionais de
distribuição.
possível
que algumas profissões - como especialistas em
declaração de imposto de renda, agentes de
viagens e até mesmo, advogados - sucumbam ante a
tecnologia da informação. Culturas
de consumo universais A
mídia globalizada está causando uma
revolução cultural bem diferente da
visualizada por Mao Tse-tung: o surgimento de uma classe
mundial de consumidores formada principalmente por jovens.
Com centenas de canais disponíveis pela CNN, pela
Fox, pela Sky e pela MTV, consumidores de todas as partes
sabem agora exatamente que produtos querem comprar - e as
marcas desses produtos em geral são Nike, Sony,
Disney, Toyota, Coca-Cola e McDonald's. Esses
usuários universais - que se parecem com os
adolescentes da Califórnia em termos de gostos,
interesses e renda disponível - criam oportunidade de
volume de vendas para os comerciantes globais. Poucos
mercados domésticos podem alcançar o potencial
de crescimento das economias em desenvolvimento no mundo
todo. Padrões
globais emergentes Com
a homogeneização das preferências do
consumidor vem o surgimento de padrões
técnicos globais. Os órgãos oficiais
mundiais já não ditam procedimentos formais
para estabelecer padrões de transmissão de
fax, por exemplo. Mais exatamente, algumas empresas globais
capturam um mercado. O Windows da Microsoft e os
microprocessadores da Intel criaram o Wintel, o
padrão de facto da computação pessoal.
A linguagem Java está se tornando universal na World
Wide Web. Os códigos de habilitação
estão cada vez mais convergindo para que as casas
fabricadas nos Estados Unidos ou no Canadá possam ser
exportadas para o Japão, reduzindo o custo de
construção de moradia quase a metade. Empresas
como MasterCard, Visa e American Express fixaram
padrões de facto para o dinheiro eletrônico e
as assinaturas digitais. O processo de
instituição de padrões globais quase
sempre é causal e não planejado, mas
estabelece a base para uma enorme geração de
riqueza. Custo
empresarial compartilhado A
maioria dos estrategistas empresariais preocupa-se com a
questão de minimizar o custo e maximizar a receita,
portanto não é de se espantar que esteja
voltando sua atenção para o restante do mundo.
A economia global oferece às empresas imensas
oportunidades em ambos os lados da equação
custo/receita. Elas podem aumentar a receita atendendo
às expectativas de um bilhão de novos
consumidores e, ao mesmo tempo, podem reduzir os custos
fixos (manufatura, capital, P&D e fixação
da marca) e variáveis (mão-de-obra e
materiais). Elas não precisam necessariamente fazer
as malas e transferir suas operações para o
exterior. Todas as formas de aliança
estratégicas, fusões e
aquisições, franquias globais e
terceirizações podem se traduzir em
notáveis economias de custo. Enquanto as ofertas
econômicas globais melhorarem a
contribuição financeira para os custos fixos,
empresas de todos os portes irão
explora-las. A
guinada da estratégia empresarial convencional
é dupla: a competitividade global é
definitivamente uma corrida de inteligência e
conhecimento, não de mão-de-obra barata, e a
economia sem fronteiras gera oportunidades para empresas
astutas de qualquer porte. A General Electric pode insistir
em ser a número um ou dois em seu mercado, mas
há vantagens em ser a número sete ou oito. A
'pequenez' nesse momento da história é uma
virtude. Não há muito a perder
reinventando-se. Você tem a chance de se tornar dez ou
cem vezes maior, em vez de atingir um crescimento, na melhor
das hipóteses, de 20 por cento. Usando a tecnologia
de multimídia e de redes globais, ganha-se acesso
à mesma tecnologia de comunicações e
redes de comércio que as grandes empresas. Por meio
de alianças, divisão de custos e
elaboração criativa, as pequenas empresas
podem ter grandes ambições. Podem explorar a
deficiência comum em todas as grandes empresas:
investir capital para fazer as coisas sempre do mesmo modo.
Em outras palavras, uma empresa de grande porte terá
menos flexibilidade para 'fazer bem' no século
XXI. Desemprego
estrutural e os novos empregos Segundo
reportagem da Revista Veja de 03 de Abril de 1996, a
crescente concorrência internacional tem obrigado as
empresas a cortar custos, com o objetivo de obter
preços menores e qualidade alta para os produtos.
Nessa reestruturação estão sendo
eliminados vários postos de trabalho, tendência
que é chamada de desemprego estrutural. Uma das
causas desse desemprego é a automação
de vários setores, em substituição
à mão de obra humana. Caixas
automáticos tomam o lugar dos caixas de banco,
fábricas robotizadas dispensam operários,
escritórios informatizados prescindem
datilógrafos e contadores. Nos países ricos, o
desemprego também é causado pelo deslocamento
de fábricas para os países com custo de
produção mais baixos. O
fim de milhares de empregos, no entanto, é
acompanhado pela criação de outros pontos de
trabalho. Novas oportunidades surgem, por exemplo, na
área de informática, com o surgimento de um
novo tipo de empresa, as de "inteligência intensiva",
que se diferenciam das industrias de capital ou mão
de obra intensiva. A IBM, por exemplo, empregava 400 mil
pessoas em 1990, mas, desse total, somente 20 mil produziam
máquinas. O restante estava envolvido em áreas
de desenvolvimento de outros computadores - tanto em
hardware como em software - gerenciamento e marketing. Mas a
previsão é de que esse novo mercado de
trabalho dificilmente absorverá os excluídos,
uma vez que os empregos emergentes exigem um alto grau de
qualificação profissional. Dessa forma, o
desemprego tende a se concentrar nas camadas menos
favorecidas, com baixa instrução escolar e
pouca qualificação. Blocos
econômicos São
associações de países, em geral de uma
mesma região geográfica, que estabelecem
relações comerciais privilegiadas entre si e
atuam de forma conjunta no mercado internacional. Um dos
aspectos mais importantes na formação dos
blocos econômicos é a redução ou
a eliminação das alíquotas de
importação, com vistas à
criação de zona de livre comércio. Os
blocos aumentam a interdependência das economias dos
países membros. O
primeiro bloco econômico aparece na Europa, com a
criação , em 1957, da Comunidade
Econômica Européia. Mas a tendência de
regionalização da economia só é
fortalecida nos anos 90: o desaparecimento dos dois grandes
blocos da Guerra Fria, liderados pelos EUA e URSS, estimula
a formação de zonas independentes de
livre-comércio, um dos processos de
globalização. Atualmente, os mais importantes
são: o Acordo de Livre Comércio da
América do Norte (Nafta), a União
Européia (EU), o Mercado Comum do Sul (Mercosul), a
Cooperação Econômica da ¡sia e do
Pacifico (Apec) e em menor grau o Pacto Andino, a Comunidade
do Caribe e Mercado Comum (Caricom), a
Associação das Nações do Sudeste
Asiático (Asean), a Comunidade da ¡frica
Meridional para o desenvolvimento (SADC). No
plano mundial, as relações comerciais
são reguladas pela Organização Mundial
do Comércio (MC), que substitui o Acordo Geral de
Tarifas e Comércio (Gatt), criado em 1947. A
organização vem promovendo o aumento no volume
de comércio internacional por meio da
redução geral de barreiras
alfandegárias. Esse movimento, no entanto, é
acompanhado pelo fortalecimento dos blocos econômicos,
que buscam manter maiores privilégios aos
países- membros. Discussão
Bibliográfica "A
globalização está multiplicando a
riqueza e desencadeando forças produtivas numa escala
sem precedentes. Tornou universais valores como a democracia
e a liberdade. Envolve diversos simultâneos: a
difusão internacional da notícia, redes como a
Internet, o tratamento internacional de temas como meio
ambiente e direitos humanos e a integração
econômica global." FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - Veja, 3
de Abril, 1996 - página 82 "A
globalização é a
revolução do fim do século. Com ela, a
conjuntura social e política das nações
passam a ser desimportante na definição de
investimentos. O individuo torna-se uma peça na
engrenagem da corporação. Os países
precisam-se ajustar para permanecer competitivos numa
economia global - e aí não podem ter mais
impostos, mais encargos ou mais inflação que
os outros." ANTÓNIO DELFIM NETO - Veja, 3 de Abril,
1996 - página 83 "A
globalização é tão velha como
Matusalém. O Brasil é produto da
expansão do capitalismo europeu do final do
século XV. O que está havendo agora é
uma aceleração. Isso pode ser destrutivo para
o Brasil, se o país na administrar sua
participação no processo. A
globalização é boa para as classes mais
favorecidas. As menos favorecidas ficam sujeitas a perder o
emprego." PAULO NOGUEIRA BATISTA JUNIOR - Veja, 3 de Abril,
1996 - página 84 "A
globalização começou na década
de 70, a partir do aumento da produção das
empresas, e foi acelerada porque as empresas precisam estar
em vários países para se aproveitar das
variações cambiais. Além disso, a
globalização é uma bolha especulativa,
que se expressa no mercado de derivativos.
a jogatina
da moeda diária. Isso afeta empregos. Há uma
recessão também globalizada." MARIA DA
CONCEIÇÃO TAVARES - Veja, 3 de Abril, 1996 -
página 86 "As
políticas internacionais uniformizaram mecanismos de
produção para obter maior produtividade.
Quando a globalização é usada para
melhorar a vida das pessoas descobrindo um remédio,
por exemplo, ela é positiva. Mas a tendência
é de que se desconsidere o ser humano, aumentando o
desemprego. Os que estão empregados tem que estar
integrados com os avanços tecnológicos."
VICENTE PAULO DA SILVA - Veja, 3 de Abril, 1996 -
página 87 "A
globalização é um fenômeno
tão importante quanto a Revolução
Industrial ou a reorganização capitalista da
década de 30.
a integração
econômica e tecnológica dos países. A
globalização da economia não é
um processo ideológico.
um movimento de
transformação social e de
produção que vai permitir melhoria da
qualidade de vida do cidadão e domínio das
potencialidades naturais." PAULO PAIVA - Veja, 3 de Abril,
1996 - página 88 "Com
a globalização, a vantagem de
localização que um país tinha na
produção de algum bem passa a ser
ameaçada pela competição internacional.
Se o brasileiro não tem preço competitivo,
perde mercado para empresas da índia. Mas, ao mesmo
tempo em que traz risco, a globalização cria
oportunidades. A única barreira que fica entre
países e empresas é a da competência."
SERGIO ABRANCHES - Veja, 3 de Abril, 1996 - página
89 Hipóteses Pode-se
iniciar dizendo que, para sobreviver em um processo
crescente de globalização é
necessário qualificar mão-de-obra. Nesse
raciocínio, certamente os países mais pobres
irão perder com a desvalorização das
matérias-primas que exportam e o atraso
tecnológico. Sem pretensões, ciente da atual
conjuntura social em que estamos inseridos, já
é passada a hora de nós, brasileiros,
priorizarmos a educação, buscando um
aprimoramento constante e evolutivo, não nos
contentando apenas com a graduação oferecida
pelos bancos universitários. Há que se buscar
mais, bem mais. Cursos, pós-graduações
e outras maneiras capazes de nos ampliar os horizontes e nos
transformar em visionários do mundo, do mundo real
que nos é posto. Para
tanto, devemos estar cientes que a época do lucro
fácil, do pouco esforço com muito retorno
é passado. Ingressamos em um processo que se
caracteriza como a antítese da era de prosperidade
vivida nas primeiras décadas do pós-guerra.
Caminhamos a passos de ganso para o embate da luta
cotidiana, em que serão vencedores os que
verdadeiramente lutarem para isso. Como bem disse o
cientista Victor Bulmer-Thomas (professor emérito de
Economia da Universidade de Londres) "é irreal achar
que os resultados do final da década de 60 e da
primeira metade dos anos 70 irão se repetir. Milagres
são chamados dessa forma porque são raros".
hora de pensarmos no Brasil de hoje, abandonando a
vetusta frase "o Brasil é o país do
futuro" Nos
defrontamos como uma tendência nada virtual que
são as dificuldades no setor financeiro
experimentadas por todos. Óbices estes que, se por um
lado nos desgastam física e intelectualmente, pelo
corre-corre de conciliar inúmeras tarefas (muitas
vezes antagônicas), por outra ótica, são
capazes de nos tornar seres mais criativos, entusiastas,
apaixonados pela possibilidade de vencer as barreiras e
alcançar objetivos gloriosos. E, é justamente
esse sentimento de capacidade, aliado à
segurança e cidadania perenes, que deve estar
presente na vida do ano 2000 e doravante, de todos os
brasileiros. Historicamente, tem sido essa fé
inabalável na capacidade de gerar sucesso o ponto
comum entre todos os grandes empreendedores. Destarte,
sejamos todos usufrutuários dos benefícios (e
malefícios) advindos da globalização e,
através de uma percepção correta acerca
do que é interessante para o mercado e muito
trabalho, façamos do fracasso apenas mais uma etapa
até o sucesso. Conclusão Uma
das características da globalização
é a competição feroz entre as empresas
para conseguir baixar preços e oferecer produtos
melhores. Isso implica corte de custos, que na maioria das
vezes quer dizer corte de empregos. A
globalização obriga as empresas a enfrentar
uma brutal transformação. Elas precisam ser
mais competitivas para enfrentar a concorrência
estrangeira. Para
conseguir preços melhores e qualidade da mais alta
tecnologia na guerra contra os concorrentes, as empresas
cortaram custos. Esse corte se torna mais visível no
emprego, devido à automação e à
tecnologia que está cada vez mais
presente. Devemos
estar conscientes de que a globalização em
tempos de calmaria provoca mudanças positivas e em
seus tempos de crise, arrasa economias frágeis.
Precisamos ainda aprender a controlar as forças
desencadeadas pela globalização para que esta
não provoque efeitos negativos para a maioria da
população. Enfatizamos
que a globalização não é uma
coisa boa ou má, ela ocorre desde o principio das
civilizações, mas ficou evidente somente
nessas últimas décadas com o desenvolvimento
tecnológico e as grandes mudanças que vem
ocorrendo. Bibliografia Daniels,
John L. & Daniels, Caroline. Visão Global:
Criando novos modelos para as empresas do futuro. São
Paulo: Makron Books, 1996. Kanter,
Rosabeth Moss. De líder para líder: Como os
locais podem vencer competições
globais. Revista
Veja. São Paulo: Abril, 03 abr 1996.
p.80-89 Revista
Veja. São Paulo: Abril, edição 1582, 27
jan 1999. p.46-53 Internet.
O que é globalização.
Lígia de Oliveira