Gestão Ambiental

Fabiana Lopes Cortez
Rosângela Mendes Ferreira Patrício

Monografia apresentada no curso de Organização, Sistemas e Métodos das Faculdades Integradas Campos Salles, sob orientação do Professor Mauro M. Laruccia

(Disponível na rede desde novembro de 2000) 


Introdução

A história da humanidade se incorporou um capítulo recheado de transformações drásticas a partir do pós-guerra. Desastres ecológicos, aquecimento global, povos vivendo em condições de miséria absoluta, má distribuição da riqueza natural e humana, comprovam os aspectos predatórios e sócio-políticos injustos e imperfeitos adotados nas últimas décadas.

Paralelamente vem crescendo a conscientização sobre a interferência negativa que as ferramentas do desenvolvimento humano provocam no sistema natural e sobre o quanto o desequilíbrio ambiental pode ser irreversível.

Em 1972, na Conferência de Estocolmo (Conference on The Human Environment) este assunto tomou pela primeira vez proporções globais, alertando o mundo para a questão ambiental e a necessidade de preservar os recursos naturais.

No início dos anos 70 a meta era a produção, não se levava em muito em conta a saúde do trabalhador, e as questões da Proteção Ambiental não eram consideradas e nem levadas em conta a opinião da comunidade.

Já no início dos anos 80 começou a perceber que a produção gerava resíduos sólidos, líquidos e gasosos, e o que fazer com eles, começa então a fase do controle da poluição, onde esses resíduos deviam ser tratados antes de serem lançados no meio ambiente. Uma característica forte desta época é que o tratamento das questões ambientais eram feitas de maneira isolada, o técnico da segurança do trabalho era responsável pela saúde do trabalhador, as demais áreas da empresa não se envolviam nessas questões.

Na década de 90 começa a ocorrer o envolvimento da comunidade, formada pelos vizinhos, funcionários, familiares, autoridades, acionistas, mídia e organizações não governamentais. No passado a comunidade era a favor da instalação de novas indústrias pois gerava empregos, agora surgem novas preocupações como o risco à saúde e a devastação do meio ambiente onde estão instaladas estas indústrias.

Uma mudança profunda desta época é de que a gestão ambiental começa a ser vista como um envolvimento entre diversas áreas em uma organização, e precisa ser gerenciada em conjunto, nunca isoladamente. Um exemplo disso é que um determinado resíduo pode estar contaminando o ambiente, não é um problema só da área de tratamento de resíduos, envolve também o setor de produção que pode mudar a forma de produção, diminuindo ou até eliminando os resíduos, ou então o setor de suprimentos, que pode trocar uma matéria prima que não gere mais estes resíduos e assim por diante.

Hoje podemos encontrar dois tipos de programas de gestão ambiental. Um que é montado das partes para o todo e outro que primeiro se olha o todo e depois começa a detalhar as partes. Mas em qualquer um deles alguns elementos devem estar presentes: a) Objetivo- Deve-se saber o que se quer deste programa; b) Estratégia - Para atendimento do objetivo acima deve-se ter uma estratégia, na qual as regras básicas do programa são identificadas; c) Padrão/Metas - Estabelece-se critérios para se saber o que é certo ou errado, ou que se quer alcançar dentro da estratégia já fixada. Leis são um bom exemplo de padrão; d) Ferramentas específicas - Deve-se ter ferramentas que permitam atingir os padrões desejados, como por exemplo ferramentas de análise de risco; e) Sistema de checagem - É importante criar sistemas que permitam checar o andamento da implementação do programa. As auditorias ambientais são um bom exemplo neste caso e f) Organização - Neste ponto o Programa já está pronto. Mas quem executa?

Deve-se estabelecer uma organização (não somente para a área ambiental, mas para toda a organização) para tocar o programa. Quem faz o que e como?

Um programa montado e executado nestes moldes traz benefícios como: conhecer e administrar os riscos ambientais da empresa; criar uma cultura ambiental na organização; reduzir gravidade e freqüência de acidentes e reduzir a geração de resíduos e o consumo de água e energia.

Mas nem tudo é fácil, um fato importante principalmente nesta fase de globalização, é de que o objetivo principal de uma organização não é produzir e sim vender, e neste caso o custo tem uma importância fundamental, e como ainda temos uma grande dificuldade em transformar os benefícios acima mencionados em reais ou dólares, o futuro destes programas de Gestão Ambiental estão altamente comprometidos.

Problema

Uma grande tendência da questão ambiental no futuro é o Desenvolvimento Sustentável. Desenvolvimento porque não é possível conviver com a pobreza existente ainda na Terra e o desenvolvimento seria o remédio para este mal. Sustentável porque este desenvolvimento tem que ser feito de maneira a não comprometer os recursos para a geração futura.

Partindo deste enfoque, começam a aparecer especialistas que recomendam que deve-se repensar as atividades produtivas. Assim se você é produtor de refrigerantes, estima-se que nos próximos 30/40 anos a população da Terra vai aumentar em mais 5 bilhões de pessoas, isto poderia significar uma boa notícia, já que são 5 bilhões de novos clientes em potencial, porém, não se pode esquecer que talvez não tenha água para toda esta produção de refrigerante.

Existem de um lado preocupações com a engenharia genética e de outro especialistas de renome internacional que afirmam que se mantidas as atuais técnicas de produção, entre 2030 e 2040 teremos uma situação de colapso, não tendo água, energia e comida para todo mundo.

Baseado no acima exposto, formulamos a seguinte pergunta: Como podemos utilizar estratégias que compartilhem crescimento e preservação do meio ambiente para garantir o consumo humano?

Objetivos

O objetivo principal deste trabalho é estudar as formas de gestão ambiental, novas estratégias que podem ser utilizadas nas empresas e avanços tecnológicos capazes de preservar e acelerar o crescimento do meio ambiente.

Vamos também estudar como podemos conscientizar melhor a população e as empresas sobre a importância do meio ambiente, pois eles têm um papel fundamental na preservação do lugar onde vivemos, e são as principais interessadas em que o meio ambiente não desapareça.

Queremos com este tema contribuir e apresentar novas formas de conscientização da população em geral, sobre a importância da gestão ambiental.

Justificativas

A consciência sobre os problemas ambientais apresenta-se em nossos dias de maneira tão intensa e penetrante, que todos nós, empresários, líderes políticos, trabalhadores, homens e mulheres, sabemos que o desenvolvimento econômico, tão desejado, não pode ser alcançado se danos irreparáveis forem causados ao ambiente em que vivemos, precisamos descobrir novas formas de produção, levando em conta o meio ambiente e tudo o que nele existe, por isso a gestão ambiental é extremamente importante, pois hoje, mais do que nunca, precisamos dirigir o ambiente em que vivemos para termos condições de viver e viver com qualidade.

Por isso, optamos por estudar este tema, tão importante nos dias atuais e indispensável para que possamos ter um futuro coisas tão simples como: ar, água e energia.

Hipóteses

As hipóteses em que este trabalho se baseia são decorrentes dos problemas detectados pelos autores, que são resumidos a seguir:

Hipótese 1 &endash; Podemos utilizar novas formas de aproveitamento dos recursos naturais e de alternativas de preservação do meio ambiente, implantando Sistemas de Gestão Ambiental, programas de reciclagem, de conscientização da sociedade e de preservação de água e energia.

Hipótese 2 &endash; Existem formas de garantir a eficácia dos instrumentos de gestão ambiental utilizando-se de um melhor gerenciamento dos recursos naturais, econômicos e sociais.

Metodologia

Utilizaremos a metodologia de Análise Teórica, pesquisando idéias e informações bibliográficas disponíveis em bibliotecas, revistas e em estudos de casos.

Buscaremos soluções através de assuntos relacionados à estratégias que compartilhem crescimento e preservação do meio ambiente; formas de gestão ambiental, e conscientização da população e das empresas sobre estes temas. 

Conceitos

O termo ambiental abrange as questões de Segurança, Saúde e Proteção ao Meio Ambiente ou, em outras palavras, o ambiente interno e externo das atividades empresariais. (LAGE NETO, 1998:46)

Definimos o ambiente (1) e (2) de uma dada população de seres humanos como o sistema de constantes espaciais e temporais de estruturas não-humanas, que influencia os processos biológicos e o comportamento dessa população. No "ambiente" compreendemos os processos sociais diretamente ligados a essas estruturas, como sejam o trajeto regular dos suburbanos, ou o desvio comportamental em correlação direta com a densidade da população ou com as condições habitacionais. Excluímos, no entanto, os processos que se desenvolvem principalmente no interior do sistema social. É evidente que tal distinção, em certa medida, é arbitrária, pois num sistema social cada elemento se acha vinculado a todos os outros. (ALII, 1975:184)

Pode ser que, para um dado indivíduo, o ambiente seja um bem público que pode ser contaminado por fins egoísticos. Mas para a sociedade, ele é na realidade parte do seu patrimônio comum, cuja proteção é vital. A análise tradicional de custos e benefícios deve incluir, de hoje em diante, as cargas e os benefícios sociais. Em Estocolmo foi aprovado que o desenvolvimento econômico e social é indispensável, que desejamos assegurar um ambiente propício à existência e ao trabalho do homem e criar as condições necessárias à melhoria da qualidade da vida. As deficiências ambientais, atribuídas às condições de subdesenvolvimento, determinam graves problemas. O melhor meio de se remediar e acelerar o desenvolvimento é a transferência de auxílios financeiros e de substancial tecnologia. As políticas nacionais, quanto ao meio ambiente, devem procurar reforçar o potencial do progresso do país em via de desenvolvimento e não vir a debilitá-lo. E tem sido exatamente essa a política nacional. (TOMMASI, 1977:164-165)

Reconhecido mundialmente pela ousadia de suas idéias nos campos da Biogeografia, da Ecologia Humana, da Ética Ambiental e do Ecodesenvolvimento, o Professor Pierre Sansereau pode ser considerado um dos "ícones vivos" do movimento ambientalista...

"As fontes de uma ética ambiental"

O RESPEITO adquire-se através da experiência que permite a projeção do indivíduo no meio ambiente.

A SOLIDARIEDADE com as plantas e os animais provém da satisfação de necessidades comuns e da realização de trocas mútuas.

A GRATIDÃO pelos frutos da terra resulta do prazer gerado pelo reconhecimento de outras identidades e da fruição entre os produtos da natureza e as obras do homem.

A SATISFAÇÃO alimenta-se da compreensão das nossas descobertas, invenções e criações e alcança sua plenitude quando estas são apropriadas pelo indivíduo.

A HARMONIA nos hábitats humanos é alcançada por meio de investimentos sábios e imaginativos nas paisagens e de uma gestão justa.

A INTEGRIDADE na transmissão da informação exige uma compreensão lúcida da disponibilidade dos bens e uma vontade de compartilhar direitos e deveres.

O verbo "Ecologizar" conceito formulado pelo colega Maurício Andrés Ribeiro seria a única orientação possível para reverter a situação atual. Trata-se de uma revisão dos problemas históricos de nosso tempo, que carecem de uma solução de abarcar os problemas sociais, ecológicos, no interior de um pensamento universal que abranja todas as forças da sociedade, que são veiculadas por meio das ciências, da educação e da comunicação e, inevitavelmente da ética privada e pública.

O propósito de "Ecologizar" nosso pensamento deve possibilitar a emergência de novas formas de percepção e compreensão da realidade que favoreçam o surgimento de comportamentos sintonizados com valores universais de respeito à vida e ao patrimônio comum da humanidade, eqüidade, não-violência e cooperação. Esta é a complexidade que temos que abordar para poder resolver os problemas ecológicos do Planeta (DANSEREAU, 2000:18-19).

Administração ou Gestão? (3)

Afinal, qual é a diferença entre administração e gestão? Ambas as palavras têm origem latina, gerere e administrare. Gerere significa conduzir, dirigir ou governar. Administrare tem aplicação específica no sentido de gerir um bem, defendendo os interesses dos que o possuem. Administrar seria, portanto, a rigor, uma aplicação de gerir...

Voltando à nossa língua pátria, o termo gestão parece se aplicar melhor à esfera empresarial. (FERREIRA, REIS e PEREIRA, 1997:6)

Se é verdade que "governar é prever" pode afirmar-se que, para conduzir uma empresa, gerir uma empresa, é preciso igualmente prever. (JONIO, PLAINDOUX e LELEUR, 1972:65).

Numa economia globalizada os parâmetros de qualidade ambiental passam a ser universais. A legislação e as exigências estão cada vez mais rígidas e prevalecerão as mais restritivas.

A variável ambiental chegou para ficar, estando muito mais próxima da economia do que da ecologia, que lhe dá orientação técnica.

As questões ambientais são sempre complexas, pois envolvem uma vasta gama de aspectos políticos, técnicos e científicos.

A implementação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é a melhor forma de salvaguardar os interesses da empresa neste cenário, já que permite uma ação corretiva e preventiva baseada em fatos e dados. De forma a contribuir para o SGA, uma das ferramentas de verificação do desempenho ambiental são os relatórios ambientais utilizados pela empresa.

Os Relatórios de Acidente Ambiental e de Avaliação de Agressão Ambiental, visam estabelecer uma ferramenta ágil e eficaz de gerenciamento do potencial de agressão ambiental, nas diferentes unidades de negócio de uma empresa e nos diferentes setores funcionais da organização, uma ferramenta capaz de possibilitar diretrizes para medir o progresso e o cumprimento das políticas de identificação dos possíveis riscos ambientais de uma empresa, como também o encaminhamento das suas soluções.

Um sistema de gerenciamento das questões ambientais só gera bons resultados quando parte da decisão política da organização de não só cumprir a legislação vigente, mas principalmente de adequar as normas de meio ambiente, para melhorar seu desempenho, levando-se em consideração as interações entre a empresa e o meio ambiente, a comunidade e os órgãos oficiais de controle ambiental.

A aplicação dos Relatórios Ambientais proporciona não só a rápida adequação de suas atividades às reais necessidades de proteção do meio ambiente, como forma de garantir a continuidade dos seus negócios.

Em um mundo cada vez mais globalizado, as questões ambientais tornaram-se cada vez mais presente dentro da estratégica empresarial, o que torna preemente adotar ferramentas capazes de proporcionar uma gerenciamento que possibilite o alcance das metas estipuladas.

Um desses instrumentos para controle ambiental são os Relatórios Ambientais, que cobrem todas as fases da vida de uma unidade, desde a fase da construção, operação e no descomissionamento...

O sistema de gerenciamento ambiental deverá conter no mínimo os seguintes componentes: Coordenação Geral; Coordenadores de Meio Ambiente; Inventário Ambiental; Relatórios Periódicos e Episódicos e Auditorias.

Estes componentes deverão ser implantados na ordem em que foram apresentados, com exceção da auditoria, que poderá preceder ou ser implantada independentemente das demais, de acordo com as condições e necessidades de cada empresa.

  • Coordenação Geral

A coordenação geral do programa é exercida pela Gerência de Meio Ambiente da organização, ligada a Diretoria de Segurança, Saúde e Meio Ambiente.

A Gerência de Meio Ambiente, tendo como atribuições, juntamente com as responsabilidades que lhe são conferidas pela política de segurança, saúde e meio ambiente definidas pela empresa, a organização, a implementação, o controle e a avaliação da sua divulgação. O gerente de Meio Ambiente, juntamente com o seu "staff", são os representantes autorizados da empresa junto aos órgãos governamentais de controle do meio ambiente, sendo, portanto, os elementos de ligações e contatos,

À coordenação geral cabe os treinamentos específicos para os coordenadores dentro de diversos assuntos pertinentes ao meio ambiente.

  • Coordenadores do Meio Ambiente

A proteção do meio ambiente em cada unidade é de responsabilidade do maior nível de gerência nela sediado...Portanto, é também atribuição da gerência da unidade a indicação do coordenador de meio ambiente.

O coordenador de meio ambiente funciona como um elo de comunicação entre a coordenação geral do programa e a gerência da unidade, tendo como principais atribuições: dar apoio técnico à gerência da unidade...; emitir relatórios; promover treinamento; receber e acompanhar inspeções de amostragem e participar das soluções dos problemas ambientais da unidade.

Cada coordenador deverá receber treinamento específico para a função, constando no mínimo de: controle de poluição; controle de poluição das águas superficiais e subterrâneas; controle de poluição do solo; controle de emissão de níveis de pressão sonora; gerenciamento de resíduos sólidos e perigosos; controle de potabilidade; legislação ambiental federal, estadual e local; prevenção de vazamentos e derramamentos e operações e processos da unidade.

Deverão ser promovidas reciclagens periódicas, onde inclusive cada coordenador tenha oportunidade de passar sua experiência para os demais.

Dependendo do potencial de agressão ao meio ambiente da unidade, o coordenador poderá desempenhar paralelamente outra função.

  • Inventário Ambiental

O objetivo do Inventário Ambiental é manter sempre disponíveis e atualizadas todas as informações necessárias para o controle do gerenciamento ambiental, a fim de obter a renovação da Licença Ambiental de Operação, ou a Solicitação da Licença Ambiental de Instalação para novos equipamentos...

O Inventário Ambiental determina o que deverá ser gerenciado em uma unidade de negócio, A forma como se efetuará este gerenciamento é fornecido pelo Programa de Proteção Ambiental específico para uma certa unidade de negócio da empresa.

Portanto, basicamente no Inventário Ambiental deverá constar as seguintes informações:

-Descrição Geral da Unidade

Atividade principal; data do "start-up"; regime de funcionamento; número de funcionários; fluxograma de processo; balanço de massa; descrição do processo; relação de matérias primas e insumos utilizados; consumo de energia e utilidades; relação de produtos fabricados; relação das máquinas e equipamentos; informações sobre produtos perigosos; "lay-out"; planta de situação, indicando construções adjacentes e direção predominante dos ventos.

-Controle Oficial

Nome e endereço do órgão Oficial de Controle Ambiental; especificação de todas as licenças obtidas pela Unidade; informações sobre inspeções feitas pelo Órgão Oficial.

-Fontes de Abastecimento de Água

Captação; usos; padrões; freqüência das análises; descrição do sistema de tratamento.

-Efluentes

Todas as emissões das diferentes Unidades de Negócios devem ser gerenciadas de acordo com o diagrama de efluente, que visa estabelecer as diretrizes básicas para o controle do sistema de gestão:

  • Emissões Atmosféricas: características de origem das emissões; determinação de quantidades emitidas; parâmetros de controle.
  • Efluentes Líquidos: características de origem de cada despejo; vazão; sistema de tratamento; parâmetro de controle e seus padrões; disposição final.
  • Resíduos Sólidos e Semi-Sólidos : característica e origem de cada despejo; quantidade; forma de acondicionamento; forma de coleta; disposição final.
  • Ruído: indicar o nível de pressão sonora nos limites da unidade, evidenciando sua adequação à Portaria 092 de 19.06.80 do Ministério do Interior e a Resolução CONAMA 001 de 08 de março de 1990 &endash; que estabelece os critérios de emissão de níveis de ruído no território nacional...

 

  • Relatórios Periódicos e Episódicos

Estes relatórios são a forma simples e padronizada de comunicação entre o coordenador de meio ambiente da unidade de negócio e a coordenação geral do Sistema de Gerenciamento Ambiental da organização...

-Relatório de Avaliação de Agressão Ambiental

São semestrais e permitem o conhecimento do potencial de agressão ambiental da unidade.

-Relatório de Acidente Ambiental

Qualquer acidente ambiental, tais como, lançamento anormal de efluentes, reclamações, alterações na legislação ambiental local e/ou emissão de novos regulamentos, devem ser comunicadas imediatamente através do preenchimento e envio do formulário apropriado.

-Relatório da Coordenação Geral

A coordenação geral deve emitir, no máximo em trinta dias do encerramento do período, relatório comentando os relatórios acima mencionados.

  • Auditorias

Seu objetivo principal é a identificação de riscos do meio ambiente, protegendo assim o bem maior de toda a comunidade interna e externa.

Para sua implementação é fundamental sua aceitação e incentivo por parte da alta direção da empresa, e deve ser baseado em: Tamanho da empresa, potencial de risco ambiental das suas operações, situação da empresa perante às exigências governamentais controladoras do meio ambiente e comunidades adjacentes às suas instalações e disponibilidade de recursos humanos e financeiros.

Como a percepção ambiental tem diferentes significados nas distintas áreas de uma organização, o desenvolvimento de uma nova conscientização das questões ambientais e seus impactos nem sempre são percebidos na montagem estratégica da organização. Ë preciso que valores éticos ambientais sejam incorporados nos diversos segmentos da organização, entretanto esta incorporação é complexa, a fim de solucionar este impasse, que muitas das vezes ocorre mesmo em uma grande empresa que assume um compromisso com o meio ambiente. É necessário criar mecanismo de Gestão Ambiental, que possam transcender os investimentos e atuar na área de comunicação e recursos humanos.

Os instrumentos da Gestão Ambiental envolvem basicamente duas funções integradas:

  • Gerenciamento Ambiental a Nível Interno
    • Melhoria das condições operacionais, minimizando perdas, evitando vazamentos, controlando fugas, reciclando materiais etc. 
    • Manutenção de uma elevada eficiência tanto nos sistemas produtivos quantos nos de controle ambiental, quando é o caso. 
    • Pesquisa de tecnologia e/ou processos produtivos que causem menor impacto do ponto de vista ambiental. 
    • Capacitação de pessoal destinado ao tratamento profissionalizado deste assunto.

 

  •  Gerenciamento Ambiental na Esfera Externa

Envolve as relações da empresa com as autoridades, legisladores, outras indústrias e comunidades em geral...

Entretanto, cabe ressaltar que o sucesso da utilização desta ferramenta e do Programa de Gerenciamento Ambiental da empresa depende da participação intensa e permanente da alta direção e do compromisso assumido pelo seu corpo funcional. (TELES & FERREIRA FILHO, 2000:102)

Quando se reconhece que os indivíduos, os grupos e as organizações têm necessidades que devem ser satisfeitas, a sua atenção volta-se invariavelmente para o fato de que isto depende de um ambiente mais amplo a fim de garantir várias formas de sobrevivência. É este tipo de pensamento que agora está subentendido no "enfoque sistêmico" da organização que tira principal inspiração do biologista teórico Ludwig von Bertalanffy. Desenvolvido simultaneamente de ambos os lados do Atlântico nos anos 50 e 60, o enfoque de sistemas fundamenta-se no princípio de que as organizações, como os organismos estão "abertos" ao seu meio ambiente e devem atingir uma relação apropriada com este ambiente, caso queiram sobreviver.

Desenvolvido no nível teórico, o enfoque dos sistemas abertos gerou muitos conceitos novos para se pensar nas organizações...Conceito de sistemas abertos: Os sistemas orgânicos, seja uma célula do organismo complexo seja uma população de organismos existem num contínuo processo de trocas com o seus ambientes. Essa troca é crucial para a manutenção da vida e forma do sistema, uma vez que a interação com o ambiente é fundamental À automanutenção. Assim, é dito freqüentemente que os sistemas vivos são "sistemas abertos", caracterizados por um contínuo de entrada, de transformação interna (do começo ao fim), saída e retro-alimentação (por meio da qual um elemento da experiência influencia o seguinte). O conceito de abertura põe em relevo as relações-chave entre o ambiente e o funcionamento interno do sistema. Ambiente e sistema devem ser compreendidos como estando em estado de interação e dependência mútua...

Estas idéias possuem importantes implicações em relação o modo pelo qual se concebe o processo de evolução organizacional isto porque as organizações são consideradas como desempenhando um papel ativo na construção de seus ambiente, ao mesmo tempo em que constróem as suas identidades. Todas as empresas têm sucesso em criar identidades de um tipo ou de outro, uma vez que sob muitos aspectos o processo global de organização é a realização de uma identidade. Entretanto, algumas identidades são mais resistentes e duradouras do que outras.

À medida que as organizações sedimentam as suas identidades, podem iniciar transformações mais amplas na ecologia social a que pertencem. Podem estabelecer as bases para a própria destruição. Ou, então, podem criar condições que permitirão a elas evoluírem com o ambiente. Por exemplo, uma indústria química que possuísse um sentido sistêmico de identidade poderia tentar transformar-se e eliminar a ameaça dos tóxicos no ambiente. Entretanto, na realidade, muitas empresas devoram a sua sobrevivência futura, criando a oportunidade para que novos padrões de relações emerjam, mas às expensas da sua própria existência futura. Organizações egocêntricas consideram a sobrevivência como dependendo muito mais da conservação de sua identidade estreitamente autodefinida e fixa do que da evolução menos rígida e aberta da identidade do sistema ao qual pertencem.... Apesar de viáveis e de considerável sucesso por certo período, determinadas organizações ou indústrias podem experimentar uma mudança na sorte como resultado daquilo que são e como resultado da ação e da passividade que este senso de identidade encoraja. A longo prazo, sobrevivência só pode ser sobrevivência com o ambiente e nunca sobrevivência contra o ambiente ou contexto no qual se está operando. (MORGAN, 1996:48-49;251-252).

Conclusão

Afinal o que é gestão ambiental, segundo Luiz Roberto Tommasi, a sociedade define o ambiente como parte do seu patrimônio comum, cuja proteção é vital. Já o autor Gerhard Kade et Alii define o ambiente de uma dada população de seres humanos como o sistema de constantes espaciais e temporais de estruturas não-humanas, que influencia os processos biológicos e o comportamento dessa população. E segundo os autores Ademir Antonio Ferreira, Ana Carla Fonseca Reis e Maria Isabel Pereira gerir significa conduzir, dirigir ou governar, então gestão ambiental é dirigir o ambiente em que vivemos, preservando aquele que é nosso patrimônio comum.

Para o autor Henrique Storrer Lage Neto o termo ambiental abrange as questões de Segurança, Saúde e Proteção ao meio ambiente, portanto devemos utilizar estratégias que compartilhem crescimento e preservação do meio ambiente, pensando em todos os aspectos envolvidos. Existem várias sugestões que podem ajudar na gestão ambiental, são elas:

Formas Alternativas

  1. Plástico biodegradável, que foi desenvolvido pelo Instituto de Biociências (IB) da USP, juntamente com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que passará a ser produzido em escala comercial em junho de 2000 pela Copersucar &endash; Cooperativa de Produtores de Cana-de-Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo. Sintetizado a partir da cana-de-açúcar (sacarose), o plástico é produzido por bactérias que produzem um plástico com gene de sacarose, permitindo que o produto se decomponha em condições específicas, como o depósito de lixo.
  2. Campanha de educação ambiental, ferramenta importante que pode facilitar a aproximação entre os técnicos que lidam com a questão ambiental e a própria sociedade. Geralmente se fala muito sobre energia nuclear, desmatamento etc, mas a sociedade deveria aprender a lidar com a ecologia, o foco deve ser a qualidade de vida do homem.
  3. Programas de Reciclagem do Lixo, uma tendência mundial de otimização dos recursos, que além da preservação dos recursos naturais, reduz os custos com o desperdício e a coleta de lixo. Dois itens muito importantes são também o acondicionamento adequado do lixo e coleta seletiva, que coordenados com uma campanha de educação ambiental, reduziriam os custos da coleta e o volume de resíduos que seriam transportados e coletados.
  4. Os grandes municípios sofrem por não terem onde colocar o lixo e também correm o grande risco de racionamento de energia, por que não pensarmos na possibilidade de gerar energia elétrica a partir do lixo? E como isso pode ser feito, seria uma forma de integração entre os setores públicos e privados, gerando juntos verbas para novos investimentos nesse sentido.
  5. A impermeabilização do solo e proteção dos mananciais com a utilização de uma geomenbrana para eliminar os riscos ao meio ambiente, aonde são depositados os lixos coletados.
  6. Utilização do gás natural como fonte de energia, devido a grande defazagem de fornecimento de energia e a demora na construção de novas hidrelétricas; que geram gás metano, atingindo diretamente a vida biológica; e sendo gás natural, menos agressivo ambientalmente.
  7. Procel (Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica) que estimula a conservação de energia elétrica, pois o setor energético produz impactos ambientais desde a captura dos recursos naturais básicos até a utilização final pelos consumidores.

Foi realizada uma pesquisa pela universidade Regional de Blumenau, que consistiu na consulta a 138 empresas dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Segundo o resultado, 58% disseram que sentem seus negócios pressionados por órgãos públicos, devido à legislação do meio ambiente. Outros 63% alegaram que a pressão maior provém dos consumidores interessados nas ações das empresas em defesa do meio ambiente. E 71% afirmaram que as preocupações com o meio ambiente terão impacto médio ou grande em cinco anos.

Outra conclusão da pesquisa foi de que 56% das empresas estão iniciando um processo de conscientização na área ambiental, 12% estão implantando um sistema de Gestão Ambiental (SGA) e 8% já implantaram. Das 138 empresas consultadas, 10% estão buscando a certificação pela norma ISO 14000 e apenas 3% já obtiveram essa certificação.

Com estes dados podemos observar que a grande maioria das empresas já estão em algum processo de gestão ambiental, e aquelas que ainda não começaram, deverão fazê-lo em breve, pois apesar de ainda não ser obrigatório por lei, elas já estão percebendo que esse é um quesito indispensável para continuarem no mercado competitivo.

Foram discutidas várias tendências da questão ambiental, como a implementação de um sistema de gerenciamento ambiental descrita pelos autores Carlos Alberto Teles e Renato Ferreira Filho, o enfoque de sistemas abertos pelo autor Gareth Morgan e formas alternativas que podem ajudar na gestão ambiental, mas ficou bem claro para todos nós que produzir sem danificar o meio ambiente ou a saúde dos trabalhadores é absolutamente obrigatório e programas de gestão ambiental são uma boa alternativa. Entretanto devemos levar em conta o Desenvolvimento Sustentável, como ele será conseguido? Com novas técnicas produtivas? Com controle da população? Mudança de Comportamento que leve a uma sociedade mais justa? Ainda não sabemos, mas todas elas devem ser consideradas.

Um outro ponto importante é a conscientização da população sobre a importância da gestão ambiental, mostrada pelo Professor Pierre Dansereau em as "fontes de uma ética ambiental", que nos fez refletir que podemos reverter o quadro atual, caso consigamos olhar o meio ambiente com outros olhos, não o de simples provedor de sustento, mas de algo que precisa ser respeitado e preservado, para com ele, e não por ele, conseguirmos uma qualidade de vida melhor.

Notas

(1) Conjunto das condições existentes ao redor dos seres vivos. Inclui-se aqui o clima, o solo, a água e outros organismos (SALUM, 1993:112)

(2) Que envolve ou rodeia; diz-se do ar que nos rodeia; designativo do meio em que cada um vive; o ar que respira e que nos cerca; esfera; círculo, meio em que vivemos. (CULTURAL, 1972:102)

(3) Ato de gerir, gerência, Administração. (CULTURAL, 1972:27)

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