Fabiana
Lopes Cortez Monografia
apresentada no curso de Organização, Sistemas
e Métodos das Faculdades
Integradas Campos Salles,
sob orientação do Professor Mauro
M. Laruccia (Disponível
na rede desde novembro de 2000)
Introdução A
história da humanidade se incorporou um
capítulo recheado de transformações
drásticas a partir do pós-guerra. Desastres
ecológicos, aquecimento global, povos vivendo em
condições de miséria absoluta,
má distribuição da riqueza natural e
humana, comprovam os aspectos predatórios e
sócio-políticos injustos e imperfeitos
adotados nas últimas décadas. Paralelamente
vem crescendo a conscientização sobre a
interferência negativa que as ferramentas do
desenvolvimento humano provocam no sistema natural e sobre o
quanto o desequilíbrio ambiental pode ser
irreversível. Em
1972, na Conferência de Estocolmo (Conference on The
Human Environment) este assunto tomou pela primeira vez
proporções globais, alertando o mundo para a
questão ambiental e a necessidade de preservar os
recursos naturais. No
início dos anos 70 a meta era a
produção, não se levava em muito em
conta a saúde do trabalhador, e as questões da
Proteção Ambiental não eram
consideradas e nem levadas em conta a opinião da
comunidade. Já
no início dos anos 80 começou a perceber que a
produção gerava resíduos
sólidos, líquidos e gasosos, e o que fazer com
eles, começa então a fase do controle da
poluição, onde esses resíduos deviam
ser tratados antes de serem lançados no meio
ambiente. Uma característica forte desta época
é que o tratamento das questões ambientais
eram feitas de maneira isolada, o técnico da
segurança do trabalho era responsável pela
saúde do trabalhador, as demais áreas da
empresa não se envolviam nessas
questões. Na
década de 90 começa a ocorrer o envolvimento
da comunidade, formada pelos vizinhos, funcionários,
familiares, autoridades, acionistas, mídia e
organizações não governamentais. No
passado a comunidade era a favor da instalação
de novas indústrias pois gerava empregos, agora
surgem novas preocupações como o risco
à saúde e a devastação do meio
ambiente onde estão instaladas estas
indústrias. Uma
mudança profunda desta época é de que a
gestão ambiental começa a ser vista como um
envolvimento entre diversas áreas em uma
organização, e precisa ser gerenciada em
conjunto, nunca isoladamente. Um exemplo disso é que
um determinado resíduo pode estar contaminando o
ambiente, não é um problema só da
área de tratamento de resíduos, envolve
também o setor de produção que pode
mudar a forma de produção, diminuindo ou
até eliminando os resíduos, ou então o
setor de suprimentos, que pode trocar uma matéria
prima que não gere mais estes resíduos e assim
por diante. Hoje
podemos encontrar dois tipos de programas de gestão
ambiental. Um que é montado das partes para o todo e
outro que primeiro se olha o todo e depois começa a
detalhar as partes. Mas em qualquer um deles alguns
elementos devem estar presentes: a) Objetivo- Deve-se
saber o que se quer deste programa; b)
Estratégia - Para atendimento do objetivo
acima deve-se ter uma estratégia, na qual as regras
básicas do programa são identificadas; c)
Padrão/Metas - Estabelece-se critérios
para se saber o que é certo ou errado, ou que se quer
alcançar dentro da estratégia já
fixada. Leis são um bom exemplo de padrão; d)
Ferramentas específicas - Deve-se ter
ferramentas que permitam atingir os padrões
desejados, como por exemplo ferramentas de análise de
risco; e) Sistema de checagem - É importante
criar sistemas que permitam checar o andamento da
implementação do programa. As auditorias
ambientais são um bom exemplo neste caso e f)
Organização - Neste ponto o Programa
já está pronto. Mas quem executa? Deve-se
estabelecer uma organização (não
somente para a área ambiental, mas para toda a
organização) para tocar o programa. Quem faz o
que e como? Um
programa montado e executado nestes moldes traz
benefícios como: conhecer e administrar os riscos
ambientais da empresa; criar uma cultura ambiental na
organização; reduzir gravidade e
freqüência de acidentes e reduzir a
geração de resíduos e o consumo de
água e energia. Mas
nem tudo é fácil, um fato importante
principalmente nesta fase de globalização,
é de que o objetivo principal de uma
organização não é produzir e sim
vender, e neste caso o custo tem uma importância
fundamental, e como ainda temos uma grande dificuldade em
transformar os benefícios acima mencionados em reais
ou dólares, o futuro destes programas de
Gestão Ambiental estão altamente
comprometidos. Problema Uma
grande tendência da questão ambiental no futuro
é o Desenvolvimento Sustentável.
Desenvolvimento porque não é possível
conviver com a pobreza existente ainda na Terra e o
desenvolvimento seria o remédio para este mal.
Sustentável porque este desenvolvimento tem que ser
feito de maneira a não comprometer os recursos para a
geração futura. Partindo
deste enfoque, começam a aparecer especialistas que
recomendam que deve-se repensar as atividades produtivas.
Assim se você é produtor de refrigerantes,
estima-se que nos próximos 30/40 anos a
população da Terra vai aumentar em mais 5
bilhões de pessoas, isto poderia significar uma boa
notícia, já que são 5 bilhões de
novos clientes em potencial, porém, não se
pode esquecer que talvez não tenha água para
toda esta produção de refrigerante. Existem
de um lado preocupações com a engenharia
genética e de outro especialistas de renome
internacional que afirmam que se mantidas as atuais
técnicas de produção, entre 2030 e 2040
teremos uma situação de colapso, não
tendo água, energia e comida para todo
mundo. Baseado
no acima exposto, formulamos a seguinte pergunta: Como
podemos utilizar estratégias que compartilhem
crescimento e preservação do meio ambiente
para garantir o consumo humano? Objetivos O
objetivo principal deste trabalho é estudar as formas
de gestão ambiental, novas estratégias que
podem ser utilizadas nas empresas e avanços
tecnológicos capazes de preservar e acelerar o
crescimento do meio ambiente. Vamos
também estudar como podemos conscientizar melhor a
população e as empresas sobre a
importância do meio ambiente, pois eles têm um
papel fundamental na preservação do lugar onde
vivemos, e são as principais interessadas em que o
meio ambiente não desapareça. Queremos
com este tema contribuir e apresentar novas formas de
conscientização da população em
geral, sobre a importância da gestão
ambiental. Justificativas A
consciência sobre os problemas ambientais apresenta-se
em nossos dias de maneira tão intensa e penetrante,
que todos nós, empresários, líderes
políticos, trabalhadores, homens e mulheres, sabemos
que o desenvolvimento econômico, tão desejado,
não pode ser alcançado se danos
irreparáveis forem causados ao ambiente em que
vivemos, precisamos descobrir novas formas de
produção, levando em conta o meio ambiente e
tudo o que nele existe, por isso a gestão ambiental
é extremamente importante, pois hoje, mais do que
nunca, precisamos dirigir o ambiente em que vivemos para
termos condições de viver e viver com
qualidade. Por
isso, optamos por estudar este tema, tão importante
nos dias atuais e indispensável para que possamos ter
um futuro coisas tão simples como: ar, água e
energia. Hipóteses As
hipóteses em que este trabalho se baseia são
decorrentes dos problemas detectados pelos autores, que
são resumidos a seguir: Hipótese
2 &endash; Existem formas de garantir a
eficácia dos instrumentos de gestão
ambiental utilizando-se de um melhor gerenciamento dos
recursos naturais, econômicos e sociais. Metodologia Utilizaremos
a metodologia de Análise Teórica, pesquisando
idéias e informações
bibliográficas disponíveis em bibliotecas,
revistas e em estudos de casos. Buscaremos
soluções através de assuntos
relacionados à estratégias que compartilhem
crescimento e preservação do meio ambiente;
formas de gestão ambiental, e
conscientização da população e
das empresas sobre estes temas. Conceitos O
termo ambiental abrange as questões de
Segurança, Saúde e Proteção ao
Meio Ambiente ou, em outras palavras, o ambiente interno e
externo das atividades empresariais. (LAGE NETO,
1998:46) Definimos
o ambiente (1)
e (2)
de uma dada população de seres humanos como o
sistema de constantes espaciais e temporais de estruturas
não-humanas, que influencia os processos
biológicos e o comportamento dessa
população. No "ambiente" compreendemos os
processos sociais diretamente ligados a essas estruturas,
como sejam o trajeto regular dos suburbanos, ou o desvio
comportamental em correlação direta com a
densidade da população ou com as
condições habitacionais. Excluímos, no
entanto, os processos que se desenvolvem principalmente no
interior do sistema social. É evidente que tal
distinção, em certa medida, é
arbitrária, pois num sistema social cada elemento se
acha vinculado a todos os outros. (ALII,
1975:184) Pode
ser que, para um dado indivíduo, o ambiente seja um
bem público que pode ser contaminado por fins
egoísticos. Mas para a sociedade, ele é na
realidade parte do seu patrimônio comum, cuja
proteção é vital. A análise
tradicional de custos e benefícios deve incluir, de
hoje em diante, as cargas e os benefícios sociais. Em
Estocolmo foi aprovado que o desenvolvimento econômico
e social é indispensável, que desejamos
assegurar um ambiente propício à
existência e ao trabalho do homem e criar as
condições necessárias à melhoria
da qualidade da vida. As deficiências ambientais,
atribuídas às condições de
subdesenvolvimento, determinam graves problemas. O melhor
meio de se remediar e acelerar o desenvolvimento é a
transferência de auxílios financeiros e de
substancial tecnologia. As políticas nacionais,
quanto ao meio ambiente, devem procurar reforçar o
potencial do progresso do país em via de
desenvolvimento e não vir a debilitá-lo. E tem
sido exatamente essa a política nacional. (TOMMASI,
1977:164-165) Reconhecido
mundialmente pela ousadia de suas idéias nos campos
da Biogeografia, da Ecologia Humana, da Ética
Ambiental e do Ecodesenvolvimento, o Professor Pierre
Sansereau pode ser considerado um dos "ícones vivos"
do movimento ambientalista... "As
fontes de uma ética ambiental" O
RESPEITO adquire-se através da
experiência que permite a projeção do
indivíduo no meio ambiente. A
SOLIDARIEDADE com as plantas e os animais
provém da satisfação de necessidades
comuns e da realização de trocas
mútuas. A
GRATIDÃO pelos frutos da terra resulta do
prazer gerado pelo reconhecimento de outras identidades e da
fruição entre os produtos da natureza e as
obras do homem. A
SATISFAÇÃO alimenta-se da
compreensão das nossas descobertas,
invenções e criações e
alcança sua plenitude quando estas são
apropriadas pelo indivíduo. A
HARMONIA nos hábitats humanos é
alcançada por meio de investimentos sábios e
imaginativos nas paisagens e de uma gestão
justa. A
INTEGRIDADE na transmissão da
informação exige uma compreensão
lúcida da disponibilidade dos bens e uma vontade de
compartilhar direitos e deveres. O
verbo "Ecologizar" conceito formulado pelo colega
Maurício Andrés Ribeiro seria a única
orientação possível para reverter a
situação atual. Trata-se de uma revisão
dos problemas históricos de nosso tempo, que carecem
de uma solução de abarcar os problemas
sociais, ecológicos, no interior de um pensamento
universal que abranja todas as forças da sociedade,
que são veiculadas por meio das ciências, da
educação e da comunicação e,
inevitavelmente da ética privada e
pública. O
propósito de "Ecologizar" nosso pensamento deve
possibilitar a emergência de novas formas de
percepção e compreensão da realidade
que favoreçam o surgimento de comportamentos
sintonizados com valores universais de respeito à
vida e ao patrimônio comum da humanidade,
eqüidade, não-violência e
cooperação. Esta é a complexidade que
temos que abordar para poder resolver os problemas
ecológicos do Planeta (DANSEREAU,
2000:18-19). Administração
ou Gestão? (3) Afinal,
qual é a diferença entre
administração e gestão? Ambas as
palavras têm origem latina, gerere e administrare.
Gerere significa conduzir, dirigir ou governar. Administrare
tem aplicação específica no sentido de
gerir um bem, defendendo os interesses dos que o possuem.
Administrar seria, portanto, a rigor, uma
aplicação de gerir... Voltando
à nossa língua pátria, o termo
gestão parece se aplicar melhor à esfera
empresarial. (FERREIRA, REIS e PEREIRA, 1997:6) Se
é verdade que "governar é prever" pode
afirmar-se que, para conduzir uma empresa, gerir uma
empresa, é preciso igualmente prever. (JONIO,
PLAINDOUX e LELEUR, 1972:65). Numa
economia globalizada os parâmetros de qualidade
ambiental passam a ser universais. A
legislação e as exigências estão
cada vez mais rígidas e prevalecerão as mais
restritivas. A
variável ambiental chegou para ficar, estando muito
mais próxima da economia do que da ecologia, que lhe
dá orientação
técnica. As
questões ambientais são sempre complexas, pois
envolvem uma vasta gama de aspectos políticos,
técnicos e científicos. A
implementação de um Sistema de Gestão
Ambiental (SGA) é a melhor forma de salvaguardar os
interesses da empresa neste cenário, já que
permite uma ação corretiva e preventiva
baseada em fatos e dados. De forma a contribuir para o SGA,
uma das ferramentas de verificação do
desempenho ambiental são os relatórios
ambientais utilizados pela empresa. Os
Relatórios de Acidente Ambiental e de
Avaliação de Agressão Ambiental, visam
estabelecer uma ferramenta ágil e eficaz de
gerenciamento do potencial de agressão ambiental, nas
diferentes unidades de negócio de uma empresa e nos
diferentes setores funcionais da organização,
uma ferramenta capaz de possibilitar diretrizes para medir o
progresso e o cumprimento das políticas de
identificação dos possíveis riscos
ambientais de uma empresa, como também o
encaminhamento das suas soluções. Um
sistema de gerenciamento das questões ambientais
só gera bons resultados quando parte da
decisão política da organização
de não só cumprir a legislação
vigente, mas principalmente de adequar as normas de meio
ambiente, para melhorar seu desempenho, levando-se em
consideração as interações entre
a empresa e o meio ambiente, a comunidade e os
órgãos oficiais de controle
ambiental. A
aplicação dos Relatórios Ambientais
proporciona não só a rápida
adequação de suas atividades às reais
necessidades de proteção do meio ambiente,
como forma de garantir a continuidade dos seus
negócios. Em
um mundo cada vez mais globalizado, as questões
ambientais tornaram-se cada vez mais presente dentro da
estratégica empresarial, o que torna preemente adotar
ferramentas capazes de proporcionar uma gerenciamento que
possibilite o alcance das metas estipuladas. Um
desses instrumentos para controle ambiental são os
Relatórios Ambientais, que cobrem todas as fases da
vida de uma unidade, desde a fase da
construção, operação e no
descomissionamento... O
sistema de gerenciamento ambiental deverá conter no
mínimo os seguintes componentes:
Coordenação Geral; Coordenadores de Meio
Ambiente; Inventário Ambiental; Relatórios
Periódicos e Episódicos e
Auditorias. Estes
componentes deverão ser implantados na ordem em que
foram apresentados, com exceção da auditoria,
que poderá preceder ou ser implantada
independentemente das demais, de acordo com as
condições e necessidades de cada
empresa. A
coordenação geral do programa é
exercida pela Gerência de Meio Ambiente da
organização, ligada a Diretoria de
Segurança, Saúde e Meio Ambiente. A
Gerência de Meio Ambiente, tendo como
atribuições, juntamente com as
responsabilidades que lhe são conferidas pela
política de segurança, saúde e meio
ambiente definidas pela empresa, a
organização, a implementação, o
controle e a avaliação da sua
divulgação. O gerente de Meio Ambiente,
juntamente com o seu "staff", são os representantes
autorizados da empresa junto aos órgãos
governamentais de controle do meio ambiente, sendo,
portanto, os elementos de ligações e
contatos, À
coordenação geral cabe os treinamentos
específicos para os coordenadores dentro de diversos
assuntos pertinentes ao meio ambiente. A
proteção do meio ambiente em cada unidade
é de responsabilidade do maior nível de
gerência nela sediado...Portanto, é
também atribuição da gerência da
unidade a indicação do coordenador de meio
ambiente. O
coordenador de meio ambiente funciona como um elo de
comunicação entre a coordenação
geral do programa e a gerência da unidade, tendo como
principais atribuições: dar apoio
técnico à gerência da unidade...; emitir
relatórios; promover treinamento; receber e
acompanhar inspeções de amostragem e
participar das soluções dos problemas
ambientais da unidade. Cada
coordenador deverá receber treinamento
específico para a função, constando no
mínimo de: controle de poluição;
controle de poluição das águas
superficiais e subterrâneas; controle de
poluição do solo; controle de emissão
de níveis de pressão sonora; gerenciamento de
resíduos sólidos e perigosos; controle de
potabilidade; legislação ambiental federal,
estadual e local; prevenção de vazamentos e
derramamentos e operações e processos da
unidade. Deverão
ser promovidas reciclagens periódicas, onde inclusive
cada coordenador tenha oportunidade de passar sua
experiência para os demais. Dependendo
do potencial de agressão ao meio ambiente da unidade,
o coordenador poderá desempenhar paralelamente outra
função. O
objetivo do Inventário Ambiental é manter
sempre disponíveis e atualizadas todas as
informações necessárias para o controle
do gerenciamento ambiental, a fim de obter a
renovação da Licença Ambiental de
Operação, ou a Solicitação da
Licença Ambiental de Instalação para
novos equipamentos... O
Inventário Ambiental determina o que deverá
ser gerenciado em uma unidade de negócio, A forma
como se efetuará este gerenciamento é
fornecido pelo Programa de Proteção Ambiental
específico para uma certa unidade de negócio
da empresa. Portanto,
basicamente no Inventário Ambiental deverá
constar as seguintes informações: -Descrição
Geral da Unidade Atividade
principal; data do "start-up"; regime de funcionamento;
número de funcionários; fluxograma de
processo; balanço de massa; descrição
do processo; relação de matérias primas
e insumos utilizados; consumo de energia e utilidades;
relação de produtos fabricados;
relação das máquinas e equipamentos;
informações sobre produtos perigosos;
"lay-out"; planta de situação, indicando
construções adjacentes e direção
predominante dos ventos. -Controle
Oficial Nome
e endereço do órgão Oficial de Controle
Ambiental; especificação de todas as
licenças obtidas pela Unidade;
informações sobre inspeções
feitas pelo Órgão Oficial. -Fontes
de Abastecimento de Água Captação;
usos; padrões; freqüência das
análises; descrição do sistema de
tratamento. -Efluentes Todas
as emissões das diferentes Unidades de
Negócios devem ser gerenciadas de acordo com o
diagrama de efluente, que visa estabelecer as diretrizes
básicas para o controle do sistema de
gestão: Estes
relatórios são a forma simples e padronizada
de comunicação entre o coordenador de meio
ambiente da unidade de negócio e a
coordenação geral do Sistema de Gerenciamento
Ambiental da organização... -Relatório
de Avaliação de Agressão
Ambiental São
semestrais e permitem o conhecimento do potencial de
agressão ambiental da unidade. -Relatório
de Acidente Ambiental Qualquer
acidente ambiental, tais como, lançamento anormal de
efluentes, reclamações,
alterações na legislação
ambiental local e/ou emissão de novos regulamentos,
devem ser comunicadas imediatamente através do
preenchimento e envio do formulário
apropriado. -Relatório
da Coordenação Geral A
coordenação geral deve emitir, no
máximo em trinta dias do encerramento do
período, relatório comentando os
relatórios acima mencionados. Seu
objetivo principal é a identificação de
riscos do meio ambiente, protegendo assim o bem maior de
toda a comunidade interna e externa. Para
sua implementação é fundamental sua
aceitação e incentivo por parte da alta
direção da empresa, e deve ser baseado em:
Tamanho da empresa, potencial de risco ambiental das suas
operações, situação da empresa
perante às exigências governamentais
controladoras do meio ambiente e comunidades adjacentes
às suas instalações e disponibilidade
de recursos humanos e financeiros. Como
a percepção ambiental tem diferentes
significados nas distintas áreas de uma
organização, o desenvolvimento de uma nova
conscientização das questões ambientais
e seus impactos nem sempre são percebidos na montagem
estratégica da organização. Ë
preciso que valores éticos ambientais sejam
incorporados nos diversos segmentos da
organização, entretanto esta
incorporação é complexa, a fim de
solucionar este impasse, que muitas das vezes ocorre mesmo
em uma grande empresa que assume um compromisso com o meio
ambiente. É necessário criar mecanismo de
Gestão Ambiental, que possam transcender os
investimentos e atuar na área de
comunicação e recursos humanos. Os
instrumentos da Gestão Ambiental envolvem basicamente
duas funções integradas: Envolve
as relações da empresa com as autoridades,
legisladores, outras indústrias e comunidades em
geral... Entretanto,
cabe ressaltar que o sucesso da utilização
desta ferramenta e do Programa de Gerenciamento Ambiental da
empresa depende da participação intensa e
permanente da alta direção e do compromisso
assumido pelo seu corpo funcional. (TELES & FERREIRA
FILHO, 2000:102) Quando
se reconhece que os indivíduos, os grupos e as
organizações têm necessidades que devem
ser satisfeitas, a sua atenção volta-se
invariavelmente para o fato de que isto depende de um
ambiente mais amplo a fim de garantir várias formas
de sobrevivência. É este tipo de pensamento que
agora está subentendido no "enfoque sistêmico"
da organização que tira principal
inspiração do biologista teórico Ludwig
von Bertalanffy. Desenvolvido simultaneamente de ambos os
lados do Atlântico nos anos 50 e 60, o enfoque de
sistemas fundamenta-se no princípio de que as
organizações, como os organismos estão
"abertos" ao seu meio ambiente e devem atingir uma
relação apropriada com este ambiente, caso
queiram sobreviver. Desenvolvido
no nível teórico, o enfoque dos sistemas
abertos gerou muitos conceitos novos para se pensar nas
organizações...Conceito de sistemas abertos:
Os sistemas orgânicos, seja uma célula do
organismo complexo seja uma população de
organismos existem num contínuo processo de trocas
com o seus ambientes. Essa troca é crucial para a
manutenção da vida e forma do sistema, uma vez
que a interação com o ambiente é
fundamental À automanutenção. Assim,
é dito freqüentemente que os sistemas vivos
são "sistemas abertos", caracterizados por um
contínuo de entrada, de transformação
interna (do começo ao fim), saída e
retro-alimentação (por meio da qual um
elemento da experiência influencia o seguinte). O
conceito de abertura põe em relevo as
relações-chave entre o ambiente e o
funcionamento interno do sistema. Ambiente e sistema devem
ser compreendidos como estando em estado de
interação e dependência
mútua... Estas
idéias possuem importantes implicações
em relação o modo pelo qual se concebe o
processo de evolução organizacional isto
porque as organizações são consideradas
como desempenhando um papel ativo na
construção de seus ambiente, ao mesmo tempo em
que constróem as suas identidades. Todas as empresas
têm sucesso em criar identidades de um tipo ou de
outro, uma vez que sob muitos aspectos o processo global de
organização é a
realização de uma identidade. Entretanto,
algumas identidades são mais resistentes e duradouras
do que outras. À
medida que as organizações sedimentam as suas
identidades, podem iniciar transformações mais
amplas na ecologia social a que pertencem. Podem estabelecer
as bases para a própria destruição. Ou,
então, podem criar condições que
permitirão a elas evoluírem com o ambiente.
Por exemplo, uma indústria química que
possuísse um sentido sistêmico de identidade
poderia tentar transformar-se e eliminar a ameaça dos
tóxicos no ambiente. Entretanto, na realidade, muitas
empresas devoram a sua sobrevivência futura, criando a
oportunidade para que novos padrões de
relações emerjam, mas às expensas da
sua própria existência futura.
Organizações egocêntricas consideram a
sobrevivência como dependendo muito mais da
conservação de sua identidade estreitamente
autodefinida e fixa do que da evolução menos
rígida e aberta da identidade do sistema ao qual
pertencem.... Apesar de viáveis e de
considerável sucesso por certo período,
determinadas organizações ou indústrias
podem experimentar uma mudança na sorte como
resultado daquilo que são e como resultado da
ação e da passividade que este senso de
identidade encoraja. A longo prazo, sobrevivência
só pode ser sobrevivência com o ambiente e
nunca sobrevivência contra o ambiente ou contexto no
qual se está operando. (MORGAN,
1996:48-49;251-252). Conclusão Afinal
o que é gestão ambiental, segundo Luiz Roberto
Tommasi, a sociedade define o ambiente como parte do seu
patrimônio comum, cuja proteção é
vital. Já o autor Gerhard Kade et Alii define o
ambiente de uma dada população de seres
humanos como o sistema de constantes espaciais e temporais
de estruturas não-humanas, que influencia os
processos biológicos e o comportamento dessa
população. E segundo os autores Ademir Antonio
Ferreira, Ana Carla Fonseca Reis e Maria Isabel Pereira
gerir significa conduzir, dirigir ou governar, então
gestão ambiental é dirigir o ambiente em que
vivemos, preservando aquele que é nosso
patrimônio comum. Para
o autor Henrique Storrer Lage Neto o termo ambiental abrange
as questões de Segurança, Saúde e
Proteção ao meio ambiente, portanto devemos
utilizar estratégias que compartilhem crescimento e
preservação do meio ambiente, pensando em
todos os aspectos envolvidos. Existem várias
sugestões que podem ajudar na gestão
ambiental, são elas: Formas
Alternativas Foi
realizada uma pesquisa pela universidade Regional de
Blumenau, que consistiu na consulta a 138 empresas dos
estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina,
São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio
de Janeiro. Segundo o resultado, 58% disseram que sentem
seus negócios pressionados por órgãos
públicos, devido à legislação do
meio ambiente. Outros 63% alegaram que a pressão
maior provém dos consumidores interessados nas
ações das empresas em defesa do meio ambiente.
E 71% afirmaram que as preocupações com o meio
ambiente terão impacto médio ou grande em
cinco anos. Outra
conclusão da pesquisa foi de que 56% das empresas
estão iniciando um processo de
conscientização na área ambiental, 12%
estão implantando um sistema de Gestão
Ambiental (SGA) e 8% já implantaram. Das 138 empresas
consultadas, 10% estão buscando a
certificação pela norma ISO 14000 e apenas 3%
já obtiveram essa
certificação. Com
estes dados podemos observar que a grande maioria das
empresas já estão em algum processo de
gestão ambiental, e aquelas que ainda não
começaram, deverão fazê-lo em breve,
pois apesar de ainda não ser obrigatório por
lei, elas já estão percebendo que esse
é um quesito indispensável para continuarem no
mercado competitivo. Foram
discutidas várias tendências da questão
ambiental, como a implementação de um sistema
de gerenciamento ambiental descrita pelos autores Carlos
Alberto Teles e Renato Ferreira Filho, o enfoque de sistemas
abertos pelo autor Gareth Morgan e formas alternativas que
podem ajudar na gestão ambiental, mas ficou bem claro
para todos nós que produzir sem danificar o meio
ambiente ou a saúde dos trabalhadores é
absolutamente obrigatório e programas de
gestão ambiental são uma boa alternativa.
Entretanto devemos levar em conta o Desenvolvimento
Sustentável, como ele será conseguido? Com
novas técnicas produtivas? Com controle da
população? Mudança de Comportamento que
leve a uma sociedade mais justa? Ainda não sabemos,
mas todas elas devem ser consideradas. Um
outro ponto importante é a
conscientização da população
sobre a importância da gestão ambiental,
mostrada pelo Professor Pierre Dansereau em as "fontes de
uma ética ambiental", que nos fez refletir que
podemos reverter o quadro atual, caso consigamos olhar o
meio ambiente com outros olhos, não o de simples
provedor de sustento, mas de algo que precisa ser respeitado
e preservado, para com ele, e não por ele,
conseguirmos uma qualidade de vida melhor. Notas (1)
Conjunto das condições existentes ao redor dos
seres vivos. Inclui-se aqui o clima, o solo, a água e
outros organismos (SALUM, 1993:112) (2)
Que envolve ou rodeia; diz-se do ar que nos rodeia;
designativo do meio em que cada um vive; o ar que respira e
que nos cerca; esfera; círculo, meio em que vivemos.
(CULTURAL, 1972:102) (3)
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da Língua Portuguesa. São Paulo: Cultural
Brasil Editora, 1972. p.27,102.
Rosângela
Mendes Ferreira Patrício
Hipótese
1 &endash; Podemos utilizar novas formas de
aproveitamento dos recursos naturais e de alternativas de
preservação do meio ambiente, implantando
Sistemas de Gestão Ambiental, programas de
reciclagem, de conscientização da sociedade
e de preservação de água e
energia.