Filantropia: A Importância do 3º Setor na Sociedade Brasileira

Judiberto Emanuel Moreira
Vera Lúcia Moreira

Monografia apresentada no curso de Organização, Sistemas e Métodos das Faculdades Integradas Campos Salles, sob orientação do Professor Mauro M. Laruccia

(Disponível na rede desde novembro de 2000) 


I Introdução

Texto introdutório

Ao procurar um tema para este trabalho, entre tantos, e tantas fontes, escolhemos FILANTROPIA. Mas, o que é filantropia? Como surgiu? Quem foram os pioneiros? Nenhuma fonte indica a história da filantropia, então não podemos saber como surgiu. Sobre o que é filantropia, procuramos no famoso dicionário Aurélio e encontramos: FILANTROPIA sf. 1. Amor à humanidade. 2. Caridade.

Neste trabalho queremos expressar que a filantropia vem tomando dimensões importantes em nossa sociedade, na economia nacional, e também querendo demonstrar aos nossos colegas, administradores, como atuar, tanto em sua empresa como no mercado de trabalho, sendo um colaborador de uma entidade sem fins lucrativos.

2. Educação, filantropia e exclusão social

No Brasil, nos últimos tempos, as leis não estão sendo elaboradas essencialmente com o objetivo de proporcionar o bem-estar social. Fruto de uma prática tributarista, que visa apenas o aumento da arrecadação, muito dessas leis se constituem em retrocesso quanto aos direitos constitucionais consolidados. Medidas Provisórias são editadas freqüentemente, como instrumento para colocar em vigência regulamentos carentes de base social, por não serem discutidos na sociedade, nem apreciados de forma conclusiva por seus representantes no Congresso Nacional.

O Setor educacional não é o único atingido pelo autoritarismo governamental, mas, certamente, os danos ocasionados nesta área terão grande e séria repercussão no desenvolvimento do País. A limitação da isenção previdenciária para as instituições filantrópicas de ensino é um exemplo recente, que pode servir para análise.

A Lei 9.732/98, regulamentada em abril último, "atingiu fortemente as entidades filantrópicas educacionais, que encontravam na isenção da cota patronal da Previdência, bem como das contribuições conexas, uma sólida base de parceria com a União para a ação social, em favor da educação e das populações menos favorecidas", como enfatizaram os reitores brasileiros em carta publicada pelo Crub - Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras.

A identidade das universidades comunitárias se concretizou pelo comprometimento das instituições filantrópicas de ensino com o desenvolvimento social, a partir de uma formação profissional centrada nos pilares do saber, saber-fazer, saber-ser e saber-conviver; criando uma dinâmica que responde, através de programas e projetos, às necessidades das populações economicamente carentes. Em 1988, com a promulgação da Constituição, essa natureza foi reconhecida e consolidada (Art. 150, inciso VI, alinea C e Art. 195, § 7º).

A LEI 9.732/98, no entanto, muda o conceito de filantropia, cortando a imunidade prevista na Constituição. As conseqüências da aplicabilidade dessa Lei serão, predominantemente, maléficas para a educação e outras áreas de atendimento social, pela inviabilização de projetos comunitários das instituições filantrópicas, pelo corte inevitável das bolsas de estudos e de diversos serviços de atendimento à população carente e, ainda, pela alteração significativa no valor das mensalidades.

Esse quadro provocaria a exclusão de um enorme contingente de alunos do ensino superior e dos demais níveis, acarretando, consequentemente, grande índice de desemprego nos setores diretamente envolvidos. A ausência de uma análise mais profunda dessa problemática evidencia que o Estado se afasta, cada vez mais, do compromisso com a concretização de políticas sociais que priorizem educação, saúde e habitação. Ao centrar seu objetivo no aumento da arrecadação previdenciária, a nova legislação fica sem base social, promovendo, assim, a exclusão. O povo brasileiro não suporta mais um encargo para somar-se ao IRRF, INSS, CPMF, ao aumento nos preços dos remédios, da luz, água e outros serviços.

Para evitar esses desastrosos efeitos, as entidades Abruc - Associação Brasileira de Universidades Comunitárias, Abesc - Associação Brasileira de Escolas Superiores Católicas e Anamec - Associação Nacional das Mantenedoras de Escolas Católicas vêm promovendo uma articulação Nacional, buscando integrar os diversos níveis de ensino (universidades, faculdades e escolas de 1º e 2º Graus), com o objetivo de reverter esse quadro no Congresso Nacional - que pode aprovar projeto substitutivo - e conclamam toda a sociedade brasileira a manifestar-se em defesa da filantropia, da educação e dos direitos sociais, pela modificação da Lei 9.732/98.

Ficam algumas questões para reflexão. Quem assumirá esses serviços caracterizados pela extensão universitária, traduzida em programas e projetos de relevância social que as universidades até hoje prestam à comunidade? Como as universidades, até então filantrópicas, poderão continuar realizando essas atividades sem a contrapartida do Estado e sem onerar as mensalidades? Como conciliar expansão do terceiro grau com o corte significativo de apoio às instituições de ensino superior?

O argumento apresentado de que as instituições educacionais, que pedem a manutenção da filantropia, já recebem por seus serviços e podem arcar com um acréscimo de 30% em sua folha é tendencioso e inaceitável, pois nenhuma instituição pode organizar-se para ampliar a sua receita neste mesmo percentual, sem rever todo o seu projeto político-pedagógico que não se baseia apenas em custo e orçamento, mas em projeto de benefício socio-político-econômico.

Para universidades filantrópicas, no entanto, o eixo central dessa discussão não é o repasse de aumento das mensalidades, com a anuência do Governo que, após reeditar por 61 vezes a Medida Provisória n.º 1.733, impedindo aumentos nas mensalidades, passou a autorizar o repasse de índices aos alunos, na última edição desta MP, em 02/06/99. Não está em jogo, portanto, apenas a sobrevivência das instituições, mas a de projetos educacionais sérios, que têm compromisso com a democratização do ensino superior, como forma de socializar o saber e colaborar com a formação profissional dos jovens que construirão o futuro do nosso país.

Como lembra Franco Montoro, no artigo Cultura dos direitos humanos, para que a pessoa humana seja colocada no centro de todo o processo de desenvolvimento, é preciso que sejam condenados "os programas econômicos que só enxergam a eficiência e o lucro. Contra a afirmação de que 'tudo é negociável' e de que 'lucro é critério supremo da economia' levanta-se a voz da Assembléia Mundial das Nações, para recolocar a pessoa humana como valor ético fundamental da economia e do desenvolvimento".

Filantropia não é privilégio, mas direito constitucional colocado a serviço de muitos. No caso da educação, ressaltamos o que os jovens universitários vêm defendendo - o seu acesso e a sua permanência nas instituições de ensino superior, fazendo um grande coro entre as universidades comunitárias:Brasil, Eu Quero Estudar!

Profa. Clélia Brandão Alvarenga Craveiro

Reitora da Universidade Católica de Goiás e
Vice-Presidente da Abruc - Associação Brasileira de Universidades Comunitárias
e da Abesc - Associação Brasileira de Escolas Superiores Católicas

II. O Terceiro Setor

O que é o Terceiro setor?

O primeiro setor é o governo, que é responsável pelas questões sociais. O segundo setor é o privado, responsável pelas questões individuais. Com a falência do Estado, o setor privado começou a ajudar nas questões sociais, através das inúmeras instituições que compõem o chamado terceiro setor.

Os principais personagens do terceiro setor são:

Fundações - são as instituições que financiam o terceiro setor, fazendo doações às entidades beneficentes. No Brasil, temos também as fundações mistas que doam para terceiros e ao mesmo tempo executam projetos próprios.

Temos poucas fundações no Brasil. Depois de 5 anos, o GIFE - Grupo de Instituições, Fundações e Empresas - com heróico esforço, conseguiu 50 fundações como parceiras. No entanto, muitas fundações no Brasil, como a Fundação Ruben Berta e a Fundação Salvador Arena, têm pouca atuação na área social.

Nos Estados Unidos já existem 40.000 fundações, sendo que a 10º colocada tem 10 bilhões de dólares de patrimônio. Nossa maior fundação tem 400 milhões.

Devido à inflação, seqüestros de dinheiro e congelamentos, a maioria de nossas fundações não têm fundos. Vivem de doações anuais das empresas que as constituíram. Em épocas de recessão, estas doações minguam, justamente quando os problemas sociais aumentam.

O conceito de fundação é, justamente, o de acumular fundos nos anos bons para poder usá-los nos anos ruins. A Fundação Bradesco é um dos raros exemplos de fundação com fundos. 

Tamanho - O terceiro setor possui 12 milhões de pessoas, entre gestores, voluntários, doadores e beneficiados de entidades beneficentes, além dos 45 milhões de jovens que vêem como sua missão ajudar o terceiro setor.

Uma pesquisa feita pela Kanitz & Associados revelou alguns números das 400 maiores entidades do Brasil no ano de 1997. Segundo esta pesquisa, o dispêndio social das 400 maiores entidades foi de R$ 1.725.631,00. Ao todo, elas possuem 54.459 funcionários, 181.658 voluntários e pagam, aos seus funcionários, um salário médio de R$ 280,00.

Entidades Beneficentes - São as operadoras de fato, cuidam dos carentes, idosos, meninos de rua, drogados e alcoólatras, órfãos e mães solteiras; protegem testemunhas; ajudam a preservar o meio ambiente; educam jovens, velhos e adultos; profissionalizam; doam sangue, merenda, livros, sopão; atendem suicidas às quatro horas da manhã; dão suporte aos desamparados; cuidam de filhos de mães que trabalham; ensinam esportes; combatem a violência; promovem os direitos humanos e a cidadania; reabilitam vítimas de poliomelite; cuidam de cegos, surdos-mudos; enfim, fazem tudo.

São publicados números que vão desde 14.000 a 220.000 entidades existentes no Brasil, o que inclui escolas, associações de bairro e clubes sociais. Nosso estudo sobre as entidades que participam do Guia da Filantropia, revela que as 400 Maiores Entidades representam, praticamente, 90% da atividade do setor.

Outro dado importante é o piso para entrar no Guia da Filantropia, ou seja, as entidades precisam ter, no mínimo, um dispêndio social de 16.000 reais por mês. Isso nos leva a concluir que as nossas maiores entidades ainda são muito pequenas.

Fundos Comunitários - Community Chests são muito comuns nos Estados Unidos. Em vez de cada empresa doar para uma entidade, todas as empresas doam para um Fundo Comunitário, sendo que os empresários avaliam, estabelecem prioridades, e administram efetivamente a distribuição do dinheiro. Um dos poucos fundos existente no Brasil, com resultados comprovados, é a FEAC, de Campinas.

Entidades Sem Fins Lucrativos - Infelizmente, muitas entidades sem fins lucrativos são, na realidade, lucrativas ou atendem os interesses dos próprios usuários. Um clube esportivo, por exemplo, é sem fins lucrativos, mas beneficia somente os seus respectivos sócios. Muitas escolas, universidades e hospitais eram no passado, sem fins lucrativos, somente no nome. Por isto, estes números chegam a 220.000.

O importante é diferenciar uma associação de bairro ou um clube que ajuda os próprios associados de uma entidade beneficente, que ajuda os carentes do bairro.

ONGs Organizações Não Governamentais - Nem toda entidade beneficente ajuda prestando serviços a pessoas diretamente. Uma ONG que defenda os direitos da mulher, fazendo pressão sobre nossos deputados, está ajudando indiretamente todas as mulheres. Nos Estados Unidos, esta categoria é chamada também de Advocacy Groups, isto é, organizações que lutam por uma causa. Lá, como aqui, elas são muito poderosas politicamente.

Empresas Com Responsabilidade Social - A Responsabilidade Social, no fundo, é sempre do indivíduo, nunca de uma empresa jurídica, nem de um Estado impessoal. Caso contrário, as pessoas repassariam as suas responsabilidades às empresas e ao governo, ao invés de assumirem para si. Mesmo conscientes disso, vivem reclamando que os "outros" não resolvem os problemas sociais do Brasil.

Porém, algumas empresas vão além da sua verdadeira responsabilidade principal, que é fazer produtos seguros, acessíveis, produzidos sem danos ambientais, e de estimular seus funcionários a serem mais responsáveis. O Instituto Ethos - organização sem fins lucrativos criado para promover a responsabilidade social nas empresas - foi um dos pioneiros nesta área.

Empresas Doadoras - Uma pesquisa feita pela Kanitz & Associados revela que das 500 maiores empresas brasileiras, somente 100 são consideradas parceiras do terceiro setor. Das 250 empresas multinacionais que têm negócios no Brasil, somente 20 são admiradas. A maioria das empresas consideradas parceiras são pequenas e médias e são relativamente desconhecidas pelo grande público.

Elite Filantrópica - Ao contrário de Ted Turner, Bill Gates e dos 54 bilionários que o Brasil possui, somente 2 são considerados bons parceiros do terceiro setor (Jorge Paulo Lehman e a família Ermírio de Moraes). A maioria dos doadores pessoas físicas são da classe média. Esta tendência continua na classe mais pobre. Quanto mais pobre, maior a porcentagem da renda doada como solidariedade.

Pessoas Físicas - No mundo inteiro, as empresas contribuem somente com 10% da verba filantrópica global, enquanto as pessoas físicas, notadamente da classe média, doam os 90% restantes. No Brasil, a nossa classe média doa, em média, 23 reais por ano,

menos que 28% do total das doações. As fundações doam 40%, o governo repassa 26% e o resto vem de bingos beneficentes, leilões e eventos.

Imprensa - Até 1995, a pouca cobertura que a Imprensa fazia sobre o terceiro setor era, normalmente, negativa. Com a descoberta de que a maioria das entidades é séria e, portanto, faz bom trabalhos, este setor ganhou respeitabilidade. Com isso, quadruplicou a centimetragem de notícias sobre o terceiro setor. A missão agora é transformar este novo interesse em cobertura constante. Acreditamos que projetos anuais, como o Prêmio Bem Eficiente, Voluntário do Ano e As 400 Maiores Entidades do Brasil, manterão o interesse e um volume de notícias regulares para jornalistas. Isso fará com que o terceiro setor permaneça sempre em evidência.

Empresas Juniores Sociais - Nossas universidades pouco fizeram para o social, apesar de serem públicas. É raro encontrar um professor universitário assessorando uma ONG com seus conhecimentos. Nos últimos anos, os alunos criaram Empresas Juniores Sociais, nas quais os alunos das escolas de Administração ajudam entidades. Algumas das mais atuantes são a FEA-Júnior da USP, a Júnior Pública da FGV, e os ex-alunos do MBA da USP.

Filantropia Estratégica: doações por acaso?

A maioria das empresas brasileiras possui uma política filantrópica que poderia resumida nas seguintes etapas: pequeno recurso de natureza filantrópica previsto em orçamento; seguidas negativas a pedidos de recursos; concessão de recursos à filha do prefeito, ao líder dos vereadores e ou para a irmã de seu maior cliente.

O dinheiro acaba sendo gasto em muitos projetos diferentes, mas boa parte dele não chega ao destino previsto, seja porque as entidades beneficiadas não são exatamente as mais bem administradas do País, seja porque as causas apoiadas não são necessariamente as prioritárias. Apesar da filantropia feita, ninguém se orgulha desses gastos e os consumidores não ficam sabendo do empenho investido. É como jogar fora uma gota d'água no oceano, e mais, a filha do prefeito e sua entidade não mandam nem um cartão de natal, como agradecimento.

O presidente e o acionista da empresa doadora acabam achando, corretamente, que no fundo, as doações são um desperdício e que não acrescentam nada às soluções dos problemas sociais. Como mudar esta infeliz situação para todos?

A filantropia estratégica é uma prática que vem crescendo com sucesso. No caso brasileiro é a melhor alternativa para as empresas que querem causar o máximo de impacto junto à comunidade com um mínimo de recursos. Em vez de dispersar seus recursos filantrópicos entre uma dezena de entidades a empresa deve abraçar uma única causa e ficar conhecida por ela.

O Boticário, por exemplo, tem a imagem associada à proteção ao meio ambiente e a C&A, à educação infantil.

Um banco médio brasileiro doa fortunas a uma série de entidades sem fins lucrativos, um valor bem acima do esperado para um banco de seu porte. Porém, o depositante médio do banco não consegue associá-lo a um projeto social específico. Isso ocorre porque o banco possui uma política de doações, e não uma estratégia filantrópica. Com menos recursos O Boticário ganha uma visão social positiva junto ao público consumidor, fornecedores, clientes e potenciais, para quem está claro que ele ajuda o meio ambiente. Grandes empresas descobrirão que apoiar um ou outro evento beneficente dirigido pelo departamento de marketing não dá bons resultados. Os consumidores e a opinião pública percebem o tom mercadológico de certas iniciativas.

A filantropia estratégica definida claramente pela companhia ganha credibilidade e seriedade, o que lhe permite cobrar resultados dos beneficiados. Pela primeira vez seu corpo de executivos se preocupará com que sejam bem gastos e como serão empregados esses recursos.

As entidades beneficentes adoram pedir recursos para construção de sedes próprias, motivadas por insegurança financeira. Seus executivos vão agora sugerir que a entidade alugue prédios e não mais gaste o precioso capital inicial com uma sede própria, o que, erroneamente, é prioridade de muitas delas.

A filantropia estratégica começa a ser interessante e divertida para os funcionários e diretores, ao contrário das doações ao acaso, que sempre deixam um gosto amargo na boca.

O segredo de uma boa estratégia filantrópica é achar a causa ideal para sua empresa. Neste caso, as respostas não são nada fáceis. Possivelmente a melhor solução seja contratar um serviço de consultoria.

O primeiro passo é conhecer o enorme leque de necessidades sociais, ao qual carência e socorro foram simplesmente relegados. Depois é necessário definir quais os tipos de competências, interesses e desejos dos funcionários da empresa que podem ser canalizados e usados eficientemente. Certamente uma empresa de construção civil terá muitas dificuldades em obter sinergia corporativa para o tratamento de doentes com o mal de Alzheimer, por exemplo.

Com um pouco de análise encontra-se alguma sintonia entre as entidades, suas causas, competências e motivação de uma empresa. Como a C&A, por exemplo, que abraçou a educação infantil, já que a maior parte dos funcionários tem filhos e gostaria de entender de educação em geral.

É possível, também, que a definição se esclareça a propósito de um evento traumático ocorrido na empresa. No caso de uma empresa no Sul, uma respeitada e querida diretora do RH faleceu no parto, o que mobilizou a empresa a apoiar creches para órfãos de mãe. O trauma gerou mobilização de todos os funcionários e criou história e tradição empresarial sadia.

Outra alternativa é analisar quais os estragos que a sua empresa causa à sociedade ou à ecologia em geral.

A Latasa, que provoca poluição de latas de alumínio vazias, instituiu uma bem sucedida campanha beneficente que troca um certo número de latas vazias por equipamentos escolares. Dezenas de entidades beneficentes e escolas promovem campanhas de arrecadação de latas, já que estas são recicláveis e o custo da campanha e praticamente nulo.

Donald Trump, com o Trump Taj Mahal, financia um serviço telefônico para jogadores compulsivos. Muitas empresas se recusariam a promover uma campanha como essa por parecer uma admissão de culpa. Ledo engano. Trump, no fundo, está criando uma aura de credibilidade ao demostrar que existe uma categoria de jogadores sadios, que sabem medir limites, e que os jogadores compulsivos não são desejados nem pela indústria do jogo. A rigor, são eles que dão os maiores problemas e calotes.

Se a indústria do fumo tivesse empregado um décimo do que gasta em propaganda e em pesquisas para a cura do câncer do pulmão, sua posição seria bem mais confortável. Ao negar que o problema existe acabou cavando sua própria sepultura.

Nada impede que uma empresa abrace mais de uma causa, como a Wal-Mart, que assiste programas de ecologia, educação, idosos e deficientes físicos.

Provavelmente, sua empresa terá que continuar dando dinheiro para a entidade da filha do prefeito ou para a creche da cidade onde fica a fábrica. O cerne da questão é constância, persistência e comprometimento por um longo período de tempo, digamos 10 anos. Este é o segredo da filantropia estratégica.

No fundo, ao longo do tempo as doações para bingos e rifas não acrescentam nada à sua empresa. Por outro lado, a dedicação a um projeto acaba gerando um clima benéfico não só entre os consumidores, como também entre seu próprio corpo de funcionários, o que é mais importante. Muitas das grandes fundações filantrópicas americanas têm como objetivo criar o maior número possível de projetos. Depois de implantados, abandonam-os, deixando a parte chata da manutenção do projeto para outros. Os executivos de grandes fundações são motivados e avaliados pelas inaugurações, novas idéias e não pela sua constância, com inúmeras exceções.

A vigésima maior fundação brasileira possui um patrimônio de US$ 100 mil; a correspondente americana, US$ 1 bilhão, 10 mil vezes maior.

Os números americanos costumam ser oito vezes maiores que os brasileiros, como no consumo de detergentes ou volume de receita de seguros. No entanto, o nosso atraso empresarial em relação aos programas sociais das empresas nos Estados Unidos é 10 mil vezes maior.

A globalização, o culto da competência, da eficiência e da sobrevivência do mais forte ou do competente indicam que os problemas sociais em alguns segmentos da sociedade se agravarão. O socorro à pobreza e à miséria irá melhorar sensivelmente, mas para o pobre e paraplégico a situação vai piorar muito.

As 500 Maiores Empresas Brasileiras doam, aproximadamente, 300 milhões de dólares para entidades beneficentes. Além de ser uma quantia irrisória para os padrões internacionais, a maioria delas faz isso de forma totalmente aleatória, sem estratégia filantrópica definida.

A lei da Filantropia

(Artigo publicado no D.O.U.)

"LEI DA FILANTROPIA"

LEI No 9.732 , DE 11 DE DEZEMBRO DE 1998

O P R E S I D E N T E D A R E P Ú B L I C A
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Os arts. 22 e 55 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passam a vigorar com as seguintes alterações:

"Art.22.

II - para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos:

III - promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;

..................................................................................................................................

§ 3o Para os fins deste artigo, entende-se por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar.

§ 4o O Instituto Nacional do Seguro Social - INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo.

§ 5o Considera-se também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento." (NR)

Art. 2o Os arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, passam a vigorar com as seguintes alterações:

§ 6o O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente.

§ 7o O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no caput.

§ 8o Aplica-se o disposto no art. 46 ao segurado aposentado nos termos deste artigo que continuar no exercício de atividade ou operação que o sujeite aos agentes nocivos constantes da relação referida no art. 58 desta Lei. " (NR)

"Art.58. .........................................................................................................................

§ 1o A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista.

§ 2o Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo.

Art 3o Os dispositivos a seguir indicados da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, passam a vigorar com as seguintes alterações:

"Art. 2o

II - empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano-calendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais).

§ 4o Para fins do disposto neste artigo, os convênios de adesão ao SIMPLES poderão considerar como empresas de pequeno porte tão-somente aquelas cuja receita bruta, no ano-calendário, seja superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais)." (NR)

f) de R$ 720.000,01 (setecentos e vinte mil reais e um centavo) a R$ 840.000,00 (oitocentos e quarenta mil reais): sete inteiros e quatro décimos por cento;

g) de R$ 840.000,01 (oitocentos e quarenta mil reais e um centavo) a R$ 960.000,00 (novecentos e sessenta mil reais): sete inteiros e oito décimos por cento;

h) de R$ 960.000,01 (novecentos e sessenta mil reais e um centavo) a R$ 1.080.000,00 (um milhão e oitenta mil reais): oito inteiros e dois décimos por cento;

i) de R$ 1.080.000,01 (um milhão, oitenta mil reais e um centavo) a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais): oito inteiros e seis décimos por cento;

.................................................................................................................................

§ 7o No caso de convênio com Unidade Federada ou município, em que seja considerada como empresa de pequeno porte pessoa jurídica com receita bruta superior a R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais), os percentuais a que se referem:

I - o inciso III dos §§ 3o e 4o fica acrescido de um ponto percentual;

II - o inciso IV dos §§ 3o e 4o fica acrescido de meio ponto percentual." (NR)

"Art. 15. ....................................................................................................................................

II - a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9o;

................................................................................................................................

§ 3o A exclusão de ofício dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo.

§ 4o Os órgãos de fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social ou de qualquer entidade convenente deverão representar à Secretaria da Receita Federal se, no exercício de suas atividades fiscalizadoras, constatarem hipótese de exclusão obrigatória do SIMPLES, em conformidade com o disposto no inciso II do art. 13." (NR)

"Art. 23. ..................................................................................................................................

f) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "f" do inciso II do art. 5o:

1 - sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao IRPJ;

2 - sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao PIS/PASEP;

3 - um por cento, relativo à CSLL;

4 - dois por cento, relativos à COFINS;

5 - três inteiros e um décimo por cento, relativos às contribuições de que trata a alínea "f" do § 1o do art. 3o;

g) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "g" do inciso II do art. 5o:

1 - sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao IRPJ;

2 - sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao PIS/PASEP;

3 - um por cento, relativo à CSLL;

4 - dois por cento, relativos à COFINS;

5 - três inteiros e cinco décimos por cento, relativos às contribuições de que trata a alínea "f" do § 1o do art. 3o;

h) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "h" do inciso II do art. 5o:

1 - sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao IRPJ;

2 - sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao PIS/PASEP;

3 - um por cento, relativo à CSLL;

4 - dois por cento, relativos à COFINS;

5 - três inteiros e nove décimos por cento, relativos às contribuições de que trata a alínea "f" do § 1o do art. 3o;

i) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "i" do inciso II do art. 5o:

1 - sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao IRPJ;

2 - sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao PIS/PASEP;

3 - um por cento, relativo à CSLL;

4 - dois por cento, relativos à COFINS;

5 - quatro inteiros e três décimos por cento, relativos às contribuições de que trata a alínea "f" do § 1o do art. 3o.

........................................................................................................................"(NR)

Art. 4o As entidades sem fins lucrativos educacionais e as que atendam ao Sistema Único de Saúde, mas não pratiquem de forma exclusiva e gratuita atendimento a pessoas carentes, gozarão da isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei no 8.212, de 1991, na proporção do valor das vagas cedidas, integral e gratuitamente, a carentes e do valor do atendimento à saúde de caráter assistencial, desde que satisfaçam os requisitos referidos nos incisos I, II, IV e V do art. 55 da citada Lei, na forma do regulamento.

Art. 5o O disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991, na sua nova redação, e no art. 4o desta Lei terá aplicação a partir da competência abril de 1999.

Art. 6o O acréscimo a que se refere o § 6o do art. 57 da Lei no 8.213, de 1991, será exigido de forma progressiva a partir das seguintes datas:

I - 1o de abril de 1999: quatro, três ou dois por cento;

II - 1o de setembro de 1999: oito, seis ou quatro por cento;

III - 1o de março de 2000: doze, nove ou seis por cento.

Art. 7o Fica cancelada, a partir de 1o de abril de 1999, toda e qualquer isenção concedida, em caráter geral ou especial, de contribuição para a Seguridade Social em desconformidade com o art. 55 da Lei no 8.212, de 1991, na sua nova redação, ou com o art. 4o desta Lei.

Art. 8o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 11 de dezembro de 1998; 177o da Independência e 110o da República.

 

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Pedro Pullen Parente
Luciano Oliva Patricio
Waldeck Ornélas
Barjas Negri

O objetivo deste capítulo foi de demonstrar a lei da filantropia, exatamente como ela foi desenvolvida pelo Legislativo e publicada no Diário Oficial da União.

 

O engajamento da sociedade nas causas sociais em 1999.

Conduzimos o nosso acompanhamento do terceiro setor, pesquisa realizada anualmente junto as 400 maiores entidades beneficentes deste país.

Pesquisamos os 400 gestores destas entidades, possivelmente as pessoas mais capacidades de avaliarem a real situação social deste país, pois são as pessoas que estão mais próximas aos problemas.

Na opinião destes 400 líderes sociais, a sociedade como um todo tem aumentado a sua participação e envolvimento com relação a estas entidades, 80% acusando um aumento na participação com relação ao ano anterior.

De zero a 10, a sociedade brasileira recebe algo equivalente a nota 8, o que é uma substancial melhoria com relação à decada anterior.

Com a falência do estado na área social, especialmente no setor de saúde, evidenciado na pesquisa EVOLUÇÃO DOS PROBLEMAS SOCIAIS, a sociedade tem se esforçado a suprir a falta de apoio às massas carentes, via trabalho voluntário, donativos e apoio.

 As 100 Maiores Entidades Filantrópicas

Classificação
 ENTIDADE
 Dispêndios/ano - R$000
1

Fundação Bradesco

245.433
2

LBV

192.139
3

CIEE/SP

138.054
4

ACSC

136.118
5

Fund.A.Prudente-Rede Feminina

61.760
6

Fundação Banco do Brasil

50.229
7

SEB

49.462
8

Inst.Adventista Sul Brasileira

48.251
9

AACD

44.864
10

Fundação Ary Frauzino

41.117
11

AVAPE

40.537
12

Fundação José Silveira

35.417
13

Obras Sociais Irmã Dulce

31.734
14

C.E.N.L.Casas André Luiz

28.121
15

ACM-SP

27.605
16

APAE-SP

20.653
17

LPCC / HEG

20.518
18

LFC

18.978*
19

FCC

16.503
20

Liga

15.536
21

Aldeias SOS

15.454
22

Pastoral da Criança

13.045
23

Hospital Cirurgia

12.976
24

Centro Infantil Boldrini

11.577
25

FEAC

11.388
26

HSC

10.976
27

C.T.C.V.P.

10.450
28

FUNDHAS

10.428
29

Hospital Evangélico

9.611
30

ASSPROM

9.107
31

BEMFAM

8.767
32

Lar Golda Meir

8.600
33

Visão Mundial

8.525
34

A.E.B.

8.340*
35

Fundação Abrinq

8.046
36

APAEB

7.700
37

São Martinho

7.239
38

Bom Parto

7.027
39

FASE

6.668
40

Cáritas Brasileira

6.636
41

Fundação Odebrecht

6.366
42

Associação das Damas

5.745
43

CEAK

5.744*
44

Amparo Maternal

5.327
45

Casa de David

5.269
46

Exército de Salvação

5.121
47

Lar Escola - LESF

4.934
48

FEPE

4.750
49

Dom Bosco Itaquera

4.712
50

Sociedade Pestalozzi do Est. RJ

4.697
51

Santa Casa de Lins

4.638
52

Centro deTrat. B. de Menezes

4.596
53

APAE-Salvador

4.187
54

Unibes

3.971
55

OSUC-Centro de Pedreira

3.903*
56

APAE-RIO

3.893
57

CESAM

3.675
58

ISA

3.644
59

GRAACC

3.632
60

Cidade dos Meninos-CPSJC

3.616*
61

AMAS

3.492
62

Lar de Maria

3.434
63

SBA

3.304
64

Assoc.Santa Terezinha

3.262
65

Cruzada

3.222*
66

C.A.P.S."Nosso Lar"

3.212
67

ACB-SP

3.112
68

AFS

3.095
69

Instituto Mirim

2.919
70

ASA

2.870
71

Cruzada Bandeirante

2.833
72

APAE- Jundiaí

2.797
73

Banco da Providência

2.737
74

Casas de Apoio Sol Nascente

2.721*
75

Obra do Berço

2.697
76

CENPEC

2.613
77

Assoc.Barão de Souza Queiroz

2.589
78

Habitat

2.482
79

Perseverança

2.351
80

FENAPAE

2.333*
81

Kolping

2.300*
82

APAE-Ribeirão Pires

2.294*
83

ISER

2.241*
84

A Mão Branca

2.221
85

APAE-Campinas

2.203*
86

CECR

2.181*
87

CROPH

2.180
88

Fundação Orsa

2.150
89

Fé e Alegria

2.143
90

Recanto N.Sra.de Lourdes

2.091
91

APAE-Ribeirão Preto

1.970
92

Centro Esp.Discípulos de Jesus

1.960
93

CIAM

1.935
94

FDNC

1.926
95

Promove

1.911
96

AFESU

1.899
97

SOFIA

1.898
98

AEHDA-Guarda Mirim

1.868
99

MOC

1.849
100

Assoc.Comunitária Monte Azul

1.817*

A carreira do administrador em empresas do Terceiro Setor

Introdução

A emergência dos movimentos de ajuda mútua em escala mundial demonstra que as pessoas estão preocupadas umas com as outras cada vez mais: aqueles que têm mais estão ajudando aqueles que têm menos.

A maior parte das organizações sem fins lucrativos existe para prover a população de serviços básicos, tais como saúde, educação, dentre outros. Algumas organizações, além de proverem serviços, estão voltadas para a promoção da cidadania e para a luta por determinados direitos. Como exemplos, cabe mencionar as fundações, instituições e organizações sem fins lucrativos voltadas para a ação na comunidade.

Este ensaio procura mostrar como o administrador pode encontrar espaços de atuação dentro do universo do chamado Terceiro Setor. Na primeira parte do trabalho, procura-se tratar de questões teóricas relativas ao conceito de Terceiro Setor. A seguir, trata-se das oportunidades de carreira no setor. Em seguida, fala-se sobre os salários no Terceiro Setor. Por fim, é apresentada uma conclusão para o trabalho.

Sobre o terceiro setor

O primeiro setor é o Estado e o segundo, a iniciativa privada. Pode-se destacar que o crescimento das organizações sem fins lucrativos é grande devido ao fato de o Estado não conseguir atender todos na provisão dos serviços sociais, sendo que o número de indivíduos que precisam de ajuda também cresce sem parar.

Nas organizações sem fins lucrativos, o objetivo principal não é o lucro financeiro, mas sim a provisão dos melhores serviços possíveis com os recursos disponíveis.

Para que se possa fazer um estudo sobre a possibilidade de carreira para o administrador em entidades sem fins lucrativos, é preciso que antes se conheça um pouco mais sobre esse tipo de entidade, ou seja, sobre o Terceiro Setor.

Existe uma série de organizações que não podem ser classificadas como pertencentes ao Estado nem ao mercado. Levando-se em conta esse fato, nota-se que, "para além do Estado e do mercado" (Landim, 1993), existem novas realidades que estão surgindo para suprir a carência do Estado em proporcionar à população um mínimo de bem-estar social. Essas novas realidades fazem parte de um Terceiro Setor não-lucrativo e não-governamental, que depende de doações de pessoas, empresas ou de ajuda do governo para poder existir.

Devido à novidade do tema, não há muitos estudos sobre o assunto e constata-se que este ainda tem muito a ser explorado nos mais diversos âmbitos. Pode-se dizer que esses fatores dificultaram um pouco a obtenção de dados e de material, mas é de se esperar que a produção bibliográfica na área aumente com os anos devido à grande importância desse setor para a sociedade.

Alguns dos principais autores que trabalharam na questão cujas idéias serão abordadas nesta introdução foram: Peter Drucker, Rubem César Fernandes, Leilah Landim, Jeremy Rifkin e Lester Salamon.

Jeremy Rifkin, no seu livro "O Fim dos Empregos", afirma: "O Terceiro Setor, também conhecido como setor independente ou voluntário, é o domínio no qual padrões de referência dão lugar a relações comunitárias, em que doar do próprio tempo a outros toma o lugar de relações de mercado impostas artificialmente, baseadas em vender-se a si mesmo ou seus serviços a outros" (p. 263). Rifkin, portanto, relaciona o Terceiro Setor a qualquer atividade comunitária voluntária. Ele chama a atenção para a possibilidade de trabalho no Terceiro Setor e para as relações sociais a ele associadas. Segundo Rifkin, o progresso tecnológico, a comunicação e a informação fazem com que a necessidade de mão-de-obra pelas empresas tenda a diminuir. Paralelo a essa situação, ele constata que os governos têm-se tornado mais fracos e incompetentes, sendo que a contratação de mão-de-obra está ficando cada vez menor, ou seja, eles estão deixando de ter a função de contratantes de última instância. Para ele, a diminuição da jornada de trabalho liberaria mais horas "de lazer" e, com isso, o trabalho no Terceiro Setor seria uma opção interessante, pois rompe com a lógica utilitarista e insaciável do apego ao dinheiro e às suas possibilidades de consumir cada vez mais. A economia de mercado, medida em termos de Renda e Produto, estaria sendo substituída por uma economia social, que considera ganhos econômicos indiretos e grau de solidariedade em uma região. O Terceiro Setor é também importante para servir de força aglutinante e de elo social e para manter os diferentes interesses de uma sociedade dentro de uma identidade social coesa.

Tanto Peter Drucker quanto Jeremy Rifkin pensam em termos globais partindo das últimas mudanças dos países desenvolvidos. Para ambos, a sociedade estaria entrando numa era pós-capitalista ou pós-mercado, na qual o fator de produção mais importante passa a ser o conhecimento, no lugar da mão-de-obra, da terra e do capital. O Terceiro Setor é uma alternativa para refazer a integração social. Drucker afirma, nesse sentido: "Historicamente, a comunidade era obra do destino. Na sociedade pós-capitalista, a comunidade precisa se tornar um compromisso."

Lester Salamon, pesquisador da Johns Hopkins University, foi um dos pioneiros no estudo do Terceiro Setor. Ele fez um levantamento e uma análise de dados econômicos como a capacidade do setor de gerar empregos e de movimentar renda. Salamon fez comparações entre vários países e definiu o setor não-lucrativo como sendo formado por organizações estruturadas, privadas, que não distribuem os seus lucros para os seus diretores ou acionistas, que são autogovernadas, que envolvem indivíduos voluntários, que são não-religiosas e não-políticas e que atendem o público.

Para Salamon, o Terceiro Setor, ou setor não-lucrativo, pode receber outros nomes, como setor da caridade, setor independente, setor voluntário, setor tax-exempt. Salamon destaca que o Terceiro Setor deve diversificar suas origens de recursos para que não tenha que depender tanto do governo para funcionar, passando a ser um parceiro deste na provisão de serviços sociais.

Para Salamon, as causas da expansão recente do Terceiro Setor são "forças históricas fundamentais", que consistem na perda de confiança no Estado, na expansão das comunicações, na emergência de uma classe média comercial e profissional mais vibrante, na crescente demanda por uma série de serviços especializados e no colapso do socialismo.

Logo, para Salamon, Rifkin e Drucker, o Terceiro Setor tende a crescer a fim de resolver os problemas sociais gerados pelo mercado e que o Estado não consegue resolver, principalmente aqueles relacionados com a geração de emprego, uma vez que, no Terceiro Setor, o trabalho humano é insubstituível e indispensável.

O autor brasileiro, Rubem César Fernandes, idealizador do movimento Reage Rio e membro da CIVICUS (Aliança Mundial para a Participação dos Cidadãos), em seu livro "Privado porém Público - O Terceiro Setor na América Latina", questiona a validade da definição de Lester Salamon de Terceiro Setor para a realidade da América Latina e de outros países não desenvolvidos. Fernandes argumenta que o conceito de Salamon de "organizações estruturadas" (isto é, formais ou institucionalizadas em alguma medida) abrange apenas a "ponta do iceberg" da realidade do Terceiro Setor latino-americano, sendo por isso excludente. Na verdade, "abaixo da linha d'água", existe um grande conjunto de organizações informais que possuem peso econômico (metade do PIB em alguns países). As dinâmicas "abaixo da linha d'água" incluem as formas tradicionais de ajuda mútua, tais como cura espiritual, magia e outras manifestações religiosas, como umbanda, candomblé, evangélicos, etc.

Para Fernandes, o Terceiro Setor deve buscar "interações positivas" com o Estado e, para isso, deve buscar a independência em relação ao Estado quanto a financiamento de suas atividades. Além disso, para ele, na América Latina o conceito de Terceiro Setor está muito ligado a uma dupla negação: não-lucrativo e não-governamental.

Salamon, ao falar sobre o Brasil, diz que há "milhares de organizações comunitárias não registradas nas áreas pobres urbanas e rurais, que parecem ter aumentado em número significativamente na década passada [1980] como resultado do aprofundamento dos problemas econômicos e políticos".

A pesquisadora brasileira do ISER, Leilah Landim (em sua publicação "Para Além do Mercado e do Estado? - Filantropia e Cidadania no Brasil"), diz que um Estado "forte, patrimonialista e autoritário" numa sociedade como a brasileira contribuiria para a disseminação de organizações informais &endash; isso devido às dificuldades colocadas pelo Estado (obtenção de benefícios, autorizações, regulamentos, subvenções, etc.). Essas dificuldades estimulariam a informalidade fazendo com que as organizações informais, ou seja, "abaixo da linha d'água", provessem serviços sociais para a população sem possuir autorização formal do Estado.

Peter Drucker destaca a importância do Terceiro Setor para a formação pessoal dos indivíduos em relação à conscientização para a ajuda ao próximo e para o aumento do bem-estar da população.

Leilah Landim colocou em evidência a importância do Estado centralizador e da forte religiosidade sobre a realidade do Terceiro Setor na sociedade brasileira. Ela diz que: "... é difícil aplicar mecanicamente os modelos que vêm sendo pensados para o Terceiro Setor quanto às sociedades democráticas que completaram com sucesso a trajetória do desenvolvimento e da modernidade. Onde colocar um país como o Brasil na espécie de continuum que se vem estabelecendo entre os 'modelos' holandês e escandinavo, quanto à conformação desse setor?" (p. 41). Para ela, o fato de existirem nos países da América Latina sistemas, como "sociedade do favor" e do "jeitinho", dificulta a formação de instituições horizontais modernas características do Terceiro Setor. Já para os EUA, seria mais fácil devido ao fato de eles não possuírem esses mecanismos.

Para Landim, o fato de muitas fundações serem instituídas pelo Estado desvirtua um pouco o caráter privado e não-governamental das organizações do Terceiro Setor, sendo que isso acaba aproximando-as de organizações paraestatais.

Dentre os autores analisados, aquele que parece sugerir medidas mais práticas de estímulo a organizações do Terceiro Setor é Jeremy Rifkin. Rifkin parte da idéia já consensualmente aceita do Programa de Renda Mínima ou Imposto Negativo sobre a Renda e a desdobra na idéia de um salário social, ou seja, o desempregado continuaria a receber uma renda mínima, mas, em troca, teria que trabalhar em organizações comunitárias, o que também seria útil para sua formação e auto-estima.

Outra idéia de Rifkin é o salário indireto para trabalho voluntário, que se baseia no abatimento de imposto de renda por doação de horas de trabalho voluntárias. Seria difícil avaliar quanto vale uma hora trabalhada voluntariamente. Além disso, seria difícil comprovar o número de horas que uma pessoa trabalhou voluntariamente.

Rubem César Fernandes chama a atenção para o fato de as ONGs brasileiras ainda estarem muito voltadas para o aspecto político (exemplo: direitos humanos) e pouco para o econômico.

A proposta de Fernandes e do CIVICUS consiste na promoção de interações e parcerias, principalmente por meio do estímulo da filantropia empresarial brasileira e apoio técnico do Estado; incentivo à doação particular e ao voluntariado; promoção e estímulo de um ambiente fiscal, político e legal propício para o desenvolvimento e crescimento da sociedade civil; estímulo à pesquisa e ao progresso sobre o Terceiro Setor a fim de apoiar as reivindicações de investimento social; empenho no diálogo com agências internacionais importantes; e valorização do poder do cidadão.

Salamon afirma sobre as organizações sem fins lucrativos: "Por mais que se vangloriem de sua flexibilidade, as organizações não-lucrativas continuam a ser organizações. À medida que crescem em escala e complexidade, ficam vulneráveis a todas as limitações que afligem outras instituições burocráticas: indiferença, criação de obstáculos, rotinização e falta de coordenação." Isso mostra que, à medida que as organizações do Terceiro Setor vão crescendo, surge a necessidade de uma pessoa para organizar as suas atividades a fim de que não se perca o controle e que o crescimento não cesse. Essa pessoa tem o perfil de um administrador.

Carreira em organizações sem fins lucrativos

Com o crescimento das organizações sem fins lucrativos (em tamanho e em número), a possibilidade de emprego e de carreira nessas organizações também aumenta e surgem então oportunidades para diversas categorias de profissionais.

Nesta pesquisa, será enfatizada a possibilidade de carreira para os administradores que, nesse tipo de organização, devem dar atenção ao treinamento das pessoas, além de fornecer-lhes apoio na execução de trabalhos. Eles devem também realizar projetos de curto prazo que visem a melhorias sociais, que possam difundir o trabalho da organização garantindo a sua imagem no longo prazo. Além disso, devem buscar uma interação positiva com o governo a fim de obter apoio na execução de projetos e no cumprimento dos objetivos da organização para garantir o respeito a sua missão. Porém não podem deixar que a entidade seja comandada pelo Estado. Esta deve manter autonomia e independência nas suas decisões.

Um administrador de organizações sem fins lucrativos deve possuir, além de preocupação econômica, uma preocupação social e uma capacidade de trabalhar em equipe para poder executar com sucesso o maior número de projetos possíveis.

Segundo Denise Chirspin Marim, as organizações sem fins lucrativos são uma fonte de empregos que se está consolidando no Brasil nos últimos anos e que exige novas especializações. Ainda segundo ela, uma das tendências desse tipo de organização é trocar o trabalho voluntário pelo de profissionais, passando a requisitar administradores de entidades sem fins lucrativos e fund raisers (captadores de fundos).

O administrador desse tipo de organização deve conhecer o papel das instituições sem fins lucrativos, modelos de gestão adequados a essas instituições, fund raising (captação de doações de empresas), marketing voltado para a divulgação da ação social, ética em instituições sem fins lucrativos, dentre outros. Ele se defrontará com uma série de dificuldades, tais como avaliação do impacto e dos resultados de seus projetos, planejamento da aplicação dos recursos, capacitação técnica administrativa e operacional, informatização e alimentação de sistemas de informação, desenvolvimento de marketing apropriado.

Segundo Luiz Carlos Merege, o Terceiro Setor está ganhando uma grande importância devido a sua geração de empregos. Enquanto os outros dois setores, o Estado e o Mercado, estão demitindo, as organizações do Terceiro Setor não param de contratar.

Logo, conclui-se que, no desenho da sociedade contemporânea, o Terceiro Setor constituirá uma base sobre a qual os sistemas econômicos se apoiarão.

Ainda sobre esse assunto, Oded Grajew, em seu texto "Uma Saída para o Desemprego Estrutural", diz que o avanço tecnológico combinado com a globalização da economia está ocasionando um aumento do desemprego. Esse tipo de desemprego recebe o nome de desemprego estrutural.

Para ele, o setor governamental e o setor privado não-lucrativo (fundações e entidades que trabalham em projetos na área cultural, social e na defesa dos direitos básicos do homem) possuem como objetivo principal a melhoria da qualidade de vida da população. Pode-se notar que esses dois setores são grandes empregadores de mão-de-obra. Isso pode ser comprovado por um estudo da universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, que mostra que, em alguns países da Europa, nos Estados Unidos e no Japão, o setor governamental representa 27,6% dos empregos e o setor privado não-lucrativo, 4,5% dos empregos.

Esse autor propõe que a sociedade aporte recursos de forma obrigatória (impostos e taxas) e voluntária (doações e contribuições ao Terceiro Setor) para que esses dois setores possam empregar mais pessoas e melhorar a qualidade de vida da população.

Segundo o National Summary: Not-for-Profit Employment Forum the 1990 Census of Population and Housing, realizado pelo Independent Sector, Washington, D.C., a maioria das pessoas que trabalham no Terceiro Setor são mulheres e pessoas de cor. Isso ocorre tanto em cargos operacionais como em posições de comando.

Ainda segundo esse estudo, o setor não-lucrativo e o governo empregam pessoas com maior nível educacional que o setor lucrativo. Quatro em cada dez pessoas do setor não-lucrativo e do governo possuem faculdade ou graus avançados; já no setor lucrativo, somente 17% das pessoas.

Dentre os 7.7 milhões de pessoas que trabalham no setor não-lucrativo, 65% são mulheres. Já no governo, 53% são mulheres e no setor lucrativo, 44%.

Segundo Cassandra Hayes em seu artigo "Deeds over Dollars", conforme o número de organizações sem fins lucrativos cresce, as oportunidades de empregos nessas organizações também crescem. Essa autora ressalta que as principais organizações do Terceiro Setor são: fundações, associações de comércio, entidades civis, sociais, religiosas, fraternais, culturais, artísticas, de preservação do meio ambiente e internacionais. Ressalta também que as pessoas que consideram a possibilidade de trabalhar no Terceiro Setor devem primeiramente decidir o tipo de organização que almejam trabalhar. Um outro ponto enfatizado é o fato de que as pessoas se sentem motivadas a trabalhar nessas organizações, pois estão ao mesmo tempo trabalhando e ajudando a comunidade.

Cabe ressaltar que o setor não-lucrativo está competindo com os outros setores por pessoas de qualidade.

Segundo um estudo do Nonprofit Academic Centers Council nos Estados Unidos, os empregos no Terceiro Setor cresceram 32% entre 1982 e 1990.

Para Cassandra Hayes, os cortes no orçamento realizados pelo governo serviram de estímulo a alianças estratégicas entre várias organizações sem fins lucrativos e, como resultado, a necessidade de se ter administradores experientes é grande. Contadores e advogados são profissionais altamente necessários nesse setor devido à transparência que essas organizações devem possuir perante a sociedade e, principalmente, perante os doadores.

Dependendo do tipo de organização, as necessidades com relação a profissionais variam. Por exemplo, em entidades relacionadas ao atendimento de doentes, são necessários médicos e enfermeiras.

Os profissionais de recursos humanos devem estar preparados para recrutar e reter não só funcionários pagos como também voluntários.

Segundo Ronald L. Krannich e Caryl Rae Krannich, em "Jobs and Careers with Nonprofit Organizations", enquanto o mercado e o Estado realizam programas de downsizing, as organizações sem fins lucrativos tendem a crescer.

Eles prosseguem dizendo que, pelo fato de as organizações sem fins lucrativos proporcionarem cada vez mais serviços para a sociedade, elas necessitarão possuir um quadro de funcionários altamente competentes, além de administrar da melhor forma possível os recursos financeiros disponíveis.

Logo, as organizações sem fins lucrativos tendem a ser um grande alvo de pessoas que buscam empregos e oportunidades de carreira, em detrimento ao Estado e ao mercado.

Os autores acrescentam que existem mais de 700.000 organizações sem fins lucrativos que empregam aproximadamente 10 milhões de pessoas nos Estados Unidos (em torno de 8% da população economicamente ativa dos EUA). Porém elas são negligenciadas pelas pessoas que estão em busca de um emprego, devido ao fato de estas conhecerem muito pouco sobre esse tipo de organização e do seu potencial de contratação de mão-de-obra. Essas organizações podem ser encontradas em qualquer lugar, tratam de vários assuntos e representam uma série de interesses da sociedade.

Dependendo do tipo de organização, os profissionais e os perfis desejados são diferentes, mas a maioria das organizações sem fins lucrativos precisa de pessoas com habilidade de comunicação e com conhecimentos em fund raising, pois elas sempre deverão mobilizar o apoio das pessoas para as atividades da organização. Porém até mesmo indivíduos com uma experiência de trabalho limitada, mas que demonstrem fortes habilidades de comunicação, de organização e de controle, possuirão grandes possibilidades de ter sucesso e de fazer carreira nesse tipo de organização.

Nas organizações sem fins lucrativos, as possibilidades variam desde altos executivos até profissionais de menor qualificação.

Similarmente às organizações governamentais e empresas lucrativas, as organizações sem fins lucrativos trabalham com orçamentos anuais, mas os esforços são canalizados para a captação de recursos em detrimento do marketing ou da venda de produtos e serviços.

A produtividade nas organizações do Terceiro Setor é medida em relação ao cumprimento de objetivos propostos.

Logo, as organizações do Terceiro Setor oferecem uma grande gama de empregos em que as pessoas podem desenvolver carreira e atingir grandes níveis de satisfação. Um avanço na carreira freqüentemente significa sair de uma organização pequena para uma maior, que oferece mais responsabilidades e opera com orçamentos maiores.

O nível de salários e benefícios varia dependendo da natureza da organização. Sabe-se que várias organizações oferecem trabalhos muito mal remunerados, pois é muito utilizado ainda o recurso do trabalho voluntário. Mas sabe-se também que organizações de pesquisa, fundações e associações comerciais e de profissionais oferecem altos salários e uma grande gama de benefícios. Para Ronald L. Krannich e Caryl Rae Krannish, normalmente, no Terceiro Setor ganha-se 25% a menos que em organizações com fins lucrativos.

O trabalho em organizações pode ser altamente confortante, uma vez que as pessoas podem estar ajudando umas às outras, ou trabalhando em atividades interessantes como arte, cultura, história, educação, serviço social, direito, política, dentre outros.

Algumas pessoas que trabalham no governo e em organizações com fins lucrativos sairão destas para trabalhar no Terceiro Setor. A experiência adquirida em organizações sem fins lucrativos pode servir de marco inicial para ótimas oportunidades de carreira tanto em organizações governamentais quanto em organizações com fins lucrativos.

Para Regina E. Herzlinger em "Effective Oversight: a Guide for Nonprofit Directors", cada vez mais pessoas estão vendo as organizações sem fins lucrativos como um "endereço" para a solução de problemas sociais. Ela destaca que a transparência em relação à sociedade e aos doadores deve ser um fator essencial nas organizações sem fins lucrativos.

O artigo "Careers in the Third Sector", de Jenny Onyx e Madi Maclean, diz que o conceito de carreira tende a ser idealizado como a mobilidade ascendente em uma hierarquia. Embora estejam ocorrendo transformações nas organizações devido à globalização e ao conseqüente aumento da competitividade, é assumido que a maioria dos funcionários é motivada pelo aumento das responsabilidades, do status e da remuneração. Porém, segundo esse critério, as pessoas que trabalham no Terceiro Setor não teriam carreira.

Esse artigo se refere a uma pesquisa realizada em New South Wales na Austrália. Foram perguntadas quais as razões para a entrada no Terceiro Setor, e os itens mais mencionados foram: comprometimento filosófico ou político, comprometimento com mudança social, horário ou local conveniente para a família, experiência de vida pessoal e experiência voluntária.

Foram também perguntadas as razões para apresentar-se para empregos no Terceiro Setor e, dentre as respostas, 24% dos entrevistados pensam na possibilidade de carreira na organização.

Uma informação interessante apresentada pelos autores é que a definição tradicional de carreira (linear) não se aplica a organizações do Terceiro Setor. Nas organizações sem fins lucrativos, o conceito de carreira espiral é mais aplicável. Nesse conceito, é enfatizado o estilo integrativo de decisão e o crescimento pessoal. As pessoas que possuem carreira espiral procuram criatividade, proximidade interpessoal e generosidade.

A questão dos salários nessas organizações

Segundo o artigo "Nonprofit Executives See More Incentive Pay", pelo medo de perder os seus melhores executivos para o setor lucrativo, as organizações do Terceiro Setor começaram a aumentar o pagamento para os seus executivos. Um estudo realizado por William M. Mercer Inc., New York, chegou à conclusão de que 58% das 72 fundações e associações pesquisadas oferecem incentivos anuais e outros elementos de pagamento que são novos para as organizações sem fins lucrativos.

Esse artigo destaca que 61% dessas organizações adotaram esses incentivos de pagamento nos últimos 5 anos e que uma minoria significante (30%) ainda resiste a essa prática, citando a inconsistência desses métodos para o status das organizações sem fins lucrativos.

Dentre as organizações sem fins lucrativos que oferecem salário variável, 2/3 relacionam os incentivos a objetivos de negócio e adesão de novos doadores, enquanto 35% os relacionam a objetivos orçamentários.

Um outro ponto apresentado é o fato de que os executivos do Terceiro Setor chegam a receber uma grande variedade de benefícios, tais como concessão de carros, almoços, atendimento médico, estacionamento e telefones celulares. Mesmo com todos esses novos incentivos e bônus, a sua remuneração total freqüentemente fica abaixo daquela oferecida pelas organizações lucrativas.

O artigo "Nonprofit Salaries: What Are You Paying for", de Gretchen Gemeinhardt e Steve Werner, ajuda as organizações sem fins lucrativos a determinar os salários de seus empregados. Para a realização do artigo, foram pesquisadas organizações sem fins lucrativos e 2.333 empregados em todos os níveis organizacionais.

Pela pesquisa, foi possível identificar que os salários variam em relação a raça, sexo, posição de supervisão, tempo de experiência, nível educacional, decisões tomadas pela pessoa e performance organizacional.

A pesquisa ressalta que as pessoas do sexo masculino que trabalham em organizações sem fins lucrativos ganham mais que as do sexo feminino. O mesmo ocorre com os brancos que ganham mais que os não-brancos. Além disso, aqueles que possuem um cargo de supervisão ganham mais que os que não possuem.

Nota-se também que a remuneração aumenta de acordo com o tempo de experiência de trabalho e o número de decisões tomadas, ou seja, quanto maior a experiência e o número de decisões, maior o salário.

Também é possível identificar que a remuneração aumenta de acordo com o aumento do grau de instrução das pessoas. Por exemplo, uma pessoa sem colegial recebe em média

US$ 1.000 por mês. Já uma pessoa com mestrado/MBA recebe em média US$ 2.500 e finalmente uma pessoa com doutorado recebe em média US$ 4.500 por mês. Isso mostra que a relação estudo/salário nessas organizações é diferente do que nas organizações com fins lucrativos onde um MBA traz maiores salários do que um doutorado.

De acordo com Cassandra Hayes, um problema referente ao Terceiro Setor é a remuneração, que é em média 15% mais baixa que nas organizações com fins lucrativos. Porém isso está mudando, pois as organizações sem fins lucrativos estão passando a utilizar alguns fatores a fim de tornar esse setor mais atraente. Dentre esses fatores, é possível citar: incentivos, pagamentos de acordo com performance e bônus, dentre outros.

De acordo com uma pesquisa sobre o salário em organizações sem fins lucrativos, realizada em 1994 pela Coopers & Lybrand, os diretores executivos ganham em média US$ 6.040,00 por mês; os administradores financeiros, US$ 3.833,00; e os altos executivos de recursos humanos, US$ 3.517,00.

Já uma pesquisa realizada pela Ernest & Young em organizações sem fins lucrativos em Nova York apontou que, devido ao fato de o custo de vida nessa região ser mais elevado, os salários também são. Os altos executivos ganham em média US$ 11.417,00 por mês, e os administradores financeiros, US$ 6.775,00.

Como a educação está se adaptando às necessidades do terceiro setor

Para que os profissionais se adaptem às necessidades do Terceiro Setor, as universidades de administração estão oferecendo cursos sobre administração de organizações não lucrativas.

Luiz Carlos Merege, em seu artigo "Filantropia e universidade", fala sobre o 2o. Encontro Ibero-Americano de Filantropia realizado em Guadalajara na primeira semana de outubro de 1994. Este reuniu fundações e entidades filantrópicas da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina. O encontro concluiu que caberá às universidades da América Latina:

  1. formar dirigentes de organizações não-lucrativas, tendo em vista a necessidade urgente de profissionalização de suas atividades;
  2. pesquisar a respeito do tamanho do setor (número de pessoas), assim como mensurar o volume de recursos que movimenta;
  3. promover mudanças na legislação para que o setor possa se desenvolver em sua plenitude;
  4. estudar as relações desse setor emergente com o Estado, a fim de definir melhor a sua área de atuação;
  5. facilitar as relações entre doadores e organizações que necessitam de recursos;
  6. servir de elo de união entre as organizações não-lucrativas do continente, assim como possibilitar que entidades com diferentes naturezas estabeleçam vínculos entre si, como, por exemplo, ONGs e fundações privadas.

A autora Patrícia da Cunha Tavares, no seu artigo "O Papel das Universidades no Desenvolvimento do Terceiro Setor", afirma que não se pode dizer que as organizações sem fins lucrativos realizam o seu trabalho da melhor forma possível, uma vez que lhes falta uma gerência profissional que possibilitaria sua transformação em uma empresa social, visando a sua auto-sustentação e aplicação eficiente dos recursos disponíveis. Ela destaca que, para conseguir realizar essa transformação, essas organizações precisam ser ajudadas pelas universidades e escolas de administração, devido aos seguintes motivos:

* nesses lugares, são proporcionados conhecimento e pesquisa que podem ser multiplicados para organizações do Terceiro Setor;

* a interface universidade &endash; Terceiro Setor proporciona uma grande riqueza tanto para o estudo das características organizacionais quanto para a formação do futuro profissional de administração. "O Terceiro Setor é mercado de trabalho com possibilidade de carreira, sendo isso valorizado pelos estudantes/futuros profissionais de administração." Com a realização de consultorias e assessorias, são beneficiadas tanto as universidades quanto as organizações do Terceiro Setor.

Ainda segundo a autora, as universidades devem formar um administrador socialmente responsável, sensibilizado para a questão social.

Segundo o artigo "Unveiling the Hidden Sector" de Allan R. Clyde, existe um fundo de pesquisa do setor não-lucrativo - Nonprofit Sector Research Fund (NSRF) - que está trabalhando para aumentar a visibilidade pública, o entendimento e o suporte por meio de pesquisas. Esse artigo diz que, de acordo com o Nonprofit Almanac, muito mais pessoas trabalham no setor não-lucrativo do que na indústria americana de carros. O ganho com o emprego nesse setor cresceu de $ 75,9 bilhões para $ 254,8 bilhões entre 1977 e 1990. Apesar desses números que mostram o tamanho e a importância do setor não-lucrativo, existe a necessidade contínua de visibilidade mais forte desse setor para alcançar a compreensão de um público maior e para apoiar o papel desse setor na sociedade. Uma parcela dessa necessidade está sendo tratada pelo NSRF, criado para apoiar pesquisas independentes e de alta qualidade que podem informar qualquer pessoa interessada no setor não-lucrativo.

A diretora do NSRF, Elizabeth T.Boris, diz: "O setor não-lucrativo é invisível para a maioria das pessoas que trabalham nele, para os acadêmicos que estudam a maneira como a sociedade americana funciona e para líderes políticos que fazem leis."

A necessidade de um fundo como o NSRF foi reconhecida não só pelo setor não-lucrativo, mas também pelas universidades.

A lacuna de pesquisas independentes e o interesse contínuo em documentar o setor incentivaram algumas fundações a ajudar faculdades e universidades a estabelecer os seus próprios centros de pesquisa filantrópicos, tais como o programa de Organizações sem Fins Lucrativos da Yale University, o Mandel Center da Case Western University, o Center on Philanthropy da Indiana e o Center for Studies on Philanthropy da City University of New York.

Exemplos de pesquisas financiadas pelo NSRF:

* "Nonprofit Industrial Development Organizations - Accountability and Distributional Effects" (Organizações sem Fins Lucrativos de Desenvolvimento Industrial - Responsabilidade e Efeitos da Distribuição).

* "The Efficiency and Effectiveness of Tropical African Private Voluntary Agency Development Consortia: Lessons for the Development Community and International Donors" (A Eficiência e a Efetividade do Consórcio de Agências Voluntárias de Desenvolvimento na África Tropical: Lições para a Comunidade em Desenvolvimento e para Doadores Internacionais).

* "Organizational Change and Transformation: Success, Survival and Decline Among Feminist Groups in the 1990s" (Mudança e Transformação Organizacional: Sucesso, Sobrevivência e Declínio entre Grupos Feministas nos anos 90).

O NSRF está planejando aumentar a sua base de doadores e o número de pesquisas financiadas. Está também implementando fundos de pesquisa regionais para que doadores contribuam nas suas próprias regiões.

Ele também planeja patrocinar conferências e desenvolver programas envolvendo as organizações sem fins lucrativos para identificar as questões práticas de pesquisa que tragam maiores benefícios para elas, além de provisionar assistência técnica para as pessoas interessadas em desenvolver propostas de pesquisa.

Segundo Elizabeth T. Boris, o objetivo do fundo "é aumentar a quantidade de dinheiro que o setor não-lucrativo está investindo na sua própria pesquisa e desenvolvimento". Ela prossegue dizendo que "o mercado, o governo e o setor sem fins lucrativos são parceiros na nossa sociedade, mas o setor não-lucrativo é o menos estudado, o menos documentado e o menos visível dentre os parceiros".

Para atender às necessidades do Terceiro Setor, a educação deve sofrer algumas modificações.

Peter Baalen e Lucas Meijs, no seu artigo "The Unpaved Road to Entrepreneurship in the Third Sector, How Education Must Change too", dizem que estão trabalhando em um projeto em conjunto com as faculdades de administração e de administração pública a fim de esboçar um novo programa educacional para estudantes que querem adquirir conhecimento sobre problemas administrativos em organizações do Terceiro Setor. A administração para organizações sem fins lucrativos deve ser diferente da administração para empresas públicas e empresas lucrativas. A diferença não está no esboço pedagógico do programa, e sim no conteúdo dos cursos.

Para eles, os administradores das organizações sem fins lucrativos precisam ter habilidades específicas e responsabilidades que não são usuais. É freqüentemente dito que os administradores de organizações do Terceiro Setor devem ter um contato real com a missão da organização, devem ter "feeling" político. Os administradores, concebidos como trabalhadores com conhecimento, aplicam e criam conhecimento para resolver problemas particulares das organizações.

O artigo "Nonprofit Management Education in the Year 2000", de Naomi B. Wish e Roseanne Mirabella, fala sobre os resultados preliminares do projeto para avaliar a efetividade e os impactos nas faculdades e universidades em relação à educação para a administração das organizações sem fins lucrativos. Foram pesquisadas as universidades e faculdades que possuem programas com uma concentração na administração das organizações sem fins lucrativos. O questionário foi mandado para mais de 1.000 faculdades e universidades que são membros da AACSB (Congregação das Escolas de Administração), da NASPAA (Associação Nacional de Negócios Públicos e Administração), da ARNOVA (Associação dos Pesquisadores de Organizações sem Fins Lucrativos e Ações Voluntárias) e do NACC (Conselho Nacional de Centros Acadêmicos).

Mais de trezentos estabelecimentos de ensino responderam ao questionário. Destes, 102 possuem matérias sobre Administração de Organizações sem Fins Lucrativos para alunos de pós-graduação e 46 possuem essas matérias para alunos de graduação.

No Brasil, a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas foi pioneira em iniciativas, no que diz respeito ao ensino e pesquisa sobre o Terceiro Setor, ao criar o Centro de Estudos do Terceiro Setor, que concentra alunos e professores para oferecer cursos e realizar pesquisas nessa área.

O Centro de Estudos do Terceiro Setor foi criado em setembro de 1994, com o objetivo de atuar na área acadêmica, treinando profissionais do setor por meio de cursos oferecidos pelo Programa de Educação Continuada da Fundação Getulio Vargas e oferecendo disciplinas nessa área para alunos de graduação e pós-graduação, e também com o objetivo de realizar pesquisas e fornecer serviços de assessoria e consultoria, realizando planejamento estratégico para as organizações do Terceiro Setor. Esse Centro é coordenado pelo Professor Luiz Carlos Merege. A Escola oferece também matérias sobre administração de organizações sem fins lucrativos para os alunos da graduação.

É possível concluir que as universidades estão cada vez mais se preocupando em preparar profissionais para o Terceiro Setor, não só nos Estados Unidos como também no Brasil.

Nas faculdades de Administração de Empresas, o número de disciplinas e cursos oferecidos sobre administração de organizações sem fins lucrativos, assim como o número de alunos interessados por esse novo campo de trabalho, está crescendo.

Conclusão

As organizações sem fins lucrativos possuem crescentes papéis políticos, econômicos e sociais. Elas adquirem importância na provisão de serviços sociais para a população, uma vez que o Estado não consegue provê-la de todos. Logo, representam uma possibilidade de mudança social para aumentar a qualidade de vida das pessoas.

Alguns pontos positivos dessas organizações são a possibilidade de mudança social, a possibilidade de as pessoas trabalharem em prol de uma causa social, o espírito de solidariedade que existe dentro dessas organizações, o espírito de crescimento em conjunto e de participação, o ambiente de trabalho agradável e o fato de que essas organizações não são burocráticas. Alguns pontos negativos são a probabilidade de que elas passem a depender do setor público e até mesmo do setor privado em virtude da falta de recursos, a falta de organização interna e o fato de que algumas organizações não realizam prestação de contas.

Essas organizações apresentam alguns valores bastante positivos, como transparência, solidariedade e gestão participativa.

A quantidade e o tamanho das organizações sem fins lucrativos estão aumentando a cada dia e, com isso, elas estão contratando um número cada vez maior de profissionais. Enquanto o Estado e o setor privado lucrativo realizam cortes e enxugamento no quadro de funcionários, as organizações sem fins lucrativos não param de contratar.

Uma característica importante das pessoas que trabalham nessas organizações é a vontade e o empenho em ajudar os outros, o que proporciona um aumento na qualidade de vida das pessoas. Nessas organizações, ainda existe muito trabalho voluntário, porém cada vez mais elas estão se profissionalizando.

Conforme o tipo de entidade, diferentes especializações profissionais são requeridas. Por exemplo, uma entidade de ajuda médica necessita de médicos e enfermeiros e assim por diante.

Com o crescimento dessas organizações, surge a necessidade de contratar um profissional que se encarregue da gestão dos recursos financeiros, materiais e humanos, além da organização das atividades, para que seja executado o maior número de projetos possíveis. Esse profissional possui o perfil de um administrador.

Um administrador de organizações sem fins lucrativos não deve estar preocupado somente com o seu retorno econômico, mas também em ajudar ao próximo.

Nessas organizações, ao contrário das organizações com fins lucrativos, não existe competição entre as pessoas; o que existe é competição para realizar o maior número de projetos possíveis, ou seja, todos trabalham juntos para executar projetos que ajudem a população. Logo, um administrador de organizações sem fins lucrativos também deve saber trabalhar em equipe.

Um outro papel que pode ser exercido pelo administrador é o de captar recursos. As organizações sem fins lucrativos devem possuir uma constante e segura captação de recursos para que possam cumprir os seus objetivos.

Muitas universidades de administração já possuem cursos e matérias para preparar o administrador para o trabalho nessas organizações. A Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas oferece matérias optativas no curso de Administração de Empresas sobre administração de organizações sem fins lucrativos. Além disso, a Escola possui um curso do Programa de Educação Continuada que visa atender profissionais que já estão trabalhando na área.

As universidades também possuem o papel de formar administradores socialmente responsáveis, que não se preocupem somente com o retorno financeiro.

Quanto aos salários nessas organizações, pode-se notar que estão sendo aumentados e que, por mais que estejam ainda de 15% a 25% mais baixos que os das organizações com fins lucrativos, a tendência é que subam cada vez mais.

É possível concluir que o Terceiro Setor ainda tem muito para crescer, em tamanho, em conhecimento, em profissionalização, em número de funcionários contratados e principalmente em número de pessoas atendidas, em número de projetos executados com sucesso e também no aumento da qualidade de vida da população. Logo, cada vez mais profissionais, dentre eles administradores, serão contratados por essas organizações e conseqüentemente o Terceiro Setor será um campo que constituirá uma ótima oportunidade de carreira para esses profissionais.

Programas Sociais &endash; Os destaques

A Número 1 &endash; Fundação Bradesco

Fundação Bradesco foi criada em 1956, por Amador Aguiar, com o objetivo de proporcionar educação e profissionalização às crianças, jovens e adultos. Inaugurou sua primeira escola em 29.06.62, na Cidade Deus - Osasco - SP, com 300 alunos e 7 professores. Hoje são 37 escolas, com previsão de atendimento para 1.999 de 98.759 alunos, em 24 estados brasileiros e no Distrito Federal, atendendo a filhos de funcionários, comunidades de baixo poder aquisitivo e adultos por meio da Teleducação.

Nos locais onde as escolas foram implantadas, há intensa procura pela comunidade, em busca de um ensino de qualidade, desfrutando das boas condições de infra-estrutura.

As Unidades Escolares têm por meta, formar cidadãos capacitados para o trabalho e para o exercício da cidadania.

Ensino

A partir de 1990, a Fundação vem refletindo sobre as tendências pedagógicas contemporâneas, passando a reformular seus currículos e investindo na atualização de seus profissionais a partir das teorias de Piaget, Vygotsky, Emília Ferreiro e outros. Nesta linha, a instituição considera a escola como um espaço democrático e de interação ativa dos alunos com conhecimentos sócio-culturais.

Acredita que escola deve ter um caráter de educação pública, de prestação de serviço para a sociedade, sendo capaz de ser democrática e de permitir o acesso ao saber amplo, tratando a questão profissional nas suas relações com o conhecimento científico.

O primordial é a formação do estudante para que possa captar, compreender e atuar na dialética do mundo real contemporâneo, enquanto sujeito político, social, cultural e produtivo.
Procura propiciar aos seus alunos o exercício da capacidade criativa, da liderança e da sua potencialidade, para refletir e participar das relações sociais e históricas.

O trabalho da Fundação Bradesco se destaca nos seguintes cursos:

Educação Infantil
Ensino Fundamental
Ensino Médio
Educação de Jovens e Adultos - Telepostos
Capacitação Profissional
Inseminação Artificial

Projetos Pedagogicos

 

Na Fundação Bradesco os alunos interagem com o conhecimento através da elaboração e da concretização de projetos.

O projeto é sinônimo de planejamento e projeção. Requer registro do trabalho, organização das ações e definição de critérios de avaliação. No caso do professor, visa valorizar a clareza do planejamento e de seus objetivos. No caso do aluno, intenciona criar momentos de auto organização e participação ativa, durante a interação com o saber científico e prático.

Na elaboração de projetos, o aluno, por exemplo, escolhe o que vai ser produzido, enquanto forma o processo de produção; elabora o cronograma e as etapas de trabalho; providencia recursos que serão necessários; identifica os prováveis conteúdos que deverão ser estudados; avalia seus encaminhamentos e a diferença entre o que foi imaginado e o que foi concretizado, destacando propostas para aperfeiçoar no futuro.

Faz parte do trabalho do professor considerar o envolvimento prévio e contínuo do aluno ao longo de seus estudos, e a utilidade dos conhecimentos e das informações que ele adquire no processo.

Ação da Cidadania contra a miséria

Criado em 1993 para dar suporte legal às atividades de construção da cidadania no Estado do Rio de Janeiro, o COMITÊ RIO é parte integrante da Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida, mais conhecida como "campanha contra a fome" liderada pelo saudoso Betinho, oriunda do movimento Pela Ética na Política. Os apelos do Betinho, conclamando a sociedade (poder público, sociedade civil organizada, partidos políticos, sindicatos, categorias patronais, profissionais liberais, artistas, organizações comunitárias e populares, Igrejas...) foram prontamente atendidos. A grande surpresa foi a rápida organização das comunidades carentes em todo Brasil, se organizando em comitês locais - mais de 300 já em 1993 e chegando a 5000 em 94 - facilitando o contato direto com a população alvo.

Objetivos do Comitê Rio (art.3º dos estatutos)

Desenvolver e ampliar a Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida, buscando a participação de todos na caminhada solidária, ética e justa, rumo à uma nova sociedade onde prevaleça o respeito pela vida e a consciência de direito à cidadania; estimular a criação de comitês locais...; criar e implantar projetos de combate à fome e a miséria... priorizando a geração de emprego e renda.

Amigos da Escola

A Rede Globo, maior empresa de comunicação do país, está colocando seu potencial de mobilização a serviço de um projeto de apoio à educação: AMIGOS DA ESCOLA, uma iniciativa destinada a fortalecer a participação comunitária no esforço de melhoria da escola pública,

Desenvolvido pelo Projeto Brasil 500 Anos em conjunto com o Comunidade Solidária, o Amigos da Escola atua:

  • na estimulação das escolas para sua abertura à comunidade;
  • na convocação da sociedade brasileira a participar de ações de voluntariado;
  • na ampliação de parcerias aproximando a família e a comunidade da vida escolar.

A educação, fator essencial para o desenvolvimento das pessoas e das nações, é o foco principal do Projeto Brasil 500;

Lançado em 98 pela Rede Globo, com o duplo objetivo de comemorar os 500 anos do Descobrimento e de contribuir para a construção de um país melhor;

Sempre com o apoio da população e dos diversos segmentos da sociedade, o Brasil 500 foi responsável pela promoção de um consistente trabalho de apoio à educação, com destaque para as seguintes iniciativas:

  • Pesquisa popular "Como se muda o País Através da Educação";
  • Realização de 54 "Encontros Regionais Sobre Educação", e um Seminário Internacional em São Paulo sobre o mesmo tema;
  • Realização de mutirões para "Reformas em Escolas", com ampla participação comunitária, beneficiando 33 escolas e mais de 32 mil estudantes;
  • Nos Workshops "Todos pela Educação" foram debatidas as soluções para os problemas fundamentais da educação.

Veiculação de Campanhas de apoio à educação como Leitura nas Férias e o Professor do Mês, entre outras, que resultaram, somente em 98, em mais de 71 mil mensagens em todo o Brasil;

Ampliação significativa do espaço dedicado ao tema educação em todos os telejornais da Rede Globo e de suas Afiliadas é notadamente percebida.

 

O AMIGOS DA ESCOLA está atuando junto às unidades do Ensino Fundamental;

Estimula ações comunitárias em andamento;

Incentiva a abertura de novas frentes de trabalho voluntário;

Buscando fortalecer inciativas complementares à atividades pedagógicas que auxiliem;

O diretor e o professor na melhoria da escola e consequentemente beneficiar os alunos;

O projeto é direcionado às escolas que possuem APM's (Associações de Pais e Mestres), que representa um primeiro núcleo de atividades comunitárias com potencial de ampliação;

No Brasil são 60 mil escolas nesta situação;

A adesão ao Amigos da Escola é espontânea;

As escolas são protagonistas absolutas do projeto;

A equipe escolar planeja todo o trabalho, recebe e cadastra voluntários e decide de quer voluntários e para quê.

  • As 107 Emissoras que compõem a Rede Globo em todo o país estão diretamente envolvidas na mobilização de toda a população;
  • As campanhas de mobilização possuem três propósitos principais:

    ª Mostrar a importância da participação comunitária - a escola onde a comunidade e a família participam é, historicamente, melhor;

    ª Convocar para o trabalho voluntário - todos podem ajudar: pais de alunos, vizinhos, aposentados, donas de casa, estudantes, profissionais liberais, empresários - todos podem contribuir com seu tempo, trabalho e talento para ajudar a escola;

    ª Mostrar os exemplos gerados pelas ações dos Amigos da Escola, criando referenciais para que sejam multiplicados;

    ª Para facilitar aos voluntários,
    listas com nomes e endereços das escolas que já aderiram ao projeto estão disponíveis aqui no site e nas agências dos Correios e do Banco Itaú.

Maçonaria 

Sociedade secreta muito difundida em todo o mundo, que adota o princípio da fraternidade e da filantropia entre seus membros, chamados maçons livres. A sociedade é inspirada nas corporações medievais dos maçons (pedreiros) e surgiu em Londres, em 1717, para incentivar a ajuda mútua e o sentido de fraternidade. Os membros das diversas 'lojas' da ordem maçônica são principalmente profissionais liberais. Mulheres não são admitidas como membros. A prática maçônica é conhecida principalmente pelos rituais de iniciação, que incluem juramentos de fidelidade e fazem largo uso do simbolismo. Por exemplo, a lei moral, a fraternidade e a retidão são simbolizadas pelo livro sagrado, pelo compasso e pelo quadrado. Os maçons se reconhecem mutuamente nas situações da vida diária através de sinais secretos, senhas e cumprimentos especiais. A maçonaria não é uma religião, embora os membros geralmente professem a crença em um Ser Supremo e sigam os preceitos da moralidade, caridade e obediência à lei. Em alguns países da Europa e da América, como na Itália, França e Brasil, a maçonaria tradicionalmente atraiu livre-pensadores e outros indivíduos de convicções anticlericais, encontrando por isso a oposição da Igreja de Roma, que considera o caráter de sociedade secreta e os princípios e juramentos maçônicos incompatíveis com a doutrina católica. Atualmente, a maçonaria permanece muito difun-dida no Reino Unido e outros países de língua inglesa. No Brasil, durante o período que antecedeu a Independência, as lojas maçônicas funcionaram como centros de atividade política e a maçonaria passou a representar um núcleo irradiador das idéias do liberalismo.

Referência Bibliográfica

www.filantropia.org.br

www.sinepe-sc.org.br/lei9732.htm

www.integracao.fgvsp.br

www.cnbb.org.br/estudos/encar478.html

www.rits.org.br

www.filantropia.com.br/sociedade.htm

www.fundacaobradesco.org.br

www.redeglobo.com.br/amigosdaescola

www.acaodacidadania.com.br/quemsomos.htm

www.usb.br/sibi