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Excelência
em Serviços: Uma Vantagem Competitiva
Aguinaldo
Miotto Junior
Edilsom
Aparecido Amaro
Elio
Belei
Fernando
Colletti
Monografia
apresentada no curso de Organização, Sistemas
e Métodos das Faculdades
Integradas Campos Salles,
sob orientação do Professor Mauro
M. Laruccia
(Disponível
na rede desde novembro de 2000)
Introdução
Nos
dias atuais estamos vivenciando uma nova era, onde a
globalização está em toda parte. Antes,
a empresa tinha como seus concorrentes, apenas empresas
vizinhas, e na maioria das vezes, com os mesmos recursos.
Hoje, com a abertura da economia mundial, empresas de outros
países estão chegando para competir com o
mesmo mercado. Portanto, o concorrente da empresa nacional
não é mais o seu vizinho. São empresas
que estão do outro lado do Oceano. E com mais
recursos e maior poder de fogo. As empresas chegam com
produtos de melhor qualidade e preços mais
competitivos.
Essa
situação está exigindo que nossas
empresas sejam mais competitivas. E uma das
estratégias de competitividade é, sem
dúvida, oferecer um atendimento de qualidade e
conquistar a fidelização dos seus clientes. Se
o cliente estiver satisfeito com o atendimento, ele
será fiel e trará mais clientes. Caso
contrário, procurará outra empresa que o
atenda melhor.
Quando
falamos em serviços logo pensamos em bancos,
seguradoras, distribuidoras, transportadoras, turismo,
negócios imobiliários, etc. Mas essa é
uma visão muito limitada de serviços. Na
verdade, todas as empresas, de alguma maneira, prestam
serviços, pois sempre existem os momentos em que a
organização atende o cliente. E nessas horas,
se o atendimento não for bom, a
percepção do cliente sobre a qualidade do
serviço não será boa. Esse trabalho foi
elaborado para caracterizarmos a qualidade em
serviços e como podemos fazer para prestarmos um
atendimento de excelência.
O
Capítulo 1 define o que é uma qualidade em
serviços. São mostrados exemplos
práticos e verdadeiros, onde o atendimento deve ser
melhorado. A definição de serviços,
segundo alguns especialistas em Marketing, como Philip
Kotler e Christian Grönroos nos mostra que na maioria
das vezes, o serviço acontece durante as
interações com o consumidor. E esses momentos
são importantes na percepção da
qualidade do serviço.
Estudos
feitos pelo GATT - Acordo Geral de Tarifas e Comércio
- mostram que o setor de serviços tem crescido
mundialmente, gerando mais empregos diretos e indiretos,
portanto tendo muita importância no impacto
econômico mundial. Ainda no Capítulo 1,
mostramos que a Qualidade em Serviços é uma
estratégia competitiva muito importante, pois
verificamos que ainda nos dias de hoje, as empresas
não têm se preocupado muito com esse fator. E a
empresa que quiser ganhar mercado tem na Qualidade em
Serviços uma arma muito poderosa.
São
descritas também as diferenças entre
serviços e bens físicos. Verificamos que os
bens físicos são tangíveis, e os
serviços são mais ou menos intangíveis.
Nos serviços, os clientes participam da
produção, pois interagem na
execução do serviço. Nos bens
físicos, essa interação não
acontece.
O
Capítulo 2 mostra que a Qualidade do Serviço
é definida de acordo com a percepção do
cliente. Para prestar um serviço de qualidade, a
empresa precisa saber o que o cliente está esperando.
Quais são as suas expectativas com
relação ao serviço que será
executado. O serviço será inconscientemente
avaliado pelo cliente de acordo com as suas expectativas.
Portanto, deve haver um sincronismo muito forte entre a
produção do serviço e o setor de
comunicação da empresa, para que os
comunicadores não prometam um serviço que a
organização não pode oferecer. Porque
nesse caso, estará elevando as expectativas do
cliente, e quando este receber um serviço que
não correspondam a essas expectativas, o resultado do
serviço será visto como de má
qualidade, mesmo que este não seja ruim. O problema
é que as expectativas criadas quanto ao
serviço estavam muito elevadas.
O
Capítulo 2 também apresenta os seis
critérios da boa qualidade percebida do
serviço e os indicadores de qualidade em
serviços, segundo padrões de desempenho que
devem ser estabelecidos pela empresa para que seja
constantemente medida a qualidade de seus serviços.
Será mostrado que cada tipo de serviço tem
seus próprios padrões de desempenho. Esses
padrões são importantes para podermos
compará-los com o desempenho real do serviço e
fazer os ajustes necessários para que a qualidade
melhore.
O
Capítulo 3 fala da "hora da verdade", um termo criado
por Jan Carlzon, presidente da Scandinavian Airlines. A hora
da verdade é todo momento que algum
funcionário da empresa entra em contato com o
cliente. Qualquer momento que o cliente tem algum contato
com a empresa é muito importante para a sua
percepção do serviço oferecido. Segundo
Carlzon, uma empresa tem bilhões de momentos da
verdade durante um ano. E se alguns desses momentos da
verdade falharem a qualidade do serviço poderá
ser percebida como de baixo nível. Portanto, é
muito importante que a empresa dê um treinamento
adequado para seus funcionários, e dê autonomia
para eles tomarem decisões. Se em qualquer
situação, o funcionário precisar
procurar seus superiores para tomar uma decisão,
haverá demora no atendimento, e a qualidade
não será boa. Falamos também que as
horas da verdade não são sempre iguais.
Existem horas da verdade que são mais importante que
as outras. Existem horas que são críticas.
Isso foi ilustrado com um exemplo de um atendimento em um
hospital, onde existem horas da verdade muito importantes
para o paciente, que na maioria das vezes não
são tratadas com a importância devida pelas
pessoas que estão prestando os
serviços.
Para
encerrar o Capítulo 3, destacamos o Triângulo
do Serviço, que forma três
características importantes na
prestação de um serviço de qualidade: a
estratégia do serviço, o pessoal de linha de
frente orientado para o cliente e os sistemas voltados para
o cliente. Se a empresa controlar de forma positiva esses
três pontos-chave do atendimento, fatalmente
prestará um serviço de alta
qualidade.
Após
as definições de Qualidade em Serviço e
sua importância perante a percepção do
cliente, o Capítulo 4 traz o Marketing de
Relacionamento, que trata de uma estratégia de
retenção de clientes como prioridade. Para que
a empresa conquiste a fidelidade de um cliente, ela precisa
prestar um serviço de qualidade. Mas só
prestar o serviço de qualidade não é
suficiente. Deve haver um relacionamento pós-venda
com esses clientes. É no Marketing de Relacionamento
que isso é feito. O Capítulo mostra que custa
cinco vezes mais conquistar um novo cliente do que manter um
cliente atual. Veremos também que um cliente
insatisfeito manifesta essa sua insatisfação
com outros nove clientes potenciais, que poderão
deixar de fazer negócios com a empresa. Por isso
é muito importante manter um relacionamento constante
com o cliente para saber se existe alguma
insatisfação ou alguma sugestão para
que o serviço seja melhorado.
O
Capítulo mostra o que é e como fazer Marketing
de Relacionamento. Mostra também algumas ferramentas
importantes do Marketing de Relacionamento: o Database
Marketing, o Serviço de Atendimento ao Consumidor e o
Telemarketing.
O
objetivo desse trabalho é dar subsídio para
qualquer empresa começar a criar um plano de
excelência na Qualidade do Serviço. O trabalho
é fundamentalmente de base teórica, mas nos
mostra o caminho para se desenvolver um planejamento de
qualidade em serviços, e como atender às
expectativas dos seus consumidores.
Capítulo
1
O
que é Qualidade em Serviços?
Definindo
qualidade em serviços
Existem
algumas falhas no atendimento e nas
considerações que se devem dar ao cliente na
hora da compra do produto. Contudo, qualidade em
serviços não significa somente o fato de o
vendedor tratar bem ou não o cliente. A realidade
é muito mais complexa que isso. Se perguntarmos a um
cliente o que ele define como um serviço de
qualidade, dificilmente ele saberá
responder.
Sempre
que precisa de determinado serviço, o cliente cria
certas expectativas a respeito do serviço. E o
nível de qualidade do serviço vai depender
dessas expectativas. Portanto, a organização
deve sempre saber quais são as expectativas de seus
clientes para poder atendê-las e ficar na mente do
cliente como prestadora de um serviço de
qualidade.
Segundo
Kotler (1995), "um serviço é qualquer ato
ou desempenho que uma parte pode oferecer a outra e que seja
essencialmente intangível e não resulta na
propriedade de nada. Sua produção pode ou
não estar vinculada a um produto
físico."
Christian
Grönroos (1995), já prefere combinar
várias definições que vêm sendo
dadas durante os anos, formando a sua dessa maneira: "O
serviço é uma atividade ou uma série de
atividades de natureza mais ou menos intangível - que
normalmente, mas não necessariamente, acontece
durante as interações entre clientes e
empregados de serviço e/ou recursos físicos ou
bens e/ou sistemas do fornecedor de serviços - que
é fornecida como solução ao(os)
problema(s) do(s) cliente(s)."
Como
podemos ver pelas duas definições apresentadas
acima, toda empresa, de alguma forma, oferece
serviços. Mesmo que seja uma empresa
predominantemente industrial, na hora em que estiver
vendendo seus produtos ao consumidor ou ao revendedor, ela
estará prestando um serviço, portanto, essa
interação na hora de concretizar a venda,
será percebida pelo cliente ou revendedor, como um
serviço de boa ou má qualidade. Um
serviço normalmente é percebido de forma
subjetiva. Existem formas abstratas para dizer o que
é um serviço. Geralmente, para descrever os
serviços, os clientes utilizam expressões como
experiência, confiança, tato e
segurança. Portanto, pode-se dizer que os
serviços são classificados como produtos
intangíveis. Entretanto, muitos serviços
incluem elementos bem tangíveis, como por exemplo, a
comida de um restaurante e as peças de
reposição utilizadas em uma oficina de
automóveis.
A
importância da Qualidade em
Serviços
Impacto
econômico. No mundo ocidental já estamos
vivenciando uma sociedade de serviços ou uma economia
de serviços. Dados estatísticos publicados
pelo GATT - Acordo Geral de Tarifas e Comércio -
mostram que, em 1984, o setor de serviços respondia
em média por 66% da economia nos Estados Unidos,
enquanto que nos países do Mercado Comum Europeu essa
participação é de 58%. Em duas pequenas
economias européias, a da Suécia e a da
Finlândia, os percentuais são de 62 e 55%,
respectivamente. No Brasil, a participação dos
Serviços no PIB é um pouco inferior à
verificada nos Estados Unidos, e teve um crescimento de 50%
nos últimos dez anos.
O
setor de serviços já é o maior
empregador em São Paulo, o principal pólo
industrial do Brasil. No mês de junho, foi
responsável por 50,1% de todas as vagas do mercado de
trabalho na Grande São Paulo. Em junho, o ramo de
serviços foi o único responsável pela
estabilidade na taxa de desemprego, que repetiu 16% de maio.
Enquanto indústria, comércio e
construção civil demitiram ou mantiveram seus
quadros estáveis, o setor de serviços criou 46
mil vagas.
Distribuição
da mão-de-obra por ramo de atividade.
Na
maioria dos países do Primeiro Mundo, o número
de pessoas empregadas em Organizações de
Serviços - banco, hospitais, agências
publicitárias, empresas de informática,
hotéis, transporte, turismo etc. - representa o dobro
das empregadas em todos os outros setores econômicos,
juntos.
No
Brasil, cada dia cresce mais a indústria do
entretenimento e turismo, que são considerados
prestação de serviço pura. O parque
temático Beto Carrero World fatura diariamente US$
500 mil nos períodos de férias. Tem mais de
600 produtos diferentes comercializados, uma marca avaliada
em US$ 70 milhões e um público recorde de 10
milhões de pessoas entre espectadores dos shows e
visitantes do centro de diversões.
Como
Estratégia Competitiva.
A
competência de uma empresa se deve a uma excelente
qualidade técnica dos produtos. Esta costumava ser
uma estratégia amplamente utilizada, especialmente
para muitos fabricantes de bens industriais. Funciona bem em
situações onde a excelência
técnica demonstrada pela empresa é, por si
só, de valor crítico para os
clientes.
Quanto
mais a competência técnica entre os
concorrentes crescer, menos poderosa se torna a
estratégia de qualidade técnica. À
medida que muitas empresas venham a oferecer uma
solução técnica similar, a
excelência técnica poderá não ser
mais um fator de diferenciação. É
aí que entra a qualidade dos serviços como um
estratégia competitiva. Pois, numa concorrência
entre duas empresas que fornecem um produto similar e com a
mesma qualidade técnica, ganhará mercado
aquela que fornecer um serviço de maior qualidade.
Isso não significa que uma qualidade técnica
excelente seja menos importante do que antes, mas a empresa
terá que oferecer muito mais do que isto. A
aplicação de uma estratégia de
serviços implica que o principal foco do pensamento
estratégico e da tomada de decisão do corpo
gerencial são os serviços.
Do
ponto de vista do posicionamento competitivo, Karl Albrecht
(1992) define excelência de serviço, como:
"um nível de qualidade de serviço,
comparado ao de seus concorrentes, que é
suficientemente elevado, do ponto de vista de seus clientes,
para lhe permitir cobrar um preço mais alto pelo
serviço oferecido, conquistar uma
participação de mercado acima do que seria
considerado natural, e/ou obter uma margem de lucro maior do
que a de seus concorrentes."
Para
desfrutar de algumas dessas vantagens, ou de todas elas, a
empresa precisa ter um alto grau de qualidade de
serviço aos olhos do cliente. Não basta
esforçar-se. Campanhas publicitárias
não resolvem o problema. A única coisa que
funcionará é proporcionar um serviço
superior e que tenha sucesso no mercado.
Para
sobreviver no mercado competitivo de veículos, as
concessionárias de Campinas usam a criatividade e
oferecem café da manhã completo, brindes,
happy hour e até playground para as crianças.
O objetivo é atrair o consumidor pelo atendimento
diferenciado. Segundo o gerente de vendas da Cacic, Gerson
Fernandes Aggio, a mudança do mercado, provocada pela
abertura das importações, a entrada de novas
montadoras no país e a valorização do
real acirraram a competitividade entre as revendedoras. O
atendimento diferenciado é a melhor saída para
atrair os clientes. Com esse atendimento diferenciado, essas
empresas estão com uma vantagem competitiva muito
importante em relação às lojas que
não adotam nenhuma estratégia de
diferenciação no atendimento ao
cliente.
Lucratividade.
As
empresas que proclamam a qualidade de seus produtos como
prioridade de seus negócios seguem três
duradouros princípios da superioridade de
qualidade:
- A
qualidade superior é lucrativa.
- Qualidade
é mais que conformidade. Ela somente é
atingida na medida em que produto ou serviço
satisfaça ou exceda as exigências do
cliente.
- A
qualidade superior é conseguida com um sistema
total de qualidade, que atinge todos os aspectos da
empresa.
Serviços
X Bens Físicos
Estabelecer
diferenças entre produtos e serviços
está cada vez mais difícil. Em geral,
entende-se por serviço tudo que um restaurante deve
fazer para agradar um cliente - incluindo a comida, o
atendimento etc. Por outro lado, a literatura especializada
refere-se a "bens e serviços" como constituintes do
chamado "produto". Nesse caso, o "bem" seria a
refeição; "o serviço" corresponderia ao
atendimento; e o "produto", à somatória desses
dois fatores, associados a outros que levam o freguês
a "se sentir bem" a ponto de desejar retornar ao
restaurante.
Diferenças
entre Serviços e Bens Físicos.
|
Bens
Físicos
Tangível
Homogêneo
Produção
e distribuição separadas do
consumo
Uma
coisa
Valor
principal produzido em fábricas
Clientes
normalmente não participam do processo de
produção
Pode
ser mantido em estoque
Transferência
de propriedade
|
Serviços
Intangível
Heterogêneo
Produção,
distribuição e consumo são
processos simultâneos
Uma
atividade ou processo
Valor
principal produzido nas interações
entre comprador e vendedor
Clientes
participam da produção
Não
pode ser mantido em estoque
Não
transfere propriedade
|
De
acordo com a tabela acima, na maioria dos serviços,
podemos identificar algumas características
importantes:
- Os
serviços são mais ou menos
intangíveis. Uma amostra do serviço
não pode ser enviada com antecedência ao
cliente, para aprovação; nem o seu valor
é necessariamente proporcional aos "custos de
produção". Até mesmo porque a
"Qualidade do serviço" é uma questão
altamente subjetiva.
- Os
serviços são atividades ou uma série
de atividades em vez de coisas.
- Os
serviços são, pelo menos até certo
ponto, produzidos e consumidos
simultaneamente.
- O
cliente participa do processo de produção,
pelo menos até certo ponto. Um serviço, na
sua versão final, é "produzido" no mesmo
instante em que é fornecido ao
cliente.
- Salvo
em caso de automatização total,
serviços possuem um componente social
determinante. E quanto maior o número de
fornecedores do serviço com que o cliente
interagir pessoalmente, maior o risco deste não
ficar satisfeito.
- Não
há como pedir a terceiros para repassarem um
serviço já prestado, ou mesmo
chamá-los de volta, para reparos.
A
interação entre o fornecedor do serviço
e o cliente ocorre na maioria das vezes, porém,
existem exceções. Quando um eletricista
resolve algum problema no sistema elétrico de um
prédio, não há uma
interação imediata entre o eletricista
(fornecedor do serviço) e o morador de um determinado
apartamento. Por outro lado, muitas situações
onde não existem as interações no
momento da operação, elas acontecem num
momento posterior. Como é o caso do conserto de um
automóvel dentro da oficina, em que o dono do
veículo não presencia o momento do conserto.
Porém, quando o carro é entregue ao cliente,
as interações começam.
Capítulo
2
Qualidade
em serviços: a percepção do
cliente
A
qualidade do serviço é um fenômeno
tão complexo, que torna necessário um estudo
mais detalhado. E o melhor estudo se dá levando em
conta o que o cliente entende como qualidade.
Existe
sempre um risco de que quando a qualidade é definida
muito estreitamente, os programas de qualidade se tornem
muito limitados. Por exemplo, a especificação
técnica de um serviço ou produto é
freqüentemente considerada a qualidade do produto ou a
característica mais importante da qualidade
percebida. Na realidade, os clientes percebem a qualidade
como um conceito muito mais amplo, que vai além da
qualidade técnica do produto. Se um produto ou
serviço for muito bom tecnicamente, muito bem
produzido, porém o tratamento do funcionário
ou vendedor perante o cliente for inadequado ou
insatisfatório, a qualidade percebida pelo cliente
não será boa. Portanto, as empresas devem
definir a qualidade de seus produtos da mesma forma que
fazem os seus clientes, isto é, as empresas devem se
colocar no lugar dos seus clientes.
As
dimensões da qualidade
A
qualidade de um serviço conforme percebida pelos
clientes tem duas dimensões: a dimensão do
resultado técnico (o que) e a dimensão
funcional ou relacionada a processo (como).
O
que os clientes recebem em suas interações com
a empresa é muito importante para eles e para sua
avaliação da qualidade. Mas essa é
apenas uma dimensão da qualidade, chamada de
qualidade técnica do resultado do processo de
produção do serviço.
Entretanto,
além do produto recebido, existe uma dimensão
também muito importante na concepção
total da qualidade percebida. Essa dimensão diz
respeito às interações entre o
prestador de serviços e o cliente, incluindo horas da
verdade mal ou bem administradas. O cliente será
influenciado pela maneira como a qualidade técnica,
as conseqüências ou o resultado final de um
processo são transferidos para ele - a facilidade de
acesso a um caixa automático, a um restaurante, a
aparência e comportamento dos garçons, dos
caixas no banco, balconistas de uma loja etc. Os
serviços de encanadores e técnicos de
manutenção e como esses empregados realizam
suas tarefas, o que dizem e como dizem, também
influenciam a visão que o cliente possa ter do
serviço.
As
expectativas do cliente
Além
das duas dimensões básicas da qualidade - o
o que e o como - que estão sempre nas
mentes dos clientes, observamos que a qualidade é, em
grande parte, percebida subjetivamente. O processo de
concepção é não somente isso,
é ainda mais complexo. Não são apenas
as experiências das dimensões das qualidades
que determinam se a qualidade é considerada boa,
neutra ou ruim.
Boa
qualidade percebida é obtida quando a qualidade
experimentada atende às expectativas do cliente, ou
seja, à qualidade esperada. Se as expectativas forem
muito altas, a qualidade total percebida será baixa
mesmo se a qualidade experimentada, medida em forma
objetiva, for boa.
A
qualidade esperada, ou as expectativas advêm de
vários fatores, como: comunicação com o
mercado, comunicação boca-a-boca, imagem
corporativa/local e necessidades dos clientes. A
comunicação com o mercado inclui publicidade,
mala direta, relações públicas e
campanhas de venda, que estão diretamente sob o
controle da empresa. Os fatores de imagem e a
comunicação boca a boca são apenas
indiretamente controlados pela empresa. Por último,
as necessidades do cliente também têm um forte
impacto nas suas expectativas.
Quando
uma empresa adota programas de qualidade que incluem
aspectos da qualidade funcional, a Qualidade Percebida do
Serviço pode ainda ser baixa ou até
deteriorada se, por exemplo, a empresa colocar
simultaneamente campanhas publicitárias que prometam
demais ou que sejam inadequadas sob algum aspecto. Portanto
o nível de qualidade total é determinado pela
diferença entre a qualidade esperada e a qualidade
experimentada. Como conseqüência, podemos afirmar
que cada programa para a qualidade deve englobar não
apenas os funcionários que estão envolvidos
nas operações, mas os responsáveis por
marketing e pela comunicação com o mercado,
também. Igualmente, os profissionais de
comunicação devem tomar todo cuidado com a
imagem da empresa perante o mercado.
Os
Critérios da Boa Qualidade Percebida
Como
a percepção da qualidade tem
relação direta com as expectativas do cliente,
as empresas devem sempre pesquisar o que os seus clientes
querem e quais são as suas expectativas com
relação ao produto. Na lista abaixo
estão os resultados de um grande estudo que envolvem
todos os aspectos importantes da boa qualidade que têm
que ser levados em consideração.
Os
Seis Critérios da Boa Qualidade Percebida do
Serviço
- Profissionalismo
e Habilidades
Os clientes compreendem que o prestador de
serviços, seus empregados, os sistemas
operacionais e os recursos físicos possuem o
conhecimento e as habilidades necessárias para
solucionar seus problemas de forma profissional
(critérios relacionados aos
resultados).
- Atitudes
e Comportamento
Os clientes sentem que os funcionários de
serviços (pessoas de contato) estão
preocupados com eles e se interessam por solucionar seus
problemas de uma forma espontânea e amigável
(critérios relacionados ao processo).
- Facilidade
de Acesso e Flexibilidade
Os clientes sentem que o prestador de
serviços, sua localização, suas
horas de operação, seus empregados e os
sistemas operacionais são projetados e operam de
forma a facilitar os acesso aos serviços e
estão preparados para ajustar-se às
demandas e aos desejos dos clientes de maneira
flexível (critérios relacionados ao
processo).
- Confiabilidade
e Honestidade
Os clientes sabem que qualquer coisa que
aconteça ou sobre a qual se concorde será
cumprida pela empresa, seus empregados e sistemas, para
manter as promessas e ter um desempenho coerente com os
melhores interesses dos clientes (critérios
relacionados a processos).
- Recuperação
Os clientes compreendem que sempre que algo der
errado ou alguma coisa imprevisível e inesperada
acontecer, o prestador de serviços tomará
de imediato e ativamente ações para
mantê-los no controle da situação e
para encontrar uma nova e aceitável
solução (critérios relacionados a
processos).
- Reputação
e Credibilidade
Os clientes acreditam que as operações
do prestador de serviço merecem sua
confiança, valem o dinheiro pago e que representam
bom nível de desempenho e valores que podem ser
compartilhados entre os clientes e o prestador de
serviços (critérios relacionados à
imagem).
Um
dos critérios acima, profissionalismo e
habilidades, está relacionado a resultados, sendo
uma dimensão técnica da qualidade.
Reputação e credibilidade está
relacionado à imagem, fazendo uma
função de filtragem. Os demais
critérios, atitudes e comportamento,
facilidade de acesso e flexibilidade,
confiabilidade e honestidade e
recuperação são relacionados a
processos e representam, assim, a dimensão funcional
da qualidade.
Indicadores
de Qualidade em Serviços - exemplos
|
Serviço
|
Dimensões
|
Requisitos
|
Medidas
|
Padrões
|
|
Fast
Food
|
Rapidez
Exatidão
|
Pouca
demora na fila
Sem
erro
|
Tempo
de espera em fila
Tempo
entre pedido e entrega
Pedidos
corretos /Total de pedidos
|
Até
3 minutos
Até
2 minutos
100%
|
|
Revenda
de carros
|
Cortesia
/ amistosidade
Conhecimento
do produto
|
Sorrir,
agradar
Responder
assertivamente
|
Pesquisa
com escala: muito satisfeito; satisfeito; muito
insatisfeito
Comportamentos
visíveis
|
90%
muito satisfeito; 0% abaixo de regular
Expressões
comportamentais objetivamente
observáveis
|
|
Oficina
mecânica
|
Eficácia
|
Sem
retorno
|
Número
de retornos
|
0
|
|
Serviço
de Engenharia
|
Capacidade
de resposta
Conhecimento
do produto
|
Início
imediato do processo
Responder
assertivamente
|
Abertura
de ordem de serviço
Retorno
de contatos telefônicos (requisitando
ajuda)
|
Até
2 dias
Até
20 minutos
|
Uma
vez estabelecidos os padrões de desempenho, é
imprescindível medir regularmente o desempenho real
para compará-los. Medição e feedback
são indispensáveis para o sucesso de uma
estratégia de serviço, visando a sua melhoria
contínua. O feedback pode ser interno ou
externo.
Para
obtermos o feedback interno, devemos controlar os
processos de trabalho dos quais depende o fornecimento dos
serviços. Se um dos processos de trabalho estiver
falhando ou levando um tempo maior do que o normal, esses
problemas refletirão no processo final que é a
entrega do serviço ao cliente.
O
feedback interno pode ser colhido também
através de pesquisas sobre as opiniões da
Linha de Frente, ou seja, do pessoal que atende o cliente.
Deve-se conhecer os sentimentos e desejos dos empregados. e
também o que esses funcionários imaginam que
sejam as Expectativas dos Clientes, a sua importância
e a que nível essas expectativas estão sendo
satisfeitas.
O
feedback externo deve ser colhido necessariamente dos
clientes. Pode ser feita de várias maneiras, desde a
simples avaliação de uma reação
individual de um cliente, a entrevistas com grupos de
consumidores especialmente selecionados. Essas entrevistas
costumam ser de maior profundidade. Podem ser feitas
também pesquisas de amostras de clientes, realizadas
através de questionários.
Existem
também as reclamações dos clientes, que
se forem gerenciadas de uma forma correta, podem trazer um
feedback externo muito importante para se usar na
estratégia de qualidade de serviços.
Entretanto, deve-se tomar muito cuidado com essas
reclamações. Estudos realizados nos Estados
Unidos com mais de 300 empresas, concluem que os clientes
que reclamam representam uma parcela muito pequena dos
clientes insatisfeitos, entre 2% e 4%. A maioria não
reclama porque acha que não resolve.
Capítulo
3
A
Hora da Verdade
termo
"hora da verdade" foi muito utilizado por Jan Carlzon,
presidente da Scandinavian Airlines. Esse termo refere-se a
todos os momentos em que um funcionário de uma
empresa, que trabalha na linha de frente, entra em contato
com um cliente.
Em
seu livro, Carlzon (1994) diz: "No ano passado, cada um
dos nossos 10 milhões de clientes entrou em contato
com aproximadamente cinco empregados da SAS, e este contato
durou uma média de quinze segundos de cada vez. Desta
forma, a SAS é 'criada' 50 bilhões de vezes
por ano nas mentes de nossos clientes, quinze segundos de
cada vez. Estes 50 bilhões de 'momentos da verdade'
são os que basicamente determinam se a SAS
será bem sucedida ou falhará como empresa.
Estes são os momentos em que precisamos provar a
nossos clientes que a SAS é sua melhor
alternativa".
Segundo
as idéias de Carlzon, todos os momentos que cada
funcionário da empresa entra em contato com o
cliente, ele será inconscientemente avaliado, e esse
contato terá relevância na
percepção do cliente em relação
à qualidade do serviço.
Não
adianta, por exemplo, o Carrefour e o Extra terem um
atendimento impecável dentro da loja, se eles
terceirizam o controle do estacionamento, e quando
nós, clientes, chegamos, a moça que nos
dá o ticket do estacionamento, está com a cara
fechada e nem nos dá bom dia. Afinal, a
recepção do estacionamento é o
cartão de visita do Hipermercado, e a primeira
impressão que fica é justamente o primeiro
contato com o estabelecimento. Portanto, os executivos das
empresas têm que tomar muito cuidado e dar um
treinamento adequado para as pessoas que são
contratadas e que farão a linha de frente da empresa.
Todo e qualquer contato que a empresa fará com o
cliente é muito importante.
Karl
Albrecht (1992) exemplifica horas da verdade típicas
na experiência de uma viagem aérea, da seguinte
forma:
- O
cliente telefona para o setor de
informações da empresa
aérea.
- O
cliente reserva o vôo com um representante da
empresa.
- O
cliente chega ao balcão do aeroporto.
- O
cliente espera na fila.
- O
atendente de passagens chama o cliente ao
balcão.
- O
atendente de passagens processa o pagamento e emite a
passagem.
- O
cliente se dirige ao portão de
embarque.
- O
atendente do portão dá boas-vindas ao
cliente e valida o cartão de embarque.
- O
cliente espera no saguão de embarque até a
partida do vôo.
- O
atendente de embarque recebe a passagem do cliente e
convida-o ao embarque.
- O
cliente embarca no avião e é saudado pelo
comissário.
- O
cliente procura seu assento.
- O
cliente procura um lugar para acomodar sua bagagem de
mão.
- O
cliente ocupa seu assento.
- Etc.,
etc.
Podemos
continuar a lista incluindo todas as horas da verdade que o
cliente poderia passar indo de uma cidade a outra. Pode
haver muitas horas da verdade, mesmo que o vôo seja
sem incidentes. E se houver algum incidente fora do que
acontece normalmente num vôo, outras horas da verdade
poderão surgir.
Uma
hora da verdade pode ser positiva ou negativa, dependendo do
que ocorrer durante ela. O que conta é o resultado
final. O cliente se sentiu bem com o preço da
passagem? Encontrou o assento certo, ou o mesmo assento
tinha sido reservado para mais de uma pessoa? A
comissária de bordo foi cortês? O vôo
saiu no horário ou se atrasou? Se o vôo se
atrasou, como foi explicado pelo funcionário do porto
de embarque ou pelo comandante?
Resumindo,
os serviços são a base para uma
diferenciação eficaz entre empresas, e,
portanto, uma grande fonte de vantagem
competitiva.
Dando
responsabilidade aos empregados
Um
dos elementos mais importantes na
administração de serviços, mas que
talvez seja o mais mal compreendido, deve ser a filosofia de
dar responsabilidade ao pessoal de linha de frente, para que
eles possam tomar as decisões sem precisar consultar
aos seus superiores. Com isso, o atendimento será
mais rápido e mais eficiente.
A
linha de frente é a face de que a
Organização dispõe para mostrar ao
Cliente. Pelo desempenho da linha de frente, a
Organização será julgada para bem ou
para mal. Não adianta nada o presidente de uma grande
empresa de departamentos pensar em todos os detalhes que
envolvem a Organização, como preços,
distribuição, fornecedores e tudo que
maximizem os lucros da empresa, se na linha de frente tiver
uma vendedora mal-treinada que não atende bem os
clientes. Não adianta a empresa gastar milhões
em publicidade se o cliente for mal atendido na hora da
compra.
Horas
da verdade críticas
As
horas da verdade não são sempre iguais.
Existem horas da verdade que podem ser consideradas de
importância crítica para as
percepções dos clientes. Karl Albrecht (1992),
em seu livro Revolução nos
Serviços, mostra um caso ilustrativo, onde a hora
da verdade é da maior importância: um
atendimento no hospital.
Alguém
se interna para se submeter a uma cirurgia no dia seguinte.
A enfermeira entra no quarto carregando uma bandeja com uma
seringa e alguns outros objetos. O que estaria pensando o
paciente neste momento? Ele poderia indagar:
"Quem
é esta pessoa?"
"É
alguém em posição de
autoridade?"
"Ela
é uma enfermeira?"
"Vai
usar essa agulha em mim?"
"Ela
sabe o que está fazendo?"
"Como
sei que ela está no quarto certo, com o paciente
certo, e com o medicamento certo?"
"Vai
doer?"
"Por
que estão me dando uma
injeção?"
"O
que essa injeção vai fazer em mim?"
"Será
que vão me explicar alguma coisa, ou simplesmente
vão enfiar a injeção em
mim?"
Para
o paciente, este é um evento psicológico
importantíssimo. Supera todos os outros momentos da
verdade, como por exemplo, a espera na hora da
internação e o atendimento na
recepção do hospital. Portanto esta é
uma hora da verdade crítica para o
paciente.
Para
a pessoa que entra para aplicar a injeção pode
não ser muito importante, pois ela já
está acostumada com esse tipo de serviço e
este é apenas mais um paciente, mais uma
injeção. Seu sistema de prioridade é
muito diferente do sistema do paciente. Ela pode estar
pensando:
"Mais
nove 'remedinhos' a aplicar antes de terminar meu
turno."
"É
melhor telefonar para o pessoal da limpeza para tirar aquele
carrinho de roupa suja do corredor."
"Gostaria
de saber se o Doutor X se acalmou e já superou aquela
troca de medicamento de seu paciente."
"Puxa,
espero que eu tenha alguma chance de conquistar aquele
emprego de enfermeira-chefe."
"Meus
pés estão cansados."
"Não
vejo a hora de terminar o meu turno".
Nesse
quadro encontram-se os ingredientes básicos do
sucesso ou do fracasso do serviço. Se a enfermeira
concentrar sua atenção nos elementos
importantes desse momento, ela poderá
enfrentá-lo de maneira a maximizar o impacto positivo
sobre o cliente, ou pelo menos minimizar o impacto negativo.
O que ela poderá fazer para enfrentar com
eficácia este momento da verdade? Ela
poderá:
- Cumprimentar
o cliente cordialmente e de modo a
tranquilizá-lo.
- Apresentar-se.
- Dar
atenção total à
situação enfrentada.
- Acalmar
o paciente com uma conversa leve.
- Explicar
a finalidade e o benefício do
medicamento.
- Aplicar
a injeção de uma maneira gentil e
cuidadosa.
- Certificar-se
de que o paciente está
confortável.
- Perguntar
se há alguma necessidade ou
preocupação especial.
Se
a enfermeira estiver com pressa, preocupada, fatigada,
entediada, ou for insensível, ela poderá
tratar essa hora da verdade de uma maneira mecânica e
impessoal, o que freqüentemente acontece nas
instituições de saúde. A
combinação de uma hora da verdade
crítica para o cliente com uma pessoa de
serviço insensível, indiferente ou
incompetente é uma grande receita de desastre. A
diferença (gap) entre o tipo de tratamento que o
cliente está esperando (expectativas) e o que ele
realmente experimenta (efetivo) cria uma
sensação negativa do serviço
realizado.
Essas
horas da verdade críticas exigem muito cuidado e
tratamentos especiais. Como os administradores não
podem estar em todos os lugares ao mesmo tempo, portanto
não estarão na maior parte dessas horas da
verdade, precisam determinar cuidadosamente quais são
esses momentos e manter esses aspectos especiais do produto
sob vigilância, e ajudar o pessoal de
prestaçäo de serviços a lidar com eles
eficazmente, maximizando a satisfação dos
clientes.
O
triângulo do Serviço
Existem
três características importantes que fazem
parte de todas as empresas excelentes em atendimento. esses
três pontos-chave formam o triângulo do
serviço:
- Uma
visão, ou estratégia do
serviço.
- Pessoal
de linha de frente orientado para o cliente.
- Sistemas
voltados para o cliente.
O
triângulo do serviço é uma maneira de
representar graficamente a interação desses
três elementos críticos, que devem atuar
juntos, para que se mantenha um nível mínimo
de qualidade do serviço.
Uma
estratégia bem concebida para o
serviço.
As
organizações de sucesso têm desenvolvido
uma idéia unificadora para o serviço que
prestam. Esse conceito de estratégia de
serviço orienta toda a comunidade da empresa no
sentido de atender as verdadeiras prioridades do cliente.
Essa estratégia acaba se tornando uma missão
da empresa e transforma-se num brado de união entre
os funcionários e no núcleo da mensagem
transmitida ao cliente.
Como
exemplo, podemos dizer que a rede de lanchonetes McDonald's
tem uma sólida e clara estratégia de
serviços alimentícios "rápidos, baratos
e higiênicos". O layout da lanchonete; os movimentos
dos atendentes enquanto buscam os pedidos; os uniformes
limpos e a limpeza dos chão são alguns dos
aspectos que demonstram a estratégia de
serviço dessa rede de fast food.
Os
pré-requisitos principais de uma Estratégia de
Serviços são a Missão e a Cultura. A
missão é um estado desejável e
tangível de relações Empresa-Cliente.
No caso de uma pizzaria, por exemplo, a Missão
poderia ser: "Fabricar uma pizza à altura da melhor
pizza italiana"; Fabricar e vender a melhor pizza do
país"; ou "Oferecer a pizza mais saborosa e barata da
cidade". Pode ser qualquer coisa, desde que seja uma
afirmação responsável e verdadeira. O
importante é que a Missão seja capaz, pela sua
clareza ou pelo desafio apresentado, de mobilizar
positivamente todos os membros da
Organização.
Uma
Estratégia de Serviços precisa ser
culturalmente consistente. A Cultura, ou seja, o conjunto de
usos e costumes das pessoas que integram a
organização, funciona como caixa de
ressonância da Estratégia de Serviços. A
cultura deve fazer com que todos os empregados da empresa
assimilem e trabalhem de forma a cumprir a Missão da
empresa.
Pessoal
de Linha de Frente orientado ao Cliente.
Os
administradores das organizações devem
estimular e ajudar o pessoal que executa e entrega o
serviço para que sua atenção se
mantenha voltada para o cliente. O pessoal de linha de
frente deve ter uma concentração muito forte
para a necessidade do cliente em todos os momentos da
verdade. Toda essa atenção para as
necessidades do cliente faz com que o consumidor sinta que a
qualidade do serviço é de alto nível e
o estimula a voltar mais vezes e comprar mais.
Sistemas
voltados para o Cliente.
O
sistema de produção e de entrega do
serviço deve estar voltado para atender as
necessidades do cliente e não as conveniências
da Organização. As instalações,
as políticas, os procedimentos, os métodos e
os processos devem estar prontos para atender qualquer
desejo ou necessidade do cliente.
Uma
vez fomos num restaurante que gosto muito porque os
garçons são muito atenciosos e somos sempre
muito bem atendidos. Nesse dia pedimos uma picanha para duas
pessoas. Mas a minha namorada pediu para o garçom se
podia trocar o arroz que acompanhava o prato. Ela queria que
trocasse o arroz branco com o arroz à grega. O
garçom disse que não podia porque as
porções de arroz à grega estavam
preparadas para serem servidas à parte. Esse é
um exemplo típico de um sistema voltado para atender
as conveniências da empresa e não para atender
um pedido do cliente. Esse tipo de coisa não pode
acontecer numa Organização de
Serviços.
Estes
três fatores - uma estratégia clara de
serviço, pessoal de linha de frente orientado para o
cliente, e sistemas voltados para o cliente - são
todos de conceito relativamente simples e fácil
compreensão. Mas transformá-los em realidade
não é tarefa simples, principalmente em
organizações de grande porte.
Capítulo
4
Marketing
de Relacionamento
m
estudo econômico encomendado pela Casa Branca à
Tarp (Technical Research Assistance Programs) revelou que,
entre o universo das empresas americanas, de cada cem
clientes insatisfeitos, apenas cinco tornavam claro o seu
descontentamento para a empresa, seja verbalmente ou por
escrito. 95% dos clientes nunca chegavam a reclamar. Dessa
maneira, as empresas perdiam a oportunidade de saber o que
estava desagradando seus clientes e deixavam de aprimorar ou
melhorar os seus produtos ou serviços.
O
mesmo estudo da Tarp revelou que um cliente que é mal
atendido conta para entre dez a doze pessoas de seu
relacionamento (amigos e parentes). Portanto, essas pessoas
que ficam sabendo do acontecimento, passarão a evitar
a empresa. Por isso é muito importante as empresas de
serviços sempre atender muito bem, para que seus
clientes fiquem fiéis a seus
serviços.
Retenção
ou conquista?
A
conquista de novos clientes tem sido a básica de toda
estratégia de marketing, no desejo de aumentar seus
faturamentos e lucros. É da natureza humana olhar
além de um negócio atual no sentido de
expansão de lucros. Por isso, todos os
esforços de marketing e capital são voltados
para prováveis clientes potenciais.
Inconscientemente,
assume-se que o apoio dos clientes atuais permanecem. Seus
valores para a empresa são esquecidos e esses atuais
clientes são negligenciados. Geralmente são
feitas pesquisas com o objetivo de mudar as
características do produto para atrair novos
clientes, dando como certa a contínua
contribuição dos atuais clientes para o lucro
da empresa. A organização falha na
manutenção desses clientes, e quando eles
deixam de ser fiéis, não se preocupam em saber
o porquê.
Distribuição
das verbas de propaganda.
Além
das mídias tradicionais, existem as mais diversas em
desenvolvimento a cada dia, entre elas:
- Televisão
a cabo.
- Programas
produzidos para televisão a cabo.
- Programas
de televisão associados.
- Revistas
especializadas.
- Eventos:
de entretenimento, esportivos e culturais.
- Patrocinadores
e anunciantes em videocassetes.
- "Quadros
de avisos" em escritórios e escolas.
- Redes
de televisão em circuito fechado em escolas,
aeroportos, restaurantes e supermercados.
- Mala-direta
seletiva.
- Telemarketing
ativo e receptivo.
- Internet.
Para
uma empresa estar em um ambiente de mídia tão
complexo como o de hoje proporcionalmente à
participação de mercado pretendida, precisa
arcar com um custo muito alto, que às vezes pode
superar o que a maioria das empresas pode pagar.
Terry
G. Vavra (1993) mostra em seu livro Marketing de
Relacionamento, que estudos recentes conduzidos por
vários grupos e organizações nos
Estados Unidos, demonstram o grande negócio de se
manter os clientes atuais:
As
empresas americanas perdem em média, 25% dos clientes
a cada ano.
Custa
cinco vezes mais conquistar um novo cliente do que manter um
cliente atual.
- Onde
há excesso de oferta (muita gente brigando pelo
mesmo cliente).
- Quando
há custos de mídia de massa muito altos e
linhas de produto cada vez mais extensas para serem
anunciadas.
Uma
empresa que perde um cliente por dia, que gasta 50
dólares por semana, perderá num ano, um
milhão de dólares.
91%
de clientes insatisfeitos jamais comprarão dessa
mesma empresa e comunicarão sua
insatisfação a pelo menos nove outras
pessoas.
Além
da perda de oportunidade de novos negócios, os
estudos mostram o tremendo potencial destrutivo dos clientes
insatisfeitos. Como já foi dito anteriormente, mais
de 90% dos clientes insatisfeitos não farão
esforços para fazer reclamações; eles
simplesmente passam a fazer negócios com um
concorrente. Mas eles manifestam a sua
insatisfação com outros pelo menos nove
clientes potenciais. Então, além de perder o
cliente que ficou insatisfeito, perderá mais pelo
menos outros nove que viriam a fazer negócios com a
empresa e não mais o farão.
Insatisfação
do cliente pode trazer conseqüências
maiores
Além
de manifestar a insatisfação perante um mal
atendimento para os amigos e parentes, dependendo do grau de
insatisfação, o cliente pode até entrar
na justiça cobrando danos morais.
O
dano moral aparece em vários tipos de
situação, mas principalmente nos processos
contra prestadores de serviços. Em Santo Amaro, uma
consumidora chegou a pedir indenização por
julgar que um erro de uma administradora de cartão de
crédito foi a causa de sua separação.
Segundo ela, a empresa fez uma cobrança indevida de
despesa em um motel, e um passou a acusar o outro de ter
feito a dívida. O casal se separou, e mais tarde a
empresa reconheceu que cometera o erro. Então, a
consumidora entrou com uma ação pedindo
reparação por dano moral.
Quanto
vale um cliente leal
O
americano Carl Sewell (1993), autor de Clientes para
Sempre, estima em 332.000 dólares os gastos
médios de um cliente leal a uma marca durante sua
vida (especificamente em sua concessionária de
veículos). Sewell diz o seguinte:
"Depois
de algum tempo, essa maneira de fazer negócios se
autoperpetua.
- Se
você for bom para seus clientes, eles
continuarão voltando porque gostam de
você.
- Se
eles gostam de você, gastarão muito mais
dinheiro.
- Se
eles gastam mais dinheiro, você quer
tratá-los melhor. (O que você faz para
alguém que irá gastar $ 332.000 nunca
é demais.)
- E
se você tratá-los melhor, eles
continuarão voltando, e o ciclo
recomeça."
A
estratégia de Marketing de retenção de
clientes é muito diferente da estratégia de
conquistar novos clientes. Portanto, as empresas devem se
preocupar com as duas estratégias. A
estratégia de retenção de clientes
é chamada de Marketing de Relacionamento.
|
Cultura
de Marketing de Conquista
|
Cultura
de Marketing de Relacionamento
|
|
Foco
na obtenção de novos
clientes.
|
Foco
na manutenção de clientes
atuais.
|
|
Foco
na comunicação com o consumidor
(propaganda). As relações com outros
públicos são
atribuições dos setores
comerciais.
|
Foco
na comunicação com cada
público e cada cliente individualmente.
Comunicação dirigida é
atribuição do marketing.
|
Manter
clientes exige o estabelecimento de um relacionamento com
eles. Mas esse relacionamento une dois pontos de vista
diferentes: do cliente e do vendedor.
A
partir da perspectiva do cliente, é mais
provável que uma compra seja vista como o
começo de um relacionamento. O cliente sente o desejo
ou necessidade de um relacionamento mais duradouro com a
organização. Mas um relacionamento desse tipo
muitas vezes vai contra o pensamento da
organização, que está orientada para
vendas agressivas, e que pode considerar o desfecho da
venda, o ápice do relacionamento com o cliente,
relaxando após a concretização da
venda, contrariando a expectativa do cliente, que espera um
pouco mais de atenção na fase
pós-venda.
Expectativas
de duração da venda
|
Perspectiva
do vendedor
|
Perspectiva
do comprador
|
|
Culminação
de uma grande negociação de
venda.
|
Iniciação
de um novo relacionamento.
|
|
Oportunidade
de transformar nosso trabalho em
dinheiro.
|
Preocupação
com a atenção exigida pela nova
venda.
|
|
O
fechamento da venda abre oportunidade para novos
clientes potenciais.
|
Quanta
atenção e auxílio serão
recebidos após a decisão de
compra.
|
|
Transferência
do cliente do departamento de vendas para o
departamento de produção.
|
Desejo
de continuar a interagir com o departamento de
vendas.
|
As
empresas devem mudar a mentalidade de "completar uma venda"
para a de "iniciar um relacionamento"; de "fechar um
negócio" para "construir lealdade". Mas, na maioria
das empresas, no planejamento de marketing, geralmente
é dedicada maior atenção para a
conquista - ganhar novos clientes para determinada marca,
produto ou serviço. É muito difícil
encontrar uma empresa preocupada em maximizar a
satisfação dos clientes, para que eles sejam
fiéis. Portanto, o espírito das atividades de
pós-marketing ou marketing de relacionamento é
sempre estar atento às opiniões dos clientes
atuais.
No
conceito de pós-marketing, os 4 P's tradicionais do
marketing (produto, preço, praça,
promoção) são acompanhados de outros
elementos também, muito importantes. Os novos
elementos podem ser os seguintes:
Comunicações
com o cliente:
Programas
de comunicação pós-venda (revistas
próprias, eventos etc.), código 800 (discagem
direta gratuita) e serviço de atendimento de
reclamações e de cumprimentos aos
clientes.
Satisfação
dos clientes:
Monitoramento
das expectativas do cliente e a satisfação
delas com os produtos ou serviços disponíveis
e com o sistema de entrega.
Serviços:
Serviço
pré-venda, serviço pós-venda e
atividades de conveniência do consumidor.
Marketing
de Relacionamento: o que é e como
fazer.
Algumas
características importantes do Marketing de
Relacionamento:
- Fazer
marketing de relacionamento é dar prioridade
à manutenção de clientes, e
não à conquista. É, portanto, uma
estratégia de marketing a ser adotada ou
não por uma empresa.
- Fazer
marketing de relacionamento é trabalhar na
percepção de cada cliente, fazendo-o
acreditar que somos os melhores para ele.
Fazendo-o, portanto, desejar ser e permanecer
nosso cliente.
- Quando
o marketing de relacionamento é bem feito, o
cliente não vê a empresa como mais uma
opção. Ele a tem como o seu
fornecedor. Ele se sente seguro, inclusive, para
recomendar os serviços da empresa sem
expor-se.
- Para
fazer marketing de relacionamento com eficácia,
todos os setores da empresa precisam ser orientados
para o cliente (endomarketing).
- A
empresa precisa saber ouvir o cliente a partir das
mesmas ferramentas que usa para enviar suas
mensagens.
- A
produção deve fazer e ajustar produtos ou
serviços que sejam desejados pelo
cliente.
- O
RH deve contratar treinamentos que preparem os
funcionários para atender melhor o
cliente.
- O
Desenvolvimento de Produtos deve desenhar e redesenhar
produtos conforme indicarem as pesquisas com os
clientes.
- O
pessoal de vendas precisa saber quanto, quando e o que
cada um de seus clientes comprou. Se fez alguma
queixa ao pessoal da Central de Atendimento. Se
está comprando mais do concorrente. Se está
sabendo usar direito o produto etc.(database
marketing).
- A
direção da empresa deve estabelecer
estratégias de atuação e
tomar decisões sempre com base nas expectativas e
percepções no seu mercado e, em especial,
de seus clientes.
- A
empresa deve conhecer tudo o que está sendo
oferecido a seus clientes pela concorrência.
Nenhuma empresa deve acreditar ser a única a
relacionar-se com as pessoas que consomem seus produtos
(benchmarking).
- As
áreas financeiras devem participar das
avaliações do crescimento do número
de consumidores ano a ano. Devem, inclusive, tentar
descobrir o valor financeiro das suas marcas em
relação às concorrentes.
- Finalmente:
a empresa que pretende levar adiante um projeto vencedor
de marketing de relacionamento precisa antes,
criar dentro de cada setor a cultura de marketing de
relacionamento.
Variáveis
para o sucesso de um programa de Marketing de
Relacionamento
Qualidade.
A
qualidade é o mínimo que o cliente espera de
qualquer produto ou serviço. Se não houver
qualidade, fatalmente não haverá
relacionamento porque não haverá recompra.
Porém, como já foi dito antes, a qualidade
é aquela percebida pelo cliente. Os jornais adoram
publicar matéria de empresas que não fazem a
coisa certa. E esse tipo de matéria acaba com a
reputação da empresa. Reportagens do tipo
"Chuveiro novo está há 48 dias no conserto,
diz dona-de-casa". Uma reportagem como essa coloca
abaixo todo esforço gasto pela empresa para ganhar
mercado.
Comprometimento
das lideranças.
Todas
as lideranças da empresa devem estar comprometidas
com o programa, tanto na cúpula, quanto nos outros
setores.
Paciência.
Não
deve haver expectativas equivocadas quanto aos resultados do
marketing de relacionamento. Um programa bem feito de
relacionamento sempre demora para dar resultados.
|
O
que esperar X O que NÃO
esperar
|
|
Mudança
de Percepção.
|
Mudança
instantânea de
percepção.
|
|
Fidelização.
|
|
|
Aumento
no volume de compras a médio
prazo.
|
Aumento
imediato e muito grande nas vendas.
|
|
Aumento
na freqüência de compra a médio
prazo.
|
Diferencial
Competitivo eterno.
|
|
Diferencial
Competitivo em relação aos
concorrentes.
|
Moleza.
|
Tempo
e Planejamento.
Não
basta fazer um projeto de comunicação e
implantar. Deve haver um planejamento muito bem detalhado, e
isso demanda muito tempo.
Informação.
Deve
haver informações sobre os clientes e
informações para os clientes. Um bom banco de
dados com as informações importantes sobre os
clientes, é a plataforma de qualquer programa de
marketing de relacionamento.
Marketing
com Banco de Dados (Database Marketing)
O
database é uma ferramenta muito poderosa do Marketing
de Relacionamento. Não existe uma
definição universalmente aceita de marketing
com banco de dados, mas podemos usar a seguinte:
"Marketing
com banco de dados é uma abordagem interativa para
marketing, que usa canais e meios de
comunicação de marketing
endereçáveis individualmente (tais como
correio, telefone e força de vendas):
- Para
ampliar a ajuda a um público-alvo da
empresa.
- Para
estimular sua demanda.
- Para
estar perto deles, registrando e mantendo uma
memória eletrônica de banco de dados de
clientes, clientes potenciais, todos os contatos
comerciais e de comunicação, para ajudar a
melhorar todos os contatos futuros e assegurar um
planejamento mais realista de todo o
marketing."
Portanto,
o Database Marketing é uma Ferramenta de
Gerência e Apoio às Decisões. No banco
de dados deverá estar gravado todas as
informações relevantes dos clientes da
empresa. Com base nesses dados, a empresa poderá ter
um relacionamento individual com cada cliente, podendo
apresentar para cada um o produto que lhe convier e que for
de sua necessidade. O banco de dados, porém, é
apenas uma ferramenta. É a forma como ele será
usado que fará toda diferença. E essa
ferramenta começa já na forma como o banco de
dados será preparado para receber as
informações.
A
partir do registro e manutenção dos dados dos
públicos que nos interessam é que ficamos
conhecendo nossos consumidores. Um bom banco de dados
permite ir muito além das estratégias de
manutenção de relacionamento. Com ele é
possível:
Conhecer
melhor cada público e cada segmento;
- Avaliar
o quanto investir no relacionamento com cada um
deles;
- Direcionar
a comunicação de modo a otimizar
resultados;
- Gerenciar
a relação com grupos e
indivíduos;
- Conhecer
o comportamento e a opinião dos clientes em
relação a produtos, serviços,
preços e outras variáveis;
- Analisar
mercados regionais com base em dados reais;
- Traçar
um perfil dos melhores clientes de modo a direcionar o
trabalho das equipes de vendas;
- Etc.
No
mercado de informações extensivas da
década de 90 (a era da informação), o
sucesso das empresas não dependerá apenas de
como são coletadas as informações, mas
principalmente de como serão utilizadas essas
informações coletadas. Dependendo do ramo de
atividade, não é fácil a empresa
implantar um bom sistema de banco de dados, porém a
sua implantação é de extrema
importância, pois seus esforços serão
compensados pelo aumento da lealdade dos seus
clientes.
Serviços
de Atendimento ao Consumidor
Não
podemos deixar de falar dos SAC's (Serviços de
Atendimento ao Consumidor), ferramenta
importantíssima do Marketing de
Relacionamento.
O
Serviço de Atendimento ao Consumidor de uma empresa,
geralmente uma linha 0800 de DDG (discagem direta gratuita),
é implantado para atender opiniões,
sugestões e reclamações dos
consumidores a respeito de determinado produto ou
serviço. O SAC envolve o atendimento telefônico
e a comunicação escrita personalizada aos
consumidores
O
Serviço de Atendimento ao Cliente serve, dessa
maneira, como uma importantíssima ferramenta de
tomada de decisões pela empresa, pois a partir desses
contatos a empresa saberá o que pensa o consumidor,
podendo inclusive alterar certas características de
determinado produto para atender às
reivindicações do consumidor. Portanto, o
Serviço de Atendimento ao Consumidor pode servir de
base para as decisões referentes ao produto, tanto
mudando alguma característica, como lançando
algum produto que falta no mercado para atender alguma
necessidade constatada nesses contatos com o consumidor
final.
Telemarketing
Andando
de mãos dadas com o Serviço de Atendimento ao
Consumidor, o telemarketing é mais uma poderosa
ferramenta do Marketing de Relacionamento. O Telemarketing
é qualquer processo de negociação
realizado através do telefone.
Desde
pequenas lojas até grandes redes sempre utilizaram
variadas técnicas para seduzir o cliente. O objetivo
era atingir o maior número de pessoas com os melhores
resultados. Mas com o passar dos anos, muita coisa mudou. As
mídias de massa passaram a ter custos muito altos
sem, no entanto, causar o efeito desejado. Desde
então, o telefone passou a ser uma
opção barata de comunicação
dirigida. Desse processo, nasceu o telemarketing, que hoje
é uma das principais ferramentas de marketing
direto.
Hoje
cada vez mais empresas utilizam o telemarketing. E
não é só para vender. A
comunicação dirigida permite o acompanhamento
e o conhecimento de cada cliente, além de medir os
resultados de cada ação específica.
Trabalhando com operadores treinados e a informática
como aliada, o telemarketing passou a ser mais
rápido, eficiente e preciso.
O
telemarketing não é somente uma ferramenta de
vendas por telefone. É usado também para
manter um relacionamento constante com um cliente, por meio
de contatos periódicos. Eu comprei um jogo de pneus
para o meu carro na D. Paschoal. Uma semana depois, a
vendedora me ligou perguntando se estava tudo bem e se eu
estava satisfeito com a compra realizada. Disse que se eu
tivesse algum problema ou alguma dúvida, para eu
comparecer que seria bem atendido. E me convidou para voltar
lá tomar um cafezinho. Eles não estavam
tentando me vender nada. Mas estavam mantendo um
relacionamento. Um relacionamento pós-venda. Isso
é chamado de telemarketing ativo.
O
telemarketing pode ser visto como um intruso e
excessivamente agressivo. Mas se for feito com pessoas e
empresas que já são clientes, é visto
de forma diferente. Nesse caso, o telefonema geralmente
é bem-vindo, principalmente se a razão do
telefonema não for vender, mas sim levantar
necessidades, resolver ou prevenir problemas. Ele permite
que a empresa possa se comunicar periodicamente com os
clientes, armazenando dados para posterior
utilização. Poucas armas de vendas e marketing
permitem estabelecer vínculos, fazer pesquisas, medir
graus de satisfação e fidelidade, e ainda
vender - tudo ao mesmo tempo.
Itens
básicos para um bom atendimento
telefônico
Qualidade
no Atendimento:
- Ser
cortês.
- Dar
boas-vindas.
- Atender
de imediato.
- Mostrar
"boa vontade".
- Dar
atenção ao cliente.
- Agir
com rapidez.
- Prestar
orientação segura.
- Não
dar ordens.
- Pedir
auxílio.
- Evitar
atitudes negativas.
- Falar
a verdade.
- Atenção
às reclamações.
- Como
um cartão de visita.
- Cuidados
pessoais.
Preparando
seu atendimento
Pensando
em seu cliente, analise e responda as questões abaixo
que forem designadas ao seu grupo (utilizando como exemplo
um serviço com o qual você não
trabalha).
- Como
vou abordar o cliente no 1º atendimento?
- Que
perguntas posso fazer para identificar as necessidades do
cliente?
- Qual
a melhor maneira de auxiliar o cliente?
- Que
objeções vou enfrentar?
- Como
superar essas objeções?
- O
que fazer para satisfazer o cliente?
Analisando
seus telefonemas
- Qual
foi a porcentagem de clientes satisfeitos?
- Que
porcentagem levantou objeções?
- Que
objeções foram levantadas?
- Que
porcentagem quis mais
informações?
- O
telefonema foi muito longo?
- Que
tipo de feed-back foi solicitado?
Os
passos apresentados acima fazem parte de um programa de
treinamento de telemarketing receptivo, para uma empresa que
utiliza um outro veículo de comunicação
(a televisão, por exemplo), anunciando um produto e
divulgando o número do telefone para que os
interessados em comprar o produto, ou que queiram esclarecer
algumas dúvidas em relação ao que foi
anunciado, liguem para os operadores de telemarketing, que
ficarão à espera dos telefonemas. Esse
é um telemarketing receptivo, pois a empresa
receberá telefonemas dos interessados. Quando
é a empresa que liga para os clientes, o
telemarketing é ativo.
Abaixo
serão transcritos os dez mandamentos do atendimento
ao telefone e os passos para implantação de um
programa de telemarketing dentro de uma empresa. Ambos foram
extraídos do Curso Intensivo de Secretária
Executiva da NTA - INTERNACIONAL DE TECNOLOGIA
ADMINISTRATIVA.
Dez
mandamentos do atendimento ao telefone
- A
empresa é você.
Quando
ao telefone, você é a empresa, independente
de cargo ou função, portanto demostre a
cultura da mesma de forma profissional e educada.
Lembre-se, você voltaria a um lugar onde não
fosse bem atendido?
- Atenda
prontamente.
Não
se deve deixar ultrapassar a dois toques; todos gostamos
de ser prontamente atendidos, faz parte da etiqueta e boa
educação.
- Evite
dizer alô.
Nunca
se diz "alô", ao telefone, gasta-se tempo e
não faz parte do profissionalismo. Quando
identificado corretamente agiliza as necessidades do
solicitado e propicia mais possibilidades de
produtividade do seu equipamento.
- Fale
claramente.
A
voz é fundamentalmente importante. É por
meio da entonação e ênfase que o
interlocutor sente a vibração e a "alma" de
sua empresa. Deve-se falar claro e pausadamente,
lembrando que o telefone é provocador de imagens e
causando a maioria das vezes a primeira impressão
da sua empresa.
- Não
confie na memória.
Tenha
sempre próximo ao telefone, blocos de
anotações para que nada lhe escape ao
alcance, muito menos por esquecimento.
- Cuidado
com a terminologia.
Devemos
tomar cuidado com termos técnicos que muitas vezes
familiares ao nosso dia-a-dia é estranho aos
outros, assim como gírias, que nunca devem ser
usadas. Lembre-se, nosso idioma é muito rico,
basta conhecê-lo.
- Expressões
indesejáveis.
É
muito importante a demonstração de
solicitude e simpatia o que não quer dizer que
devemos utilizar de exageros, passando com isso do ponto
da formalidade e elegância. Expressões
íntimas não são permitidas, por
demonstrarem falta plena de
profissionalismo.
- Interpelações
bruscas.
Nunca
devemos interromper as pessoas quando estas estiverem
falando; ao telefone ainda torna-se mais complicado, pois
além de deselegante causa irritação
e atropelo, tornando a comunicação
inviável.
- Não
deixe o cliente esperando.
É
extremamente deselegante e anti-profissional, quando
deixamos alguém "esquecido" na linha de espera,
seja por alguém ou informação.
Devemos, se não temos dados às mãos,
solicitar que o cliente deixe o número do telefone
e retornar a ligação o mais breve
possível, e no caso da espera de alguém
oferecer opções para que o mesmo não
perca muito tempo.
- Encerre
a conversação cortesmente.
Lembre-se
que ao encerrar um diálogo, você
estará abrindo as portas de sua empresa, para
tanto é importante que o cliente sinta-se
satisfeito e acolhido.
Conclusões
Qualquer
empresa, independente do ramo de atividade, pode colocar em
prática um bom plano de excelência em
serviços. Com um plano bem executado, a empresa
terá uma vantagem competitiva muito importante em
relação aos seus concorrentes. De acordo com o
trabalho aqui apresentado, podemos enumerar os passos mais
importantes para a elaboração de um plano de
excelência em serviços.
Conhecer
os desejos e necessidades do cliente. Dependendo da
atividade da empresa, existem várias maneiras de se
conhecer os desejos e necessidades do cliente. Se for uma
empresa de atendimento (restaurantes, hotéis, etc.),
pode-se fazer uma pesquisa com os próprios clientes
com as seguintes questões:
- como
foi o atendimento?
- demorou
muito para ser atendido?
- o
que faltou?
- apresente
sugestões.
- podem
ser feitas perguntas específicas sobre determinado
serviço.
Se
for outro tipo de empresa, pode-se encomendar uma pesquisa
em uma determinada amostra do público-alvo,
procurando saber qual a percepção do cliente
com relação ao produto ou serviço.
Também procura-se saber o que pode ser melhorado no
produto e o que pode ser acrescentado. Se houver algum
problema, tentar descobrir qual é, para
eliminá-lo.
Ajustar
a produção dos bens ou serviços para
atender essas necessidades. De acordo com os resultados
da pesquisa, deve-se ajustar os serviços e produtos
para que sejam mais aceitos pelo público-alvo,
tentando aumentar participação do mercado.
É importante que os setores de produção
estejam sintonizados com os resultados, para que os novos
produtos sejam lançados levando-se em conta os
anseios do consumidor.
Desenvolver
uma estratégia de serviços. Uma
estratégia de serviços deve ser desenvolvida
de modo que essa idéia de excelente atendimento seja
unificadora e tome conta do pensamento de todos os
funcionários, passando a ser a grande missão
da organização. Todo o pessoal da empresa deve
ter em mente que essa idéia é a mais
importante para a empresa.
Comprometer
os funcionários para o bom atendimento aos
clientes. Todos os funcionários da empresa devem
estar comprometidos com a idéia de fornecer um
atendimento de primeira. Eles devem saber que o cliente
é o mais importante e tudo que o cliente deseja deve
ser levado em conta.
Dar
treinamento adequado aos funcionários. O pessoal
da empresa deve ser bem treinado para que desenvolva um
trabalho excelente em todos os setores da empresa, mesmo os
que não atendam diretamente os clientes. Mesmo esses
que não atendem os clientes, devem fazer seu trabalho
pensando no cliente, pois se alguma coisa der errado no meio
do processo, o cliente sairá prejudicado mais tarde,
na hora da verdade. Esses funcionários, embora
não atendam o consumidor final, também tem
seus clientes. São os seus colegas de trabalho, que
são considerados os clientes internos.
Dar
responsabilidade ao pessoal de linha de frente. O
pessoal de linha de frente, isto é, os
funcionários que atendem o cliente na hora da entrega
do serviço, devem ter autonomia para tomar
decisões. Se toda hora que tiver que tomar alguma
decisão na frente do cliente, o funcionário
tiver que procurar o seu superior, o atendimento não
terá boa qualidade. E para que o funcionário
sinta segurança na hora de tomar tais
decisões, deverá ter capacidade para tomar as
decisões acertadas para o benefício do
cliente.
Desenvolver
sistemas voltados para o cliente. Os sistemas internos
da empresa devem estar sempre voltados para atender as
necessidades do cliente, e não de acordo com as
conveniências da empresa. A organização
deve fazer sempre o impossível para atender bem o
cliente.
Montar
um plano de relacionamento pós-venda. É
muito importante que a empresa mantenha um relacionamento
duradouro com o cliente, o mais individualizado
possível. Dessa maneira, estará sempre
sintonizada com os desejos de seu cliente e terá a
sua fidelidade. Poderá montar um bom banco de dados
com todas as informações importantes de seu
cliente, e sempre que tiver alguma novidade mandar-lhe uma
mala-direta informando-lhe. Pode também montar um
Serviço de Atendimento ao Consumidor para receber
reclamações e sugestões, municiando o
departamento de produção com
informações importantíssimas a respeito
de seus clientes. Dependendo do tipo de empresa, um
serviço de telemarketing também é muito
importante.
Criar
um sistema de acompanhamento. Deve haver um sistema para
acompanhar e mensurar o nível de qualidade prestado,
para acertar a rota quando alguma coisa não estiver
dando certo. Deve-se estabelecer padrões de
desempenho e sempre avaliar se o desempenho real da
organização está de acordo com os
padrões estabelecidos, para que a qualidade do
serviço seja percebido como de alto
nível.
Adotar
um plano de Benchmarking. Se os passos acima descritos
forem seguidos com determinação, a empresa
terá, num prazo não muito longo, uma
estratégia muito forte em atendimento ao cliente. Mas
ainda resta fazer algo que também é muito
importante. Não podemos nos descuidar do que
estão fazendo os nossos concorrentes. Tudo que o
concorrente está fazendo deve ser analisado. Se for
algo que deve ser copiado, devemos copiar e se
possível, melhorar. O marketing é fascinante e
muito dinâmico. Não podemos ficar parados
porque senão perdemos mercado para os que
estão sempre evoluindo. Por isso, devemos evoluir
também, e sempre ter algo mais para apresentar. E de
preferência, antes dos concorrentes.
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