Comércio Eletrônico

Afonso José Oliveira Cruz
Marcos Oliveira
Ricardo Mongold

Monografia apresentada no curso de Organização, Sistemas e Métodos das Faculdades Integradas Campos Salles, sob orientação do Professor Mauro M. Laruccia

(Disponível na rede desde novembro de 2000) 


A nova forma de comércio global

Há não muito tempo, um turista voltou de uma viagem ao interior do Nordeste e comentou com os amigos, divertido, que havia visto num letreiro pintado à mão, na parede de um humilde estabelecimento de secos e molhados, o seguinte anúncio imodesto: "Tudo em geral". A mensagem, que até bem recentemente era considerada um risível exagero de autoconfiança comercial para qualquer que fosse o negócio, em qualquer lugar do mundo, é hoje uma simples realidade para a nova forma de comércio global possibilitada pela Internet: o comércio eletrônico.

É impossível você não ouvir falar disto hoje pois não importa aonde você vá sempre há um outdoor, um panfleto ou um comercial sobre comércio eletrônico na Internet. Toda esta superexposição atiça nossa curiosidade e nos faz, cada vez mais, participar deste mundo. Aliás, participar disto hoje não é mais nem um objeto puro e simples de satisfação pessoal, é uma necessidade que está cada vez mais latente em nossas vidas.

Já fazem dois anos que, em minha empresa, temos acesso à Internet. É incrível e engraçado lembrar hoje o que ela nos proporcionou a nível de idéias e enriquecimento profissional e pessoal, apesar dela ainda não estar vinculada diretamente em nossas tarefas internas. Acompanhar pessoas que tinham até medo do "mouse" e hoje serem internautas de conteúdo é muito interessante. Até as famosas "Donas de Casas" que resistiam a esta "coisa complicada" souberam se adaptar a novidade. Tudo isto devido a diversidade de informações que a rede oferece. Ela consegue captar o mais "antigo" e "resistente" dos profissionais e faze-lo embarcar na onda "On-line".

Neste trabalho eu me enfocarei basicamente em minha experiência no comércio realizado nesta rede, o "e-commerce" (comércio eletrônico), e as mais diversas teorias sobre o assunto.

Para que possamos entender melhor este tema vamos começar contando uma história sobre como começou a Internet e depois nos focalizaremos mais no tema do trabalho.

O Que é INTERNET?

A Internet surgiu em 1969, no Departamento de Defesa do governo dos Estados Unidos, para facilitar a comunicação entre os computadores da área militar, governamental e de pesquisa daquele país. Na época, caso houvesse uma guerra e fosse interrompida a conexão entre estes computadores, o resultado seria desastroso: ninguém mais conseguiria se comunicar de uma área para a outra. Os técnicos criaram, então, uma nova rede de comunicação chamada Internet (net significa "rede", em inglês), que permitiu que os computadores "conversassem" entre si, trazendo segurança às informações.

Com o final da guerra fria entre as chamadas "superpotências" do mundo (Estados Unidos e União Soviética), houve o "degelo" diplomático, e a Internet aos poucos começou a se espalhar em outras direções, principalmente pelas universidades. A partir de janeiro de 1990, a Internet colocou-se ao alcance de qualquer pessoa com acesso a um computador ligado a uma linha telefônica. Hoje, a Internet conecta nada menos de que 130 mil outras redes de computadores em mais de 100 países, reunindo cerca de 100 milhões de pessoas nesta fantástica rede de comunicação global.

"Navegar" pela Internet é uma aventura cheia de surpresas e descobertas. Não há limites para o "navegante" que busca informações, entretenimento ou oportunidades de negócios neste Novo Mundo. "A melhor coisa da Internet é que todo mundo está conectado. E a pior é que todo mundo está conectado. Nesse meio ambiente virtual, a gente perde um pouco a privacidade, mas ganha muito em interação com outras pessoas. Ao virar uma ferramenta nas mãos do público, a rede abriga usuários que te irritam ao enviar vírus ou e-mails não solicitados, bem como aqueles que montam sites com conteúdo agressivo, racista ou pornográfico. Isto não deveria nos surpreender. Ao tornar-se o meio de comunicação da humanidade, a rede abriga todo o tipo de gente, pessoas fantásticas e pessoas terríveis. Não há nada que possamos fazer para evitar isto" diz Vinton Cerf, considerado "o pai" da Internet, em entrevista para a revista Isto é, em 14/04/99.

Para utilizar este meio, como na época das grandes navegações, você também precisa de uma "nave" que possa transportá-lo nesta viagem. Na Internet, isto se chama browser (pronuncia-se "bráuser") - um programa que leva o "navegante" a um lugar confortável e amigável dentro do computador, de onde ele poderá começar sua viagem. Este lugar tem o nome de "World Wide Web", também conhecido como "WWW".

O Brasil começou cedo na Internet. Assim como nos Estados Unidos, a Internet foi instalada inicialmente como uma rede de comunicação entre principalmente os professores das Universidades. O primeiro esforço nacional foi batizado de Rede Nacional de Pesquisa, criada e implementada graças ao esforço e a obstinação de alguns pesquisadores apoiados pelo CNPq.

Hoje, segundo um relatório publicado pelo Santander Central Hispano Investment, o Brasil é o líder absoluto do comércio eletrônico na América Latina, respondendo por 53% das transações on line da região. De acordo com o estudo, o Brasil é o principal responsável pelo crescimento da Internet na América Latina. Nos próximos cinco anos, deverá haver um crescimento de mais de 80% do e-commerce na América Latina, sendo que em 2005 ultrapassará a marca de 8 bilhões de dólares em transações.

Estima-se que em 1999, quatro milhões de brasileiros acessaram a Web e estima-se que em 2003 esse número pulará para 7,5 milhões de pessoas, das quais mais de um milhão farão compras através da rede gastando em média US$ 675 por ano.

O Que é E-Commerce?

Comércio eletrônico ou e-commerce, em inglês, é a compra e venda de produtos e serviços pela Internet. É uma forma de negociação geral, onde pode ser possível a compra e a venda absolutamente de tudo, em qualquer lugar do mundo, com grande rapidez, eficiência e redução de custos. A desburocratização é característica deste segmento, assim como a viabilidade do acesso das micro e pequenas empresas em todo o mundo, que operam sem a presença de atravessadores e vendedores. Trata-se de uma profunda mudança na economia comparada à Revolução Industrial. Esta é a tendência, é o início de uma nova revolução no mundo dos negócios que vai afetar a maneira que nós e nossa família vivem, trabalham e se divertem por toda a vida.

A evolução deste comércio segue um padrão mais ou menos universal. Primeiro, ele se caracteriza por uma fase de divulgação. Neste sentido as empresas buscam mostrar que existem, divulgarem o que fazem e estabelecer uma presença. Na fase seguinte, essas empresas começam a descrever melhor seus produtos, com mais detalhes, abrangendo, por exemplo, um catálogo dos produtos, serviços, cursos, agências, filiais, etc. As fases um e dois são relativamente fáceis de se implementar e são predominantemente voltadas para a divulgação da empresa e de seus produtos. Já a terceira fase as empresas começam a permitir a realização de transações pela rede e aí acaba a brincadeira. Essa é uma fase difícil, que exige uma intensa preparação. Quando a empresa apresenta na rede apenas uma "página amarela", bonitinha mas nada mais, os usuários se cansam de acessá-la. Porque depois de um tempo as pessoas acabam querendo algo mais. Quando o usuário solicita algo e a resposta ou contato inicial não ocorre em velocidade comparável com o pedido ou contato inicial, isso gera insatisfação e frustração. Ninguém volta a um site depois de ter experimentado um contato demorado ou frustrante em algum aspecto. "O internauta é bem mais impaciente do que o consumidor de uma loja física, e quer respostas imediatas para suas solicitações. Para corresponder a isso é preciso ter uma estrutura de distribuição eficiente, um canal para ouvir queixas e sugestões do cliente, entre outros aspectos" justifica Rubens Meyer, diretor da Nova Mídia em entrevista à revista Gestão Empresarial em 08/99.

O passo realmente sério é aquele que possibilite um ciclo completo de negócios, satisfatório para ambas as partes envolvidas. "A Internet permite que as pequenas empresas exponham os produtos na região, no estado, no país e também no mundo, ampliando os mercados. De qualquer lugar, por menor que seja, você participa de um mercado global. É o princípio da Internet. Tanto faz navegar nos Estados Unidos, Rússia ou China, pois o valor pago é o mesmo. É preciso se preparar para esta demanda, senão o site fica desacreditado", diz o Prof. Manoel Wanderley, diretor da Vetor ISP Informática (revista Internet Business, Ano 2, n.º 22). Esta preparação exige um investimento considerável em atividades de retaguarda, englobando atividades de suporte, de análise de informação, de análise de tendências, de logística, pessoas executando serviços, processando dados, checando pedidos. Qualquer empresa que quiser realizar negócios via Internet terá que desenvolver essa retaguarda, senão correrá o risco de gerar uma enorme demanda e não ser capaz de oferecer respostas devidas, e de gerar os estímulos necessários à expansão do negócio. Hoje, esta estrutura ainda deixa muito a desejar, e-varejistas perdem ao transportar o produto errado, ou para o endereço errado, ou uma variedade de outros erros de realização de produto. Descobrir as falhas e corrigir estes desvios é fundamental para assegurar o sucesso dos negócios on-line. Estes problemas podem ser vistos em nosso dia-a-dia, na utilização deste meio. Os mais diferenciados problemas são discutidos e expostos todos os dias e nos geram as mais diversas dúvidas e medos. Estas resistências reais e naturais ainda são um dos maiores obstáculos a serem vencidos pelas empresas de comércio eletrônico. Afinal, tudo isto no Brasil é muito novo e a facilidade de dar um "click" ainda não nos convenceu inteiramente. A realidade de ganhar dinheiro fácil está vinculada a de perder fácil e não são raros os casos que ouvimos de pessoas que se deram mal se utilizando deste meio.

"E-Business" e "E-Commerce"

Hoje em dia muito se fala em e-business ("electronic business" ou "negócio eletrônico"), que não deve ser confundido com e-commerce ("comércio eletrônico").

O e-business pode ser definido como uma estratégia de inserção da empresa na Internet, visando automatizar suas atividades em diversas áreas, como as comunicações internas e externas, a transmissão de dados, controles internos, treinamento de pessoal, contatos com fornecedores e clientes etc.

O e-commerce - ou comércio eletrônico, por outro lado, é parte integrante do e-business. É a atividade mercantil que, em última análise, vai fazer a conexão eletrônica entre a empresa e o cliente, seguindo a estratégia estabelecida pelo e-business.

Perfil do Consunidor

Para melhor alcançar o seu target (objetivo), tem de conhecer previamente o tipo de consumidor que quer alcançar. Os utilizadores têm gostos diferentes e utilizam a Internet para satisfazer esses mesmos gostos.

Aqui fica um duro teste de e-commerce: Que tipo de cliente online é responsável, em grande parte, por mais de metade das transações da web?

  • Aqueles que procuram pechinchas
  • Fanáticos por conveniência, ou
  • Entusiastas de desporto?

Se apostou no "b", tire o resto do dia de folga. Todos os outros... ouçam com atenção.

Segundo novas pesquisas existem seis categorias distintas de compradores online.

Sem surpresa, alguns segmentos são mais lucrativos que outros. Embora muitos clientes demonstrem características pertencentes a mais do que uma categoria, a informação revela que as lojas virtuais, que não oferecem conveniência como uma característica fundamental, se encontram em grande risco.

Apenas alguns vão sobreviver, no entanto, uma recente pesquisa revela que a maioria dos retalhistas online, não está a ser bem sucedida na tentativa de impressionar os seus clientes, o que sugere que apenas alguns sites irão capturar a maioria das receitas. Considere o seguinte:

  • 88 por cento dos clientes online abandonou o shopping cart pelo menos uma vez durante a época de férias de 1999 (de acordo com a Andersen Consulting).
  • 62 por cento dos sites retalhistas não conseguiu alcançar lucros no ano passado (Boston Consulting Group)
  • 8 por cento dos consumidores online afirma que o volume das suas compras online irá decrescer este ano (Angus Reid Group)

Sendo assim, o que deve fazer uma loja virtual?

Primeiro, conhecer o tipo de consumidor que quer alcançar. A seguir, conquistá-lo ao dar-lhe mais do que ele realmente quer.

Os seis tipos de e-consumidores

De acordo com um novo estudo da Media Metrix e da McKinsey, cada consumidor online cai sob as seguintes categorias:

Simplifiers, os Simplificadores: Consumidores impacientes mas lucrativos. Estes utilizadores da net despendem apenas sete horas por mês online, mas são responsáveis por metade das transações da Internet. Do que gostam: De comprar de forma conveniente e direta através da Internet. Como conquistá-los: Forneça conveniência end-to-end. Prove-lhes que eles irão poupar tempo ao comprar no seu site.

Surfers, os "Navegadores": Passam cerca de 32 por cento do tempo online, realizando quatro vezes mais buscas em páginas, do que outros utilizadores.
Do que gostam?: De novas características e conteúdos. Como conquistá-los: Atualize o seu site constantemente.

Connectors, os "Conectores": Novos na Internet, por isso menos propensos a comprar online. Do que gostam? De marcas tradicionais que já conhecem.
Como conquistá-los: Aposte em programas afiliados com marcas offline fortes. Ofereça salas de bate papo e cartões de felicitações grátis.

Bargain shoppers, os "Compradores de pechinchas": Gostam de pechinchas, têm sentido para bons negócios. Do que gostam: De encontrar os melhores negócios.
Como conquistá-los: Seja competitivo no preço, realize leilões e disponibilize classificados, forneça comparações de preços e envolva-se na comunidade.

Routine followers, os "Seguidores da rotina": Viciados em informação. Utilizam a Internet principalmente pela informação que esta fornece. Do que gostam: De sites financeiros e de notícias. Como conquistá-los: Dê realce às notícias, seja o primeiro com nova informação e ofereça cotações em tempo real.

Sportsters, os Desportistas: Entusiastas de desporto, que vivem para o próximo "gol". Do que gostam: De visitar sites de entretenimento e de desporto. Como conquistá-los: Forneça informação atualizada sobre desportos e celebridades, ajude-os a entrar em contato com outros fãs.

Quem está comprando e vendendo na Internet?

Já falamos sobre o que a Internet, o que é o comércio eletrônico praticado nela e quais os perfis dos consumidores, mas afinal, quem está negociando neste meio?

No Brasil ainda é muito baixo o volume de transações comerciais pela Internet, os americanos, quando iniciou-se este segmento, já tinham o hábito de comprar pelo telefone antes do aparecimento da Internet. Assim, ficou bem mais fácil a adaptação e o volume de transações e valores hoje é altíssimo. No Brasil além de pouco ser comprado por telefone, o próprio computador ainda é um equipamento restrito as classes média, média-alta e alta. Mas algumas empresas já estão tomando a dianteira. Já podemos comprar CDs, livros e diversos artigos pela rede. Alguns supermercados já tornaram disponíveis gôndolas pela Internet. Mas, ainda acontece em sua maioria, as pessoas visitam estas lojas virtuais, escolhem o que querem comprar e depois compram na rua. Mas a tendência de crescimento é muito grande.

Do lado dos comerciantes é imprescindível não esperar para ver se este comércio deslancha ou não. Na era da informática as coisas acontecem muito rápido, em particular na Internet. Se você não se atualizar é bem possível que a rede se transforme numa ameaça para seu negócio. Desta forma pode-se criar uma concorrência invisível, a seus olhos, que derrube seu negócio sem você perceber. A "surpresa" pode, inclusive, vir de outro país. Para rebater esta possível ameaça é melhor aproveitar a oportunidade. A Internet abriu as portas de mercados para o seu negócio que anteriormente nem imaginava. Agora é hora de apostar nestas oportunidades para não ficar para trás depois.

Por enquanto a aposta de grandes empresas ainda tem sido para o futuro conforme disse Ana Maria Diniz, Grupo Pão de Açúcar, 08/03/2000, na revista Veja ano 33 n.º 10 "Acreditamos que a Internet terá uma fatia expressiva no mercado nos próximos quatro ou cinco anos".

Os investidores são os primeiros a reconhecer que a expansão da rede enfrenta obstáculos poderosos no país. A Internet brasileira ainda é incipiente e o comércio eletrônico está dando apenas os primeiros passos.

Segurança "E"

"Confiança é a chave do negócio". Quem já não ouviu falar neste velho ditado? Se não existe confiança na outra parte que vai cumprir o negócio, se essa confiança se rompe, o negócio não se realiza. Independente dos tempos e do meio, a confiança continua a ser a chave.

Na economia tradicional, o contato físico e o jogo prévio servem, fundamentalmente, para avaliar o grau de confiança numa relação comercial, mas na economia virtual isto é muito mais difícil.

A grande preocupação das empresas hoje é implementar medidas de segurança para proteger os intercâmbios de informação com os seus cliente. O grande problema é o medo, bastante razoável, que alguém falsifique a identidade de outro no Internet.

As tecnologias de verificação ou identificação que, mediante uma chave e uma série numérica, denominada "assinatura eletrônica", permitem certificar que tanto a empresa como o seu cliente são quem dizem ser, permitiu atenuar o problema da autenticidade e o medo de fraude, sempre presente entre os cibernautas. Esta assinatura aparece somente de forma criptográfica, ilegível para qualquer outra pessoa, inclusive para quem está vendendo o produto. Com os grandes avanços tecnológicos na área da segurança, indivíduos e empresas tem adquirido uma confiança cada vez maior neste novo processo de pagamento on-line. Prova disto é a forte presença do setor bancário na Internet. Praticamente todos os bancos de médio e grande porte oferecem seus serviços na Internet, transferindo fundos, gerenciando contas, fazendo aplicações ou efetuando um pagamento com grande segurança.

LOGÍSTICA E INTERNET

A Internet e, em particular, o comércio eletrónico foram responsáveis por uma evolução que começa a transformar profundamente, as empresas de transporte e tudo o que se prende com a logística. Na verdade, muitas das mudanças empreendidas por estas empresas não são tão profundas como provavelmente o deveriam ser. O que existe atualmente, é muita promoção de imagem, o que pode ser perigoso para o crescimento do comércio eletrônico a médio prazo, uma vez que a procura exige, na verdade, novos serviços e ferramentas para o espaço online e não uma simples adaptação do existente off-line.

Basicamente, até agora, o comércio eletrônico provocou uma revolução nas empresas de logística, que lançaram grandes campanhas de promoção de imagem, mudaram de nome, criaram associações com outras empresas e procuraram capital para financiar novos investimentos, preparando-se para o boom que estava para chegar. Mas, na verdade, o tipo de serviço, a metodologia e os mecanismos de continuação e controle que as empresas de logística empregam, continuam a ser os mesmos online e no comércio off-line.

Aspectos como a integração dos serviços da empresa com os da empresa cliente, a que solicita que o seu produto seja entregue, o estudo sobre as características do utilizador final, a continuação dos pedidos online, o controle dos estoques, a implementação de meios de pagamento e mais uns pontos que são a alma do sucesso do negócio logístico, simplesmente não foram revistos profundamente para serem adaptados às exigências do e-commerce.

Os problemas não são visíveis durante a procura de serviços por parte dos clientes online, que é moderada, mas sim quando se produzem picos de consumo, como a altura do Natal e outras semelhantes, nas quais os utilizadores realizam muitas compras via Internet, esperando que os seus produtos cheguem sem atrasos. Aí sim, é o caos.

A falta de automação dos processos logísticos torna-se visível e os atrasos nas entregas em paralelo como os problemas de descoordenação na atenção ao cliente final, produzem queixas e descontentamentos que não auxiliam em nada a confiança dos utilizadores nestes serviços.

Um recente estudo da "Arroba Systems" sobre a adaptação das empresas de logística na Internet, evidencia que estas, apesar de conhecerem a importância da sua presença na rede, dão prioridade nos seus sites, aos conteúdos corporativos e à promoção da própria imagem, deixando um pouco de lado a oferta de serviços e soluções online. São poucas as operadoras logísticas que desenvolveram soluções completas de e-commerce que permitem aos clientes e utilizadores finais, encontrar satisfação para as suas exigências. Isto faz com que, para as empresas que procuram um operador logístico para a distribuição dos seus produtos, o trabalho de coordenação de estoques e serviços acabe por ser mais complexo, o qual, sem dúvida influencia a qualidade do serviço recebido pelo utilizador final.

E este utilizador final, segundo o relatório, é exigente e aproxima-se da Internet com grandes expectativas, ou atraído por uma promoção irresistível ou por um preço de um produto que não tem comparação off-line. Mas, além disso, estes utilizadores têm uma grande necessidade de informação e de serviços complementares. Não se trata, pois, simplesmente, de transportar um pacote de um local para o outro.

As empresas que se dedicam ao transporte urgente, têm grandes oportunidades abertas na Internet, não só como fornecedores de serviços de transporte mas também na oferta de informação, no desenvolvimento de serviços simplificados e na criação de soluções integradas de e-commerce que oferecem às empresas cliente.

Muitas delas, no entanto, não estão a aproveitar este potencial, que não só está ao alcance das grandes empresas, como também de uma empresa pequena. Uma pequena média empresa pode beneficiar das vantagens da sua localização e do perfil dos clientes da sua cidade ou da zona de influência, para se posicionar num mercado em franco crescimento.

Conclusões do ponto de vista empresarial

Através desta pesquisa pudemos ver o que é comércio eletrônico e como está começando a se desenvolver no país. O clima que vivemos hoje em dia é o da mais pura expectativa, pois ainda são raros os casos de sucesso verídico.

O despertar do desejo das empresas de participar desse mundo virtual, mágico e potencialmente rentável está simplesmente baseado no sucesso de outros países e outras culturas. As mais arrojadas já estão investindo em soluções de comércio eletrônico, visando ganhar experiência para assumirem a dianteira quando esse mercado de fato estourar.

Por enquanto os resultados não são muito animadores e os investimentos para entrar e manter-se na web ainda superam os ganhos obtidos com as vendas virtuais. Mas se de um lado não há ganhos fantásticos, de outro não há prejuízos. No mínimo a empresa disponibiliza para seus clientes mais um canal de venda, fica mais exposta não apenas no país, mas no mundo todo, porque a Internet não tem fronteiras, e ainda passa uma imagem de vanguarda. E não são apenas as grandes organizações que podem se dar a esse luxo. Pelo contrário. Muitas empresas de pequeno porte que se aventuraram por esse caminho conseguiram obter bons resultados. É claro que não se deve ir com sede ao pote. É preciso ter uma boa noção da realidade. Não basta estar na rede para tornar-se conhecido e obter resultados positivos. Quem vai com muita sede ao pote pode decepcionar-se. "Se a companhia não for bem na web, não tiver serviços diferenciados e de valor agregado, certamente vai Ter problemas dentro e fora da rede", avalia Arlindo Silva, da empresa Attachmate, na revista Internet Business de 06/99. Por isso, o ideal é dar um passo de cada vez. Quem não tem muitos recursos e nem profissionais com conhecimentos razoáveis de informática deve procurar as empresas especializadas em desenvolver sites e lojas virtuais, ou mesmo provedores de acesso à Internet que disponibilizam este tipo de serviço, além de oferecer a hospedagem e consultoria.

O ideal é começar assim, para correr menos riscos. E depois, se os resultados forem bons, a empresa pode partir para construir e gerenciar, ela mesma, a sua loja virtual. O comércio virtual ainda não decolou no Brasil por falta de hábitos que predispõem sua confiabilidade, como pudemos ver no conteúdo deste trabalho.

Conclusões do ponto de vista do consumidor

A explosão do e-commerce no está em um estágio que não depende mais de tecnologia e sim de quebra de barreiras culturais. No Brasil o assunto ainda é abordado muito mais pelo lado da curiosidade do que pelo de negócios. "Os efeitos da Internet ainda são mínimos para a grande maioria da população do país. Embora seja correto afirmar que hoje a Rede é um veículo alcance de qualquer empresa, seria um exagero pensar que ela é um meio democrático disponível para todos", afirma Roberto Stelling, gerente geral para a América Latina da Open Text. Mas é um segmento que tende a crescer significativamente nos próximos anos. As condições geográficas do país estimulam o uso da Internet, embora as condições sócio-econômicas ainda sejam um freio.

Lembremos que até poucos anos atrás o próprio computador era uma realidade distante. Hoje ele já está presente na vida de praticamente todos os profissionais das grandes metrópoles do país. É óbvio que existe ainda uma necessidade obrigatória da popularização deste meio nas classes mais baixas, mas, apesar de muito lentamente, isto já ocorrendo. A própria explosão da informatização está se encarregando disto. A curiosidade e as facilidades proporcionadas pelo computador está praticamente encurralando as pessoas. Isto, aliando a preços mais acessíveis está induzindo a população a este caminho. Estamos percorrendo a uma velocidade que impressiona pois hoje já chegamos ao gigantesco número de quatro milhões de internautas. Se analisarmos então as tendências que as empresas estão prevendo, seremos brevemente um dos maiores mercados de consumidores do planeta web.

A quebra das barreiras para um potencial consumidor eletrônico começa a partir da primeira compra e de como ela se apresentará. Se for rápido, desburocratizado e for entregue "corretamente" no prazo determinado, certamente esta pessoa passará a ser um consumidor em potencial. Portanto, podemos definir que dependerá muito mais do e-comerciante do que do próprio consumidor.

Por se tratar de uma novidade nosso povo está ainda muito desconfiado. E as empresas ainda não oferecem um sonho de estruturas. Não há uma legislação satisfatória e tudo não passa de planos pilotos, ou seja, uma iniciação.

A realidade do comércio eletrônico no Brasil ainda é uma explosão virtual.

Bibliografia
 

COSTA, Eduardo Moreira da. & RIBEIRO, Humberto Luiz. "Comércio Eletrônico". Sebrae,Brasília, D.F.: CNI: Confederação Nacional da Indústria (Brasil) - Instituto Euvaldo Lodi IEL, 1998.

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