Agamenon
Pereira Alves Monografia
apresentada no curso de Organização, Sistemas
e Métodos das Faculdades
Integradas Campos Salles,
sob orientação do Professor Mauro
M. Laruccia (Disponível
na rede desde novembro de 2000)
Introdução O
novo milênio promete mudanças radicais,
principalmente no comportamento social e profissional. Pense
em cinco anos atrás: no que você fazia, quais
eram suas expectativas para o futuro e o que era feito para
tornar seus ideais uma realidade. Possivelmente, todos os
seus projetos não eram muito diferentes do que possa
estar vivendo agora, no entanto, se prestar
atenção nas mudanças externas que
ocorreram dentro desse período, se atentar para as
descobertas tecnológicas e científicas que o
envolveram nesse curto intervalo de tempo, nas facilidades
advindas dessa transformação, irá
perceber o quanto o mundo mudou. Se
pudéssemos tirar uma fotografia desse exato momento
em todas as suas variações, daqui há
mais cinco anos veríamos a intensidade das
transformações que certamente ocorrerão
e que passarão quase que despercebidas; vistas por
nós com naturalidade mas que chocariam qualquer um
que acordasse de um longo sono. As
mudanças não ocorrerão uniformemente,
mas de maneira gradativa e acelerada. O que quer dizer que
dentro dos próximos anos não teremos um mundo
completamente diferente mas com recursos
inimagináveis. Se
colocarmos um sapo numa panela com água quente ele
saltará imediatamente para fora, no entanto, se este
mesmo sapo for colocado numa panela com água fria e
esquentarmos gradativamente, ele morrerá cozido.
É difícil percebemos as mudanças quando
estamos fazendo parte delas e, o que se espera para os
próximos anos, não é um milagre
tecnológico, mas uma revolução em nosso
método de vida, de trabalho, de comportamento social
e de visão do mundo! Tudo
isso se deve a um fator que teve seu início desde a
pré história, no decorrer dos primeiros
contatos sociais; das primeiras trocas, quando os homens que
habitavam este planeta resolveram tentar se comunicar com os
outros. Dessa forma, ainda que não intencionalmente,
acabaram por influenciar hábitos, absorver novas
informações, criar e mudar conceitos. Desde a
pré história o homem vem modelando um processo
irreversível chamado na atualidade de
GLOBALIZAÇÃO. O
que é Globalização Fundamentalmente,
o intuito desse processo é derrubar as fronteiras que
limitam países, pessoas, sociedades...! Globalizar
é reduzir o tempo burocrático, trabalhar de
forma participativa, com parcerias, não importando a
localização geográfica de cada
parceiro, mas sim a sua contribuição para a
afirmação do novo modo de fazer as coisas.
Tudo quanto conhecemos, todos os métodos de trabalho,
de comércio, de ideologias está sendo
transformado (positiva ou negativamente) por esse
processo. Pode-se
dizer que, dentre os muitos fatores influentes, os que mais
se destacam são o nascimento da Internet e os
sofisticados meios de comunicação da
atualidade (A tecnologia da informática aliou-se a
das telecomunicações), que intensificaram as
relações internacionais, aproximou interesses
que norteiam a sociedade tanto nos campos político,
econômico, tecnológico como social (com a queda
das barreiras comerciais). Globalização
também pode ser descrita como condição
atual de participação de qualquer país,
nas profundas mudanças que vêm ocorrendo
mundialmente na produção e consumo de bens e
serviços. Este
fenômeno pode ser visto por dois pontos de vista: como
um grande propulsor no crescimento da economia mundial, ou
como um grande limitador entre países ricos e pobres,
acentuando suas diferenças, considerando as
tendências de formação de Blocos
Econômicos regionais e o fim das barreiras
alfandegárias. Estas
duas tendências transformam radicalmente o ambiente
econômico, aumentando intensamente o comércio
internacional de produtos e obrigando alguns países a
serem ágeis e competentes para se enquadrarem ao
desafio da competitividade global. Um
dos elementos primordiais para as empresas serem
competitivas dentro do mercado mundial é a
automação industrial. Este elemento leva a
muitos pensarem na globalização como uma
grande causadora do desemprego e da conseqüente queda
do consumo, quando no entanto, a automação
gera sim a necessidade de mão de obra tecnicamente
qualificada e elimina setores e/ou funções que
não tenham as capacitações para atender
a essas necessidades, afinal, a disputa acirrada no mercado
por espaço é desencadeada por empresas
multinacionais detentoras de tecnologia de ponta e com
excelentes planejamentos de marketing. "O
conceito de globalização inspira-se numa
interpretação oportunista, primária e
generalizadora da teoria da ´aldeia globalª
exposta pelo professor e sociólogo canadiano Marshall
McLuan. Segundo essa teoria, o desenvolvimento acelerado dos
meios de comunicação social e das tecnologias
de telecomunicação transformam o mundo numa
´aldeia globalª onde todos sabemos de todos
praticamente em tempo real - em direto e ao
vivo. Se
recuarmos alguns anos concluiremos que a insistência
na palavra globalização começou a
notar-se por alturas da Guerra do Golfo, quando todos fomos
prendados com essa maravilha da nossa existência que
foi ´a guerra em diretoª. A punição
exemplar de Saddam Hussein feita pelos justiceiros da
chamada ´comunidade internacionalª teria sido
testemunhada pelos cidadãos do mundo através
da pioneira e benemérita CNN. Uma guerra muito bem
explicada pelos assessores de imprensa do Pentágono,
praticamente sem mortos nem destruição,
animada por feéricas habilidades e, quando
necessário, por efeitos artificiais conseguidos pela
arte dos computadores de última
geração. O
resultado deste primeiro teste da ´aldeia globalª
foi um desastre informativo. Nunca o homem dispôs de
tão sofisticados meios técnicos para cobrir um
acontecimento e raramente terá ficado a conhecer
tão pouco de um conflito de grande
envergadura. A
´guerra em diretoª foi uma grande
ação de propaganda integrada no arranque da
´nova ordem internacionalª, explicada pelo
presidente dos Estados Unidos da América, George
Bush, no discurso proferido a seguir à
rendição do Iraque no Koweit. Foi em 7 de
Março de 1991."(José
Gulão) As
maiores corporações mundiais estão
concentradas nos Estados Unidos, atingindo a marca dos 70%,
enquanto a Europa concentra 26% e o Japão 4%. Desde
96, as multinacionais norte-americanas estão
adquirindo um grande número de empresas japonesas,
coreanas e tailandesas, entre outras, aumentando seu
império, dia a dia. Desta
forma, podemos notar claramente o papel dos EUA no processo
globalizante e a sua importância econômica em
relação ao mundo, ou seja, absorvendo e
influenciando a economia japonesa, européia,
asiática e sul americana, os EUA acabam manipulando o
desenvolvimento, que deveria caminhar em
direção ao livre mercado, ao seu favor mesmo
que seja as custas de intervenções
políticas ou militares. Como conseqüência
desse jogo econômico podemos citar os abalos na
economia brasileira e da Ásia. Até
o advento da primeira Revolução Industrial do
século XVIII, o mundo era constituído de
realidades regionais as mais diversas, as sociedades se
distribuíam na sua infinita diversidade. O advento da
tecnologia industrial passa a unificar os espaços
área a área, de modo que o espaço vai
se padronizando em prejuízo da diversidade da
natureza e do homem, suprimindo a bio homodiversidade. Com a
Segunda Revolução Industrial da virada dos
séculos XIX-XX esta uniformização
atinge a escala planetária. Em
menos de um século, o mundo é então a
globalização da produção, dos
mercados e das culturas que suprime as antigas
regionalidades e a identidade cultural das suas
civilizações, acarretando a
desarrumação sócio-ambiental
conhecida. Luiz
Roberto Lopes (Prof. Do IFCH/UFRG) descreve a
Globalização da seguinte forma: "...implica
uniformização de padrões
econômicos e culturais em âmbito mundial.
Historicamente, ela tem sido indissociável de
conceitos como hegemonia e dominação, da qual
foi, sempre, a inevitável e previsível
conseqüência. O termo globalização
e os que o antecederam, no correr dos tempos, definem-se a
partir de uma verdade mais profunda, isto é, a
apropriação de riquezas do mundo com a
decorrente implantação de sistemas de poder. A
tendência histórica à
globalização - fiquemos com o termo atual -
é um fenômeno que, no Ocidente moderno, tem
suas raízes na era do Renascimento e das Grandes
Navegações, quando a Europa emergiu de seus
casulos feudais. Paralelamente no início da
globalização, traduzida na
europeização da América, tivemos a
criação da imprensa (1455). À
tecnologia que permitiu ao europeu expandir a sua
civilização, correspondeu a tecnologia que lhe
possibilitou expandir a informação. Até
a Revolução Industrial, no entanto, o processo
de globalização foi acanhado - pouco afetou
Ásia e África. Resultava mecanismos
predatórios e ainda incipientes da
apropriação. Com a Revolução
Industrial e a liberação do Capitalismo para
suas plenas possibilidades de expansão, a
globalização deu um salto qualitativo e
significativo." O
Capitalismo tem como características fundamentais a
apropriação e a expansão. A
ampliação dos espaços de lucro conduziu
à globalização. O mundo passou a ser
visto como uma referência para obtenção
de mercados, locais de investimento e fontes de
matérias-primas. A globalização foi
também o espaço para o exercício de
rivalidades inter-capitalistas, gerando enormes conflitos,
como por exemplo as duas guerras mundiais. A miséria
social continua à margem do planejamento estrutural,
pois não existe abordagens racionais ou projetos
alternativos para ela. Quanto a classe trabalhadora, ou
está excluída do processo ou foi absorvida
pelo setor de serviços em uma economia fluida que
não permite a formação de uma
consciência de classe. A Nova Ordem gera
insegurança. Temos uma forte tendência ao
isolamento. A exclusão social reforça a
idéia da humanidade descartável, manipulada
por informações lançadas no intuito de
favorecer aos que controlam a economia global. Se
na teoria, globalização representaria a
interação; a troca; a parceria, na
prática ocorre a imposição sutil da
hegemonia ideológica das elites criando uma imagem de
mundo heterogêneo, controlando a economia, os
negócios, criando regras que permitam ou viabilizem a
expansão do império capitalista. A
imagem é de um planeta altamente desenvolvido, com
imensos recursos tecnológicos e uma tendência a
tornar-se uma "aldeia global". Na verdade o que temos
é a exclusão da maioria, tratando-se de
países ou pessoas, grupos ou sociedades inteiras.
Muitos tem confundido o processo Globalização
com alguns mecanismos deste processo. O fato de se ter um
micro computador em casa ligado à Internet e fazer
compras On line ou ter as últimas notícias do
mundo bem "fresquinhas" não significa que estamos
decidindo pelo futuro mundial, estamos participando do
processo, mas na maioria das vezes de forma passiva.
Portanto, não adianta exaltar as conquistas
tecnológicas crescentes - importa questionar a que, a
quem e de que maneira elas servem. Além
da exclusão social, temos uma forte tendência
ao isolamento, ao individualismo narcisístico, a
idéia da humanidade descartável, que
reforça ainda mais a idéia do
transitório, do modismo. A manipulação
das informações para favorecer aos que
controlam a economia global não tem
limites. A
globalização da informação a
serviço do interesse de minorias, difundindo e
beneficiando modas e o consumo rápido do em que, ao
consumo de massas, sucedeu a ênfase no consumo
seletivo de bens descartáveis, impondo padrões
uniformes de cultura, valores e comportamentos. Alguns
fatos cruciais que acabaram por influenciar de forma
decisiva no processo de globalização
foram: A
Globalização sob o ponto de vista
político: Por
muito tempo, acreditou-se que os fenômenos sociais de
intercâmbio (relações de comércio
e trocas) entre países eram estabelecidos e regidos
por uma poderosa origem conspiratória chamada "teoria
da conspiração", no sentido de que algumas
(duas ou três) pessoas estariam se reunindo em algum
lugar, decidindo os rumos e definições
políticas, econômicas e financeiras do
mundo. No
entanto, o processo do sistema capitalista internacional
independe de uma vontade localizada ou individual, pois
trata-se de um processo evolutivo, onde os avanços
são gradativos e a qualidade dessas
relações estreitam cada vez mais o mercado
entre países. Surgem
os blocos econômicos, unindo esforços de
vários países marcando a Nova Ordem Mundial,
encerrando de uma vez a bipolarização
preexistente (de um lado a União Soviética, do
outro os EUA) e consolidando a
multipolarização &endash; divisão do
poder entre alguns grandes blocos econômicos
(União Européia, NAFTA e o Mercosul), tendo
como efeito colateral a marginalização dos
países pobres. A
abertura comercial é um fato gerador do desemprego,
pois a penetração das
importações extinguem os mercados cativos
criados pelo protecionismo. As atividades econômicas
dos próximos anos estão condicionadas ao
desempenho dos comportamentos
macroeconômicos. A
década de 90 foi marcada pela crescente hegemonia do
ideário neoliberal como modelo de ajuste estrutural
das economias e pela afirmação do
domínio político e militar dos EUA, com o fim
da guerra fria e o colapso do chamado socialismo. Esse
movimento foi acompanhado pela evolução de
novos conceitos no mundo do trabalho (qualidade,
produtividade, terceirização, reengenharia,
etc.), como resultado do desenvolvimento e da
introdução de novas tecnologias na
produção e na administração
empresarial, com agravamento da exclusão social e
crescimento da apropriação de
riquezas. "Para
cada vantagem da globalização se encontra
associado um possível risco, define que o processo
globalizante tem custos definidos, que se distribuem
de forma desequilibrada , e que estes processos
convivem e interagem de forma ambígua, tendo seu lado
positivo e suas faces escuras. No mesmo artigo, argumenta
que promovem-se hoje a expansão dos fluxos
financeiros, a internacionalização da
produção, o estabelecimento de novas
estruturas produtivas com apreciáveis ganhos de
produtividade, a revisão das vantagens comparativas
entre as nações, a descoberta de novos
horizontes de comércio e consumo, a mudança do
papel do Estado etc. Constitui-se, pois, uma nova ordem
econômica e, até certo ponto,
política." (Sardenberg, artigo
Globalização Verdadeira ou Falsa?, Jornal
Correio Brasiliense, 26/04/96). A
globalização surgiu de forma inesperada e
descontrolada. Tem causado desemprego em certos
países, desafia o poder tradicional dos governos e
passa para as pessoas a sensação de que o
mundo se transformou num ambiente selvagem, do dia para a
noite. Por mais que os estudiosos apresentem argumentos
favoráveis a essa mutação
econômica, a imagem que ela tem é a dos saques
da Indonésia, dos desempregados na Europa e das
empresas fechadas na Argentina. A pergunta bastante
razoável que se pode fazer é: para que serve
esse processo se ele sacrifica pessoas e subtrai poder de
governos que são eleitos pelo povo? A
ampliação do poder das multinacionais tem
promovido uma concorrência perversa entre os Estados.
A globalização financeira tem limitado a
capacidade dos Estados nacionais de promoverem
políticas expansionistas sob o risco de serem
submetidos à exclusão do mercado mundial de
capitais e aos ataques especulativos de suas moedas, com
graves conseqüências para a
estabilização. Essa
forma de globalização favorece os
países que concentram maior poder econômico e
diminui a autonomia política e decisória dos
Estados, que, adotando uma inserção
subordinada à lógica da "Nova Ordem Mundial"
passam a reduzir impostos de importação,
atacar conquistas sociais e sindicais e submeter suas
políticas e legislações aos interesses
dos países centrais. "Um
Estado desses torna-se muito dependente dos investimentos
privados e começa a fazer o que as empresas quiserem
para não perder força econômica. Vira
uma relação desigual , em que o mercado tem
todas as fichas na mão. Em última
instância, isso acaba afetando a confiança na
democracia. As pessoas se perguntam então para que
serve a democracia se as decisões estão sendo
tomadas onde não temos influência ." Claus
Offe, sociólogo alemão Embora
os impactos sociais sejam semelhantes em escala mundial,
são os países da África, América
Latina e do Leste europeu que sofrem de forma aguda e
acelerada as conseqüências dos programas de
ajustamento econômicos neoliberais do FMI e do Banco
Mundial, agravando a pobreza e levando a miséria e o
desespero para extensas camadas sociais A
Repercussão Na Economia As
repercussões no nível mercantil dentro do
Mercosul trazem efeitos a economia que atingem
indistintamente tanto a empresa que pretende
internacionalizar-se, quanto aquela que opta por uma
ação doméstica, trazendo vantagens e
benefícios inquestionáveis: maior poder de
negociação com os demais blocos ou
países; níveis de produção que
permitem economias de escala; maior oferta de bens e
serviços para a sociedade em geral; aprimoramento da
qualidade dos produtos e serviços;
redução considerável de custos de
transportes e comunicações, além do
aval das relações políticas,
comerciais, científicas, acadêmicas, culturais
e sociais dos países-membros. Afirma
Trevisan que "por mais que as fronteiras dos mercados tenham
ruído, os norte-americanos não hesitaram em
taxar os produtos chineses, ao primeiro sinal de
ameaça à sua economia
doméstica". Podemos
perceber que o processo de Globalização
não é um caminho de mão-dupla como os
Estados Unidos, Japão e CEE querem demonstrar.
Caso os benefícios sigam em direção
contrária à planejada, medidas
antiglobalizantes são tomadas, com a justificativa de
não explorar o trabalho de crianças, de
agressões aos direitos humanos, de
devastação das reservas florestais, ou
qualquer outro com apelo popular forte o bastante para
disfarçar as reais intenções.
Sandenberg afirma que "a
Globalização não permite expectativas
de automatismo ou o inquietismo político",
Trevisan diz "A Globalização provocou
um surto de técnicas de gestão empresarial que
fizeram mais mal do que bem numa cultura como a nossa. O
brasileiro é emotivo, trabalha com o
coração, desenvolve laços com seus
companheiros e admira seu chefe. Na ânsia de
corresponder ao novo perfil de empresa preconizado pelas
relações do novo mercado, mais frias e
impessoais, a empresa nacional perdeu sua alma. Na sua linha
de produção, ela tem a passista da escola de
samba, o presidente do time de futebol do bairro, o chefe da
liga dos Vicentinos. Demita-se um deles e estar-se-á
destruindo uma cadeia de organização informal
que é o lastro da empresa brasileira" (Trevisan,
artigo O lado amargo da globalização, sem
referência ao órgão de
publicação, 20/06/96). A
globalização excludente (forma atual do
sistema capitalista como o conhecemos) arrisca-se a cair em
um buraco negro por ela própria criado, qual seja: a
plena saturação da demanda nas áreas de
riqueza e de inexistência de demanda no mundo
excluído (pobre). A coexistência da
abundância e da miséria globais não
é uma coisa atraente, merecendo análises
aprofundadas da humanidade como um todo, visando evitar
guerras e conflitos de proporções
mundiais. Para
a criação desta ética da solidariedade,
serão necessários inúmeros e amplos
programas e esforços concentrados em busca da
mudança de mentalidades e da obtenção
de resultados, demandando um longo tempo; porém, cabe
a nós mesmos iniciar e promover estes programas e
esforços, reafirmando a máxima chinesa que diz
que as mais longas caminhadas começam sempre com o
primeiro passo. Há
um grande risco de uma derrocada financeira em todo o mundo,
principalmente em virtude da ausência de uma
regulamentação pública eficaz sobre as
instituições financeiras e as principais
bolsas de valores. A nova ordem financeira sobrevive de
baixos salários e da pilhagem do meio
ambiente. Um
dos maiores riscos da passividade (destacado também
por Chossudovsky) é a insolvência do Estado, a
falta de liquidez e a falta de perspectiva de
adequação entre os gastos públicos e
sua arrecadação. Com
exemplos claros e lógicos, esse autor destaca que as
empresas de grande porte (normalmente multinacionais ou
transnacionais) exigem isenções fiscais de
grande monta para se instalarem em determinadas
regiões do globo, alegando que sua
instalação gerará empregos e impostos
futuros, minimizando os problemas de falta de empregos. O
Estado, pobre iludido, oferece incentivos
astronômicos, realizando verdadeiros leilões
para angariar o desenvolvimento para sua
região. Ao pesar o resultado, verifica-se que a
quantidade de empregos gerada não supre a
ausência de impostos e a necessidade de investimentos
de infra-estrutura, tanto para a empresa quanto para os
operários desta, tem que sair de algum lugar.
Normalmente este lugar é o Banco Mundial, que aumenta
ainda mais o déficit do Estado, formando um ciclo
vicioso praticamente impossível de
combater. Sardenberg,
que diz: Diante dos fatos econômicos, torna-se
insustentável o estilo autárquico de
desenvolvimento. Esta circunstância, porém,
não esgota a ação estratégica do
Estado ou a participação internacional do
País. Cabe adotar políticas próprias,
inclusive no nível regional, para conter ou compensar
os efeitos desorganizadores que advêm do processo de
globalização. Bastaria lembrar, a
propósito, a avassaladora importância que vai
tomando o tratamento dos problemas de emprego e de
exclusão social. A esta altura, marginalizar-se seria
erro incompreensível e doloroso. Para atrair novos
investimentos, é necessário manter um ambiente
político, jurídico e econômico
estável, que garanta condições de
viabilidade e previsibilidade nos negócios. Na luta
pela prosperidade, a inserção eficiente do
Governo e a sociedade deverão acelerar a
formulação de um projeto nacional capaz de
responder aos desafios de longo prazo da nova etapa da
evolução do sistema capitalista mundial e da
organização da sociedade internacional
(Sardenberg, artigo Globalização Verdadeira ou
Falsa?, Jornal Correio Brasiliense, 26/04/96). A
realidade do processo de globalização é
a característica excludente. Tal fato gerará
repercussões no mínimo preocupantes, posto que
os excluídos reagirão com as armas de que
dispõem para reverter o quadro imposto pelas
economias estruturadas. O
processo é preocupante devido ao fato de participar
ou não participar. As perspectivas de
não-participação causam dúvidas
sobre possibilidade de ingresso futuro ou de exclusão
total e irreversível. Com
tal cenário, pode-se concluir que é
necessária a participação no processo,
porém, de forma a equacionar os benefícios
gerados com os custos decorridos. Essa alternativa
também é excludente, mas minimiza as
distorções geradas com a
liberalização integral e irrestrita proposta
pelos países mais estruturados economicamente e pelas
instituições transnacionais de grande
porte. Deixadas
ao livre sabor dos movimentos econômicos de capital,
as alternativas de desenvolvimento serão sempre
concentradoras em níveis alarmantes, gerando uma
predisposição ao conflito armado, seja entre
nações ou internamente, desestruturando
completamente qualquer Estado ou tentativa de
unificação. Simplificando, seria o caos. O
fator tempo, neste caso, seria um determinante para a
eclosão destes conflitos e a total
segregação entre pessoas com altíssimo
nível de vida e pessoas desprovidas de perspectivas
de sobrevivência a médio prazo, eliminando as
chamadas "classes médias". "Tudo
indica que esgotou-se o tempo das grandes
simplificações políticas e
econômicas. Surge uma visão mais complexa e
mais rica de articulação de Estado, empresa e
sociedade civil, em torno de objetivos simultaneamente
sociais, econômicos e ambientais. Enfrentamos uma
modernidade tecnológica revolucionária em
todos os aspectos, mas continuamos presos a um lastro de
barbárie política e econômica que tudo
deforma." (1999, Revista Unicsul, pág.
69) Um
volume crescente de capital acumulado é destinado
à especulação propiciada pela
desregulamentação dos mercados financeiros.
Nos últimos quinze anos o crescimento da esfera
financeira foi superior aos índices de crescimento
dos investimentos, do PIB e do comércio exterior dos
países desenvolvidos. Isto significa que, num
contexto de desemprego crescente, miséria e
exclusão social, um volume cada vez maior do capital
produtivo é destinado à
especulação. O
setor financeiro passou a gozar de grande autonomia em
relação aos bancos centrais e
instituições oficiais, ampliando o seu
controle sobre o setor produtivo. Fundos de pensão e
de seguros passaram a operar nesses mercados sem a
intermediação das instituições
financeiras oficiais. O avanço das
telecomunicações e da informática
aumentou a capacidade dos investidores realizarem
transações em nível global. Cerca de
1,5 trilhão de dólares percorre as principais
praças financeiras do planeta nas 24 horas do dia.
Isso corresponde ao volume do comércio internacional
em um ano. Da
noite para o dia esses capitais voláteis podem fugir
de um país para outro, produzindo imensos
desequilíbrios financeiros e instabilidade
política. A crise mexicana de 94/95 revelou as
conseqüências da desregulamentação
financeira para os chamados mercados emergentes. Foram
necessários empréstimos da ordem de 38
bilhões de dólares para que os EUA e o FMI
evitassem a falência do Estado mexicano e o
início de uma crise em cadeia do sistema financeiro
internacional. Ao
sair em socorro dos especuladores, o governo dos Estados
Unidos demonstrou quem são os seus verdadeiros
parceiros no Nafta. Sob a forma da recessão, do
desemprego e do arrocho dos salários, os
trabalhadores mexicanos prosseguem pagando a conta dessa
aventura. Nos períodos "normais" a
transferência de riquezas para o setor financeiro se
dá por meio do serviço da dívida
pública, através da qual uma parte substancial
dos orçamentos públicos são destinados
para o pagamento das dívidas contraídas junto
aos especuladores. O governo FHC destinou para o pagamento
de juros da dívida pública um pouco mais de 20
bilhões de dólares em 96. Referências
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Flávio
Luís Antonio
Sandra
Regina A. R. Rigoti