Água na Cidade de São Paulo

Letícia Angélica Guerra
Maria Cláudia da Silva
Marilene Simplício Matos

Monografia apresentada no curso de Organização, Sistemas e Métodos das Faculdades Integradas Campos Salles, sob orientação do Professor Mauro M. Laruccia

(Disponível na rede desde novembro de 2000) 


Introdução

As mais belas imagens, aquelas que são agradáveis aos olhos, um convite ao relaxamento, sempre tem a água em sua composição: o mar, as cachoeiras, o rio espelhado, a chuva e o orvalho.

A vida se originou na água que na fase líquida, é essencial à vida, porque sem ela, as reações vitais seriam impossíveis. No corpo humano, como nos animais em geral, a água desempenha apenas um papel estrutural, como componente obrigatório das células; ela tem um papel relevante como veículos, no transporte de substancias dissolvidas para dentro e fora do organismo e de todos os órgãos. Pela sua extraordinária capacidade de dissolver substâncias e pela sua grande mobilidade, a água exerce importantes funções como elemento principal no sangue e na seiva das plantas..

No homem, a água total corresponde a cerca de 60 a 70% do peso do corpo. O balanço hídrico diário comporta perdas cutâneas e pulmonares, perdas urinárias e perdas fecais. Essa perda tem que ser compensada pela água alimentar. Além de bebê-la diretamente, obtém-se através de alimentos.

O volume da água existente na Terra é de 1.360 milhões de km3, dos quais 95,5% são águas salgadas e 2,2% estão imobilizados nas calotas polares e nas geleiras. Restam, portanto, 2,3% de água doce utilizável, incluindo aquela dos lagos, cursos de água e da atmosfera, mas sobretudo a água doce do solo e subsolo. O volume anual das precipitações, supera 500.000 km3, dos quais 100.000km3 caem sobre os continentes. Deste último total, entre 10 e 15% infiltram-se no solo; mais da metade se evapora; cerca de um terço atinge os lagos ou os rios e eqüivale praticamente aos recursos hídricos utilizáveis. A população mundial quadruplicou desde 1900, mas o consumo de água, no mesmo período, aumentou quase dez vezes. Esse consumo contudo, não representa mais de 105% dos recursos disponíveis.

O aspecto de água doce é de grande diversidade biológica. Impõe-se uma grande distinção entre águas correntes e águas estagnadas.

As águas correntes podem ser invadidas, a partir dos estuários, por espécies marinhas capazes de vencer a correnteza e atingir as regiões das quedas das nascentes.

As águas estagnadas formam um meio descontínuo, povoado, sobretudo de espécies de origem terrestre.

Água potável é aquela que atende aos requisitos mínimos físicos, químicos e bacteriológicos legalmente estabelecidos para ser bebida. No Brasil ,a água potável deve ser inodora, insípida e incolor; ter pelo menos 70 mg de sais minerais por litro e no máximo 500mg por litro; ter reduzidíssima quantidade de nitratos e nada de amônio; não deve conter mais de 12 bacilos coliformes por litro. As águas de consumo são captadas seja em lençóis subterrâneos e profundos, ao abrigo da população, seja em rios e lagos artificiais ou naturais. Quando o lençol aflora, sob a forma de mananciais, em uma encosta ou no fundo de um vale, a água é recolhida em galerias ou câmaras de captação de alvenaria permeável, de onde é conduzida por bombeamento. Na falta de mananciais, construem-se poços de alvenaria que alcançam a camada impermeável sobre a qual se situa o lençol em que estão apoiados em uma base de materiais permeáveis. A coluna desses poços deve ser impermeável até a sua base, para evitar infiltrações de águas freqüentemente poluídas proveniente da superfície ou do lençol freático atravessado. Nas captassem em lago ou rio, o processo deve efetuar-se acima das aglomerações, de modo a evitar essas descargas nociva dos esgotos. Essa água tem de ser tratada antes de ser entregue ao consumo. O tratamento completo da água comporta a eliminação das matérias em suspensão, coloidais ou não, e dos micropoluentes,, compostos julgados perigosos ou desagradáveis, mesmo em quantidade reduzida (metais pesados compostos organoclorados, pesticidas, hidrocarbonetos). Após um pré tratamento mecânico (gradeamento), que retira os corpos mais volumosos, a água é levada para tanques de floculação. Injeta-se um reagente (coagulante) que tem a propriedade de fazes cessar o estado coloidal das matérias m suspensão; em seguida a água é agitada lentamente para permitir que as partículas se juntem sob a forma de flocos, que carregaram,, ao se depositarem, as outras partículas em suspensão. A água é, a seguir, aos filtros (em geral de areia).. Pode ocorrer eventualmente tratamento adicional destinado a eliminar a cor, os gostos desagradáveis ou micripoluentes. Deve-se, por fim. Cuidar do equilíbrio de calcário e gás carbônico. A proporção de calcário deve ser suficiente para favorecer a formação de um leve filme protetor nas canalizações. Se for muito elevada (água demasiado dura), há riscos de ocorrências de incrustações e depósitos excessivos; se muito baixa (água demasiado branda), a água é agressiva e os riscos de corrosão aumentam. Em maior ou menor escala, todas as áreas urbanas precisam adotar medidas de saneamento básico. Elas são fundamentais para as condições de sobrevivência e de bem estar social, principalmente nos grandes aglomerados humanos. As principais medidas estão relacionadas com a rede de água e esgotos e com o destino do lixo e dos resíduos industriais.

Nos grandes centros é fundamental o tratamento do esgoto, antes de devolvê-lo ao ambiente natural. Os esgotos domésticos devem ter um destino apropriado. Para tanto, além de uma rede bem ampla, que sirva toda a área urbana, os esgotos devem passar pôr estações de tratamento. Tais estações tem por finalidade reduzir o impacto que os dejetos causam nas regiões de despejo, como rios e mar.

Mais atenção merecem os dejetos industriais, tanto os despejados nos rios quanto os lançados na atmosfera. Em geral, os resíduos industriais são muito tóxicos e acumulam-se com rapidez no ambiente, podendo fazer parte das cadeias alimentares.

Na capital de São Paulo é difícil hoje imaginar como era hidrograficamente, mas se nos deslocarmos para algumas cidades do interior do estado ou para áreas preservadas, observamos que estamos numa região cortada em toda a sua extensão de nascentes, córregos e rios, alem de lagos e lagoas de todas as proporções, ainda é comum na periferia as pessoas cavarem poços e em algumas regiões apenas a um metro se alcança um lençol freático. As sugestões dos nomes de ruas, vilas e bairros confirmam a situação, como por exemplo: Jardim Cachoeira, Rua da Bica, Rua Três Rios, Bairros: Água Branca, Água Funda, Água Rasa, Rio Pequeno, Rio Grande, entre outros.

A água, quando mal utilizada, escasseia em várias regiões cidade torna-se poluída e contaminada com resíduos industriais, domésticos e com agrotóxicos. Na cidade de São Paulo, os rios e mananciais são os principais fornecedores de água mas ,devido a degradação do meio ambiente , que é o resultado de alterações introduzidas no ambiente pela atividade humana.. Há algumas dezenas de anos, essas modificações eram limitadas as áreas mais densamente povoadas, mas atualmente atingem quase toda a biosfera.

Um dos principais responsáveis pela degradação ambiental é o acúmulo de resíduos ou lixo. A necessidade cada vez maior de consumir obriga o homem a produzir continuamente novos bens. Isso leva a um processo crescente de industrialização em todo o mundo, e em conseqüência, a um aumento das sobras e dos detritos.

Outro fator que contribui para a degradação ambiental é a explosão demográfica. O crescimento exagerado da população exige cada vez mais áreas urbanizadas, industrializadas e modificadas por causa das necessidades humanas. A exigência por alimentos, por exemplo, torna-se cada vez maior, mas as áreas cultiváveis são limitadas.. Ocorre, então, uma intensificação da agricultura nas áreas de cultivo. As praticas e técnicas que aumentam a produção geralmente agridem e degredam o ambiente.

Problema

Como a cidade de São Paulo está atuando para minimizar os efeitos da escassez de água potável ?

Garantir a qualidade da água que chega aos lares, indústrias , hospitais é o grande desafio para o próximo milênio , milhões de reais são gastos em aperfeiçoamento das técnicas de tratamento e purificação das águas nas estações de tratamento ,pois estas tem limites, quanto mais poluída chega a água mais difícil torna-se sua recuperação, na despoluição dos rios principalmente do Tietê, e na manutenção e conserto das tubulações que levam a água para as cidades.

Muitos estudos estão sendo realizados no sentido de solucionar este problema, visto que a água do planeta Terra é um recurso limitado, ela não diminui , mas também não aumenta sua quantidade.

Justificativa

A água vem sendo causa de grande disputa entre as grandes organizações mundiais. Provavelmente, as guerras no próximo século, seja pelo domínio deste importante recurso e não por causa do controle político.

Em muitas partes do mundo, já se enfrenta o problema da escassez, como é o caso da África e China, devido à sua grande população

É perceptível que o que preocupa não é a falta de água no mundo, mas o bastecimento de água nas grandes cidades e áreas industriais, ao fornecimento de água para a irrigação, fatores que as vezes são associados a períodos longos de estiagem como o que enfrentamos este ano durante os meses de maio a agosto no interior e na capital paulista.

Hipóteses

Nas necessidades humanas nos tempos atuais, caracterizados pela grande concentração demográfica e pela intensa atividade industrial do homem no sentido de transformar natureza para seu proveito. Poderíamos contestar a validade da consideração da água para o consumo humano como produto industrializado.

A degradação ambiental resulta de alterações introduzidas no ambiente pela atividade humana. Há algumas dezenas de anos, essas modificações eram limitadas as áreas mais densamente povoadas, mas atualmente atingem quase toda a biosfera.

Um dos principais responsáveis pela degradação ambiental é o acúmulo de resíduos ou lixo. A necessidade cada vez maior de consumir obriga o homem a produzir continuamente novos bens. Isso leva a um processo crescente de industrialização em todo o mundo, e em conseqüência, a um aumento das sobras e dos detritos.

A urbanização desordenada, na capital paulistana, traz como resultado as grandes inundações e enchentes provocada principalmente pela impermeabilização do solo e construções em leitos drenados de bacias e várzeas de rios. Os grandes rios que cortam a cidade, como o Tietê, Tamanduateí e Pinheiros acumulam cada vez mais sujeira, proveniente de lixo sólido nos seus leitos dificultando a vazão das águas.

É salutar que a solução de algumas questões só será possível através de uma grande e conseqüente alteração sócio-cultural. As populações deslocam-se, por questões sociais, para as periferias das grandes cidades, em São Paulo são áreas de mananciais e de preservação ambiental. A ocupação não respeita nenhum limite da natureza, é comum ver árvores centenárias de madeira nobre sendo derrubadas para a construção de moradias, sem planejamento é impossível delimitar ruas e/ou passagens que permitam a instalação de infra estrutura, como rede de água e de esgoto.

Consciente deste problema, a SABESP, principal fornecedora dos recursos hídricos da cidade de São Paulo, através de modernos métodos de filtragem e purificação, trata e reutiliza toda a água consumida.

Evitar o desperdício através de campanhas publicitárias, de conscientização da população, racionalização do uso da água e programas de proteção aos mananciais são grandes desafios da SABESP para equalizar o problema da escassez.

Concertar vazamentos, racionalizar o uso, mudando os hábitos da população são fundamentais na luta contra o desperdício para solucionar o grande desafio deste século e garantir água a todos.

Metodologia

A questão trata de um assunto atual e pouco discutido nos meios de comunicação em massa, mas qualquer indivíduo sabe dos problemas que a falta de água nos causa.

Como metodologia de evidenciação e de aplicação desse conjunto de conclusões importantes no caso da água para consumo humano, cada conclusão será seguida de comentários relativos à sua aplicação a esse produto industrial e todo o uso de uma bibliografia selecionada, livros, vídeos, palestras e a nossa principal e grande fonte, a SABESP, por constituírem técnicas e recomendações já consagradas e confiáveis.

Conteúdo

A primeira característica que se exige da água de consumo humano ou para desenvolvimento da maioria das suas atividades econômicas, é que ela seja pouco salina ou doce. O critério mundial de classificação das águas da Terra, considera como Água Doce (Fresh Water) aquela que tem teor de sólidos totais dissolvidos (STD) igual ou inferior a 1000 mg/L. Vale salientar que a classificação ambiental das águas do território brasileiro (Conama 20/86) designa de água doce aquela que tem salinidade igual ou inferior a 500 mg/L.

A segunda característica que se exige da água doce de beber é que tenha propriedades físicas, bacteriológicas e radiativas adequadas à saúde. Os valores máximos permitidos - VMP - dos parâmetros que definem essas propriedades são estabelecidos pelos padrões de potabilidade, os quais levam em conta os hábitos de higiene, a vida média dos indivíduos, o seu peso, condições ambientais, dentre outros fatores.

Desta forma, os padrões de potabilidade da água variam de país para país ou de região para região econômica ou climática, tanto em relação a gama dos constituintes que são considerados, quanto dos seus respectivos valores máximos permitidos - VMP. Portanto, o conceito de água limpa de beber deverá ser definido em relação ao padrão de potabilidade vigente no país ou região em apreço.

Vale mencionar que o rápido desenvolvimento tecnológico dos meios analíticos vem possibilitando a determinação de um número cada vez maior de constituintes dissolvidos na água e a obtenção de limites de detecção cada vez mais baixos. O atendimento de tais padrões implica na importação de equipamentos ou na compra de serviços cada vez mais sofisticados. Como resultado, padrões de qualidade e limites analíticos, vem sendo impostos pelo mercado global, como fator competitivo aos países de economias emergentes.

Esta situação vem engendrando uma verdadeira paranóica sobre os riscos de escassez quantitativa ou qualitativa da água de beber, muito embora quase nada venha sendo feito nos países em condições mais críticas, para reduzir os desperdícios e os níveis de degradação da qualidade das suas águas. O quadro atinge um nível tão vexatório que a Unesco, órgão das Nações Unidas, lançou este ano o programa Ética e Sociedade destacando-se o Grupo de Trabalho Ética e Água.

A água doce não tem, evidentemente, o valor do petróleo: ela é muito mais valiosa, na medida que é indispensável à vida e à maioria das atividades humanas. O paradoxo é que a água é muito pouco valorada, sendo, regra geral, considerada até recentemente, como um bem livre, isto é, sem valor de mercado. Parte desta situação decorre do fato de a água doce ser, relativamente, abundante no mundo desenvolvido, comparativamente mais acessível, numa certa medida, renovável através do ciclo hidrológico.

Por outro lado, as indústrias, empresas de irrigação ou agropecuária e de abastecimento de água estatais ou privadas e demais atividades econômicas de maior porte, não pagam pela água que usam, mas tão somente os custos da sua capitação ou do seu fornecimento.

A lei 9.433, de janeiro de 1997, estabeleceu o preceito do usuário pagador no Brasil, já amplamente praticado desde a década de 60 em muitos dos países mais desenvolvidos do mundo industrializado. Segundo esse preceito, qualquer atividade econômica - industriais, irrigantes, companhias públicas ou privadas de abastecimento, clubes esportivos ou de lazer, centros hoteleiros, spa´s e similares - só poderá capturar água num rio, riacho, poço, represa, canal, lago/lagoa, nascente ou de qualquer tipo de manancial natural ou construído peço poder público ou privado mediante pagamento pelo volume de água extraído.

Este instrumento tem, fundamentalmente um grande alcance como forma de valorização da água como um recurso natural finito, relativamente renovável de importância vital e fator competitivo do mercado global. O primeiro resultado desta prática é que logo se percebe quanto desperdiçar água - tanto em termos quantitativos como qualitativos - significa maiores custos que afetam a competitividade e a imagem da empresa no mercado global.

A experiência mostra, ainda, que a cobrança de um montante financeiro pelo uso da água, mesmo que simbólico, comparativamente ao investimento total realizado, leva a sua inclusão numa planilha de custos e a percepção de que desperdiçar água significa desperdiçar dinheiro.

Por sua vez, a relação Produto Interno Bruto (GNP, na língua inglesa) per capita (mil dólares) versus taxas de consumo anual per capita de água na indústria por exemplo, indica uma sensível queda das taxas de consumo de água quando esse GNP per capita atinge entre US$ 600 e US$ 1.000. No caso de consumo doméstico, o ponto de mudança situa-se num GNP da ordem US$ 2.000 per capita.

Este comportamento é interpretado como resultante da maior valorização que as pessoas e organizações dão a água, na medida em que se tornam mais ricas.

Efetivamente rico tem dinheiro para ganhar dinheiro; pobre é que tem dinheiro para gastar. Para o rico, desperdiçar água já significa desperdiçar dinheiro, enquanto que para o pobre desperdiçar dinheiro ou água significa regra geral parecer rico.

No conjunto de países de dimensões continentais, do qual fazem parte o Canadá, estados Unidos da América, China e Austrália, o Brasil é o único de clima tropical úmido dominante. Efetivamente, tem-se condições ambientais de clima tropical úmido em mais de 80% do seu território, 7% situam-se abaixo do Trópico de Capricórnio e apenas sobre cerca de 10% de sua área tem-se clima tropical semi-árido.

Neste quadro, mais de 90% do território brasileiro recebem, de forma relativamente regular, uma abundante quantidade de chuva (entre 1.000 e 3.000 mm/ano). Apenas na sua zona semi-árida chove entre 500 e 800 mm/anos, porém, de forma comparativamente muito irregular, resultando em déficit freqüente de água para desenvolvimento de atividades agrícolas de subsistência. Essa irregularidade pluviométrica associada a um quadro hidrogeológico pouco favorável ao armazenamento subterrâneo de água, engendra secas que afetam a parcela da população que, mesmo em anos de chuvas normais, já vive nos limites da sobrevivência.

Não obstante, uma avaliação dos potenciais de água doce das nações revela que o Brasil, com 5600 km3/ano, ocupa o primeiro lugar entre os países mais ricos de água doce. As descargas de água doce dos rios do Brasil correspondem a 54% do total referente à América do Sul (10377 km3/ano) e, aproximadamente, 14% do total mundial (40673 km3/ano).

Tendo-se por base a população atual, da ordem de 157 milhões de habitantes, as descargas de seus rios representam um potencial de cerca de 5 mm3/hab/ano. Além disso, as nossas reservas de águas subterrâneas, estimadas em 112000 km3, têm uma taxa explorável da ordem de 5000 m3/hab/ano.

A análise do problema de água em 146 países, levou as Nações Unidas à consideração de crise de água quando o potencial nos rios é inferior a 500 m3/hab/ano, taxa entre 500 e 1.000 m3/hab/ano caracteriza situação de estresse, taxas entre 1.000 e 2.000 m3/hab/ano são consideradas como suficientes à produção e usufruto de um nível de vida adequado, e acima de 2.000 m3/hab/ano, significa condição muito confortável. Portanto, o Brasil tem, no geral, condições muito confortáveis.

Vale salientar que, tanto as potencialidades de água doce dos rios como das águas subterrâneas, são distribuídas de forma muito irregular no território. Ademais, essa distribuição quase sempre não sintoniza com a distribuição da população. Para alguns, esse fato significa que o estigma da escassez de água, prognosticada no nível mundial pelos organismos internacionais, também afeta o Brasil.

Entretanto, uma análise no nível dos estados do Brasil, revela que, até mesmo naqueles do Nordeste semi-árido, tais como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, os potenciais atuais de água doce nos rios situam-se entre 1.000 e 2.000 m3/hab/ano. Local e ocasionalmente, as taxas podem ficar entre 500 e 1.000 m3/hab/ano, da mesma forma que em outros setores mais importantes, estas são superiores a 2.000 m3/hab/ano.

Efetivamente, tomando-se por base os valores de vazão específica (L/s?km2) das principais bacias hidrográficas do Brasil, verifica-se que é possível abastecer densidades demográficas (hab/km2) entre 693 habitantes nas bacias da Região Amazônica, 100 habitantes na bacia do rio São Francisco e 84 pessoas nas bacias dos rios do Atlântico Nordeste.

Considerando que cerca de 90% das nossas cidades têm populações entre 500 e 20 mil habitantes, verifica-se que a área necessária para produção de água limpa de beber - área de proteção de manancial - varia, respectivamente, entre cerca de 1 km2 e 30km2 nas bacias hidrográficas da Amazônia e entre 6 e 240 km/2 nas bacias dos rios do Nordeste semi-árido, tais como Acaraú, Jaguaribe - CE; Apodi-moçoró, Piranhas-Açú - RN, Paraíba - PB.

Portanto, mesmo nas regiões mais populosas do Brasil, o que mais falta não é água, mas determinado padrão cultural que agregue a necessidade de redução dos desperdícios e proteção da sua qualidade.

Em termos de degradação da qualidade, vale destacar que conforme o último senso do IBGE (1991), em apenas cerca de 47% das cidades o esgoto doméstico é parcialmente coletado e desta parcela cerca de 90% são lançados sem tratamento nos rios. Além disso convive-se com a maior parte do lixo urbano produzido e 70% dos efluentes industriais são lançados no ambiente sem tratamento prévio. Efetivamente, rio no Brasil ainda é sinônimo de esgoto e convive-se com a maior parte do lixo que se produz.

Portanto, os problemas de abastecimento de água decorre, regra geral, da combinação de dois fatores principais: (1) crescimento localizado e desordenado das demandas; (2) degradação da qualidade, atingindo-se, atualmente, níveis nunca imaginados.

Efetivamente, nas áreas onde já ocorre desenvolvimento industrial significativo, torna-se, praticamente, impossível eliminar os micropoluentes inorgânicos, tais como cadimo, mercúrio, chumbo, e orgânicos sintéticos, tais como organo-fosforados e organo-clorados, compostos benzênicos, fenólicos, ésteres do ácido eftálico. Estes constituintes podem causar efeitos adversos à saúde em teores muito baixos - da ordem de partes por bilhão (PPB) ou micrograma por litro (Mg/L) e até de partes por trilhão (PPT) ou nanograma por litro (Hg/L).

Desta forma, os padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde do Brasil - Portaria 36 de 19 de janeiro de 1990, deveriam levar em consideração os 'cinco Brasis' formados pelas cinco regiões geo-econômicas de características físicas, climáticas, humanas, econômicas e sociais tão diferentes umas das outras.

E, justamente, o conhecimento destes fatos que permite planejar as ações e evitar ou atenuar os efeitos temporários do excesso ou da falta de água. Agir na ignorância deles, ou não levá-los em conta, pode ter como conseqüência os problemas de abastecimento que ocorrem em muitas das nossa cidades - engendrados pela escassez periódica e degradação da qualidade em níveis nunca imaginados - que tem sido amplamente manipulados e sofridamente tolerados.

Portanto, a grande abundância de água doce no Brasil é um capital ecológico de grande valor competitivo do mercado global, porém, ainda muito pouco considerado na mesa das negociações.

A partir da revolução Industrial, a quantidade de água utilizada para consumo humano, atendimento das necessidades crescentes de higiene e conforto, e desenvolvimento das suas atividades econômicas, aumentou mais de 35 vezes. A demanda total no ano 2000 é estimada pelo World Resources Institute (1991) em 4.349 km3/ano, sendo cerca de 2.585 km3/ano ou 60% para irrigar 271 milhões de hectares, cerca de 456 km3/ano ou 10% para abastecer uma população mundial da ordem de 6 bilhões de habitantes - incluindo água de beber, preparação de comida, higiene, irrigação de jardins e serviços - e cerca de 13c08 km3/ano ou 30% na indústria, dos quais cerca de 75% serão evolvidos como efluentes.

Quanto ao consumo doméstico, a taxa passa de 20 L/hab/dia nas populações de nível de vida modesto, para 500 L/hab/dia nas sociedades modernas. Atualmente, apenas 4% da população mundial utiliza entre 300 e 400 L/hab/dia e 2/3 da população concentrada na Ásia e África usa menos de 50 L/hab/dia. No ano 2000, estima-se que 17% da população mundial deverá estar usando mais de 300 L/hab/dia, mas cerca de 1,8 bilhão de pessoas deverá estar usando menos de 50 L/hab/dia.

O consumo da água na indústria (Tabela 1), apresenta um sensível incremento nas regiões de economia emergente, enquanto tendo a se estabilizar nas regiões industrializadas.

Na América do Sul, por exemplo, a demanda passou de 30 km3/ano na década de 1980 para 100 km3/ano no ano 2.000, com incremento de 350%, enquanto na Europa este será de 155% e de 127% na América do Norte, no mesmo período.

No Brasil, o consumo total em 1990 era de 212 m3/hab/ano, sendo 43% para uso doméstico, 17% para uso industrial e 40% na agricultura.

Tabela 1
Agua na Indústria em 1980 e no ano 2000 - Km3/ano

Região
Demanda Total
1980 Uso Consuntivo
Volume Efluentes
Demanda Total
2000 Uso Consuntivo
Volume Efluentes

Europa

193

19

174

220-300

30-35

170-175

Ásia

118

30

88

320-340

65-70

255-270

África

6,5

2

4,5

30-35

5-10

25

América Norte

294

29

265

360-370

50-60

310

América Sul

30

6

24

100-110

20-25

80-85

Austrália Oceania

1,4

0,1

1,3

3,0-3,5

0,5

2,5-3,0

URSS

117

12

105

140-150

20-25

120-125

TOTAL

759,9

98,1

661,8

1153-1308,5

190-225,5

962,5-993

A globalização da economia tornou-se o principal fenômeno neste final de século, possibilitando uma análise comparativa de custos das tecnologias alternativas de obtenção de água de qualidade adequada ao consumo humano, industrial e agrícola (Tabela 2).

No desenvolvimento de análises comparativas de custos, deve-se levar em consideração de que água, embora tenha uma fórmula química das mais simples, (H2O) ainda não é fabricada artificialmente.

Ademais, o seu custo de transporte é um dos mais elevados, comparativamente às outras matérias primas naturais. Em conseqüência a alternativa local representa regra geral, a solução mais barata.

Outro aspecto importante a considerar nessa análise é que os custos da água, segundo a solução alternativa selecionada, devem ficar dentro dos parâmetros aceitáveis pelo mercado (the willingness of the consumers to pay), conforme mostram os dados da Tabela 3.

Tabela 2

Custos Internacionais da Água pelas Diferentes Tecnologias Disponíveis

(Não incluem Transporte)

TECNOLOGIAS
CUSTOS (U.S.$ por mil m3)

Capitação de rio (só extração)

$ 123 - $ 246

Destilação

$ 645 - $ 1085

Congelamento

$ 368 - $ 633

Eletrodiálise (STD* 2000 e 5000 mg/L)

$ 276 - $ 537

Reuso de esgoto doméstico (AWT)**

$ 200 - $ 485

Reuso de esgoto (tratamento secundário***)

$ 77 - $ 128

Osmose reversa (água salobra)

$ 120 - $ 397

Captação água subterrânea (artificial recarregada)

$ 118 - $ 138

Capitação de água subterrânea (naturalmente recarregada)

$ 88

Fonte: Rogers, 1987, in Gleick, 1993, * STD sólidos totais dissolvidos, ** AWT - American Water Treatment, *** redução de nitrogênio, fósforo, filtração e adsorção por carvão ativado.

Portanto, em função da competitividade que é imposta pelo mercado global, a água deve ser avaliada de maneira integral: como elemento vital da sociedade e da biodiversidade e recurso de valor econômico para desenvolvimento, além de seus valores quanto a aspectos culturais e espirituais. Uma matéria-prima que tende a escassear tanto em quantidade quanto em qualidade, tornando-se, portanto, cada vez mais cara.

Tabela 3

Custos Aceitáveis da Água, Segundo os Usuários

USUÁRIOS
CUSTOS ACEITAVEIS
(U.S.$ POR MIL M3)

Residencial e comercial

$ 300 - $ 600

Industrial

$ 150 - $ 300

Agricultura de alto valor (flores)

$ 100 - $ 150

Frutas e hortaliças

$ 3 - $ 100

Outra agricultura irrigada

$ < 3

Fonte: Rogers, 1980, in McLaren & Skinner - Resources and Wold Developmente, pp 611-623, 1987.

Para responder essas exigências, as empresas públicas e privadas devem assumir com o critério fundamental da eficiência econômica, equidade social e a consciência ecológica na definição de na definição de suas políticas na prestação de serviços e controle da qualidade de seus produtos, voltada para o cliente/cidadão.

Por causa disso, as empresas públicas e privadas estão voltando sua atenção para os programas de utilização, reuso ou reciclagem da água.

Embora não exista, no Brasil, nenhuma legislação relativa ao reuso das águas, e nenhuma menção tenha sido feita sobre o assunto na Lei N.º 9.433 de 1997, ou Leis da Água, já houve uma primeira demonstração de vontade política. Com efeito, na 'Conferência Interparlamentar sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente', realizada em Brasília, em dezembro de 1992, foi aprovada a recomendação, sob o item Conservação e Gestão de Recursos para o Desenvolvimento (Parágrafo 64/B), que se 'envidasse esforços, no nível nacional, para institucionalizar a reciclagem e reuso sempre que possível e promover o tratamento e a disposição de esgotos, de maneira a não poluir o meio ambiente'.

Nesse quadro, o conceito de 'substituição de fontes', se mostra como a alternativa mais plausível para satisfazer as demandas menos restritivas, liberando as águas de melhor qualidade para usos mais nobres, como o abastecimento doméstico.

Em 1985 o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, estabeleceu uma política de gestão das águas em áreas carentes de recursos hídricos, que suporta este conceito: 'a não ser que exista uma grande disponibilidade deve ser utilizada para usos que tolerem águas de qualidade inferior'.

As possibilidades e formas potenciais de reuso dependem, evidentemente de características, condições e fatores locais, tais como decisão política, arcabouço institucional e legal, disponibilidade técnica e fatores econômicos, sociais e culturais.

No setor urbano, as possibilidades de reciclagem ou reuso de efluentes domésticos ou industriais são muito amplas e diversificadas, tais como: (1) Torres de refrigeração; (2) alimentação de caldeiras; (3) construção civil, compactação do solo; (4) irrigação de áreas verdes, lavagem de pisos, peças; (5) processos industriais.

A Organização Mundial da Saúde - OMS - não recomenda o reuso direto, entendido como a conexão direta dos efluentes de uma estação de tratamento de esgotos, a uma estação de tratamento de água e, em seguida, ao sistema de distribuição.

A reutilização de esgotos domésticos recomendada é do tipo indireto, ou seja, o efluente da estação de tratamento de esgotos é diluído num corpo de água limpa - rio, lago, aqüífero subterrâneo - do qual, após um certo tempo de detenção, é novamente captado, seguida de tratamento adequado e posterior distribuição.

Face aos riscos potenciais à saúde pública, aos elevados custos envolvidos e aos problemas de segurança operacional do reuso indireto, tem sido recomendada a reutilização para fins urbanos não potáveis. Dentre esses, os com maior potencial de viabilização são os seguintes: (1) Irrigação de parques e jardins públicos ou privados, centros esportivos, áreas verdes ao longo de avenidas e rodovias; (2) reserva de proteção contra incêndios; (3) abastecimento de sistemas de refrigeração; (4) sistemas aquáticos decorativos, tais como chafarizes, fontes, espelhos de água e cascatas; (5) descarga sanitária de banheiros públicos, de edifícios comerciais, de aeroportos, indústrias; (6) lavagem de carros, trens, ônibus e veículos em geral.

A aplicação de esgotos na agricultura é uma forma efetiva que vem tendo um grande desenvolvimento nas últimas décadas devido aos seguintes fatores, principalmente: (1) os benefícios econômicos são incontestáveis, auferido graças ao aumento de produtividade; (2) dificuldades crescentes de fontes de água natural para irrigação; (3) custo elevado de fertilizantes; (4) custos elevados dos sistemas de tratamento, para descarga dos efluentes nos corpos receptores; (5) aceitação crescente sociocultural da prática de reuso; (6) minimização dos riscos à saúde pública e de impacto no solo e culturas, se as precauções adequadas são efetivamente observadas.

A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, Estocolmo - 1972, levou os países industrializados e em desenvolvimento a traçarem, juntos, os direitos da família humana a um ambiente saudável e produtivo.

No Nosso Futuro Comum, 1987, essa opção ficou caracterizada como significando desenvolvimento sustentável. Na Agenda 21, principal documento da Rio-92, tornou-se consenso a percepção da água como recurso ambiental limitado e de valor econômico.

Como resultado, as figuras do usuário-pagador e do poluidor-pagador, já consolidadas em muitos países, tornaram-se universal. Dessa situação resultou que as despesas referente ao tratamento e reuso dos esgotos domésticos e efluentes industriais deixaram de ser contabilizadas como custos e passaram a ser vistas como investimentos que geram recursos hídricos não potáveis para uso doméstico, comercial, industrial e para produção agrícola nas áreas peri-urbanas e irrigação de áreas verdes diversas, tais como jardins, parques e campos de esporte.

Efluente zero não significa que a cidade ou a indústria vai deixar de gerar águas servidas ou resíduos, mas que vai considerar os processos de tratamento e reuso, na medida em que condições de balanço custos-riscos versus benefícios forem satisfatórias, tanto em termos econômicos como de proteção ambiental.

A alternativa efluente zero representa uma meta avançada do processo de tratamento e reuso das águas e outros resíduos e já não é uma hipótese ou teste acadêmica, mas uma situação comprovada por muitas indústrias importantes, em diferentes países do mundo desenvolvido.

Uma ampla gama de técnicas já está disponível para se chegar a melhores e mais baratos processos de tratamento de esgotos domésticos e industriais.

Contudo, o nível de efluente zero deve ser entendido como uma meta que poderá ser atingida efetivamente, quando forem criadas condições legais, institucionais de viabilidade técnica-econômica, comparativamente às demais alternativas locais.

Apesar dos esforços realizados e dos compromissos assumidos, pouco foi feito do muito que se necessita, urgentemente, em prol do desenvolvimento de uma sadia mentalidade de uso e proteção da água, para uma efetiva garantia do investimento realizado e melhoria da qualidade de vida da população.

Não é possível apresentar valores comparativos que são cobrados do usuário-pagador, porque, cada agência de bacia hidrográfica tem critérios muito específicos de ação visando ora a promoção, ora controle do desenvolvimento industrial, urbano ou agrícola na área em apreço. Em muitos casos, esses critérios visam até setorialmente, dentre de uma mesma unidade de planejamento/gerenciamento em questão.

No caso do Brasil, a maior prioridade nacional em recursos hídricos é a reversão urgente do dramático quadro de desperdício e degradação da qualidade das águas, para níveis compatíveis com a sustentabilidade, em curto, médio e longo prazos. Devido a falta de fiscalização, poços mal construídos ou abandonados, sem qualquer medida de controle de interferência e de proteção da qualidade da água que captada para abastecimento de atividades econômicas, constituem importantes fatores de risco dos investimentos realizados pelas empresas.

Vale ressaltar, todavia, que enquanto a oferta da água de um rio é feita com base em grandes investimentos públicos que se realizam para conhecimento dos seus potenciais disponíveis, no caso das águas subterrâneas a captação se faz por conta o risco do setor privado.

Neste quadro, o preceito do usuário-pagador significa menor risco do investimento, na medida em que se estabelece um compromisso de responsabilidade do poder público que concede a outorga da água. Desta forma, a empresa que não exige ou adota o preceito do usuário pagador conspira contra seu próprio negócio.

A água é indispensável a todos os seres vivos, além de servir como matéria prima para quase 100% dos produtos fabricados ou industrializados.

São Paulo é a maior cidade do Brasil e da América Latina, a água consumida em São Paulo é tratada e distribuída pela Sabesp Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo.

O Estado de São Paulo tem 1,6% da água doce brasileira. O mais famoso rio que atravessa o Estado é o Tietê. O rio Tietê nasce na serra do Mar, em Salesópolis, a 96Km de distancia da capital, e percorre 1,100Km até desaguar no rio Paraná. Na nascente ele é limpo e puro começa num pequeno filete de água.

No seu trajeto, vai recebendo afluentes e se torna volumoso. Ao passar por Moei das Cruzes, o Tietê ainda tem oxigênio, que permite a vida aquática. Mas, à medida que se aproxima da capital, vai recebendo grande carga de detritos domésticos e industriais e se torna um dos rios mais poluídos do mundo. Seu nível de poluição atinge o ponto máximo quando atravessa o município de São Paulo.

Seguindo aproximadamente 300 quilômetros rio abaixo, na região de Barra Bonita, o Tietê já vai se tornando menos poluído. Mas, se não receber o tratamento adequado, essa região será uma das próximas a sofrer com a poluição de suas águas, sem contar que aí desembocam dois afluentes do Tietê: os rios Piracicaba e Sorocaba, já bastante comprometidos.

No trecho da Região Metropolitana de São Paulo, o Tietê tem uma vazão média anual de água insuficiente para atender as necessidades de uma metrópole desse porte.

Dos 625 municípios do Estado de São Paulo, 296 são atendidos por serviços municipais de saneamento e abastecimento. Os outros 329 são atendidos pela SABESP - Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo -, que é a empresa responsável pelo abastecimento de água e pela coleta e tratamento de esgotos.

O pico de consumo de água para atender 16 milhões de pessoas na Grande São Paulo é de 69 mil litros por segundo. Atualmente, a SABESP consegue produzir 60 mil litros por segundo, em média. Metade dessa produção vem de fora da bacia do Alto Tietê. Vem dos formadores do rio Piracicaba. O fato de ter de buscar água longe da capital exigiu investimentos mais altos. Ainda assim, a cidade tem um déficit de 10% no abastecimento.

O presidente da Sabesp Antônio Marciglia Neto, afirma que:

"A Sabesp tem em primeiro lugar que seu papel como empresa de saneamento, que tem como direção fundamental a qualidade de vida das pessoas. O saneamento - água, esgoto sanitário - tem importância fundamental para a saúde pública. Mas nós temos que nos compenetrar que a água, apesar de muitas pessoas julgarem erradamente que é um bem ilimitado, tem condicionantes de quantidade e de qualidade. É por isso que a SABESP desenvolve vários programas, como o controle de perdas - que tem como objetivo reduzir as perdas físicas e não físicas de água de seu sistema - e o programa de uso racional da água, que tem como objetivo fazer com que a população não desperdice esse bem precioso, não só em termos de desperdiçar o bem em si, mas no sentido de fazer com que as suas contas tenham valores menores. Nesse sentido, a SABESP tem como objetivo não só preservar o bem, mas fazer com que economicamente a população tenha condições de pagar suas contas de água em valores compatíveis com o rendimento de cada um. Nós temos uma meta fundamental: fazer com que toda a população do Estado de São Paulo e, basicamente, aqueles que estão vivendo nos municípios em que a SABESP opera, tenham, CEM POR CENTO de abastecimento de água ."

Tratamento de água em São Paulo

São sete grandes sistemas produtores de água potável na Região Metropolitana de São Paulo: Cantareira, Guarapiranga, Alto e Baixo Cotia, Alto Tietê, Rio Claro e Rio Grande.

O maior deles é o Cantareira, responsável por 33 mil litros de água por segundo. A

água produzida nos sete sistemas chega aos consumidores através de 1200 quilômetros de grandes tubulações ou adutoras, reservatórios e 23 mil quilômetros de redes de distribuição. O tratamento da água tem a finalidade de eliminar as impurezas prejudiciais e nocivas à saúde. Quanto mais poluído o manancial, mais complexo será o processo de tratamento e, portanto, mais cara será a água.

*Na estação de tratamento de água nós recebemos a água bruta.

Ela recebe o primeiro produto químico, que é sulfato de alumínio líquido. A função do sulfato de alumínio é justamente agregar aquelas partículas, aquele material que está dissolvido na água, ou seja, a sujeira.

Depois da adição do sulfato de alumínio, a água chega aos floculadores, onde recebe cloro - para a desinfecção - e polieletrólito, um produto químico que vai ajudar na floculação. No floculador, os motores agitam a água em velocidade controlada para aumentar o tamanho dos flocos. Em seguida, a água passa para os decantadores, onde os flocos maiores e mais pesados vão se depositar.

Cinqüenta a sessenta por cento das impurezas ficam retidas no decantador. Somente a água da superfície sai dos decantadores e passa pelo processo de filtragem, para retirar o restante das impurezas. Nessa fase, recebe nova adição de cloro. O filtro tem vida útil de 20 a 30 horas. Ao final desse período, deve ser lavado para a retirada da sujeira que ficou retida na filtragem. Depois de filtrada, a água recebe a adição de cal para elevar o PH, cloro e flúor. Só então ela está própria para o consumo.

O padrão de potabilidade da água tratada e consumida pela população de São Paulo segue as recomendações da Organização Mundial de Saúde, garantindo a inexistência de bactérias e partículas nocivas à saúde humana. Dessa forma, evita-se o surgimento de grandes surtos de epidemias, como a cólera e o tifo. E a SABESP faz o monitoramento da qualidade das águas em seus laboratórios, durante todo o processo de produção e distribuição.

A água, depois de tratada, é levada à população através da rede de distribuição, um conjunto de tubulações e peças especiais que exigem operações adequadas e manutenção sistemática. Mas, podem ocorrer acidentes no percurso da água, provocando rompimentos nas tubulações e a conseqüente perda de água. As perdas de água potável são calculadas tendo como base a diferença entre o volume consumido registrado pelo conjunto de hidrômetros e o volume produzido pelos sistemas.

Existem dois tipos de perda: a física e a não física. A perda física é a água perdida em vazamentos, aquela que não chega ao consumidor. A perda não física é a água usada pelos consumidores, mas que não é medida pela empresa de abastecimento de água, como as ligações clandestinas e outros tipos de fraudes.

Dessa forma, obtém-se a perda total de 42 por cento do que é produzido na Região Metropolitana de São Paulo.

No sistema público, o Programa de Redução de Perdas da SABESP visa, até 1998, reduzir a perda para 24 por cento. Ao mesmo tempo, a empresa desenvolve um programa de uso racional de água.

Uso Racional da Água

"O Programa de uso Racional da Água é um programa que a SABESP já vem desenvolvendo há algum tempo. Esse programa é muito extenso e abrange vários outros tipos de projetos, como o reuso e reciclagem de água, de indústrias, de estação de tratamento, de controle de evaporação de mananciais, de controle de perdas. No momento ela está dando ênfase para o programa de Uso Racional de Água dentro das residências. É usado o prédio principal da empresa, a sede principal, para começar esse trabalho.

A própria Sabesp saiu na frente e trocou alguns equipamentos economizadores de água, do tipo torneiras com arejadores e bacias sanitárias de 6 litros por descarga.

Posteriormente, implantamos esse programa do Uso Racional na cozinha industrial da SABESP. Fizemos uma campanha educativa junto aos funcionários da cozinha e começamos esse trabalho em março. Depois de 8 meses, observamos uma grande redução. Nós tínhamos, no início, o consumo de 32 litros por refeição e hoje estamos com 18 litros por refeição. A SABESP pretende estender esse programa de Uso Racional de Água para as cozinhas industriais da Região Metropolitana de São Paulo e também para as residências". Afirma Sonia M. Nogueira e Silva, Coordenadora &endash; SABESP.

Uso Racional da Água.

No próximo século, a água doce será o recurso natural mais disputado na maioria dos países. No Brasil existe água em abundância, mas existe também o desperdício e o comprometimento dos mananciais. Aqui, o uso da água segue em direção oposta a dos países desenvolvidos que, desde a década de 70, vêm adotando programas de conservação. Um deles é o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes. Inúmeros países tornaram obrigatória a adoção de equipamentos sanitários mais econômicos no consumo de água. Por exemplo, a válvula de descarga, que ao ser acionada gasta de 10 a 30 litros de água, foi substituída pela caixa acoplada ao vaso, que descarrega apenas 6 litros por vez. Na cidade do México, o governo substituiu três milhões e meio de válvulas por vasos sanitários com caixa acoplada, de 6 litros por descarga, resultando numa redução de consumo de 5 mil litros de água por segundo. Nos Estados Unidos, além de ser obrigatório o limite de 6 litros para a descarga, a legislação também limitou a vazão de chuveiros e torneiras em 9 litros de água por minuto, o que resultou numa redução de 30 por cento no consumo de água. Aqui no Brasil existem algumas experiências que estão sendo feitas pela SABESP em conjunto com o IPT e com a Escola Politécnica da USP. Uma delas foi realizada no Colégio Vera Cruz e vem dando bons resultados.

"Desde 94, a Escola Vera Cruz trabalha e se preocupa com essa questão da água. Nós instalamos no prédio do primeiro grau a torneira econômica e obtivemos resultados muito positivos. Nós obtivemos uma economia em torno de 33 por cento de água. O grande trabalho também é feito junto aos alunos, no sentido de mostrar que água é um bem que está escasseando no nosso planeta. No prédio do segundo grau, nós projetamos um vaso com caixa acoplada e torneiras econômicas também. E com os alunos nós estamos começando um trabalho de mostrar a importância da água e a importância de nós economizarmos a nossa água".

Profº. Edaival Mulatti, Coordenador

2º Grau da Escola Vera Cruz

É claro que a conservação da água depende, sobretudo, de ações educativas junto à comunidade, que deve ser esclarecida com relação aos prejuízos que a poluição provoca. E depende, também, de uma série de leis e regulamentos que as autoridades devem implantar.

Poluição no Rio Tietê

A falta de planejamento em relação aos recursos hídricos precisa acabar. É necessário que haja administração racional, que não vise apenas aumentar a oferta de água com grandes investimentos em obras, mas se preocupe, principalmente, em conservar, preservar e reaproveitar a água que temos.

A sua conservação exige, entre outras coisas, a coleta e o tratamento de esgotos, que atendem aos aspectos sanitários e legais.

O controle da ocupação urbana e o tratamento dos esgotos são primordiais na proteção dos mananciais. Os países desenvolvidos proíbem o despejo de esgoto industrial e doméstico sem tratamento nos rios e represas para garantir a reutilização segura dessas águas. A água de esgoto tratado não é potável , mas serve para usos menos nobres.

"O tratamento de esgotos é um processo fundamental para o controle da poluição das águas, recuperação da qualidade das águas servidas e diminuição da poluição ambiental.

Despejo de esgoto doméstico Despejos industriais e domésticos, quando lançados em córregos ou rios, comprometem seriamente a qualidade das águas, propiciando a incidência de doenças de veiculação hídrica.

Por isso, o tratamento de esgotos, torna-se cada vez mais necessário, associado a uma política de conscientização para controle da poluição". Vera Lúcia A. Aguiar

Química - Estação Tratamento de Esgoto de Barueri.

Aqui em São Paulo a SABESP está desenvolvendo um arrojado programa de tratamento de esgotos dentro do Projeto Tietê. Um empreendimento de quase um bilhão de dólares, que pretende reduzir a poluição desse importante rio de São Paulo, além de contribuir grandemente para melhorar a qualidade ambiental.

Reuso e Qualidade da Água

As indústrias dos Estados Unidos, Japão e Alemanha aumentaram sua produtividade e, ao mesmo tempo, reduziram o consumo de água, a partir do programa de reutilização.

No Japão, foram mudadas as regras da construção civil. Lá, os condomínios, hotéis e hospitais passaram a ser construídos com sistemas particulares de reaproveitamento de águas servidas. Por exemplo, a água que sai pelo ralo do box ou da banheira segue por canos independentes até um pequeno reservatório que abastece os vasos sanitários do edifício. Só então ela vira esgoto, que, em algumas cidades, é tratado e reutilizado em processos industriais.

O tratamento dá condições de reutilização da matéria-prima água. O reuso "não planejado" de água já é adotado na Região Metropolitana de São Paulo. Mas deve ser implementado o reuso "planejado", uma vez que os mananciais da bacia do Alto Tietê já estão sendo superexplorados.

A Constituição Brasileira determina que "todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, um bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida e é dever do Poder Público e da coletividade defender e preservar o meio ambiente para as gerações presentes e futuras". Apesar das inúmeras tentativas, essa preservação tem deixado a desejar. Córregos e rios são usados pela população como depósito de lixo. Vejamos um exemplo: diariamente, as pessoas tentam se livrar do lixo muitas vezes jogando-o pela janela, seja a do carro, seja a de casa. Você já imaginou se todos fizessem isso, o que aconteceria com nossos rios, já tão poluídos?

Um pedaço de papel jogado na Avenida Paulista irá descer pela encosta e, dependendo do lado em que o vento soprar, deverá chegar ao rio Tamanduateí ou rio Pinheiros. Qualquer um dos dois rios que receba esse papel irá levá-lo, certamente, ao rio Tietê. E se acumulará ao resto do lixo que é despejado nesse rio. O papel demora um certo tempo para dissolver na água. Imagine os outros tipos de lixo despejados nesses rios e nos mananciais que abastecem a cidade!

Por outro lado, como alguns rios da Grande São Paulo estão canalizados, as pessoas têm a impressão de que eles não existem. E como não são vistos, dificilmente a população lutará por sua qualidade.

E, por falar em qualidade, a água potável, tratada, que sai da rede de distribuição e chega às nossas casas, pode não chegar tão limpa às nossas torneiras. Você já parou para analisar as condições do encanamento de sua residência? Ferrugem e sujeira nos canos podem prejudicar a água potável que chega à sua casa.

A caixa d'água precisa ser limpa e desinfetada com cloro a cada 6 meses, usando escova de fibra vegetal ou plástico macio. Nunca use sabão, detergente ou outro produto químico. A água clorada que foi usada na desinfecção da caixa pode ser utilizada para lavar quintal e banheiros, por exemplo.

Não deve se esquecer de verificar a bóia. Quando desregulada, pode provocar elevadas perdas de água pelo ladrão. E o que é fundamental: mantenha a caixa sempre muito bem tampada, para evitar a entrada de insetos e pequenos animais, que podem contaminar a água e provocar graves doenças.

Como Economizar Água

A água que consumimos custa aproximadamente, um real cada mil litros. Parece pouco, mas esse custo poderá ser bem mais alto se a água não for utilizada de forma adequada, sem desperdícios. O cálculo da tarifa é progressivo: quanto maior o consumo, maior é o preço. A faixa de consumo de água por pessoa varia de 150 a 400 litros por dia. Se a água for usada com economia, de maneira racional, o consumo será menor. E a conta também.

Vamos mostrar, na prática, como podemos economizar. Vamos começar verificando os vazamentos. Para isso, você pode fazer alguns testes. Feche o registro do cavalete de entrada da água em sua casa. Abra uma torneira alimentada diretamente pela rede de água - por exemplo, a do jardim ou a do tanque - e espere até escoar. Pegue um copo cheio d'água e coloque-o na boca da torneira. Se houver sucção da água do copo pela torneira, é sinal que existe vazamento no cano.

Outra maneira de detectar vazamento é fechar todas as torneiras e registros da casa e verificar se no hidrômetro, aparelho que mede o consumo de água, ocorre movimento dos números ou do ponteiro do relógio. Caso isso aconteça, certamente existe vazamento. Por exemplo, um pequeno buraco de dois milímetros, do tamanho da cabeça de um prego, vai desperdiçar em torno de 3.200 litros de água por dia. Esse volume é suficiente para o consumo de uma família de 4 pessoas, durante 5 dias, incluindo limpeza da casa, higiene pessoal, preparação de alimentos e água para beber.

Além desses cuidados, existem outras maneiras de economizar água. Se a pessoa escovar os dentes em 5 minutos e fizer a barba em mais 5 minutos, deixando a torneira aberta, estará gastando 24 litros de água por dia, só com essas duas atividades, quantidade de água que uma pessoa poderia beber durante 12 dias.

Se a pessoa fizer essas mesmas atividades de maneira mais econômica, ou seja, mantendo a torneira fechada e só usando água quando for necessário, gastará, em média, dois litros. A economia será de aproximadamente 22 litros por dia.

Evite usar o vaso sanitário como cesto de lixo. Papel, cotonete, algodão, pontas de cigarro não devem ser jogados no vaso. Se os 16 milhões de habitantes da Região Metropolitana de São Paulo deixarem de usar uma descarga por dia por causa desse lixo jogado em lugar indevido, serão economizados cerca de 160 milhões de litros d'água diariamente, o que equivale ao abastecimento de uma cidade do porte de Santo André, na Grande São Paulo. Além de se evitar o tratamento de um volume maior de esgoto.

Um dos recordistas do consumo de água no Brasil é o chuveiro. O banho de 15 minutos com ducha consome 135 litros de água por banho, com meia volta de água de abertura. Com o chuveiro elétrico comum, o mesmo banho vai consumir 45 litros. Uma grande economia pode ser conseguida se o tempo de banho for reduzido para 5 minutos e se o chuveiro ficar fechado enquanto a pessoa se ensaboa. Outro detalhe: a ducha gasta 3 vezes mais do que o chuveiro comum.

Existem modos econômicos também para lavar a louça, ensaboando com a torneira fechada e usando água só para enxaguar. A roupa também pode ser lavada com economia. Deixe acumular. Não lave poucas peças por vez. Isso serve para o tanque e para a máquina de lavar.

Evite lavar calçadas e quintais. Não faça da mangueira a sua vassoura hidráulica. Varrer dá o mesmo resultado.

Lavar o carro durante 30 minutos com abertura de meia volta na torneira consome de 216 a 560 litros de água por lavagem. Se você usar um balde de 10 litros para molhar o carro e mais 3 baldes para enxaguar, você estará consumindo 40 litros por lavagem. É uma economia significativa.

É preciso evitar desperdícios. Uma torneira mal fechada, pingando, gasta 46 litros por dia, quantidade suficiente para matar a sede de uma pessoa por 20 dias.

Se por descaso do usuário a torneira ficar aberta por 15 minutos com um quarto de volta, enquanto atende ao telefone, por exemplo, o gasto será de 108 litros. Com meia volta, 280 litros. Com uma volta completa, 380 litros de água serão gastos.

Hoje, quando há algum desperdício pelo uso abusivo de água, ninguém se incomoda. Mas esse comportamento terá de mudar. Economizar e conservar a água é fundamental.

A consciência de que é preciso mudar está Todos nós sempre dependemos da água. Agora a água também dependerá de nós, de nossas atitudes e comportamentos, de nosso grau de civilidade.

Água: Um Bem Limitado

Realização: TV Cultura - 1997

Conclusão

"A constituição brasileira determina que: Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, um bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida e que é dever do poder público e da coletividade, defender e preservar o meio ambiente para as gerações presentes e futuras".

Art. 225 da Constituição do Brasil.

Isto não é cumprido, o que normalmente observamos são ações de desprezo e desrespeito com a natureza. É imprescindível que a população brasileira se torne conhecedora de assuntos que tem uma relação direta com o futuro próximo, ainda continuamos com ações isoladas como as das empresas que prestam serviços de saneamento ou campanhas que envolvem a mídia nas épocas de racionamento por problemas de escassez.

Bibliografia

Grande Enciclopédia Larousse Cultural. Larousse 1995. Nova Cultural 1988. Gráfica Plural Editora e Gráfica. Vol. 1. São Paulo.

Ciências. Natureza e Vida. Gowdak, Demétrio e Maretins, Eduardo. Editora FTD S/A . 1995. São Paulo.

Antes que a Natureza Morra. Dorst, Jean. Editora Universidade de São Paulo. 1973. São Paulo.

Palestra Reuso de água. Palestrantes: José Carmo Junior, Pedro Alves de Lima e Hernane Domingos Fernandes Dias. 2000. Divisão de Medição e Faturamento Norte. Sabesp.

Vídeo Rede Sabesp 4a Edição, 1997, 5a Edição, 1998 e 6a Edição, 1999. Superintendencia da Comunicação Sabesp.

Vídeo Água Um Bem Limitado. Realização Rede Cultura de Televisão. 1999.