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Água
na Cidade de São Paulo
Letícia
Angélica Guerra
Maria Cláudia da Silva
Marilene Simplício Matos
Monografia
apresentada no curso de Organização, Sistemas
e Métodos das Faculdades
Integradas Campos Salles,
sob orientação do Professor Mauro
M. Laruccia
(Disponível
na rede desde novembro de 2000)
Introdução
As
mais belas imagens, aquelas que são agradáveis
aos olhos, um convite ao relaxamento, sempre tem a
água em sua composição: o mar, as
cachoeiras, o rio espelhado, a chuva e o orvalho.
A
vida se originou na água que na fase líquida,
é essencial à vida, porque sem ela, as
reações vitais seriam impossíveis. No
corpo humano, como nos animais em geral, a água
desempenha apenas um papel estrutural, como componente
obrigatório das células; ela tem um papel
relevante como veículos, no transporte de substancias
dissolvidas para dentro e fora do organismo e de todos os
órgãos. Pela sua extraordinária
capacidade de dissolver substâncias e pela sua grande
mobilidade, a água exerce importantes
funções como elemento principal no sangue e na
seiva das plantas..
No
homem, a água total corresponde a cerca de 60 a 70%
do peso do corpo. O balanço hídrico
diário comporta perdas cutâneas e pulmonares,
perdas urinárias e perdas fecais. Essa perda tem que
ser compensada pela água alimentar. Além de
bebê-la diretamente, obtém-se através de
alimentos.
O
volume da água existente na Terra é de 1.360
milhões de km3, dos quais 95,5% são
águas salgadas e 2,2% estão imobilizados nas
calotas polares e nas geleiras. Restam, portanto, 2,3% de
água doce utilizável, incluindo aquela dos
lagos, cursos de água e da atmosfera, mas sobretudo a
água doce do solo e subsolo. O volume anual das
precipitações, supera 500.000 km3, dos quais
100.000km3 caem sobre os continentes. Deste último
total, entre 10 e 15% infiltram-se no solo; mais da metade
se evapora; cerca de um terço atinge os lagos ou os
rios e eqüivale praticamente aos recursos
hídricos utilizáveis. A
população mundial quadruplicou desde 1900, mas
o consumo de água, no mesmo período, aumentou
quase dez vezes. Esse consumo contudo, não representa
mais de 105% dos recursos disponíveis.
O
aspecto de água doce é de grande diversidade
biológica. Impõe-se uma grande
distinção entre águas correntes e
águas estagnadas.
As
águas correntes podem ser invadidas, a partir dos
estuários, por espécies marinhas capazes de
vencer a correnteza e atingir as regiões das quedas
das nascentes.
As
águas estagnadas formam um meio descontínuo,
povoado, sobretudo de espécies de origem
terrestre.
Água
potável é aquela que atende aos requisitos
mínimos físicos, químicos e
bacteriológicos legalmente estabelecidos para ser
bebida. No Brasil ,a água potável deve ser
inodora, insípida e incolor; ter pelo menos 70 mg de
sais minerais por litro e no máximo 500mg por litro;
ter reduzidíssima quantidade de nitratos e nada de
amônio; não deve conter mais de 12 bacilos
coliformes por litro. As águas de consumo são
captadas seja em lençóis subterrâneos e
profundos, ao abrigo da população, seja em
rios e lagos artificiais ou naturais. Quando o lençol
aflora, sob a forma de mananciais, em uma encosta ou no
fundo de um vale, a água é recolhida em
galerias ou câmaras de captação de
alvenaria permeável, de onde é conduzida por
bombeamento. Na falta de mananciais, construem-se
poços de alvenaria que alcançam a camada
impermeável sobre a qual se situa o lençol em
que estão apoiados em uma base de materiais
permeáveis. A coluna desses poços deve ser
impermeável até a sua base, para evitar
infiltrações de águas
freqüentemente poluídas proveniente da
superfície ou do lençol freático
atravessado. Nas captassem em lago ou rio, o processo deve
efetuar-se acima das aglomerações, de modo a
evitar essas descargas nociva dos esgotos. Essa água
tem de ser tratada antes de ser entregue ao consumo. O
tratamento completo da água comporta a
eliminação das matérias em
suspensão, coloidais ou não, e dos
micropoluentes,, compostos julgados perigosos ou
desagradáveis, mesmo em quantidade reduzida (metais
pesados compostos organoclorados, pesticidas,
hidrocarbonetos). Após um pré tratamento
mecânico (gradeamento), que retira os corpos mais
volumosos, a água é levada para tanques de
floculação. Injeta-se um reagente (coagulante)
que tem a propriedade de fazes cessar o estado coloidal das
matérias m suspensão; em seguida a água
é agitada lentamente para permitir que as
partículas se juntem sob a forma de flocos, que
carregaram,, ao se depositarem, as outras partículas
em suspensão. A água é, a seguir, aos
filtros (em geral de areia).. Pode ocorrer eventualmente
tratamento adicional destinado a eliminar a cor, os gostos
desagradáveis ou micripoluentes. Deve-se, por fim.
Cuidar do equilíbrio de calcário e gás
carbônico. A proporção de
calcário deve ser suficiente para favorecer a
formação de um leve filme protetor nas
canalizações. Se for muito elevada
(água demasiado dura), há riscos de
ocorrências de incrustações e
depósitos excessivos; se muito baixa (água
demasiado branda), a água é agressiva e os
riscos de corrosão aumentam. Em maior ou menor
escala, todas as áreas urbanas precisam adotar
medidas de saneamento básico. Elas são
fundamentais para as condições de
sobrevivência e de bem estar social, principalmente
nos grandes aglomerados humanos. As principais medidas
estão relacionadas com a rede de água e
esgotos e com o destino do lixo e dos resíduos
industriais.
Nos
grandes centros é fundamental o tratamento do esgoto,
antes de devolvê-lo ao ambiente natural. Os esgotos
domésticos devem ter um destino apropriado. Para
tanto, além de uma rede bem ampla, que sirva toda a
área urbana, os esgotos devem passar pôr
estações de tratamento. Tais
estações tem por finalidade reduzir o impacto
que os dejetos causam nas regiões de despejo, como
rios e mar.
Mais
atenção merecem os dejetos industriais, tanto
os despejados nos rios quanto os lançados na
atmosfera. Em geral, os resíduos industriais
são muito tóxicos e acumulam-se com rapidez no
ambiente, podendo fazer parte das cadeias alimentares.
Na
capital de São Paulo é difícil hoje
imaginar como era hidrograficamente, mas se nos deslocarmos
para algumas cidades do interior do estado ou para
áreas preservadas, observamos que estamos numa
região cortada em toda a sua extensão de
nascentes, córregos e rios, alem de lagos e lagoas de
todas as proporções, ainda é comum na
periferia as pessoas cavarem poços e em algumas
regiões apenas a um metro se alcança um
lençol freático. As sugestões dos nomes
de ruas, vilas e bairros confirmam a situação,
como por exemplo: Jardim Cachoeira, Rua da Bica, Rua
Três Rios, Bairros: Água Branca, Água
Funda, Água Rasa, Rio Pequeno, Rio Grande, entre
outros.
A
água, quando mal utilizada, escasseia em
várias regiões cidade torna-se poluída
e contaminada com resíduos industriais,
domésticos e com agrotóxicos. Na cidade de
São Paulo, os rios e mananciais são os
principais fornecedores de água mas ,devido a
degradação do meio ambiente , que é o
resultado de alterações introduzidas no
ambiente pela atividade humana.. Há algumas dezenas
de anos, essas modificações eram limitadas as
áreas mais densamente povoadas, mas atualmente
atingem quase toda a biosfera.
Um
dos principais responsáveis pela
degradação ambiental é o acúmulo
de resíduos ou lixo. A necessidade cada vez maior de
consumir obriga o homem a produzir continuamente novos bens.
Isso leva a um processo crescente de
industrialização em todo o mundo, e em
conseqüência, a um aumento das sobras e dos
detritos.
Outro
fator que contribui para a degradação
ambiental é a explosão demográfica. O
crescimento exagerado da população exige cada
vez mais áreas urbanizadas, industrializadas e
modificadas por causa das necessidades humanas. A
exigência por alimentos, por exemplo, torna-se cada
vez maior, mas as áreas cultiváveis são
limitadas.. Ocorre, então, uma
intensificação da agricultura nas áreas
de cultivo. As praticas e técnicas que aumentam a
produção geralmente agridem e degredam o
ambiente.




Problema
Como
a cidade de São Paulo está atuando para
minimizar os efeitos da escassez de água
potável ?
Garantir
a qualidade da água que chega aos lares,
indústrias , hospitais é o grande desafio para
o próximo milênio , milhões de reais
são gastos em aperfeiçoamento das
técnicas de tratamento e purificação
das águas nas estações de tratamento
,pois estas tem limites, quanto mais poluída chega a
água mais difícil torna-se sua
recuperação, na despoluição dos
rios principalmente do Tietê, e na
manutenção e conserto das
tubulações que levam a água para as
cidades.
Muitos
estudos estão sendo realizados no sentido de
solucionar este problema, visto que a água do planeta
Terra é um recurso limitado, ela não diminui ,
mas também não aumenta sua
quantidade.
Justificativa
A
água vem sendo causa de grande disputa entre as
grandes organizações mundiais. Provavelmente,
as guerras no próximo século, seja pelo
domínio deste importante recurso e não por
causa do controle político.
Em
muitas partes do mundo, já se enfrenta o problema da
escassez, como é o caso da África e China,
devido à sua grande
população
É
perceptível que o que preocupa não é a
falta de água no mundo, mas o bastecimento de
água nas grandes cidades e áreas industriais,
ao fornecimento de água para a
irrigação, fatores que as vezes são
associados a períodos longos de estiagem como o que
enfrentamos este ano durante os meses de maio a agosto no
interior e na capital paulista.
Hipóteses
Nas
necessidades humanas nos tempos atuais, caracterizados pela
grande concentração demográfica e pela
intensa atividade industrial do homem no sentido de
transformar natureza para seu proveito. Poderíamos
contestar a validade da consideração da
água para o consumo humano como produto
industrializado.
A
degradação ambiental resulta de
alterações introduzidas no ambiente pela
atividade humana. Há algumas dezenas de anos, essas
modificações eram limitadas as áreas
mais densamente povoadas, mas atualmente atingem quase toda
a biosfera.
Um
dos principais responsáveis pela
degradação ambiental é o acúmulo
de resíduos ou lixo. A necessidade cada vez maior de
consumir obriga o homem a produzir continuamente novos bens.
Isso leva a um processo crescente de
industrialização em todo o mundo, e em
conseqüência, a um aumento das sobras e dos
detritos.
A
urbanização desordenada, na capital
paulistana, traz como resultado as grandes
inundações e enchentes provocada
principalmente pela impermeabilização do solo
e construções em leitos drenados de bacias e
várzeas de rios. Os grandes rios que cortam a cidade,
como o Tietê, Tamanduateí e Pinheiros acumulam
cada vez mais sujeira, proveniente de lixo sólido nos
seus leitos dificultando a vazão das
águas.
É
salutar que a solução de algumas
questões só será possível
através de uma grande e conseqüente
alteração sócio-cultural. As
populações deslocam-se, por questões
sociais, para as periferias das grandes cidades, em
São Paulo são áreas de mananciais e de
preservação ambiental. A
ocupação não respeita nenhum limite da
natureza, é comum ver árvores
centenárias de madeira nobre sendo derrubadas para a
construção de moradias, sem planejamento
é impossível delimitar ruas e/ou passagens que
permitam a instalação de infra estrutura, como
rede de água e de esgoto.
Consciente
deste problema, a SABESP, principal fornecedora dos recursos
hídricos da cidade de São Paulo,
através de modernos métodos de filtragem e
purificação, trata e reutiliza toda a
água consumida.
Evitar
o desperdício através de campanhas
publicitárias, de conscientização da
população, racionalização do uso
da água e programas de proteção aos
mananciais são grandes desafios da SABESP para
equalizar o problema da escassez.
Concertar
vazamentos, racionalizar o uso, mudando os hábitos da
população são fundamentais na luta
contra o desperdício para solucionar o grande desafio
deste século e garantir água a
todos.
Metodologia
A
questão trata de um assunto atual e pouco discutido
nos meios de comunicação em massa, mas
qualquer indivíduo sabe dos problemas que a falta de
água nos causa.
Como
metodologia de evidenciação e de
aplicação desse conjunto de conclusões
importantes no caso da água para consumo humano, cada
conclusão será seguida de comentários
relativos à sua aplicação a esse
produto industrial e todo o uso de uma bibliografia
selecionada, livros, vídeos, palestras e a nossa
principal e grande fonte, a SABESP, por constituírem
técnicas e recomendações já
consagradas e confiáveis.
Conteúdo
A
primeira característica que se exige da água
de consumo humano ou para desenvolvimento da maioria das
suas atividades econômicas, é que ela seja
pouco salina ou doce. O critério mundial de
classificação das águas da Terra,
considera como Água Doce (Fresh Water) aquela que tem
teor de sólidos totais dissolvidos (STD) igual ou
inferior a 1000 mg/L. Vale salientar que a
classificação ambiental das águas do
território brasileiro (Conama 20/86) designa de
água doce aquela que tem salinidade igual ou inferior
a 500 mg/L.
A
segunda característica que se exige da água
doce de beber é que tenha propriedades
físicas, bacteriológicas e radiativas
adequadas à saúde. Os valores máximos
permitidos - VMP - dos parâmetros que definem essas
propriedades são estabelecidos pelos padrões
de potabilidade, os quais levam em conta os hábitos
de higiene, a vida média dos indivíduos, o seu
peso, condições ambientais, dentre outros
fatores.
Desta
forma, os padrões de potabilidade da água
variam de país para país ou de região
para região econômica ou climática,
tanto em relação a gama dos constituintes que
são considerados, quanto dos seus respectivos valores
máximos permitidos - VMP. Portanto, o conceito de
água limpa de beber deverá ser definido em
relação ao padrão de potabilidade
vigente no país ou região em
apreço.
Vale
mencionar que o rápido desenvolvimento
tecnológico dos meios analíticos vem
possibilitando a determinação de um
número cada vez maior de constituintes dissolvidos na
água e a obtenção de limites de
detecção cada vez mais baixos. O atendimento
de tais padrões implica na importação
de equipamentos ou na compra de serviços cada vez
mais sofisticados. Como resultado, padrões de
qualidade e limites analíticos, vem sendo impostos
pelo mercado global, como fator competitivo aos
países de economias emergentes.
Esta
situação vem engendrando uma verdadeira
paranóica sobre os riscos de escassez quantitativa ou
qualitativa da água de beber, muito embora quase nada
venha sendo feito nos países em
condições mais críticas, para reduzir
os desperdícios e os níveis de
degradação da qualidade das suas águas.
O quadro atinge um nível tão vexatório
que a Unesco, órgão das Nações
Unidas, lançou este ano o programa Ética e
Sociedade destacando-se o Grupo de Trabalho Ética e
Água.
A
água doce não tem, evidentemente, o valor do
petróleo: ela é muito mais valiosa, na medida
que é indispensável à vida e à
maioria das atividades humanas. O paradoxo é que a
água é muito pouco valorada, sendo, regra
geral, considerada até recentemente, como um bem
livre, isto é, sem valor de mercado. Parte desta
situação decorre do fato de a água doce
ser, relativamente, abundante no mundo desenvolvido,
comparativamente mais acessível, numa certa medida,
renovável através do ciclo
hidrológico.
Por
outro lado, as indústrias, empresas de
irrigação ou agropecuária e de
abastecimento de água estatais ou privadas e demais
atividades econômicas de maior porte, não pagam
pela água que usam, mas tão somente os custos
da sua capitação ou do seu
fornecimento.
A
lei 9.433, de janeiro de 1997, estabeleceu o preceito do
usuário pagador no Brasil, já amplamente
praticado desde a década de 60 em muitos dos
países mais desenvolvidos do mundo industrializado.
Segundo esse preceito, qualquer atividade econômica -
industriais, irrigantes, companhias públicas ou
privadas de abastecimento, clubes esportivos ou de lazer,
centros hoteleiros, spa´s e similares - só
poderá capturar água num rio, riacho,
poço, represa, canal, lago/lagoa, nascente ou de
qualquer tipo de manancial natural ou construído
peço poder público ou privado mediante
pagamento pelo volume de água
extraído.
Este
instrumento tem, fundamentalmente um grande alcance como
forma de valorização da água como um
recurso natural finito, relativamente renovável de
importância vital e fator competitivo do mercado
global. O primeiro resultado desta prática é
que logo se percebe quanto desperdiçar água -
tanto em termos quantitativos como qualitativos - significa
maiores custos que afetam a competitividade e a imagem da
empresa no mercado global.
A
experiência mostra, ainda, que a cobrança de um
montante financeiro pelo uso da água, mesmo que
simbólico, comparativamente ao investimento total
realizado, leva a sua inclusão numa planilha de
custos e a percepção de que desperdiçar
água significa desperdiçar
dinheiro.
Por
sua vez, a relação Produto Interno Bruto (GNP,
na língua inglesa) per capita (mil dólares)
versus taxas de consumo anual per capita de água na
indústria por exemplo, indica uma sensível
queda das taxas de consumo de água quando esse GNP
per capita atinge entre US$ 600 e US$ 1.000. No caso de
consumo doméstico, o ponto de mudança situa-se
num GNP da ordem US$ 2.000 per capita.
Este
comportamento é interpretado como resultante da maior
valorização que as pessoas e
organizações dão a água, na
medida em que se tornam mais ricas.
Efetivamente
rico tem dinheiro para ganhar dinheiro; pobre é que
tem dinheiro para gastar. Para o rico, desperdiçar
água já significa desperdiçar dinheiro,
enquanto que para o pobre desperdiçar dinheiro ou
água significa regra geral parecer rico.
No
conjunto de países de dimensões continentais,
do qual fazem parte o Canadá, estados Unidos da
América, China e Austrália, o Brasil é
o único de clima tropical úmido dominante.
Efetivamente, tem-se condições ambientais de
clima tropical úmido em mais de 80% do seu
território, 7% situam-se abaixo do Trópico de
Capricórnio e apenas sobre cerca de 10% de sua
área tem-se clima tropical
semi-árido.
Neste
quadro, mais de 90% do território brasileiro recebem,
de forma relativamente regular, uma abundante quantidade de
chuva (entre 1.000 e 3.000 mm/ano). Apenas na sua zona
semi-árida chove entre 500 e 800 mm/anos,
porém, de forma comparativamente muito irregular,
resultando em déficit freqüente de água
para desenvolvimento de atividades agrícolas de
subsistência. Essa irregularidade pluviométrica
associada a um quadro hidrogeológico pouco
favorável ao armazenamento subterrâneo de
água, engendra secas que afetam a parcela da
população que, mesmo em anos de chuvas
normais, já vive nos limites da
sobrevivência.
Não
obstante, uma avaliação dos potenciais de
água doce das nações revela que o
Brasil, com 5600 km3/ano, ocupa o primeiro lugar entre os
países mais ricos de água doce. As descargas
de água doce dos rios do Brasil correspondem a 54% do
total referente à América do Sul (10377
km3/ano) e, aproximadamente, 14% do total mundial (40673
km3/ano).
Tendo-se
por base a população atual, da ordem de 157
milhões de habitantes, as descargas de seus rios
representam um potencial de cerca de 5 mm3/hab/ano.
Além disso, as nossas reservas de águas
subterrâneas, estimadas em 112000 km3, têm uma
taxa explorável da ordem de 5000
m3/hab/ano.
A
análise do problema de água em 146
países, levou as Nações Unidas à
consideração de crise de água quando o
potencial nos rios é inferior a 500 m3/hab/ano, taxa
entre 500 e 1.000 m3/hab/ano caracteriza
situação de estresse, taxas entre 1.000 e
2.000 m3/hab/ano são consideradas como suficientes
à produção e usufruto de um
nível de vida adequado, e acima de 2.000 m3/hab/ano,
significa condição muito confortável.
Portanto, o Brasil tem, no geral, condições
muito confortáveis.
Vale
salientar que, tanto as potencialidades de água doce
dos rios como das águas subterrâneas,
são distribuídas de forma muito irregular no
território. Ademais, essa distribuição
quase sempre não sintoniza com a
distribuição da população. Para
alguns, esse fato significa que o estigma da escassez de
água, prognosticada no nível mundial pelos
organismos internacionais, também afeta o
Brasil.
Entretanto,
uma análise no nível dos estados do Brasil,
revela que, até mesmo naqueles do Nordeste
semi-árido, tais como Ceará, Rio Grande do
Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia,
os potenciais atuais de água doce nos rios situam-se
entre 1.000 e 2.000 m3/hab/ano. Local e ocasionalmente, as
taxas podem ficar entre 500 e 1.000 m3/hab/ano, da mesma
forma que em outros setores mais importantes, estas
são superiores a 2.000 m3/hab/ano.
Efetivamente,
tomando-se por base os valores de vazão
específica (L/s?km2) das principais bacias
hidrográficas do Brasil, verifica-se que é
possível abastecer densidades demográficas
(hab/km2) entre 693 habitantes nas bacias da Região
Amazônica, 100 habitantes na bacia do rio São
Francisco e 84 pessoas nas bacias dos rios do
Atlântico Nordeste.
Considerando
que cerca de 90% das nossas cidades têm
populações entre 500 e 20 mil habitantes,
verifica-se que a área necessária para
produção de água limpa de beber -
área de proteção de manancial - varia,
respectivamente, entre cerca de 1 km2 e 30km2 nas bacias
hidrográficas da Amazônia e entre 6 e 240 km/2
nas bacias dos rios do Nordeste semi-árido, tais como
Acaraú, Jaguaribe - CE; Apodi-moçoró,
Piranhas-Açú - RN, Paraíba -
PB.
Portanto,
mesmo nas regiões mais populosas do Brasil, o que
mais falta não é água, mas determinado
padrão cultural que agregue a necessidade de
redução dos desperdícios e
proteção da sua qualidade.
Em
termos de degradação da qualidade, vale
destacar que conforme o último senso do IBGE (1991),
em apenas cerca de 47% das cidades o esgoto doméstico
é parcialmente coletado e desta parcela cerca de 90%
são lançados sem tratamento nos rios.
Além disso convive-se com a maior parte do lixo
urbano produzido e 70% dos efluentes industriais são
lançados no ambiente sem tratamento prévio.
Efetivamente, rio no Brasil ainda é sinônimo de
esgoto e convive-se com a maior parte do lixo que se produz.
Portanto,
os problemas de abastecimento de água decorre, regra
geral, da combinação de dois fatores
principais: (1) crescimento localizado e desordenado das
demandas; (2) degradação da qualidade,
atingindo-se, atualmente, níveis nunca imaginados.
Efetivamente,
nas áreas onde já ocorre desenvolvimento
industrial significativo, torna-se, praticamente,
impossível eliminar os micropoluentes
inorgânicos, tais como cadimo, mercúrio,
chumbo, e orgânicos sintéticos, tais como
organo-fosforados e organo-clorados, compostos
benzênicos, fenólicos, ésteres do
ácido eftálico. Estes constituintes podem
causar efeitos adversos à saúde em teores
muito baixos - da ordem de partes por bilhão (PPB) ou
micrograma por litro (Mg/L) e até de partes por
trilhão (PPT) ou nanograma por litro
(Hg/L).
Desta
forma, os padrões de potabilidade estabelecidos pelo
Ministério da Saúde do Brasil - Portaria 36 de
19 de janeiro de 1990, deveriam levar em
consideração os 'cinco Brasis' formados pelas
cinco regiões geo-econômicas de
características físicas, climáticas,
humanas, econômicas e sociais tão diferentes
umas das outras.
E,
justamente, o conhecimento destes fatos que permite planejar
as ações e evitar ou atenuar os efeitos
temporários do excesso ou da falta de água.
Agir na ignorância deles, ou não
levá-los em conta, pode ter como
conseqüência os problemas de abastecimento que
ocorrem em muitas das nossa cidades - engendrados pela
escassez periódica e degradação da
qualidade em níveis nunca imaginados - que tem sido
amplamente manipulados e sofridamente tolerados.
Portanto,
a grande abundância de água doce no Brasil
é um capital ecológico de grande valor
competitivo do mercado global, porém, ainda muito
pouco considerado na mesa das
negociações.
A
partir da revolução Industrial, a quantidade
de água utilizada para consumo humano, atendimento
das necessidades crescentes de higiene e conforto, e
desenvolvimento das suas atividades econômicas,
aumentou mais de 35 vezes. A demanda total no ano 2000
é estimada pelo World Resources Institute (1991) em
4.349 km3/ano, sendo cerca de 2.585 km3/ano ou 60% para
irrigar 271 milhões de hectares, cerca de 456 km3/ano
ou 10% para abastecer uma população mundial da
ordem de 6 bilhões de habitantes - incluindo
água de beber, preparação de comida,
higiene, irrigação de jardins e
serviços - e cerca de 13c08 km3/ano ou 30% na
indústria, dos quais cerca de 75% serão
evolvidos como efluentes.
Quanto
ao consumo doméstico, a taxa passa de 20 L/hab/dia
nas populações de nível de vida
modesto, para 500 L/hab/dia nas sociedades modernas.
Atualmente, apenas 4% da população mundial
utiliza entre 300 e 400 L/hab/dia e 2/3 da
população concentrada na Ásia e
África usa menos de 50 L/hab/dia. No ano 2000,
estima-se que 17% da população mundial
deverá estar usando mais de 300 L/hab/dia, mas cerca
de 1,8 bilhão de pessoas deverá estar usando
menos de 50 L/hab/dia.
O
consumo da água na indústria (Tabela 1),
apresenta um sensível incremento nas regiões
de economia emergente, enquanto tendo a se estabilizar nas
regiões industrializadas.
Na
América do Sul, por exemplo, a demanda passou de 30
km3/ano na década de 1980 para 100 km3/ano no ano
2.000, com incremento de 350%, enquanto na Europa este
será de 155% e de 127% na América do Norte, no
mesmo período.
No
Brasil, o consumo total em 1990 era de 212 m3/hab/ano, sendo
43% para uso doméstico, 17% para uso industrial e 40%
na agricultura.
Tabela
1
Agua
na Indústria em 1980 e no ano 2000 - Km3/ano
|
Região
|
Demanda
Total
|
1980
Uso Consuntivo
|
Volume
Efluentes
|
Demanda
Total
|
2000
Uso Consuntivo
|
Volume
Efluentes
|
|
Europa
|
193
|
19
|
174
|
220-300
|
30-35
|
170-175
|
|
Ásia
|
118
|
30
|
88
|
320-340
|
65-70
|
255-270
|
|
África
|
6,5
|
2
|
4,5
|
30-35
|
5-10
|
25
|
|
América
Norte
|
294
|
29
|
265
|
360-370
|
50-60
|
310
|
|
América
Sul
|
30
|
6
|
24
|
100-110
|
20-25
|
80-85
|
|
Austrália
Oceania
|
1,4
|
0,1
|
1,3
|
3,0-3,5
|
0,5
|
2,5-3,0
|
|
URSS
|
117
|
12
|
105
|
140-150
|
20-25
|
120-125
|
|
TOTAL
|
759,9
|
98,1
|
661,8
|
1153-1308,5
|
190-225,5
|
962,5-993
|
A
globalização da economia tornou-se o principal
fenômeno neste final de século, possibilitando
uma análise comparativa de custos das tecnologias
alternativas de obtenção de água de
qualidade adequada ao consumo humano, industrial e
agrícola (Tabela 2).
No
desenvolvimento de análises comparativas de custos,
deve-se levar em consideração de que
água, embora tenha uma fórmula química
das mais simples, (H2O) ainda não é fabricada
artificialmente.
Ademais,
o seu custo de transporte é um dos mais elevados,
comparativamente às outras matérias primas
naturais. Em conseqüência a alternativa local
representa regra geral, a solução mais
barata.
Outro
aspecto importante a considerar nessa análise
é que os custos da água, segundo a
solução alternativa selecionada, devem ficar
dentro dos parâmetros aceitáveis pelo mercado
(the willingness of the consumers to pay), conforme mostram
os dados da Tabela 3.
Tabela
2
Custos
Internacionais da Água pelas Diferentes Tecnologias
Disponíveis
(Não
incluem Transporte)
|
TECNOLOGIAS
|
CUSTOS
(U.S.$ por mil m3)
|
|
Capitação
de rio (só
extração)
|
$
123 - $ 246
|
|
Destilação
|
$
645 - $ 1085
|
|
Congelamento
|
$
368 - $ 633
|
|
Eletrodiálise
(STD* 2000 e 5000 mg/L)
|
$
276 - $ 537
|
|
Reuso
de esgoto doméstico (AWT)**
|
$
200 - $ 485
|
|
Reuso
de esgoto (tratamento
secundário***)
|
$
77 - $ 128
|
|
Osmose
reversa (água salobra)
|
$
120 - $ 397
|
|
Captação
água subterrânea (artificial
recarregada)
|
$
118 - $ 138
|
|
Capitação
de água subterrânea (naturalmente
recarregada)
|
$
88
|
Fonte:
Rogers, 1987, in Gleick, 1993, * STD sólidos totais
dissolvidos, ** AWT - American Water Treatment, ***
redução de nitrogênio, fósforo,
filtração e adsorção por
carvão ativado.
Portanto,
em função da competitividade que é
imposta pelo mercado global, a água deve ser avaliada
de maneira integral: como elemento vital da sociedade e da
biodiversidade e recurso de valor econômico para
desenvolvimento, além de seus valores quanto a
aspectos culturais e espirituais. Uma matéria-prima
que tende a escassear tanto em quantidade quanto em
qualidade, tornando-se, portanto, cada vez mais
cara.
Tabela
3
Custos
Aceitáveis da Água, Segundo os
Usuários
|
USUÁRIOS
|
CUSTOS
ACEITAVEIS
(U.S.$ POR MIL M3)
|
|
Residencial
e comercial
|
$
300 - $ 600
|
|
Industrial
|
$
150 - $ 300
|
|
Agricultura
de alto valor (flores)
|
$
100 - $ 150
|
|
Frutas
e hortaliças
|
$
3 - $ 100
|
|
Outra
agricultura irrigada
|
$
< 3
|
Fonte:
Rogers, 1980, in McLaren & Skinner - Resources and Wold
Developmente, pp 611-623, 1987.
Para
responder essas exigências, as empresas
públicas e privadas devem assumir com o
critério fundamental da eficiência
econômica, equidade social e a consciência
ecológica na definição de na
definição de suas políticas na
prestação de serviços e controle da
qualidade de seus produtos, voltada para o
cliente/cidadão.
Por
causa disso, as empresas públicas e privadas
estão voltando sua atenção para os
programas de utilização, reuso ou reciclagem
da água.
Embora
não exista, no Brasil, nenhuma
legislação relativa ao reuso das águas,
e nenhuma menção tenha sido feita sobre o
assunto na Lei N.º 9.433 de 1997, ou Leis da
Água, já houve uma primeira
demonstração de vontade política. Com
efeito, na 'Conferência Interparlamentar sobre o
Desenvolvimento e Meio Ambiente', realizada em
Brasília, em dezembro de 1992, foi aprovada a
recomendação, sob o item
Conservação e Gestão de Recursos para o
Desenvolvimento (Parágrafo 64/B), que se 'envidasse
esforços, no nível nacional, para
institucionalizar a reciclagem e reuso sempre que
possível e promover o tratamento e a
disposição de esgotos, de maneira a não
poluir o meio ambiente'.
Nesse
quadro, o conceito de 'substituição de
fontes', se mostra como a alternativa mais plausível
para satisfazer as demandas menos restritivas, liberando as
águas de melhor qualidade para usos mais nobres, como
o abastecimento doméstico.
Em
1985 o Conselho Econômico e Social das
Nações Unidas, estabeleceu uma política
de gestão das águas em áreas carentes
de recursos hídricos, que suporta este conceito: 'a
não ser que exista uma grande disponibilidade deve
ser utilizada para usos que tolerem águas de
qualidade inferior'.
As
possibilidades e formas potenciais de reuso dependem,
evidentemente de características,
condições e fatores locais, tais como
decisão política, arcabouço
institucional e legal, disponibilidade técnica e
fatores econômicos, sociais e culturais.
No
setor urbano, as possibilidades de reciclagem ou reuso de
efluentes domésticos ou industriais são muito
amplas e diversificadas, tais como: (1) Torres de
refrigeração; (2) alimentação de
caldeiras; (3) construção civil,
compactação do solo; (4)
irrigação de áreas verdes, lavagem de
pisos, peças; (5) processos industriais.
A
Organização Mundial da Saúde - OMS -
não recomenda o reuso direto, entendido como a
conexão direta dos efluentes de uma
estação de tratamento de esgotos, a uma
estação de tratamento de água e, em
seguida, ao sistema de
distribuição.
A
reutilização de esgotos domésticos
recomendada é do tipo indireto, ou seja, o efluente
da estação de tratamento de esgotos é
diluído num corpo de água limpa - rio, lago,
aqüífero subterrâneo - do qual,
após um certo tempo de detenção,
é novamente captado, seguida de tratamento adequado e
posterior distribuição.
Face
aos riscos potenciais à saúde pública,
aos elevados custos envolvidos e aos problemas de
segurança operacional do reuso indireto, tem sido
recomendada a reutilização para fins urbanos
não potáveis. Dentre esses, os com maior
potencial de viabilização são os
seguintes: (1) Irrigação de parques e jardins
públicos ou privados, centros esportivos,
áreas verdes ao longo de avenidas e rodovias; (2)
reserva de proteção contra incêndios;
(3) abastecimento de sistemas de refrigeração;
(4) sistemas aquáticos decorativos, tais como
chafarizes, fontes, espelhos de água e cascatas; (5)
descarga sanitária de banheiros públicos, de
edifícios comerciais, de aeroportos,
indústrias; (6) lavagem de carros, trens,
ônibus e veículos em geral.
A
aplicação de esgotos na agricultura é
uma forma efetiva que vem tendo um grande desenvolvimento
nas últimas décadas devido aos seguintes
fatores, principalmente: (1) os benefícios
econômicos são incontestáveis, auferido
graças ao aumento de produtividade; (2) dificuldades
crescentes de fontes de água natural para
irrigação; (3) custo elevado de fertilizantes;
(4) custos elevados dos sistemas de tratamento, para
descarga dos efluentes nos corpos receptores; (5)
aceitação crescente sociocultural da
prática de reuso; (6) minimização dos
riscos à saúde pública e de impacto no
solo e culturas, se as precauções adequadas
são efetivamente observadas.
A
Conferência das Nações Unidas sobre o
Meio Ambiente Humano, Estocolmo - 1972, levou os
países industrializados e em desenvolvimento a
traçarem, juntos, os direitos da família
humana a um ambiente saudável e produtivo.
No
Nosso Futuro Comum, 1987, essa opção ficou
caracterizada como significando desenvolvimento
sustentável. Na Agenda 21, principal documento da
Rio-92, tornou-se consenso a percepção da
água como recurso ambiental limitado e de valor
econômico.
Como
resultado, as figuras do usuário-pagador e do
poluidor-pagador, já consolidadas em muitos
países, tornaram-se universal. Dessa
situação resultou que as despesas referente ao
tratamento e reuso dos esgotos domésticos e efluentes
industriais deixaram de ser contabilizadas como custos e
passaram a ser vistas como investimentos que geram recursos
hídricos não potáveis para uso
doméstico, comercial, industrial e para
produção agrícola nas áreas
peri-urbanas e irrigação de áreas
verdes diversas, tais como jardins, parques e campos de
esporte.
Efluente
zero não significa que a cidade ou a indústria
vai deixar de gerar águas servidas ou
resíduos, mas que vai considerar os processos de
tratamento e reuso, na medida em que condições
de balanço custos-riscos versus benefícios
forem satisfatórias, tanto em termos econômicos
como de proteção ambiental.
A
alternativa efluente zero representa uma meta
avançada do processo de tratamento e reuso das
águas e outros resíduos e já não
é uma hipótese ou teste acadêmica, mas
uma situação comprovada por muitas
indústrias importantes, em diferentes países
do mundo desenvolvido.
Uma
ampla gama de técnicas já está
disponível para se chegar a melhores e mais baratos
processos de tratamento de esgotos domésticos e
industriais.
Contudo,
o nível de efluente zero deve ser entendido como uma
meta que poderá ser atingida efetivamente, quando
forem criadas condições legais, institucionais
de viabilidade técnica-econômica,
comparativamente às demais alternativas
locais.
Apesar
dos esforços realizados e dos compromissos assumidos,
pouco foi feito do muito que se necessita, urgentemente, em
prol do desenvolvimento de uma sadia mentalidade de uso e
proteção da água, para uma efetiva
garantia do investimento realizado e melhoria da qualidade
de vida da população.
Não
é possível apresentar valores comparativos que
são cobrados do usuário-pagador, porque, cada
agência de bacia hidrográfica tem
critérios muito específicos de
ação visando ora a promoção, ora
controle do desenvolvimento industrial, urbano ou
agrícola na área em apreço. Em muitos
casos, esses critérios visam até
setorialmente, dentre de uma mesma unidade de
planejamento/gerenciamento em questão.
No
caso do Brasil, a maior prioridade nacional em recursos
hídricos é a reversão urgente do
dramático quadro de desperdício e
degradação da qualidade das águas, para
níveis compatíveis com a sustentabilidade, em
curto, médio e longo prazos. Devido a falta de
fiscalização, poços mal
construídos ou abandonados, sem qualquer medida de
controle de interferência e de proteção
da qualidade da água que captada para abastecimento
de atividades econômicas, constituem importantes
fatores de risco dos investimentos realizados pelas
empresas.
Vale
ressaltar, todavia, que enquanto a oferta da água de
um rio é feita com base em grandes investimentos
públicos que se realizam para conhecimento dos seus
potenciais disponíveis, no caso das águas
subterrâneas a captação se faz por conta
o risco do setor privado.
Neste
quadro, o preceito do usuário-pagador significa menor
risco do investimento, na medida em que se estabelece um
compromisso de responsabilidade do poder público que
concede a outorga da água. Desta forma, a empresa que
não exige ou adota o preceito do usuário
pagador conspira contra seu próprio
negócio.
A
água é indispensável a todos os seres
vivos, além de servir como matéria prima para
quase 100% dos produtos fabricados ou
industrializados.
São
Paulo é a maior cidade do Brasil e da América
Latina, a água consumida em São Paulo é
tratada e distribuída pela Sabesp Cia de Saneamento
Básico do Estado de São Paulo.
O
Estado de São Paulo tem 1,6% da água doce
brasileira. O mais famoso rio que atravessa o Estado
é o Tietê. O rio Tietê nasce na serra do
Mar, em Salesópolis, a 96Km de distancia da capital,
e percorre 1,100Km até desaguar no rio Paraná.
Na nascente ele é limpo e puro começa num
pequeno filete de água.
No
seu trajeto, vai recebendo afluentes e se torna volumoso. Ao
passar por Moei das Cruzes, o Tietê ainda tem
oxigênio, que permite a vida aquática. Mas,
à medida que se aproxima da capital, vai recebendo
grande carga de detritos domésticos e industriais e
se torna um dos rios mais poluídos do mundo. Seu
nível de poluição atinge o ponto
máximo quando atravessa o município de
São Paulo.
Seguindo
aproximadamente 300 quilômetros rio abaixo, na
região de Barra Bonita, o Tietê já vai
se tornando menos poluído. Mas, se não receber
o tratamento adequado, essa região será uma
das próximas a sofrer com a poluição de
suas águas, sem contar que aí desembocam dois
afluentes do Tietê: os rios Piracicaba e Sorocaba,
já bastante comprometidos.
No
trecho da Região Metropolitana de São Paulo, o
Tietê tem uma vazão média anual de
água insuficiente para atender as necessidades de uma
metrópole desse porte.
Dos
625 municípios do Estado de São Paulo, 296
são atendidos por serviços municipais de
saneamento e abastecimento. Os outros 329 são
atendidos pela SABESP - Companhia de Saneamento
Básico do Estado de São Paulo -, que é
a empresa responsável pelo abastecimento de
água e pela coleta e tratamento de esgotos.
O
pico de consumo de água para atender 16
milhões de pessoas na Grande São Paulo
é de 69 mil litros por segundo. Atualmente, a SABESP
consegue produzir 60 mil litros por segundo, em
média. Metade dessa produção vem de
fora da bacia do Alto Tietê. Vem dos formadores do rio
Piracicaba. O fato de ter de buscar água longe da
capital exigiu investimentos mais altos. Ainda assim, a
cidade tem um déficit de 10% no
abastecimento.
O
presidente da Sabesp Antônio Marciglia Neto, afirma
que:
"A
Sabesp tem em primeiro lugar que seu papel como empresa de
saneamento, que tem como direção fundamental a
qualidade de vida das pessoas. O saneamento - água,
esgoto sanitário - tem importância fundamental
para a saúde pública. Mas nós temos que
nos compenetrar que a água, apesar de muitas pessoas
julgarem erradamente que é um bem ilimitado, tem
condicionantes de quantidade e de qualidade. É por
isso que a SABESP desenvolve vários programas, como o
controle de perdas - que tem como objetivo reduzir as perdas
físicas e não físicas de água de
seu sistema - e o programa de uso racional da água,
que tem como objetivo fazer com que a
população não desperdice esse bem
precioso, não só em termos de
desperdiçar o bem em si, mas no sentido de fazer com
que as suas contas tenham valores menores. Nesse sentido, a
SABESP tem como objetivo não só preservar o
bem, mas fazer com que economicamente a
população tenha condições de
pagar suas contas de água em valores
compatíveis com o rendimento de cada um. Nós
temos uma meta fundamental: fazer com que toda a
população do Estado de São Paulo e,
basicamente, aqueles que estão vivendo nos
municípios em que a SABESP opera, tenham, CEM POR
CENTO de abastecimento de água ."
Tratamento
de água em São Paulo
São
sete grandes sistemas produtores de água
potável na Região Metropolitana de São
Paulo: Cantareira, Guarapiranga, Alto e Baixo Cotia, Alto
Tietê, Rio Claro e Rio Grande.
O
maior deles é o Cantareira, responsável por 33
mil litros de água por segundo. A
água
produzida nos sete sistemas chega aos consumidores
através de 1200 quilômetros de grandes
tubulações ou adutoras, reservatórios e
23 mil quilômetros de redes de
distribuição. O tratamento da água tem
a finalidade de eliminar as impurezas prejudiciais e nocivas
à saúde. Quanto mais poluído o
manancial, mais complexo será o processo de
tratamento e, portanto, mais cara será a
água.
*Na
estação de tratamento de água
nós recebemos a água bruta.
Ela
recebe o primeiro produto químico, que é
sulfato de alumínio líquido. A
função do sulfato de alumínio é
justamente agregar aquelas partículas, aquele
material que está dissolvido na água, ou seja,
a sujeira.
Depois
da adição do sulfato de alumínio, a
água chega aos floculadores, onde recebe cloro - para
a desinfecção - e polieletrólito, um
produto químico que vai ajudar na
floculação. No floculador, os motores agitam a
água em velocidade controlada para aumentar o tamanho
dos flocos. Em seguida, a água passa para os
decantadores, onde os flocos maiores e mais pesados
vão se depositar.
Cinqüenta
a sessenta por cento das impurezas ficam retidas no
decantador. Somente a água da superfície sai
dos decantadores e passa pelo processo de filtragem, para
retirar o restante das impurezas. Nessa fase, recebe nova
adição de cloro. O filtro tem vida útil
de 20 a 30 horas. Ao final desse período, deve ser
lavado para a retirada da sujeira que ficou retida na
filtragem. Depois de filtrada, a água recebe a
adição de cal para elevar o PH, cloro e
flúor. Só então ela está
própria para o consumo.
O
padrão de potabilidade da água tratada e
consumida pela população de São Paulo
segue as recomendações da
Organização Mundial de Saúde,
garantindo a inexistência de bactérias e
partículas nocivas à saúde humana.
Dessa forma, evita-se o surgimento de grandes surtos de
epidemias, como a cólera e o tifo. E a SABESP faz o
monitoramento da qualidade das águas em seus
laboratórios, durante todo o processo de
produção e
distribuição.
A
água, depois de tratada, é levada à
população através da rede de
distribuição, um conjunto de
tubulações e peças especiais que exigem
operações adequadas e manutenção
sistemática. Mas, podem ocorrer acidentes no percurso
da água, provocando rompimentos nas
tubulações e a conseqüente perda de
água. As perdas de água potável
são calculadas tendo como base a diferença
entre o volume consumido registrado pelo conjunto de
hidrômetros e o volume produzido pelos
sistemas.
Existem
dois tipos de perda: a física e a não
física. A perda física é a água
perdida em vazamentos, aquela que não chega ao
consumidor. A perda não física é a
água usada pelos consumidores, mas que não
é medida pela empresa de abastecimento de
água, como as ligações clandestinas e
outros tipos de fraudes.
Dessa
forma, obtém-se a perda total de 42 por cento do que
é produzido na Região Metropolitana de
São Paulo.
No
sistema público, o Programa de Redução
de Perdas da SABESP visa, até 1998, reduzir a perda
para 24 por cento. Ao mesmo tempo, a empresa desenvolve um
programa de uso racional de água.
Uso
Racional da Água
"O
Programa de uso Racional da Água é um programa
que a SABESP já vem desenvolvendo há algum
tempo. Esse programa é muito extenso e abrange
vários outros tipos de projetos, como o reuso e
reciclagem de água, de indústrias, de
estação de tratamento, de controle de
evaporação de mananciais, de controle de
perdas. No momento ela está dando ênfase para o
programa de Uso Racional de Água dentro das
residências. É usado o prédio principal
da empresa, a sede principal, para começar esse
trabalho.
A
própria Sabesp saiu na frente e trocou alguns
equipamentos economizadores de água, do tipo
torneiras com arejadores e bacias sanitárias de 6
litros por descarga.
Posteriormente,
implantamos esse programa do Uso Racional na cozinha
industrial da SABESP. Fizemos uma campanha educativa junto
aos funcionários da cozinha e começamos esse
trabalho em março. Depois de 8 meses, observamos uma
grande redução. Nós tínhamos, no
início, o consumo de 32 litros por
refeição e hoje estamos com 18 litros por
refeição. A SABESP pretende estender esse
programa de Uso Racional de Água para as cozinhas
industriais da Região Metropolitana de São
Paulo e também para as residências". Afirma
Sonia M. Nogueira e Silva, Coordenadora &endash;
SABESP.
Uso
Racional da Água.
No
próximo século, a água doce será
o recurso natural mais disputado na maioria dos
países. No Brasil existe água em
abundância, mas existe também o
desperdício e o comprometimento dos mananciais. Aqui,
o uso da água segue em direção oposta a
dos países desenvolvidos que, desde a década
de 70, vêm adotando programas de
conservação. Um deles é o
desenvolvimento de tecnologias mais eficientes.
Inúmeros países tornaram obrigatória a
adoção de equipamentos sanitários mais
econômicos no consumo de água. Por exemplo, a
válvula de descarga, que ao ser acionada gasta de 10
a 30 litros de água, foi substituída pela
caixa acoplada ao vaso, que descarrega apenas 6 litros por
vez. Na cidade do México, o governo substituiu
três milhões e meio de válvulas por
vasos sanitários com caixa acoplada, de 6 litros por
descarga, resultando numa redução de consumo
de 5 mil litros de água por segundo. Nos Estados
Unidos, além de ser obrigatório o limite de 6
litros para a descarga, a legislação
também limitou a vazão de chuveiros e
torneiras em 9 litros de água por minuto, o que
resultou numa redução de 30 por cento no
consumo de água. Aqui no Brasil existem algumas
experiências que estão sendo feitas pela SABESP
em conjunto com o IPT e com a Escola Politécnica da
USP. Uma delas foi realizada no Colégio Vera Cruz e
vem dando bons resultados.
"Desde
94, a Escola Vera Cruz trabalha e se preocupa com essa
questão da água. Nós instalamos no
prédio do primeiro grau a torneira econômica e
obtivemos resultados muito positivos. Nós obtivemos
uma economia em torno de 33 por cento de água. O
grande trabalho também é feito junto aos
alunos, no sentido de mostrar que água é um
bem que está escasseando no nosso planeta. No
prédio do segundo grau, nós projetamos um vaso
com caixa acoplada e torneiras econômicas
também. E com os alunos nós estamos
começando um trabalho de mostrar a importância
da água e a importância de nós
economizarmos a nossa água".
Profº.
Edaival Mulatti, Coordenador
2º
Grau da Escola Vera Cruz
É
claro que a conservação da água
depende, sobretudo, de ações educativas junto
à comunidade, que deve ser esclarecida com
relação aos prejuízos que a
poluição provoca. E depende, também, de
uma série de leis e regulamentos que as autoridades
devem implantar.
Poluição
no Rio Tietê
A
falta de planejamento em relação aos recursos
hídricos precisa acabar. É necessário
que haja administração racional, que
não vise apenas aumentar a oferta de água com
grandes investimentos em obras, mas se preocupe,
principalmente, em conservar, preservar e reaproveitar a
água que temos.
A
sua conservação exige, entre outras coisas, a
coleta e o tratamento de esgotos, que atendem aos aspectos
sanitários e legais.
O
controle da ocupação urbana e o tratamento dos
esgotos são primordiais na proteção dos
mananciais. Os países desenvolvidos proíbem o
despejo de esgoto industrial e doméstico sem
tratamento nos rios e represas para garantir a
reutilização segura dessas águas. A
água de esgoto tratado não é
potável , mas serve para usos menos
nobres.
"O
tratamento de esgotos é um processo fundamental para
o controle da poluição das águas,
recuperação da qualidade das águas
servidas e diminuição da
poluição ambiental.
Despejo
de esgoto doméstico Despejos industriais e
domésticos, quando lançados em córregos
ou rios, comprometem seriamente a qualidade das
águas, propiciando a incidência de
doenças de veiculação
hídrica.
Por
isso, o tratamento de esgotos, torna-se cada vez mais
necessário, associado a uma política de
conscientização para controle da
poluição". Vera Lúcia A.
Aguiar
Química
- Estação Tratamento de Esgoto de
Barueri.
Aqui
em São Paulo a SABESP está desenvolvendo um
arrojado programa de tratamento de esgotos dentro do Projeto
Tietê. Um empreendimento de quase um bilhão de
dólares, que pretende reduzir a
poluição desse importante rio de São
Paulo, além de contribuir grandemente para melhorar a
qualidade ambiental.
Reuso
e Qualidade da Água
As
indústrias dos Estados Unidos, Japão e
Alemanha aumentaram sua produtividade e, ao mesmo tempo,
reduziram o consumo de água, a partir do programa de
reutilização.
No
Japão, foram mudadas as regras da
construção civil. Lá, os
condomínios, hotéis e hospitais passaram a ser
construídos com sistemas particulares de
reaproveitamento de águas servidas. Por exemplo, a
água que sai pelo ralo do box ou da banheira segue
por canos independentes até um pequeno
reservatório que abastece os vasos sanitários
do edifício. Só então ela vira esgoto,
que, em algumas cidades, é tratado e reutilizado em
processos industriais.
O
tratamento dá condições de
reutilização da matéria-prima
água. O reuso "não planejado" de água
já é adotado na Região Metropolitana de
São Paulo. Mas deve ser implementado o reuso
"planejado", uma vez que os mananciais da bacia do Alto
Tietê já estão sendo superexplorados.
A
Constituição Brasileira determina que "todos
têm direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, um bem de uso comum do povo e essencial
à sadia qualidade de vida e é dever do Poder
Público e da coletividade defender e preservar o meio
ambiente para as gerações presentes e
futuras". Apesar das inúmeras tentativas, essa
preservação tem deixado a desejar.
Córregos e rios são usados pela
população como depósito de lixo.
Vejamos um exemplo: diariamente, as pessoas tentam se livrar
do lixo muitas vezes jogando-o pela janela, seja a do carro,
seja a de casa. Você já imaginou se todos
fizessem isso, o que aconteceria com nossos rios, já
tão poluídos?
Um
pedaço de papel jogado na Avenida Paulista irá
descer pela encosta e, dependendo do lado em que o vento
soprar, deverá chegar ao rio Tamanduateí ou
rio Pinheiros. Qualquer um dos dois rios que receba esse
papel irá levá-lo, certamente, ao rio
Tietê. E se acumulará ao resto do lixo que
é despejado nesse rio. O papel demora um certo tempo
para dissolver na água. Imagine os outros tipos de
lixo despejados nesses rios e nos mananciais que abastecem a
cidade!
Por
outro lado, como alguns rios da Grande São Paulo
estão canalizados, as pessoas têm a
impressão de que eles não existem. E como
não são vistos, dificilmente a
população lutará por sua qualidade.
E,
por falar em qualidade, a água potável,
tratada, que sai da rede de distribuição e
chega às nossas casas, pode não chegar
tão limpa às nossas torneiras. Você
já parou para analisar as condições do
encanamento de sua residência? Ferrugem e sujeira nos
canos podem prejudicar a água potável que
chega à sua casa.
A
caixa d'água precisa ser limpa e desinfetada com
cloro a cada 6 meses, usando escova de fibra vegetal ou
plástico macio. Nunca use sabão, detergente ou
outro produto químico. A água clorada que foi
usada na desinfecção da caixa pode ser
utilizada para lavar quintal e banheiros, por exemplo.
Não
deve se esquecer de verificar a bóia. Quando
desregulada, pode provocar elevadas perdas de água
pelo ladrão. E o que é fundamental: mantenha a
caixa sempre muito bem tampada, para evitar a entrada de
insetos e pequenos animais, que podem contaminar a
água e provocar graves doenças.
Como
Economizar Água
A
água que consumimos custa aproximadamente, um real
cada mil litros. Parece pouco, mas esse custo poderá
ser bem mais alto se a água não for utilizada
de forma adequada, sem desperdícios. O cálculo
da tarifa é progressivo: quanto maior o consumo,
maior é o preço. A faixa de consumo de
água por pessoa varia de 150 a 400 litros por dia. Se
a água for usada com economia, de maneira racional, o
consumo será menor. E a conta também.
Vamos
mostrar, na prática, como podemos economizar. Vamos
começar verificando os vazamentos. Para isso,
você pode fazer alguns testes. Feche o registro do
cavalete de entrada da água em sua casa. Abra uma
torneira alimentada diretamente pela rede de água -
por exemplo, a do jardim ou a do tanque - e espere
até escoar. Pegue um copo cheio d'água e
coloque-o na boca da torneira. Se houver
sucção da água do copo pela torneira,
é sinal que existe vazamento no cano.
Outra
maneira de detectar vazamento é fechar todas as
torneiras e registros da casa e verificar se no
hidrômetro, aparelho que mede o consumo de
água, ocorre movimento dos números ou do
ponteiro do relógio. Caso isso aconteça,
certamente existe vazamento. Por exemplo, um pequeno buraco
de dois milímetros, do tamanho da cabeça de um
prego, vai desperdiçar em torno de 3.200 litros de
água por dia. Esse volume é suficiente para o
consumo de uma família de 4 pessoas, durante 5 dias,
incluindo limpeza da casa, higiene pessoal,
preparação de alimentos e água para
beber.
Além
desses cuidados, existem outras maneiras de economizar
água. Se a pessoa escovar os dentes em 5 minutos e
fizer a barba em mais 5 minutos, deixando a torneira aberta,
estará gastando 24 litros de água por dia,
só com essas duas atividades, quantidade de
água que uma pessoa poderia beber durante 12 dias.
Se
a pessoa fizer essas mesmas atividades de maneira mais
econômica, ou seja, mantendo a torneira fechada e
só usando água quando for necessário,
gastará, em média, dois litros. A economia
será de aproximadamente 22 litros por dia.
Evite
usar o vaso sanitário como cesto de lixo. Papel,
cotonete, algodão, pontas de cigarro não devem
ser jogados no vaso. Se os 16 milhões de habitantes
da Região Metropolitana de São Paulo deixarem
de usar uma descarga por dia por causa desse lixo jogado em
lugar indevido, serão economizados cerca de 160
milhões de litros d'água diariamente, o que
equivale ao abastecimento de uma cidade do porte de Santo
André, na Grande São Paulo. Além de se
evitar o tratamento de um volume maior de esgoto.
Um
dos recordistas do consumo de água no Brasil é
o chuveiro. O banho de 15 minutos com ducha consome 135
litros de água por banho, com meia volta de
água de abertura. Com o chuveiro elétrico
comum, o mesmo banho vai consumir 45 litros. Uma grande
economia pode ser conseguida se o tempo de banho for
reduzido para 5 minutos e se o chuveiro ficar fechado
enquanto a pessoa se ensaboa. Outro detalhe: a ducha gasta 3
vezes mais do que o chuveiro comum.
Existem
modos econômicos também para lavar a
louça, ensaboando com a torneira fechada e usando
água só para enxaguar. A roupa também
pode ser lavada com economia. Deixe acumular. Não
lave poucas peças por vez. Isso serve para o tanque e
para a máquina de lavar.
Evite
lavar calçadas e quintais. Não faça da
mangueira a sua vassoura hidráulica. Varrer dá
o mesmo resultado.
Lavar
o carro durante 30 minutos com abertura de meia volta na
torneira consome de 216 a 560 litros de água por
lavagem. Se você usar um balde de 10 litros para
molhar o carro e mais 3 baldes para enxaguar, você
estará consumindo 40 litros por lavagem. É uma
economia significativa.
É
preciso evitar desperdícios. Uma torneira mal
fechada, pingando, gasta 46 litros por dia, quantidade
suficiente para matar a sede de uma pessoa por 20 dias.
Se
por descaso do usuário a torneira ficar aberta por 15
minutos com um quarto de volta, enquanto atende ao telefone,
por exemplo, o gasto será de 108 litros. Com meia
volta, 280 litros. Com uma volta completa, 380 litros de
água serão gastos.
Hoje,
quando há algum desperdício pelo uso abusivo
de água, ninguém se incomoda. Mas esse
comportamento terá de mudar. Economizar e conservar a
água é fundamental.
A
consciência de que é preciso mudar está
Todos nós sempre dependemos da água. Agora a
água também dependerá de nós, de
nossas atitudes e comportamentos, de nosso grau de
civilidade.
Água:
Um Bem Limitado
Realização:
TV Cultura - 1997
Conclusão
"A
constituição brasileira determina que: Todos
tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, um
bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida e que é dever do poder
público e da coletividade, defender e preservar o
meio ambiente para as gerações presentes e
futuras".
Art.
225 da Constituição do Brasil.
Isto
não é cumprido, o que normalmente observamos
são ações de desprezo e desrespeito com
a natureza. É imprescindível que a
população brasileira se torne conhecedora de
assuntos que tem uma relação direta com o
futuro próximo, ainda continuamos com
ações isoladas como as das empresas que
prestam serviços de saneamento ou campanhas que
envolvem a mídia nas épocas de racionamento
por problemas de escassez.
Bibliografia
Grande
Enciclopédia Larousse Cultural. Larousse 1995. Nova
Cultural 1988. Gráfica Plural Editora e
Gráfica. Vol. 1. São Paulo.
Ciências.
Natureza e Vida. Gowdak, Demétrio e Maretins,
Eduardo. Editora FTD S/A . 1995. São
Paulo.
Antes
que a Natureza Morra. Dorst, Jean. Editora Universidade de
São Paulo. 1973. São Paulo.
Palestra
Reuso de água. Palestrantes: José Carmo
Junior, Pedro Alves de Lima e Hernane Domingos Fernandes
Dias. 2000. Divisão de Medição e
Faturamento Norte. Sabesp.
Vídeo
Rede Sabesp 4a Edição, 1997, 5a
Edição, 1998 e 6a Edição, 1999.
Superintendencia da Comunicação
Sabesp.
Vídeo
Água Um Bem Limitado. Realização Rede
Cultura de Televisão. 1999.
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