TRANSFORMAR DADOS EM INFORMAÇÕES

Por Mauro Laruccia

(disponível na rede desde Janeiro/2000) 


As organizações modernas geralmente armazenam dados em algum tipo de sistema tecnológico, lançados. Os dados são lançados no sistema por departamentos como marketing, produção, contabilidade ou finanças.

Dados são um conjunto de fatos distintos e objetivos, relativos a eventos. Num contexto organizacional, dados são utilitariamente descritos como registros estruturados de transações. (DAVENPORT & PRUSAK, 1999:2) Os dados não revelam o motivo no qual um cliente comprou o produto A ou B.

Informação é o termo que designa o conteúdo daquilo que permutamos com o mundo exterior ao ajustarmos e ele faz com que nosso ajustamento seja nele percebido.

A informação é uma mensagem, geralmente na forma de documento ou uma comunicação audível ou visível. Como acontece com qualquer mensagem, ela tem um emitente e um receptor. A informação tem por finalidade mudar o modo como o destinatário vê algo, exercer algum impacto sobre seu julgamento e comportamento. Ela deve informar; são dados que fazem a diferença. O significado da palavra "informar" é "dar forma a". sendo que a informação visa a modelar a pessoa que a recebe no sentido de fazer alguma diferença em sua perspectiva ou insight. (DAVENPORT & PRUSAK, 1999:4)

Materiais apresentados em tabelas são simplesmente dados sem interpretação &emdash; contendo apenas um relacionamento. Gráficos, por outro lado, demonstram relações e são usados para reforçar as mensagens que não estão claras em tabelas isoladas.

Assim, dados tornan-se informação quando o seu criador lhes acrescenta significado. Transformamos dados em informação agregando valor de diversas maneiras.

Observe que os computadores podem ajudar a agregar tais valores e transformar dados em informação, porém quase nunca eles ajudam na parte do contexto, e os seres humanos geralmente precisam agir nas partes da categorização, cáculo e condensação. (DAVENPORT & PRUSAK, 1999:5)

Para se transformar dados para informação (gráficos) é necessário: (A) Determinar a sua mensagem &emdash; decidir qual relação desejamos demonstrar; (B) Identificar o tipo de comparação &emdash; classificar a sua mensagem em um dos tipos básicos de comparação disponíveis; (C) Selecionar um tipo de gráfico que melhor demonstre o tipo de comparação que desejamos fazer. Discutiremos cada passo neste artigo e, então veremos como esse processo funciona, usando exemplos ilustrativos.

A. Determinar a sua mensagem

Uma mensagem é um grupo finito e ordenado de elementos de percepção ordenados e tirados de um repertório reunidos em uma estrutura cuja finalidade é modificar o receptor. (COELHO NETTO, 1996:122)

O tipo de gráfico que será selecionado dependerá da interpretação inicial dos dados.

Note como esta simples tabela por ser interpretada de várias maneiras. Lendo horizontalmente, a tabela compara as vendas de três produtos em um determinado período de tempo. A mensagem poderia ser, "Em maio, as vendas do Produto A superaram as vendas dos Produtos B e C." Lendo verticalmente, os dados comparam as vendas no tempo, e a mensagem é, "As vendas têm aumentado desde Janeiro."

b. Identificar o tipo de comparação

Uma vez definido claramente a sua mensagem, veremos que ela pode ser classificada em cinco tipos básicos de comparação.

  1. Comparação de componentes. Mostra a importância relativa entre componentes em um conjunto.
  2. Comparação de itens. Mostra o posicionamento de cada item fornecendo um ranking.
  3. Comparação de série temporal. Mostra uma variação ao longo do tempo.
  4. Comparação de distribuição de freqüência. Mostra a distribuição de um item durante várias quantidades de categorias de tamanho progressivamente.
  5. Comparação de co-relacionamento. Mostra o quanto a variação em um item influencia na variação em outro.

Por definição, os dois exemplos mencionados acima seriam classificados conforme abaixo:

 

C. Selecionar um tipo de gráfico

Todos os gráficos são derivados dos cinco tipos básicos &emdash; pizza, barras, colunas, curvas, e dispersão. Dois tipos adicionais &emdash; área e superfície &endash; são derivados dos gráficos de coluna e curva respectivamente. Cada um serve para um propósito diferente, pois cada um é mais indicado para demonstrar ou ilustrar uma comparação diferente. A matriz abaixo combina as cinco formas básicas de gráficos e as suas derivadas.

Como funciona o processo

Os exemplos ilustrativos e simplificados demonstrados abaixo, mostram como funciona o processo de elaboração de gráficos para cada tipo de comparação que desejamos efetuar. Note como os exemplos 2 e 3 mostram o processo para as duas mensagens mencionadas acima no tópico A.

Conclusão

Marshall McLuhan, em seu livro O meio é a mensagem, afirmava que a televisão transformaria a humanidade numa aldeia global e acabaria com os conflitos mundiais, até as recentes declarações sobre o poder de transformador da Internet, que a tecnologia da informação mudará não apenas o modo como trabalhamos, mas também quem somos. Segundo Davenport (1999:5) o meio de comunicação não é a mensagem, embora ele possa influênciá-la fortemente. O que é entregue é mais importante que o veículo que a entrega. Ter telefone não garante nem sequer estimula conversas brilhantes; ter um CD Player de última geração não faz a mínima diferença se você apenas ouvir polcas tocadas por instrumentos de brinquedo. Nos primórdios da televisão, muitos comentaristas diziam que novo meio de comunicação elevaria o nível do discurso cultural e político, uma previsão que evidentemente não se concretizou. Donde os gerentes hoje concluíram que dispor de tecnologia da informação mais sofisticada não implica necessariamente obter melhor informação.


Bibliografia 

COELHO NETTO, J. Teixeira. Semiótica, Informação e Comunicação: Diagrama da Teoria do Signo. São Paulo: Perspectiva, 1996.

DAVENPORT, Thomas. & PRUSAK, Laurence. Conhecimento Empresarial. (Trad.) Lenke Peres. Rio de Janeiro:Campus; São Paulo: Publifolha, 1999.

MCLUHAN, Marshall. Os meios de Comunicação com Extensões do Homem. São Paulo: Cultrix, 1979.

MCLUHAN, Marshall. & FIORE, Quentin. Guerra e Paz na Aldeia Global. Rio de Janeiro: Record, 1971.

 

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