TELEFONIA CELULAR: PROBLEMAS GERAIS E UMA ANÁLISE SEMIÓTICA DA PUBLICIDADE

por Mauro Laruccia

Monografia apresentada em Setembro de 1998 ao Prof. Dr. Gianfranco Marrone do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

(disponível na rede desde Fevereiro/2000) 


 

Índice

Introdução: O mercado de telefone no Brasil

Uma visão dos fenômenos sócio-comunicativos

A Semiótica na Publicidade

Metodologia

Os Aparelhos Celulares

Prático

Crítico

Utópico

Lúdico

Os dois gestores de Serviços em São Paulo

BCP Telecomunicações

Telesp Celular

Bibliografia

Glossário

Anexos


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1. Agencia Nacional de Telecomunicações, Anatel recentemente criada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PATURY, Felipe & SORIMA NETO, João. 13.500.000.000 Este é o preço da Telebrás. São Paulo: Revista Veja, Ed. Abril, Edição 1557, ano 31 - n.º 30, pp.102-109.

 

 

2. Concessão de faixa de freqüência de rádio para operação do Serviço Móvel Celular, atribuída a uma empresa de telefonia estatal ou particular. O Serviço Móvel Celular da Telesp Celular (região metropolitana de São Paulo) opera na Banda A e o serviço da BCP opera na Banda B.

 

3. Mais detalhes sobre o assunto podem ser encontrados nas seguintes publicações: Hélio Waldman e Michel Daoud Yacoub: Telecomunicações - Princípios e Tendências, Editora Érica, 1997; Ron Schneiderman: Future talk - The changing wireless game, IEEE Press, 1997 e Uyless Black: Emerging communications technologies, 2nd edition, Prentice Hall series in advanced communications technologies, 1997.

 

 

 

 

 

 

 

MCLUHAN, Marshall. Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem. São Paulo: Cultrix, 5ª ed., 1979.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

MARRONE, Gianfranco. Il Telefonino: problemi generali, analisi della publicità, Facoltà de Scienze della Formazione di Palermo, 1998.

 

 

 

KAC, Eduardo. "Aspectos da Estética das Telecomunicações" em Comunicação na Era Pós-moderna. Monica Rector & Eduardo Neiva. (ors.). Simone Osthoff (trad.). Rio de Janeiro: Vozes, 1998, pp. 175-199.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MARRONE, Gianfranco. Il Telefonino: problemi generali, analisi della publicità, Facoltà de Scienze della Formazione di Palermo, 1998.

 

 

 

 

4. Dicionário Aurélio: Revelar por meio de notas ou sinais; fazer notar; indicar; manifestar.

5. Dicionário Aurélio: Relação que se nota entre duas ou mais coisas; sentido subjetivo que uma palavra ou expressão pode apresentar paralelamente à acepção que é empregada.

 

 

 

 

BARTHES, Roland. Elements of Semiology. London: Cape.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MARRONE, Gianfranco. Il Telefonino: problemi generali, analisi della publicità, Facoltà de Scienze della Formazione di Palermo, 1998.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MARRONE, Gianfranco. Il Telefonino: problemi generali, analisi della publicità, Facoltà de Scienze della Formazione di Palermo, 1998.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FOCH, Jean-Marie. Semiótica, Marketing e Comunicazione: Dietro i Segni, le Strategie. Andrea Semprini e Massimo Francheschetti (trads.), Milano: FrancoAngeli, 1997.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

6. O número entre parenteses quadrados indica a ordem dos anúncios no apêndice.

Introdução: O mercado de telefone no Brasil 

No Brasil, a Telebrás empresa estatal até agosto de 1998, ainda demora mais de dois anos para entregar os telefones convencionais que vende, e que, após a privatização, é esperado que os brasileiros observem uma mudança histórica que terá ampla repercussão na vida de milhões de pessoas. Para garantir o direito de comprar a uma linha telefônica residencial há imensas filas de espera nas Teles (lojas) estaduais &emdash; subsidiárias da Telebrás. Na prática a instalação poderia levar anos o que causou enormes distorções no mercado, muitas pessoas alugavam e ainda alugam linhas telefônicas outras compraram sua linha no mercado paralelo pagando o equivalente a uma outra linha telefônica a título de juros.

Hoje um telefone já entregue passou a valer ouro. Em 1995, a empresa telefônica de São Paulo, a Telesp, vendia uma linha residencial por 970 reais (800 dólares), mas como não havia oferta, quem quisesse um telefone tinha de pagar mais de 4000 reais (3330 dólares) no mercado paralelo e em alguns bairros da periferia de São Paulo o valor poderia chegar até 9000 reais (7500 dólares) &emdash; um ágio de 850% sobre a tarifa oficial. Comprar e vender telefones se transformou em um negócio que ocupou os classificados de jornais e criou algumas grandes fortunas. O telefone convencional tornou-se um artigo tão raro que jamais foi considerado um serviço, como o acesso à água ou energia elétrica, algo que se pede para ligar e desligar. O telefone do brasileiro é um bem, pertence à sua família e está listado no imposto de renda na coluna do patrimônio, declarado em testamento e lembrado na hora do divórcio. Ter duas ou três linhas em casa já foi indicativo de prosperidade. Até bem pouco tempo atrás, os recém-casados faziam contas e planos para comprar três bens a prazo: o imóvel, o carro e o telefone. Tudo isso ocasionou um sistema totalmente desigual na distribuição de telefones no país onde de acordo com a Anatel1:

  • Os 16% mais ricos possuem 81% dos telefones residenciais;
  • Os 57% mais pobres têm 2% das linhas;
  • A classe A tem, em nédia 2 linhas por família
  • A classe D, 1 linha a cada 100 famílias

Segundo uma pesquisa da Arthur D. Little, Banco BBA, Banco Stock-Máxima e Merrill Lynch publicada na revista Veja na seção Economia & Negócios, revela por que não funciona e o que vai mudar na telefonia brasileira com o setor privado.

Por que não funciona

O que vai mudar

A Telebrás precisaria ter gasto 10 bilhões de dólares por ano para modernizar o sistema e aumentar a oferta de linhas, mas só investiu 3,5 bilhões por ano. Por isso, os telefones viraram artigo de luxo e não funcionam bem.

O serviço deverá melhorar muito porque as concessionárias privadas se comprometem, por contrato, a cumprir metas bastante severas. Se não cumprirem, podem até perder o contrato

1. Existem no Brasil 17 milhões de telefones fixos. Em vinte anos , a oferta cresceu dez vezes mais do que a população, mas a procura aumentou vinte vezes

1. Até o ano 2001, os consórcios vencedores do leilão de privatização terão de aumentar o número de linhas dos atuais 17 milhões de terminais fixos para 33 milhões

2. No Brasil, 11 (onze) em cada 100 habitantes têm telefone fixo. Na Argentina são 18 (dezoito) aparelhos para cada 100 habitantes. Na Costa Rica, 25. Na Suécia, 68

2. Em 2001, estima-se que haverá 22 telefones fixos para cada 100 habitantes no Brasil. Em 2007, a proporção será de trinta por 100, quase o padrão europeu

3. Uma linha das teles estatais custa 50 reais, mas não há oferta. No mercado paralelo, uma linha de telefone fixo custa em média hoje 2000 reais (1650 dólares)

3. A previsão é de que, em 2007, uma linha será entregue por uma taxa mínima, e haverá oferta suficiente

4. Em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba espera-se mais de dois anos por uma linha hoje em dia. Na Inglaterra a espera é de dois dias

4. Daqui a quatro anos as empresa privadas serão obrigadas a instalar a linha em quatro semanas. Em 2005 o prazo cai para uma semana

5. Há 17 milhões de brasileiros na fila por um telefone fixo

5. Até o final de 2001 estima-se que essa fila não deverá mais existir

6. Três em cada 100 habitantes no Brasil têm celular. Há uma fila de 7 milhões de pessoas para comprar um celular

6. Daqui a quatro anos, nove brasileiros em cada grupo de 100 deverão ser donos de um celular, e até 2007, dezesseis em cada 100

7. A taxa de habilitação do celular pode custar hoje 330 reais (275 dólares), dependendo do Estado

7. Até 2001, a estimativa é de que esse serviço não será mais cobrado, como acontece nos Estados Unidos

Fonte: PATURY & SORIMA, 1998

O Brasil está passando atualmente por uma grande revolução na telefonia celular, causado pelo grande número de novidades com o inicio de operação dos serviços da banda B2, a privatização do sistema Telebrás e o aumento de novos produtos em disponibilidade no país, está introduzindo o telefone celular na vida diária dos brasileiros. Essa revolução também se deve ao grande progresso tecnológico desde o desenvolvimento da primeira geração de sistemas móveis &emdash; onde o serviço celular passou a funcionar através da divisão de uma cidade ou região em pequenas áreas geográficas denominadas células, sendo cada uma delas servida pelo seu próprio conjunto de rádios transmissores e receptores de baixa potência que caracterizava-se basicamente por ser analógica, utilizando modulação em freqüência para voz e modulação digital FSK (Frequency Shift Keying) para sinalização. Em função da pressão de demanda, particularmente nos EUA, onde o sistema analógico havia atingido o limite de sua capacidade nas maiores áreas metropolitanas, e pela necessidade de se ter um sistema Pan Europeu na Europa, foi necessário dar início ao desenvolvimento de sistemas digitais que em princípio, além da maior capacidade, ofereciam as seguintes vantagens sobre os analógicos: técnicas de codificação digital de voz mais poderosas, maior eficiência espectral, melhor qualidade de voz, trabalham com bastante facilidade a comunicação de dados e facilitam significativamente a criptografia da informação transmitida, denominada &emdash; Segunda Geração de Sistemas Móveis. Como resultado desse esforço, surgiram os sistemas GSM (Groupe Speciale Mobile/Global System for Mobile Communications) na Europa, o TDMA (Time Division Multiple Access), o CDMA (Code Division Multiple Access) nos EUA e o PDC (Japanese Personal Digital Cellular) no Japão3.

O surgimento desse novo instrumento de comunicação juntamente com o avanço tecnológico descrito acima, podemos telefonar de qualquer lugar e a qualquer momento. Assim, estamos mudando de aparelhos até então simples, com grandes dimensões e imperfeições acústicas para uma outra extremamente sofisticada, de operações simples, dimensões reduzidas e mais fácil de portar junto conosco. O fato é que se está aperfeiçoado um sistema complexo de ligações, de modo que já é possível "cobrir" algumas zonas de difícil acesso no território brasileiro, assim como, permitir a comunicação celular com outros países do mundo.

Desse modo, o mundo está ficando cada vez menor e sem fronteiras. Um aparelho telefônico móvel permite falar com qualquer parte do mundo através de uma rede de satélites, com é o caso do Iridium criado pela Motorola que já está em funcionamento no Brasil. Os satélites Iridium, posicionados em baixa órbita, a 780 quilômetros de altura, permitem que se comunique de alto mar, do meio do deserto ou até dos pólos como se estivesse na mesma cidade.

Uma visão dos fenômenos sócio-comunicativos

Para Mcluhan o que está acontecendo é uma batalha da extensão tecnológica dos sentidos &emdash; batalha essa que há mais de uma década vem sendo travada em nossa cultura. Com o telefone, temos a extensão do ouvido e da voz, uma espécie de percepção extra-sensória, a união do emissor e do receptor numa só peça, uma indicação significativa da ligação dos sentidos.

Como todos o meios são fragmentos de nós mesmos projetados no domínio público, a ação que qualquer meio exerce sobre nós tende a aglutinar os demais sentidos numa nova relação. O telefone exige uma participação completa, diferente da escrita e da página impressa.

A palavra telefone surgiu em 1840, antes do nascimento de Alexander Graham Bell. Era aplicada a um dispositivo destinado a transmitir notas musicais através de botões de madeira. Na década de 70, muitos inventores estavam tentando descobrir processos de transmissão elétrica da fala e o American Patent Office recebeu no mesmo dia dois projetos de telefone, um de Elisha Gray e outro de Graham Bell &emdash; mas este com vantagem de duas horas (1979:298-303).

Com a invenção e difusão do telefone celular fica evidente que deve ser inserido de maneira geral no desenvolvimento da tecnologia da comunicação (radio, TV, internet etc.) que caracteriza a idade contemporânea, é inegável que esse instrumento tem, e é destinado a ter no futuro, implicações profundas nos planos econômico, social, cultural e lingüístico que não podem serem apenas assimilados a algo relativo a outra forma de comunicação. As mídias como o rádio e a TV, contribuíram para o nascimento e de uma cultura de massa de escala global, que em síntese tendem a se engendrar como redes que se interligam, e, nessas redes, cada mídia particular tem uma função que lhe é específica. É por isso que o aparecimento de cada nova mídia, por si só, tende a redimensionar a função das outras. O telefone celular está também provocando eventos e processos também importantes, sobretudo no aspecto individual, mas que refletem quase que imediatamente sobre o plano coletivo.

Uma das ironias do homem ocidental é que ele nunca se preocupa com a possibilidade de uma invenção se constituir uma ameaça à sua vida. E assim tem sido do alfabeto ao automóvel. O homem ocidental tem sido continuamente remoldado por uma lenta explosão tecnológica que estende por mais de 2.500 anos.

Separando a audição da sua inter-relação com o visual e tátil, e o interlocutor da comunidade discursiva, o telefone enfatiza a linearidade dos sinais através da separação do som de todos os outros sentidos e do isolamento do elemento vocal da comunicação da sua consequência natural com a expressão facial e gestual.

O telefone Celular é um "entrão" irresistível em qualquer tempo e lugar; uma forma intensamente pessoal que ignora todos os reclamos da intimidade visual tão prezada pelo homem.

O professor Gianfranco Marrone (1997-98) argumenta que a invenção desse novo instrumento tecnológico tem causado de modo automático a constituição de novas formas de sociedade e de cultura. Se o celular obteve um crescimento rápido no seu uso, é porque já havia uma cultura e uma sociedade que de alguma forma contribuiu para a penetração social: uma cultura sensível à comunicação, em contínua transformação, crescimento rápido, globalizada, mudando o tempo e espaço de trabalho, da vida familiar e em geral no cotidiano. O telefone celular é a simples resposta às pressões para a melhoria da telefonia, ou em geral, da tecnologia comunicativa. É sem dúvida nenhuma, essa nova possibilidade comunicativa oferecida pelo celular vem sendo pouco a pouco transformada em necessidade, tornando-se de alguma forma uma exigência de sofisticação.

Sendo uma modalidade que exclui tudo o que é diferente da imediação vocal, o telefone revela sua estrutura metafísica platônica. Porém, quando focalizamos as várias particularidades da experiência telemática, descobrimos instantaneamente novos insights na estrutura telefônica que contribuem para a possibilidade de desconstrução da mesma. Talvez o aspecto mais relevante da nova sintaxe telefônica seja a recente absorção técnica do elemento gráfico. Hoje é tecnicamente possível não apenas falar ao telefone, mas ainda escrever (e-mail), imprimir (fax), assim como gravar som e imagem (secretária eletrônica, videofone). Como vimos é bem provável que no futuro a fibra ótica nos proporcione acesso ao teleciberespaço. O telefone está se tornando o meio por excelência daquela escrita "expandida e radicalizada" que Derrida observava. No entanto, a importância do telefone nas nossas vidas aumenta à medida que este se torna menos sonoro. Está claro que o telefone, lenta mais continuamente, deixa de justificar sua existência exclusivamente por conta do discurso falado e que as implicações culturais desse novo aspecto da vida contemporânea permanecem por ser elaboradas enquanto existência estética (Kac,1997:194).

O que contribuiu para o sucesso tecnológio e econômico com a invenção do telefone celular e sua rápida difusão em pouco tempo está relacionado com a produção de novas formas linguísticas e de comunicação.

  • Do ponto de vista da língua têm-se desenvolvido uma série de termos mais ou menos técnicos ligados a esse novo instrumento: em relação ao próprio signo inteiro (ao se pensar no próprio "celular" e nos seus derivativos, bem como nas siglas TDMA, CDMA, GSM etc.) ou o que se refere o significado dos termos ("cobertura", "rede" etc.).
  • Também no plano do enunciado proferido, modifica profundamente a linguagem utilizada em relação ao telefone celular que podemos notar na conversação feita no telefone convencional quando começamos com a pergunta "quem fala?, ou colocamos em evidência a identidade da pessoa ("sou eu", "meu nome é", "estou querendo falar com" etc.), e com o telefone celular é o espaço e o tempo que são objeto de interrogação: "onde você está?" e "estou te atrapalhando?" são formas de abertura mais frequêntes utilizadas na conversação via telefone celular porque a identidade do ator utilizador não está em questão (porque quando responde uma outra voz, é porque erramos o número um "engano").

O telefone celular está produzindo novas formas de conversação e discursos típicos próprios da conversação do tipo fática, que Jackbson descreve como mensagens que servem primariamente para estabelecer, prolongar ou interromper a comunicação ("alô", "como vai?", "vou indo e você?"), para atrair a atenção do interlocutor ou confirmar a sua atenção contínua ("você está me ouvindo?", "não te ouço bem!", "você deve estar em uma área coberta", "o sinal não está bom", "um momento que vou estacionar o carro", "espere que saio do elevador", "está acabando a bateria" etc.). Podemos pensar também uma conversação do tipo topológico-organizadora, onde se comunica constantemente para um eventual encontro onde os interlocutores se colocam sobre um território. ("estou chegando ao aeroporto, te chamo de lá", "nos encontramos às dez, então chame os outros e nos encontramos todos", "deixe uma mensagem na secretária de casa, mais tarde escuto e falo com você"). E por último, se pensarmos como se transforma os telefonemas de trabalho, produzindo mensagens breves e sucintas, onde as mensagens tem uma função aperitiva ("devemos falar de...", "vou falar pouco, depois falamos com calma", "na reunião saberemos o que dizer.." etc.), onde o nascimento desse tipo de mensagens pode ser causada por vários fatores, o custo da conversação, o medo constante ser interceptado (no trânsito) e a presença do quase-enunciador.

Essas observações das transformações linguísticas colocam em evidência com as conversações através do telefone celular intensificam a quantidade de mensagens em relação à sua qualidade. Fala-se muito para dizer pouco, uma hipertrofia da forma sobre a potência do conteúdo.

O telefone celular demonstra com outras media, uma variedade de próteses que alargam o campo de sensibilidade e ações do homem, dotando de novas e fundamentais potenciais (poder comunicar sempre e em qualquer lugar) e novas forma de simbolizar seu próprio status (exibir de modo mais ou menos vistoso o objeto). Graças ao telefone celular, o indivíduo tem adquirido uma série de liberdade jamais possível antes, com manter constantemente em contato ora com o lugar de trabalho ora com a família, sem ter de mudar de lugar ou deslocar-se. (Marrone, 1998)

A Semiótica na Publicidade

A publicidade constitui para o semiólogo um campo muito vasto para pesquisas analisando as diferenças de discursos que na publicidade têm objetivos muitos claros segundo o professor Marrone, não limitando-se apenas em persuadir o destinatário a cerca da verdade daquilo que dizem; mas ao contrário, mais profundamente, manipulando a respeito do sistema de valores na sua proposta comunicativa, valores que são refletidos sempre sobre um objeto (produto, serviço, ideologia etc.) publicitado. Sem falar no nível explicitamente denotado4, o discurso publicitário não pode nunca estar no nível conotado5, mais ou menos escondido, que o destinatário deve necessariamente perceber. O trabalho da semiótica é na verdade o de reconstruir as conexões intrínsecas desses dois níveis comunicativos e mostrar como na publicidade a denotação está sempre à serviço da conotação.

O conceito de conotação, é a chave para as primeiras análises semióticas de Barthes abordando a cultura de massas e a literatura. As idéias de Barthes sobre conotações baseiam-se numa versão do modelo sígnico glossemático &emdash; negligenciando as dimensões da forma e da substância &emdash; definindo signo como um sistema consistindo de E, uma expressão, em relação (R) a C, um conteúdo: E R C. Tal sistema sígnico primário pode se tornar um elemento de um sistema sígnico mais amplo. Se a extensão é de conteúdo, o signo primário (E1 R1 C1) se torna Expressão de um sistema sígnico secundário: E2 =(E1 R1 C1) R2 C2 (Barthes, 1964a:89). Neste caso, o signo primário é de semiótica denotativa, enquanto o signo secundário é de semiótica conotativa. Barthes representou estas relações em seu modelo de um sistema escalonado.

 

Fig. modelo da conotação de Barthes

 

Este modelo é exemplificado por Barthes (1957:116) na analise da foto de capa da revista francesa Paris-Match publicada nos anos 50. A foto (=expressão1) mostra &emdash; denota &emdash; um africano em um uniforme francês saudando a bandeira francesa (=conteúdo1). Além do signo denotativo (E1 R1 C1), aparece o conteúdo implícito C2 de que a "frança é uma grande colonizadora com cidadãos africanos". Este conteúdo C2 é o conteúdo de um novo signo (conotativo). Sua expressão E2 é todo o signo denotativo E1 R1 C1.

No projeto semiótico de Greimas o ponto de partida é a tentativa de aplicar métodos de pesquisa lingüística estrutural à análise de textos, que Greimas definiu como discurso, tendo suas raízes no conceito saussureano de estrutura como diferença, nos princípios de oposições binárias e da pertinência e no modelo sígnico glossemático de Hjelmslev e influências da sintaxe de dependência de Lucien Tesnière.

Greimas distinguiu três "áreas gerais autônomas" de análise semiótica textual: estruturas sêmio-narrativas, estruturas discursivas e estruturas textuais. Para Greimas, significação é o conceito chave da semiótica. As relações elementares do mundo semântico de Greimas são relações de oposição onde mundo se estrutura para nós na forma de diferenças e oposição. Significação é definida para Greimas como uma relação elementar da diferença entre dois termos semânticos.

O quadrado semiótico das oposições constituem eixos semânticos que podem representar dois tipos diferentes de relação lógica.

  • A contradição, é a relação que existe entre dois termos da categoria binária asserção/negação. Esta relação é descrita como oposição entre a presença e a ausência de um sema. Dessa forma, um sema s1, "vida", é o oposto a seu não-s1 contraditório (s1), "não-vida" ( onde o sema "vida" é ausente).
  • A contrariedade onde dois semas de um eixo semântico são contrários se um deles implica o contrário do outro. O contrário de s1, é s2, "morte". Os dois semas pressupõem um ao outro.

Formando assim uma constelação semântica de três termos nos dois eixos, s1 - s1 e s1 - s2, pode ser expandido pelo contrário de s2, que é s2 ("não-morte"). Resultando em uma constelação de quatro termos de relação de implicação ou complementaridade.

As quatro formas de representação gráfica apresentada no quadro abaixo para visualizar o quadrado semiótico foi adaptada do modelo lógico de Aristótes apresentado na figura abaixo.

 

Se uma imagem contém vários signos a publicidade e a propaganda está repleta deles, consequentemente, a sociedade está repleta do paradoxo semiológico, onde o homem constrói signos para poder esconder a sua existência. A publicidade é segundo Marrone (1997-98) o terreno onde esse paradoxo se desenvolve, o lugar onde a conotação pode negar a si mesma e a sua trama ideológica.

Neste trabalho de análise gremasiana da publicidade da telefonia celular (hipótese generativa que vai de encontro dos signos e hipótese estrutural que busca as relações) pode oferecer três grandes vantagens: (1) maior inteligibilidade; (2) maior pertinência; e (3) maior diferenciação. Não basta dizer que uma coisa é diferente da outra, mas entender de que modo ela é diferente, analisando qual tipo específico de relação é percebida diferente.

As possibilidades de valorização de um objeto são quatro: valorização prática; valorização utópica; valorização lúdico-estética; e valorização crítica.

1. Uma valorização prática é a que considera o objeto sobretudo nas suas características de intrumento e utilidade; os valores por exemplo para um objeto-automóvel serão a dirigibilidade; o conforto ou a segurança;

2. Uma valorização utópica é a que um sujeito realiza sua própria identidade em conjunto com o seu objeto de valor; que aparece em alguns spots de automóveis representado com uma total associação do condutor com o automóvel;

3. Uma valorização lúdico-estética é a que corresponde a uma negação absoluta de uma prática, onde se considera o objeto, prescindindo totalmente a sua característica de utilidade, a partir das suas características formais e físicas, do prazer que procura e da beleza; no caso do automóvel os valores de referimento serão o luxo, o acabamento, a velocidade e etc.;

4. Uma valorização crítica é a negação da utópica, graças a um objeto que vem selecionado mais do que outro na sua conveniência e na sua propriedade instrumental; no exemplo do automóvel, estará atento ao preço; ao consumo de gasolina; à robustez e etc.

Podemos construir uma tipologia rica e complexa de possíveis valores para um sujeito, permitida pelo "quadrado semiótico" da oposição entre dois valores contrários existenciais e prático mostrado no quadro a seguir como demostrado por (Marrone 1998).

O comportamento de consumo que os executivos de marketing imaginam, vão da busca das motivações sociais e psicológicas dos consumidores, eles tentam conhecer e antecipar como vantagem através de quadro grandes classes que, mesmo sendo muito amplas tem-se a vantagem de serem claras e distintas. Nesta classe podemos corresponder, quatro tipos de consumidores (eficiente, conveniente, curioso, "consumerista") e, em geral quatro tipos de paixões no confronto de um objeto (necessidade, desejo, capricho e interesse). E é a publicidade que utiliza de histórias e de imagens a partir dessas classes para construir e reconstruir uma mensagem.

Fig. quadrado semiótico

 

Este quadrado serve para reconstruir os movimentos internos do texto, as transformações semânticas que constróem as várias histórias. Jean-Marie Floch mostra que a instrumentação semiótica, em um primeiro momento está distante de um uso concreto com o lançamento de um produto no mercado, fornecendo apenas mais uma clarificação. Os "criativos", tradicionalmente obtém suporte para a criação publicitária das aproximações estatísticas dos sociólogos ou dos psicólogos, para fazer e orientar as mensagens publicitárias controlando o contorno contextual da sua produção.

 

Umberto Eco denominou os quatro tipos e como podemos ilustrar as suas lógicas respectivas de valorização através de alguns de seus discursos conforme ilustrado no quadro acima (Floch, 1997:194)

a) O eficiente que busca o produto rapidamente, de qualidade suficiente, sempre na mesma gôndola ou estante.

b) O conveniente gosta de obter algo mais quando faz compras, procura conviver no espaço procurando um lugar para se sentar, discutir, comer e etc..

c) O consumerista não quer saber da conviviabilidade, analisa somente o portfólio do produto em relação a qualidade e o preço.

d) O curioso no início busca uma parte da utilidade do eficiente e depois vai concedendo um pouco. Quer se sentir como na sua própria casa e ter outra coisa para fazer, e em um supermercado gosta de andar por todas as partes apenas para empurrar o carrinho.

O quadrado semiótico pode permitir uma articulação e organização deste universo semântico: do desejo, da inveja, da necessidade e do interesse. Que no fundo, são todos campos de investigação, sobretudo sobre a paixão, que está hoje no centro de várias pesquisas psico-semiótica, bem como a semiótica geral. (Floch, 1997:195) 

Metodologia

A metodologia utilizada neste trabalho em particular, é buscar aspectos deste vasto e complexo discurso que circula e se transforma entorno do fenômeno do telefone celular na comunicação publicitária em revistas de grande circulação e nos jornais entre o segundo semestre de 1998 e o primeiro semestre de 1999 entre os dois gestores de serviço (Telesp Celular e BCP), bem como os produtores dos aparelhos (Motorola, Nokia, Siemens, Gradiente etc.); excluindo por razões de representatividade, os anúncios veiculados via rádio e TV e, por razões de pertinentes e de limitações de campo de pesquisa, as promoções e patrocínios.

Os Aparelhos Celulares

Em todos os modelos, o quadro de assiologia de valores de consumo deve ser usado com uma certa atenção, tendo sempre presente o fato que tal modelo indica apenas a estrutura elementar da significação mais profunda, e que buscamos entender os termos usados para construir as suas posições ("prático", crítico", utópico", "lúdico") como termos de metalinguagem e não como palavras presentes no contesto publicitário.

Qual é, segundo a publicidade, a função do telefone Celular? Trata-se de um instrumento que serve para comunicar em geral o que é útil na sua base de mobilidade de consumo? É um meio para se usar sempre ou apenas em situações especificas? É feito sobretudo para se falar ao telefone ou se consente outra coisa? Como podemos observar, podemos obter uma multiplicidade de respostas.

Prático

Um grande grupo de anúncios insistem continuamente que o telefone celular serve simplesmente para comunicar. A Philips [1]6 apresenta o seu modelo digital AEON destacando "Aproxime-se." colocando entre uma fotografia de um homem e uma mulher. Destaca no subtítulo a sua praticidade; a Gradiente [2] diz "Pode atender que é Gradiente" mostrando o telefone na mão de uma pessoa e no display do celular aparece uma mensagem "Ligue para mim 814-8222" e explica no subtítulo que possui um novo sistema que melhora muito as ligações e finaliza mostrando a funcionalidade "dual mode - digital e analógico; função pager; identificação de chamadas; bateria extra longa 83 horas; campainha com toque personalizado"; Qualcomm [3] ao apresentar o telefone digital Q Phone sob o rosto de uma mulher para mostrar o tamanho do aparelho, escreve "Agora no Brasil QUALCOMM CDMA Digital Phone: o telefone que fala.", apresenta ainda no corpo do texto as três funções: celular, pager e voice mail, terminando novamente o texto dizendo "você fala sempre. Sem interrupções, sem interferências e com privacidade inviolável ... com qualidade que você nunca viu nem ouviu.".

Ao comparar estes três textos, vemos que os três enfocam que falar e ouvir bem aproxima as pessoas.

Temos também um grupo de anúncios que realçam a "praticidade" como um plus em relação a função primária do telefone celular.

Os três primeiros [1] Philips; [2] Gradiente e [3] Qualcomm destacam também no subtítulo textual a praticidade como função secundária. A Nokia [4] apresenta no final do ano "Nokia 6120. O melhor presente neste natal." Com uma fotografia em um fundo preto com destaque e indicação de toda a sua funcionalidade. Na parte superior direita coloca a marca "Nokia 6120 O mundo só fala nele"; Nokia [5] destaca toda a funcionalidade na parte branca da página e na parte preta destaca mais ainda algumas funções apresentadas anteriormente na parte branca "Agenda, relógio, jogos, 199 memórias, calculadora, menu em 4 idiomas, identificador de chamadas, modo pager e calendário."; a Ericsson DH368vi [6] apresenta "A estrela da tecnologia digital." E coloca o desenho da função estrela dizendo "que criou o máximo em tecnologia digital" descrevendo todas as funções; Ericsson 788 [7] mostra em página dupla no lado esquerdo "788 O menor digital" e no lado direito uma foto do telefone escrito abaixo "Foto em tamanho natural" e descreve abaixo no subtítulo as diversas funções; Gradiente Concept Digital [8] faz o seu anúncio também argumentando ser "o menor e mais leve celular digital" escrevendo com ênfase "Perca Peso em um dia. Compre o novo celular digital Gradiente.", mostrando novamente como em [2] o celular na mão de uma pessoa demonstrando a relação objeto-mão; Motorola Star Tac 7760 [9] mostra também anúncio de página dupla do lado esquerdo a foto em tamanho natural e do lado direito vem colado uma régua "real" dizendo acima "Para acabar com a polêmica sobre qual é o menor digital, só com este sofisticado equipamento".

Crítico

A valorização crítica é pouco usada pela comunicação publicitária nos anúncios em revistas de grande circulação. Os valores específicos demonstrado são basicamente o do peso e tamanho. (Já mencionados na valorização prática, a Ericsson 788 [7] "O menor digital"; Gradiente Concept Digital [8] "Perca Peso em um dia."; Motorola Star Tac 7760 [9] mostrando uma régua.). Os anúncios [7], [8] e [9] dão uma valorização prático-critico confundindo um pouco. A Ericsson GF 788 [10] apresenta o telefone junto com uma taça de salada de frutas, saindo da atenção centrada no objeto e as suas características técnicas, emergindo na subjetividade do consumidor. "Sinta-se mais ágil" em destaque e comentando abaixo "Se você quiser controlar seu peso, a Ericsson pode ajudá-lo com uma linha de telefones leves e compactos." E depois começa a descrever as características técnicas.; Qualcomm [11] mostra um executivo de braços cruzados visto de cima para baixo e menciona: "Alguém aí pode, por favor, explicar essa salada que vejo nos jornais sobre telefonia celular antes que me façam de idiota novamente?" depois responde "...você encontrou a resposta mais inteligênte.".

Somente três anúncios foram localizados no universo da pesquisa com valorização de preço que são: Motorola StarTac 6000 [12] mostra todas as suas características técnicas e "Mas o mais importante é que ele está entrando no mercado com preço especial: R$ 1.695,00. Aproveite. Na compra do novo StarTac 6000 você ganha um holter, aquele suporte técnico...".

Utópico

Foi a valorização pouco explorada pela comunicação publicitária com relação ao telefone celular. A Ericsson Série 600 [13] "Costumava-se dizer que Marte era um planeta inatingível...", "...até que um pioneiro chegou lá.". O anúncio faz uma comparação entre o celular e um veiculo de comunicação da Ericsson colocado em Marte. Finaliza dizendo "Porque para a Nova Série 600 da Ericsson, nada é impossível." Dando a entender que para o conhecimento humano nada é impossível. Motorola StarTac 7790 e 7760 [14] faz o lançamento de seu produto como o lançamento para o espaço, para fazer a sensação de lançamento utilizou-se de quatro páginas de revista colocando apenas um número de discagem do telefone em contagem regressiva, página um (3 def); página dois (2 abc); pagina três (1 menu) e página quatro (0 opr) "Está lançado o StarTac Digital" e a logomarca "Motorola: Te dá Asas".

Lúdico

A valorização crítica mais encontrada foi o jogo e o divertimento. A Ericsson KF 788 [15] "Este ano tem um novo campeão." Colocando o telefone celular ao lado de uma bola de tênis, ao patrocinar o Campeonato de Tênis Lipton. Já a Nokia 6120 [16] mostra o Péle enquilibrando o aparelho com a cabeça como se fosse uma bola de futebol. Escreve acima do aparelho "4 jogos." E destaca abaixo à escquerda "Pelé, atleta do século."; Novamente a Nokia [17] para mostrar a função relógio dispertador, põe a foto de Dorival Caymmi, um grande compositor brasileiro conhecido pela sua preguiça, fazendo um sinal de silêncio, e escreve encima da foto do celular "Relógio despertador com função soneca."; e Nokia 6120 [18] para mostrar que o telefone é leve, coloca uma foto de Jô Soares, um apresentador de TV e comediante gordo com o segurando o celular enquanto arruma a gravata borboleta, e escreve encima da foto do celular "O mais leve celular do país.".

Os dois gestores de Serviços em São Paulo

Desde que o primeiro telefone celular foi instalado em 1993 pela Telesp Celular, muita coisa vem mudando em relação à telefonia celular no Estado de São Paulo. Os primeiros e enormes aparelhos começaram a serem vistos e com as pessoas da classe social mais elevada mais como um novo símbolo de status do que da necessidade de comunicação. Com o fim do monopólio estatal no setor e com o início das operações da BCP Telecomunicações uma holding com participação da BellSouth, em maio de 1998 as filas de espera para obtenção de uma linha de telefonia celular começaram a diminuir acabando em outubro de 1998. Com a venda em julho de 1998 da Telesp Celular para um consórcio liderado pela Portugal Telecom inicia-se uma guerra de incentivos numa estratégia de penetração de mercado promovendo uma campanha de migração do sistema analógico para o digital sem taxa adicional e um bônus de 200 reais para o assinante que comprar um aparelho novo para substituir o analógico antigo. Já a BCP enviou cupons de desconto no valor de 100 reais cada de desconto para quem quiser comprar um aparelho bem como tarifas diferentes para segmentos de mercado diferentes.

Nos anúncios publicitários das duas companhias gestoras de serviços de telefonia celular examinadas o objeto-celular está sempre em um plano principal. A imagem de marca e imagem institucional nem sempre aparecem num primeiro plano.

BCP Telecomunicações

A BCP apresenta uma promoção de valorização crítica em anúncio [18] de capa dupla dizendo no lado esquerdo "A segunda linha é grátis: Presente da BCP para São Paulo." com a imagem de dois celulares dentro de um pé de meia com o preço do aparelho abaixo. O logotipo da BCP aparece sem destaque misturado ao texto.

No segundo momento a BCP comunica que cumpriu a meta prevista pela privatização [19] e [20] também com uma valorização crítica ao colocar a imagem de um telefone celular sobre várias imagens de icones da bolsa de valores e suplemento financeiro sem também valorizar a marca.

Já o com o anúncio "Olho Mágico BCP" [21] para anunciar o novo serviço que escreve o nome de quem está ligando faz com uma valorização lúdica colocando o telefone preso em uma coleira em um cachorrinho com um olho grande e novamente apenas coloca a marca da empresa no final do anúncio.

Apenas foi encontrado no universo de pesquisa um anúncio [22] que tenta construir ou manter uma imagem de marca ao comunicar "Estamos construindo a melhor empresa de telecomunicações do Brasil." Com uma fotografia de várias pessoas com o telefone celular nas mãos.

Telesp Celular

A Telesp Celular também utiliza da valorização crítica na sua promoção "Amigo do Peito" [23] onde ao indicar amigos, eles ganham a habilitação e quem indicou pode ganhar até 113, 52 reais de desconto na conta de assinatura.

Continua também utilizando a valorização crítica [24,25 e 26] mostrando uma executiva que comunica que vai chegar atrasada, um casal falando como foi a festa e um homem moderno na cozinha dizendo o que vai ter para o jantar sempre com um reforço da imagem da empresa de melhor tecnologia.

Utiliza também uma valorização utópica ao comunicar que ampliou a sua área de cobertura [27] escrevendo sobre a imagem do mundo e algumas pessoas utilizando o celular na (alemanha, frança, espanha, autrália e hong kong).

No lançamento do telefone celular pré-pago o Baby [28] a Telesp Celular utiliza a valorização prático-utópica onde de um lado demonstra toda sua praticidade (habilitado e pronto para falar, sem contrato, sem conta no final, sem mensalidade e recarregamento eletrônico) e do outro lado mostra uma criança recém nascida segurando um telefone e diz "Chegou Baby da Telesp Celular. O Celular que já nasceu falando."

A Telesp Celular muda para a valorização crítica no anúncio [29] "Olha como é fácil comprar o seu baby." Mostrando que ele já vem com R$ 100,00 de crédito para fazer ligações por três meses.

 

 

Bibliografia


BARTHES, Roland. Elements of Semiology. London: Cape.

FOCH, Jean-Marie. Semiótica, Marketing e Comunicazione: Dietro i Segni, le Strategie. Andrea Semprini e Massimo Francheschetti (trads.), Milano: FrancoAngeli, 1997.

KAC, Eduardo. "Aspectos da Estética das Telecomunicações" em Comunicação na Era Pós-moderna. Monica Rector & Eduardo Neiva. (ors.). Simone Osthoff (trad.). Rio de Janeiro: Vozes, 1998, pp. 175-199.

LARSEN, Hanne H., MICK, David G., & ALSTED, Christian. Marketing and Semiotics: Selected Papers from the Copenhagen Symposium. Handelshøjskolens Forlag: 1991, pp. 142-159.

MCLUHAN, Marshall. Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem. São Paulo: Cultrix, 5ª ed., 1979.

MARRONE, Gianfranco. Il Telefonino: problemi generali, analisi della publicità, Facoltà de Scienze della Formazione di Palermo, 1998.

NÖTH, Winfrid. Handbook of Semiotics. Indiana, 1995

PATURY, Felipe & SORIMA NETO, João. 13.500.000.000 Este é o preço da Telebrás. São Paulo: Revista Veja, Ed. Abril, Edição 1557, ano 31 - n.º 30, pp.102-109.

 

Anexos

[2] [3] [5]

[6] [7]

[8] [10]

[12] [13]

[14]  

[17] [18]

 

Glossário

Este Glossário pode ajudar a compreender a linguagem utilizada na tecnologia celular.

 

ÁREA DE COBERTURA DO CELULAR:

Extensão territorial atingida pelos sinais de uma Estação Rádio Base.

ÁREA DE MOBILIDADE DE UM CELULAR:

É aquela na qual você se locomove livremente, pagando um único valor de comunicação local celular, sem a incidência de custos adicionais por chamada ou deslocamento.

ÁREA DE REGISTRO DO CELULAR:

Região na qual um telefone celular foi registrado.

ÁREA DE SOMBRA:

Locais, dentro de uma área de serviço, onde obstáculos - como paredes, edifícios, viadutos, montanhas ou vegetação densa - bloqueiam a propagação das ondas de rádio, impedindo a comunicação entre as estações rádio base e os aparelhos celulares.

BANDA (A ou B):

Concessão de faixa de freqüência de rádio para operação do Serviço Móvel Celular, atribuída a uma empresa de telefonia estatal ou particular. O Serviço Móvel Celular da Telesp Celular opera na Banda A e o da BCP opera na Banda B.

CAIXA POSTAL:

Local onde ficam armazenados os recados gravados pelo Correio de Voz do Serviço Móvel Celular.

CASC:

Centro de Atendimento Exclusivo ao Serviço Móvel Celular. O Telefone de acesso é 1404.

CÉLULA:

Área geográfica abrangida por uma Estação Rádio Base (ERB).

CELULAR PORTÁTIL:

Aparelho mais usado, por ser o mais prático já que cabe na palma da mão e permite maior mobilidade.  

CELULAR TRANSPORTÁVEL:

Aparelhos maiores e mais pesados do que o portátil, com potência maior que resulta em melhor alcance e maior tempo de operação com bateria.

CELULAR VEICULAR:

Aparelho instalado no console do carro, cuja fonte de energia elétrica é sempre a bateria do automóvel. Possuem cinco vezes mais potência que os celulares portáteis.

CEMI:

Cadastro Nacional de Estações Móveis Impedidas - Cadastro de números de série de aparelhos perdidos ou roubados. Em caso de roubo, furto ou extravio você deverá providenciar um boletim de ocorrência e entregá-lo nas Lojas Telesp Celular para impedir que o seu aparelho seja indevidamente utilizado.

CENTRAL DE COMUTAÇÃO E CONTROLE (CCC):

Equipamento responsável pelo controle da recepção e transmissão das chamadas efetuadas pelos celulares.

CORREIO DE VOZ:

Serviço que funciona como uma secretária eletrônica no Serviço Móvel Celular.

DISPLAY:

Visor do aparelho celular que mostra todas as informações relacionadas ao funcionamento do aparelho e ainda mostra todos os comandos efetuados.

ESTAÇÃO MÓVEL (EM):

Equipamentos (veiculares, transportáveis ou portáteis) que permite ao seu usuário a interligação com a rede telefônica pública ou com outra estação móvel.

ESTAÇÃO RÁDIO BASE (ERB):

Torres que contêm equipamentos de recepção e transmissão dos sinais ( ondas radioelétricas) emitidos pelos celulares.

HABILITAÇÃO:

Compreende os procedimentos relativos à programação do número telefônico designado para o cliente, para ativação de seu celular e início da prestação do serviço móvel.

HOME:

No aparelho Celular, significa que você está na área onde o seu celular foi registrado.

MICROCÉLULAS:

São micro antenas que amplificam a condição de recepção de sinal celular destinadas ao atendimento de locais com alta densidade de tráfego, como aeroportos, shoppings, centros de convenções e cruzamentos de grandes avenidas.

NO SERVICE:

Informação que aparece no display do celular sempre que o usuário se encontrar em local com nível de sinal fraco (garagens, montanhas, etc.).

REDE CREDENCIADA:

Lojas do comércio varejista ou revendedores de aparelhos celulares em todo o Estado de São Paulo, autorizados a vender, habilitar e trocar aparelhos celulares, inclusive nos casos de roubo, furto ou extravio.

REPETIDORES DE SINAL:

Pequenas antenas que garantem sinal para ligações de telefones celulares e oferecem melhor qualidade em áreas que apresentam dificuldade na propagação do sinal. São instaladas em túneis, restaurantes e hotéis.

ROAM:

Informação que aparece no display do celular sempre que o usuário estiver fora da área de registro.

ROAMING:

Sistema que permite ao usuário fazer ou receber chamadas fora da área onde o celular foi registrado.

ROAMING AUTOMÁTICO:

Registro automático de um assinante que esteja fora de sua área de registro na Central de Comutação e Controle (CCC) da área que está sendo visitada.

SERVIÇOS SUPLEMENTARES:

Serviços adicionais que dinamizam ainda mais as suas comunicações.

SISTEMA CELULAR ANALÓGICO:

É o sistema em que a voz do usuário é transformada pelo aparelho celular em sinais elétricos contínuos e transmitida desta forma pelas ondas de rádio.

SISTEMA CELULAR DIGITAL:

É o sistema em que a voz do usuário é transformada pelo aparelho celular em bits (zeros e uns - código binário usado por computadores) e transmitida desta forma pelas ondas de rádio.

SISTEMA MÓVEL CELULAR DIGITAL - CDMA:

(Acesso Múltiplo por Divisão de Código) - É o sistema em que várias conversações são transmitidas simultaneamente no mesmo canal de rádio freqüência e no mesmo intervalo de tempo; entretanto, cada conversação recebe um código de identificação que a diferencia das demais.

SISTEMA MÓVEL CELULAR DIGITAL - TDMA:

(Acesso Múltiplo por Divisão de Tempo) - É o sistema em que várias conversações são transmitidas simultaneamente no mesmo canal de rádio freqüência; entretanto, cada conversação é transmitida em intervalos de tempos distintos. Neste sistema as conversações não são codificadas, pois os canais de rádio freqüência são diferenciados pelos intervalos de tempo.